terça-feira, 10 de março de 2026

CONVERSAS FAMILIARES DE ALÉM-TÚMULO -Voltaire e Frederico[1]

 

                                                                                       

Allan Kardec

 

Diálogo obtido através de dois médiuns que serviram de intérpretes a cada um desses dois Espíritos, em sessão da Sociedade

18 de março de 1859.

 

Questões prévias dirigidas a Voltaire

1. Em que situação vos encontrais como Espírito?

– Errante, mas arrependido.

2. Quais são as vossas ocupações como Espírito?

– Rasgo o véu do erro que em vida imaginava ser a luz da verdade.

3. Que pensais de vossos escritos em geral?

– Meu Espírito estava dominado pelo orgulho; aliás, eu tinha por missão impulsionar um povo na infância; minhas obras são a consequência disso.

4. Que direis particularmente do vosso Joana d'Arc?

– É uma diatribe, embora eu tenha feito coisas piores.

5. Quando encarnado pensáveis no futuro após a morte?

– Não acreditava senão na matéria, bem o sabeis; e ela morre.

6. Professáveis o ateísmo no verdadeiro sentido da palavra?

– Eu era orgulhoso; negava a divindade por orgulho, com o que sofri e de que me arrependo.

7. Gostaríeis de conversar com Frederico, que também concordou em atender ao nosso apelo? Esta conversa seria instrutiva para nós.

– Se Frederico quiser, eu me prontifico.

– Vedes, meu caro monarca, que reconheço meus erros e que estou longe de falar como nas minhas obras. Outrora, ofertávamos o espetáculo das nossas torpezas; agora somos obrigados a oferecer o do nosso arrependimento e do nosso desejo de conhecer a grande e pura verdade.

FredericoEu vos supunha menos bom do que realmente sois.

VoltaireUma potência, que somos obrigados a adorar e reconhecer em toda a sua soberania força nossa alma a proclamar, para aqueles de quem talvez abusamos, uma doutrina completamente oposta à que havíamos professado.

FredericoÉ verdade, meu caro Arouet, mas não finjamos mais. É inútil: caíram todos os véus.

VoltaireDeixamos tantos desastres à nossa retaguarda que precisaremos de muitas lágrimas, a fim de obtermos o perdão e sermos absolvidos. Nunca estaríamos suficientemente unidos para fazer esquecer e reparar os males que causamos.

FredericoConfessemos também que o século que nos admirava foi muito pobre de julgamento e que bem pouco é preciso para deslumbrar os homens: nada mais que um pouco de audácia.

VoltairePor que não? Fizemos tanto barulho em nosso século!

FredericoFoi esse barulho que, caindo de repente num completo silêncio, nos atirou na reflexão amarga, quase no arrependimento. Eu choro a minha vida, mas como me aborreço por não ser mais Frederico! E tu, de não seres mais o Sr. De Voltaire!

VoltaireFalai então por vós, majestade.

FredericoSim, eu sofro; mas não o repitais novamente.

VoltaireEntão abdicai! Mais tarde fareis como eu.

FredericoNão posso...

VoltairePedis-me que seja vosso guia; sê-lo-ei ainda. Tratarei apenas de não vos desencaminhar no futuro. Se puderdes ler, procurai aqui o que vos possa ser útil. Não são as altezas que vos interrogam, mas Espíritos que procuram e encontram a verdade com o auxílio de Deus.

FredericoTomai-me então pela mão; traçai-me uma linha de conduta, se o puderdes... esperemos... mas será para vós... Quanto a mim estou muito perturbado, e isso já dura um século.

VoltaireAinda me excitais o orgulho de valer mais do que vós. Isso não é generoso. Tornai-vos bom e humilde para que eu mesmo seja humilde.

FredericoSim, mas o sinete que a minha condição de majestade deixou-me no coração impede-me sempre de humilhar-me como tu. Meu coração é firme como um rochedo, árido como um deserto, seco como uma arena.

VoltaireSeríeis então um poeta? Eu não vos conhecia esse talento, Senhor.

FredericoTu finges, tu... Não peço a Deus senão uma coisa: o esquecimento do passado... uma encarnação de prova e de trabalho.

VoltaireÉ melhor. Uno-me também a vós, mas sinto que terei de esperar muito tempo a minha remissão e o meu perdão.

FredericoBem, meu amigo, então oremos juntos uma vez.

VoltaireEu o faço sempre, desde que Deus se dignou levantar a mim o véu da carne.

FredericoQue pensas destes homens que nos chamam aqui?

VoltaireEles podem nos julgar e nós não podemos senão humilhar-nos diante deles.

FredericoEles me incomodam, eu... seus pensamentos são muito diversos.

[A Frederico] – Que pensais do Espiritismo?

– Sois mais sábios do que nós. Não viveis um século além do nosso? E embora no Céu desde esse tempo, nele apenas acabamos de entrar.

Agradecemos por terdes atendido ao nosso apelo, assim como o vosso amigo Voltaire.

Voltaire - Viremos quando quiserdes.

FredericoNão me evoqueis demasiadamente... Não sou simpático.

Por que não sois simpático?

FredericoEu desprezo e me sinto desprezível.

 

25 de março de 1859

 

1. Evocação de Voltaire.

 – Falai.

2. Que pensais de Frederico, agora que ele não se acha mais aqui?

– Ele raciocina muito bem, mas não quis explicar-se. Como vos disse, ele despreza, e esse desprezo que nutre a todos o impede de abrir o coração, temendo não ser compreendido.

3. Muito bem! Teríeis a bondade de completar e dizer o que ele entendia por estas palavras: “desprezo e me sinto desprezível”?

– Sim. Ele se sente fraco e corrompido, como todos nós, e talvez ainda compreenda mais do que nós, por ter abusado, mais que os outros, dos dons de Deus.

4. Como o julgais como monarca?

– Hábil.

5. Pensais que seja um homem de bem?

– Não se pode perguntar isso; não conheceis as suas ações?

6. Não nos poderíeis dar uma ideia mais exata do que fizestes das vossas ocupações, como Espírito?

– Não. A todo instante de minha vida descubro um novo ponto de vista do bem; esforço-me por o praticar, ou, antes, aprender a praticá-lo. Quando se teve uma existência como a minha, há muitos preconceitos a combater, muitos pensamentos a repelir ou a mudar completamente, antes de alcançar a verdade.

7. Gostaríamos de obter uma dissertação vossa, sobre assunto de vossa escolha. Poderíeis dar-nos uma?

– Sobre o Cristo, sim, se o quiserdes.

8. Nesta sessão?

– Mais tarde; esperai. Numa outra.

 

8 de abril de 1859

 

1. Evocação de Voltaire.

– Eis-me aqui.

2. Teríeis a bondade de nos dar hoje a dissertação que prometestes?

– Sustento o que prometi; apenas serei breve: Meus caros amigos, quando me achava entre vossos antepassados, tinha opiniões e, para sustentá-las e fazê-las prevalecer entre meus contemporâneos, muitas vezes simulei uma convicção que em verdade não possuía. Foi assim que, desejando atacar os defeitos e os vícios em que tombava a religião, sustentei uma tese que hoje me condena a refutá-la.

Ataquei muitas coisas puras e santas, que a minha mão profana deveria ter respeitado. Assim, investi contra o próprio Cristo, esse modelo de virtudes sobre-humanas, pode-se dizer. Sim, pobres homens, talvez haveremos de nos igualar um pouco com o nosso modelo, mas jamais teremos o devotamento e a santidade que ele demonstrou; estará sempre acima de nós, pois foi melhor antes de nós. Ainda estávamos mergulhados no vício da corrupção e ele já estava sentado à direita de Deus. Aqui, perante vós, eu me retrato de tudo quanto a minha pena traçou contra o Cristo, porque o amo; sim, eu o amo. Lamentava não ter podido fazê-lo ainda.



[1] REVISTA ESPÍRITA – agosto/1859 – Allan Kardec

segunda-feira, 9 de março de 2026

HAROLDO DUTRA DIAS[1]

 


 

Haroldo Dutra Dias nasceu em 20 de setembro de 1971, em Belo Horizonte, Minas Gerais. É um juiz de direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, escritor, tradutor, conferencista e espírita brasileiro.

Haroldo Dias graduou-se em Direito e Língua e Literatura Grega Clássica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tendo realizado ainda um curso de hebraico pela União Israelita de Belo Horizonte.

Aos 15 anos, Haroldo Dias participou do estudo do Evangelho, d'A Gênese e do Apocalipse no Grupo Espírita Emmanuel, em Belo Horizonte, com Honório Onofre Abreu. Em 2011, em parceria com o produtor fonográfico Júlio Adriano Corradi e o cinegrafista Thiago Franklin, Dias fundou o Instituto SER, com o objetivo de "promoção e divulgação literária, intelectual e artística da doutrina espírita".

Em março de 2013, Haroldo foi um dos fundadores do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho (NEPE), dentro da Federação Espírita Brasileira (FEB). A partir desse ano, com o apoio institucional da FEB para o Instituto SER, que fornece trabalho profissional aos militantes espíritas dedicados à produção e divulgação dos estudos bíblicos, Haroldo Dias tornou-se conhecido no meio espírita internacional, com viagens e palestras.

A principal referência do espiritismo brasileiro atual, ao lado do médium Divaldo Pereira Franco, Dias tem um canal do YouTube que em 2019 contava com mais de 100 mil seguidores.

No final da década de 2010, Marta Antunes, vice-presidente da FEB, notou a dificuldade de qual tradução do Novo Testamento usar na produção da apostila do Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita. Para escrever a seção sobre o Novo Testamento, ela havia convidado Honório Abreu, presidente da União Espírita Mineira. Foi, então, por sugestão de Abreu e de Nestor Masotti, presidente da FEB, que Haroldo Dias viajou a Israel e adquiriu livros de referência para realizar o trabalho. Em 2010, no III Congresso Espírita Brasileiro, o Conselho Espírita Internacional lançou a tradução de Haroldo Dias dos quatro evangelhos canônicos e dos Atos dos Apóstolos, chamada de O Novo Testamento (Evangelhos e Atos).

Em 2013, Haroldo Dias cedeu os direitos autorais e patrimoniais de sua obra à FEB, a qual lançou nova edição de O Novo Testamento (Evangelhos e Atos) em abril do mesmo ano. Em 2014, Haroldo Dias escreveu a introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo: orientações para o estudo, organizado por Antonio Cesar Perri de Carvalho e Célia Maria Rey de Carvalho.

De acordo com a dissertação de Natália Torres, há uma boa aceitação da obra de Dias no uso dos estudos bíblicos espíritas, com os fiéis julgando que a tradução é fiel ao texto grego. No entanto, o lançamento do trabalho do professor português Frederico Lourenço, da Universidade de Coimbra, teve um grande impacto por se tratar da Bíblia completa e ser o trabalho de um acadêmico. Torres destaca que, apesar da proposta de uma versão isenta de orientações teológicas, a bibliografia do site do NEPE indica o uso majoritário de referencial espírita e, embora a busca pelo significado das palavras seja sempre pautado por um contexto histórico, linguístico e social, "a exegese é sempre espírita, partindo de pressupostos como a reencarnação".

Haroldo Dias é amigo próximo do mineiro Enéas Alexandrino, pastor da Igreja Batista, e da piauiense Aíla Luzia Pinheiro de Andrade, madre superiora do Instituto Religioso Nova Jerusalém.

sexta-feira, 6 de março de 2026

A MORTE ENCERRA O CORPO; A VIDA, PORÉM, CONTINUA NO ESPÍRITO[1]

 


Jorge Hessen

 

A morte sempre despertou questionamentos profundos na humanidade. Para muitos, ela ainda é vista como o fim absoluto da existência. Entretanto, quando analisada à luz da ciência e do Espiritismo, a morte revela-se como um processo natural de transição, necessário ao progresso do Espírito.

Do ponto de vista biológico, o corpo humano é finito. Ainda que a expectativa de vida tenha aumentado com os avanços da medicina, o organismo físico chega, inevitavelmente, ao seu limite. A ciência descreve com precisão os fenômenos que acompanham a morte do corpo, como a interrupção das funções vitais, a falência dos órgãos e a decomposição gradual da matéria.

Somente morre o corpo;  a medicina demonstra que, cessada a oxigenação, o cérebro é o primeiro órgão a sucumbir, seguido pelo coração e demais sistemas. Com o tempo, surgem fenômenos naturais como o rigor mortis[2] e o livor mortis[3], até que o corpo retorna plenamente aos elementos da natureza.

Para o Espiritismo, porém, a morte não representa o desaparecimento do ser consciente. Allan Kardec é claro ao afirmar:

A morte não é o aniquilamento do ser; é apenas a destruição do invólucro material[4].

Assim, o falecimento do corpo físico não extingue a vida, apenas encerra uma etapa da experiência terrena. O Espírito sobrevive, conforme ensinam os Benfeitores. Quando Kardec questiona diretamente o destino da alma no instante da morte, recebe uma resposta objetiva e consoladora:

Volta a ser Espírito, isto é, retorna ao mundo dos Espíritos, de onde se havia apartado momentaneamente[5].

Essa afirmação fundamenta a esperança espírita: a vida continua além do túmulo, e o Espírito prossegue sua jornada evolutiva, levando consigo suas conquistas morais e intelectuais.

A morte é somente uma “passagem”, pois  a separação entre o Espírito e o corpo não ocorre de forma brusca. Trata-se de um processo gradual que varia conforme o grau de apego à matéria e o estado moral do indivíduo. Kardec sintetiza em A Gênese  essa realidade ao ensinar que a vida corporal é transitória:

A vida espiritual é a vida normal do Espírito; a vida corporal é transitória e passageira[6].

Sob essa perspectiva, a morte deixa de ser um fim temido e passa a ser compreendida como uma passagem necessária, um retorno à verdadeira vida. E a ciência explica o funcionamento e o desgaste do corpo físico; o Espiritismo esclarece a continuidade da vida. Juntas, essas visões nos convidam a viver com mais responsabilidade, consciência e esperança, certos de que a existência não se limita aos poucos anos da experiência material.

Durante nosso sono físico há uma espécie de morte parcial. Na morte corpórea, antes mesmo do desligamento definitivo da alma — processo denominado desencarnação —, pode ocorrer fenômeno semelhante ao do sono. Tal fato explica muitas manifestações de comunicação espiritual observadas nos momentos finais da existência física, amplamente estudadas por pesquisadores como Ernesto Bozzano.

O desligamento completo da alma não é, em regra, instantâneo. Conforme ensina O Livro dos Espíritos (questão 155), a separação ocorre de maneira gradual, pois o perispírito se liga ao corpo físico molécula a molécula durante a reencarnação, exigindo tempo para que essa ligação se desfaça. A libertação do Espírito assemelha-se mais a um processo progressivo do que a uma ruptura súbita.[7]

Diversas obras espíritas de origem mediúnica relatam o auxílio prestado por benfeitores espirituais nesse momento delicado. Em Obreiros da Vida Eterna, André Luiz descreve a desencarnação de Dimas, evidenciando a complexidade do processo e a atuação cuidadosa dos Espíritos amigos na liberação dos centros vitais do corpo[8].

Esses ensinamentos nos convidam à reflexão sobre a importância da prece, do respeito e da serenidade nos instantes que cercam a morte física. Atitudes de paz e elevação espiritual favorecem a libertação harmônica da alma, auxiliando o Espírito em sua transição.



[1] O CONSOLADOR - Ano 19 - N° 963 - 1° de Março de 2026 - http://www.oconsolador.com.br/ano19/963/ca3.html

[2] O rigor mortis (rigidez cadavérica) é o enrijecimento muscular temporário que ocorre após a morte, causado pela perda de ATP (energia) e consequente travamento das fibras de actina e miosina. Inicia-se geralmente 2 a 4 horas após o falecimento, atinge seu pico entre 6 a 12 horas e desaparece em cerca de 24 a 50 horas, ajudando a estimar o tempo da morte.

[3] O livor mortis (ou lividez cadavérica) é a descoloração vermelho-arroxeada da pele, causada pelo acúmulo de sangue nas partes baixas do corpo pela gravidade após a morte. Inicia-se entre 20 minutos a 3 horas, fixa-se entre 6 a 12 horas e é crucial para estimar o tempo de morte e verificar se o corpo foi movido.

[4] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 68 Ed. FEB.

[5] ____Allan. O Livro dos Espíritos, questão 149 Ed. FEB.

[6] ____Allan.  A Gênese, cap. XI, item 21 Ed. FEB.

[7] ____Allan. O Livro dos Espíritos, questão 155 Ed. FEB.

[8] Xavier, Francisco Cândido. Obreiros da Vida Eterna, Ed. FEB.

quinta-feira, 5 de março de 2026

RESGATE DAS FALTAS[1]

 


Miramez

 

Expiação e arrependimento

Já desde esta vida poderemos ir resgatando as nossas faltas?

Sim, reparando-as. Mas, não creiais que as resgateis mediante algumas privações pueris, ou distribuindo em esmolas o que possuirdes, depois que morrerdes, quando de nada mais precisais. Deus não dá valor a um arrependimento estéril, sempre fácil e que apenas custa o esforço de bater no peito. A perda de um dedo mínimo, quando se esteja prestando um serviço, apaga mais faltas do que o suplício da carne suportado durante anos, com objetivo exclusivamente pessoal. (726)

Só por meio do bem se repara o mal e a reparação nenhum mérito apresenta, se não atinge o homem nem no seu orgulho, nem no seus interesses materiais.

De que serve, para sua justificação, que restitua, depois de morrer, os bens mal adquiridos, quando se lhe tornaram inúteis e deles tirou todo o proveito?

De que lhe serve privar-se de alguns gozos fúteis, de algumas superfluidades, se permanece integral o dano que causou a outrem?

De que lhe serve, finalmente, humilhar-se diante de Deus, se, perante os homens, conserva o seu orgulho? (720-721)

Questão 1000 / O Livro dos Espíritos

 

O que chamamos de processos de despertamento espiritual, se dá em todo lugar, onde quer que seja. A vida é vida em qualquer ponto do universo de Deus; como pode ser que somente na carne se repare faltas? Como pensar que somente no corpo físico se evolui ou desperte as qualidades espirituais? Isso é um contrassenso; a nossa escola, e de todas as almas, é dentro da criação de Deus. Não podemos pensar que só na Terra recebemos lições e despertamos valores.

Estamos dentro do progresso e com ele avançamos para Deus, na programação que Ele mesmo fez. Em verdade, tudo o que ocorre conosco são processos de elevação espiritual, pelos quais todos temos de passar, para a luz dos nossos caminhos.

A natureza sabe o que fazer, sob a influência das leis de Deus. É necessário que saibamos nos conduzir diante dos nossos feitos passados que rios fizeram sofrer, Não é ficando em jejum que nos iluminamos; não é nos sacrificando exteriormente que alcançamos a paz; não é ficando calados que despertaremos as condições espirituais que nos fornecem a tranquilidade da consciência... Jesus nos ensinou, com a sua própria vida, o que deveremos fazer para a devida libertação espiritual. Vejamos o que os discípulos fizeram, estudemos suas vidas e copiemos seu procedimento.

O arrependimento deve ser sincero, compreendendo que fora da caridade não há salvação. Não podemos iludir a nós mesmos, diante da vida maior, o nosso dever é refazer nossas condições espirituais, e isso deve ser constante, para chegarmos ao amor sem condições. Não é levando o corpo físico a determinarias privações que a alma se ilumina. O fanatismo torce a verdade.

Caminhamos para a felicidade que nos chega e deve chegar de todas as direções, por variados processos de educação espiritual e sabedoria dos segredos da vitória, para sabermos como comportar no dia-a-dia. Só por meio do bem afastamos o mal, somente pelos canais da caridade nos livramos das prisões do mal e somente o amor nos coloca frente a frente com a nossa consciência, sem que ela nos condene.

Não é somente pelo arrependimento que nos salvamos, como muitos estudiosos bíblicos afirmam. Enquanto não dissiparmos do coração o orgulho e o egoísmo, não seremos livres das perseguições de natureza inferior. As paixões se enraízam nestes dois monstros das almas.

O combate ao mal, não aprendemos de homem nenhum e, sim, de Jesus, que vem nos acompanhando há milhões de anos com a mesma paciência de sempre e Paulo, o apóstolo, entendeu isto, tanto que diz em uma de suas epístolas:

Porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo.

Galatas, 1:12

E a Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, nos fala o mesmo; os mensageiros de Jesus que a ditaram nos mostram Jesus como único modelo para a humanidade ser feliz.

As nossas faltas, os nossos erros por ignorância das leis e por não termos forças para corrigi-los, devem ser corrigidos em qualquer lugar, tanto na carne como fora dela. Os sofrimentos existem em murtas dimensões.

“De que lhe serve, finalmente, humilhar-se diante de Deus, se, perante os homens, conserva o seu orgulho?”, concluem os Espíritos Superiores que responderam à pergunta em questão. Contudo, não basta ao homem cumprir exteriormente tão profunda recomendação. De que lhe valeria humilhar-se perante os homens, talvez por conveniência e mesmo interesses materiais, e ser orgulhoso ante a Paternidade Universal? Amemos a Deus em todas as coisas; aí estão incluídos o próximo e a própria criação da Majestade Divina.



[1] FILOSOFIA ESPÍRITA – Volume 20 – João Nunes Maia

quarta-feira, 4 de março de 2026

RAYMOND LODGE[1]

 


Michael Tymn

 

Em 1916, o físico Oliver Lodge publicou Raymond, or Life and Death (Raymond, ou Vida e Morte), um relato de grande sucesso sobre mensagens transmitidas por um médium que Lodge acreditava virem de seu filho Raymond, uma vítima recente da Primeira Guerra Mundial. A narrativa atraiu muitos leitores que perderam entes queridos durante a guerra, embora suas descrições aparentemente fantasiosas do estado após a morte a tenham tornado alvo de controvérsia.

 

Fundo

O físico Oliver Lodge (1851–1940) era conhecido por seu trabalho em eletricidade, termoeletricidade e condutividade térmica. Ele ingressou na The Society for Psychical Research (SPR) pouco depois de sua fundação, em 1882, e sete anos depois se envolveu profundamente em uma investigação da médium americana Leonora Piper . Ao longo de oitenta e três sessões, ele se convenceu de que a habilidade de Piper era genuinamente paranormal, embora não necessariamente indicativa de sobrevivência após a morte. Na década seguinte, ele gradualmente passou a aceitar a hipótese da sobrevivência, tornando suas opiniões públicas em um livro de 1909, The Survival of Man.

Raymond Lodge, integrante do Regimento South Lancashire, foi morto perto de Ypres em 14 de setembro de 1915, após ser atingido por um estilhaço de obus durante o ataque a Hooge Hill.

 

A mensagem de 'Faunus'

Em 8 de agosto de 1915, declarações enigmáticas dirigidas a Lodge apareceram nos escritos automáticos de Leonora Piper. Uma delas, que parecia ter se originado com o espírito sobrevivente de Frederic Myers e ter sido transmitida por Richard Hodgson (ambos investigadores de destaque da SPR até seu falecimento), dizia:

Bem, Lodge, embora não estejamos aqui como antigamente, ou seja, não exatamente, estamos aqui o suficiente para receber e transmitir mensagens. Myers diz que você assume o papel do poeta e ele atuará como Fauno.

Um estudioso de clássicos indicou a Lodge uma passagem da obra do poeta romano Horácio, que descreve Horácio sendo salvo de uma árvore que caía pela intervenção do poeta Fauno.

Um comunicado escrito alguns dias antes dizia:

Sim. Por ora, Lodge, tenham fé e sabedoria em tudo o que é mais elevado e melhor. Vocês não foram profundamente guiados e cuidados? Podem responder "Não"? É pela sua fé que tudo está bem e sempre esteve[2] .

Esta mensagem chegou por correio separado no mesmo dia que a mensagem do 'Faunus'.

Sabendo que uma árvore caída ou em queda é um símbolo frequente de morte (devido a uma interpretação errônea de Eclesiastes 11:3 no Antigo Testamento), Lodge se perguntou se seu velho amigo Myers queria prepará-lo para uma morte na família, ou talvez algum desastre financeiro. Tendo recebido o telegrama informando-o da morte de Raymond, ele interpretou a mensagem como um desejo de Myers de amenizar o impacto, informando-o de que seu filho ainda estava vivo.

 

Mensagens Evidenciais

Lodge e sua esposa posteriormente realizaram sessões com o médium Alfred Vout Peters e com Gladys Leonard, uma médium de voz em transe radicada em Londres, semelhante a Piper. Em ambos os casos, o casal acreditava estar em comunicação com o espírito sobrevivente de Raymond. Em uma aparente tentativa de fornecer provas disso, "Raymond" contou-lhes sobre uma fotografia de grupo do regimento na qual ele aparecia, tirada vinte e um dias antes de sua morte. Isso foi mencionado pela primeira vez em uma sessão que sua mãe realizou com Peters e novamente quando seu pai se encontrou com Leonard. "Raymond" disse-lhes que a fotografia o mostraria segurando uma bengala e alguém atrás dele apoiado em seu ombro. Os Lodges não tinham conhecimento dessa fotografia, e ela não estava entre seus pertences. No entanto, dois meses depois, a mãe de um dos colegas oficiais de Raymond enviou-lhes exatamente uma fotografia semelhante, na qual Raymond era visto sentado no chão com uma bengala sobre as pernas e o oficial atrás dele apoiava o braço em seu ombro.

Lodge ficou impressionado com o detalhe e a precisão dessa declaração verídica e não conseguiu encontrar nenhuma explicação plausível em termos de fraude por parte dos médiuns e/ou outros. O nível de detalhe argumentava contra a coincidência. Também não poderia ser razoavelmente explicado em termos de telepatia entre a pessoa retratada e o médium – uma explicação favorecida por muitos pesquisadores psíquicos da época – já que, mesmo que os Lodges tivessem adivinhado a existência da fotografia, não poderiam ter conhecido os detalhes descritos pelos médiuns. Lodge também ficou impressionado com o fato de a mesma mensagem ter sido transmitida por dois médiuns diferentes[3].

Foto em preto e branco de grupo de pessoas posando para foto

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Leonard também facilitava, às vezes, a comunicação inclinando uma mesa, em que uma mesa tocada pelo médium e pelos participantes fazia movimentos que podiam ser contados para indicar letras do alfabeto. Em uma dessas sessões, em 28 de setembro, 'Raymond' se identificou pelo apelido 'Pat'. Como um teste adicional, Lodge pediu que ele nomeasse um de seus cinco irmãos. A mesa soletrava NORMAN- antes de Lodge interromper, sugerindo que ele estava confuso, e pedir que ele começasse novamente. O nome NOEL foi então soletrado, que era o nome de um dos irmãos de Raymond. Ao discutir isso com seus outros filhos, Lodge descobriu pela primeira vez que 'Norman' era um apelido jocoso que Raymond usava quando os meninos jogavam hóquei juntos, gritando 'E aí, Norman!' ou outras palavras de incentivo para qualquer um de seus irmãos mais velhos que ele quisesse animar[4] .

Lodge considerou isso um argumento contra a telepatia entre os vivos, já que nem ele nem sua esposa sabiam que Raymond usava o nome "Norman". Ele também interpretou isso como um indício de que Raymond, que havia discutido pesquisas psíquicas com ele quando ainda estava vivo, estava tentando fornecer informações verídicas ao usar um nome desconhecido para seus pais.

Em 21 de dezembro, Alec, o irmão mais velho de Raymond, sentou-se com Leonard e realizou um teste próprio. Alec perguntou a "Raymond" sobre sua música favorita. Em seguida, ouviu Feda, o "controlador espiritual" de Leonard, aparentemente questionando Raymond e sussurrando: "Uma senhora de laranja?". Aparentemente confuso, Feda disse: "Ele fala algo sobre uma senhora de laranja". Alec considerou isso uma evidência, já que "My Orange Girl" era um disco de vinil que Raymond havia comprado, o último antes de morrer. "Raymond" também mencionou "Irish Eyes", outra das favoritas de Raymond. Uma tentativa com uma terceira música produziu apenas as letras "M" e "A". Em uma sessão posterior, "Raymond" foi questionado sobre o significado das letras M e A e, então, conseguiu dizer claramente o nome "Maggie Magee", uma música desconhecida para qualquer pessoa da família, exceto sua irmã Norah, que não estava presente na sessão (outro possível indício contra a telepatia)[5] .

Embora, quando Lodge se encontrou com Leonard em 3 de março, estivesse convencido de que ela não era uma charlatã, ainda sentiu necessidade de testá-la. Naquela ocasião, perguntou a "Raymond" se ele conhecia o "Sr. Jackson". Feda teve dificuldade em entender a resposta, mas acabou comunicando: "Belo pássaro... coloque-o em um pedestal". Lodge tinha certeza de que Leonard não poderia saber que Sr. Jackson era o nome do pavão de estimação de sua esposa, nem que o pássaro havia morrido uma semana antes e estava sendo empalhado e colocado em um pedestal de madeira[6] .

Lodge concluiu:

O número de provas mais ou menos convincentes que obtivemos já é muito grande. Algumas agradam mais a uma pessoa, outras a outra; mas, considerando-as todas em conjunto, parece que toda e qualquer possível motivo de suspeita ou dúvida foi agora dissipado para a família[7].

 

Mensagens sem evidências

Incomum para comunicadores mediúnicos, 'Raymond' tinha muito a dizer sobre as condições em que se encontrava. Explicou que não encontrava palavras para descrevê-las, exceto que eram sólidas e maravilhosamente reais: vivia numa casa de tijolos, com árvores e flores crescendo em solo firme. A princípio, presumiu que tudo era criação do pensamento, mas percebeu que era muito mais do que isso, embora não compreendesse. Disse que seu corpo era semelhante ao que tinha antes, embora os órgãos internos não parecessem constituídos da mesma forma que seu antigo corpo físico. Acrescentou que tinha olhos e ouvidos, até cílios, e que tinha um dente novo no lugar do que perdera enquanto vivia na Terra. Além disso, nunca vira ninguém sangrar. Conhecia um homem que perdera o braço em sua vida terrena, mas o vira crescer novamente aos poucos.

Raymond mencionou que, a princípio, havia um desejo por comida, mas que isso passou com o tempo. Até charutos e uísque com soda estavam disponíveis para quem os desejasse. Ele disse ainda que visitou uma biblioteca onde se podiam encontrar livros que, eventualmente, seriam "impressos" no cérebro de alguma pessoa na Terra e publicados.

Raymond disse que a princípio ficou confuso e não conseguia se orientar, mas se adaptou rapidamente. Mais tarde, ele contou que estava ajudando outras almas que estavam passando para o outro lado durante a guerra e que algumas, sem saber que haviam morrido, continuaram lutando. Era seu trabalho explicar a elas que haviam deixado o corpo físico para trás e que agora estavam em uma realidade diferente.

Lodge escreveu que muito disso lhe parecia absurdo e que hesitou em incluir em seu livro, mas sentiu que não deveria omitir nada simplesmente por parecer sem sentido.

 

Elogios e críticas

Uma breve resenha sobre Raymond, publicada no SPR Journal de janeiro de 1917, concluiu:

Haverá muitas opiniões divergentes quanto ao grau de aceitação a ser concedido às revelações de outra esfera da vida aqui apresentadas. Céticos obstinados e talvez crentes rigidamente ortodoxos não as aceitarão... o mínimo que se pode dizer é que uma exposição tão abrangente, tão lúcida e tão franca será de grande auxílio a todos que dedicarem reflexão séria ao assunto.

Uma resenha mais completa de Eleanor Sidgwick foi publicada nos SPR Proceedings de 1917. Ela observou que o livro já havia passado por sete edições e atribuiu seu sucesso ao "dom de Lodge para uma exposição simples e popular" em um momento em que muitos estavam de luto pela perda de entes queridos. Ela escreveu:

E não há dúvida de que a contribuição deste livro é sólida e valiosa. Para quem se sentir desapontado com o fato de a quantidade de evidências aqui apresentadas não ser maior ou mais contundente, posso salientar que boas evidências de sobrevivência e comunicação são mais difíceis de obter — além das dificuldades inerentes à sua produção — do que aqueles que são novos no assunto costumam imaginar.

Sidgwick ficou especialmente impressionada com o caso da fotografia em grupo, já que aparentemente ia além das teorias normais de telepatia ou leitura da mente inconsciente às quais ela aderiu. Contudo, Sidgwick opinou que grande parte da comunicação poderia ter ocorrido por tais meios e, após mencionar os próprios alertas de Lodge sobre vários aspectos da mediunidade, concluiu sua resenha sugerindo que os riscos de o leitor se deparar com médiuns profissionais desonestos podem muito bem superar o conforto obtido com médiuns genuínos[8] .

Em um livro de 1917, Reflections on ‘Raymond: An Appreciation and Analysis , Walter Cook criticou a obra, especulando longamente sobre os métodos pelos quais Lodge poderia ter sido enganado. Ele argumentou que a Sra. Kennedy, a pessoa que apresentou Lady Lodge a Leonard, poderia ter fornecido ao médium informações sobre a família Lodge. Cook também tentou desconsiderar a fotografia de grupo, apontando que não era incomum soldados serem fotografados em seus grupos, nem oficiais possuírem bengalas, mas optou por ignorar o detalhe evidente do oficial atrás de Raymond, apoiado em seu ombro. Cook especulou ainda que a foto havia chegado à Inglaterra antes que os Lodges recebessem uma cópia, e que eles poderiam ter visto outra cópia ou ouvido falar dela. Ele observou que a Sra. Kennedy e um Sr. J. A. Hill, que confirmou a história da fotografia de grupo, eram ambos membros da SPR e "investigadores fervorosos em assuntos espiritualistas", insinuando que seus testemunhos não deveriam ser levados a sério[9] .

Também em 1917, Charles Arthur Mercier, um psiquiatra britânico, publicou um artigo intitulado Spiritualism and Sir Oliver Lodge, no qual questionava as qualificações de Lodge para investigar médiuns, argumentando que isso deveria ser deixado para o ilusionista profissional[10]. Mercier examinou criticamente um caso no livro anterior de Lodge, de 1909, mas fez pouca tentativa de explicar os casos descritos em "Raymond".

James Hyslop escreveu resenhas mordazes de ambos os textos[11].

Outros críticos sugeriram que o julgamento de Lodge foi influenciado por uma "vontade de acreditar" que seu filho havia sobrevivido à morte em batalha, embora esse evento trágico não justificasse a declaração de Lodge sobre sua crença na sobrevivência em seu livro de 1909, que o precedeu em seis anos.

Em uma resenha publicada no New York Times, Van Buren Thorne afirmou que nada indicava que Oliver Lodge não pudesse ter sido enganado em relação à sua alegação de que médiuns forneceram comunicações comprobatórias em um momento em que desconheciam sua identidade ou a de seus familiares. No entanto, Thorne admitiu que os médiuns poderiam não ter visto a fotografia do grupo em nenhum momento antes de ela ser descrita a Lodge[12].

 

O livro Raymond ou Vida e Morte

O livro de 404 páginas está dividido em três partes. A Parte Um apresenta informações biográficas sobre Raymond Lodge e inclui trechos de cartas recebidas dele antes de sua morte. A Parte Dois aborda as comunicações de 'Raymond' e de outras pessoas por meio de médiuns. A Parte Três oferece um tratado filosófico sobre a vida e a morte.

Uma sequência, Raymond Revised, foi publicada em 1922, resumindo as principais evidências do livro de 1916 e acrescentando novas evidências e comentários.

 

Literatura

§  Cook, W. (1917). Reflections on “Raymond: An Appreciation and Analysis. London: Grant Richards.

§  Hyslop, J. (1919a). Review of ‘Spiritualism and Sir Oliver Lodge’ by Charles Mercier, ‘Reflections on ‘Raymond” by Walter Cook, and ‘The Question: “If a Man Die, Shall he Live Again?”‘ by Edward Clodd. Journal of the American Society for Psychical Research 13, 318-30.

§  Hyslop, J. (1919b). Contact with the Other World. New York: The Century Co.

§  Kollar, R. (2000). Searching for Raymond: Anglicanism, Spiritualism, and Bereavement between the Two World Wars. Lanham, Maryland, USA: Lexington Books.

§  Lodge, O. (1909). The Survival of Man. New York: Moffat, Yard and Co.

§  Lodge, O. (1916). Raymond, or Life and Death. New York: George H. Doran Company.

§  Lodge, O. (1922). Raymond Revised. London: Psychic Book Club.

§  Lodge, O. (1932). Past Years. New York: Charles Scribner’s Sons.

§  Mercier, C.A. (1917/2012). Spiritualism and Sir Oliver Lodge. London: Forgotten Books.

§  Sidgwick, E. (1917). Sir Oliver Lodge’s ‘Raymond’. Proceedings of the Society for Psychical Research 29, 404-9.

§  Thorne, V.B. (1917). Sir Oliver Lodge says his son’s spirit talks to him. Slain in battle, the youngest son of the scientist is asserted to have communicated facts of existence in another world. The New York Times, SM3.

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Lodge (1916), 90-91.

[3] Lodge (1916), 105-16 e Anais da Sociedade de Pesquisa Psíquica (1916), vol. 29, 132-49.

[4] Lodge (1916), 139-40.

[5] Lodge (1916), 208-13.

[6] Lodge (1916), 256-57, 278.

[7] Lodge (1916), 279.

[8] Sidgwick (1917), 404-9.

[9] Cook (1917), 88.

[10] Mercier (1917), 13.

[11] Hyslop (1909a).

[12] Thorne (1917).