sexta-feira, 29 de maio de 2026

AGORA E DEPOIS: VIVER O PRESENTE SEM ANSIEDADE ESPIRITUAL É POSSÍVEL?[1]

 


Wilson Garcia - maio 24, 2026

 

Uma reflexão sobre o Espiritismo, a herança religiosa e o desafio contemporâneo de reconciliar tempo, consciência e existência.

 Durante séculos, a humanidade foi educada a viver sob a sombra do futuro. Não de um futuro qualquer, mas de um futuro absoluto: o destino final da alma. Céu ou inferno, salvação ou perdição, prêmio ou castigo — categorias que moldaram não apenas sistemas religiosos, mas a própria psicologia coletiva.

Nesse contexto, a vida presente tornou-se, frequentemente, um espaço de transição. Vive-se aqui, mas espera-se ali. Age-se agora, mas projeta-se depois. A felicidade, por sua vez, foi deslocada para além da experiência imediata, convertendo-se em promessa.

Essa lógica, profundamente enraizada nas religiões dogmáticas, produziu uma mentalidade que ainda hoje resiste: a dificuldade de viver plenamente o presente sem ansiedade quanto ao destino espiritual futuro.

Mas o Espiritismo — surgido no século XIX com Allan Kardec — propõe uma inflexão nesse paradigma. A questão que se impõe, então, é inevitável: é possível viver intensamente o presente sem se preocupar com a vida futura?

 

A pedagogia do adiamento: religião e a promessa de felicidade futura

A tradição religiosa ocidental construiu uma pedagogia do tempo baseada na espera. Sofrer agora para ser feliz depois. Renunciar hoje para alcançar a eternidade. Submeter-se no presente para garantir a salvação.

Essa estrutura não é apenas teológica — é psicológica e social.

Friedrich Nietzsche denunciou esse mecanismo como uma forma de negação da vida, uma moral que desloca o valor da existência para além dela mesma. Já Karl Marx interpretou essa promessa como uma compensação simbólica diante das injustiças materiais: a religião como alívio, mas também como adiamento.

Em ambos os casos, a crítica converge: a vida presente é esvaziada quando subordinada integralmente a um futuro idealizado.

Ao emergir no século XIX, o Espiritismo não apenas contesta dogmas — ele reconfigura a própria estrutura do tempo espiritual.

Para Kardec, não há condenações eternas nem recompensas arbitrárias. O que existe é um processo contínuo de evolução, no qual cada existência é etapa de um desenvolvimento mais amplo.

A vida futura, portanto, não é um evento isolado, mas prolongamento natural da vida presente.

Essa concepção desloca o eixo da preocupação: não se trata de temer um julgamento final, mas de compreender que o futuro já está sendo tecido no presente. Nesse sentido, a ansiedade perde lugar para a responsabilidade.

 

Entre a ansiedade e a consciência: dois modos de viver o tempo

A questão central não é apenas teórica — ela é existencial. Como viver, então? Podemos distinguir dois modos fundamentais:

1.       A vida sob ansiedade espiritual – caracteriza-se por medo de punição, obsessão por mérito, culpa recorrente e vigilância constante de si. Esse modelo, embora presente em práticas religiosas, é pouco compatível com a proposta espírita de evolução gradual.

2.       A vida sob consciência espiritual – aqui encontramos responsabilidade sem medo, ética sem angústia, ação presente com sentido e confiança no processo evolutivo.

Essa postura não ignora o futuro — ela o integra de forma serena. Se, por um lado, o medo do futuro pode aprisionar, por outro, sua negação pode empobrecer a existência. Na contemporaneidade, marcada pelo imediatismo e pela cultura da experiência instantânea, surge uma reação: “Viva o presente e não pense no depois”.

Embora sedutora, essa ideia pode conduzir a um esvaziamento ético. Sem horizonte, o presente pode tornar-se apenas consumo, impulso ou distração. O Espiritismo não propõe essa ruptura. Ao contrário, ele sustenta uma visão ampliada do tempo, em que o presente é significativo, o futuro é continuidade e o passado é aprendizado.

A filosofia contemporânea oferece instrumentos valiosos para aprofundar essa reflexão. Martin Heidegger, ao tratar do ser humano como um “ser-no-tempo”, propõe que a autenticidade nasce da relação equilibrada com o futuro. Não se trata de ignorá-lo, nem de temê-lo, mas de reconhecê-lo como dimensão constitutiva da existência.

O futuro, nesse sentido, não é ameaça — é horizonte de sentido. Essa leitura dialoga profundamente com a visão espírita: viver o presente não apesar do futuro, mas à luz dele. Diante dessas tensões, podemos propor uma síntese que preserva tanto a riqueza do presente quanto a profundidade do futuro: Viver intensamente o presente, com a consciência de que ele participa de uma existência maior.

Essa formulação evita dois extremos: o da ansiedade religiosa e o da superficialidade contemporânea. Ela afirma uma vida plena, mas responsável; livre, mas consciente e presente, mas contínua.

 

Conclusão — quando o futuro deixa de ser problema

Talvez a questão inicial precise ser reformulada. Não se trata de perguntar se é possível viver sem se preocupar com o futuro espiritual, mas sim: é possível viver de tal modo que o futuro espiritual deixe de ser uma preocupação?

No horizonte espírita, a resposta tende a ser afirmativa. Porque, quando a vida é vivida com lucidez, ética e consciência, o futuro deixa de ser ameaça — e passa a ser apenas continuidade.

 

Para saber mais:

§  KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.

§  DENIS, Léon. Depois da Morte.

§  PIRES, José Herculano. Educação para a Morte.

§  HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo.

§  NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da Moral.

§  MARX, Karl. Crítica da Filosofia do Direito de Hegel.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

INFANTICÍDIO COMO COSTUME[1]

 


Miramez

 

Assassínio

Como se explica que entre alguns povos, já adiantados sob o ponto de vista intelectual, o infanticídio seja um costume e esteja consagrado pela legislação?

O desenvolvimento intelectual não implica a necessidade do bem. Um Espírito, superior em inteligência, pode ser mau. Isso se dá com aquele que muito tem vivido sem se melhorar: apenas sabe.

Questão 751 / O Livro dos Espíritos

 

Nos dias atuais, o infanticídio é permitido por lei, entre alguns povos intelectualmente desenvolvidos, sob o nome de aborto legal.

É a crueldade exteriorizada pela alma presa em sentimentos inferiores, dominada pelas paixões brutais, com grande experiência nas trevas.

É o progresso intelectual defasado do progresso moral que alarga as possibilidades de criações voltadas para o mal.

Em tempos idos, crianças eram sacrificadas aos deuses pagãos, por influência de falanges das trevas, que se utilizavam de homens distanciados do amor.

Foi por essa razão também que Jesus desceu à Terra, a nos dar a lição de amor, e em certa época mostra uma criança como símbolo do reino dos céus.

O desenvolvimento intelectual não implica em progresso dos sentimentos, ficando esquecido o amor, para se apoiar somente na justiça feita pelas mãos dos próprios homens.

Pedimos a Deus que no terceiro milênio possam os Espíritos e os encarnados inaugurarem a reforma bendita na sua intimidade. Foi para isso que a Doutrina dos Espíritos surgiu na Terra, pelas mãos de Jesus Cristo, e foi nesse sentido que Ele disse:

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

A paz de Jesus é diferente da paz do mundo, desta paz com a qual os homens estão acostumados, de facilidades que se apoiam nos bens materiais. A paz de Jesus é a paz de consciência, nascida do esforço próprio. É por isso que Ele é, por excelência, o nosso Mestre.

Jesus veio destruir todas as leis humanas que não se apoiavam no amor, desfazendo todos os sentimentos onde a hipocrisia se salientava e a desonestidade mostrava o caráter das pessoas, mostrando o Mestre que tudo pertencia a Deus, que tudo que os homens possuíam era apenas empréstimo, pela misericórdia do Pai.

O desenvolvimento intelectual é necessário, mas que o amor possa dirigi-lo, para que haja equilíbrio das emoções. Devemos esquecer o passado que não esteja convenientemente inspirado no amor, porque somente o amor salva as criaturas de todas as transgressões.



[1] FILOSOFIA ESPÍRITA – Volume 15 – João Nunes Maia

quarta-feira, 27 de maio de 2026

COIN APPORTS - O Caso da Cidade do México[1]

 


Michael Duggan

 

Os apports de moedas são uma forma especializada de fenômenos de "apport", nos quais moedas supostamente aparecem sem uma fonte ou causa normal óbvia. Este artigo centra-se num caso recente na Cidade do México e compara-o com exemplos históricos mais gerais de apports, destacando tanto o interesse probatório desses relatos quanto os problemas metodológicos que representam para os pesquisadores.

§  Um caso recente na Cidade do México está entre as investigações modernas de contrabando de moedas mais bem documentadas, com 42 ocorrências registradas durante um inquérito que durou um ano.

§  Relatos históricos envolvendo Indridi Indridason e Lajos Pap sugerem que os apports de objetos são muito anteriores ao caso do México, embora as condições de controle tenham variado bastante.

§  A pesquisa sobre o tema do apport continua sendo metodologicamente complexa: a vigilância pode fortalecer a documentação, mas a espontaneidade, as restrições à privacidade e a possibilidade de fraude permanecem problemas centrais.

 

Introdução

Apports são um tipo de fenômeno de materialização que envolve o suposto aparecimento paranormal de objetos físicos. O termo deriva do francês apporter, que significa "trazer[2]". Casos de apport foram relatados em diversas culturas e períodos históricos. Os objetos variam de pequenos itens, como moedas, a criaturas vivas. A maioria dos casos tradicionais ocorreu durante sessões espíritas, mas relatos recentes têm surgido envolvendo indivíduos não médiuns[3].

Os apports de moedas representam um subconjunto específico de fenômenos de apport. Moedas aparecem espontaneamente em locais onde não existe uma fonte convencional. Frequentemente, as moedas chegam em perfeito estado de conservação e, às vezes, incluem exemplares raros que parecem estatisticamente improváveis[4]. O caso de apport de moedas moderno mais amplamente documentado envolveu um casal perto da Cidade do México, investigado por Ramsés D'León, Alfredo Silva e Alex A. Álvarez da Unidad Parapsicológica de Investigación, Difusión y Enseñanza (UPIDE) após encaminhamento do Rhine Research Center, em 2021 e 2022[5]. A equipe realizou sua investigação em duas fases: a primeira, que denominaram uma "abordagem metodológica" para pesquisa in loco; a segunda, consultas com médiuns na esperança de melhor compreender a dinâmica psicológica envolvida.

 

Fase 1: Abordagem Metodológica

Fundo

'HM' tinha quase 60 anos, enquanto sua esposa 'LS' tinha 45 anos na época. Nenhum dos dois se identificava como médium ou praticava atividades espiritualistas[6]. Entre junho de 2021 e julho de 2022, D'León, Silva e Álvarez documentaram 42 eventos de apport em sua casa. Em 2012, HM sofreu uma lesão cerebral leve que afetou os lobos frontal e temporal. Os exames neurológicos, no entanto, mostraram funções normais. As avaliações psicológicas identificaram episódios depressivos e Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), mas nada mais grave[7].

 

Metodologia

A investigação utilizou uma estratégia de pesquisa cooperativa na qual HM e LS participaram como pesquisadores ativos, e não como sujeitos passivos. O potencial de viés foi reduzido pelo uso de seis câmeras de vigilância de alta definição instaladas em toda a residência. As câmeras criaram campos de visão sobrepostos nos locais onde os fenômenos ocorriam com maior frequência, a fim de maximizar as condições de observação. As câmeras foram conectadas a computadores locais e a sistemas de armazenamento de dados em nuvem[8] .

Diversos eventos de apport foram registrados em vídeo. Moedas apareceram repentinamente no campo de visão da câmera, sem nenhum mecanismo de entrega visível. Nos casos mais convincentes, as moedas pareciam se materializar no ar. O som característico de uma moeda caindo em uma superfície dura também foi ouvido de 1,5 a 2 segundos antes do objeto se tornar visível ali[9] .

 

Análise Numismática

As moedas distribuídas apresentavam características distintas, com a maioria aparentando estar em estado de conservação impecável. A análise numismática revelou uma sobrerrepresentação estatisticamente significativa de moedas comemorativas mexicanas de 20 pesos (p < 0,001). Essas moedas representam apenas 0,51% de todas as moedas em circulação no México. No entanto, elas constituíam uma porcentagem desproporcional dos exemplares distribuídos[10].

As outras moedas eram originárias de vários países que HM e LS haviam visitado, incluindo rupias indianas, pesos colombianos e euros. Coroas checas também apareceram, embora nem HM nem LS tivessem viajado para a República Checa[11].

D'León, Silva e Álvarez propuseram que os padrões poderiam conter simbolismo psicológico. HM mantinha uma coleção de moedas da infância, mas a família havia passado por dificuldades financeiras significativas antes do fenômeno. O aparecimento de moedas comemorativas raras poderia refletir processos psicocinéticos inconscientes, especularam os pesquisadores[12].

 

Desafios técnicos

A investigação enfrentou desafios técnicos. As desconexões das câmeras ocorreram com frequência crescente após outubro de 2021, às vezes quando nem HM nem LS estavam presentes. A análise de vídeo confirmou que nenhuma entidade visível se aproximou das conexões das câmeras antes da interrupção da transmissão. Além de moedas, outros objetos apareceram ocasionalmente. Entre eles, material vegetal, pedaços de papel com texto incompreensível e uma medalha do Papa Francisco[13].

 

Conclusões

Os pesquisadores concluíram que as evidências refutavam fortemente a hipótese de fraude intencional. A investigação destacou possíveis influências psicocinéticas inconscientes, como as associadas a muitos surtos de poltergeist, que também tendem a estar relacionadas a estados emocionais e psicológicos. O histórico de lesão cerebral de HM foi considerado potencialmente relevante. O estudo enfatizou o rigor metodológico e as abordagens interdisciplinares[14].

 

Fase 2: Abordagem Mediúnica

Após vários meses de trabalho na casa de HM e LS, D'León, Silva e Álvarez chegaram ao limite do que podiam aprender com sua abordagem metodológica e decidiram abordar o caso de uma maneira diferente. Eles queriam tentar responder às perguntas que HM e LS persistentemente levantavam, mas para as quais suas técnicas não eram adequadas. Uma dessas perguntas era: por que esses fenômenos estavam acontecendo ao redor deles? Eles haviam sido escolhidos e, portanto, eram especiais de alguma forma significativa? Havia mensagens que eles deveriam levar em consideração ou ações que deveriam realizar?

Consequentemente, os investigadores conceberam um segundo estudo, envolvendo médiuns. Consultaram três médiuns – um dos quais era certificado pelo Windbridge Research Center – e um canalizador, nenhum dos quais tinha tido qualquer conhecimento prévio de HM e LS ou sabia nada sobre os apports. Após uma série inicial de sessões em que D'León explicou o processo aos praticantes, estes foram apresentados a HM, LS e membros disponíveis da equipa de investigação através de entrevistas online. O relatório publicado afirma:

Uma das médiuns ouviu a palavra "Santería" (em espanhol), que é uma religião afro-americana derivada do iorubá, embora nunca a tivesse ouvido antes, nem soubesse o seu significado. Outra médium disse que LS não estava respondendo ao chamado relacionado às suas raízes iorubás.

Os três médiuns concordaram que havia uma consciência não humana ligada aos fenômenos, e dois deles mencionaram que não havia más intenções. Dois deles disseram que tanto HM quanto LS eram cocriadores dos estranhos fenômenos que ocorriam em sua casa.

Um médium mencionou que LS era a principal “força” ou “combustível” do fenômeno, enquanto os outros dois concordaram que HM era o gatilho, o que pode ser corroborado por casos em que um apport foi associado a seus estados emocionais[15].

Infelizmente, HM e LS optaram por não prosseguir para uma segunda rodada de entrevistas e não quiseram que o médium os visitasse em casa para tentar fazer contato com a suposta entidade desencarnada envolvida. A fase mediúnica da investigação, portanto, chegou a uma conclusão insatisfatória.

 

Casos históricos

Esta seção apresenta outros fenômenos de apport para comparar com a experiência de HM e LS.

 

Indridi Indridasson (1883–1912)

Indridi Indridason foi um médium físico islandês que produziu fenômenos comparáveis ​​aos de D.D.Home, embora tenha permanecido relativamente desconhecido fora da Islândia devido ao isolamento geográfico e às barreiras linguísticas[16]. A mediunidade de Indridason desenvolveu-se por volta de 1904, quando ele trabalhava como aprendiz de tipógrafo em Reykjavik e foi convidado a participar de um experimento com uma mesa basculante. A mesa reagiu violentamente enquanto ele estava presente[17].

Uma Sociedade Experimental foi formada para investigar fenômenos relacionados a Indidi. Entre seus membros estavam moradores proeminentes, como Björn Jónsson, que mais tarde se tornou primeiro-ministro da Islândia[18]. Entre 1904 e 1909, a sociedade documentou inúmeros fenômenos[19].

Os apports constituíam uma categoria entre os diversos fenômenos de Indridason. Testemunhas relataram que pedras “choviam” nos cômodos. Pequenos sinos se materializavam e tocavam espontaneamente[20]. Muitos eventos ocorreram em condições de boa iluminação. Isso não era típico de sessões espíritas. Pesquisadores notaram esse fato como significativo[21].

Gudmundur Hannesson submeteu Indridi a um escrutínio minucioso. Hannesson era um médico cético que mais tarde se tornou professor de medicina na University of Iceland. Ele não conseguiu detectar fraude em Indridi e concluiu que "os fenômenos são realidades inquestionáveis[22]".

Em 1909, Indridi contraiu febre tifoide, da qual nunca se recuperou completamente. Ele morreu de tuberculose em 31 de agosto de 1912, aos 28 anos de idade[23].

 

Lajos Pap (1928–38)

O médium húngaro Lajos Pap (1883–1941) produziu fenômenos de apport espetaculares. Elemér Chengery Pap , que criou um “Metapsychical Laboratory” para o estudo de médiuns físicos, investigou-o entre 1928 e 1938 em Budapeste. O resumo da pesquisa de Chengery Pap está entre as maiores monografias de parapsicologia escritas por um único pesquisador[24].

Lajos Pap supostamente transmitia uma extraordinária variedade de objetos. Estes incluíam líquidos, neve, plantas, insetos vivos e vertebrados de até o tamanho de um gavião-peneira[25]. Em 26 de agosto de 1933, ocorreram transmissões documentadas em uma sala trancada. As mãos do médium eram seguradas por pessoas presentes. As transmissões incluíam sete pedras, dezesseis gafanhotos vivos, doze borboletas vivas e dois peixinhos dourados. Uma borboleta foi fotografada imediatamente após a materialização[26].

Chengery Pap desenvolveu controles elaborados, incluindo a busca no médium e o uso de vestes especiais com listras luminosas para detectar movimentos suspeitos. Ele também empregou uma lâmpada verde para exame[27]. Os objetos transportados foram exibidos em um "Museu de Apports" que foi destruído durante o regime comunista após a Segunda Guerra Mundial[28].

A recepção científica à pesquisa de Chengery Pap foi amplamente desfavorável. Nandor Fodor conduziu sessões experimentais em 1935 no International Institute for Psychical Research. Os procedimentos revelaram falhas metodológicas significativas[29]. Theodore Besterman participou de sessões espíritas em 1928, concluindo que os fenômenos eram fraudulentos[30]. Uma análise recente de Michael Nahm conclui que, embora a abordagem de Chengery Pap contivesse falhas substanciais, a autenticidade dos fenômenos de Lajos Pap permanece questionável[31].

 

Desafios metodológicos

Os fenômenos de apport apresentam desafios metodológicos extraordinários para os investigadores. Sua natureza espontânea dificulta o estudo sistemático e a replicação em condições controladas permanece difícil de alcançar[32]. Casos históricos ocorreram em contextos de sessões espíritas onde a escuridão era necessária, o que impedia a observação direta durante momentos cruciais[33].

A vigilância moderna oferece novas possibilidades. O caso da Cidade do México demonstrou tanto o potencial quanto as limitações. As câmeras podem documentar a aparência dos objetos. Desconexões inexplicáveis ​​criam lacunas, no entanto. Considerações sobre privacidade limitam o alcance da vigilância[34].

A fraude continua sendo uma preocupação persistente. Revelações históricas mostraram médiuns escondendo objetos em cavidades corporais. Cavalheiros da era vitoriana eram socialmente impedidos de realizar buscas minuciosas em médiuns mulheres, como observou o neurologista Terence Hines[35]. Heinrich Melzer foi flagrado em 1926. Pequenas pedras foram fixadas atrás de suas orelhas com fita adesiva cor da pele[36].

A investigação da Cidade do México sobre HM e LS abordou a fraude por meio de evidências convergentes. A análise numismática revelou padrões difíceis de serem forjados. A sobrerrepresentação estatística de moedas raras exigiria aquisição seletiva. Moedas de países não visitados representaram desafios logísticos. A documentação em vídeo reforçou a tese contra a fraude[37].

Fatores psicológicos e neurológicos devem ser considerados na avaliação de casos desse tipo. O caso da Cidade do México envolveu um indivíduo com lesão cerebral documentada, o que levanta questões sobre as relações entre anomalias neurológicas e fenômenos psi. O trauma cerebral facilita a cinesiologia inconsciente? O estresse psicológico desencadeia eventos de apport?[38] Essas questões permanecem sem resposta, mas existem experimentos de Morris Freedman que mostram certos déficits neurológicos associados à influência da cinesiologia em sistemas aleatórios sob condições controladas[39].

 

Status atual

A investigação sistemática dos fenômenos de apport ainda é rara. A maioria das pesquisas parapsicológicas tem se desviado das investigações de campo para estudos micro-PK em laboratório, que oferecem melhor controle experimental, mas sacrificam a validade ecológica e o caráter dramático dos eventos macro-PK[40].

O caso da Cidade do México, publicado em 2025, representa uma das investigações de campo sobre apport mais rigorosas das últimas décadas. O estudo empregou uma metodologia de investigação cooperativa que tratou os participantes como colaboradores ativos, e não como sujeitos passivos[41]. Pesquisas futuras enfrentam o desafio de equilibrar o rigor com eventos espontâneos. A parapsicologia observacional pode complementar o trabalho experimental, embora possa se beneficiar da colaboração interdisciplinar que integre parapsicologia, psicologia, neurologia e ciências ambientais[42].

 

Obras citadas

§  Braude, S. (2019). Review of the book JOTT: When Things Disappear and Come Back or Relocate—and Why It Really Happens by M. R. Barrington. Journal of Scientific Exploration 33/1, 128-31.

§  D’León, R., Silva, A., & Álvarez, A. (2025). Investigating coin-based apports: A methodological approach to non-mediumistic recurrent physical anomalies. Journal of the Society for Psychical Research 89/4, 193-224.

§  Freedman, M., Binns, M., Comishen, M., Strother, S., Chen, R., Cusimano, M.D., Black, S.E., & Alain, C. (2018). Mind-matter interactions and the brain: A pilot EEG study. Proceedings of the 37th Annual Meeting of the Society for Scientific Exploration.

§  Hannesson, G. (1924). Remarkable phenomena in Iceland. Journal of the American Society for Psychical Research 18, 239-72.

§  Haraldsson, E. (2018). Indridi Indridason (medium). Psi Encyclopedia. [Web page, last updated 8 February 2026.]

§  Hines, T. (2003). Pseudoscience and the Paranormal (2nd ed.) Amherst, New York, USA: Prometheus Books.

§  Nahm, M. (2019). Out of thin air? Apport studies performed between 1928 and 1938 by Elemér Chengery Pap. Journal of Scientific Exploration 33/4, 683-737.

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Nahm (2019).

[3] D'León et al. (2025).

[4] D'León et al. (2025).

[5] D'León et al. (2025).

[6] D'León et al. (2025).

[7] D'León et al. (2025).

[8] D'León et al. (2025).

[9] D'León et al. (2025).

[10] D'León et al. (2025).

[11] D'León et al. (2025).

[12] D'León et al. (2025).

[13] D'León et al. (2025).

[14] D'León et al. (2025).

[15] D'León et al. (2025), 212-13.

[16] Haraldsson (2018).

[17] Haraldsson (2018).

[18] Haraldsson (2018).

[19] Haraldsson (2018).

[20] Haraldsson (2018).

[21] Haraldsson (2018).

[22] Hannesson (1924).

[23] Haraldsson (2018).

[24] Nahm (2019).

[25] Nahm (2019).

[26] Nahm (2019).

[27] Nahm (2019).

[28] Nahm (2019).

[29] Nahm (2019).

[30] Nahm (2019).

[31] Nahm (2019).

[32] Braude (2019).

[33] Braude (2019).

[34] D'León et al. (2025).

[35] Hines (2003).

[36] Hines (2003).

[37] D'León et al. (2025).

[38] D'León et al. (2025).

[39] Freedman et al. (2018).

[40] Braude (2019).

[41] D'León et al. (2025).

[42] D'León et al. (2025).