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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

WILLIAM CROOKES[1]

 

Nascido em Londres, Inglaterra, no dia 17 de junho de 1832, e desencarnado na mesma cidade, no dia 4 de abril de 1919.
Afirmou "Sir" Arthur Conan Doyle que William Crookes foi o maior químico da Inglaterra, o que ficou constatado pela trajetória gloriosa que esse ilustre homem de ciência desenvolveu no campo científico. No entanto, ele teve tarefa não menos importante desenvolvida no terreno da fenomenologia espírita, ao ponto de ser muito frequentemente mencionado como um dos mais persistentes e corajosos pesquisadores dos fenômenos supranormais.
William Crookes estudou no "Colégio de Química", tendo posteriormente sido professor substituto no "Colégio Real" e inspetor da Secção de Meteorologia do Observatório de Redcliffe.
No ano de 1855 assumiu a cadeira de química na Universidade de Chester. Como consequência de prolongados estudos, no ano de 1861 descobriu os raios catódicos e isolou o Tálio, determinando rigorosamente suas propriedades físicas. Em 1872, em seguida a persistentes estudos em torno do espectro solar, descobriu a aparente ação repulsiva dos raios luminosos, o que o levou à construção do Radiômetro, consumada no ano de 1874. Em 1885 descobriu um novo tratamento para o ouro.
A existência do quarto estado da matéria foi por ele determinado no ano de 1879 e denominado "estado radiante", sendo por isso recompensado pela Academia de Ciências da França.
Como retribuição aos seus trabalhos no campo científico, foram-lhe outorgadas a medalha de ouro da Sociedade Real, no ano de 1875; a medalha Davy, em 1888; e a medalha de "Sir" J. Coprey, em 1904. Esta última como merecido prêmio pelas suas relevantes descobertas no campo da física e da química.
A rainha Vitória, da Inglaterra, nomeou-o Cavalheiro, no ano de 1897. Em 1910 ele recebeu a condecoração da Ordem do Mérito. A par de todas as suas atividades ocupou, por reiteradas vezes, a presidência da Sociedade Real de Química, do Instituto de Engenheiros Eletricistas, da Sociedade Britânica e da Sociedade de Investigações Psíquicas. Foi fundador dos órgãos "Chemical News" e "Quarterly Journal of Science".
Após enumerar as atividades desempenhadas por esse notável cientista no campo de sua especialidade, registremos agora o que ele fez no campo do Espiritismo, onde desenvolveu tarefa não menos relevante. Cumpre mencionar, de passagem, que determinados homens de ciência, que não eram dotados do verdadeiro "espírito científico", também encetaram numerosas pesquisas no terreno da fenomenologia espírita e chegaram a resultados positivos, entretanto, não tiveram o desassombro de Crookes, pois ele sempre teve atitudes corajosas e definidas, jamais tergiversando diante do embuste e da mentira, nunca empregando subterfúgios em seus trabalhos.
O seu livro "Fatos Espíritas" jamais encontrou qualquer oposição, porque era um repositório de verdades, por ele comprovadas.
Essa obra contém uma súmula dos trabalhos realizados e publicados no ano de 1874, nas páginas do "Quarterly Journal of Science".
Dotado de invejável fibra de investigador, teve a oportunidade de realizar experiências inexcedíveis, dando sempre o seu irrespondível testemunho sobre as verdades por ele comprovadas.
Não hesitou mesmo em expor toda glória do seu nome quando levou a cabo as famosas materializações do Espírito Katie King.
Os médiuns J. J. Morse e Sra. Marshall serviram de instrumento, no ano de 1869, para que Crookes realizasse as suas primeiras investigações. Em julho desse mesmo ano, o famoso médium Daniel Dunglas Home visitou-o, quando de seu regresso a Londres, procedente de S. Petersburgo (atual Leningrado), portando uma carta do Professor Butlerof.
As mais notáveis experiências mediúnicas, levadas a efeito por esse ilustre cientista, foram realizadas através da médium Florence Cook, jovem inglesa nascida em 1856. As materializações do Espírito Katie King, através dessa médium tornaram-se notáveis e abalaram o mundo científico da época.
A jovem Florence Cook tinha apenas 15 anos de idade quando se apresentou a William Crookes, a fim de servir de medianeira para as pesquisas científicas que ele vinha realizando.
São suas as seguintes palavras: Fui à casa do senhor Crookes sem prevenir a meus pais e nem a meus amigos. Ofereci-me como em sacrifício voluntário sobre o altar de sua incredulidade. Ela pediu a proteção da esposa de Crookes e submeteu-se a toda sorte de experimentações, objetivando comprovar a sua mediunidade, pois um cavalheiro de nome Volckmann havia-lhe imputado suspeitas de fraude.
No dia 22 de abril de 1872, aconteceu, pela primeira vez, a materialização parcial do Espírito Katie King, estando presente na sessão a genitora, alguns irmãos da médium e a criada. Após várias sessões, nas quais esse mesmo Espírito se manifestava com incrível regularidade, a senhorita Cook afirmou a Crookes que estava decidida a submeter-se a todo gênero de investigações com o objetivo de destruir alguns resquícios de descrença que o sábio ainda alimentava.
Quando adentrou o terreno das investigações, a preocupação primária de William Crookes era de demonstrar o erro em que incidiam a médium e aqueles que acreditavam piamente em sua mediunidade. Todos aqueles que apoiavam "Sir" William Crookes também esperavam dele a demonstração de fraudes e a proclamação de que tudo aquilo não passava de uma farsa.
Alguns órgãos da imprensa estampavam a notícia de que o grande cientista iria finalmente desmascarar as afirmações dos espíritas sobre a veracidade dos fenômenos, por isso proclamavam: Se homens como Crookes se ocupam do assunto, prontamente saberemos a que nos apegar em tudo aquilo a que essa farsa se refere.
Numerosos cientistas de renome, mesmo diante dos fatos mais convincentes, hesitaram em proclamar a verdade, com receio das consequências que isso poderia acarretar aos olhos do povo. Crookes não agiu assim. Ele penetrou o campo das investigações com o intuito de desmascarar, de encontrar fraudes, entretanto, quando constatou que os casos eram verídicos, insofismáveis, ele rendeu-se à evidência, curvou-se diante da verdade, tornou-se espírita convicto.




[1] Personagens do Espiritismo - Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy

segunda-feira, 6 de abril de 2026

EDWARD ‘SERJEANT’ COX[1]

 


Roberto R Narváez

 

Edward William Cox ajudou a moldar uma resposta naturalista precoce aos fenômenos mediunísticos, tratando-os como efeitos genuínos, porém não espirituais, de uma 'Força Psíquica' corporal. Sua carreira vinculou direito, publicação e psicologia experimental em um momento formativo dos debates vitorianos sobre Espiritismo, ciência, mente e agência humana.

§  Advogado e editor que fundou ou dirigiu vários jornais e periódicos antes de dedicar atenção séria à psicologia e aos fenômenos das sessões espíritas.

§  Sustentava que os efeitos meditécnicos eram reais, mas produzidos por uma força automática gerada dentro do organismo humano, e não por espíritos.

§  Trabalhou com William Crookes em investigações mediunísticas, tendo posteriormente rompido com ele por causa do caso de materialização de Florence Cook.

 

Vida e carreira

Filho de um fabricante, Edward William Cox (1809–1879) nasceu em Taunton, Somerset, cidade onde se tornou advogado[2]. Seus empreendimentos editoriais começaram em 1836, quando fundou o Somerset County Gazette e depois o Law Times, que dirigiu por quase 25 anos. Ele também fundou ou adquiriu outros jornais em inglês: The Critic, The Field, The Queen e County Courts' Chronicle.

Em 1843, foi admitido na ordem dos advogados e ingressou no Western Circuit, mudando-se posteriormente para Londres. De 1857 a 1868, ocupou cargos jurídicos como oficial judicial ou juiz, como Recorder de Helston e Recorder de Falmouth em Portsmouth. Ele escreveu livros e manuais sobre direito penal, a formação do advogado e do orador, sono e sonhos, hereditariedade, fisiologia e outros assuntos. Isso, junto com sua trajetória no ramo editorial, foram fundamentais para sua ascensão ao posto de Serjeant-at-Law (membro da ordem dos advogados da ordem inglesa), título pelo qual é conhecido na literatura parapsicológica.

Conservador na política, concorreu sem sucesso ao parlamento. Seus investimentos e empreendimentos comerciais o tornaram muito rico, e ele adquiriu grandes propriedades em Londres e em outros lugares.

 

Pesquisa Psíquica e Psicologia

No final da década de 1860, Cox interessou-se pelo fenômeno do espiritualismo e participou de um comitê nomeado pela London Dialectical Society. Durante a década de 1870, participou de sessões espíritas com D.D. Home e outros médiuns celebrados. Ele acreditava que os fenômenos das sessões eram genuínos, mas não os atribuía a nenhum agente sobrenatural, preferindo enxergá-los como uma questão de psicologia experimental[3]. Ele foi cofundador e único presidente da efêmera Psychological Society of Great Britain, que tinha como objetivo investigar alegações espiritualistas sobre a ação de agentes descarnados[4].

Para Cox, o objetivo da psicologia era revelar as 'nascentes ocultas' do 'mecanismo do homem', ajudando a resolver os problemas mais profundos da vida e da mente[5]. Ele argumentou que os efeitos mediáticos eram produzidos por uma força corporal natural — o que ele chamou de Psychic Force — gerada dentro do organismo humano e operando automaticamente através do sistema nervoso. Essa força, ele acreditava, poderia agir além dos limites da força muscular, muito parecido com magnetismo ou eletricidade, e por isso deveria ser estudada experimentalmente. A psicologia de Cox rejeitava tanto as ideias religiosas de alma separada quanto o materialismo grosseiro, posicionando a mediunidade como evidência de um processo psicofísico natural, porém pouco compreendido, em vez de intervenção espiritual.

 

William Crookes

Cox atuou como assistente de William Crookes em alguns de seus experimentos com médiuns. Ele concordou com Crookes que os experimentos deste último com D.D. Home forneceram evidências da Psychic Force, consistente com a teoria de Benjamin W. Richardson sobre uma 'atmosfera' gasosa dentro do sistema nervoso, que envolvia o corpo e mediava as experiências sensoriais[6]. Mais tarde, ele ficou desiludido com Crookes, acreditando que ele havia agido fraudulentamente no caso das supostas materializações de Florence Cook de 'Katie King[7]'.

 

William Carpenter

O fisiologista e psicólogo William B. Carpenter foi um opositor vocal do espiritualismo e da pesquisa psíquica, fazendo comentários públicos hostis sobre Crookes e outros investigadores[8]. Ele argumentou que os fenômenos das sessões espíritas eram causados pelo que chamava de 'cérebro inconsciente'. Cox escreveu que tal hipótese talvez não fosse totalmente incorreta, mas se opôs totalmente à rejeição da alma por Carpenter como um 'fato positivo'. Ele enfatizou que 'a psicologia começa ... onde a fisiologia termina', e que afirma 'a existência de algo além do cérebro, algo invisível ... mas não menos real'. A mente, acrescentou, pode ou não ser uma função do corpo, mas há evidências científicas da existência da alma. Tais evidências estão em nossa consciência e são fortalecidas pela ação da Psychic Force [9].

 

Experimento com Henry Slade

Em 1876, Cox teve uma sessão privada em Londres com o controverso médium americano Henry Slade, testando sua suposta capacidade de se comunicar com espíritos por meio da escrita em ardósia. Cox afirmou que testemunhou materializações e outros fenômenos espiritualistas, mas acrescentou que como isso era feito, e por qual ação, era 'um problema para a psicologia resolver[10]'.

 

Obras Selecionadas

§  Cox, E.W. (1872). Spiritualism Answered by Science; with the Proofs of a Psychic Force. London: Longmans and Co.

§  Cox, E.W. (1876). A sitting with Dr. Slade. The Spiritualist 11 August, 18-19.

§  Cox, E.W. (1878). A Monograph of Sleep and Dream. London: Longman and Co.

§  Cox, E.W. (1879a). The progress of psychology I. The Spiritualist 14 November, 229-31.

§  Cox, E.W. (1879b). The progress of psychology II. The Spiritualist November 21, 247-51.

§  Cox, E.W. (1879c). The Mechanism of Man: An answer to the Question What am I? (2 vols.) London: Longmans and Co.

 

Literatura

§  Berger, A.S., & Berger, J. (1991). The Encyclopedia of Parapsychology and Psychical Research. New York: Paragon House.

§  Brock, W.H. (2008). William Crookes (1832–1919) and the Commercialization of Science. Ashgate Publishing, Ltd.

§  Crookes, W., Huggins, W., & Cox, E.W. (1871). An experimental investigation of spiritual phenomena. The Spiritualist 15 July, 180-82.

§  Noakes, R. (2019). Physics and Psychics. The Occult and the Sciences in Modern Britain. Cambridge: Cambridge University Press.

§  Oppenheim, J. (1985). The Other World: Spiritualism and Psychical Research in Britain, 1850-1914. Cambridge, UK: Cambridge University Press.

§  Shepard, L. & Spence, L. (1991). Encyclopedia of Occultism & Parapsychology (3rd ed., vol 1). Detroit, Michigan, USA: Gale Research, Inc.

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Esta seção é baseada principalmente em Berger & Berger (1991), 81-82.

[3] Noakes (2019), 47, 250.

[4] Oppenheim (1985), 30.

[5] Cox (1878), iv.

[6] Noakes (2019), 170; Crookes, Huggins & Cox (1871), 181

[7] Oppenheim (19985), 18. Berger & Berger (1991), 82. Shepard & Spence (1991), 334.

[8] Noakes (2019), 251-52.

[9] Cox (1872), 76-77.

[10] Cox (1876).

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

FLORENCE COOK[1]

1856 - 1904




Os primeiros pormenores da vida de Florence são fornecidos por ela própria, em carta dirigida a Mr. Harrison em maio de 1872. Diz a carta:
Tenho 16 anos de idade. Desde a minha infância vejo os espíritos e ouço-os falar. Tinha o costume de sentar-me a sós e conversar com eles. Eles me cercavam e eu os tomava por pessoas vivas. Como ninguém os via nem ouvia, meus pais procuraram inculcar em mim a ideia de que tudo era produto de minha imaginação. Todavia não conseguiram modificar o meu modo de pensar a respeito do assunto e foi assim que passei a ser considerada como uma menina excêntrica. Na primavera de 1870 fui convidada a visitar uma amiga de colégio. Ela me perguntou se eu já ouvira falar de Espiritismo, acrescentado que seus pais e ela se reuniam em torno de uma mesa. Nessa situação obtinham certos movimentos; disse que, se eu consentisse, ainda naquela tarde ensaiariam uma experiência comigo.
Miss Cook pediu permissão a sua mãe e, em seguida, realizaram a primeira sessão, obtendo-se a comunicação de um espírito que se dizia ter sido a sua tia. Mais tarde, quando a jovem ficou em pé junto a mesa, esta se ergueu a uma altura de 4 pés. Miss Cook dá continuidade ao seu relato:
Na segunda sessão os espíritos nos deram provas de identidade, mas não chegamos a ficar de todo convencidas. Por fim, recebemos por tiptologia, uma comunicação orientando-nos para que deixássemos o aposento em penumbra. Eles me ergueriam e dariam comigo volta à sala. Não consegui conter o riso. Aquilo não era possível. Entretanto, decidiu-se apagar a luz. Apesar disso, a claridade que entrava pela janela não deixou a sala inteiramente às escuras. De imediato senti que alguém me tirava da cadeira, e, no instante seguinte, fui erguida até o teto, fato que todas as pessoas presentes na sala puderam ver. Sob meu espanto, transportaram-me sobre as cabeças dos assistentes, até que fui posta sobre uma mesa existente no extremo da sala. Minha mãe indagou se podíamos obter esse fenômeno. A mesa respondeu que sim, visto que eu era médium.
Reunimo-nos em nossa casa. Os espíritos quebraram a nossa mesa e duas cadeiras, fazendo ainda outros estragos. Em vista disso, resolvemos que, de modo algum tornaríamos a realizar sessões. Então os espíritos começaram a nos atormentar, atirando sobre mim livros e outros objetos; as cadeiras passeavam sozinhas pela sala, a mesa se erguia violentamente, enquanto fazíamos as refeições, e fortes ruídos eram ouvidos durante a noite, fazendo-nos estremecer de medo. Por fim nos vimos obrigadas a nos reunirmos em torno da mesa e a tentar um diálogo com eles.
Os espíritos disseram que fôssemos a Navarino Street, 74 onde existia uma sociedade espírita. O endereço estava certo. Lá encontramos Mr. Thomas Blyton que nos convidou a assistir a uma sessão onde entrei em transe e, por incorporação, uma entidade disse aos meus pais que, se contássemos com o auxílio de Mr. Herne e Mr. Williams, obteríamos comunicações de valor. Reunimo-nos várias vezes e, finalmente, obtivemos os fenômenos prometidos. O espírito que dirigiu a sessão disse chamar-se Katie King.
No dia 21 de abril de 1872, em sessão organizada para estudos de sua mediunidade, conforme ata publicada no "The Spiritualist", ouviu-se um bater de vidros da janela sem que ninguém descobrisse a causa. Então ouviu-se a voz de um espírito que disse: "Mr. Cook, é preciso que façais desobstruir o canal da calha, se desejais evitar que os alicerces da casa sofram". Surpresos, os presentes procederam a exame imediato, havendo a confirmação do que fora dito. No dia seguinte, em outra sessão, o espírito Katie King se materializou parcialmente pela primeira vez. Katie mostrou-se na abertura da cortina e falou durante alguns minutos, ocasião em que os presentes puderam acompanhar o movimento de seus lábios.
Florence Cook foi a primeira médium entre os médiuns ingleses a obter materializações integrais em plena luz. Com o avanço das experiências, Florence, que antes, nas materializações parciais permanecia consciente, passou a cair em transe à medida que Katie King ia adquirindo domínio da situação e conseguindo-se mostrar mais perfeitamente. Seu rosto a princípio dava a impressão de ser oco por trás. Mais tarde preencheu-se, os crepes ectoplásmicos se tornaram menos abundantes e, um ano depois, ela já conseguia caminhar do lado de fora da cabine.
Quando lhe pediram para se deixar fotografar à luz de flashes, observou-se que a sua semelhança com Florence era muito grande. Era um problema, e, para provar que era um ser distinto de Miss. Cook, ela alterou a cor de sua face para tons de chocolate e azeviche. Em uma experiência feita logo em seguida, a médium foi amarrada apertadamente pelos assistentes no interior do gabinete. Depois foi observada toda uma gradação de diferenças entre ela e a médium. Estava reservado a Sir William Crookes fornecer as provas definitivas de que Katie King tinha uma existência à parte da de Miss Cook.
É preciso consignar que foi a própria Florence quem procurou o professor Crookes a fim de solicitar-lhe que investigasse a sua mediunidade. Eis como ela narra o episódio:
Fui à casa de Mr. Crookes sem dizer nada aos meus pais nem aos meus amigos. Ofereci-me como um sacrifício voluntário perante a sua incredulidade. Pouco antes se dera o desagradável incidente com Mr. Volckman. Os que não conheciam o fenômeno dirigiam palavras cruéis contra mim. Mr. Crookes fizera um comentário que me atormentava e foi por isso que me decidi a ir procurá-lo. Ele me recebeu e eu lhe disse: ‒ Já que acreditais que sou uma impostora, se quiserdes virei submeter-me a experiências em vossa própria casa. Vossa esposa pode vestir-me como quiserdes e deixarei convosco o que tiver trazido. Podereis vigiar-me como vos aprouver; submeter-me-ei às experiências que desejardes, de modo que vos contenteis em todos os sentidos. Só imponho uma condição: se verificardes que sou agente de uma mistificação, denunciai-me publicamente; mas se vos certificardes de que os fenômenos são reais e de que eu mais não sou que o instrumento de forças invisíveis, isso direis ao público de modo que todo o mundo tome conhecimento da verdade.
William Crookes aceitou o repto, disso resultando um dos mais tumultuosos e dramáticos episódios da História do Espiritismo.
Após a despedida do espírito Katie King, a mediunidade de Miss Florence foi utilizada por outra entidade que dizia chamar-se Marie, a qual, por mostrar-se cantando e dançando, foi denominada Marie, a dançarina. Em 1899, atendendo a um convite da Sphiny Society, de Berlim, Miss Cook já então Mrs. Corner pelo casamento, assentiu em realizar algumas sessões, nas quais Marie se materializou e produziu fenômenos sensacionais. Por essa altura Florence já se havia casado, em 1874, com um cavalheiro chamado Elgie Corner e vivia em Usk, no País de Gales, onde teve vários filhos.
Em 1904, William Crookes recebeu uma carta, datada de 24 de abril, na qual era-lhe comunicado o falecimento de Mrs. Corner. Ele respondeu expressando viva simpatia e declarando ainda que a vida post-mortem muito devia, quanto à sua certeza, à mediunidade da antiga Miss Florence Cook. Com esse episódio se encerra uma vida que conheceu tanto sensacionalismo quanto o das grandes atrizes da atualidade. A Doutrina Espírita deve eterna gratidão à menina de 15 anos, que, sacrificando sua juventude nos laboratórios dos sábios, prestou os mais relevantes serviços à comprovação científica da imortal obra de Allan Kardec.




sexta-feira, 18 de agosto de 2023

FOTOGRAFIA PARANORMAL[1]

 


Por Lux Ferre – 5 de julho de 2017

 

William Hope (1863–1933) foi um famoso fotógrafo de espíritos, considerado um verdadeiro mestre por alguns e um trapaceiro consumado por outros. Embora frequentemente acusado de fraude, William Hope nunca foi pego em trapaça.

Hope nasceu em 1863 em Crewe, Inglaterra. Ele se tornou um carpinteiro. Seu talento para a fotografia de espíritos surgiu por volta de 1905, quando ele e um amigo se revezaram para fotografar um ao outro. Na foto que Hope tirou, havia um “extra” – a imagem de uma figura que não estava fisicamente presente quando a foto foi tirada – que acabou por ser ninguém menos que a falecida irmã de seus amigos.

Após este episódio, um grupo de seis pessoas se organizou no Salão Espírita em Crewe com o propósito de fotografar SPIRIT. Esse grupo ficou conhecido como Crewe Circle, e Hope estava em seu centro. Este grupo inicial destruiu todos os seus negativos originais, por medo de ser suspeito de estar aliado ao Diabo, até que o arquidiácono Thomas Colley se juntou a eles. Colley sempre foi um entusiasta do médium e do espiritismo, e seu apoio deu credibilidade ao empreendimento.

Ironicamente, o primeiro contato de Hope com a exposição veio na primeira sessão de Colley. Quando Hope adulterou a fotografia do espírito, ele erroneamente usou o extra errado, substituindo a mãe de Colley por outra mulher idosa. Quando Hope tentou confessar a Colley, no entanto, o clérigo considerou isso um absurdo, insistindo que ele poderia reconhecer sua mãe quando a visse. Para provar seu caso, Colley colocou um aviso no jornal pedindo a todos que se lembrassem de sua mãe que o encontrassem na reitoria. Nada menos que 18 pessoas selecionaram a fotografia de Hope entre várias outras, como uma representação definitiva da falecida Sra. Colley.

Alguns anos depois, em 1921, houve outra exposição - uma que quase saiu pela culatra para o acusador e sobre a qual ainda há dúvidas. Hope já havia se mudado para Londres e se estabelecido no British College of Psychic Science (BCPS). A Society for Psychical Research (SPR) viu a oportunidade de investigar as alegações de Hope e enviou um novo membro, Harry Price , que tinha bons conhecimentos de conjuração. Price relatou o que alegou ser evidência de trapaça de Hope, mas imediatamente surgiram dúvidas sobre se foi Price, e não Hope, quem adulterou as chapas fotográficas. O autor Brian Inglis observou que, se Hope era uma fraude, ele quase certamente usou uma técnica mais sofisticada do que a que Price o acusou.

Como todos os médiuns autoproclamados, Hope tinha seus apoiadores, assim como seus detratores. Sir Arthur Conan Doyle produziu The Case for Spirit Photography (1923) em resposta à “exposição” de Price. Um dos que se aliaram a Doyle naquela época, Fred Barlow, da Society for the Study of Supernormal Pictures, mais tarde se reverteu. Nos Anais da SPR de março de 1933, Barlow disse que mais experiências o capacitaram a dizer definitivamente que as habilidades de Hope não eram psíquicas.

Nada menos que Sir William Crookes e Sir William Barrett endossaram Hope, embora Sir Oliver Lodge tenha escrito que “não tinha a menor dúvida” de que o pacote lacrado de placas que ele enviou a Hope havia sido aberto antes de ser devolvido a ele. Também há motivos para suspeitar de trapaça no caso de Crookes. O físico estava na casa dos 80 anos em 1916 quando teve sua sessão, tendo acabado de perder a esposa. Seu assistente na época, J.H. Gardiner, disse ao biógrafo de Crookes, E.E. Fournier d'Albe, que o negativo do qual a fotografia de Hope de Lady Crookes foi reproduzida mostrava sinais claros de dupla exposição, mas que Crookes preferia ignorar esses sinais.

O pesquisador japonês de “pensamento” Tomokichi Fukarai usou Hope como tema quando visitou Londres em 1928. (A pensamentografia, termo cunhado por Fukarai, é um tipo de fotografia paranormal na qual uma pessoa viva projeta psiquicamente imagens em um filme fotográfico, com ou sem o auxílio de uma câmera). Hope morreu em 7 de março de 1933, aos 70 anos.

 

Leitura Adicional

§  Barlow, Fred, and W. Rampling-Rose. “Report of an Investigation into Spirit Photography.” Proceedings of the Society for Psychical Research (SPR)41 (1933): 121–38.

§  Inglis, Brian. Science and Parascience: A History of the Paranormal, 1914–1939. London: Hodder and Stoughton, 1984.

§  Oppenheim, Janet. The Other World: Spiritualism and Psychical Research in England, 1850–1914. London: Cambridge University Press, 1985.

 

Fonte

§  The Encyclopedia of Ghosts and Spirits – Written by Rosemary Ellen Guiley – September 1, 2007.

 

 

Traduzido com Google Tradutor



[1] OCCULT WORLD - https://occult-world.com/          

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Johann Karl Friedrich Zöllner [1]

O Grande Pesquisador da Imortalidade

 

Friedrich Zöllner, como era mais conhecido, foi um astrofísico famoso e professor da Universidade de Leipzig, Alemanha. Nasceu em Berlim, a 08 de novembro de 1834 e faleceu precocemente em Leipzig, Alemanha, a 25 de abril de 1882, aos 48 anos de idade.
Deixou inúmeros trabalhos na área da astronomia e da física ótica, onde ficou bastante conhecido por suas pesquisas na área da ilusão de ótica. Seu trabalho em ótica, desenvolvido em 1860, foi denominado “Ilusão de Zöllner”, em que linhas paralelas se mostravam como diagonais.
Na área da astronomia ele se destacou provando a teoria de Christian Doppler sobre o efeito do movimento na cor das irradiações eletromagnéticas das estrelas em consequência do desvio das linhas do espectro da luz emitida por estes corpos celestes.
Ele inventou um aparelho muito sensível chamado Astrophotometer, capaz de medir essas variações. Em sua homenagem, uma das crateras da lua foi denominada Cratera de Zöllner. Em 1872, foi convidado a ocupar a cadeira de Astrofísica na Universidade de Leipzig.
Foi membro da Royal Society da Inglaterra, da Real Sociedade Astronômica de Londres, da Academia Imperial de Ciências Físicas e Naturais de Moscou e da Sociedade Científica de Estudos Psíquicos de Paris.
 
Fenômenos mediúnicos
Desde muito cedo Zöllner se interessou pelos fenômenos mediúnicos. Quando surgiu a oportunidade, em 1875, foi à Inglaterra visitar um dos maiores cientistas da época, William Crookes, que era a maior referência nas pesquisas dos chamados “efeitos mediúnicos”, tais como o movimento de objetos sem interferência de uma fonte de energia e da materialização de espíritos. Zöllner buscava uma explicação científica para tais fenômenos.
Após sua visita, desenvolveu uma teoria sobre a ocorrência de tais fenômenos. De acordo com sua teoria, o universo teria, além das três dimensões espaciais euclidianas, uma quarta dimensão pela qual se explicam alguns fenômenos de ordem espírita. De acordo com essa teoria, o fenômeno mediúnico poderia perder sua característica mística e passaria ao domínio da Física e da Filosofia ordinárias.
 
A 4ª dimensão
Para melhor entendimento do que seja a 4ª dimensão na concepção física atual, admitamos que o espaço possa encurvar-se nas proximidades das grandes massas gravitacionais, o que só poderá fazê-lo no sentido da 4ª dimensão e todos os fenômenos mediúnicos, bem como o deslocamento das entidades espirituais seria efetuado por essa 4ª dimensão. A respeito da teoria da 4ª dimensão, Schiaparelli, famoso astrônomo italiano, escreveu em carta dirigida a Camille Flammarion: É a mais engenhosa e provável que pode ser imaginada.
 
Pesquisas realizadas
Para melhor confirmação de sua teoria, Zöllner realizou inúmeras reuniões com médiuns e pesquisadores em sua própria residência.
Em 1877, recepcionou pela primeira vez em Leipzig, o médium inglês Henry Slade. Este era protagonista de inúmeras manifestações de efeitos físicos. Para analisar a mediunidade de Slade, contou ocasionalmente com a participação de vários outros professores universitários, o que imprimiu maior entusiasmo em suas pesquisas.
Com o trabalho levado a efeito com esse médium, Zöllner fez várias publicações em forma de artigos, em revistas científicas e, posteriormente, em livros versando sobre a “física transcendental”. Além de Slade, Zöllner estudou os fenômenos produzidos por Madame D'Esperance, protagonista de fenômenos de aparição e de transporte de objetos (também destacou-se em materialização).
Em março de 1880, o Barão Von Hoffmann convidou o médium inglês William Eglinton para participar de reuniões com Zöllner. Foram ao todo 25 reuniões. Eglinton era médium de efeitos físicos, principalmente materialização e escrita direta. Zöllner mostrou-se muito satisfeito com os resultados das pesquisas e pretendia até publicar outro livro sobre suas experiências, porém faleceu antes disto.
Zöllner foi um grande batalhador da causa espírita notabilizando-se por suas experiências físicas onde a atuação dos espíritos não deixou dúvidas nem incertezas. Sendo físico, utilizou esta ciência para demonstrar a imortalidade e divulgar a interferência dos desencarnados no cotidiano dos encarnados.
Ao propor a teoria da 4ª dimensão para explicar os fenômenos observados, antecipou-se aos físicos atuais e demonstrou como a ciência pode auxiliar a religião e quanto a religião pode ser científica.
 
Principais obras publicadas
Seu livro mais famoso é: “Provas Científicas da Sobrevivência ou Física Transcendental”.
Outros livros publicados por Zöllner que chamaram a atenção do mundo científico foram: “A Natureza dos Cometas”; “Esboços de Fotometria Universal dos Céus Estrelados”; “Natureza dos Corpos Celestes”.
Ao oferecer seu livro Provas Científicas da Sobrevivência ou Física Transcendental a William Crookes, Zöllner escreveu uma dedicatória muito expressiva da qual extraímos o seguinte trecho:
Com o mais elevado sentimento de gratidão e reconhecimento pelos serviços prestados por vós a uma nova ciência, eu vos ofereço, respeitabilíssimo colega, o terceiro volume dos meus Tratados Científicos.
Por uma coincidência notável, as nossas investigações científicas se encontraram no mesmo terreno, fornecendo à humanidade admirada uma nova classe de fenômenos físicos que proclamam bem alto e de um modo não mais duvidoso a existência de um outro mundo material de seres inteligentes.
Aceitai, pois, a presente obra como sinal de agradecimento e simpatia, vertidos do coração honesto de um alemão.
Friedrich Zöllner: astrônomo, físico, professor, cientista, pesquisador, pioneiro da teoria da 4ª dimensão no Universo. É mais um exemplo de que Ciência e Espiritualidade podem caminhar juntas.
Foi um cientista que ultrapassou os limites acanhados dos laboratórios terrenos para alçar-se aos altiplanos filosóficos da própria Ciência, tornando-se assim um caçador de verdades, verdades que alimentam os sonhos imortais dos homens.
  
Fontes: Portal Correio Espírita e Vita Oltre la Morte (Documentario sulla vita di Johan Carl Friedrich Zollner)


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Daniel Dunglas Home[1]


  

Daniel Dunglas Home nasceu em 20 de março de 1833, Curie, Escócia e faleceu em 21 de junho de 1886 (53 anos), Paris, França.  Foi um espiritualista escocês, famoso por suas alegadas capacidades como médium e por sua relatada habilidade de levitar até várias alturas, esticar-se e manipular fogo e carvões em brasa sem se machucar.
Ele conduziu centenas de sessões durante um período de 35 anos — às quais compareceram muitos dos mais conhecidos nomes da Era vitoriana — sem ter sido exposto de forma conclusiva ou pública como uma fraude. Home nunca cobrou dinheiro por suas sessões e apresentações espiritualistas, pois ele considerava que havia sido designado espiritualmente com a "missão de demonstrar a imortalidade".
Ele se envolveu em algumas situações controversas em sua vida pessoal, como quando foi acusado de seduzir uma viúva de 75 anos, a Sra. Lyon, a adota-lo e dar a ele dinheiro ‒ caso em que foi condenado pela justiça a devolver parte da soma que a Sra. Lyon lhe havia doado.
Primeiros anos de vida
Daniel Home nasceu em Currie, próximo a Edimburgo. Ele alegava que seu pai era filho natural de Alexander Home, 10º Conde de Home, e que sua mãe pertencia a uma família que se acreditava ser dotada de faculdade premonitória. Sobre o primeiro ponto pode haver alguma disputa, pois até que sua carreira florescesse como um médium na Inglaterra, seu sobrenome era sempre escrito como "Hume" e ele teve, na verdade, que negociar com o ministro da paróquia onde se casou o uso do seu sobrenome.
Quando fez nove anos, ele foi levado com sua tia e seu tio para os Estados Unidos. Em 1850 sua mãe morreu e em breve a casa de sua tia começou a ser perturbada com batidas semelhantes às que tinham ocorrido dois anos antes na casa das Irmãs Fox. Sua tia, com medo de o menino ter feito entrar o demônio, expulsou o jovem Home de casa, o que fez com que ele se visse vagando pelo país, parando nas casas dos amigos que queriam ver suas habilidades como médium. Esse modo de vida iria durar mais de 20 anos, uma vez que ele nunca pediu dinheiro para as suas sessões, apesar de ter sempre vivido muito bem com os presentes, as generosas doações e a hospedagem que recebia de seus muitos admiradores ricos. Há aparentemente duas razões pelas quais Daniel Home se recusava a receber pagamento direto: a primeira é que ele se via como em uma "missão para demonstrar a imortalidade" e a segunda, a que ele queria interagir com seus clientes como entre um cavalheiro e outro e não como um empregado deles.
Sua carreira na Europa
Em 1855, em uma viagem financiada por espiritualistas estadunidenses, ele foi à Inglaterra. Ele é descrito nessa época como alto e magro, com olhos azuis e cabelo ruivo, vestido displicentemente e com uma séria doença pulmonar. Daniel Home fazia sessões para pessoas notáveis a plena luz do dia e produzia fenômenos tais como mover objetos à distância. Alguns dos primeiros convidados às suas sessões incluíam o cientista David Brewster, os romancistas Edward Bulwer-Lytton e Anthony Trollope, o socialista Robert Owen, e o swedenborgiano James John Garth Wilkinson . Daniel Home parecia ter o talento de converter os mais céticos, mas o poeta Robert Browning provou ser mais obstinado. Browning compareceu a uma sessão e a seguir manifestou sua impressão no poema não elogioso Sludge the Medium, de 1864.
Sua fama cresceu, impulsionada particularmente pelos seus extraordinários feitos de levitação. Sir William Crookes alegou saber de mais de 50 ocasiões nas quais Home tinha levitado, muitas das quais a uma altura de um metro e meio a dois metros do solo e "a plena luz do dia" . Talvez os feitos mais comuns fossem como esse, relatado por Frank Podmore: "Todos o vimos elevar-se do chão até uma altura de um metro e oitenta, ficar lá por cerca de dez segundos e, depois, descer vagarosamente".
Nos anos seguintes ele viajou pela Europa continental, sempre como convidado de patrocinadores ricos. Em Paris ele foi convocado às Tulherias para desempenhar uma sessão para Napoleão III. Ele desempenhou para a Rainha Sofia da Holanda que escreveu sobre a experiência: "Eu o vi quatro vezes … eu senti uma mão tocando a ponta dos meus dedos, vi um sino dourado pesado movendo-se sozinho de uma pessoa para outra, vi meu lenço mover-se sozinho e retornar para mim com um laço… Ele mesmo é um jovem pálido, doentio e bastante bonito mas sem uma aparência ou qualquer coisa que pudesse querer fascinar ou assustar alguém. É maravilhoso. Eu me sinto tão feliz de ter visto isso…"
Em 1866 a Sra. Lyon, uma viúva rica, adotou-o como filho e lhe concedeu 60.000 libras, em uma aparente tentativa de obter ingresso na alta sociedade. Descobrindo que a doação não tinha alterado sua situação social, ela se arrependeu do que havia feito e entrou com uma ação para obter de volta o seu dinheiro sob a alegação de que ele tinha sido obtido por influência espiritual. Sob a lei britânica, à defesa cabe o peso de provar contra nesses casos e provar contra que era impossível por falta de evidências físicas. Concordantemente, o caso foi decidido contra Daniel Home, o dinheiro da Sra. Lyon foi devolvido e a imprensa aproveitou para ridicularizá-lo. É de se notar que os conhecidos de Daniel Home na alta sociedade entenderam que ele havia se comportado como um completo cavalheiro e ele não perdeu um único de seus amigos importantes.
Home encontrou-se com um dos amigos mais próximos em 1867, o jovem Lord Adare. Adare ficou fascinado por Home e começou a documentar as sessões que eles fizeram. Uma das levitações mais famosas de Home ocorreu em uma dessas sessões no ano seguinte. Diante de três testemunhas, Adare, o Capitão Wynne, e James Ludovic Lindsay (Lord Lindsay), Home teria levitado para fora de uma janela de um quarto em um terceiro andar e entrado de volta pela janela do quarto ao lado.
Home casou-se duas vezes. Em 1858 ele se casou com Alexandria de Kroll, a filha de 17 anos de uma família nobre russa. Eles tiveram um filho, Gregoire, mas Alexandria adoeceu de tuberculose e morreu em 1862. Em outubro de 1871, Home casou-se pela segunda vez com Julie de Gloumeline, uma rica senhora russa que ele conheceu em São Petersburgo. No correr dos fatos ele converteu-se à fé grega ortodoxa. Agora, com 38 anos ele se aposentou. Sua saúde estava mal – a tuberculose, da qual ele tinha sofrido pela maior parte de sua vida, estava avançando – e seus poderes, ele afirmava, estavam falhando. Ele morreu em 21 de junho de 1886 e foi enterrado ao lado de sua filha no cemitério de St. Germain-en-Laye.
Investigações
De acordo com o escritor e médico Sir Arthur Conan Doyle, Home era raro pelo fato de possuir poderes em quatro tipos diferentes de mediunidade: voz direta (a habilidade de deixar os espíritos falarem de forma audível), psicofonia (a habilidade de deixar os espíritos falarem através de si), clarividência (a habilidade de se ver coisas que estão fora de vista) e mediunidade de efeitos físicos (mover objetos à distância, levitação, materialização etc.). Home suspeitava de qualquer médium que alegasse possuir faculdades que ele não possuía, e ele denunciava bastante as demonstrações mediúnicas que julgava como fraudulentas. Uma vez que os médiuns de materialização costumavam trabalhar em locais escurecidos. Home cobrava que todas as sessões fossem feitas à luz do dia.
O próprio Home, naturalmente, foi amplamente suspeito de fraude, mas essa jamais foi comprovada. Frank Podmore e Milbourne Christopher apresentam uma fonte de especulação sobre as maneiras com as quais Home teria iludido seus assistentes. Alguns testemunhos sugerem que Home costumava conduzir suas demonstrações com luz fraca. São discutidas as condições de luz nos mais famosos feitos de levitação de Home, e certas testemunhas dizem que estava bem escuro.  Podmore registra que Home tinha um companheiro constante que sentava do lado oposto a ele durante as suas sessões.
Entre 1870 e 1873, o cientista Sir William Crookes conduziu experimentos para determinar a validade dos fenômenos produzidos por três médiuns: Florence Cook, Kate Fox e D. D. Home. O relatório final de Crookes (1874) concluiu que os fenômenos produzidos pelos três médiuns eram genuínos, um resultado que gerou polêmica entre o "establishment" científico da época. Crookes registrou que em alguns experimentos ele controlou e segurou Home colocando seus pés em cima dos dele .
Alexander von Boutlerow, professor de Química da Universidade de São Petersburgo e cunhado de Home, também obteve resultados positivos em seus testes com Home .




segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 


Roberto R Narváez

 

A inovação elétrica e o experimento espiritualista se encontraram de forma incomum em Cromwell Fleetwood Varley (1828–83). Um dos principais engenheiros de telégrafo envolvidos no trabalho com cabos no Atlântico, ele trouxe aparelhos técnicos e confiança científica às sessões espíritas, testando meios e argumentando que alguns fenômenos iam além das leis físicas conhecidas.

§  Varley foi membro da Royal Society e um proeminente engenheiro de telégrafo ligado ao projeto do cabo atlântico.

§  Ele investigou DD Home, Kate Fox e Florence Cook, usando tanto solicitações mentais quanto aparelhos elétricos em testes de espírito.

§  Suas visões espiritualistas tratavam a consciência como independente do corpo e enquadravam fenômenos mediúnicos como evidência para um estado futuro.

 

Vida e carreira

Varley nasceu na paróquia de Westminster em 6 de abril de 1828, sendo o segundo filho de Cornelius Varley, um artista profissional. Em 1844, após concluir a escola em St Saviour's, Southwark, Inglaterra, iniciou seus estudos e pesquisas ao longo da vida em eletricidade, química, filosofia natural e telegrafia. Em 1846, foi empregado pela Electric and International Telegraph Company, onde trabalhou até sua aposentadoria em 1868. Ele também trabalhou como eletricista consultor para a Atlantic Telegraph Company[2].

Quando o primeiro cabo telegráfico do Atlântico falhou em 1858, Varley usou suas habilidades como inventor para construir um novo. Ele experimentou uma linha artificial que representava as condições de trabalho de um cabo submarino; depois, ele criou um condensador de sinalização para aguçar os pulsos elétricos da transmissão e aumentar a velocidade de operação. Eventualmente, essa proposta foi bem-sucedida e a confiança pública na telegrafia atlântica foi restaurada. William Thomson e outros engenheiros notáveis colaboraram com ele nesse empreendimento. Depois disso, o reconhecimento de Varley como especialista em telegrafia aumentou, assim como sua riqueza pessoal.

Em 1865, Varley foi eleito membro da Instituição de Engenheiros Civis. Seis anos depois, tornou-se Fellow da Royal Society. A fundação final da Society of Telegraph Engineers (mais tarde Institution of Electrical Engineers) em 1871 deveu-se muito aos seus esforços; foi nomeado membro do conselho. Naquele ano, também teorizou sobre a natureza elétrica da radiação catódica; sua alegação era que tais raios deveriam carregar uma carga elétrica. No entanto, ele nunca conseguiu provar isso.

Varley publicou vários artigos, anotações, cartas e depoimentos sobre temas elétricos e telegráficos, e também foi colaborador regular de periódicos sobre Espiritismo e pesquisa psíquica.

Varley faleceu em sua casa, Cromwell House, Bexley Heath, Kent, em 2 de setembro de 1883, aos 55 anos[3].

 

Pesquisa Psíquica

Visão geral

Varley interessou-se por fenômenos paranormais como mediunidade, raps e virar a mesa, telepatia, clarividência, premonições em sonhos e a eficácia da oração no início da década de 1850. Ele afirmava que, em algumas ocasiões, enquanto dormia, podia 'transcender' seu próprio 'corpo material' e usar seu próprio espírito como 'agente de sua vontade' para realizar diversas ações. Assim, ele ficou convencido de que 'não somos nossos corpos' e que nosso espírito pode agir como uma força independente[4].

A esposa de Varley, Ada, aparentemente era médium. Espíritos afirmavam ler sua mente e ela canalizava suas mensagens para ele, convencendo Varley da existência de 'seres invisíveis'. Ele afirmou uma vez que, em uma ocasião, os 'invisíveis' (ou seja, os Espíritos) o ajudaram a prever o momento exato de uma mudança séria na saúde de Ada[5].

No início da década de 1860, Varley começou a realizar experimentos com médiuns profissionais e amadores. Esse programa de pesquisa durou vários anos. As sessões ocorreram em diferentes locais na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. O objetivo básico de Varley era testar sua crença de que fenômenos espiritualistas não dependem do cérebro ou de qualquer outra fonte material. Como afirmou perante o Comitê Espiritualista da London Dialectical Society em 25 de maio de 1869, 'a parte pensante do homem forma, na próxima vida, o corpo ... somos seres pensantes, e essas ideias que originamos nesta vida são realidades permanentes na próxima'[6].

Varley passou sete meses nos Estados Unidos, aplicando 'testes mecânicos e mentais' para comparar as 'forças ativas' que observava com os efeitos da eletricidade e do magnetismo. No final, concluiu que tais forças 'não eram devido a ... qualquer uma das leis físicas reconhecidas da natureza, e que [havia] existido ... alguma inteligência além da do meio e dos observadores. 'Os fenômenos', acrescentou, 'não podem ser explicados nem pelo magnetismo nem pela eletricidade'. Esses dois termos, em sua opinião, não devem ser aplicados a quaisquer 'forças desconhecidas'[7].

 

Experiências com o DD Home

Em uma carta a John Tyndall em 19 de maio de 1868, Varley descreveu em detalhes consideráveis três sessões que teve com o famoso médium Daniel Dunglas Home. Os dois primeiros aconteceram em 1860 nos apartamentos de Home em Londres. Eles foram organizados por Varley por iniciativa própria. Havia oito retratados, incluindo Ada Varley, e antes de cada sessão Cromwell fazia uma análise minuciosa de todo o prédio para garantir que não havia instrumentos ocultos de engano[8].

Cerca de vinte minutos após o início da primeira sessão espírita, os primeiros golpes foram sinalizados. Esses primeiros raps deveriam ser entendidos de acordo com um 'alfabeto telegráfico': um som ou movimento significava não, três sons ou movimentos significavam sim, e assim por diante, com outras convenções criptográficas. Era, claro, um sistema de comunicação muito lento.

Em seguida, a mesa se movia de várias formas. Não havia evidências de exercício de qualquer força muscular pelos retratados. Varley pedia mentalmente para os 'invisíveis' criarem algum 'efeito', e quando isso acontecia, outros participantes faziam pedidos mentais semelhantes. Então 'os raps eram produzidos nas paredes, no teto, em nossas cadeiras, que depois foram claramente sacudidas por eles'. Outros movimentos e sons mais espetaculares se seguiram[9].

A terceira sessão espírita ocorreu na casa de Varley em Beckenham, Kent, no verão de 1864. O lar nunca foi naquela residência. Vários fenômenos do tipo testemunhado quatro anos antes foram registrados novamente. Em um momento, Home, visivelmente alarmado, exclamou: 'Oh! Olhe para trás', e então, escreve Varley:

[Home] coloquei as duas pernas dele sobre meu joelho esquerdo, e a pedido dele segurei as duas pernas entre as minhas e segurei as duas mãos dele nas minhas. Todos nós olhamos na direção que ele indicou — havia uma mesinha lateral perto da janela da estufa, dois metros atrás das costas do Sr. Home, e eu e o Sr. Home estávamos mais próximos. Fomos sentados assim:

 

Pouco depois, a mesa lateral começou a se mover, e foi levada até Varley por algum 'meio invisível', e a grande mesa ... foi movido e levado até o pianoforte[10].

Varley, na mesma carta a Tyndall, concluiu que a possibilidade de impostura estava fora de questão. A natureza do agente ou 'força', no entanto, dificilmente podia ser afirmada, mas Varley pensava que provavelmente 'a fonte das manifestações era uma combinação dos sistemas vitais dos modelos e do médium'.

 

Experimentos com Catherine (Kate) Fox

Os testes com Catherine (Kate) Fox foram realizados em Nova York em 1867. Varley preparou 'cinco células da bateria nítrica-ácido de Grove, duas hélices, um eletroímã, chave, interruptores e fios'. Uma bateria ficava em uma mesa lateral conectada a um interruptor de onde oito fios iam até a mesa dos cuidadores. Apenas Varley conhecia as 'leis da eletricidade'[11].

Alguns testes foram realizados no escuro, outros em plena luz do dia. Em uma ocasião, Varley observou que, sempre que segurava um fio pelo qual a corrente passava, os 'invisíveis' reconheciam a direção do fluxo elétrico, mas isso nunca acontecia quando ele colocava a hélice ao redor da cabeça, no escuro. Quando ele pressionou a tecla e a corrente fluiu, sons altos foram ouvidos e 'a mesa balançou violentamente'. Então Fox escreveu involuntariamente uma mensagem dizendo que Varley não deveria colocar a cabeça dentro da hélice, pois isso deixava os 'invisíveis' inquietos[12].

 

Experimentos com Florence Cook

Em 1874, Varley participou de dois experimentos com Florence Cook. No primeiro, ele era o maestro. William Crookes, o cientista distinto mais lembrado na história da parapsicologia por sua ligação com as supostas materializações mediúnicas de Cook, estava presente[13]. O segundo teste ocorreu sob a orientação de Crookes e em sua casa, mas na ausência de Varley. No entanto, foi desenvolvido de acordo com os métodos e objetivos de Varley, e com o uso de seus equipamentos técnicos.

O plano básico de Varley era garantir que Florence Cook permanecesse dentro de um gabinete caso 'Katie King' se materializasse do lado de fora. Ele decidiu tratar o médium, usando suas próprias palavras, como um 'cabo telegráfico', enviando 'uma corrente do pulso direito ao longo dos braços direito e esquerdo até o pulso esquerdo'. Isso criava um circuito estável sinalizado por um galvanômetro refletor. A quebra do circuito seria prova automática de que Cook deixou o gabinete para se passar por King. A chave do teste, então, era 'continuidade e resistência'.

Em seu relatório da primeira sessão espírita, Varley escreveu que King realmente compareceu, mas apenas parcialmente. Não havia sinal de que o circuito estava se rompendo. Ele comentou para King que ela era exatamente igual à Cook, e a resposta estranha foi 'Yeth! Yeth!' Mais tarde, quando a escuridão na sala aumentou, Varley se aproximou de King, tocou suas mãos e percebeu que elas eram bem diferentes das de Cook. Então, quase na escuridão total, King disse a Varley para acordar Cook[14]. Isso foi feito com 'passes cruzados'. Os fios pareciam estar completamente em suas posições originais.

Curiosamente, em 1880 Varley escreveu que o nome da mulher materializada era 'Annie Morgan' e não Katie King[15].

Varley tendia a sofrer uma séria perda de energia após experiências tão dramáticas[16]. Por isso ele não pôde comparecer à segunda sessão espírita. No entanto, na casa de Crookes, a médium não era Florence Cook, mas um filho de Crookes que nem sequer era médium. Isso pode ser explicado dizendo que Varley apenas queria que Crookes se familiarizasse com o galvanômetro, independentemente do assunto. De qualquer forma, o papel exato desempenhado por Crookes em todo o caso tem sido motivo de debate entre alguns críticos[17].

 

Avaliação Geral do Espiritualismo Moderno

Na visão de Varley, o Espiritismo era uma 'introdução a um extenso campo de conhecimento mental e físico que, em grande medida, explicará e reconciliará as crenças de todas as épocas e nações' e também despertará 'a percepção das verdades e princípios mais puros e elevados'[18]. Esse despertar deve nos ajudar a transcender 'o estado do nosso conhecimento presente'[19].

 

Obras Citadas

§  Anon. (1868). Lyon v Home. The Spiritual Magazine 3 (June), 241-88. [Google Books. Download PDF.]

§  Anon. (1870). Facts for non-Spiritualists. The Spiritualist 1/12 (15 August), 96. [IAPSOP. Download PDF.]

§  Anon. (1883). Cromwell F. Varley (1828–1883). The Telegraphic Journal and Electrical Review (8 September). [Web [page. Full text.]

§  Boase, G.C. (n.d.). Varley, Cromwell Fleetwood. In Dictionary of National Biography, 1885–1900, vol. 58. [Web page. Full text.]

§  Broad, C.D. (1964). Cromwell Varley’s electrical tests with Florence Cook. Proceedings of the Society for Psychical Research 54/195, 158-72.

§  Gauld, A. (1968). The Founders of Psychical Research. London: Routledge & Kegan Paul.

§  Harrison, W.H. (ed.) (1880). Psychic Facts: A Selection from the Writings of Various Authors on Physical Phenomena. London: W.H. Harrison. [Web page. Full text.]

§  London Dialectical Society. (1871). Report on Spiritualism of the Committee of the London Dialectical Society. London: Longmans, Green, Reader and Dyer. [Wikimedia. Full text.]

§  Morton, L. (2021). Calling the Spirits: A History of Séances. London: Reaktion Books.

§  Noakes, R. (1999). Telegraphy is an occult art: Cromwell Fleetwood Varley and the diffusion of electricity to the other world. British Journal for the History of Science 32/4, 421-59. [Web page. Abstract.]

§  Varley, C.F. (1872). The efficacy of prayer. The Spiritualist 1/30 (15 February), 12. [IAPSOP. Embedded in PDF.]

§  Varley, C.F. (1874). Electrical experiments with Miss Cook when entranced. The Spiritualist 4 (20 March), 134-35. [IAPSOP. Embedded in PDF.]

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Esta seção é baseada em Anon. (1870); Varley (1872); Anon. (1883); and Boase (n.d.).

[3] Anon. (1883).

[4] Noakes (1999), 437-39.

[5] London Dialectical Society (1871), 157-59.

[6] London Dialectical Society (1871), 170.

[7] London Dialectical Society (1871), 170.

[8] Anon. (1868), 273-74; Anon. (1870), 96; Noakes (1999), 436-37.

[9] Anon. (1868), 274-76.

[10] Anon. (1870), 271.

[11] Harrison (1880), 35-36.

[12] London Dialectical Society (1871), 165-66; Gauld (1968), 26n.

[13] Varley era um bom amigo de Crookes. Ele defendeu as posições de Crookes durante uma controvérsia sobre uma suposta 'nova força' que Crookes sustentou contra WB Carpenter em 1870–71. Veja Harrison (1880), 38-39.

[14] Varley (1874); Harrison (1880), 37.

[15] Harrison (1880), 37.

[16] Harrison (1880), 37-38; Morton (2020), 122.

[17] Broad (1964), 170-71; Morton (2020), 151.

[18] Anon. (1870), 96.

[19] Anon. (1868), 278.