quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SEGUNDO A LEI NATURAL[1]

 


Miramez

 

Justiça e direitos naturais

Posto de parte o direito que a lei humana consagra, qual a base da justiça, segundo a lei natural?

Disse o Cristo: Queira cada um para os outros o que quereria para si mesmo. No coração do homem imprimiu Deus a regra da verdadeira justiça, fazendo que cada um deseje ver respeitados os seus direitos. Na incerteza de como deva proceder com o seu semelhante, em dada circunstância, trate o homem de saber como quereria que com ele procedessem, em circunstância idêntica. Guia mais seguro do que a própria consciência não lhe podia Deus haver dado.

Efetivamente, o critério da verdadeira justiça está em querer cada um para os outros o que para si mesmo quereria e não em querer para si o que quereria para os outros, o que absolutamente não é a mesma coisa. Não sendo natural que haja quem deseje o mal para si, desde que cada um tome por modelo o seu desejo pessoal, é evidente que nunca ninguém desejará para o seu semelhante senão o bem. Em todos os tempos e sob o império de todas as crenças, sempre o homem se esforçou para que prevalecesse o seu direito pessoal. A sublimidade da religião cristã está em que ela tomou o direito pessoal por base do direito do próximo. (Allan Kardec)

Questão 876 / O Livro dos Espíritos

 

Segundo a lei natural, o direito de um é o direito de outro, por serem todos iguais diante de Deus. Não é justo que uns tenham direitos diferentes dos outros, ante o Pai que se encontra na direção de tudo que existe.

Podemos observar a justiça interna, mesmo entre os órgãos que trabalham, sem nada exigir, para garantir a harmonia do conjunto sobre uma mente instintiva, recebendo ordens e mais ordens da consciência. Cada órgão, em seu lugar, tem trabalho a fazer. Segundo a lei natural, a lei de Deus é a mesma lei interna, que podemos observar quando despertados para tal, pelos processos que chamamos de dor e depois de amor.

Uma das nuances da lei da justiça é que cada um seja respeitado em seus direitos, sejam homens, países ou mesmo os mundos habitados. Os próprios átomos e planetas têm suas órbitas como sinal de respeito pelos que circulam por perto. O que chamamos de "lei da gravidade" nos mostra onde termina o direito do outro vizinho. Assim no mundo, com os pertences das criaturas: a lei se expressa em cercas, muros e papéis, afigurando o dono. Invadir os direitos dos outros passa a ser injustiça e falta grave, que merece punição.

Em Atos dos Apóstolos, capítulo nove, versículo vinte e quatro, passamos a ler o seguinte:

Porém o plano deles chegou ao conhecimento de Saulo; dia e noite guardaram também as portas para o matarem.

Vejamos aí a falta de respeito para com a vida alheia, a injustiça; por que Saulo não teria direito de pregar as ideias de vida e de justiça? Paulo sabia na carne o que era lutar contra Deus; o seu próprio mestre Gamaliel o informou sobre isso.

Desrespeitar a justiça é criar fogo para o seu próprio caminho. É o que não devem fazer os homens que estão lendo todos os dias o Evangelho. A primeira coisa que devemos fazer é respeitar os direitos dos outros, para que os outros respeitem os nossos. Se queremos colher bons frutos, não podemos esquecer as boas sementes. Busquemos a vida, que a vida mais intensa nos busca; demos a paz, ou estimulemos essa paz, que a paz vem ao nosso encontro, com todas as nuances de vida; perdoemos aos nossos ofensores, que eles tornar-se-ão nossos amigos do coração. Quando nos descuidamos dos nossos órgãos, eles se descuidam de nós; quando maltratamos as crianças, o coração sente.

As normas de vida mais excelentes são as dadas por Jesus em Seu Evangelho, porque ele estimula a vida e dá visão aos que padecem de cegueira.

Segundo a lei natural, é dando que recebemos; se escolhemos a dádiva, a vida, senão a lei, escolhe a recompensa na mesma dimensão. O verdadeiro critério de justiça começa na intimidade de cada um, porque a injustiça que pensamos fazer aos outros começa a ser deturpada dentro de nós mesmos.

Os erros alimentares são uma injustiça com o nosso próprio organismo. Os vícios são injustiça com muitos dos corpos que nos servem, para que tenhamos harmonia no coração. A perca do sono em demasia, por coisas vãs, é uma injustiça para com o instrumento de carne. O trabalho que ultrapassa nossas forças é, igualmente, injustiça com as nossas qualidades de servir.

A Doutrina Espírita é um manancial de orientações espirituais, que vão chegando do céu de acordo com as necessidades da alma. Não a desprezes, pois é na luta para compreendermos a justiça, que o amor nos chega ao coração.

Se acordamos para o direito pessoal, devemos saber em seguida que devemos respeitar o direito do próximo. Jesus não pediu aos homens para amarem ao próximo como a eles mesmos? Eis ai a lei com mais evidência, buscando-nos, para que nos tornemos felizes, no cumprimento dos nossos deveres.



[1] FILOSOFIA ESPÍRITA – Volume 9 – João Nunes Maia

QUESTÕES ÉTICAS NA INVESTIGAÇÃO DE FANTASMAS[1]

 


Benjamin Radford[2] - janeiro/fevereiro de 2026

 

Na televisão, a caça a fantasmas parece inofensiva, mas você tem alguma preocupação ética a respeito? A ética sequer é discutida entre os caçadores de fantasmas?

A. Soichet

 

A caça a fantasmas não é como a caça a trufas, tesouros de naufrágios ou qualquer outra coisa cuja existência seja comprovada. Como sua existência não é comprovada, as características que definem os fantasmas são desconhecidas e, portanto, seria difícil ou impossível para os caçadores de fantasmas saberem com certeza que capturaram um fantasma com sucesso. Esse fator pesa na questão da ética porque (ao contrário dos fantasmas) as recompensas de outras buscas são conhecidas e quaisquer riscos envolvidos podem ser comparados. O contexto da pergunta é revelador, pois a televisão e o YouTube são os principais meios pelos quais a pessoa comum encontra representações "reais" de caça a fantasmas. Embora seja um hobby popular (ainda que de nicho), poucas pessoas realmente encontram investigadores paranormais, a menos que os procurem ou se juntem a grupos.

É importante reconhecer que o termo caça-fantasmas abrange um conjunto diversificado de atividades. Pode incluir a análise de fotografias de supostos espíritos tiradas minutos (ou décadas) antes; a investigação de relatos em locais turísticos conhecidos por sua presença assombrada (como um hotel, restaurante ou residência); e a investigação de casas particulares ocupadas que se acredita serem assombradas. Já fiz todas as três coisas, e o potencial de danos varia muito de acordo com as circunstâncias.

Por exemplo, se eu passar a noite em um hotel assombrado, o risco de danos é mínimo; a experiência é essencialmente semelhante a visitar um parque temático ou um teatro. Os proprietários estão fornecendo o cenário para que caçadores de fantasmas realizem uma expedição para investigar lendas. Contanto que não danifiquem a propriedade, tudo o que os caçadores de fantasmas fizerem ou encontrarem lá é bom para os negócios (especialmente se criarem conteúdo para o YouTube ou televisão promovendo o local como assombrado). Se não virem nada paranormal, bem, os espíritos não estavam cooperando, mas sempre podem tentar novamente em outra ocasião. Se encontrarem alguma evidência de fantasmas — algum orbe, sombra ou ponto frio — então isso é mais um motivo para retornar. Como uma casa assombrada comercial, é um palco para apresentações. Se locais "assombrados" fossem realmente perigosos para clientes e visitantes pagantes, o seguro da propriedade seria proibitivamente caro. Apesar dos termos de responsabilidade de várias páginas, comicamente sinistros, exigidos para entrar no Museu Assombrado Zak Bagans em Las Vegas, o perigo físico está entre os menores dos danos potenciais.

No outro extremo, caçadores de fantasmas que entram em uma casa particular têm o potencial de causar danos reais aos ocupantes, especialmente ao reforçar seus medos e validar formalmente seus encontros fantasmagóricos. Isso é especialmente verdadeiro se os caçadores de fantasmas estiverem inclinados (ou tiverem incentivo para) encontrar evidências de fantasmas — o que quase sempre acontece. Embora caçadores de fantasmas frequentemente adotem uma posição pseudocética ("Somos céticos; não acreditamos que tudo seja um fantasma"), caçadores de fantasmas genuinamente céticos, como aqueles associados ao Committee for Skeptical Inquiry, não têm inclinação nem incentivo financeiro para interpretar fenômenos ambíguos como evidência da presença de espíritos. Não precisamos gerar um fluxo constante de conteúdo sensacionalista relacionado a fantasmas para plataformas de vídeo, cliques e avaliações.

 

Estruturas Éticas

Conversas formais sobre ética às vezes são acompanhadas por alguns revirantes de olhos. Caçadores de fantasmas querem compartilhar histórias assustadoras e andar por lugares assustadores tarde da noite no escuro; eles gostam das coisas divertidas e dramáticas — os momentos "Buu!". Raramente se interessam por questões fundamentais sobre o empreendimento, como se fantasmas existem ou se podem causar danos inconscientes a alguém durante uma de suas caçadas a fantasmas (Radford 2015).

Fiz três semestres de disciplinas de ética em nível de pós-graduação, obrigatórias para cada um dos meus cursos (psicologia, educação e saúde pública). Esta análise é informada por diretrizes éticas emitidas pela American Psychological Associatione pelo American College of Physicians; meu curso de ética na Geisel School of Medicine foi especialmente robusto, abordando temas como a ética do uso de células obtidas sem consentimento informado de Henrietta Lacks (uma mulher afro-americana) e questões, por exemplo, se pessoas com alcoolismo deveriam ser priorizadas para transplantes de fígado. Discutimos o American College of Physicians Ethics Manual, com trinta e duas páginas, abordando consentimento informado, privacidade, doações, conflitos de interesse, abuso de autoridade, revisão por pares e muito mais. Uma breve visão geral ajudará a oferecer contexto.

Princípios éticos incluem:

§  Autonomia (o valor moral para apoiar, facilitar e respeitar a autodeterminação e a escolha informada do paciente; a base ética para a tomada de decisão compartilhada).

§  Não maleficência (o valor moral de se abster, evitar e proteger os pacientes de danos, incluindo danos físicos, emocionais e financeiros; o conceito relaciona-se à referência histórica no Juramento de Hipócrates).

§  Beneficência (o valor moral de fornecer cuidados benéficos; agir no melhor interesse do paciente; promover o bem. Na área da saúde, cumprir essa obrigação baseia-se apenas em fornecer intervenções e procedimentos baseados em evidências).

§  Justiça (o valor moral para garantir a distribuição justa, equitativa e adequada de bens e recursos. Relacionado a esse conceito está a compreensão de que o valor deve ser derivado de um serviço prestado)

Sulmasy e Bledsoe (2019).

Pode-se argumentar que todos esses princípios poderiam se aplicar de alguma forma aos caçadores de fantasmas, mas talvez os dois mais relevantes sejam o "primeiro, não causar dano" e, segundo, a obrigação de usar práticas baseadas em evidências. Especificamente,

O médico deve incentivar o paciente que está usando ou solicitando tratamento alternativo a buscar literatura e informações de fontes confiáveis.

Na medida em que a caça a fantasmas é análoga a tratamentos médicos alternativos e se estende à nossa discussão sobre a caça a fantasmas (com o caçador substituindo o médico como suposto especialista em diagnosticar o problema e o experiente como paciente buscando ajuda e uma explicação para os eventos inexplicados), a analogia seria que caçadores de fantasmas que afirmam uma explicação sobrenatural para um determinado fenômeno inexplicado devem buscar eticamente (ou incentivar os que vivenciam a buscar) uma segunda opinião de um cético qualificado. Isso não acontece por razões óbvias, incluindo o fato de que isso pode minar a investigação e a credibilidade do caçador de fantasmas, mesmo que ajude a situação e alivie o sofrimento da pessoa atormentada por fantasmas.

Algumas edições atrás, dediquei minha coluna a uma discussão aprofundada sobre aspectos problemáticos das leituras de médiuns, incluindo preocupações éticas levantadas pelo documentário Look into My Eyes. Há uma sobreposição significativa entre caça a fantasmas e médiuns. Muitos grupos de caçadores de fantasmas usam médiuns como parte de suas investigações, tipicamente tentando se comunicar com os espíritos invisíveis que presumem estar presentes. Os médiuns frequentemente relatam trechos de informações biográficas sobre o fantasma, que são então incorporados ao folclore fantasma.

A questão não é necessariamente que caçar fantasmas seja inerentemente antiético de alguma forma, mas sim que, por a atividade ser um hobby informal sem um órgão governante ou credenciador, praticamente tudo é permitido. Mesmo décadas depois da caça a fantasmas se tornar popular, ainda não há consenso entre os caçadores supostamente experientes sobre o que realmente são os fantasmas. Orbes são espíritos? Fenômenos de voz eletrônica (EVP) são realmente vozes dos mortos? E assim por diante. Se não conseguirem concordar sobre os fundamentos, há pouca esperança de que concordem com um código de conduta, embora alguns grupos de caçadores de fantasmas formulem e defendam suas próprias diretrizes.

 

Questões Éticas

Embora amplamente negligenciado entre grupos casuais de caçadores de fantasmas, o tema recebeu atenção ocasional na literatura. Uma das análises mais abrangentes foi realizada por Ian Baker e Ciarán O'Keeffe, publicada no Journal of the Society for Psychical Research. Eles escreveram:

Deve-se afirmar que, embora certas investigações sejam conduzidas de forma ética e responsável, atualmente não existem diretrizes publicadas e revisadas por pares às quais investigadores e o público possam consultar. Existem potenciais problemas éticos inerentes às investigações de experiências assombradas. Estes incluem, mas não se limitam a: acesso gratuito à casa do experiente; liberdade de movimento por até vinte e quatro horas seguidas; potencial sofrimento para o experiente; a motivação do investigador e/ou do experiente para a investigação; e a falta de qualquer recrutamento formal ou triagem dos membros do grupo.

Baker e O'Keeffe 2007

A pesquisadora de fantasmas baseada no Reino Unido, Hayley Stevens, em um blog intitulado “The Ethics of Ghost Research”, também examina a delicada questão da conduta ética entre caçadores de fantasmas:

Ao investigar fenômenos espontâneos, você terá contato com todo tipo de pessoa que está tanto envolvida quanto não envolvida no caso. Como pesquisador (seja profissional ou amador), o bem-estar daqueles afetados pela sua pesquisa é fundamental ... Por isso, é fundamental que organizações de pesquisadores paranormais elaborem um código de ética que os membros devem seguir enquanto estiverem no local.

Stevens 2012a

Stevens lista várias categorias de pessoas que podem ser prejudicadas por caçadores de fantasmas (e pesquisadores paranormais de modo geral), incluindo pessoas recém-enlutadas, crianças e adultos vulneráveis. Ela observa:

Adultos que não são vulneráveis ainda podem ser prejudicados pelas ações de pesquisadores paranormais ... Muitos pesquisadores de fantasmas entram em um local em busca de 'evidências' de que fantasmas existem, o que pode não só desinformar as pessoas com quem entram em contato, mas também assustá-las e fazê-las se sentir desconfortáveis, inseguras ou com medo de sua própria casa ou local de trabalho.

Stevens 2012b.

De fato, eu pessoalmente já vi isso muitas vezes (veja, por exemplo, Radford 2010), e Kenny Biddle descreveu um caso no Canadá em que a dona de uma casa "mal-assombrada" foi informada por uma vidente que uma imagem que ela capturou na câmera era de um garotinho que havia se afogado não muito longe de sua casa. A mulher ficou meses sem conseguir dormir em seu próprio quarto porque foi lá que o suposto "fantasma menino" apareceu. O "garoto" acabou sendo uma ilusão de ótica (Biddle 2023).

Stevens entrevistou C.J. Romer e Dave Wood, figuras de destaque na cena parapsicológica britânica e coautores de um artigo sobre ética da caça a fantasmas. Romer disse:

Eu diria que é quase certo que há questões éticas que surgem quase diariamente para qualquer pessoa ativa na área ... Você precisa ter em mente que mesmo um profissional de bem-estar social treinado estará trabalhando como parte de uma força-tarefa multiagência, ele estará em equipe. Você terá um clínico geral envolvido, e talvez os serviços sociais, eles podem ter contato com clérigos locais que lidam com a fé da família, com os agentes de moradia, o hospital, talvez psiquiatras, talvez equipes de abuso de substâncias... O que acontece com investigadores paranormais é mais como: Olá senhora, ah, já estou sentindo isso! É um bebê sem cabeça, é horrível e desfigurado, você teve um aborto espontâneo? Está vindo pelas paredes! Quer dizer, eu zombo, mas esse tipo de cenário horrível acontece lá fora.

Stevens 2012b

Na mesma entrevista, Dave Wood, presidente da Associação para o Estudo Científico de Fenômenos Anômalos, concordou:

Pequenas questões éticas surgem todo fim de semana quando grupos de investigação paranormal saem, a maioria dos quais não possui nenhum código ético. E pela minha experiência limitada de ver outros grupos, questões éticas surgem o tempo todo e acho que isso é uma grande preocupação... Eles têm boas intenções e sentem que estão fazendo um bom trabalho, e podem até fazer um bom trabalho na forma como investigam, mas sem um código ético e uma forma ética fundamentada de fazer as coisas, estatisticamente falando, você vai ter muitas questões éticas surgindo ao longo de X casos que você investiga. A menos que você esteja preparado para lidar com eles, pequenas quantidades de dano vão acontecer, você pode não saber que acontecem, pode entrar, investigar, sair e nunca perceber que, depois do evento, algo acontece que causa danos à família. (Stevens 2012b)

De fato, alguns céticos questionam se a caça a fantasmas em si é inerentemente antiética. Karen Stollznow (2009), por exemplo, escreve:

Criar um código de ética obscurece o fato de que a caça a fantasmas é o problema em si. As próprias crenças, práticas, alegações, conclusões e curas dos caçadores de fantasmas são frequentemente antiéticas. É simplesmente antiético grupos de caçadores de fantasmas investigarem?

 

Vítimas Vulneráveis

O fato de que pessoas que acreditam ser atormentadas por fantasmas, demônios ou outras entidades poderosas invisíveis são inerentemente vulneráveis é frequentemente ignorado ou minimizado. Como aqueles que procuram médiuns, eles são uma população auto-selecionada que é facilmente manipulável. É notável que o site do famoso programa de TV Ghost Hunters, T.A.P.S., incentiva especificamente cidadãos privados que acreditam ser atormentados por fantasmas a contatá-los para pedir ajuda (na verdade, a palavra ajuda aparece nove vezes em uma única página do site: "nós podemos te ajudar", "clique para ajudar" etc.). Aqueles que buscam ajuda são, por definição, vulneráveis, e aqueles que se oferecem para ajudá-los em qualquer capacidade — remunerada ou voluntária — devem ter um código de ética e melhores práticas para garantir que estejam protegidos. Em 2023, perguntei a Jason Hawes, estrela de Ghost Hunters: Que responsabilidade ética, se é que existe alguma, você sente quando as pessoas assistem seus programas e acreditam erroneamente que sua casa é assombrada, seguindo seus métodos (pseudocientíficos)? Hawes respondeu corajosamente: Nenhuma.

Pesquisadores céticos costumam usar o termo vampiro do luto para se referir a médiuns, especificamente médiuns psíquicos. Sempre que alguém afirma falar em nome dos mortos — o que todos os médiuns psíquicos e a maioria dos caçadores de fantasmas fazem — há um potencial muito real para exploração. E, importante, isso é verdade mesmo que os médiuns e caçadores de fantasmas sejam sinceros ou não.

Como Baker e O'Keeffe sabiamente reconhecem:

A principal questão ética em qualquer investigação é a da vulnerabilidade. A superioridade percebida de um investigador e a natureza frequentemente traumática da experiência original podem tornar o experiente vulnerável à influência ou exploração... O investigador deve entender que um experiente que solicita ajuda para entender fenômenos incomuns está colocando o investigador em uma posição de poder que não deve ser abusada... Um problema intrínseco nas investigações é o fato de que a maioria é iniciada quando as pessoas interpretam os fenômenos que estão enfrentando em termos de uma possível causa paranormal. Quem suspeitar que uma batida atrás da parede foi causada por um cano problemático chamará um encanador, mas se acharem que a causa pode ser paranormal, chamarão um investigador. Assim, o experiente e o investigador podem interpretar os fenômenos de maneiras radicalmente diferentes... O processo investigativo também pode minar ou reforçar uma crença específica, o que implica uma responsabilidade adicional de manter a objetividade.

Baker e O'Keeffe 2007

 

Outros Danos

Embora a principal preocupação ética sobre a caça a fantasmas seja o efeito sobre os vivos, existem outros danos, ainda que indiretos. Também há as reputações manchadas dos mortos. Já discuti esse tema em vários de meus artigos e investigações, incluindo sobre o assombrado KiMo Theater no Novo México e a Rose Hall Plantation em Montego Bay, Jamaica. Nesses casos, nomes de famílias específicas de pessoas que já viveram foram manchados por sua inclusão posterior em histórias de fantasmas. Na minha investigação sobre Rose Hall, revelei que a mulher maligna amplamente dizia assombrar a mansão — Annie Palmer, a chamada Bruxa Branca — na verdade era baseada em uma pessoa histórica inocente. Pedi aos leitores que considerassem os sentimentos dos outros:

Imagine se, daqui a um século, devido a alguma estranha mistura de mito e circunstância, as pessoas te descrevessem como um assassino em série cruel, pervertido e sádico. Psíquicos e caçadores de fantasmas afirmam contatar seu espírito e transmitir suas confissões sensacionais ao público.

Radford 2010b.

Como você se sentiria ao ver seu bom nome arruinado por caçadores de fantasmas sensacionalistas e mal informados que afirmam ter contato com seu espírito e talvez provocar uma "confissão" de assassinato, abuso sexual ou coisa pior?

Kenny Biddle também escreveu sobre o mal que as histórias de fantasmas podem causar, especialmente sobre a reputação de figuras históricas inocentes. Em uma entrevista pessoal, Biddle me contou que em um caso famoso

Bathsheba, o principal "demônio" no filme original O Conjuro e nos livros de Andrea Perron, era uma pessoa real (1814–1885). As histórias afirmam que ela era uma bruxa e, mais notoriamente, matou um bebê empalando-o com uma agulha de costura na base do crânio. A história também diz que houve um inquérito, mas ela foi inocentada das acusações. Nada disso é verdade — ela era uma pessoa real, mas por todos os registros ... ela não tinha nada a ver com a casa/fazenda onde a família Perron morava. Ainda assim, sua lápide foi vandalizada várias vezes antes de ser quebrada em pedaços.

Zak Bagans, o astro caçador de fantasmas da popular série do Travel Channel Ghost Adventures, lançou músicas que ele afirma incluir a voz do fantasma de um ator de televisão. Ele afirma ter gravado a voz do ator David Strickland, mais conhecido por seu papel na sitcom da NBC Suddenly Susan, que morreu por suicídio em um motel decadente em Las Vegas em 1999. Bagans usou esse suposto EVP(Electronic Voice Phenomena) em um álbum intitulado Necrofusion. Não está claro como a família de Strickland se sentiu sobre seu suicídio trágico (alimentado pelo vício em drogas e doença mental do ator) sendo explorado como entretenimento por Bagans.

 

Reconhecendo a Necessidade

Reconhecer o potencial de dano em uma vocação é pré-requisito para desenvolver um código de ética, e pela minha experiência, a maioria dos caçadores de fantasmas — como a maioria dos médiuns — parece não ter consciência ou minimizar o potencial de dano que podem (ainda que sem querer) causar a outros. Isso é compreensível, já que as consequências prejudiciais da caça a fantasmas raramente, ou nunca, aparecem em programas de TV ou no YouTube. Afinal, os programas são pelo menos semi-roteirizados, ocasionalmente falsificados e cuidadosamente editados para fazer a equipe de caçadores de fantasmas parecer profissional, cuidadosa e competente. Como videntes bem-sucedidos, às vezes se deixam ver fracassando, parecendo envergonhados ou bobos, o que, claro, os humaniza e torna o público querido. Afinal, é televisão de entretenimento.

Poucos caçadores de fantasmas têm o treinamento necessário em psicologia ou aconselhamento para ajudar adequadamente pessoas que passam por sofrimento mental, e são exatamente essas pessoas que buscam ajuda junto a caçadores de fantasmas. Poucas ou nenhumas pessoas são caçadores de fantasmas profissionais em tempo integral. Eles têm outros empregos que pagam as contas. Presumivelmente, muitas dessas carreiras, de médicos a encanadores, têm códigos profissionais de ética com os quais devem estar familiarizados e seguir. O problema é que, como a caça a fantasmas é vista como um passatempo divertido, inofensivo, frívolo — e geralmente não remunerado — (estrelas da televisão e do YouTube sendo principalmente artistas, não investigadores), eles não veem motivo para aplicar considerações éticas à área.

Nem psíquicos nem caçadores de fantasmas têm qualquer incentivo para discutir as formas como podem ferir as próprias pessoas que dizem ajudar. As formas pelas quais os médiuns podem prejudicar pessoas são bastante conhecidas; é claro para a pessoa comum que videntes e médiuns de loja às vezes enganam as pessoas para tirar fortunas. Os danos financeiros são bastante conhecidos, mas as outras formas pelas quais os médiuns prejudicam as pessoas, inclusive psicologicamente, são em grande parte desconhecidas pelo público em geral. O prejuízo financeiro de perder $50.000 para um golpista psíquico é fácil de compreender, mas o mal de ter um vidente dizendo que você está amaldiçoado ou que sua filha desaparecida está morta quando, na verdade, ela está viva — ou o contrário, que ela será encontrada viva em breve quando, na verdade, está morta — é muito mais sutil. Não é um evento isolado envolvendo uma troca de dinheiro em um saco de papel rabiscado com símbolos ocultos sobre uma vela vermelha acesa, mas sim uma série de eventos psicológicos ao longo de dias, semanas ou anos, uma erosão do senso de identidade, da confiança, da autonomia sobre a própria vida. Embora mais difíceis de quantificar, esses danos não são menos reais. O dano pode ser crônico, não agudo, e em alguns aspectos é muito pior. Uma vítima de golpe pode recuperar seus $50.000 por meio de restituição judicial ou de um amigo generoso. Mas uma pessoa cujo senso de segurança e agência se perdeu pode nunca mais recuperá-lo.

Eu e meus colegas céticos estamos em uma posição única para reconhecer os diversos danos causados por médiuns e caçadores de fantasmas porque vimos isso de perto. O espectador casual de programas de TV provavelmente nunca vê o dano causado, e também não vê menção ou discussão sobre o potencial de dano. Na medida em que esses programas retratam qualquer risco ou perigo, isso é enquadrado como físico e espiritual, e os caçadores de fantasmas são vítimas de demônios e fantasmas, não os perpetradores ou perpetuadores de crenças prejudiciais.

Muitos caçadores de fantasmas realmente acreditam que estão fazendo o bem e ajudando famílias, e de fato o altruísmo é uma forte motivação para a caça a fantasmas. Esse motivador sutil, porém poderoso, ajuda a explicar por que muitos caçadores de fantasmas resistem a evidências que sugiram que fantasmas podem não existir. Se eles consideram que fantasmas não existem, isso significa que as dezenas ou centenas de espíritos que ajudaram a encontrar a paz eterna eram, na verdade, imaginários, e a ajuda que ofereceram foi apenas imaginação deles. E se eles prejudicam pessoas reais e vulneráveis, mesmo que sem querer, para lidar com espectros inexistentes, isso é ainda pior.

 

Referências

§  Baker, Ian and Ciarán O'Keeffe. 2007. Ethical Guidelines for the Investigation of Haunted Experiences. Journal of the Society for Psychical Research 71: 216–229.

§  Biddle, Kenny. 2023. Investigating a ghost boy in Canada. Skeptical Inquirer (Sept. 19). Online at https://skepticalinquirer.org/exclusive/investigating-a-ghost-boy-in-canada/

§  Radford, Benjamin. 2010a. The demonic ghost house. Chapter 5 in Scientific Paranormal Investigation: How to Solve Unexplained Mysteries. Corrales, NM: Rhombus Books.

§  ———. 2010b. The White Witch of Rose Hall. Chapter 12 in Scientific Paranormal Investigation: How to Solve Unexplained Mysteries. Corrales, NM: Rhombus Books.

§  ———. 2015. Playing witch doctor: Hidden ethics in skeptical ghost investigation. Skeptical Briefs 24(3). Online at https://skepticalinquirer.org/newsletter/playing-witch-doctor-hidden-ethics-in-skeptical-ghost-investigation/.

§  Stevens, Hayley. 2012a. The ethics of ghost research. Hayleyisaghost (June 5). Online at https://hayleyisaghost.co.uk/the-ethics-of-ghost-research/ 

§  ———. 2012b. Ethical issues in spontaneous phenomena investigations: An interview with Dave Wood & CJ Romer. Hayleyisaghost (June 5). Online at https://hayleyisaghost.co.uk/ethical-issues-in-spontaneous-phenomena-investigations-an-interview-with-dave-wood-cj-romer/ .

§  Stollznow, Karen. 2009. The ‘ethics’ of ghost hunting? Skeptical Inquirer (November 16). Online at https://skepticalinquirer.org/exclusive/ethics-of-ghost-hunting/ .

§  Sulmasy, Lois Snyder e Thomas A. Bledsoe. 2019. Para o Comitê de Ética, Profissionalismo e Direitos Humanos do ACP. Manual de Ética do American College of Physicians : Sétima Edição. Annals of Internal Medicine 170: S1–S32. Disponível online em https://www.acpjournals.org/doi/10.7326/M18-2160.

 

Traduzido com Google Tradutor

 

 



[2] Benjamin Radford, M.Ed., é um investigador científico paranormal, pesquisador do Comitê para Investigação Cética, editor adjunto do periódico Skeptical Inquirer e autor, coautor, colaborador ou editor de vinte livros e mais de mil artigos sobre ceticismo, pensamento crítico e alfabetização científica. Seu livro mais recente é America the Fearful.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O GUIA DA SENHORA MALLY[1]

 


Allan Kardec

 

Sociedade, 8 de julho de 1859

 

1. Evocação do guia da Sra. Mally.

– Aqui estou; isso é fácil para mim.

2. Sob que nome gostaríeis de ser designado?

– Como quiserdes; por aquele sob o qual já me conheceis.

3. Qual o motivo que vos fez ligar-se à Sra. Mally e a seus filhos?

– Antigas relações, inicialmente, e uma amizade e uma simpatia que Deus protege sempre.

4. Disseram que foi a sonâmbula, Sra. Dupuy, quem vos encaminhou à Sra. Mally; é verdade?

– Foi a primeira quem disse que eu me havia juntado à segunda.

5. Dependeis dessa sonâmbula?

– Não.

6. Poderiam elas afastar-vos daquela senhora?

– Não.

7. Se essa sonâmbula viesse a morrer, sofreríeis uma influência qualquer?

– Nenhuma.

8. Vosso corpo morreu há muito tempo?

– Sim, há vários anos.

9. O que éreis em vida?

– Uma criança morta aos oito anos.

10. Como Espírito, sois feliz ou infeliz?

– Feliz; não tenho nenhuma preocupação pessoal, não sofro senão pelos outros. É verdade que sofro muito por eles.

11. Fostes vós que aparecestes na escada à Sra. Mally, sob a forma de um rapaz que ela tomou por um ladrão?

– Não; era um companheiro.

12. E numa outra vez, sob a forma de um cadáver? Isso poderia impressioná-la desfavoravelmente. Foi um passo mal dado que demonstra ausência de benevolência.

– Longe disso em muitos casos; mas neste era para dar à Sra. Mally pensamentos mais corajosos. O que tem um cadáver de apavorante?

13. Tendes, pois, o poder de vos tornar visível à vontade?

– Sim, mas eu disse que não havia sido eu.

14. Sois igualmente estranho às demais manifestações materiais produzidas na casa dela?

– Perdão! Isto sim; foi o que eu me impus junto a ela, como trabalho material; mas realizo outro trabalho muito mais útil e muito mais sério para ela.

15. Poderíeis tornar-vos visível a todo o mundo?

– Sim.

16. Poderíeis tornar-vos visível a um de nós?

– Sim; pedi a Deus que isso possa acontecer; eu o posso, mas não ouso fazê-lo.

17. Se não quiserdes tornar-vos visível, poderíeis dar-nos ao menos uma manifestação, por exemplo, trazer qualquer coisa para cima desta mesa?

– Certamente, mas para que serviria? Para ela é assim que testemunho a minha presença, mas para vós é inútil, pois estamos conversando.

18. O obstáculo não estaria na ausência de um médium, necessário para produzir essas manifestações?

– Não, isso seria um obstáculo insignificante. Frequentemente não vedes aparições súbitas a pessoas que absolutamente não têm mediunidade ostensiva?

19. Todo o mundo, então, é apto a ver manifestações espontâneas?

– Visto que todos os homens são médiuns, sim.

20. Entretanto, não encontra o Espírito, no organismo de certas pessoas, uma facilidade maior para comunicar-se?

– Sim, mas eu vos disse, e deveríeis sabê-lo, que os Espíritos têm o poder por si mesmos; o médium nada é. Não tendes a escrita direta? Para isso é necessário médium? Não, mas apenas a fé e um ardente desejo. Muitas vezes isso ainda se produz à revelia dos homens, isto é, sem fé e sem desejo.

21. Pensais que as manifestações, tais como a escrita direta, por exemplo, tornar-se-ão mais comuns do que o são hoje em dia?

– Certamente; como compreendeis, então, a divulgação do Espiritismo?

22. Podeis explicar-nos o que recebia e comia a menina da Sra. Mally, quando estava doente?

– Maná; uma substância formada por nós, que encerra o princípio contido no maná ordinário e a doçura do confeito.

23. Essa substância é formada da mesma maneira que as roupas e outros objetos que os Espíritos produzem por sua vontade e pela ação que exercem sobre a matéria?

– Sim, mas os elementos são muito diferentes; as porções que formam o maná não são as mesmas que eu consegui para formar madeira ou roupa.

24. [A São Luís] – O elemento tomado pelo Espírito para formar seu maná é diferente do que ele toma para formar outra coisa? Sempre nos disseram que não existe senão um elemento primitivo universal, do qual os diferentes corpos são simples modificações.

– Sim. Isto é, o mesmo elemento primitivo está no espaço, sob uma forma aqui, sob uma outra ali; é o que ele quer dizer. Seu maná é extraído de uma parte desse elemento, que supõe diferente, mas que é sempre o mesmo.

25. A ação magnética pela qual se dá a uma substância – a água, por exemplo – propriedades especiais, tem relação com a do Espírito que cria uma substância?

– O magnetizador não desdobra de forma absoluta senão a sua vontade; é um Espírito que o auxilia, que se encarrega de obter e de preparar o remédio.

26. [Ao Guia] – Há tempos referimos fatos curiosos de manifestações de um Espírito por nós designado pelo nome de louquinho de Bayonne. Conheceis esse Espírito?

– Não particularmente; mas acompanhei o que fizestes com ele e foi somente desse modo que o conheci primeiramente.

27. É um Espírito de ordem inferior?

– Inferior quer dizer mau? Não; quer dizer apenas que não é inteiramente bom, que é pouco adiantado? Sim.

28. Agradecemos por haverdes comparecido e pelas explicações que nos destes.

– Às vossas ordens.

Observação – Esta comunicação nos oferece um complemento àquilo que dissemos nos dois artigos precedentes sobre a formação de certos corpos pelos Espíritos. A substância dada à criança durante a sua enfermidade evidentemente era preparada por eles e tinha como objetivo restaurar-lhe a saúde. De onde tiraram os seus princípios? Do elemento universal, transformado para o uso desejado. O fenômeno tão estranho das propriedades transmitidas pela ação magnética, problema até aqui inexplicado, e sobre o qual tanto se divertiram os incrédulos, está agora resolvido. Realmente, sabemos que não são apenas os Espíritos dos mortos que atuam, mas que os dos vivos igualmente têm a sua cota de ação no mundo invisível: o homem da tabaqueira dá-nos a prova disso. Que há, pois, de admirável em que a vontade de uma pessoa, agindo para o bem, possa operar uma transformação da matéria primitiva e imprimir-lhe determinada propriedade? Em nossa opinião, aí se encontra a chave de muitos efeitos supostamente sobrenaturais, dos quais teremos oportunidade de falar. É assim que chegamos, pela observação, a perceber as coisas que fazem parte da realidade e do maravilhoso.

Mas quem garante que essa teoria seja verdadeira? E aí, como ficamos? Pelo menos ela tem o mérito de ser racional e concordar perfeitamente com os fatos observados. Se algum cérebro humano achar outra mais lógica do que esta, fornecida pelos Espíritos, que sejam comparadas. Um dia talvez reconheçam que abrimos o caminho ao estudo racional do Espiritismo.

“Eu bem que gostaria – dizia-nos certo dia uma pessoa – de ter às minhas ordens um Espírito serviçal, mesmo que tivesse de suportar algumas traquinadas de sua parte.” É uma satisfação que muitas vezes desfrutamos sem perceber, porquanto nem todos os Espíritos que nos assistem se manifestam de maneira ostensiva.

Nem por isso deixam de estar ao nosso lado e, por ser oculta, sua influência não é menos real.



[1] REVISTA ESPÍRITA – agosto/1859 – Allan Kardec

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

TEREZINHA OLIVEIRA DE SOUZA[1]

 


 

Terezinha Oliveira de Souza nasceu em 27 de fevereiro de 1932, em Maceió, Alagoas. Filha de Pedro Oliveira e Energina Oliveira. Posteriormente foi morar em São Miguel dos Campos, uma cidade localizada a aproximadamente 60 km de Maceió.

As famílias, naquela época, eram grandes, e assim teve vinte irmãos. Com isso, sua vida - da infância à juventude - não foi nada fácil. Católica, ensinava o catecismo na igreja local. Impetuosa, aos 19 anos, em 1951, veio para o Rio de Janeiro com dois irmãos para a casa de um tio. Assim, começava a projeção de uma nova trajetória de vida.

Coincidentemente, no Rio conheceu o alagoano Luiz Barbosa, com quem se casou algum tempo depois. Entretanto, dando continuidade a seus estudos, conseguiu entrar para a Faculdade de Humanidades D. Pedro II, em São Cristóvão, Rio de Janeiro. Ali, a desbravadora do conhecimento, se diplomou em Física e Matemática. Dando continuidade à sua formação profissional, formou-se em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ).

Seu marido Luiz, ela o chamava de Lula, mais velho do que Terezinha dez anos. Ele trabalhava na antiga Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro, extinta em 1997. Ela, depois de formada, conseguiu entrar para o serviço público como professora. A essa altura já se encaminhava comunitariamente para dar aula a crianças, em casas de assistência e presidiários, na Penitenciária Frei Caneca, extinta em 2006.

Em 1953, nascia o filho do casal, Roberto Carlos Oliveira de Souza, o Beto. Cresceu e formou-se em Engenharia Civil pela Faculdade da UERJ. Pessoa talentosa para a arte da música, sempre florindo musicalmente os eventos na qual era convidado.

Bem, Terezinha, que antes era católica, em 1962, começava a ter um despertamento para o Espiritismo. Morava em Quintino Bocaiúva, em uma casa de vila. Neste mesmo ano, ao entrar em um prédio, no Rio Comprido, deparou-se com uma senhora toda corcunda que não podia nem se levantar. Depois de conversar com ela, Terezinha desceu no elevador e, ao sair, sentiu os mesmos sintomas da senhora. Chegando em casa, relatou o caso a uma vizinha, que prontamente se ofereceu a levá-la a uma Casa Espírita. Com isso, Terezinha conheceu a Congregação Espírita Francisco de Paula, localizada na Tijuca, à rua Conselheiro Zenha. Segundo Ela, foi pelas portas da mediunidade e a vontade de trabalhar pelo bem, que se tornou espírita.

Nesse contexto, começou um congraçamento com vários confrades e confreiras da doutrina, e isso foi lhe incentivando a fazer algo pelas pessoas, em especial pelas crianças.

Com o passar do tempo, no sentido de comprar um imóvel, Terezinha e seu marido Luiz Barbosa adquiriram dois terrenos em uma Vila chamada Santa Amélia, um bairro periférico de Queimados na época.

Alguns anos depois da sua compra, Terezinha e Luiz Barbosa visitaram o local no sentido de se desfazer dos terrenos. Caminhando pelo bairro de Santa Amélia, perceberam três garotos, de sete e oito anos que vinham em sentido contrário conversando em voz alta, planejando praticar roubos. Isso causou um grande impacto no casal. Ela pensativa falou ao marido – ‘Acho que é melhor não vendermos os terrenos. Vamos utilizá-los para fazer uma instituição assistencial. A obra principal será uma escola. Sinto que este local precisa dessa assistência’. Possivelmente, Terezinha neste momento já estaria sendo intuída pelo espírito de Joanna de Ângelis.

Possuidora das melhores intenções para desenvolver um trabalho humanitário no local, ela e o marido começaram a andar mais por ali para ver as necessidades das pessoas com relação à família, e foram percebendo que o local era de grande necessidade de educação das crianças que ali residiam. Indubitavelmente, a escola evitaria que se tornassem adultos marginalizados. Ali, então, encontrava-se uma área de relevante carência educacional.

As obras começaram. Terezinha e Lula empenharam os seus recursos financeiros para o investimento. Ali, então, estava sendo dada a partida para a construção da escola, que iria ajudar a educar as crianças daquele local.

Na verdade, somente os recursos do casal não eram suficientes para o tamanho do empreendimento. Assim, Terezinha começou a contatar pessoas de boa vontade que pudessem ajudar no seu projeto da edificação da escola. Por essa época morava no Flamengo.

Dessa forma, com a ajuda recebida e os seus próprios recursos, ela e seu marido Luiz conseguiram comprar mais dois terrenos em frente à escola, começando também a construir o prédio onde seria instalado o Centro Espírita Joanna de Ângelis, para dar apoio espiritual à comunidade.

Assim, em 11 de dezembro de 1975 foi fundada a Instituição Espírita Joanna de Ângelis na rua dona Aisa, lotes 232 a 235, bairro de Santa Amélia, na época Distrito de Queimados, com o prédio em construção.

Muitas pessoas começaram a ajudar financeiramente o empreendimento. Assim, o trabalho de construção do prédio da escola continuou ficando pronto, quatro anos depois. A sua inauguração ocorreu no dia 6 de fevereiro de 1980, com a presença de Divaldo Franco e Deolindo Amorim.

A escola começou a funcionar, mas era preciso mantê-la. Nesse contexto, Terezinha conseguiu formar um grupo de pessoas, dando início a várias atividades, como bazares e almoços fraternos, angariando fundos para o seu empreendimento.

Pedia ajuda a pessoas amigas e conhecidas, e com muita dificuldade continuava as suas atividades para conseguir verba para a escola. A partir de então, começou a receber doações para o almoço e os lanches dos alunos, que tinham, assim, alimentação e estudo, sem pagar nada por isso. O mais difícil era o pagamento dos professores. E lá ia ela, incansável, à procura de recursos para saldar os salários dos funcionários não voluntários.

Apesar da dificuldade enfrentada, no dia certo conseguia arrecadar o dinheiro, dando conta de seus compromissos, cumprindo o seu objetivo, que era o de tirar das ruas as crianças que não tinham como estudar naquela comunidade.

Aos poucos, foi conseguindo levar a educação e a moral para aquelas crianças que, com o passar do tempo, se tornaram adolescentes trabalhando como voluntários na escola. E lá ia a inesgotável missionária atrás de recursos, onde pessoas e empresas conhecedoras do seu trabalho passaram a ajudar na manutenção da escola.

Alguns anos depois, com as doações que foi recebendo e recursos próprios, ampliou a escola construindo o segundo andar, uma quadra de futebol e vôlei e um auditório.

Foram passando-se os anos, e a eminente escola, localizada em Japeri, reluzia pela sua grande luz, dando mostras de um ambiente de paz.

Indubitavelmente, o projeto iniciado e continuado por Terezinha Oliveira tem o objetivo de que as crianças que ali residem possam ter auxílio educacional e humanitário. Atualmente, estudam na Escola Espírita Joanna de Ângelis, aproximadamente, 120 alunos em regime de horário integral, promovendo educação formal e complementar, do maternal ao 5° ano para as crianças e adolescentes que vivem no local.

Desencarnou no dia 17 de junho de 2021. Seu sepultamento ocorreu no dia seguinte, no Cemitério Vale da Saudade, em Queimados, distante quatro km da Escola Espírita Joana de Ângelis. Uma multidão de pessoas foi até ao local homenageá-la. Muitas mães, alunos da escola e pessoas amigas que a admiram.

Esta, portanto, é a vida e obra de Terezinha Oliveira de Souza, uma alagoana de fibra. A ação de eficiente educação para aquela comunidade revelou um grandioso trabalho de dedicação, abnegação e desprendimento da diretora da escola e da instituição, Terezinha Oliveira. Isso porque, por meio do seu comportamento altruísta, conduziu uma relevante quantidade de crianças, que se tornaram pessoas de bem, sendo educadas por meio de ensinamentos que as conduziram a profissões dignas, que lhes trouxeram respeito com relação à comunidade, pelas diretrizes morais que aprenderam.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

 


NEUROIMAGEM E PSI[1]

Michael Duggan

 

Os avanços recentes na tecnologia de imagem cerebral têm sido explorados em diversas linhas de pesquisa parapsicológica.

 

Pressentimento

Em um estudo de 2002 realizado por Bierman e Scholten, os efeitos do pressentimento no cérebro foram investigados utilizando ressonância magnética funcional (RMf). Dez participantes visualizaram sequências aleatórias de imagens emocionais e neutras. As participantes do sexo feminino apresentaram diferenças significativas na atividade cerebral antes da exposição às imagens assustadoras em comparação com as imagens neutras (p = 0,05). Quando os participantes do sexo masculino foram testados, demonstraram aumento da atividade cerebral antes da visualização de imagens eróticas (p = 0,05).

Bierman demonstrou independentemente o pressentimento de imagens eróticas (p = 0,01)[2].

 

Testando médiuns

Gerard Senehi

Em 2008, um grupo de pesquisadores indianos examinou a atividade cerebral de  Gerard Senehi, um médium indiano de 46 anos, usando ressonância magnética funcional (RMf). O indivíduo tentou descrever um desenho que estava sendo feito por um experimentador em uma sala diferente, e descobriu-se que sua descrição era significativamente mais precisa do que a fornecida por uma pessoa de controle sem habilidades psíquicas. Além disso, o exame de RMf do médium revelou uma atividade significativamente maior no giro parahipocampal direito do que o normal. Essa área do cérebro está associada à consciência espacial e à memória, indicando quais processos estavam ativos durante o teste[3].

 

Ingo Swann

No final da década de 1990, Ingo Swann foi extensivamente testado por Michael A. Persinger , que investigou os correlatos neurais do sucesso na visão remota. Um teste inicial de EEG revelou um pico notável na faixa de 7 Hz, medido nos lobos occipitais. Em seguida, uma ressonância magnética funcional (RMf) de seu cérebro encontrou características incomuns na região parieto-occipital do hemisfério direito. Testes adicionais mostraram que a capacidade de visão remota de Swann poderia ser aprimorada pela aplicação de um campo magnético[4]. 

 

De cérebro para cérebro

Leanna Standish, da Universidade Bastyr, conduziu experimentos com pares emocionalmente ligados, como casais e gêmeos. Em seu primeiro experimento, picos de EEG na atividade neural de um indivíduo foram sincronizados com os da leitura de EEG de outra pessoa localizada remotamente quando esta era exposta a uma luz intermitente ou ruído alto[5].

Esses resultados foram replicados usando ressonância magnética funcional (RMf). Um membro do casal participante, após ter sido blindado elétrica e magneticamente, recebeu um estímulo na forma de um padrão quadriculado intermitente. O outro foi colocado em um scanner usando óculos de isolamento sensorial e monitorado quanto a alterações na atividade cerebral. Correlações entre os dois foram encontradas em um nível estatisticamente significativo (p = 0,001)[6]. 

 

Moulton e Kosslyn

O psicólogo de Harvard, Stephen Kosslyn, e Samuel Moulton publicaram um estudo de grande repercussão investigando a telepatia. Dezenove pares de indivíduos que compartilhavam um vínculo emocional foram recrutados, um atuando como o "emissor", a pessoa que transmite um alvo emocional para o outro, o "receptor". Perto do final da sessão, o receptor escolhe qual das duas imagens é o alvo. A precisão do palpite foi quase exatamente aleatória (49,9%), e não houve diferenças significativas na atividade cerebral entre acertos e erros. Uma pessoa demonstrou diferenças cerebrais bastante pronunciadas (p = 0,001), mas isso foi descartado como artefato[7].

 

Danos cerebrais e psi

Morris Freedman é um neurologista de Toronto que realizou experimentos sugerindo que os efeitos psi podem ser prevalentes em indivíduos com danos cerebrais no lobo frontal. Em pesquisas anteriores, ele forneceu evidências robustas de um efeito de aumento da PK de lesões no lobo frontal, que se acredita ocorrer por meio da redução da autoconsciência[8].  Em um segundo estudo importante, realizado mais de uma década após o trabalho original, Freedman e seus colegas tentaram identificar regiões específicas do cérebro frontal que podem inibir a expressão psi. De forma semelhante à pesquisa anterior, a tarefa experimental consistia em influenciar a saída de um gerador de eventos aleatórios, traduzida no movimento de uma seta na tela do computador, para a direita ou para a esquerda. Em dois participantes que apresentaram um efeito PK significativo ao mover a seta para a direita, a perda de volume frontal foi determinada por meio de ressonância magnética (RM) cerebral. A principal área de sobreposição das lesões em ambos os pacientes localizava-se na região frontal média esquerda, que corresponde de perto às regiões do lobo frontal associadas à autoconsciência. O efeito PK significativo ao mover a seta para a direita foi contralateral ao lado da lesão primária.

Notavelmente, os tamanhos do efeito foram muito maiores em participantes com danos no lobo frontal em comparação com participantes normais. Freedman e colegas concluíram que os lobos frontais mediais podem atuar como um filtro biológico para inibir o psi por meio de mecanismos relacionados à autoconsciência[9].

 

Análise

Uma revisão de dados de neuroimagem psi foi realizada em 2013 por Rabeyron, Evrard e Acunzo. Eles consideraram seis estudos de neuroimagem funcional sobre intencionalidade/telepatia à distância, nos quais um indivíduo localizado remotamente tenta enviar informações para um receptor ou simplesmente se concentrar nele; eles também revisaram um estudo de neuroimagem sobre precognição. Eles descobriram que a base de evidências geral era bastante alta, com apenas um estudo negativo, mas concluíram que a qualidade metodológica geral é baixa. Eles fazem várias sugestões para melhorar o rigor experimental, incluindo a introdução de contrabalanço de ensaios, técnicas de randomização adequadas, blindagem adequada entre o receptor e o ambiente externo e recrutamento de participantes suficientes para atingir poder estatístico suficiente[10].

 

Divisão de Estudos Perceptivos

A Divisão de Estudos Perceptivos (DOPS) da Universidade da Virgínia estabeleceu um laboratório de EEG de última geração, o Laboratório de Neuroimagem Ray Westphal , sob a direção de  Edward Kelly  e Ross Dunseath. Esta instalação inclui uma câmara blindada eletromagneticamente e tecnologia avançada de neuroimagem. Os pesquisadores planejam utilizá-la para estudar estados alterados de consciência e percepção extrassensorial (psi) , experiências fora do corpo (OBE) , meditação avançada e percepção extrassensorial (psi), mediunidade em transe e percepção extracorpórea (PK) em indivíduos talentosos[11].

 

Literatura

§  Acunzo, D., Evrard, R., & Rabeyron, T. (2013). Anomalous experiences, psi and functional neuroimaging. Frontiers in Human Neuroscience 7: 893.

§  Alexander, C.H., Persinger, M.A., Roll, W.G., & Webster, D.L. (1998). EEG and SPECT data of a selected subject during psi tasks: The discovery of a neurophysiological correlate. Proceedings of the 41st Annual Convention of the Parapsychological Association. Durham, North Carolina, USA.

§  Bierman, D., & Scholte, H. (2002). Anomalous anticipatory brain activation preceding exposure of emotional and neutral pictures. Journal of International Society of Life Information Science, 380-88.

§  Broderick, D., & Goertzel, B. (eds.) (2015). Evidence for Psi: Thirteen Empirical Research Reports. Jefferson, North Carolina, USA: McFarland.

§  Broughton, R.S. (1975). Psi and the two halves of the brain. Journal of the Society for Psychical Research 48, 133-147.

§  Charman, R.A. (2006). Direct brain to brain communication: Further evidence from EEG and fMRI studies. Paranormal Review 40, 3- 9.

§  Charman, R.A. (2009). Identical twins, telepathy, and an experiment to ‘resolve the psi debate’ once and for all. Paranormal Review 51, 25-31.

§  Freedman, M., Binns, M., Comishen, M., Strother, S., Chen, R., Cusimano, M.D., Black, S.E., & Alain, C.  (2018). Mind-matter interactions and the brain: A pilot EEG study. Proceedings of the 37th Annual meeting of the Society for Scientific Exploration. Broomfield, Colorado, USA.

§  Freedman, M., Binns, M., Gao, F., Holmes, M., Roseborough, A., Strother, S., Vallesi, A., Jeffers, S., Alain, C., Whitehouse, P., Ryan, J. D, Chen, R., Cusimano, M D., & Black, S.E. (2018). Mind-matter interactions and the frontal lobes of the brain: A novel neurobiological model of psi inhibition. EXPLORE: The Journal of Science and Healing 14/1, 76-85.

§  Freedman, M., Jeffers, S., Saeger, K., Binns, M., & Black, S.E. (2003). Effects of frontal lobe lesions on intentionality and random physical phenomena. Journal of Scientific Exploration 17, 651-68.

§  Kittenis, M., Caryl, P. G. & Stevens, P. (2004). Distant psychophysiological interaction effects between related and unrelated participants. Proceedings of the 47th Annual Convention of the Parapsychological Association, Raleigh, North Carolina, USA.

§  Lavoie, A. (2008). Neuroimaging fails to demonstrate that ESP is real. [Unpublished manuscript.]

§  Moulton, S. T., & Kosslyn, S. M. (2008). Using neuroimaging to resolve the psi debate. Journal of Cognitive Neuroscience 20, 182-92.

§  Persinger, M.A., Roll, W.G., Tiller, S.G.  Koren, S.A., & Cook, C.M. (2002). Remote viewing with the artist Ingo Swann: neuropsychological profile, electroencephalographic correlates, magnetic resonance imaging (MRI), and possible mechanisms. Perceptual and Motor Skills 94/3, 927-49.

§  Richards, T., Kozak, L., Johnson, C., & Standish, L. (2005). Replicable functional magnetic resonance imaging evidence of correlated brain signals between physically and sensory isolated subjects. Journal of Alternative and Complementary Medicine 11, 955-63.

§  Standish, L.J., Johnson, L.C., Kozak, L., & Richards, T. (2003). Evidence of correlated functional magnetic resonance imaging signals between distant human brains. Alternative Therapies in Health and Medicine 9, 122-28.

§  Standish, L.J., Kozak, L., Johnson, C., & Richards, T. (2004). Electroencephalographic evidence of correlated event-related signals between the brains of spatially and sensory isolated human subjects. Journal of Alternative and Complementary Medicine 10, 307-14.

§  Stanford, R.G. (1971). EEG alpha activity and ESP performance: A replicative study. Journal of the American Society for Psychical Research 65, 144-154.

§  Stanford, R.G. (2006). Making sense of the extrasensory: Modeling receptive psi using memory-related concepts. European Journal of Parapsychology 21, 122-147.

§  Torkelson, C., Sweet, E., Martzen, M., Sasagawa, M., Wenner, C., Gay, J., & Standish, L. (2012). Phase 1 clinical trial of trametes versicolor in women with breast cancer. ISRN Oncology 12, 1-7.

§  Venkatasubramanian, G., Jayakumar, P.N., Nagendra, H.R., Nagaraja, D.D.R., & Gangadhar, B.N. (2008). Investigating paranormal phenomena: Functional brain imaging of telepathy. International Journal of Yoga 1, 66–71.

§  Wackermann, J., Seiter, C., Keibel, H., & Walach, H. (2003). Correlations between brain electrical activities of two spatially separated human subjects. Neuroscience Letters 336, 60-64.

§  Warren, C.A., McDonough, B.E., & Don, N.S. (1992a). Event-related brain potential changes in a psi task. Journal of Parapsychology 56, 1-30.

§  Warren, C.A., McDonough, B.E., & Don, N.S. (1992b). Partial replication of single subject event-related potential effects in a psi task. Proceedings of the 35th Annual Convention of the Parapsychological Association, Durham, North Carolina, USA.

§  White, R.A. (1964). A comparison of old and new methods of response to targets in ESP experiments. Journal of the American Society for Psychical Research 58, 21-56.

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Bierman e Scholten (2002).

[3] Venkatasubramanian et al. (2008).

[4] Persinger, et al. (2002).

[5] Standish et al. (2004).

[6] Standish et al. (2005).

[7] Moulton e Kosslyn (2008).

[8] Freedman, et al. (2003).

[9] Freedman (2018).

[10] Acunzo, et al. (2013).