terça-feira, 3 de novembro de 2026

HISTÓRIA DE UM DANADO [1], [2]

 


Allan Kardec

 

(Sociedade, 9 de dezembro de 1859 – Primeira sessão)

 

O Sr. de la Roche, membro titular, comunica o seguinte fato, que é de seu conhecimento pessoal:

Numa pequena casa perto de Castelnaudary ocorriam barulhos estranhos e manifestações diversas que levavam a considerá-la como assombrada por algum mau gênio. Por conta disso, foi exorcizada em 1848 e nela colocaram grande número de imagens de santos. Então, querendo habitá-la, o Sr. D... mandou fazer reparos e retirar as gravuras. Depois de alguns anos, ali morreu subitamente. Seu filho, que a ocupa atualmente, ou pelo menos a ocupava até há pouco, certo dia recebeu, ao entrar num aposento, forte bofetada de mão invisível. Como estivesse completamente só, não duvidou que ela proviesse de uma fonte oculta. Agora não quer mais ficar lá e vai deixá-la definitivamente.

Há, na região, a tradição segundo a qual um grande crime teria sido cometido naquela casa.

Interrogado sobre a possibilidade de evocar o esbofeteador, São Luís respondeu que sim.

Chamado, o Espírito se manifesta por sinais de violência; o médium é tomado de extrema agitação, sete ou oito lápis são quebrados, vários são atirados sobre os assistentes, uma página é rasgada e coberta de traços insignificantes, feitos com cólera. Todos os esforços para o acalmar mostram-se impotentes.

Pressionado a responder às perguntas que lhe são dirigidas, escreve com a maior dificuldade um não quase indecifrável.

 

1. [A São Luís] Teríeis a bondade de nos dar algumas informações sobre este Espírito, já que ele mesmo não pode ou não as quer dar?

– É um Espírito da pior espécie, um verdadeiro monstro. Nós o fizemos vir, mas não nos foi possível obrigá-lo a escrever, malgrado tudo quanto lhe foi dito. Ele tem seu livre arbítrio; mas, infeliz, dele faz triste uso.

2. Há muito tempo que morreu como homem?

– Tomai informações; foi ele que cometeu o crime, cuja lenda existe na região.

3. Quem era ele em vida?

– Sabê-lo-eis por vós mesmos.

4. É ele, pois, que assombra a casa atualmente?

– Sem dúvida, pois foi assim que vo-lo fiz chamar a atenção.

5. Os exorcismos praticados não foram capazes de expulsá-lo?

– De modo algum.

6. Ele tem algo a ver com a morte súbita do Sr. D...?

– Sim.

7. De que maneira contribuiu para essa morte?

– Pelo pavor.

8. Foi ele quem deu a bofetada no filho do Sr. D...?

– Sim.

9. Poderia ter dado outra em qualquer um de nós?

– Mas, certamente; vontade não lhe faltava.

10. Por que não o fez?

– Não lhe foi permitido.

11. Haveria um meio de o desalojar daquela casa? Qual seria?

– Se quiserem desembaraçar-se da obsessão de semelhantes Espíritos, será fácil, orando por eles: é o que sempre descuram fazer. Preferem apavorá-los com fórmulas de exorcismos, que os divertem muito.

12. Dando às pessoas interessadas a ideia de orar por esse Espírito, e orando nós mesmos por ele, seria possível desalojá-lo?

– Sim. Mas notai que eu disse orar, e não mandar orar.

13. Esse Espírito é susceptível de melhora?

– Por que não? Não o são todos, este como os outros? Contudo, é preciso enfrentar dificuldades. Mas, por mais perverso que seja, o bem em retribuição ao mal acabará por tocá-lo. Que orem primeiramente e o evoquem dentro de um mês; assim podereis julgar da mudança que nele se terá operado.

14. Esse Espírito é sofredor e infeliz. Podeis descrever o gênero de sofrimentos que ele suporta?

– Está convencido de que deverá ficar eternamente na situação em que se encontra. Vê-se constantemente no momento em que praticou o crime: qualquer outra lembrança lhe foi apagada, e interdita qualquer comunicação com outro Espírito. Na Terra só pode estar naquela casa e, quando no espaço, nas trevas e na solidão.

15. De onde vinha, antes da última encarnação? A que raça pertencia?

– Havia tido uma existência entre as tribos mais ferozes e mais selvagens e, precedentemente, vinha de um planeta inferior à Terra.

16. Se esse Espírito reencarnasse, em que categoria de indivíduos iria encontrar-se?

– Vai depender dele e do arrependimento que experimentar.

17. Em sua próxima existência corporal poderia ser o que se chama um homem de bem?

– Isto seria difícil. O que quer que faça, não poderá evitar uma existência bastante tempestuosa.

 

Observação – A Sra. X..., médium vidente que assistia à sessão, viu esse Espírito no momento em que queriam que escrevesse: sacudia o braço do médium; seu aspecto era aterrador; vestia uma camisa coberta de sangue e tinha um punhal.

O Sr. e a Sra. F..., que assistiam à sessão como ouvintes, embora ainda não fossem sócios, desde a mesma noite atenderam à recomendação feita em favor do infeliz Espírito e oraram por ele. Obtiveram várias comunicações, assim como de suas vítimas.

Narrá-las-emos na ordem em que foram recebidas e as que, sobre o mesmo assunto, foram obtidas na Sociedade. Além do interesse ligado a essa dramática história, ressalta um ensinamento que a ninguém escapará.

 

(Segunda sessão – casa do Sr. F...)

18. [Ao Espírito familiar] Podes dizer-nos alguma coisa a respeito do Espírito de Castelnaudary?

– Evoca-o.

19. Será mal?

– Verás.

20. Que devemos fazer?

– Não lhe falar, se nada tens a dizer-lhe.

21. Se lhe falarmos para lamentarmos o seu sofrimento, isso lhe fará bem?

– A compaixão sempre faz bem aos infelizes.

22. Evocação do Espírito de Castelnaudary.

– Que querem de mim?

23. Nós te chamamos a fim de te sermos úteis.

– Oh! Vossa piedade me faz bem, porque sofro... oh! Como sofro!... Que Deus tenha piedade de mim!... Perdão!... Perdão!

24. Nossas preces ser-te-ão salutares?

– Sim; orai, orai.

25. Pois bem! Oraremos por ti.

– Obrigado! Tu, pelo menos, não me amaldiçoas.

26. Por que não quiseste escrever na Sociedade, quando te chamaram?

– Oh! Maldição!

27. Maldição para quem?

– Para mim, que expio muito cruelmente os crimes nos quais a minha vontade não teve senão uma pequena parte.

 

Observação – Dizendo que sua vontade só tomou uma pequena parte em seus crimes, quer atenuá-los, como se soube mais tarde.

 

28. Se te arrependeres, serás perdoado?

– Oh! Jamais!

29. Não desesperes.

– Eternidade de sofrimentos, tal é a minha sorte.

30. Qual é o teu sofrimento?

– O que há de mais horrível; não o podes compreender.

31. Oraram por ti desde ontem à noite?

– Sim; mas sofro ainda mais.

32. Como assim?

– Sei lá!

 

Observação – Esta circunstância será explicada mais tarde.

 

33. Deve-se fazer algo em relação à casa onde te instalaste?

– Não, não! Não me falem disso... Perdão, meu Deus! Já sofri muito.

34. Tens que permanecer lá?

– A isso estou condenado.

35. Será para que tenhas constantemente teus crimes à vista?

– É isso.

36. Não desesperes; tudo pode ser perdoado com o arrependimento.

– Não; não há perdão para Caim.

37. Mataste, pois, teu irmão?

– Somos todos irmãos.

38. Por que quisestes fazer mal ao Sr. D...?

– Chega! Por piedade, chega!

39. Então, adeus; tem confiança na misericórdia divina!

– Orai.

 

(Terceira sessão)

40. Evocação.

– Estou junto de vós.

41. Começas a ter esperança?

– Sim, meu arrependimento é grande.

42. Qual era o teu nome?

– Sabereis mais tarde.

43. Há quantos anos sofres?

– Há 200 anos.

44. Em que época cometeste o crime?

– Em 1608.

45. Podes repetir as datas para no-las confirmar?

– Inútil; uma vez é bastante. Adeus; eu vos falarei amanhã. Uma força me chama.

 

(Quarta sessão)

46. Evocação.

– Obrigado, Hugo (nome de batismo do Sr. F...).

47. Queres falar do que se passou em Castelnaudary?

– Não; fazeis-me sofrer quando falais disto. Não é generoso de vossa parte.

48. Sabes muito bem que se falamos disto é com vistas a poder esclarecer a tua posição e não a agravá-la. Assim, fala sem temor. Como foste levado a cometer esse crime?

– Um momento de alucinação.

49. Houve premeditação?

– Não.

50. Não pode ser verdade. Teus sofrimentos provam que és mais culpado do que dizes. Já sabes que só pelo arrependimento poderás suavizar a tua sorte, e não pela mentira. Vamos! Sê franco.

– Bem! Já que é preciso, seja.

51. Foi um homem ou uma mulher que mataste?

– Um homem.

52. Como causaste a morte do Sr. D...?

– Apareci-lhe visivelmente e me encontrava de tal forma horrendo que minha simples visão o matou.

53. Fizeste-o de propósito?

– Sim.

54. Por quê?

– Ele quis me desafiar; e eu ainda faria outro tanto, se me viesse tentar.

55. Se eu fosse morar naquela casa, tu me farias mal?

– Oh! Não, certamente; tens piedade de mim e me desejas o bem.

56. O Sr. D... morreu instantaneamente?

– Não; foi tomado pelo medo, mas não morreu senão duas horas depois.

57. Por que te limitaste a dar uma bofetada no Sr. D... Filho?

– Era demais ter matado dois homens.

 

(Quinta sessão – Sociedade, 16 de dezembro de 1859)

 

58. Perguntas dirigidas a São Luís – O Espírito que se comunicou com o Sr. e a Sra. F... é realmente o de Castelnaudary?

– Sim.

59. Como pôde comunicar-se a eles tão prontamente?

– A Sociedade ainda o ignorava. Ele não se havia arrependido; o arrependimento é tudo.

60. São exatas as informações por ele dadas sobre o crime?

– Compete verificardes e vos entenderdes com ele.

61. Ele disse que o crime foi cometido em 1608 e que tinha morrido em 1659. Há, pois, 200 anos que se encontra naquele estado?

– Isso vos será explicado mais tarde.

62. Poderíeis descrever seu gênero de suplício?

 – É atroz para ele. Como sabeis, foi condenado a ficar na casa onde o crime foi cometido, sem poder dirigir o pensamento a outra coisa senão ao crime, sempre diante de seus olhos, e julga-se condenado a essa tortura para todo o sempre.

63. Está mergulhado na escuridão?

– Escuridão, quando quer afastar-se desse lugar de exílio.

64. Qual o gênero de suplício mais terrível que pode experimentar um Espírito, neste caso?

– Não há descrição possível das torturas morais que são a punição de certos crimes. O próprio que as experimenta teria dificuldade em vos dar uma idéia. Mas a mais horrível é a certeza de ser condenado sem apelação.

65. Ele se acha nessa situação há dois séculos. Avalia o tempo como o fazia quando encarnado, isto é, o tempo lhe parece mais ou menos longo, como quando vivia?

– Parece-lhe antes mais longo: para ele o sono não existe.

66. Foi-nos dito que, para os Espíritos, o tempo não existia e que, para eles, um século é um ponto na eternidade. Não é o mesmo para todos?

– Certo que não. Só o é para os Espíritos chegados a um grau muito elevado de progresso; mas para os Espíritos inferiores o tempo é por vezes muito longo, sobretudo quando sofrem.

67. Esse Espírito é punido muito severamente pelo crime que cometeu. Ora, dissestes-nos que antes desta última existência ele tinha vivido entre as tribos mais bárbaras. Lá deve ter cometido atos no mínimo tão atrozes quanto o último. Foi punido do mesmo modo?

– Foi menos punido, porque, sendo mais ignorante, compreendia menos o alcance.

 

Observação – Todas as observações confirmam este fato, eminentemente conforme à justiça de Deus, de que as penas são proporcionais, não à natureza da falta, mas ao grau de inteligência do culpado e à possibilidade de compreender o mal que faz. Assim, menos grave em aparência, uma falta poderá ser mais severamente punida num homem civilizado, que um ato de barbárie num selvagem.

 

68. O estado em que se encontra esse Espírito é o dos seres vulgarmente chamados danados?

– Absolutamente; há outros ainda muito mais horríveis. Os sofrimentos estão longe de ser os mesmos para todos, inclusive para crimes semelhantes, pois variam conforme seja o culpado mais ou menos acessível ao arrependimento. Para este, a casa onde cometeu o crime é seu inferno; outros o trazem em si mesmos, pelas paixões que os atormentam e que não podem satisfazer.

 

Observação – Com efeito, vimos avarentos sofrerem à vista do ouro, que se lhes tornara uma verdadeira quimera; orgulhosos, atormentados pela inveja das honras que viam prestar e que não se dirigiam a eles; homens que haviam mandado na Terra, humilhados pelo poder invisível que os constrangia a obedecer e pela visão de seus subordinados, que não mais se dobravam diante deles; ateus sofrendo as angústias da incerteza e se achando num isolamento absoluto em meio à imensidade, sem encontrar nenhum ser que os pudesse esclarecer. Se no mundo dos Espíritos há alegrias para todas as virtudes, há penas para todas as faltas, e as que não são alcançadas pelas leis dos homens, sempre o são pela lei de Deus.

 

69. Apesar de sua inferioridade, esse Espírito sente os bons efeitos da prece; vimos o mesmo da parte de outros Espíritos igualmente perversos e da mais bruta natureza. Como é possível a Espíritos mais esclarecidos, de inteligência mais desenvolvida, mostrarem completa ausência de sentimentos; sorrirem de tudo quanto há de mais sagrado; numa palavra, de nada se tocarem nem concederem a menor trégua ao seu cinismo?

– A prece não tem efeito senão em favor do Espírito que se arrepende. Aquele que, impelido pelo orgulho, revolta-se contra Deus e persiste nos seus desvios, ainda os exagerando, como fazem os Espíritos infelizes, sobre estes a prece nada pode nem poderá fazer, a não ser quando um clarão de arrependimento neles se manifestar. Para eles a ineficácia da prece é também um castigo. Ela só alivia os que não estão totalmente endurecidos.

70. Quando vemos um Espírito inacessível aos bons efeitos da prece, há uma razão para nos abstermos de orar por ele?

– Não, certamente, porque cedo ou tarde ela poderá triunfar de seu endurecimento e fazer com que nele germinem pensamentos salutares.

 

(Sexta sessão – em casa do Sr. F...)

71. Evocação.

– Eis-me aqui.

72. Então, agora podes deixar a casa de Castelnaudary quando quiseres?

– Permitem-me, porque aproveito vossos bons conselhos.

73. Experimentas algum alívio?

– Começo a ter esperança.

74. Se pudéssemos ver-te, sob que aparência te veríamos?

– Ver-me-íeis de camisa e sem punhal.

75. Por que não mais terias o punhal? Que fizeste dele?

– Eu o maldigo; Deus me poupa sua vista.

76. Se o Sr. D... Filho voltasse a casa, ainda lhe farias mal?

– Não, pois estou arrependido.

77. E se ele ainda te quisesse desafiar?

– Oh! Não me pergunteis isso; não poderia me dominar; isto estaria acima de minhas forças... porque não passo de um miserável.

78. As preces do Sr. D... Filho ser-te-iam mais salutares que as de outras pessoas?

– Sim, pois a ele é que fiz o maior mal.

79. Muito bem! Continuaremos a fazer por ti o que pudermos.

– Obrigado! Pelo menos encontrei em vós almas caridosas. Adeus!

 

(Sétima sessão)

80. Evocação do homem assassinado.

– Eis-me aqui.

81. Que nome tínheis quando vivo?

– Eu me chamava Pierre Dupont.

82. Qual era a vossa profissão?

– Era salsicheiro em Castelnaudary, onde meu irmão mais velho, Charles Dupont, assassinou-me com um punhal, no meio da noite do dia 6 de maio de 1608.

83. Qual foi a causa do crime?

– Meu irmão pensou que eu queria cortejar uma mulher a quem ele amava, e que eu via com muita frequência. Mas ele se enganava, porquanto eu jamais havia pensado nisso.

84. Como ele vos matou?

– Eu dormia; ele me feriu na garganta, depois no coração. Ferindo, despertou-me; quis lutar, mas logo sucumbi.

85. Vós o perdoastes?

– Sim; no momento de sua morte, há 200 anos.

86. Com que idade ele morreu?

– Com 80 anos.

87. Então ele não foi punido em vida?

– Não.

88. Quem foi acusado por vossa morte?

– Ninguém; naquele tempo de confusão prestava-se pouca atenção a tais coisas; isto de nada adiantaria.

89. Que aconteceu à mulher?

– Pouco depois foi assassinada em minha casa por meu irmão.

90. Por que a assassinou?

– Amor frustrado. Ele a tinha desposado antes de minha morte.

 

(Oitava sessão)

91. Por que ele não fala do assassinato dessa mulher?

– Porque o meu é o pior para ele.

92. Evocação da mulher assassinada.

– Eis-me aqui.

93. Que nome tínheis em vida?

– Marguerite Aeder, senhora Dupont.

94. Quanto tempo estivestes casada?

– Cinco anos.

95. Pierre nos disse que seu irmão suspeitava de relações criminosas entre vós dois. Isso é verdade?

– Nenhuma relação criminosa existia entre nós. Não acrediteis nisso.

96. Quanto tempo depois da morte de seu irmão Charles ele vos assassinou?

– Dois anos depois.

97. Que motivo o impeliu?

– O ciúme e o desejo de ficar com meu dinheiro.

98. Podeis relatar as circunstâncias do crime?

– Ele me agarrou e feriu-me na cabeça, no ateliê de trabalho, com sua faca de salsicheiro.

99. Como é que não foi perseguido?

– Para quê? Tudo era desordem naqueles tempos infortunados.

100. O ciúme de Charles tinha fundamento?

– Sim, mas não o autorizava a cometer semelhante crime, porque neste mundo todos somos pecadores.

101. Há quanto tempo estáveis casada, por ocasião da morte de Pierre?

– Há três anos.

102. Podeis precisar a data de vossa morte?

– Sim: 3 de maio de 1610.

103. Que pensaram da morte de Pierre?

– Fizeram crer em assassinos que queriam roubar.

 

Observação – Seja qual for a autenticidade desses relatos, que parecem difíceis de controlar, há um fato notável: a precisão e a concordância das datas e de todos os acontecimentos. Por si só essa circunstância é um curioso assunto de estudo, se considerarmos que esses três Espíritos, chamados em intervalos diversos, em nada se contradizem. O que pareceria confirmar suas palavras é que o principal culpado no caso, evocado por outro médium, deu respostas idênticas.

 

(Nona sessão)

104. Evocação do Sr. D...

– Eis-me aqui.

105. Desejamos pedir alguns detalhes sobre as circunstâncias de vossa morte. Poderíeis no-los dar?

– De bom grado.

106. Sabíeis que a casa em que habitáveis era assombrada por um Espírito?

– Sim; mas eu o quis desafiar e agi mal em fazê-lo. Melhor teria sido orar por ele.

 

Observação – Por aí se vê que os meios geralmente empregados para nos desembaraçarmos dos Espíritos importunos não são os mais eficazes. As ameaças mais os excitam do que os intimidam. A benevolência e a comiseração têm mais poder que o emprego de meios coercitivos, que os irritam, ou das fórmulas, de que se riem.

 

107. Como esse Espírito vos apareceu?

– À minha chegada em casa ele estava visível e me olhava fixamente; não pude escapar; fui tomado pelo pavor e expirei sob o olhar terrível desse Espírito que eu havia desprezado, e para o qual me havia mostrado tão pouco caridoso.

108. Não poderíeis pedir por socorro?

– Impossível; minha hora havia chegado, e é assim que eu devia morrer.

109. Que aparência tinha ele?

– De um furioso disposto a me devorar.

110. Sofrestes ao morrer?

– Horrivelmente.

111. Morrestes subitamente?

– Não; duas horas depois.

112. Que reflexões fazíeis, sentindo que morríeis?

– Não pude refletir; fui tomado de um terror inexprimível.

113. A aparição ficou visível até o fim?

– Sim; não deixou um só instante o meu pobre Espírito.

114. Quando vosso Espírito se desprendeu percebestes a causa de vossa morte?

– Não; tudo estava acabado. Só mais tarde compreendi.

115. Podeis indicar a data de vossa morte?

– Sim: 9 de agosto de 1853. (A data precisa ainda não pôde ser verificada; mas é exata, aproximadamente).

 

(Décima sessão)

Quando esse Espírito foi evocado, a 9 de dezembro, São Luís aconselhou a chamá-lo novamente dentro de um mês, a fim de julgar do progresso que deveria ter feito no intervalo. Já se pôde julgá-lo, pelas comunicações do Sr. e da Sra. F..., pela mudança operada em suas ideias, graças à influência das preces e dos bons conselhos. Decorrido pouco mais de um mês depois de sua primeira evocação, foi ele novamente chamado à Sociedade, em 13 de janeiro.

 

116. Evocação.

– Eis-me aqui.

117. Lembrai-vos de ter sido chamado entre nós há cerca de um mês?

– Como o esqueceria?

118. Por que então não pudestes escrever?

– Eu não queria.

119. Por que não o queríeis?

– Ignorância e embrutecimento.

120. Vossas ideias mudaram desde então?

– Muito. Vários dentre vós foram complacentes e oraram por mim.

121. Confirmais todas as informações que foram dadas por vós e por vossas vítimas?

– Se não as confirmasse seria dizer que não as havia dado, e fui eu mesmo que as dei.

122. Entrevedes o fim de vossas penas?

– Oh! Ainda não. Já é muito mais do que mereço saber que, graças à vossa intercessão, elas não durarão para sempre.

123. Descrevei a situação em que estáveis antes da nossa primeira evocação. Havereis de compreender que vo-lo pedimos para nossa instrução, e não como um motivo de curiosidade.

– Como vos disse, não tinha consciência de nada, no mundo, senão do meu crime, e não podia deixar a casa onde o cometi senão para me elevar no espaço, onde tudo à minha volta era solidão e obscuridade. Não vos poderia dar uma ideia disto; jamais o compreendi. Desde que me elevava acima do ar, tudo era negro e vazio; não sei o que era. Hoje experimento muito mais remorso, mas, como vos provam as comunicações, já não sou constrangido a ficar naquela casa fatal. Permitem-me vagar na Terra e procurar esclarecer-me por minhas observações. Agora compreendo melhor a enormidade dos meus crimes. Se, por um lado, sofro menos, por outro aumentam minhas torturas pelo remorso; mas, pelo menos, tenho esperança.

124. Se tivésseis que retomar uma existência corpórea, qual escolheríeis?

– Ainda não vi suficientemente, nem refleti bastante para o saber.

125. Encontrais as vossas vítimas?

– Oh! Que Deus me guarde!

 

Observação – Sempre foi dito que a visão das vítimas é um dos tormentos dos culpados. Este ainda não as viu, porque estava no isolamento e nas trevas; era um castigo. Mas ele teme essa visão, e talvez aí esteja o complemento de seu suplício.

 

126. Durante vosso longo isolamento e, pode-se dizer, vosso cativeiro, sentistes remorsos?

– Nem um pouco, e é por isso que sofri tanto. Foi somente quando comecei a experimentá-los que, mau grado meu, foram provocadas as circunstâncias que levaram à minha evocação, à qual devo o começo de minha liberdade. Obrigado, pois, a vós, que tivestes piedade de mim e me esclarecestes.

 

Observação – Esta evocação não é obra do acaso. Como devia ser útil a esse infeliz, os Espíritos que velavam por ele, vendo que começava a compreender a enormidade de seus crimes, julgaram chegado o momento de lhe prestar um socorro eficaz, e então o trouxeram às circunstâncias propícias. É um fato que vimos se produzir muitas vezes.

A propósito, perguntaram o que teria sido dele, se não pudesse ter sido evocado, como ocorre com todos os Espíritos sofredores que também não o podem ser, e nos quais não se pensa.

A isto foi respondido que os caminhos de Deus, para a salvação de suas criaturas, são inumeráveis. A evocação pode ser um meio de os assistir, mas, por certo, não é o único. Deus não deixa ninguém no esquecimento. Aliás, as preces coletivas também devem exercer sua influência sobre os Espíritos acessíveis ao arrependimento.



[1] REVISTA ESPÍRITA – fevereiro/1860 – Allan Kardec

[2] Nota da Editora: Ver “Nota Explicativa”, p. 569.

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

WELLINGTON ZANGARI[1]

 


Michael Duggan – 09/06/2020

 

A psicologia anômala brasileira cresceu por meio de trabalhos que tratam crenças e experiências incomuns como temas sérios para estudo social e psicológico. Wellington Zangari ajudou a moldar esse crescimento por meio de pesquisas sobre mediunidade, religião, hipnose, estados alterados e o treinamento institucional de novos estudiosos.

§  Na Universidade de São Paulo, Zangari e Fatima Machado supervisionaram gerações sucessivas de pesquisadores.

§  Seus estudos sobre a mediunidade na Umbanda examinam identidade, cura, experiências anômalas e processos psicossociais mais amplos.

§  InterPsi combina pesquisa, ensino e recursos arquivísticos em crença, religião, experiências anômalas e cultura.

 

Carreira

Wellington Zangari obteve o título de mestre em ciências da religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1996, seguido pelo doutorado em psicologia social pela Universidade de São Paulo em 2003. Atualmente, Zangari é professor no departamento de psicologia social e ocupacional da Universidade de São Paulo, onde leciona e realiza pesquisas, além de coordenador do programa de pós-graduação em psicologia social.

Zangari também é vice-coordenador do Laboratório de Psicologia Social da Religião da universidade e, junto com sua parceira Fatima Machado, coordenador, do InterPsi – Laboratório de Estudos Psicossociais "Crença, Subjetividade, Cultura e Saúde" (anteriormente chamado InterPsi – Laboratório de Psicologia Anômala e Processos Psicossociais).

Sua pesquisa foca em áreas de psicologia social, psicologia da religião, psicologia anômala, hipnose e estados alterados de consciência, e filosofia da mente.

 

Ensino

Desde 2008, Zangari tem orientado estudos nas áreas de psicologia anômala, psicologia da religião, ciência cognitiva da religião e psicologia social da crença na Universidade de São Paulo. Cerca de duas dezenas de pesquisadores obtiveram seus títulos de mestrado e doutorado sob sua supervisão. Atualmente, outros doze pesquisadores estão sob sua orientação. Ex-alunos de Zangari e Machado estão atualmente supervisionando pesquisadores em outras universidades do Brasil, efetivamente semeando uma terceira geração de pesquisadores acadêmicos estudando crenças e experiências anômalas. A influência de Zangari e Machado nesse sentido tem sido comparada à do parapsicólogo americano Robert Morris, que, como presidente da Koestler Parapsychology Unit (KPU) da Universidade de Edimburgo, também semeou uma nova geração de pesquisadores psi em várias universidades britânicas (o chamado 'efeito Bob Morris').

 

Psicologia Social e Psicologia Anomalista da Mediunidade

Zangari contribuiu para a compreensão psicossocial do fenômeno da incorporação de médiuns da Umbanda, uma religião brasileira mediunística e sincrética. Seus estudos, alguns realizados em colaboração com colegas, incluem a questão da identidade na mediunidade[2] das funções projetivas e curativas da mediunidade[3], experiências anômalas na mediunidade e outros aspectos psicossociais[4].

Zangari desenvolveu um modelo descritivo das fases sucessivas e interdependentes através das quais os meios desenvolvem sua mediunidade[5]:

§  Assimilação

§  Rendição

§  Treinamento dissociativo

§  Criação

§  Demonstração

§  Prova[6]

 

Fusão de Abordagens Psicanalíticas

Em um artigo de 2018, Zangari e Goldberg tentam conectar o trabalho do psicólogo brasileiro Wilton de Azevedo à teoria lacaniana, desenvolvida pelo psicanalista francês Jacques Lacan, que dedicou sua carreira a incentivar um retorno à psicanálise freudiana inicial. Oferece uma aproximação conceitual entre as duas abordagens psicológicas aparentemente díspares e sugere caminhos para trabalhos futuros[7].

 

Sociologia das Experiências Excepcionais

Neste estudo, baseado em entrevistas com pessoas que afirmam ter tido contato com alienígenas, Zangari e Martins tentam iluminar os processos sociológicos subjacentes às experiências excepcionais. Eles observam que, ao longo da história, tais relatos foram subordinados ao título geral 'paranormal' e, como são contrários à visão de mundo predominante, a maioria dos experientes é estigmatizada quando tenta relatá-los. O grau de mentalidade fechada na sociedade é explorado no estudo de Zangari e Martins, no qual investigam variáveis psicossociais que mediam a relação entre crenças/experiências anômalas e cultura no contexto brasileiro. Usando a Teoria da Atribuição da Causalidade, Zangari e Martins descobriram que as experiências foram formadas por meio de uma complexa interação de conceitos científicos, esotéricos e religiosos tradicionais[8].

 

Situação da Parapsicologia Brasileira

Em uma edição especial do Journal of Parapsychology, Zangari e Machado traçam um futuro para a parapsicologia no Brasil com referência à cena contemporânea e sua história. Eles explicam que o termo parapsicologia no Brasil está associado a curandeiros tradicionais e professores espirituais e não à atividade acadêmica, causa de antipatia no sistema universitário brasileiro. Nos últimos tempos, o surgimento da psicologia anomalística tornou o estudo de temas paranormais academicamente respeitável, com ênfase em explicar fenômenos aparentemente paranormais por meio de processos psicológicos em vez de explicações baseadas em psi. Isso permite que experiências psi e outras experiências anômalas sejam discutidas no contexto acadêmico, ao mesmo tempo em que incentiva os estudantes a investigarem experimentalmente seus aspectos ontológicos. Zangari e Machado observam que a maioria dos atuais estudantes de mestrado e doutorado da USP planeja continuar na área após a graduação e, consequentemente, preveem o crescimento generalizado da psicologia anômala em todo o Brasil, com programas que também incorporam pesquisas psi no estilo ocidental[9].

 

InterPsi – Laboratório de Estudos Psicossociais "Crença, Subjetividade, Cultura e Saúde"

Com Machado, Zangari trabalha no InterPsi – Laboratório de Estudos Psicossociais "Crença, Subjetividade, Cultura e Saúde" da Universidade de São Paulo. Este é um centro de pesquisa ativo com mais de uma dúzia de acadêmicos ativos. O laboratório mantém oito grupos de estudo nas áreas de psicologia da religião, psicologia anômala, psicologia analítica e experiências anômalas/religiosas, ciência cognitiva da religião, psicologia da arte mágica, metodologia de estudo em psicologia social da crença e identidade. Cerca de oitenta pessoas participam ativamente desses grupos, que Zangari considera incubadoras de pesquisadores.

As áreas de pesquisa incluem:

§  Psicologia da Crença, Religiosidade e Espiritualidade

§  Psicologia das crenças, psicologia anômala e processos psicossociais básicos

§  Perspectiva da ciência cognitiva da religião em relação à crença

§  Psicologia junguiana e experiências anômalas/religiosas

§  Práticas meditativas

§  Hipnose, estados alterados de consciência, crença e cultura

§  Implicações epistemológicas, metodológicas e teóricas da psicologia das crenças e experiências anômalas para a psicologia social

Desde 2021, a InterPsi mantém o Laboratório do Impossível na Universidade de São Paulo, abrangendo a maior parte da Coleção InterPsi e o Museu da Crença, Dúvida e Cultura da Paz.  A coleção abriga cerca de 15.000 itens, incluindo livros, revistas, bem como itens em outros formatos de mídia, como CDs, DVDs, fotografias, slides e recortes especializados nas áreas de pesquisa do laboratório, principalmente nas áreas de "ciência e religião", crenças, experiências anômalas, comportamento e experiências religiosas, hipnose e Ilusionismo (Arte Mágica). Grande parte da coleção é composta por material raro, com publicações datadas do século XVII. Mais detalhes aqui.

O InterPsi também oferece cursos em nível de graduação e pós-graduação que oferecem uma introdução à psicologia anômala, hipnose e estados alterados de consciência, e psicologia da religião[10].

 

Transliminaridade [11]

Zangari participou de uma grande investigação em grupo sobre a validade de uma medição padrão de transliminaridade (a facilidade com que a informação entra na consciência a partir do ambiente interno e externo) entre diferentes culturas. Zangari e colaboradores administraram uma versão portuguesa da Escala Revisada de Transliminaridade (RTS) a uma amostra online de 341 estudantes universitários, começando pelos do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Foi constatado que as medidas brasileiras correlacionavam quase perfeitamente com estimativas derivadas de pesquisas anteriores. Algumas diferenças relacionadas à idade e ao sexo foram obtidas, mas não afetaram de forma significativa as estimativas dos níveis gerais de transliminaridade. Zangari e coautores concluíram que a pesquisa apoiava a robustez das atuais medições de transliminaridade, servindo como guia para avançar em pesquisas transculturais adicionais na compreensão da transliminaridade [12].

 

Psicologia e Religião

Zangari e coautores compuseram um guia prático em português, em formato de perguntas e respostas, sobre a relação entre psicologia e religião, incluindo os aspectos históricos das experiências religiosas. As perguntas baseavam-se naquelas levantadas por pessoas que buscavam compreender suas experiências anômalas.

Como tais experiências tendem a ser interpretadas em sentido religioso, o objetivo era ajudar os psicólogos a distinguir entre religiosidade e espiritualidade, que se referem ao que dá sentido à vida em vez do mundo espiritual e não necessariamente se relacionam à motivação religiosa ou ao propósito de vida. Esperava-se ainda que uma compreensão de como esses temas estão entrelaçados pudesse aprimorar a prática profissional na psicologia[13].

 

Atitudes Religiosas e Ciência

Em um estudo sobre atitudes religiosas em relação à ciência, Zangari e colegas investigaram seguidores de grupos religiosos brasileiros, sondando seus sentimentos científicos e potenciais influências, como a educação familiar e escolar. Eles realizaram um estudo quantitativo transversal usando a Escala de Crença na Ciência e um questionário original baseado em respostas dadas por 309 adeptos de diferentes afiliações religiosas. Os resultados mostraram uma maior propensão à descrença na ciência do que a encontrada na população em geral, apesar do reconhecimento da importância da ciência para a sociedade e do consenso de que não existe conflito irreconciliável entre ciência e religião. Análises mais exaustivas revelaram diferenças significativas entre afiliações religiosas em seus níveis de afinidade com a ciência[14].

 

Intenção de Cura

Zangari, Machado e o parapsicólogo americano Dean Radin relataram dois experimentos duplo-cegos que exploraram os efeitos da intenção de cura direcionada a uma pessoa distante. Medições fisiológicas foram realizadas que incluíram a respiração da pessoa distante, frequência cardíaca, volume sanguíneo nas pontas dos dedos e atividade eletrodérmica espontânea. As sessões experimentais foram divididas em 20 ensaios de 'tratamento' de um minuto e controles contrabalançados aleatoriamente.

No primeiro experimento, a influência da influência mental distante de um grupo foi direcionada a participantes isolados a 200 metros de distância. O segundo experimento investigou a capacidade dos médiuns da Umbanda de direcionar suas intenções de cura de São Paulo, Brasil, para voluntários que foram monitorados dois meses antes em Las Vegas (este foi um estudo de cura retroativa que sondou efeitos de cura por deslocamento temporal em vez de em tempo real). Resultados gerais indicaram efeitos marginalmente significativos da influência (p = 0,053) no primeiro experimento e efeitos significativos da influência mental retroativa no segundo experimento (p = 0,013)[15].

 

Experiências Ritualísticas Anômalas

Zangari participou de uma investigação, relatada em um estudo de 2020, sobre os aspectos fenomenológicos das experiências anômalas ocorrendo nos rituais da Umbanda, uma religião brasileira mediúnica. Um foco particular foi comparar as experiências durante rituais envolvendo o uso da Ayahuasca, um enteógeno comumente usado em certas práticas da Umbanda, com rituais onde a Ayahuasca não era usada. Ao contrário do esperado, os achados revelaram semelhanças substanciais entre experiências relatadas com e sem Ayahuasca em contextos mediúnicos. Ambos os grupos de experimentadores notaram semelhanças como diminuição do controle motor voluntário, alterações na memória e percepção, maior comunicabilidade e acessibilidade das experiências, recepção de informações anômalas e sensibilidade interpessoal aumentada. Esses achados sugerem que a própria prática da Umbanda é suficiente para desbloquear experiências incomuns que, de outra forma, seriam causadas pela ingestão da Ayahuasca[16].

 

Carlos Alvarado

Zangari e Fatima Machado apresentam uma visão geral da contribuição para a pesquisa psi brasileira feita por Carlos Alvarado, um prolífico pesquisador paranormal falecido em 2021 e com quem o casal mantinha uma conexão pessoal e profissional substancial desde a década de 1990, junto com sua esposa Nancy L. Zingrone, também uma pesquisadora de destaque. A colaboração facilitou a troca de ideias e experiências que influenciaram profundamente a trajetória da pesquisa psi no Brasil, culminando na criação do Laboratório InterPsi de Estudos Psicossociais na Universidade de São Paulo. A proficiência linguística de Alvarado em português, francês, italiano, espanhol e inglês permitiu-lhe compreender as diversas "culturas psi" em diferentes regiões, eliminando barreiras linguísticas. Suas iniciativas educacionais no Brasil, que incluíram cursos, palestras e encontros de pesquisa, tiveram papel crucial na institucionalização da pesquisa psi no âmbito acadêmico.

 

Obras Citadas

§  Goldberg, L., & Zangari, W. (2018). Materialidades da poética digital: Lalangue e a escritura de Wilton de Azevedo. Texto Digital 14, 55-64.

§  Lange, R., Maraldi, E., Zangari, W., Corredato, V., Machado, F., & Alvarado, C.S. (2018). A cross-cultural validation of the revised transliminality scale in Brazil. Psychology of Consciousness: Theory, Research, and Practice 5, 414-24.

§  Machado, F.R. (2010). Experiências anômalas (extra-sensório-motoras) na vida cotidiana e sua associação com crenças, Atitudes e Bem-Estar Subjetivo. Boletim – Academia Paulista de Psicologia 30, 462-83.

§  Machado, F.R., Mendonça, T., Huang, M., Zangari, W., & Maraldi, E. (2019). A ciência dos religiosos: Um estudo quantitativo exploratório. Interação em Psicologia 23/2, 243-55.

§  Machado, F.R., & Zangari, W. (2001). Parapsychology in Brazil: A science entering adulthood. Journal of Parapsychology 65, 351-56.

§  Maraldi, E.O., da Silva Costa, A., Cunha, A., Rizzi, A., Flores, D., Hamazaki, E., Machado, F., Medeiros, G., Queiroz, G., Martinez, M., Filho, P., Rêgo, R., Santos, R., Siqueira, S., & Zangari, W. (2020). Anomalous and dissociative experiences in a religious context: An autoethnographic approach. Revista da Abordagem Gestaltica 26, 147-61.

§  Maraldi, E.O., & Zangari, W. (2012). Funções projetivas e terapêuticas das práticas dissociativas em contexto religioso. Boletim Academia Paulista de Psicologia 32, 424-52.

§  Maraldi, E.O., & Zangari, W. (2015). ‘Em transe’: um estudo quali-quantitativo sobre o papel das experiências dissociativas e somatoformes nas crenças e rituais religiosos. Boletim Academia Paulista de Psicologia 35, 382-408.

§  Martins, L., Zangari, W., & Medeiros, G. (2017). Contemporaneity and anomalous experiences: Psychosocial dimensions of culturally frontier experiences. Revista da Abordagem Gestaltica 23, 137-49.

§  Radin, D.I., Machado, F.R., & Zangari, W. (2002). Effects of distant healing intention through time & space: Two exploratory studies. Subtle Energies and Energy Medicine Journal 11, 34-58.

§  Zangari, W. (2005). Uma leitura psicossocial do fenômeno da mediunidade de Umbanda. Boletim Academia Paulista de Psicologia 25/3, 70-88.

§  Zangari, W. (2007). Experiências anômalas em médiuns de Umbanda: uma avaliação fenomenológica e ontológica. In Boletim – Academia Paulista de Psicologia 2/7, 67-86.

§  Zangari, W., & Machado, F.R. (2012). The paradoxical disappearance of parapsychology in Brazil. Parapsychology in 25 years. Special edition of the Journal of Parapsychology 76 (December, supplement).

§  Zangari, W., & Machado, F.R. (eds.) (2018). Psicologia & Religião: Histórico, Subjetividade, Saúde Mental, Manejo. Ética Profissional e Direitos Humanos.

§  Zangari, W., & Machado, F.R. (2021). Carlos S. Alvarado’s contribution to psi research in Brazil. Journal of Anomalous Experience and Cognition 1/1-2, 172-75.

§  Zangari, W., & Maraldi, E.O. (2009). Psicologia da mediunidade: do intrapsíquico ao psicossocial. Boletim Academia Paulista de Psicologia 77, 233-52.

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Zangari (2005).

[3] Maraldi & Zangari (2012).

[4] Zangari & Maraldi (2009); Maraldi & Zangari (2015)./fn] Em seu estudo pós-doutoral, ele replicou o procedimento experimental de 'habituação precognitiva' desenvolvido por Daryl J Bem em 52 meios do Umbanda, sem obter resultados favoráveis para psi.16Zangari (2007).

[5] Zangari (2005).

[6] Goldberg & Zangari (2018).

[7] Martins et al. (2017).

[8] Zangari & Machado (2012); Machado & Zangari (2001).

[9] Zangari et al. (2019).

[10] Lange et al. (2018).

[11] No contexto da psicologia, transliminality designa a tendência de conteúdos inconscientes, emoções, imagens mentais e associações psicológicas atravessarem o limiar da consciência e chegarem à percepção consciente.(Chat GPT)

[12] Carunchio et al. (2018).

[13] Machado et al. (2019).

[14] Radin et al. (2002).

[15] Maraldi et al. (2020).

[16] Zangari & Machado (2021).