sexta-feira, 3 de julho de 2026

O ESPIRITISMO ENTRE A FILOSOFIA E A RELIGIÃO: AS DIFERENÇAS DE SENSIBILIDADE ENTRE KARDEC, HERCUANO PIRES E CHICO XAVIER[1].

 


Wilson Garcia - maio 19, 2026

 

A comparação entre Allan Kardec e Chico Xavier talvez seja uma das mais delicadas do movimento espírita brasileiro. Ela toca não apenas em personalidades históricas, mas em dois modos profundamente distintos de compreender o próprio Espiritismo. E, de fato, há diferenças muito evidentes entre ambos — de formação intelectual, de sensibilidade religiosa, de linguagem, de método e até de projeto cultural.

A hipótese de que Chico seria a reencarnação de Kardec ganhou força mais pelo imaginário afetivo do movimento espírita do que por evidências concretas de continuidade intelectual. Quando observamos os dois racionalmente, o contraste salta aos olhos.

Kardec foi um pedagogo iluminista do século XIX, profundamente marcado pelo racionalismo francês, pela tradição científica e pelo método comparativo. Seu esforço foi construir uma doutrina capaz de sobreviver ao sobrenaturalismo religioso tradicional. Mesmo quando emprega a palavra “religião” — especialmente no famoso discurso de 1868, “o Espiritismo é uma religião em espírito e verdade” —, ele o faz num sentido filosófico-moral, não institucional, sacramental ou dogmático. Seu temor era precisamente que o Espiritismo retornasse às estruturas clericais das religiões positivas.

Por isso, em toda a obra kardequiana há uma tensão permanente: de um lado, a necessidade de acolher o sentimento humano, a moral, o consolo e a dimensão afetiva; de outro, a recusa do dogma, do culto exterior, do sacerdócio e da fé cega.

O Evangelho Segundo o Espiritismo muitas vezes é usado como argumento para afirmar que Kardec teria desejado uma religião tradicional. Entretanto, a própria estrutura da obra mostra outra intenção. Kardec não cria liturgia, sacramentos ou hierarquia espiritual. Ele reorganiza moralmente os ensinamentos de Jesus sob uma leitura racional e universalista. O centro do livro não é o milagre, o rito ou a salvação, mas a ética.

Já Chico Xavier emerge em outro ambiente histórico e cultural. Ele nasce no Brasil profundamente católico do século XX, marcado pelo imaginário devocional popular, pela religiosidade emocional, pela valorização do sofrimento santificado e pela figura do “homem santo”. Chico nunca rompeu inteiramente com essa atmosfera. Ao contrário: em muitos aspectos, a incorporou.

Sua espiritualidade era intensamente afetiva, devocional e simbólica. O uso de símbolos católicos, a veneração de Jesus em moldes muito próximos da piedade cristã tradicional, a linguagem de humildade extrema, resignação e renúncia permanente o aproximavam mais do misticismo religioso do que do racionalismo pedagógico de Kardec. Isso não significa ausência de valor. Significa apenas outra identidade espiritual e cultural.

Além disso, muitos livros psicografados por Chico — sobretudo os ligados a Emmanuel e André Luiz — contribuíram decisivamente para consolidar no Brasil a fórmula “Espiritismo = filosofia, ciência e religião”. Essa tríade tornou-se quase um slogan identitário do movimento espírita brasileiro.

Mas é importante notar uma diferença conceitual significativa: Kardec falava frequentemente em ciência filosófica de consequências morais; o movimento posterior passou a falar em religião. A mudança parece pequena, mas altera profundamente o eixo interpretativo. Em Kardec, a moral decorre do conhecimento e da observação crítica. Em boa parte do espiritismo brasileiro posterior, a religião torna-se o eixo agregador da identidade espírita.

Talvez aí esteja uma das maiores diferenças entre os dois: Kardec desejava convencer pela razão; Chico frequentemente sensibilizava pelo coração. Kardec procurava formar consciência crítica; Chico procurava consolar, unir, pacificar emocionalmente. Kardec via o risco da cristalização religiosa; Chico ajudou, mesmo involuntariamente, a legitimar uma cultura espírita mais religiosa, devocional e afetiva.

Há ainda um aspecto sociológico importante: Chico Xavier tornou-se uma figura moral gigantesca no Brasil. Sua humildade pessoal, sua disciplina mediúnica, sua dedicação assistencial e sua imagem pública produziram uma autoridade afetiva talvez inédita no espiritismo brasileiro. E isso teve consequências doutrinárias. Muitos passaram a interpretar o Espiritismo não prioritariamente pelas obras de Kardec, mas pela atmosfera espiritual criada em torno de Chico. Desse modo, formou-se uma espécie de “kardecismo brasileiro” profundamente mediado pela cultura emocional cristã nacional.

Por isso, quando se compara os dois, talvez a questão principal nem seja saber se Chico foi ou não Kardec reencarnado. A questão mais relevante talvez seja outra: eles representaram projetos diferentes de sensibilidade espírita. Allan Kardec representou o esforço de racionalização da experiência espiritual; Chico Xavier representou a humanização afetiva e religiosa dessa experiência no contexto brasileiro. E talvez o movimento espírita contemporâneo continue exatamente dividido entre esses dois polos: o da investigação racional e o da religiosidade consoladora.

 

Entre Kardec e Chico, a introdução de Herculano

Uma figura decisiva nesse debate: José Herculano Pires talvez tenha sido justamente o grande intérprete da tensão entre racionalidade espírita e religiosidade no Brasil. Sua relação com Chico Xavier é reveladora porque desmonta simplificações muito comuns. Herculano admirava profundamente Chico, defendia sua honestidade mediúnica e sua importância moral, mas jamais abandonou sua posição crítica diante do misticismo, do clericalismo e da transformação do Espiritismo em religião dogmática.

Isso aparece claramente no episódio da adulteração de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando Herculano se posicionou ao lado de Chico contra alterações consideradas indevidas no texto kardequiano. Ali havia algo simbólico: a defesa da integridade doutrinária de Kardec acima de interesses institucionais ou acomodações religiosas.

Mas o ponto central é este: quando Herculano falava em “religião espírita”, ele não estava pensando em igreja. Para ele, religião não significava sacerdócio, ritual, culto exterior, dogma, autoridade clerical, fé cega ou submissão emocional. Ele combateu tudo isso de maneira contundente. Seu vocabulário era fortemente influenciado pela filosofia existencial, pela fenomenologia e por uma leitura humanista do cristianismo — em muitos momentos, sua crítica aos “igrejeirismos” é até mais dura do que a de Kardec.

O conceito de religião em Herculano aproximava-se muito mais de religação moral do homem ao transcendente, consciência espiritual, experiência ética do ser, abertura existencial ao infinito, vivência interior do Evangelho. Por isso ele insistia que o Espiritismo era “a religião cósmica do amor”, mas sem estrutura eclesiástica. A palavra “religião” nele tinha sentido filosófico-existencial, não institucional.

Há aí uma nuance decisiva. Enquanto setores do movimento espírita brasileiro utilizavam a expressão “religião espírita” para aproximar o Espiritismo do modelo católico-devocional, Herculano usava o mesmo termo quase no sentido oposto: para afastar o Espiritismo do materialismo frio, mas também para afastá-lo da igreja.

Ele tentava preservar um equilíbrio difícil: racionalidade sem aridez, espiritualidade sem superstição, moral sem clericalismo, transcendência sem dogma. E talvez tenha percebido algo muito cedo: que o movimento espírita brasileiro corria o risco de transformar a afetividade legítima em emocionalismo religioso.

Sua admiração por Chico Xavier nasce justamente do fato de que ele via no médium uma autenticidade humana extraordinária. Herculano separava o homem Chico do processo cultural criado ao redor dele. O médium lhe parecia sincero, disciplinado e moralmente elevado; o problema estaria na tendência coletiva de transformar figuras mediúnicas em objetos de devoção. Isso ajuda a entender uma aparente contradição: Herculano defendia Chico, mas criticava duramente o “espiritismo igrejeiro”. Na verdade, não há contradição — ele via em Chico um fenômeno humano e mediúnico respeitável, sem aceitar automaticamente todas as derivações religiosas, místicas ou institucionais que cresceram em torno dele.

Talvez por isso Herculano continue tão atual. Ele ocupa uma posição rara: não reduziu o Espiritismo ao cientificismo, mas também recusou sua absorção pelo imaginário religioso tradicional. Seu esforço foi preservar aquilo que considerava o núcleo revolucionário de Kardec: uma espiritualidade racional, livre e crítica. E isso o colocou numa posição muitas vezes desconfortável dentro do próprio movimento espírita brasileiro.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

AGRADAR A DEUS[1]

 


Miramez

 

Sacrifícios

Dar-se-á que alguma vez possam ter sido agradáveis a Deus os sacrifícios humanos praticados com piedosa intenção?

Não, nunca. Deus, porém, julga pela intenção. Sendo ignorantes os homens, natural era que supusessem praticar ato louvável imolando seus semelhantes. Nesses casos, Deus atentava unicamente na ideia que presidia ao ato e não neste. À proporção que se foram melhorando, os homens tiveram que reconhecer o erro em que laboravam e que reprovar tais sacrifícios, com que não podiam conformar-se as ideias de Espíritos esclarecidos. Digo - esclarecidos, porque os Espíritos tinham então a envolvê-los o véu material; mas, por meio do livre-arbítrio, possível lhes era vislumbrar suas origens e fim, e muitos, por intuição, já compreendiam o mal que praticavam, se bem que nem por isso deixassem de praticá-lo, para satisfazer às suas paixões.

Questão 670 / O Livro dos Espíritos

 

Deus criou os Espíritos simples e ignorantes, contudo, colocou em cada criatura todos os valores espirituais para serem acordados e é no desenvolvimento desses valores que passamos por processos difíceis de serem vencidos. Toda subida exige esforço, e o Senhor já nos fez assim para nos dar oportunidade de conquistar, na nossa vida transitória, a nossa felicidade. Deus nos fez para o bem e somente nos deseja o amor, porém, o que passamos para alcançar essa estabilidade, são testes os quais julgamos ser infelicidade, dado o nosso pouco entendimento.

Quando usamos expressão que Deus não quer isso ou aquilo, nos esquecemos de que Ele somente não quer o que não existe. O Senhor Todo Poderoso deixa que aconteça tudo o que a história nos revela, para educação da humanidade, de modo que todos os povos encontrem a si mesmos, sentindo a necessidade de viver somente no bem, experimentando o que chamamos de mal.

A linguagem humana é bastante pobre para que tudo, todas as nuances das leis de Deus, sejam explicadas. Muita coisa é deixada para amanhã, depois que o progresso nos deixar saldos elevados em todas as direções. É por esse progresso que Deus falará mais claramente aos que estão preparados para ouvir.

Os seres humanos, num passado não muito distante, passaram a sacrificar seus próprios irmãos, oferecendo aos deuses esse sacrifício, para acalmar sua fúria - como poderá um deus estar furioso,  depois de praticarem o sacrifício dos animais. A inferioridade queria sangue; correndo sangue, os deuses se acalmariam. Se tudo o que acontece é com a permissão do Deus único e soberano, o que devemos pensar nisso? Ele permitiu, e tudo que permite servir-nos-á de lições. O Livro dos Médiuns, em mensagem dada por Erasto, discípulo de Paulo de Tarso, no capítulo XXII, nos diz:

Deus colocou os animais ao vosso lado como auxiliares, para vos alimentarem, para vos vestirem, para vos secundarem.

Se a carne precisa de carne, como nos fala Erasto, necessário é matar para comer, e encontramos esse ato por todo o reino animal: os peixes alimentando-se dos seus irmãos, assim também os animais das matas e os pássaros. Quem ensinou ao tigre matar e comer a gazela? Quem ensinou ao gavião a caçar as aves indefesas para se alimentarem? E a cobra em busca do batráquio? Certas tribos de índios comiam carne humana. Devemos meditar, para então entendermos o que pode ser a vida e como ela se processa para o devido despertamento dos valores do Espírito. O "não matarás", estabelecido por lei, funciona na sua integralidade apenas para os Espíritos já evoluídos, despertados e que trabalham com amor.

E as guerras e os vícios humanos, que muitos chamam de hábitos? A mente em desenvolvimento passa por tudo isso, e Deus criou o Espírito para passar por tudo isso. Sendo onisciente, Ele sabia do modo que o ser humano e os animais iriam usar seus instintos e sua inteligência. Se Ele permitiu, é porque tem de ser assim, e esta forma é que é a melhor maneira para nós, para a nossa felicidade.

Se a carne já não te faz bem, é sinal de que deves deixá-la, e amar mais os animais, de modo a colocá-los como sendo os nossos irmãos, pois, somos filhos do mesmo Pai. Ainda existe muito o que estudar sobre as leis de Deus, sem o fanatismo que nos leva à cegueira.



[1] FILOSOFIA ESPÍRITA – Volume 14 – João Nunes Maia

quarta-feira, 1 de julho de 2026

CIENTISTAS EXPLORAM 70 ANOS DE PESQUISA EM BUSCA DE RESPOSTAS SOBRE PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL- PES[1]

 


David J. Acunzo, PhD - 30 de abril de 2026 por daf4a@virginia.edu

 

Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade da Virgínia vasculharam mais de 70 anos de pesquisas neurocientíficas sobre percepção extrassensorial (PES) e identificaram as pistas mais promissoras para estudos futuros.

Grande parte do trabalho anterior era marcada por metodologias inconsistentes e falta de reprodutibilidade, constataram os cientistas. Isso os levou a apresentar um conjunto de recomendações para aumentar o rigor em uma área de pesquisa que muitas vezes foi recebida com ceticismo e prejudicada pela falta de recursos.

David J. Acunzo, PhD, da Divisão de Estudos Perceptuais da UVA disse:

Queríamos ir além dos achados isolados e dar um passo atrás para avaliar o campo como um todo. O objetivo é esclarecer o que as evidências existentes podem ou não apoiar, e ajudar a orientar pesquisas mais rigorosas e cumulativas daqui para frente. Espero que este trabalho contribua para melhorar a qualidade da pesquisa nessa  área, que precisa de definições operacionais mais claras ... e uma replicação mais sistemática. Esses são requisitos padrão em qualquer área madura da ciência, e também são essenciais aqui.

 

Fundamentos Neurais do 'Psi'

O novo estudo de Acunzo e colegas é a revisão mais abrangente já realizada sobre um campo que data do início dos anos 1950. Percepção extra-sensorial, ou "psi receptivo", refere-se à capacidade potencial de adquirir informações por meios que não podem ser explicados pelos nossos cinco sentidos tradicionais. Inclui telepatia, a suposta habilidade de ler pensamentos, e a precognição, a suposta habilidade de ver eventos futuros.

Embora muitas pessoas desprezem a possibilidade de psi, Acunzo observa que pesquisas geralmente mostram que cerca de metade das pessoas diz ter tido tais experiências. Isso levou cientistas a neuroimagem ou “imagem cerebral”, e outras ferramentas para tentar determinar se há alguma evidência neural para tais habilidades.

A revisão de Acunzo sobre a história da neuroimagem analisou mais de 140 relatórios científicos sobre psi, organizou o campo em categorias hierárquicas e avaliou a qualidade de 129 estudos. Muitos foram prejudicados por problemas como tamanhos de amostra pequenos, análises inconsistentes e controles inadequados. Além disso, os resultados muitas vezes não podiam ser replicados – um problema que tem atormentado o campo da psicologia e das ciências sociais em geral. Essa falta de reprodutibilidade até tem um nome – a "crise da replicação psicológica".

Dito isso, havia áreas de pesquisa que mostraram potencial e que valem a pena explorar mais a fundo, escrevem Acunzo e seus colegas. Por exemplo, algumas das evidências empíricas mais convincentes surgiram do estudo da atividade cerebral conhecido como "potência da banda alfa", medida enquanto as pessoas tentam usar psi para adivinhar a figura desenhada no verso de um cartão.

Em última análise, é "prematuro" fazer afirmações conclusivas sobre a atividade neural relacionada ao psi com base nas evidências disponíveis, concluem os cientistas. Mas eles apresentam várias recomendações para melhorar pesquisas futuras. Por exemplo, sugerem que os cientistas precisam concordar com definições compartilhadas melhores, aumentar o tamanho das amostras dos estudos, realizar pesquisas de acompanhamento mais aprofundadas e tomar medidas para replicar melhor experimentos anteriores.

Tais melhorias, dizem eles, nos aproximariam de respostas para questões que têm sido cientificamente divisivas, mas que são inegavelmente interessantes.

Acunzo disse:

Neste momento, a prioridade não é tirar conclusões firmes, mas estabelecer formas mais confiáveis de testar essas questões. Isso exige esforços coordenados entre os laboratórios e um compromisso mais forte com a reprodutibilidade.  Essas questões há muito são controversas, mas também profundamente convincentes. Com as ferramentas e abordagens certas, podemos começar a abordá-los de forma mais sistemática e cientificamente fundamentada.

 

Resultados Publicados

Os pesquisadores publicaram suas descobertas na revista científica "NeuroImage”. A equipe de pesquisa era composta por Acunzo, Andrea H. Denton, Marina Weiler e Edward F. Kelly.

 

Sobre a Divisão de Estudos Perceptuais da UVA

Fundada em 1967 sob a liderança do psiquiatra da UVA Ian Stevenson, MD, a Divisão de Estudos Perceptuais (DOPS) da UVA é o grupo de pesquisa universitário mais produtivo do mundo, dedicado a explorar fenômenos que desafiam paradigmas científicos convencionais sobre a consciência humana. No cerne da missão de pesquisa do DOPS está o compromisso com a avaliação rigorosa das evidências empíricas em torno de experiências e capacidades humanas excepcionais, incluindo a utilização de um laboratório de neuroimagem de última geração. O DOPS estende seu foco além da pesquisa empírica fundamental e explora as profundas implicações dessas pesquisas para a teoria científica e para a sociedade em geral. Ao compartilhar ativamente insights e descobertas, o DOPS busca contribuir de forma significativa para a compreensão da consciência, aproximando a investigação científica da conscientização pública.

Para acompanhar as últimas descobertas médicas da Escola de Medicina da UVA e do Instituto Paul e Diane Manning de Biotecnologia, adicione aos favoritos o blog Making of Medicine em https://makingofmedicine.virginia.edu.

 

 

Artigo escrito por Josh Barney, Vice-Oficial de Informação Pública, UVA Health.

terça-feira, 30 de junho de 2026

O ESPÍRITO E O JURADO[1]

 


Allan Kardec

 

Um de nossos correspondentes, homem de grande saber e portador de títulos científicos oficiais, o que não o impede de ter a fraqueza de acreditar que temos uma alma e que esta alma sobrevive ao corpo, que depois da morte fica errante no espaço e ainda pode comunicar-se com os vivos – tanto mais quanto ele próprio é um bom médium e mantém numerosas conversas com os seres de além-túmulo – dirige-nos a seguinte carta:

Senhor,

Talvez julgueis acertado acolher na vossa interessante revista o fato seguinte:

Há algum tempo eu era jurado. O Tribunal devia julgar um rapaz, apenas saído da adolescência, acusado de ter assassinado uma senhora idosa em horríveis circunstâncias. O acusado confessava e contava os detalhes do crime com uma impassibilidade e um cinismo que faziam estremecer a assembleia.

Entretanto, era fácil prever que, em virtude de sua idade, de sua absoluta falta de educação e das excitações que recebera em família, invocariam para ele circunstâncias atenuantes, tanto mais que ele lançava culpa na cólera de que se viu tomado, agindo contra uma provocação por injúrias.

Eu quis consultar a vítima sobre o grau de sua culpabilidade. Chamei-a durante uma sessão, mediante evocação mental. Ela me fez saber que estava presente e eu lhe dei a mão. Eis a conversação que tivemos: eu, mentalmente; ela, pela escrita:

Que pensais do vosso assassino?

– Não serei eu a acusá-lo.

Por quê?

– Porque ele foi impelido ao crime por um homem que me fez a corte há cinquenta anos e que, nada havendo obtido de mim, jurou vingar-se. Conservou na morte o desejo de vingança, aproveitando-se das disposições do acusado para inspirar-lhe o desejo de matar-me.

Como o sabeis?

– Porque ele próprio me disse, quando cheguei ao mundo em que hoje habito.

Compreendo vossa reserva diante da excitação que vosso assassino não repeliu, como devia e podia. Entretanto, não pensais que a inspiração criminosa, à qual tão voluntariamente obedeceu, não teria sobre ele o mesmo poder, caso não houvesse nutrido ou entretido, durante muito tempo, sentimentos de inveja, de ódio e de vingança, contra vós e vossa família?

– Seguramente. Sem isso ele teria sido mais capaz de resistir. Eis por que afirmei que aquele que quis se vingar aproveitou-se das disposições deste rapaz; havereis de convir que ele não se teria dirigido a alguém que se dispusesse a resistir.

Ele goza com a sua vingança?

– Não, porquanto vê que lhe custará caro. Além disso, ao invés de me fazer mal, ele me prestou um serviço, fazendo-me entrar mais cedo no mundo dos Espíritos, onde sou mais feliz; foi, pois, uma ação má, sem proveito para ele.

Circunstâncias atenuantes foram admitidas pelo júri, com base nos motivos acima indicados, e a pena de morte foi afastada.

A respeito do que acabo de contar, há uma observação moral de alta importância a ser feita. É necessário concluir, com efeito, que o homem deve vigiar os seus menores pensamentos, até os seus maus sentimentos, aparentemente os mais fugidios, já que estes têm a propriedade de atrair para ele Espíritos maus e corrompidos, e oferecê-lo, fraco e desarmado, às suas inspirações culposas: é uma porta que ele abre ao mal, sem compreender o perigo. Foi, pois, com um profundo conhecimento do homem e do mundo espiritual que Jesus Cristo disse:

Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.

Mateus, capítulo V, versículo 28

 

Tenho a honra etc.

Simon M...



[1] REVISTA ESPÍRITA – novembro/1859 – Allan Kardec

segunda-feira, 29 de junho de 2026

ALLAN KARDEC[1]

 


K.M. Wehrstein

 

Allan Kardec (1804–1869), francês, foi um educador e pedagogo que se interessou pela mediunidade mais tarde na vida. Isso levou ao desenvolvimento do Espiritismo, uma doutrina que abrange a comunicação após a morte e a reencarnação dentro de um contexto cristão. O Espiritismo e seus derivados têm hoje milhões de adeptos em todo o mundo, principalmente no Brasil.

§  O Livro dos Espíritos transformou a curiosidade de virar mesas em uma doutrina estruturada e se tornou o texto fundamental do Espiritismo.

§  Kardec definiu o Espiritismo como um ensinamento moral e uma investigação sobre a natureza, o destino e a comunicação dos espíritos.

§  Embora tenha nascido na França, o movimento encontrou sua base moderna mais forte na América Latina, sobretudo no Brasil.

 

Vida

Allan Kardec era o pseudônimo usado por Léon-Dénizarth-Hippolyte Rivail, que nasceu em 4 de outubro de 1804 em Lyon, França, em uma família proeminente no meio jurídico[2]. De 1815 a 1822 , ele estudou no Instituto Yverdon, na Suíça, dirigido por Johann Heinrich Pestalozzi, um reformador que defendia o desenvolvimento de uma ciência da educação baseada no fomento do pensamento independente.

Em vez de seguir os passos do pai e do avô na advocacia, Rivail optou por promover a pedagogia de Pestalozzi em Paris como educador e escritor. Escreveu cerca de 21 livros sobre educação, além de livros didáticos de gramática, aritmética e outras disciplinas, fundou escolas e trabalhou como professor e tradutor. Foi membro de diversas sociedades acadêmicas, incluindo a Real Academia de Arras, que lhe concedeu um prêmio por um ensaio sobre educação[3] .

Por volta de 1824, Rivail começou a estudar o "magnetismo animal", como escreve Blackwell, "dedicando muito tempo à investigação prática do sonambulismo, transe, clarividência e vários outros fenômenos relacionados à ação mesmérica[4]". Inicialmente cético em relação à mediunidade, ele assistiu a sessões com as duas filhas pequenas de um amigo. Essas sessões normalmente produziam comunicações de natureza frívola, mas quando Rivail estava presente, as mensagens supostamente recebidas eram sérias. Quando perguntou o porquê, disseram-lhe que

espíritos de uma ordem muito superior àqueles que habitualmente se comunicavam através das duas jovens médiuns vieram expressamente para ele e continuariam a fazê-lo, a fim de permitir que ele cumprisse uma importante missão religiosa[5].

Rivail elaborou uma série de perguntas abordando os 'diversos problemas da vida humana e do universo[6]' e as submeteu a esses espíritos por meio de duas jovens médiuns. As respostas, recebidas por meio de batidas na mesa e da prancheta, tornaram-se a base da doutrina do Espiritismo. Com o incentivo de sua esposa, Amélie Boudet, ele as compilou em um livro que, supostamente por ordem dos espíritos comunicantes, intitulou Le Livre des Esprits (O Livro dos Espíritos). Publicou-o sob o pseudônimo de Allan Kardec (derivado de um nome do lado materno da família). Nele, introduziu o termo Espiritismo, que mais tarde definiu como 'uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, e sua relação com o mundo corpóreo[7]'. Lançado em 1857, The Spirits’ Book (O Livro dos Espíritos) tornou-se um best-seller, conquistando adeptos por toda a Europa, bem como na França. Em 1858, o homem hoje mais conhecido como Kardec fundou a Société parisienne des Etudes spirites (Sociedade Espírita de Paris) e a revista mensal Revue Spirite: Journal d'Études Psychologiques (Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos), ambas dirigidas por ele até o fim de sua vida.

O espiritismo espalhou-se rapidamente internacionalmente, com grupos fundando periódicos e enviando suas próprias comunicações espíritas para Paris. Estas foram compiladas por Kardec em uma edição revisada e ampliada de The Spirits’ Book (O Livro dos Espíritos), que se tornou o texto espírita reconhecido. A partir desse conjunto de comunicações, ele também compilou outros quatro textos espíritas e escreveu dois pequenos tratados (veja a lista abaixo).

Em 31 de março de 1869, enquanto estava em processo de criação de uma organização à qual legaria os direitos autorais de seus escritos para garantir a continuidade do Espiritismo, Kardec morreu de um aneurisma rompido. O trabalho de organização foi concluído por Boudet.

 

Resumo da Doutrina Espírita

Kardec escreveu uma série de pontos que resumiam a doutrina espírita, conforme interpretada por ele a partir dos dados mediúnicos coletados[8]. Eles podem ser resumidos da seguinte forma:

§  Deus é todo-poderoso, eterno, bom e o criador do universo. O universo divide-se em mundo espiritual e mundo físico, sendo o mundo espiritual anterior ao físico, e este último secundário. Os espíritos habitam temporariamente corpos físicos. Uma pessoa é composta por três partes: o corpo físico, a alma ou espírito e a ligação entre eles, denominada "periespírito", que é um corpo etéreo, semimaterial, e, portanto, por vezes perceptível pelos sentidos físicos, ou seja, ouvido, visto e tocado.

§  Por essa razão, a humanidade possui uma natureza dual: através do corpo, participamos da natureza animal, por instinto, e através da alma, participamos da natureza espiritual. A morte destrói o corpo físico, mas a alma e o espírito persistem.

§  No mundo espiritual existe uma hierarquia de conhecimento, pureza, amor à bondade e proximidade com Deus, com espíritos de ordem inferior permanecendo sujeitos a impulsos vis e encontrando prazer no mal; entre esses extremos estão os espíritos comuns, cujos interesses são triviais.

§  Todos os espíritos estão destinados a alcançar a perfeição através de múltiplas encarnações neste ou em outros mundos. Eles só podem encarnar em corpos humanos. Entre as vidas, recordam todas as existências anteriores. A encarnação é imposta a alguns espíritos como expiação e a outros como uma missão, pois a vida física é uma provação que atua como uma espécie de filtro, purificando a alma. As existências sucessivas são sempre progressivas, mas a rapidez desse progresso depende dos esforços individuais para alcançar a perfeição.

§  Os espíritos estão por toda parte, causando fenômenos inexplicáveis, e devem ser considerados uma força da natureza. Eles tentam se comunicar conosco, seja para o bem ou para o mal, e discernir é fácil: os bons espíritos oferecem conselhos sábios, semelhantes aos de Cristo, seguindo a máxima "Faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você", e nos ajudam a suportar as provações da vida, enquanto os maus espíritos manipulam, exploram, nos tentam ao mal e sentem prazer em ver suas vítimas caírem, pois isso nos torna semelhantes a eles.

§  Os espíritos se comunicam de duas maneiras: oculta ou ostensiva. As comunicações ocultas ocorrem por meio de influências boas ou ruins que exercem sobre nós, das quais não temos consciência, cabendo a nós distinguir as boas inspirações das ruins. As comunicações ostensivas são feitas por meio da escrita, da fala ou de outras manifestações físicas, geralmente por meio de médiuns.

§  Os espíritos podem se manifestar espontaneamente ou em resposta à evocação, e todos os espíritos podem ser evocados. Podemos obter deles conselhos, informações sobre suas próprias situações, seus pensamentos a nosso respeito e outras revelações. Os bons espíritos são atraídos por pessoas que amam a bondade e desejam sinceramente instrução e aprimoramento; os maus espíritos são atraídos por pessoas de disposição frívola ou por aquelas que indagam por mera curiosidade.

§  As transgressões cometidas na vida encarnada serão punidas com a exposição, visto que nada pode ser ocultado no mundo espiritual, e a presença daqueles a quem se prejudicou será o próprio castigo. Contudo, nenhum pecado é imperdoável se o transgressor estiver disposto a expiar seus erros e buscar a melhoria.

 

Obras Espíritas

As obras textuais de Kardec sobre Espiritismo foram publicadas e republicadas diversas vezes. Na lista abaixo, os links levam a traduções em inglês em sites confiáveis.

§  Le Livre des Esprits (The Spirits Book) (1857)

§  Le Livre des Médiums (The Book on Mediums) (1861) – 'um tratado prático sobre Mediunidade e Evocações[9]'.

§  L'Évangile selon le Spiritisme (The Gospel According to Spiritism) (1864) – 'uma exposição da moralidade do ponto de vista espírita'.

§  Le Ciel et L'Enfer (Heaven and Hell) (1865) – 'uma indicação da justiça do governo divino da raça humana'.

§  La Genèse (The Genesis According to Spiritism) (1868) – 'mostrando a concordância da teoria espírita com as descobertas da ciência moderna e com o teor geral do relato mosaico, conforme explicado pelos espíritos'.

§  Qu'est-ce que le spiritisme? (What is Spiritism?) (1859) – 'os fundamentos da doutrina espírita e uma resposta a algumas das principais objeções contra ela[10]'.

§  Le Spiritisme à sa plus simple expression (Spiritism in is Most Simple Expression) (1862) – 'uma breve exposição da doutrina dos espíritos e suas manifestações[11]'.

 

Legado

O trabalho de Kardec teve uma forte influência sobre outros interessados ​​em mediunidade e parapsicologia. O astrônomo e parapsicólogo Camille Flammarion juntou-se à Société parisienne des Etudes spirites de Kardec e tornou-se médium de escrita, produzindo manuscritos sobre estrelas, planetas e cometas que eram assinados como 'Galileu[12]'.

Em 1919, foi fundado o Institut Métapsychique International (IMI), uma fundação privada de pesquisa criada principalmente por espíritas frustrados com a marginalização da pesquisa psíquica pela academia francesa. Entre eles estavam Gabriel Delanne e Charles Richet. Com equipe própria e prédio com um laboratório bem equipado, o IMI realizou experimentos com médiuns por toda a Europa[13].

Atualmente, o Espiritismo tem adeptos em todo o mundo, mas está mais fortemente representado na América Latina, especialmente no Brasil, onde um censo governamental de 2010 mostrou que mais de 3,8 milhões de brasileiros se identificavam como espíritas. Isso se deve provavelmente à influência do médium literário brasileiro e figura nacional venerada, Chico Xavier, que publicou sua poesia mediúnica pela primeira vez em jornais espíritas. Em 1932, sua coletânea de poemas intitulada Parnaso de além-túmulo (Parnassus from Beyond the Tomb) foi publicada pela Federação Espírita Brasileira. Tornou-se um best-seller e continua sendo impressa até hoje[14] .

O Espiritismo brasileiro será tema de um artigo à parte na Psi-Encyclopédia. Também está previsto um artigo sobre o Espiritismo Anglo-Americano, que, diferentemente do Espiritismo de Kardec, há muito negava a possibilidade de reencarnação.

 

Crítica

Como um movimento espiritual de sucesso internacional, o Espiritismo foi naturalmente alvo de difamação. Alguns exemplos:

§  Em uma carta, Helena Blavatsky, a fundadora da Teosofia, comparou desfavoravelmente seus concorrentes espíritas e espiritualistas com seu próprio método de obter a 'verdade' por meio de médiuns. 'Aos meus olhos', escreveu ela, 'Allan Kardec e Flammarion, Andrew Jackson Davis e o Juiz Edmonds, não passam de garotos tentando soletrar o alfabeto e cometendo erros crassos às vezes[15]'.

§  Um livro de 1923 escrito pelo metafísico René Guénon, The Spiritist Fallacy, rejeita diversas doutrinas envolvendo a mediunidade sob o termo "espiritismo". Citando o médium físico Daniel Dunglas Home, ele escreve sobre Kardec:

Sob o domínio de sua enérgica vontade, seus médiuns eram como máquinas de escrever, reproduzindo servilmente seus próprios pensamentos. Se por vezes as doutrinas publicadas não se conformavam aos seus desejos, ele as corrigia a seu gosto[16].

§  O trabalho de Kardec, naturalmente, não era bem-vindo pelas autoridades religiosas convencionais. O catecismo da Igreja Católica adverte (embora possa estar usando o termo em um sentido mais geral, já que condena a mediunidade em geral): “O espiritismo muitas vezes implica adivinhação ou práticas mágicas; a Igreja, por sua vez, adverte os fiéis contra isso[17]”. No Brasil, Kardec foi criticado por figuras religiosas, incluindo o crítico da parapsicologia Oscar González-Quevedo Bruzón, também conhecido como Padre Quevedo.

 

Filme

Kardec é uma biografia dramatizada de 2019 que "acompanha a história de Allan Kardec, desde seus dias como educador até sua contribuição para a codificação espírita". Veja o trailer com legendas em inglês no link[18].

 

Organizações e Recursos

§  International Spiritist Council (em inglês)

§  American Spiritist Federation

§  Collection of Spiritist resources (em português)

 

Obras citadas

§  Alvarado, C.S. (2019). Camille Flammarion. Psi-Encyclopedia. [Web page.]

§  Blackwell, A. (1996). Translator’s preface. In The Spirits’ Book by A. Kardec, trans. by A. Blackwell, 9-16. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Departmento Editorial.

§  Blavatsky, H.P. (1875). Some unpublished letters of H.P. Blavatsky: Letter No. 2 (to Hiram Corson, 16 February). [Web page.]

§  Evrard, R. (2017). Psi research in France. Psi-Encyclopedia. [Web page.]

§  Guénon, R. (2004). The Spiritist Fallacy. Trans. by R.P. Coomaraswamy & A. Moore Jr. [Originally published in French in 1923 as L’erreur spirite] Hillsdale, New York, USA: Sophia Perennis.

§  Holy See (n.d.). Catechism of the Catholic Church, Part 3, Section 2, Chapter 1, Article 1, line 2117. [Web page on Vatican website.]

§  IBGE (2010). Censo Demográfico: Tabela 137- População residente, por religião. [Interactive web page in Portuguese: select ‘Espirita’.]

§  ImDb (Internet Movie DataBase, 2019). Kardec. [Web page.]

§  Kardec, A. (1999). The Spirits’ Book. [Originally published 1857.] Philadelphia: Allan Kardec Educational Society.

§  Kardec, A. (n.d.). Spiritism in its Most Simple Expression: A Short Exposition of Spirits’ Doctrine and Their Manifestations. Trans. by Miss Gr. & J.J.T. Leipzig, Germany: Franz Wagner.

§  Kardec. A. (2010). What is Spiritism? Introduction to Knowing the Invisible World, that is, the World of Spirits, trans. by D.W. Kimble, M.M. Saiz, & I. Reis. [Originally published 1859 in French, Paris.] Brasilia, Brazil: International Spiritist Council.

§  Moreira-Almeida, Alexander (2008). Allan Kardec and the development of a research program in psychic experiences. Proceedings of the Parapsychological Association & Society for Psychical Research Convention, Winchester, UK, 136-151.

§  Playfair, G.L. (2015). Chico Xavier. Psi-Encyclopedia. [Web page.]

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Blackwell (1996). Todas as informações desta seção foram extraídas desta fonte, exceto quando indicado.

[3] Moreira-Almeida (2008).

[4] Blackwell (1996), 11.

[5] Blackwell (1996), 11.

[6] Blackwell (1996), 11.

[7] Kardec (1859/1999), 6.

[8] Kardec (s.d.), 17-28.

[9] Blackwell (1996), 13. Todas as outras descrições de livros nesta seção também são retiradas desta fonte, exceto quando indicado de outra forma.

[10] Kardec (2010). Legenda.

[11] Kardec (nd) Legenda.

[12] Alvarado (2019).

[13] Evrard (2017).

[14] Playfair (2015).

[15] Blavatsky (1875).

[16] Citado em Guénon (1923/2004), 31.

[17] Santa Sé (s.d.).

[18] ImDb (2019).