sábado, 31 de dezembro de 2016

ANO NOVO[1]



Irmão X


Quando o desvelado orientador chegou ao Planeta, encaminhando o aprendiz à experiência nova, o lar estava em festa, na celebração do Ano Novo.
Musicas alegre embalavam a casa, flores festivas enfeitavam a mesa lauta. Riam-se os jovens e as crianças, enquanto os velhos bebiam vinhos de júbilo.
O devotado amigo abraçou o tutelado e falou:
- Nova existência, meu filho, é qual Ano Novo. Enche-se o coração das esperanças mais belas. Troca-se o passado pelo presente. Rejubila-se a alma na oportunidade bendita.
Promessas divinas florescem no coração.
O tempo é o tesouro infinito que o Criador concede às criaturas. Não esqueças, todavia, que a concessão de um tesouro é titulo de confiança e toda confiança traduz responsabilidade. Tanto prejudica a obra de Deus o avarento que restringe a circulação dos valores, como o perdulário que os dissipa, olvidando obrigações sagradas.
O tempo, desse modo, é benfeitor carinhoso e credor imparcial simultaneamente. Na terra a maioria dos homens não chegou ainda a compreendê-lo.
Os ignorantes perdem-no.
Os loucos matam-no.
Os maus envenenam-no.
Os indiferentes zombam dele.
Os vaidosos confundem-no.
Os velhacos enganam-no.
Os criminosos perturbam-no.
Riem-se dele os pândegos.
Os mentirosos ridicularizam-no.
Os tolos esquecem-no.
Os ociosos combatem-no.
Os tiranos abusam dele.
Os irônicos menosprezam-no.
Os arbitrários dominam-no.
Os revoltados acusam-no.
Aproveitam-no os trabalhadores fiéis.
O tempo, contudo, meu filho, pertence ao Senhor e ninguém pode subverter a ordem de Deus.
É por isso que, ao fim da existência, cada um recebe conforme usou o divino patrimônio.
Vale-te, pois, da oportunidade nova, sem olvidares o dever, convicto de que ninguém falará ou agirá no mundo, em vão.
O homem precipita-se. O tempo espera. O primeiro experimenta. O segundo determina.
Se atingires a alegria de recomeçar, alcançarás, igualmente, o dia de acertar.
Lembra-te de que o tempo ensinará aos ignorantes.
Anulará os loucos.
Envenenará os maus.
Zombará dos indiferentes.
Confundirá os vaidosos.
Esclarecerá os velhacos.
Perturbará os criminosos.
Surpreenderá os pândegos.
Ridiculizará os mentirosos.
Corrigirá os tolos.
Combaterá os ociosos.
Ferirá os tiranos.
Menosprezará os irônicos.
Prenderá os arbitrários.
Acusará os revoltados.
Compensará os trabalhadores fieis.
Calou-se o venerável ancião.
Havia risos à mesa domestica expectativa no candidato à reencarnação, sorrisos paternais no velhinho experiente.
O sábio abraçou novamente o discípulo e despediu-se rematando:
- Não te esqueças de que o tempo é generoso nas concessões e justo nas contas. Vai, porém, meu filho, e não temas.
Nesse instante, à maneira do homem, cheio de esperanças, que penetra o Ano Novo, o aprendiz reingressou na onda do nascimento.




[1] Pontos e Contos – Irmão X - PsicoFrancisco C. Xavier

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

ADVOGADO AMBICIOSO REENCARNA COM HIDROCEFALIA[1]



 
Irmão X (Humberto de Campos)
 

Dr. Abelardo Tourinho era, indiscutivelmente, verdadeira águia de inteligência. Advogado de renome, não conhecia derrotas. Sua palavra sugestiva, nos grandes processos, tocava-se de maravilhosa expressão de magnetismo pessoal. Seus pareceres denunciavam apurada cultura. Abelardo se mantinha, horas e horas, no gabinete particular, surpreendendo as colisões das leis humanas entre si. Mas, seu talento privilegiado caracterizava-se por um traço lamentável. Não vacilava na defesa do mal, diante do dinheiro.
Se o cliente prometia pagamento farto, o advogado torturava decretos, ladeava artigos, forçava interpretações e acabava em triunfo espetacular. Chamavam-lhe “grande cabeça” nos círculos de convivência comum. Era temido pelos colegas de carreira. Os assistentes se atropelavam a fim de atendê-lo no que desejasse.
Muitas vezes, foi convidado a atuar, em posição destacada, nas esferas político-administrativas; entretanto, esquivava-se, porque as gratificações dum deputado eram singelas, perto dos honorários que recebia. Seus clientes degradantes eram sempre numerosos. Sua banca era frequentada por avarentos transformados em sanguessugas do povo, por negociantes inescrupulosos ou por criminosos da vida econômica, detentores de importante ficha bancária. Abelardo nunca foi visto lutando em causa humilde, defendendo os fracos contra os poderosos, amparando infortunados contra os favorecidos da sorte. Afirmava não se interessar por questões pequenas.
Mas, havia alguém que o acompanhava, sem tecer elogios precipitados. Era sua mãe, nobre velhinha cristã, que o alertava, de quando em quando, com sinceridade e amor. Dizia ela:
- Abelardo, não te descuides na missão do Direito. Não admitas que a ideia de ganho te avassale as cogitações. Creio que a tarefa da justiça terrestre é muito delicada, além de profundamente complexa. Ser advogado ou juiz é difícil ministério da consciência.
Por vezes, observo-te as inquietações na defesa dos clientes ricos e fico preocupada. Não te impressiones pelo dinheiro, meu filho! Repara, sobretudo, o dever cristão e o bem a praticar. Sinto falta dos humildes, em derredor de teu nome.
Ouço os aplausos de teus colegas e conheço a estima que desfrutas, no seio das classes abastadas, mas ainda não vi, em teu círculo, os amigos apagados de que Jesus se cercava sempre. Nunca pensaste, Abelardo, que o Mestre Divino foi advogado da mulher infeliz e que, na própria cruz, foi ardoroso defensor dum ladrão arrependido? Creio que o teu apostolado é também santo... O eminente advogado balançava a cabeça, em sinal de desacordo, e respondia:
- Mãezinha, os tempos são outros. Devo preservar as conquistas efetuadas. Não posso, por isso, satisfazer-lhe as sugestões.
Compreende a senhora que o advogado de renome necessita cliente à altura. Aliás, não desprezo os mais fracos. Tenho meu gabinete vasto, onde dou serviço a companheiros iniciantes, junto aos quais os menos favorecidos do campo social encontram os recursos que necessitam...
- Oh! Meu filho! Estimaria tanto ver-te a sementeira evangélica! ...
O advogado interrompia lhe as observações, sentenciando:
- A senhora, porém, necessita compreender que não sou ministro religioso. Não devo ligar-me a preceituação estranha ao Direito. E é tão escasso o tempo para a leitura e analise dos códigos que me não sobra ensejo para estudos do Evangelho. Além do mais – e fazia um gesto irônico -, que seria de meus filhos e de mim mesmo se apenas me rodeasse de pobretões? Seria o fim da carreira e a bancarrota geral.
A genitora discutia amorosa, fazendo-lhe sentir a beleza dos ensinamentos cristãos, mas Abelardo, que se habituara aos conceitos religiosos de toda gente, não se curvava às advertências maternas, conservando mordaz sorriso ao canto da boca.
A experiência terrestre foi passando devagar, como quem não sentia pressa em revelar a eternidade da vida infinita.
A Senhora Tourinho regressou à espiritualidade, muito antes do filho.
Abelardo, todavia, jamais cedeu aos seus pedidos.
E foi assim que a morte o recolheu, envolvido em extensa rede de compromissos (com a lei divina). Compreendeu, tarde demais, as tortuosidades perigosas que traçara para si mesmo. Muito sofreu (no umbral) e chorou nos caminhos novos. Não conseguia levantar-se, achava-se caído, na expressão literal. Crescera-lhe a cabeça enormemente, retirando-lhe a posição de equilíbrio normal. Colara-se à terra, entontecido e frequentemente atormentado pelas vítimas ignorantes e sofredoras (pessoas que ele prejudicou quando os fez perder a causa tornaram-se obsessores).
A devotada mãezinha visitou-o por anos, sem alcançar resultados animadores. Ele prosseguia na mesma situação de imobilidade, deformação e sofrimento. A mãe, reparando na ineficácia de seus carinhos, trouxe um elevado orientador de almas à paisagem escura (umbral).
Pretendia um parecer, a fim de traçar diretrizes de ação.
O prestimoso amigo examinou o paciente, registrou lhe as pesadas vibrações mentais, pensou, pensou e dirigiu-se à abnegada mãe, compadecido:
- Minha irmã, o nosso amigo padece de inchação da inteligência pelos crimes cometidos com as armas intelectuais. Seus órgãos da ideia foram atacados pela hipertrofia de amor-próprio. Ao que vejo, a única medida capaz de lhe apressar a cura é a hidrocefalia no corpo terrestre.
A nobre genitora chorou amargurada, mas não havia remédio senão conformar-se.
E, daí a algum tempo, pela inesgotável bondade do Cristo, Abelardo Tourinho reencarnou e podia ser identificado por amigos espirituais numa desventurada criança do mundo, colada a triste carrinho de rodas, apresentando um crânio terrivelmente disforme, para curar os desvarios da “grande cabeça”.
Observação: Se todos acreditassem na reencarnação, pensariam duas vezes antes de transgredir as leis de Deus. Saberiam que a lei é a de causa e efeito (o que causarmos de bom e de ruim a tudo que conviva conosco neste planeta, seja uma pessoa, um animal, a Natureza e a nós mesmos sofreremos as consequências); colheremos aquilo que plantarmos; seja nessa ou em outra encarnação, ninguém sofre a toa e, consequentemente, Deus é justo.




[1] Pontos e Contos - Chico Xavier

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

AS DUAS ESTRADAS E AS DUAS PORTAS[1]

 


“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçosa é a estrada que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; porque estreita é a porta e apertada a estrada que conduz à Vida e poucos são os que acertam com ela.” (Mateus, VII, 13-14.)

 
Duas são as estradas que se apresentam aos homens: a da Evolução e a da Degradação.
Também são duas as portas que se abrem à pobre criatura humana: a porta da Vida e a porta da Morte.
Aqueles que caminham pela Estrada da Evolução, hão de, forçosamente, passar pela porta estreita que conduz à Vida.
Os que descem o declive da degradação, hão de atravessar a porta larga para viverem na Morte!
Há vida na Vida e há “vida” na Morte!
Na vida da Terra há morte; na Vida do Espaço a vida venceu a Morte.
A Estrada da Evolução é apertada, poucos são os que acertam com ela, mas grande é o número dos que não querem acertar, pois ouviram dizer que ela é “apertada”.
A Estrada da Degradação é larga, muitos são os que por ela passam e dela não querem sair, por ser espaçosa e facultar-lhes uma série considerável de diversões.
A Estrada do Progresso vê-se com os olhos da alma, e a alma a deseja, ardentemente, para a aquisição de seus destinos felizes; a da Degradação proporciona no presente os gozos efêmeros do mundo e o homem material por ela caminha preso a essas delícias perecíveis.
A Estrada do Progresso, por ser apertada, exige conhecimentos, reclama atenção, critério, raciocínio, para que não se decline para a direita ou para a esquerda.
A Estrada da Degradação é guarnecida de todos os atrativos, festejada com todas as músicas: nela os cinco sentidos humanos se fascinam, embriagam-se pelas sensações exteriores, aniquilando o Espírito que fala à consciência, adormecendo a alma que deixa de agitar a razão.
Para subir-se pela Estrada da Evolução e entrar-se pela porta do Progresso, é preciso Prudência, Fortaleza, Temperança, Retidão, Fé, Esperança e Caridade. Por isso: “Estreita é a porta e apertado é o caminho que conduz à Vida, e poucos são os que acertam com ela.”
A Estrada da Degradação é a da Soberba, da Avareza, da Luxúria, da Ira, do Ódio, da Gula, da Preguiça, da Inveja, de que o mundo está cheio; eis porque: “Larga é a porta e espaçosa é a estrada que conduz à perdição e muitos são os que por ela entram.”
Entrai pela Porta Estreita porque é a que dá entrada à Vida Eterna.




[1] Parábolas e Ensinos de Jesus - Cairbar Schutel - 1ª Edição (1928)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

DOIS ANOS DE PESQUISA EM EVP[1]


Sandro Fontana

 
Rigor e boa metodologia evidenciam a gravação real de vozes em ambiente controlado

 
Para os ainda não familiarizados, o termo EVP significa Fenômeno Eletrônico de Voz (electronic voice phenomena) e possui sim “ligação intima” com a TCI, este ultimo querendo dizer: Transcomunicação Instrumental.
O termo EVP tomou forma para evitar o pressuposto de que espíritos estão se comunicando pelas vozes que surgem, sendo assim o termo (EVP) é mais abrangente, cientifico e fica aberto a hipóteses que pesquisadores venham a oferecer sobre o fenômeno que ocorre da mesma forma que na TCI.
Nos últimos anos o meio cientifico vem se voltando a pesquisas desse gênero, desde os adeptos a tais pesquisas até os mais céticos.
Temos que admitir que ao longo de muitos anos vem-se trazendo material abundante que parecem evidenciar que espíritos se comunicam, dentro é claro, dos limites ainda não totalmente descobertos que tal tecnologia expõe. No entanto, ao longo dos anos, vem-se criticando muito a TCI, principalmente pelos métodos utilizados. Dentre as principais criticas temos a pareidolia[2], isto é, uma necessidade que nosso cérebro possui para dar sentido a coisas, imagens e sons que possam surgir em formas e intensidade ínfimas.
De todos, não estão errados os que criticam, afinal quem já teve oportunidade de ouvir um áudio de TCI certamente ficou sem entender como algumas pessoas conseguem decifrar os ruídos e transforma-los em palavras. Bom, esperem aí, nesse caso precisamos de uma melhor visão sobre a temática. Há uma categorização de vários níveis de sons, uns mais inteligíveis e outros não. Ok, mas mesmo assim como é que alguns conseguem entender o que a maioria não entende?
Talvez uma boa explicação para isso seja o hábito ou então o “acostumar de ouvido” para a compreensão de tais sons.
É muito comum um leigo, à transmissões entre aviões ou rádios de HF, não conseguirem entender o que é falado entre as conversas, no entanto os profissionais que os utilizam amplamente (e diariamente) o fazem com muita facilidade. Esse fato vem demonstrando que o argumento cético não tem se sustentado, ao menos para os áudios mais nítidos.
Outra crítica constante à TCI vem sendo o ruído de fundo utilizado para se captar as vozes eletrônicas.
Para os mais leigos no assunto, vale enfatizar que o processo utilizado hoje para gravações desses fenômenos eletrônicos é o seguinte:
1) Pega-se um gravador qualquer, podendo ser o próprio computador;
2) Sintoniza-se um rádio deixando-o em estação aberta (sem sintonia alguma) ou então se pode utilizar um ruído previamente gravado;
3) Faz-se evocações e perguntas, deixando o gravador captando o ruído de fundo por algum tempo;
4) Após a captação o experimentador / pesquisador deve digitalizar o som (se já não o foi feito no computador) e utilizar um programa editor de som para mais facilmente encontrar e editar as amplitudes captadas (em geral o SoundForge ou Audacity);
Com base nas informações acima, podemos melhor entender como os críticos atuam, onde o outro foco é exatamente: Os ruídos de fundo.
Um das criticas mais intensas é a utilização de fundo que se baseia em fonemas previamente gravados, por esse motivo o meio cientifico rejeita qualquer ruído que se baseie em algo que possa gerar a pareidolia, por exemplo, um ruído branco (chiado do radio ou TV) não pode induzir um pesquisador a ouvir algo, a menos que uma interferência ocorra no momento da gravação, por outro lado, a utilização de fonemas misturados (uma série de palavras faladas e sobrepostas) é rechaçado facilmente por qualquer crítico, principalmente os melhores preparados que sabem que variações de sons e indutâncias podem repercutir facilmente no engano ao cérebro, mesmo comparando o áudio original com o captado.
De um modo geral, toda a crítica é necessária e bem vinda, principalmente quando se aplica ao método e não a crença de qualquer um. Esse foi um dos motivos que motivou a pesquisadora Anabela Cardoso a unir um grupo de estudiosos e replicar o fenômeno dentro de vários rigores científicos, unindo uma série de criticas e aprimorando o método em si.
Embora alguns pesquisadores já tenham tentado e sem sucesso, isso parece dar mais subsídios para que a evidência esteja rumo ao espiritismo, e não a um fenômeno paranormal em si.
No ano de 2001, o pesquisador Imants Baruss, do Departamento de Psicologia da University of Western Ontario, King’s College publicou artigo científico no Journal of Scientific Exploration (Vol. 15, No. 3, pp. 355–367, 2001) relatando seus insucessos em tentar replicar o fenômeno. Para os pseudo-céticos isso pareceu demonstrar que tudo não passa de uma fraude ou fato raro de ocorrer (pareidolia), no entanto, a olhos bem atentos, o advento só veio a denotar mais evidência para a comunicação espiritual como maior fator possível, haja visto que os grupos de TCI atuam considerando a hipótese espiritual e não somente evocações vagas. Outro fator contra a hipótese PSI surge pelo fato do pesquisador desejar que tal fenômeno ocorra e o fato foi que nada ocorreu, mesmo Baruss (e sua equipe) demonstrando o desejo do fenômeno.
É importante entender que o termo EVP deixa em aberto a fonte que gera o fenômeno, sendo assim temos, mais uma vez, um grupo se dividindo entre o paranormal e o espiritual. De um lado pesquisadores convictos de que as vozes que surgem são oriundas de espíritos, baseados em todos os seus estudos e observações, e de outro, um grupo que desacredita em tal hipótese e passa a busca em explicá-la de forma mais tradicional.
Tudo leva a crer que as evidências atuais já denotam que a explicação de fraude e materialista não surtem mais efeito devido ao abundante material exposto e estudado, não sendo mais cabíveis para explicar a ocorrência dos fenômenos.
De posse do conhecimento de muitas criticas, a pesquisadora Anabela Cardoso elaborou um perfeito método cientifico que abrangia todos os quesitos. Ela utilizou cabine blindada para as gravações, evitando assim captações ou interferências exteriores; Gravou previamente um ruído branco de fundo, evitando a possibilidade de interferência magnética de fonte transmissora (“calando a boca” de muitos críticos que explicavam a fenomenologia por esse meio) e utilizou equipamento profissional para a captação.
Os resultados foram incrivelmente positivos, trazendo avanço para pesquisadores espiritas, pois denotou que alguns equipamentos (como microfone) fazem diferença na captação das vozes e para a comunidade cientifica em geral.
Até o presente momento eu não encontrei critica alguma ao trabalho dela, parece que os céticos “se calaram” diante de tal evidência e parece que, ao se tocar no assunto, todos fogem ou tentam deixar esse trabalho escondido, afinal isso "derruba" o materialismo de tal forma que faltou coragem de alguns para admitir que podem estar errados.
Para o meio espirita cientifico, os resultados da pesquisa de Anabela Cardoso demonstram que a mediunidade pode ser eletrônica e que temos que avançar muito nela ainda. É um tanto incompreensível o motivo de alguns espiritas mais moralistas ou ortodoxos irem contra a TCI, defendendo a hipótese de que a tecnologia e avanço nesse campo possa a deteriorar a doutrina. A pesquisa de Schwartz, publicada em nossa edição anterior, já demonstrou que precisamos rever muitos dos conceitos mediúnicos em geral e este estudo de Anabela traz a tona questões que precisamos repensar: como se explicar o fenômeno?
Já tive oportunidade de participar de várias sessões, lideradas pela pesquisadora Suely Raimundo, e verificar a seriedade e comprometimento com este tipo de trabalho, principalmente no tocante às possíveis explicações de como o fenômeno ocorre. Eu mesmo, por vezes já fiquei elaborando hipóteses e, somando meu conhecimento a cada evento, vou concluindo que uma das hipóteses prováveis pode ser o fenômeno de voz direta, onde há relatos de pesquisas do passado, tanto por ingleses como franceses, de ouvirem a voz audível.
Em sua pesquisa, Anabela relata que microfones mais sensíveis oferecem melhores resultados, isso pode nos levar a supor que o fenômeno recorrente seja em intensidade muito fraca e que, mesmo nossos ouvidos não captando aquele exato instante da comunicação, a tecnologia vem e “nos brinda” com os gravadores, para que seja possível ouvirmos depois dos trabalhos, o que foi captado.
Outra hipótese que se mantém “ativa”, entre os pesquisadores de TCI, é de que possam existir estações transmissoras de radiofrequência “do outro lado”, essa hipótese em si não deve ser descartada pois o fenômeno de materialização de radiofrequências é totalmente possível.
Os desafios estão aí e as evidências também, cabe um trabalho sério e longo para avançarmos nesse campo tecnológico.
Para os leitores interessados na temática, os mesmos podem acessar o artigo original publicado por Anabela na revista NeuroQuantology[3].
Para maiores informações sobre o assunto, o leitor pode visitar os sites:






[1] Revista Ciência Espírita – Edição 5 – Outubro/2015 - www.revistacienciaespirita.com  
[2] É um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma.
[3] A Two-Year Investigation of the Allegedly - Anomalous Electronic Voices or EVP http://www.neuroquantology.com/index.php/journal/article/view/571

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

BALANÇO[1]



Richard Simonetti
 

A iminência da morte dispara um curioso processo de reminiscência. O moribundo revive, em curto espaço de tempo, as emoções de toda a existência, que se sucedem em sua mente como um prodigioso filme com imagens projetadas em velocidade vertiginosa.
É uma espécie de balanço existencial, um levantamento de débito e crédito na contabilidade divina, definindo a posição do Espírito ao retomar à Espiritualidade, em face de suas ações boas ou más, considerando‐se que poderão favorecê‐lo somente os valores que "as traças não roem nem os ladrões roubam", a que se referia Jesus, conquistados pelo esforço do Bem.
Trata‐se de um mecanismo psicológico automático que pode ser disparado na intimidade da consciência sem que a morte seja consumada. São frequentes os casos em que o "morto" ressuscita, espontaneamente ou mediante a mobilização de recursos variados.
Há médicos que vêm pesquisando o assunto, particularmente nos Estados Unidos, onde se destaca o doutor Raymond A. Moody Júnior, que no livro "Vida Depois da Vida" descreve experiências variadas de pessoas declaradas clinicamente mortas.
Vale destacar que esses relatos confirmam as informações da Doutrina Espírita. Os entrevistados reportam-se ao "balanço" de suas existências. Abordam, também, temas familiares aos espíritas, como: corpo espiritual ou perispírito; a dificuldade de perceber a condição de "morto"; o contato com benfeitores espirituais e familiares; a facilidade em "sentir" o que as pessoas estão pensando; a possibilidade de volitar, com incrível sensação de leveza; a visão dos despojes carnais e as impressões extremamente desagradáveis dos que tentaram o suicídio.
As pesquisas revelaram que tais fenômenos são frequentes, envolvendo pacientes variados, e que estes geralmente silenciam a respeito, temendo ser julgados mentalmente debilitados.
Em "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO" Allan Kardec comenta que a universalidade dos princípios espíritas (concordância nas manifestações dos Espíritos, obtidas através de múltiplos médiuns em diversos países), garante sua autenticidade, já que seria impossível uma coincidência tão generalizada.
Da mesma forma a autenticidade das pesquisas do Dr. Moody é demonstrada estatisticamente pelos relatos de centenas de pacientes que retornaram do Além, abordando os mesmos aspectos a que nos referimos, não obstante professarem diferentes concepções religiosas, situarem‐se em variadas posições culturais e sociais e residirem em regiões diversas.
A experiência de reviver a própria existência em circunstâncias dramáticas pode representar para o redivivo uma preciosa advertência, conscientizando‐o de que é preciso investir na própria renovação, a fim (de não se situar "falido" no Plano Espiritual quando efetivamente chegar sua hora).




[1] Quem tem medo da Morte? – Richard Simonetti

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Maria Modesto Cravo[1]

 

Maria Modesto Cravo nasceu na cidade de Uberaba-MG, em 16 de abril de 1899. Teve formação católica, casando-se aos 17 anos com Nestor Cravo, em 1915. No ano seguinte transferiram residência para Belo Horizonte e tiveram como filhos: Eurythmia, Euclydes, Ermelinda, Eduardo, Erasto, Esdras e Erasmo.
Maria Modesto teve importante participação no nascente movimento espírita em Uberaba, juntamente com a participação de seu pai e sua tia.
Em documentos que tratam sobre os planos pioneiros da doutrina em Uberaba, consta: "em 20 de março de 1910, reuniram-se na casa de José Villela de Andrade os irmãos em crença José Villela de Andrade, Manoel Felippe de Souza, Anselmo Trezzi, João Augusto Chave, Evarista Modesto dos Santos (irmã de João Modesto) e outros, para tratarem dos meios de obter-se os recursos para a aquisição de um terreno e a construção de um edifício, destinados à reunião e mais trabalhos que tinham o objetivo de propagar a Doutrina Espírita". 
Sentindo os primeiros fenômenos mediúnicos em sua esposa, em forma de obsessão, o que acarretou inúmeros problemas para a família, seu esposo buscou o aconselhamento espiritual, recebendo como orientação que ela fosse ao encontro de Eurípedes Barsanulfo, na cidade de Sacramento-MG.
Seu organismo estava fraco, sendo realmente diagnosticada a influenciação, oriunda de espíritos infelizes. Eurípedes indica tratamento físico e espiritual, através da fluidoterapia. Em poucos dias, Maria Modesto apresentava significativa melhora, sendo convidada a trabalhar na equipe mediúnica. Passado pouco tempo, já recuperada, Maria Modesto é orientada por Eurípedes Barsanulfo para se mudar para Uberaba.
Em janeiro de 1919, um novo local de trabalho é fundado na cidade mineira, o Ponto Bezerra de Menezes, ao lado da casa de Maria Modesto, onde, juntamente com outros médiuns, ela passa a servir de intermediária dos Benfeitores Espirituais, assistindo a enfermos.
Todavia, a assistência não se limitava ao intercâmbio espiritual. Em 1922 inicia-se a realização do Natal dos Pobres, beneficiando os necessitados que ali buscavam o amparo, além da assistência prestada aos cegos, presidiários e outras instituições.
Pouco tempo depois de fundada a sede social do Centro Espírita Uberabense, em 13 de maio de 1919, um fato importante ocorre: a comunicação psicográfica através de Maria Modesto, do luminoso espírito Ismael, designado pelo Cristo para organizar o trabalho da propagação da Boa Nova no Brasil. Na época, a direção do Centro Espírita Uberabense resolveu consultar a Federação Espírita Brasileira, para saber da autenticidade da mensagem, sendo confirmada pelo próprio comunicante, na sede da FEB.
Recebendo orientações de Bezerra de Menezes, a respeito do trabalho desenvolvido do Ponto, o grupo recebe orientação para iniciarem a construção do Sanatório Espírita de Uberaba, sendo sua planta recebida mediunicamente por Maria Modesto. Em 6 de janeiro de 1928, a pedra fundamental é lançada pelo presidente do Centro Espírita Uberabense, médico sanitarista Henrique von Krugger Schroeder. Em 31 de dezembro de 1934 o Sanatório é inaugurado, exercendo o cargo de diretor clínico, o Dr. Inácio Ferreira.
Junto ao Sanatório Espírita, o trabalho de Maria Modesto foi constante, tendo a benfeitora encontrado ainda tempo para auxiliar na fundação da União da Mocidade Espírita de Uberaba (UMEU), em 1940.
Em julho de 1963, devido a sérios problemas de saúde, Maria Modesto Cravo transfere-se para Belo Horizonte, retornando à Pátria Espiritual em 8 de agosto de 1964, vitimada pelo câncer.
 
 Casos Curiosos
Certo dia, enquanto residia em Uberaba, ainda solteira, fui visitar dona Maria Modesto, como a chamavam.
Enquanto lá estávamos, ela foi chamada, porque estava chegando um rapaz para ser internado, considerado louco. A família já não aguentava mais.
Dona Maria Modesto começou a conversar com os familiares e logo em seguida pediu a eles que o desamarrassem.
O rapaz chegou de camisa-de-força.
- Mas, como? Arguiu o pai! Ele está fora de si. Está muito violento e poderá agredir qualquer um de nós e até vocês mesmos.
- Não, disse ela, ele não fará isso. Por minha conta, tirem a camisa-de-força dele.
- Oh! Dona, então é por conta sua, porque eu já não aguento mais. Pois bem, desamarraram o rapaz e ele começou a conversar com ela, naturalmente, respondendo o que lhe era perguntado, com todo respeito e tranquilidade.
De outra feita, estando Maria Modesto já doente, em Belo Horizonte, para ser tratada pelo médico Water Boechat, precisou fazer uma extração cirúrgica do dente. A cirurgia demorou por mais ou menos três horas. Ela própria segurava o seu queixo, enquanto o profissional batia o martelo para abalar o dente. O dentista estava muito preocupado com o estado de saúde dela, pois sabia da doença que a acometia. Dona Maria Modesto o acalmava dizendo:
- Fique tranquilo, está tudo indo muito bem. Pode continuar.
No dia seguinte. Fomos visitá-la em casa de sua filha. O médico chegou também para fazer seu exame de rotina.
Sabendo que o dentista estava presente naquele momento, chamou-o e disse:
- Como foi você que fez a extração cirúrgica, é bom que você venha participar do exame a que a submeteremos.
 Pediu a ela que mostrasse onde foi extraído o dente. Qual não foi a surpresa do dentista quando viu que o local do dente estava completamente cicatrizado, como se nada tivesse acontecido.
 
Yedda Pontes – Fonte Viva.
 
Bibliografia:
- História do Espiritismo em Uberaba - Carlos Baccelli.
- Fonte Viva. out/dez de 2002.




sábado, 24 de dezembro de 2016


 
Natal[1]
 

Ei, você, aonde vai com tanta pressa?

Eu sei que você tem pouco tempo...

Mas, será que poderia me dar uns minutos da sua atenção?

Percebo que há muita gente nas ruas, correndo como você.

Para onde vão todos?

Os shoppings estão lotados...

Crianças são arrastadas por pais apressados, em meio ao torvelinho...

Há uma correria generalizada...

Alimentos e bebidas são armazenados...

E os presentes, então? São tantos a providenciar...

Entendo que você tenha pouco tempo.

Mas, qual é o motivo dessa correria?

Percebo, também, luzes enfeitando vitrines, ruas, casas, árvores...

Mas, confesso que vejo pouco brilho nos olhares...

Poucos sorrisos afáveis, pouca paciência para uma conversa fraternal...

É bonito ver luzes, cores, fartura...

Mas seria tão belo ver sorrisos francos...

Apertos de mãos demorados...

Abraços de ternura...

Mais gratidão...

Mais carinho...

Mais compaixão...

Talvez você nunca tenha notado que há pessoas que oferecem presentes por mero interesse...

Que há abraços frios e calculistas...

Que familiares se odeiam, sem a mínima disposição para a reconciliação.

Mas, porque você me emprestou uns minutos do seu precioso tempo, gostaria de lhe perguntar novamente: Para que tanta correria?

Em meio à agitação, sentado no meio-fio, um mendigo, ébrio, grita bem alto: Viva Jesus. Feliz Natal!

E os sóbrios comentam: É louco!

E a cidade se prepara... Será Natal.

Mas, para você que ainda tem tempo de meditar sobre o verdadeiro significado do Natal, ouso dizer:

O Natal não é apenas uma data festiva, é um modo de viver.

O Natal é a expressão da caridade...

E quem vive sem caridade desconhece o encanto do mar que incessantemente acaricia a praia, num vai-e-vem constante...

Natal é fraternidade...

E a vida sem fraternidade é como um rio sem leito, uma noite sem luar, uma criança sem sorriso, uma estrela sem luz.

Mas o Natal também é união...

E a vida sem união é como um barco furado, um pássaro de asas quebradas, um navegante perdido no oceano sem fim.

E, finalmente, o Natal é pura expressão de amor...

E a vida sem amor é desabilitada para a paz, porque em sua intimidade não sopra a brisa suave do amanhecer, nem se percebe o cenário multicolorido do crepúsculo.

Viver sem a paz é como navegar sem bússola em noite escura... É desconhecer os caminhos que enaltecem a alma e dão sentido à vida.

Enfim, a vida sem amor... Bem, a vida sem amor é mera ilusão.

 


[1] Redação do Momento Espírita. - http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1169&

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

APEGO E SOFRIMENTO[1]


 
Hugo Lapa[2]


Sobre os nossos apegos terrenos, precisamos lembrar de algo muito importante:
“Aquilo com o qual nos apegamos no mundo, será o nosso sofrimento no plano espiritual.”
Essa máxima é muito importante de ser compreendida, pois ela define nosso bem estar, nossa felicidade e nossa paz… Ou define nossa dor, vazio e sofrimento após a morte.
Aquele que depende de uma coisa para viver, como por exemplo, comida, compras, vícios, sexo, dinheiro, patrimônio etc. vai sofrer muito quando chegar ao plano espiritual e perceber que essas coisas não existem lá. Não existe comida no plano espiritual, pois o espírito não precisa se alimentar.
Por isso, se você é dependente da comida, se tem apego a ela, no plano espiritual você vai sofrer pela ausência de comida. Vai desejar a comida e ela não estará lá. Quanto maior o apego, maior será o seu sofrimento no plano espiritual quando você descobrir que seu objeto de apego não está presente.
No plano espiritual somos muito mais sensíveis do que no plano material. Quando estamos na Terra, revestidos por um invólucro composto de matéria grosseira, essa roupagem que envolve o espírito de certa forma nos protege de quem somos. Isso é positivo para o humano encarnado, pois lhe dá mais tempo de realizar sua purificação interior e se libertar de todas as suas imperfeições. No plano físico temos os desejos relacionados ao corpo e seus prazeres. Mas na condição de espíritos, fora da vida corpórea, aquele que não se libertou dos seus desejos em vida, permanece com eles. O mais grave é que os desejos que ficam na memória do espírito, com os quais ele se apegou, se apresentam de forma bem mais intensa e vívida.
O espírito que se acostumou em comer carne, adora carne, está apegado à carne e não consegue se imaginar vivendo sem comer carne, no plano espiritual vai sofrer muito com a ausência da carne. Ele vai desejar a carne, e não poderá se alimentar de carne. Da mesma forma o espírito de um fumante vai desejar o cigarro e não poderá mais sentir o prazer do tabaco em seu organismo. O resultado dessa falta é apenas um… sofrimento. O sofrimento pelos desejos não satisfeitos, pelos apegos, pelas nossas dependências e vícios humanos, é muito forte. Muitos espíritos nessa condição de ânsia pelos desejos materiais sentem-se tão carentes dos seus objetos de apego que permanecem no plano material, errático e perturbados, para poder usufrui-los.
É muito comum ver espíritos se ligando a encarnados, em graves processos obsessivos, fumando junto com eles. Ou espíritos alcoólatras que, quando desencarnam, não podem mais beber e, assim, entram em “possessão” com os encarnados para beber junto com eles. Se o encarnado obsedado por esses espíritos decide dar um ponto final e largar o vício, esses espíritos podem assedia-lo intensamente, estimulando sua necessidade pelo álcool, provocando no encarnado a sensação de carência, de desprovimento, de privação, e assim, faze-lo voltar a beber. Nesse estado, o encarnado pode ceder a esse apego e retornar o vício. Assim, os espíritos que estão com ele continuarão bebendo junto com ele. Obviamente não se trata de beber fisicamente, pois o espírito não tem mais corpo. Trata-se de incorporar no encarnado e compartilhar com ele da sensação da bebida, do prazer na ingestão do álcool.
De vez em quando vejo algumas pessoas dizendo: “Sim, eu sei que tenho esse apego, mas ainda não consigo larga-lo. No futuro eu me desapego”. Esse pensamento é muito perigoso, pois o ser humano encarnado não sabe o momento de sua morte. Ele pode morrer daqui a alguns segundos, como pode morrer daqui a 80 anos. Pode acontecer de alguém deixar para depois a libertação dos seus apegos e morrer repentinamente, num acidente de carro, num ataque cardíaco ou em outras condições. Quando isso acontece, não praticamos o desapego e o sofrimento no plano espiritual será uma realidade. O espírito que chega ao plano espiritual com todos os seus apegos, não pode mais se libertar. Ou ele se liberta aqui na matéria, ou não se liberta.
Estamos falando do sofrimento no plano espiritual, mas é certo que o apego também gera sofrimento aqui mesmo, na matéria. Uma pessoa muito apegada a sua casa, pode perder essa casa ainda em vida e sofrer muito com isso. Uma pessoa muito apegada a seu dinheiro, pode viver uma crise financeira e perder seu dinheiro e seus bens e também sofrer muito com isso. Algumas pessoas muito apegadas podem até mesmo pensar em suicídio, tal é seu grau de apego em relação àquilo que possuem. A depressão é muitas vezes o resultado de apegos não satisfeitos muito arraigados dentro de nós. Aquele que faz sua vida depender de uma coisa e depois a perde, pode também perder sua vida quando seu apego não existe mais. Todos precisam compreender que todo e qualquer tipo de apego deve ser extirpado de nossa vida, por um motivo muito simples: nenhum desses objetos de apego existe no plano espiritual. O plano espiritual, que é o plano real, não dispõe de qualquer coisa que necessitamos na Terra. As necessidades do mundo são apenas do mundo… elas não existem fora daqui. Por isso, quem se apega, sempre sofre pela perda, seja na matéria, seja no plano do espírito.
Por outro lado, as pessoas não tem noção da liberdade espiritual que conquistam quando se libertam dos seus apegos terrenos. É uma liberdade impossível de se expressar em palavras, de tão elevada, sublime e plena. Todos aspiram à liberdade, mas poucos são aqueles que aceitam abrir mão de tudo o que nos aprisiona. Não é possível ser livre e viver com apegos. O apego é o oposto da liberdade, assim como a escuridão é o oposto da luz. Quem vive mergulhado em seus apegos, vive e morre preso e infeliz. Aquele que, ao contrário, se solta de tudo e vive apenas pelo espírito que é, esse é livre, totalmente livre… e infinitamente feliz após a morte.
Portanto, o desapego do que existe no mundo não é apenas uma questão de moral espiritual, de evolução da alma ou da aspiração à transcendência. É principalmente a melhor forma de evitar o sofrimento, de nos proteger da carência, de superar a dor da perda de algo que não podemos mais obter. E acredite: essa dor do apego, no plano espiritual, é muito, muito sofrida.