segunda-feira, 24 de agosto de 2026

ALEXANDER MOREIRA-ALMEIDA[1]

 


Michael Duggan - 23 de setembro de 2020

 

Psiquiatria, religião e experiências anômalas frequentemente se encontram de forma desconfortável, mas pesquisadores como Alexander Moreira-Almeida, no Brasil, tentaram estudar essa sobreposição com ferramentas clínicas e empíricas comuns. Moreira-Almeida fez muito para construir pontes entre a parapsicologia e os interesses tradicionais, publicando amplamente em meios tradicionais.

§  Moreira-Almeida revisou casos como o de Leonora Piper e Chico Xavier como evidências relevantes para o problema mente-cérebro.

§  Um teste cego controlado dos meios que ele conduziu não produziu efeito geral, e ele defendeu métodos que equilibrassem rigor com validade ecológica.

§  Estudos de neuroimagem funcional que ele realizou encontraram menor atividade cerebral durante a escrita em transe em meios mais experientes, apesar da maior complexidade textual.

 

Carreira

Alexander Moreira-Almeida nasceu em 28 de março de 1974 no Rio de Janeiro, Brasil. Formou-se em psiquiatria e terapia cognitivo-comportamental no Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, Brasil, onde obteve doutorado em ciências da saúde. Ex-pesquisador de pós-doutorado em religião e saúde na Duke University, em Durham, Carolina do Norte, EUA, atualmente é professor de psiquiatria na Escola de Medicina do UFJF e fundador e diretor do NUPES, o Centro de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde, no Brasil. É presidente das Sections on Spirituality of the Latin American (APAL) and the Brazilian (ABP) Psychiatric Associations, além de ex-presidente da Section on Religion, Spirituality and Psychiatry of the World Psychiatric Association (WPA), 2014–17 e 2017–20. Ele coordenou a proposta e aprovação da WPA Position Statement on Spirituality and Religion in Psychiatry[2] e sua tradução para português, espanhol, francês, holandês e árabe.

 

Experiências Espirituais

Os principais interesses de pesquisa de Moreira-Almeida são a relação mente-cérebro e estudos empíricos das experiências espirituais, juntamente com a metodologia e epistemologia que as sustentam. Em um artigo de 2012, Moreira-Almeida destaca a dificuldade de tentar acomodar tais fenômenos dentro do modelo reducionista padrão, que explica a consciência como um subproduto da atividade cerebral. Esses dados apoiam uma mudança filosófica do reducionismo em direção a outros modelos de consciência, como dualismo e panpsiquismo, argumenta Moreira-Almeida[3].

Ele expande esse tema em Exploring Frontiers of the Mind-Brain Relationship (2011), argumentando contra explicações reducionistas da consciência e defendendo, em vez disso, uma abordagem psicobiológica equilibrada, que faça a ponte entre filosofia e ciência da mente para examinar fenômenos transcendentais como estados místicos, experiências de quase-morte e memórias de vidas passadas[4].

Em um artigo de 2013[5], Moreira-Almeida observa um grande aumento nos estudos científicos sobre espiritualidade como um assunto genérico, mas também uma relativa falta de consciência científica das próprias experiências espirituais, que provavelmente são a essência da espiritualidade. Experiências espirituais frequentemente envolvem estados alterados de consciência, relatos de experiências anômalas e de consciência além do corpo, notadamente fenômenos como experiências de fim de vida e de quase-morte, mediunidade e memórias supostas de vidas anteriores. Moreira-Almeida argumenta que a compreensão desses fatores abre a porta para uma visão mais ampla da consciência humana além dos modelos baseados no cérebro. Estudos sobre estados meditativos mostram causalidade de intenção de cima para baixo nos estados cerebrais e no fim da vida, enquanto experiências próximas à morte revelam uma função mental normal ou até acima do normal sob danos cerebrais severos e estresse. Ele aponta que a crescente atenção científica às experiências espirituais[6] expôs as deficiências das explicações reducionistas da consciência.

 

Alister Hardy

Em um artigo de 2021[7], Moreira-Almeida discute as contribuições acadêmicas feitas por Alister Hardy, biólogo marinho britânico, para a compreensão das experiências espirituais, delineando as abordagens metodológicas e epistemológicas de Hardy. Sua análise de sua vasta coleção de experiências espirituais o levou a acreditar que seu núcleo transcendental é a fonte de todas as crenças religiosas e espirituais.

 

Pesquisa de Espiritualidade

Moreira-Almeida e coautores descrevem uma investigação sobre a prevalência de experiências espirituais e religiosas (SREs) no Brasil (importante porque a maioria das pesquisas é limitada à Europa e aos Estados Unidos)[8]. Dezesseis SREs foram categorizados em quatro grupos: místicos, médiuns, relacionados a psi e experiências de vida passada/quase-morte. Um total de 1.053 brasileiros foi pesquisado. Noventa e dois por cento relataram uma única experiência espiritual ou religiosa em sua vida e 47,5% experimentaram pelo menos um SRE com frequência. Experiências místicas (35%), experiências relacionadas a psi (27%) e experiências mediúnica (11%) também foram relatadas. Os autores concluem que experiências espirituais e religiosas são comuns e merecem mais atenção da comunidade acadêmica.

 

Estudos de Mediunidade

Revisão de Evidências

Em um estudo de 2012, Moreira-Almeida revisa as evidências para a mediunidade com referência ao problema mente-cérebro. Em particular, os casos de Leonora Piper e Chico Xavier demonstram habilidades e conhecimentos improváveis de terem sido adquiridos por rotas convencionais de comunicação. Moreira-Almeida discute as implicações da pesquisa científica sobre meios para a compreensão do problema mente-corpo[9].

 

Chico Xavier

Um estudo de 2014 investigou Chico Xavier, um prolífico médium brasileiro do final do século XX, focando em 'cartas' que supostamente foram escritas de mão própria e dirigidas por pessoas falecidas[10]. Treze roteiros atribuídos a uma única pessoa falecida foram identificados e as informações analisadas. A probabilidade de Xavier ter acesso à informação por meios comuns foi avaliada em conjunto com documentos e entrevistas com amigos e familiares do indivíduo falecido, usando escalas criadas para esse tipo de pesquisa de mediunidade. De 99 itens de informação, 98 foram classificados como 'encaixe claro e preciso', indicando que explicações normais em termos de fraude, acaso, vazamento de informações e leitura fria eram implausíveis. Um segundo estudo realizado em 2019 analisou uma única carta, na qual 29 itens de informações verificáveis foram classificados como 'encaixe claro e preciso', incluindo informações específicas como nomes, eventos e detalhes pessoais íntimos[11].

 

Teste Reprovado

Em 2020, Moreira-Almeida e colegas relataram um teste da capacidade de oito médiuns de registrar informações precisas sobre indivíduos falecidos. Noventa e quatro observadores cegos participaram de 18 sessões, cada uma avaliando uma letra médium alvo referente a alguém que conheciam, junto com cinco letras 'dummy' de controle[12]. No geral, não houve diferença nas classificações entre as letras controle e as letras alvo, não fornecendo evidências de recuperação anômala de informações sob condições controladas. Os autores argumentam que a habilidade mediúnica genuína pode ser inibida por uma ênfase excessiva nos controles científicos, e recomendam que pesquisas futuras busquem um equilíbrio mais produtivo[13].

 

Neuroimagem

A psicografia – o termo dado a um suposto espírito que se comunica pela mão de um médium – foi investigada por meio de neuroimagem funcional de cinco médiuns[14]. Durante essa atividade, os médiuns mais experientes apresentaram menos atividade cerebral em comparação com sua escrita normal (não em transe) do que aqueles menos experientes, especificamente no culmen esquerdo, hipocampo esquerdo, giro occipital inferior esquerdo,  cingulado anterior esquerdo, giro temporal superior direito e giro pré-central direito. Além disso, foi encontrada uma correlação entre a diminuição da atividade nas regiões cerebrais e a crescente complexidade da escrita produzida durante a escrita em transe. Nenhuma dessas relações é prevista pelos modelos atuais de consciência baseados no cérebro.

Em um artigo de 2022[15], Moreira-Almeida e coautores descrevem um estudo semi-naturalístico (combinando um grau de controle com um desenho ecologicamente válido) de psicografia (escrita automática). Três meios brasileiros foram filmados continuamente durante as leituras. Vinte e um retratados avaliaram 26 cartas escritas automaticamente. Uma grande proporção (92,3%) das cartas foi considerada como definitivamente ou provavelmente de um parente falecido. Concluiu-se que os resultados promissores validavam abordagens investigativas complementares para a pesquisa sobre mediunidade.

 

Memórias de vidas passadas

Moreira-Almeida e coautores descrevem uma revisão de 78 investigações publicadas sobre memórias de vidas passadas. Eles observam que uma grande proporção (45%) foi publicada entre 1990 e 2010, com a Ásia sendo o território mais investigado (58 estudos). Oitenta e quatro por cento das investigações estavam relacionadas a crianças. Comportamentos incomuns (74%) e marcas de nascença/defeitos relacionados a personalidades de vidas passadas (37%) foram os mais frequentemente registrados. Os autores incentivam investigações de memórias de vidas passadas de todas as culturas.

 

Saúde Mental

Em um estudo de 2019, Moreira-Almeida e colegas revisaram as evidências científicas mais robustas sobre uma relação entre religiosidade/espiritualidade e saúde mental[16]. Eles discutem possíveis mecanismos, como significado da vida, otimismo, gratidão, apoio social, autoestima e aspiração a um estilo de vida mais saudável. Em estudos científicos, indivíduos com níveis mais altos de crença espiritual e prática religiosa apresentaram taxas menores de depressão, comportamento suicida e uso e abuso de álcool e drogas.

Moreira-Almeida contribuiu para um artigo publicado no prestigiado Journal of Nervous and Mental Disease em 2021[17], descrevendo o caso de um médium brasileiro que, apesar dos sintomas psicóticos de longa data, publicou mais de 200 livros e recebeu diversos prêmios acadêmicos honoríficos. Os autores propõem que pesquisas voltadas para diferenciar experiências psicóticas patológicas de não patológicas devem ser incentivadas.

 

Atitudes dos Psiquiatras

Araujo e Moreira-Almeida realizaram um estudo para avaliar a flexibilidade das opiniões dos psiquiatras sobre a relação mente-corpo (MBR) quando foram expostos a ideias não materialistas. Trinta por cento dos psiquiatras mudaram de uma visão materialista para uma não materialista após participar de um debate, enquanto 17% mudaram na direção oposta, consolidando pontos de vista materialistas. Concluiu-se que psiquiatras geralmente são abertos a filosofias não reducionistas e que suas opiniões são relativamente maleáveis[18].

No entanto, uma revisão bibliográfica da literatura acadêmica em psicologia encontrou amplas deturpações do MBR e um forte viés contra o dualismo e a favor de uma abordagem fiscalista[19]. Moreira-Almeida e Araujo discutem como isso impede que psiquiatras explorem uma visão mais abrangente da experiência humana, na de seus clientes[20].

 

Obras Citadas

§  Alminhana, L., & Moreira-Almeida, A. (2012). Personality, religiosity, and quality of life in individuals with anomalous experiences in religious groups. Jornal Brasileiro de Psiquiatria 62, 268-74.

§  Chibeni, S.S., & Moreira-Almeida, A. (2007). Remarks on the scientific exploration of “anomalous” psychiatric phenomena. Revista de Psiquiatria Clínica 34, 8-16.

§  Daher, J.C. Jr., Damiano, R.F., Lucchetti, A.L., Moreira-Almeida, A., & Lucchetti, G. (2016). Research on experiences related to the possibility of consciousness beyond the brain: A bibliometric analysis of global scientific output. Journal of Nervous and Mental Disease 205/10, 1097-103.

§  Damiano, R.F., Machado, L., Loch, A.A., & Moreira-Almeida, A. (2021). Ninety years of multiple psychotic-like and spiritual experiences in a Doctor Honoris Causa: A case report and literature review. Journal of Nervous and Mental Diseases 209/6, 449-53.

§  Freire, E.S., Rocha, A.C., Tasca, V.S., Marnet, M.M., & Moreira-Almeida, A. (2022). Testing alleged mediumistic writing: An experimental controlled study. EXPLORE: The Journal of Science and Healing, 18/1, 82-87.

§  Ghinato Mainieri, A., Moreira-Almeida, A., Mathiak, K., Habel, U., & Kohn, N. (2017). Neural correlates of psychotic-like experiences during spiritual-trance state. Psychiatry Research: Neuroimaging 266/10, 1016-24.

§  Gomide, M., Wainstock, B.C., Silva, J., Mendes, C.G., & Moreira-Almeida, A. (2022). Controlled semi-naturalistic protocol to investigate anomalous information reception in mediumship: Description and preliminary findings. EXPLORE: The Journal of Science and Healing 18/5, 539-44.

§  Halbreich, U., Schulze, T., Botbol, M., Javed, A., Kallivayalil, R., Ghuloum, S., Baron, D., Moreira-Almeida, A., Musalek, M., Fung, Wai Lun A., Sharma, A., Tasman, A., Christodoulou, N., Kasper, S., & Ivbijaro, G. (2019). Partnerships for interdisciplinary collaborative global well-being. Asia-Pacific Psychiatry 11, art. e12366.

§  Monteiro de Barros, M.C., Leão, F.C., Vallada Filho, H., Lucchetti, G., Moreira-Almeida, A., & Prieto Peres, M.F. (2022). Prevalence of spiritual and religious experiences in the general population: A Brazilian nationwide study. Transcultural Psychiatry (6 April).

§  Moraes, L.J., Barbosa, G.S., Castro, J.P.G.B., Tucker, J.B., & Moreira-Almeida, A. Academic studies on claimed past-life memories: A scoping review. EXPLORE: The Journal of Science and Healing 3, 371-78.

§  Moreira-Almeida, A. (2006). Review of Is There Life After Death? by D. Lester. Journal of Near-Death Studies 24, 245-54.

§  Moreira-Almeida, A. (2012). Scientific research on mediumship and mind-brain relationship: Reviewing the evidence. Revista de Psiquiatria Clínica 40, 233-40.

§  Moreira-Almeida, A. (2013). Implications of spiritual experiences to the understanding of mind–brain relationship. Asian Journal of Psychiatry 6, 585-89.

§  Moreira-Almeida, A., & Araujo, S. (2015). Does the brain produce the mind? A survey of psychiatrists’ opinions. Archives of Clinical Psychiatry 42, 74-75.

§  Moreira-Almeida, A., & Araujo, S. (2017). The mind-brain problem in psychiatry: Why theoretical pluralism is better than theoretical monism. Dialogues in Philosophy, Mental and Neuro Sciences 10, 23-25.

§  Moreira-Almeida, A., Araújo, S., & Cloninger, C. (2018). The presentation of the mind-brain problem in leading psychiatry journals. Brazilian Journal of Psychiatry 40, 335-42.

§  Moreira-Almeida, A., Caixeta, L., Leão, F., & Newberg, A. (2012). Neuroimaging during trance state: A contribution to the study of dissociation. PloS One 7, art. e49360.

§  Moreira-Almeida, A., de Freitas, M.H., & Schmidt, B.E. (2021). Alister Hardy: A naturalist of the spiritual realm. Religions 12, 713.

§  Moreira-Almeida, A. & Lotufo-Neto, F. (2017). Methodological guidelines to investigate altered states of consciousness and anomalous experiences. International Review of Psychiatry 29, 1-10.

§  Moreira-Almeida, A., & Santos, F. (eds.) (2011). Exploring Frontiers of the Mind-Brain Relationship. Springer.

§  Moreira-Almeida, A., Sharma, A., Janse van Rensburg, B., Verhage, P. J., & Cook, C.C.H. (2016). WPA position statement on spirituality and religion in psychiatry. Wiley Online Library. [Web post.]

§  Paraná, D., Rocha, A., Freire, E., Lotufo-Neto, F., & Moreira-Almeida, A. (2019). An empirical investigation of alleged mediumistic writing: A case study of Chico Xavier’s letters. Journal of Nervous and Mental Disease 207/1, 1088-97.

§  Pereira, C.M., Rocha, A. C., Gomes, J., Lucas, J., Silva, J., & Moreira-Almeida, A. (2026). Analysis of the occurrence of mediumistic anomalous information reception: The case of Chico Xavier and Isidoro Santos. EXPLORE: The Journal of Science and Healing (17 March), Art. 103391.

§  Rezende-Pinto, A., Moreira-Almeida, A., Ribeiro de Araújo, M., Laranjeira, R., & Vallada, H. (2018). The effect of religiosity during childhood and adolescence on drug consumption patterns in adults addicted to crack cocaine. British Journal of Psychology Open 4, 324-31.

§  Rezende-Pinto, A., Schumann, C., & Moreira-Almeida, A. (2019). Spirituality, religiousness and mental health: Scientific evidence. In Spirituality, religiousness and health, ed. by Lucchetti, G, Prieto Peres, M.F., & Furlan Damiano, R., 69-86. Springer.

§  Rocha, A.C., Parana, D., Freire, E.S., Lotufo Neto, F., & Moreira-Almeida, A. (2014). Investigating the accuracy of alleged mediumistic writing: A case study of Chico Xavier’s letters. EXPLORE: The Journal of Science and Healing 10, 300-8.

§  Sech Junior, A., Araújo, S. F., & Moreira-Almeida, A. (2013). William James and psychical research: Toward a radical science of mind. History of Psychiatry 24, 62-78.

§  Silva, C., & Moreira-Almeida, A. (2018). Who does believe in life after death? Brazilian data from clinical and non-clinical samples. Journal of Religion and Health 58.

§  Siqueira, J., Fernandes, N., & Moreira-Almeida, A. (2018). Association between religiosity and happiness in patients with chronic kidney disease on hemodialysis. Brazilian Journal of Nephrology 41/1.

§  Sleutjes, A., Moreira-Almeida, A., & Greyson, B. (2014). Almost 40 years investigating near-death experiences: An overview of mainstream scientific journals. Journal of Nervous and Mental Disease 202, 833-36.

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Moreira-Almeida, Sharma, et al., 2016).

[3] Moreira-Almeida & Santos (2011).

[4] Moreira-Almeida (2011).

[5] Moreira-Almeida (2013).

[6] Chibeni et al. (2007), Moreira-Almeida et al. (2013).

[7] Moreira-Almeida et al. (2021).

[8] Monteiro de Barros et al. (2022).

[9] Moreira-Almeida (2012).

[10] Rocha et al. (2014).

[11] Paraná et al. (2019).

[12] As letras ou caracteres "dummy" de controle funcionam como marcadores de posição essenciais para preenchimento, alinhamento, testes e mascaramento de dados em diversos sistemas, como bioinformática e criptografia, evitando falsos positivos e quebrando padrões. Eles também são usados para diferenciar palavras e emular componentes físicos de hardware, como em simuladores de exibição. (IA)

[13] Freire et al. (2022).

[14] Moreira-Almeida et al. (2012).

[15] Gomide (2022).

[16] Rezende-Pinto et al. (2019).

[17] Damiano et al. (2021).

[18] Moreira-Almeida & Araujo (2015).

[19] Moreira-Almeida et al. (2018).

[20] Moreira-Almeida & Araujo (2017).

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ESTÁ FORÇANDO O RETORNO DA ESCRITA À MÃO NAS SALAS DE AULA[1].

 


Pedro Biles[2], 30 de abril de 2026

 

Às vezes, os métodos antigos ainda são os melhores.

 

 Educadores de todo o país enfrentam duas opções: ou permitem que os alunos usem IA em seus processos de escrita/aprendizagem, ou começam a buscar soluções criativas para manter essas tecnologias sob controle. Uma das maneiras pelas quais os professores estão optando pela segunda opção é abandonando as tarefas ou redações para casa e incentivando os alunos a escreverem principalmente à mão e em sala de aula. Isso pode indicar que muitos outros professores optarão por lidar com o uso de IA entre os alunos. Dana Goldstein escreve :

Na era da inteligência artificial, as tarefas de redação para fazer em casa tornaram-se tão difíceis de fiscalizar quanto à integridade que muitos educadores simplesmente deixaram de atribuí-las.

Em vez disso, numa mudança repentina, os professores estão exigindo que os alunos escrevam dentro da sala de aula, onde podem ser observados. As tarefas também mudaram, com alguns educadores incentivando os alunos a refletir sobre suas reações pessoais ao que aprenderam e leram — o tipo de escrita que a IA tem dificuldade em produzir de forma convincente.

Quando o ChatGPT consegue criar uma redação impecável, organizada e bem-feita, e quando não se pode confiar em ferramentas de detecção por IA, garantir a integridade acadêmica se torna um grande desafio. A menos, é claro, que a escrita à mão e a escrita em sala de aula voltem a ser valorizadas.

No ano passado, Clay Shirky escreveu um artigo de opinião defendendo basicamente o retorno a ambientes de sala de aula mais tradicionais. Ele lembra aos leitores que o formato ao qual estamos acostumados, particularmente em aulas de redação, nem sempre foi a norma. Antes, havia uma ênfase muito maior em provas orais. Ele escreve :

Falar, ouvir e ler fazem parte da cultura acadêmica desde o início, mas as tarefas escritas — a redação de cinco parágrafos, o trabalho de pesquisa, as respostas aos textos lidos — não.

Imagine se mais professores e instrutores atribuíssem trabalhos escritos em sala de aula, feitos com caneta e papel, e realizassem provas orais para realmente avaliar o conhecimento dos alunos? Longe de ser complicada, essa alternativa parece muito mais simples. Certamente, pouparia os professores da constante dor de cabeça de tentar descobrir se os alunos estão colando com inteligência artificial, e também parece provável que os alunos aproveitem muito mais os estudos dessa forma, embora com alguma resistência inicial.

O relatório de Goldstein surge na ausência de um estudo que demonstra que dispositivos de IA como o ChatGPT estão correlacionados com a perda de retenção de informações. Quanto mais as pessoas dependem da IA ​​para "aprender", menos informações retêm a longo prazo. André Barcaui escreve no artigo para a revista Social Sciences and Humanities Open:

O descarregamento cognitivo prevê que, quando ferramentas externas assumem o trabalho mental central, os aprendizes gastam menos esforço durante a codificação; dificuldades desejáveis preveem que eliminar a luta produtiva reduz a memória duradoura.

Se os alunos precisarem resolver problemas e ideias sem a ajuda da IA, terão uma chance muito maior de realmente aprender informações e habilidades. Pular o processo de resolver problemas e argumentos acabará garantindo que os alunos aprendam menos, não mais.

Apesar de todos os desafios que a IA traz para a educação, muitos professores a veem como uma oportunidade de tentar algo diferente. Talvez haja algo a se dizer sobre os velhos métodos de caneta, papel e um pouco de diálogo socrático.



[2] Peter Biles é autor de vários livros de ficção, incluindo a coletânea de contos Last November. Seus contos e ensaios foram publicados em veículos como The American Spectator, Plough e RealClearBooks, entre muitos outros. Ele mantém um blog literário no Substack chamado Battle the Bard e escreve semanalmente sobre as últimas notícias de tecnologia e cultura para o Mind Matters.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

ESCOLHA POR AFINIDADE[1]

 


Miramez

 

Escolha das provas

Havendo Espíritos que, por provação, escolhem o contato do vício, outros não haverá que o busquem por simpatia e pelo desejo de viverem num meio conforme aos seus gostos, ou para poderem entregar-se materialmente a seus pendores materiais?

Há, sem dúvida, mas tão-somente entre aqueles cujo senso moral ainda está pouco desenvolvido. A prova vem por si mesma e eles a sofrem mais demoradamente. Cedo ou tarde, compreendem que a satisfação de suas paixões brutais lhes acarretou deploráveis consequências, que eles sofrerão durante um tempo que lhes parecerá eterno. E Deus os deixará nessa persuasão, até que se tornem conscientes da falta em que incorreram e peçam, por impulso próprio, lhes seja concedido resgatá-la, mediante úteis provações.

Questão 265 / O Livro dos Espíritos

 

Há também Espíritos que escolhem nascer em um reduto viciado por gostarem do vício e sentirem necessidade de estar envolvidos nele. Nesses, o senso moral ainda não tem desenvolvimento bastante para lhes mostrar que eles devem se esforçar, no sentido de adquirir a decência nos caminhos que percorrem.

Não há uma regra geral nas escolhas das provações, mas, todas elas nos trazem lições, mais ou menos demoradas, que o tempo fica encarregado de nos transmitir pelos processos da dor. As deduções que a razão nos oferece, para escolher essa ou aquela provação, vêm impulsionadas pelos nossos sentimentos, pelo tipo de escolha.

            Os benfeitores espirituais nos conhecem, entretanto, na hora de conceder o escolhido, o automatismo do sim ou do não é mais profundo do que se pensa. Primeiramente, ele vem de Deus, porque todas as decisões partem d'Ele, o Supremo Mandatário do Universo, e, por vezes, nasce no candidato, por inspiração de alguém que o ajuda nas lutas de cada dia, como avalista da riqueza da vida na carne que vai receber.

Os que escolhem tipos de provas para satisfazer suas paixões brutais, mais cedo ou mais tarde, arrepender-se-ão das suas escolhas. Embora conhecendo a inconveniência do caminho, Deus lhes concedeu como aprendizado, pois ao descobri-los é que o Espírito permanecerá nos roteiros de luz.

            Se já temos alguma luz de entendimento acerca das leis de Deus, que regulam todas as coisas, não percamos tempo com o chamado mal; as ilusões nos fazem sofrer, até que conheçamos a verdade. Ela é Deus de braços abertos, pelos braços do Cristo, a nos convidar para a felicidade.

Devemos aprender com mais brevidade a ciência do bem viver, que ela é porta de luz que nos mostra a paz de consciência. Se já sabemos escolher melhores caminhos para o nosso bem-estar, trabalhemos na inspiração dos outros. Que seja no silêncio, de modo que eles, pela sugestão dos nossos exemplos e das nossas orações, possam encontrar mais depressa o Cristo no próprio coração.

A criatura inteligente percebe, pelos seus próprios pensamentos, a que classe de Espíritos pertence, na escala do progresso; basta analisar o que só as ideias lhes mostram, o prazer que têm com tais ou quais atitudes. Todos conhecemos o bem e o mal, por hereditariedade das leis que vibram dentro de cada um. Se o homem tem prazer em viver no meio de desequilibrados, é um deles. Por aí, analisemos as nossas atitudes, certificando-nos do que somos, diante dos que nos buscam por sintonia.

Esforcemo-nos todos os dias no combate às más inclinações, e não esmoreçamos nessa luta porque, se procurarmos Jesus para nos ajudar nas lutas, venceremos a nós mesmos, ganhando a paz e aprendendo a amar em todos os rumos da vida. Deus concede o que Lhe pedimos, quando acha conveniente para o nosso despertamento espiritual. Às vezes, o atendimento é demorado; isso não importa; importa é que abramos os olhos para a luz do entendimento.

       Não amaldiçoemos os que estão imersos no vício, nas paixões inferiores, porque é no meio deles que o sofrimento os desperta para a reta moralidade. Depois, eles passarão a buscar uma norma de proceder mais eficiente, que o tempo lhes mostrará. Se queremos ajudar com mais proveito, ajudemo-los com pouca teoria, mas, com muita vivência.



[1] FILOSOFIA ESPÍRITA – Volume 6 – João Nunes Maia

terça-feira, 18 de agosto de 2026

CONVERSAS FAMILIARES DE ALÉM-TÚMULO – Sra. Ida Pfeiffer, Célebre Viajante[1]

 

Ida Pfeiffer


Allan Kardec

 

(Sociedade, 7 de setembro de 1859)

 

O relato seguinte é extraído da Segunda viagem ao redor do mundo, da Sra. Ida Pfeiffer, página 345.

Considerando que estou a falar de coisas muito estranhas, é preciso que faça menção de um acontecimento enigmático que se passou há vários anos em Java e que causou tanta sensação que chegou a ponto de chamar a atenção do governo.

Na residência de Chéribon havia uma casinha, na qual, segundo dizia o povo, apareciam Espíritos. Ao anoitecer, choviam pedras de todos os lados no quarto e por todos os lados cuspiam siri[2]. Tanto as pedras quanto as cuspinhadas caíam muito perto das pessoas que se encontravam no aposento, sem, contudo, atingi-las ou feri-las. Parece que tudo se dirigia principalmente contra uma criança. Tanto se falou desse caso inexplicável que o governo holandês finalmente encarregou um oficial superior, de sua confiança, para o examinar. Este postou em torno da casa homens seguros e fiéis, com a ordem de não permitirem a entrada ou a saída de quem quer que fosse. Examinou tudo escrupulosamente e, tomando em seu colo a criança designada, sentou-se no quarto fatal. Ao anoitecer, como de costume, começou a chuva de pedras e de siri: tudo caía perto do oficial e da criança, sem os atingir.

Examinaram novamente cada recanto, cada buraco, mas nada descobriram. O oficial não compreendeu patavina. Mandou reunir as pedras, marcá-las e escondê-las num local bem afastado. Foi tudo em vão: as mesmas pedras caíram novamente no aposento, à mesma hora. Finalmente, para pôr termo a essa história inconcebível, o governador mandou demolir a casa.

A pessoa que colheu esse fato, em 1853, era uma mulher verdadeiramente superior, não tanto por sua instrução e talento, senão pela incrível energia de seu caráter. À parte essa ardente curiosidade e essa coragem indômita, que dela fizeram a mais extraordinária viajante que jamais existiu, a Sra. Pfeiffer nada tinha de excêntrico. Era mulher de uma piedade suave e esclarecida, tendo dado inúmeras provas de estar longe de ser supersticiosa.

Comprometeu-se a só contar aquilo que ela mesma tivesse visto, ou obtido de fonte segura[3].

 

1. Evocação da Sra. Pfeiffer.

– Eis-me aqui.

2. Estais surpreendida com o nosso apelo e por vos encontrardes entre nós?

– Estou surpreendida com a rapidez de minha viagem.

3. Como fostes prevenida de que desejaríamos falar convosco?

– Fui trazida aqui sem de nada suspeitar.

4. Entretanto, deveríeis ter recebido um aviso qualquer

– Um arrastamento irresistível.

5. Onde estáveis quando vos chamamos?

– Junto a um Espírito que tenho a missão de guiar.

6. Tivestes consciência dos lugares que atravessáveis para vir até aqui, ou aqui vos encontrastes subitamente, sem transição?

– Subitamente.

7. Sois feliz como Espírito?

– Sim. Mais feliz do que isso é impossível.

8. De onde vinha esse gosto pronunciado pelas viagens?

– Eu havia sido marinheiro numa vida precedente e o gosto que adquiri pelas viagens naquela existência refletiu-se nesta, malgrado o sexo que eu havia escolhido para me subtrair a isso.

9. Essas viagens contribuíram para o vosso progresso como Espírito?

– Sim, porque as fiz com espírito de observação, que me faltou na existência precedente, onde não me ocupava senão do comércio e das coisas materiais: é por essa razão que imaginava avançar mais em uma vida sedentária. Mas Deus, tão bom e tão sábio em seus desígnios, que não podemos penetrar, permitiu-me utilizasse minhas inclinações em favor do progresso que eu havia solicitado.

10. Das nações que visitastes, qual a que vos pareceu mais adiantada e que vos mereceu a preferência? Não dissestes em vida que colocaríeis certas tribos da Oceania acima das nações civilizadas?

– Era uma ideia errada. Hoje prefiro a França, pois compreendo sua missão e antevejo o seu destino.

11. Que destino prevedes para a França?

– Não vos posso dizer o seu destino; mas sua missão é espalhar o progresso, as luzes e, por conseguinte, o Espiritismo verdadeiro.

12. Em que vos pareciam os selvagens da Oceania mais adiantados que os americanos?

– À parte os vícios vinculados à vida selvagem, neles eu encontrara qualidades sérias e sólidas que não encontrei nos outros.

13. Confirmais o fato que se teria passado em Java e que está relatado em uma de vossas obras?

– Confirmo-o em parte; o caso das pedras marcadas e lançadas novamente merece explicação: eram pedras semelhantes, mas não as mesmas.

14. A que atribuís esse fenômeno?

– Não sabia a que atribui-lo. Eu me perguntava se, de fato, o diabo existia, respondendo a mim mesma: Não; e fiquei nisso.

15. Agora que podeis compreender a causa, poderíeis dizer de onde vinham essas pedras? Eram transportadas ou fabricadas especialmente pelos Espíritos?

– Eram transportadas. Para eles era mais fácil trazê-las do que aglomerá-las.

16. E de onde provinha aquele siri? Era feito por eles?

– Sim; era mais fácil e, além disso, inevitável, pois que lhes seria impossível encontrá-lo já preparado.

17. Qual era o objetivo dessas manifestações?

– Como sempre, chamar a atenção e fazer constatar um fato do qual se devia falar e procurar a explicação.

 

Observação – Alguém faz observar que tal constatação não poderia levar a nenhum resultado sério entre aqueles povos; mas respondem que há um resultado real: pelo relato e pelo testemunho da Sra. Pfeiffer, o mesmo chegou ao conhecimento dos povos civilizados, que o comentam e lhe tiram consequências. Aliás, os holandeses é que foram chamados para constatá-los.

 

18. Deveria haver um motivo especial, sobretudo quanto à criança atormentada por esses Espíritos?

– A criança possuía uma influência favorável, eis tudo, pois pessoalmente não sofreu nenhum toque.

19. Desde que esses fenômenos eram produzidos por Espíritos, por que cessaram quando a casa foi demolida?

– Cessaram porque julgaram inútil continuar; não pergunteis, contudo, se eles teriam podido continuar.

20. Agradecemos por terdes vindo e respondido às nossas perguntas.

– Estou inteiramente às vossas Lordens.



[1] REVISTA ESPÍRITA – dezembro/1859 – Allan Kardec

[2] Preparação que os javaneses mascam continuamente, e que dá à boca e à saliva a cor do sangue.

[3] Ver a Revista de Paris, de 1º de setembro de 1856 e o Dicionário dos Contemporâneos, de Vapereau