segunda-feira, 8 de junho de 2026

EMMA HARDINGE BRITTEN[1]

 


K.M. Wehrstein

 

O Espiritismo do século XIX avançou não apenas por meio de sessões espíritas, mas também por meio de incansáveis palestrantes, editores e organizadores, e Emma Hardinge Britten esteve próxima ao centro dessa expansão. Musicista, médium, escritora e ativista, ajudou a levar ideias espiritualistas pela Grã-Bretanha, América e além, ao mesmo tempo em que moldava a cultura impressa da empresa.

 

§  Emma Hardinge Britten se movia com incomum facilidade entre performance, mediunidade, jornalismo, palestras públicas e construção de movimentos.

§  Ela colaborou com H.P. Blavatsky na fundação da Sociedade Teosófica em 1875, antes que a aliança se dissolvesse em rivalidade.

§  Sua carreira posterior combinou aulas missionárias com edição, escrita prática sobre ocultismo e grandes obras autobiográficas e históricas sobre o Espiritismo.

 

Vida

Emma Hardinge Britten nasceu Emma Floyd em 2 de maio de 1823 em Bethnal Green, uma paróquia perto de Londres. Ela era a filha mais velha sobrevivente de Anne Sophia Bloomfield e Ebenezer Floyd, cuja ocupação é descrita de diversas maneiras como marinheiro, professor e boticário (portanto, ele pode ter sido os três)[2]. Não se sabe como ela adquiriu o nome do meio Hardinge: possivelmente era um nome artístico, embora alguns levantem a hipótese de que ela teve um breve e malsucedido primeiro casamento. Quando criança, Emma demonstrou grande talento musical. Segundo seu próprio relato, ela também demonstrou habilidades mediúnicas e precognitivas[3].

Ebenezer Floyd morreu em 1934, depois que a família se mudou para Bristol. Aos onze anos, para sustentar a mãe e os dois irmãos sobreviventes, Emma começou a ganhar dinheiro ensinando música e se apresentando como cantora e pianista; sua estreia pública foi noticiada no Bristol Mercury em 29 de novembro de 1838. Na adolescência, ela também publicou músicas sob um pseudônimo masculino. Em 1840, enviada a Londres para construir sua carreira sob a tutela de um empresário, ela se envolveu com um grupo de ocultistas conhecido como o "Círculo Órfico", que usava crianças como "clarividentes e sonâmbulos[4]" e provavelmente exerceram forte influência sobre ela. Aos dezenove anos, ela já era atriz, apresentando-se nos teatros Covent Garden, Sadler's Wells e Adelphi, e em Paris.

Convidada a se apresentar na Broadway, em 1855, Britten viajou para Nova York com sua mãe e permaneceu nos Estados Unidos por dez anos. Durante esse período, ela se juntou ao movimento espiritualista, que crescia rapidamente e foi lançado pelas Irmãs Fox no estado de Nova York. Britten mudou o foco de seu trabalho do palco para o púlpito e a mesa de sessões espíritas, viajando por todos os Estados Unidos para apresentações e sessões. Segundo ela mesma, isso ocorreu a pedido de espíritos insistentes[5]. Ela editou um periódico, organizou um concerto espiritualista e produziu uma coleção de contos. Também se envolveu na política como defensora da abolição da escravatura, dos direitos das mulheres e de outras reformas, e foi uma militante e, posteriormente, oradora em homenagem a Abraham Lincoln[6].

Em 1865, ela retornou à Inglaterra para difundir os ensinamentos do Espiritismo, causando forte impressão; como relatou o autor James Robertson, "Pessoas do meio literário como William Howitt ficaram maravilhadas com a doçura da dicção, o fluxo contínuo de pensamentos elevados e inspiradores, expressos sem preparação ou esforço[7]". Pelo resto da vida, ela alternou entre o Reino Unido e os Estados Unidos em suas palestras, com incursões também no Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Britten começou a se destacar como escritora espiritualista no final da década de 1860; antes disso, a maioria de suas obras publicadas eram transcrições de palestras. Seu livro Rules For The Formation And Conduct Of Spirit Circles (ver Obras abaixo), publicado no Reino Unido em 1868, é seu texto mais reproduzido em ambos os lados do Atlântico, segundo o biógrafo Marc Demarest. Sua primeira grande obra publicada foi um relato de 565 páginas sobre o espiritualismo americano e a polêmica espiritualista, publicado em 1870, intitulado Modern American Spiritualism: A Twenty Years Record Of The Communion Between Earth And The World Of Spirits. Ela continuou a escrever diversas outras obras instrutivas, incluindo mais sobre como conduzir sessões espíritas e manter círculos espirituais, e como investigar manifestações espirituais. Com Alfred Kitson e H.A. Kersey, ela foi coautora de The Lyceum Manual: A Compendium Of Physical, Moral, And Spiritual Exercises For Use In Progressive Lyceums Connected With British Spiritualist Societies, cuja décima sétima edição revisada foi publicada em 1992.

Em 1870, Emma Hardinge casou-se com o homem que a acompanharia em seus esforços espiritualistas pelo resto da vida, William Godwin Britten. Assim como ela, ele era originário da Inglaterra, mais especificamente de Londres, e um espiritualista fervoroso. Em sua certidão de casamento, declarou-se "palestrante". O casal experimentou com eletricidade como método de cura e, de fato, abriu um consultório, o que levou Emma a publicar sobre o assunto. Eles também lançaram uma publicação intitulada The Western Star, que circulou até que seu escritório fosse fechado pelo Grande Incêndio de Boston em 1872[8]. Com obras como Ghost Land; or, Researches into the Mysteries of Occultism, os escritos de Emma se voltaram mais para técnicas ocultistas práticas. Em 1875, ela colaborou com H.P. Blavatsky na fundação da Sociedade Teosófica, mas a rivalidade entre as duas pôs fim à parceria.

Após uma última longa viagem missionária, primeiro à Califórnia e depois à Austrália e Nova Zelândia em 1878 e 1879, os Brittens mudaram-se para Manchester, Inglaterra, onde permaneceram pelo resto de suas vidas. Emma continuou dando palestras mais perto de casa e editou duas publicações (Two Worlds e Unseen Universe). Ela continuou escrevendo até sua morte, incluindo uma autobiografia que foi publicada postumamente. William morreu em 1894 e Emma em 2 de outubro de 1899, aos 76 anos.

 

Biografias

Britten despertou o interesse de muitos biógrafos, sendo celebrada como uma "mulher inteligente" da era vitoriana que transcendeu as restrições impostas pelo sexo e pela classe social para se tornar uma líder de destaque em um movimento rumo a uma revolução espiritual/intelectual.

Entre os biógrafos notáveis ​​estão Lisa Howe, cuja tese de doutorado sobre a vida de Britten foi contextualizada em sua época e na cultura e religião vigentes[9], e Marc Demarest, curador de um abrangente site sobre Britten (veja abaixo); sua biografia é ricamente ilustrada com reproduções de fontes[10].

Sua autobiografia foi compilada a partir de seus diários e publicada por sua irmã Margaret Wilkinson em 1900. Demarest observa que o livro não é isento de falhas: "Ela não contou mentiras deslavadas, mas tergiversou, distorceu e omitiu informações[11]".

 

Legado

Demarest escreve que Emma Britten "dedicava-se a substituir o que considerava uma tradição cristã repressiva e destrutiva por uma nova religião, baseada na sobrevivência da personalidade após a morte e na perfectibilidade – uma fé científica (como ela a via)[12]".

Embora o auge do Espiritismo já tenha passado, ele continua a existir como denominação religiosa no Reino Unido e nos EUA, tendo se espalhado pelo mundo. Sua influência como fonte de ensinamentos permanece forte; por exemplo, os 'sete princípios do Espiritismo' usados ​​pela Spiritualists’ National Union (UK) derivam em grande parte de sete princípios articulados pela primeira vez por Britten em uma palestra no Cleveland Hall, em Londres, em 30 de abril de 1871:

 

I believe in the Fatherhood of God,

The Brotherhood of Man,

The immortality of the Soul,

Personal Responsibility,

Compensation and Retribution hereafter for all the good or evil deeds done here,

And a path of eternal progress open to every human soul that wills to tread it by the path of eternal good[13].

 

Demarest conclui:

Ela e seus pares abriram o canal que permitiu o despejo do rio do oculto no mar da cultura moderna – teórica, mecânica e estruturalmente”. Ele observa que “espiritual, mas não religioso” é agora uma denominação aceita e que “muito do que Emma acreditava… sobrevive em nosso discurso cultural e em nossas próprias visões de mundo individuais – apenas usamos terminologia diferente[14].

 

Publicações selecionadas

         Extemporaneous speaking No. 7: Mrs. Emma Hardinge on spirit mediums (1868). [Extracted from the Brighton Observer (10 April).]

         Rules to be Observed When Forming Spiritual Circles (1868). Boston: Colby and Rich.

         What is Spiritualism? With her directions for the formation and conduct of spirit circles (1868). Address, appended to the Second Annual Report of the Glasgow Association of Spiritualists. Glasgow: H Nisbet.

         Modern American Spiritualism: Twenty Years’ Record of the Communion Between Earth and the World of Spirits (1870). New York: Self-published.

         On The Spirit Circle and the Laws of Mediumship (1871). London: J Burns, Progressive Library and Spiritual Institution.

         Ghost Land; or, Researches into the Mysteries of Occultism (1876). Chicago: Progressive Thinker Publishing House.

         On the Road, or, The Spiritual Investigator: A Complete Compendium of the Science, Religion, Ethics, and Various Methods of Investigating Spiritualism (1878). Melbourne, Sydney and Adelaide: George Robertson.

         Spiritualism: Is It a Savage Superstition? (1878). Transcript of a lecture given at the Opera House, Melbourne, Australia, 9 June.] Melbourne, Sydney, and Adelaide, Australia: George Robertson.

         Spiritualism Vindicated and Clerical Slanders Refuted: In Answer to Mr. W.D. Green (1879). Dunedin, New Zealand: George T. Clark.

         Nineteenth Century Miracles or Spirits and Their Work in Every Country on Earth (1883). New York: William Britten, Lovell & Co.

         The Autobiography of Emma Hardinge Britten (1996), M. Wilkinson, ed. Essex, UK: SNU Publications. [Originally published 1900, Manchester; preserved on the Internet Archive.]

 

Uma lista completa das obras de Emma Hardinge Britten (incluindo algumas performances) pode ser encontrada aqui . Uma segunda bibliografia, incluindo obras sobre ela, pode ser acessada no Internet Archive aqui.

 

Site

Um site com materiais de interesse acadêmico sobre Britten e sua obra pode ser acessado aqui . De acordo com a página inicial, "Os materiais incluem edições anotadas de todos os principais textos de EHB, bibliografias de fontes primárias e secundárias , um breve resumo biográfico da vida de EHB, cronologias com registros documentais, diversos artefatos da vida de EHB e artigos e trabalhos sobre tópicos relacionados aos estudos sobre EHB." O site também inclui um blog do criador, Marc Demarest, que relata seu trabalho de pesquisa em andamento e apresenta fontes adicionais.

 

Literatura

§  Britten, E.H. (1900, 1996). The Autobiography of Emma Hardinge Britten, ed. by M. Wilkinson. Essex, UK: SNU Publications. [Originally published 1900, Manchester; preserved on the Internet Archive.]

§  Demarest, M. (2011). Back From Jerusalem: The Life and Times of Emma Hardinge Britten, Spiritualist Propagandist. [PDF slide presentation.]

§  Howe, L.A. (2015). Spirited pioneer: The life of Emma Hardinge Britten. [Published online at FIU Electronic Theses and Dissertations.]

§  Robertson, J. (1908). Spiritualism: The Open Door to the Unseen Universe. London: L.N. Fowler & Co.

§  Spiritualists’ National Union (n.d.). Emma Hardinge Britten & the Seven Principles. [Web page.]

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Demarest (2011). Todas as informações desta seção foram extraídas desta fonte, exceto quando indicado o contrário.

[3] Britten (1900).

[4] Howe (2015), 3.

[5] Britten (1900), 45.

[6] Howe (2015), 5.

[7] Robertson (1908), 320.

[8] Howe (2015). Britten descreve o Grande Incêndio de Boston vividamente em sua autobiografia.

[9] Howe (2015).

[10] Demarest (2011).

[11] Demarest (2011), 146.

[12] Demarest (2011), 150.

[13] Spiritualists’ National Union (n.d.).14 Demarest (2011), 150-51.

[14] Demarest (2011), 150-51.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

NEM TODO MUNDO QUE ESTUDA SABE. NEM TODO MUNDO QUE TEM TÍTULOS ACORDA[1].

 


Chely Sanchez Meza

 

Às vezes, quanto mais adornada a mente está com diplomas, mais difícil é aceitar que foi programada.

Quanto mais títulos ele carrega, mais dói soltar a identidade que construiu ao redor deles.

Doutorados.

Mestres.

Especialidades.

Cursos.

Certificados.

Universidades prestigiosas.

Anos inteiros acumulando informações.

No entanto, muitas vezes, a única coisa que se fortaleceu foi a jaula. Porque o mundo ao contrário convenceu a humanidade de que memorizar era saber. De que repetir era compreender. Que obedecer era inteligência. Que acumular títulos era aproximar-se da verdade.

Mas a Consciência não acorda por currículo. Consciência desperta pela lucidez. E a lucidez nem sempre vive nas salas mais caras. Às vezes vive em quem anda descalço na terra. Em quem ouve o rio. Em quem observa o céu. Em quem não sabe ler livros, mas ainda sabe ler a si mesmo.

É por isso que um ser simples, conectado com a natureza pode despertar mais rápido do que alguém que há décadas defende um sistema que o ensinou a desconfiar da sua própria essência.

Não porque estudar é ruim. Mas porque quando o estudo substitui o espírito, a mente fica soberba. E a soberba mental é uma das prisões mais difíceis de quebrar. O engano foi profundo.

Eles fizeram os pais sonharem com as melhores escolas para os seus filhos, sem perceber que muitas vezes lá não se expande a origem: domestica-se. A obediência é recompensada. A imaginação é punida. A intuição é ridicularizada. A memória é treinada. Faz uma identidade aceitável para o sistema.

E então chamam de "sucesso" a estar perfeitamente adaptado a uma realidade doente. Como é doloroso olhar para isso.

Como é forte ver tantas essências originais, criadoras e infinitas, correndo atrás de miragens acreditando que perseguem sabedoria.

Como é difícil compreender que muitas almas foram encapsuladas, drenadas lentamente, vida após vida, programa após programa, memória após memória, para que eles esquecessem o seu poder criador.

Mas a verdade não precisa de permissão de nenhuma universidade. Consciência não pede diploma para acordar. Não precisa de doutoramento para se lembrar. Não precisa de aprovação acadêmica para saber quem é. O verdadeiro saber não enche a mente. O verdadeiro saber liberta a essência.

E se seus títulos te aproximaram da humildade, compaixão, lucidez e verdade interior, honre-os.

Mas se os seus títulos te tornaram arrogante, frio, repetidor, domesticado e cego para o essencial... então não eram asas. Eram correntes com moldura dourada. Porque o conhecimento que não desperta, enfeita a prisão. E a Consciência não veio decorar sua jaula. Veio para sair dela.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

CIENTISTAS BUSCAM APRIMORAR NOSSA COMPREENSÃO DAS EXPERIÊNCIAS DE QUASE MORTE[1].

 


16 de abril de 2026

 

Pesquisadores da Faculdade de Medicina estão trabalhando para aprimorar o rigor científico das ferramentas de pesquisa para avaliar  experiências de quase morte  – encontros com a morte que frequentemente transformam a vida das pessoas.

Marieta Pehlivanova, PhD, e Bruce Greyson, MD, da Universidade da Virgínia (UVA), em colaboração com os colegas externos Rense Lange, PhD, e James Houran, PhD, analisaram duas escalas de pontuação utilizadas para avaliar experiências de quase morte, comumente chamadas de EQM (Experiências de Quase Morte).

A primeira escala, a Escala de Experiência de Quase Morte (Escala EQM) de 16 itens, foi desenvolvida na Universidade da Virgínia (UVA) em 1983 por Greyson e amplamente utilizada em centenas de estudos. A segunda, a Escala de Conteúdo da Experiência de Quase Morte (EQM-C), foi criada em 2020 com o objetivo de suprir as limitações da Escala EQM. A nova escala adicionou diversos itens para percepções adicionais, adaptou a redação dos itens e alterou a escala de resposta.

A nova análise sugere que as duas escalas são comparáveis, mas a Escala NDE mais antiga continua sendo o padrão ouro, concluem Pehlivanova e seus colegas. A análise, no entanto, identifica áreas em que ambas as escalas podem ser aprimoradas.

De acordo com Pehlivanova:

Descobrimos que ambas as escalas medem o mesmo construto subjacente de experiência de quase morte, mas os novos itens adicionados à NDE-C não se encaixaram consistentemente na hierarquia de percepções validada por análises psicométricas avançadas. Aprimorar nossas ferramentas para avaliar experiências de quase morte com precisão e eficiência é importante para o avanço da pesquisa, especialmente em contextos clínicos.

 

Otimizando ferramentas de pesquisa sobre experiências de quase morte

Greyson, um líder de longa data na área de pesquisa sobre experiências de quase morte, desenvolveu a Escala de EQM (Experiência de Quase Morte) para servir como uma estrutura para a análise científica de experiências que, à primeira vista, parecem desafiar a explicação científica. Pessoas que vivenciaram experiências de quase morte, por exemplo, frequentemente relatam que suas visões de mundo são radicalmente transformadas pelas coisas que viram ou experimentaram enquanto estavam clinicamente mortas ou em uma crise médica. Esses encontros com a morte dão a muitos desses indivíduos um novo propósito na vida, um desejo de servir aos outros e uma apreciação por fazerem parte de um todo maior. Mas outros podem ter dificuldade em compreender a experiência, especialmente se a sua EQM entrar em conflito com suas crenças religiosas ou existenciais, valores pessoais ou visões científicas.

A escala de Greyson tem sido a referência para a pesquisa científica dessas experiências por décadas. Mas ele estava ansioso para encontrar maneiras de aprimorar as ferramentas de pesquisa disponíveis, o que o levou, juntamente com seus colegas, a fazer uma comparação direta com a mais recente Escala NDE-C.

Para realizar uma avaliação imparcial, Pehlivanova, Greyson e seus colegas utilizaram a “modelagem de Rasch” – uma ferramenta matemática amplamente empregada para avaliar a eficácia de medidas utilizadas em pesquisas nas áreas da saúde, psicologia e educação. O modelo foi aplicado a questionários de ambas as escalas, respondidos por mais de 700 pessoas que vivenciaram experiências de quase morte.

O modelo identificou problemas nas categorias de resposta de ambas as escalas. Pessoas que vivenciaram experiências de quase morte frequentemente consideram a experiência "inefável" – quase impossível de descrever – e os dados mostram que pode ser difícil para elas diferenciarem de forma significativa a intensidade das diferentes percepções medidas pelas escalas. Os itens adicionados à escala NDE-C relacionam-se a percepções adicionais nessas experiências (como a sensação de estar morto), mas não se encaixam de forma consistente no modelo psicométrico avaliado no estudo.

Os pesquisadores relatam em um novo artigo científico:

Embora ambas as escalas possam ser aprimoradas e seja necessário trabalho adicional na avaliação de experiências de quase morte, recomendamos o uso contínuo da escala original de EQM. Este instrumento já foi utilizado em centenas de estudos desde a década de 1980, fornecendo uma base consistente para comparação com novas pesquisas. A modelagem de Rasch indica que as percepções de experiências de quase morte, medidas por esta escala, formam um espectro contínuo, o qual foi replicado em duas amostras independentes, reforçando a justificativa para sua adoção como uma avaliação bem estabelecida.

A análise sugere áreas específicas para melhoria em ambas as escalas. A escala de Greyson, por exemplo, poderia se beneficiar do aprimoramento das categorias de resposta, relatam os cientistas. Os resultados, segundo os pesquisadores, irão, em última análise, aprimorar a forma como exploramos e compreendemos as experiências de quase morte.

Pehlivanova disse:

Essas descobertas têm implicações não apenas para a forma como avaliamos as experiências de quase morte em pesquisas e contextos clínicos, mas também para nossa compreensão teórica dessas experiências. Um modelo de mensuração preciso das experiências de quase morte pode ajudar a fundamentar teorias sobre suas causas subjacentes.

 

Resultados publicados

Pehlivanova, Greyson e seus colegas  publicaram sua análise na revista científica Consciousness and Cognition. Os cientistas declaram não ter nenhum interesse financeiro no trabalho.

 

Sobre a Divisão de Estudos Perceptivos (DOPS) da UVA

Fundada em 1967 sob a liderança do psiquiatra da Universidade da Virgínia (UVA), Ian Stevenson, MD, a Divisão de Estudos Perceptivos (DOPS) da UVA se destaca como o grupo de pesquisa universitário mais produtivo do mundo dedicado à exploração de fenômenos que desafiam os paradigmas científicos convencionais sobre a consciência humana. No cerne da missão de pesquisa da DOPS está o compromisso com a avaliação rigorosa de evidências empíricas relacionadas a experiências e capacidades humanas excepcionais, incluindo a utilização de um laboratório de neuroimagem de última geração. A DOPS amplia seu foco além da pesquisa empírica fundamental e explora as profundas implicações dessa pesquisa para a teoria científica e a sociedade em geral. Ao compartilhar ativamente insights e descobertas, a DOPS busca contribuir significativamente para a compreensão da consciência, preenchendo a lacuna entre a investigação científica e a conscientização pública.  

Para acompanhar as últimas pesquisas médicas da UVA e do novo Instituto de Biotecnologia Paul e Diane Manning da UVA, adicione o   blog Making of Medicine aos seus favoritos.

terça-feira, 2 de junho de 2026

O MAGNETISMO RECONHECIDO PELO PODER JUDICIÁRIO[1]

 

Tribunal Correctionnel de Douai

Allan Kardec

 

Na Revista Espírita de outubro de 1858, publicamos dois artigos intitulados Emprego Oficial do Magnetismo Animal e O Magnetismo e o Sonambulismo Ensinados pela Igreja. No primeiro, referimo-nos ao tratamento magnético do rei Oscar, da Suécia, aconselhado pelos seus próprios médicos; no segundo, citamos várias perguntas e respostas, extraídas de uma obra intitulada Curso Elementar de Instrução Cristã para uso dos Catecismos e Escolas Cristãs, publicado em 1853 pelo abade Marotte, vigário geral da diocese de Verdun, no qual o magnetismo e o sonambulismo são claramente definidos e reconhecidos. Eis que agora a justiça lhes vem dar uma sanção extraordinária, pelo julgamento do Tribunal Correcional de Douai, de 27 de agosto passado. Como todos os jornais noticiaram esse julgamento, seria inútil repeti-lo, razão por que apenas relataremos sumariamente as circunstâncias.

Um rapaz, que do magnetismo não conhecia senão o nome, e jamais o tinha praticado, consequentemente ignorando as medidas de prudência que a experiência aconselha, propôs-se um dia magnetizar o sobrinho do maître d'hôtel onde jantava. Depois de alguns passes o menino caiu em sonambulismo, mas o magnetizador improvisado não soube como se portar para fazê-lo sair daquele estado, o qual foi seguido de crises nervosas persistentes, de que resultou uma queixa à Justiça, apresentada pelo tio contra o magnetizador. Dois médicos foram chamados como peritos. Eis o extrato de seu depoimento, que é mais ou menos idêntico, pelo menos quanto à conclusão. Após haver descrito e constatado o estado sonambúlico do menino, acrescenta o primeiro médico:

Não creio absolutamente na existência de um fluido novo, de um agente físico mais ou menos análogo ao magnetismo terrestre, desenvolvendo-se no homem sob a influência de passes, toques etc., e que produziria nas pessoas influenciadas efeitos por vezes maravilhosos.

A existência de um tal fluido nunca foi cientificamente demonstrada. Longe disso: todas as vezes que homens difíceis de enganar, membros da Academia das Ciências e médicos eminentes quiseram verificar os fatos alegados, os príncipes do magnetismo sempre recuaram, estribados em pretextos por demais evidentes, e nem a questão do fato, nem muito menos a questão de doutrina pôde ser elucidada. Para o mundo científico, portanto, não existe magnetismo animal. Todavia, segue-se daí que as práticas dos magnetizadores não produzam nenhum efeito? Pelo fato de negarmos, e com razão, o magnetismo, não poderíamos admitir a magnetização?

Estou convencido de que, se as imaginações nervosas e impressionáveis são todos os dias abaladas pelas manobras de que se trata, é nelas mesmas que devemos ver os fenômenos que apresentam, e não numa espécie de irradiação por parte do experimentador. Esta explicação se aplicaria ao caso Jourdain se os ataques que se seguiram ao primeiro, supondo tenham sido determinados pela magnetização, fossem se espaçando e enfraquecendo: um impulso único logicamente deveria produzir efeitos decrescentes. Ora, dá-se justamente o contrário: à medida que o tempo passa, os ataques se aceleram e aumentam de intensidade. Esta circunstância me confunde. Evidentemente está em jogo uma influência indeterminada: qual seria? Os antecedentes e a maneira de ser física de Jourdain não me são suficientemente conhecidos para que eu os possa atribuir ao seu temperamento; e devo confessar não saber onde colocar a causa.

Neste ponto a criança é vitimada por um de seus ataques. Assim como o seu colega, a testemunha constata: contrações musculares gerais e clônicas[2]; pele e olhos com sensibilidade preservada; pupilas fotoreagentes; ausência de espuma na boca; polegares fletidos na palma das mãos. Além disso, o grito inicial não ocorreu e o acesso termina gradualmente, passando pelo período sonambúlico. À vista disso, os médicos declaram que a criança não é epiléptica, nem, menos ainda, cataléptica.

Interpelada a respeito da palavra sonambulismo, objetivando saber se tudo isso não se explicaria admitindo-se que o paciente, antes sonâmbulo, teria tido a 15 de agosto um acesso desse tipo de doença, a testemunha respondeu que,

em primeiro lugar não estava estabelecido que a criança fosse sonâmbula e, depois, tal fenômeno se teria produzido em condições absolutamente insólitas: em vez de ocorrer à noite, em meio ao sono natural, teria vindo em pleno meio-dia e em completa vigília. A mim, os passes magnéticos parecem ser a causa do estado atual da criança: não vejo outra razão.

O segundo médico depõe assim:

Vi o pequeno doente no dia 13 de outubro de 1858; estava em estado sonambúlico, gozando de locomoção voluntária; recitava o catecismo. Meu filho o viu na noite de 15: encontrava-se no mesmo estado e conjugava o verbo poder. Só algum tempo depois é que fiquei sabendo que ele fora magnetizado, e que um viajante teria dito: se não for desmagnetizado, talvez permaneça assim por toda a vida. Em minha juventude conheci um estudante no mesmo estado que, tendo sido curado sem recursos médicos, tornou-se um homem distinto na profissão que abraçou. Os acidentes que o doente experimentou não passaram de perturbações nervosas: não existe nenhum sintoma de epilepsia, nem de catalepsia.

O Tribunal pronunciou a seguinte sentença:

Considerando que o acusado, no dia 15 de agosto, ao exercer imprudentemente sobre a pessoa do jovem Jourdain, de 13 anos, toques e gestos qualificados como passes magnéticos, no mínimo ferindo com esse aparato e por essas manobras não costumeiras a fraca imaginação da criança, produzindo-lhe uma superexcitação, uma desordem nervosa e, por fim, uma lesão ou uma doença, cujos acessos se repetiram desde então a diversos intervalos;

Considerando que as manobras imprudentes que provocaram a dita lesão, ou doença, constituem delito previsto no artigo 320 do Código Penal;

Considerando que o fato de que se trata ocasionou à parte civil um prejuízo que deve ser reparado; e

Levando-se em conta que existem circunstâncias atenuantes,

O Tribunal condena o acusado a 25 francos de multa, 1200 francos de perdas e danos e a arcar com as custas do processo.

Nada temos a dizer quanto ao julgamento em si mesmo. O Tribunal teve ou não teve razão de condenar? A pena é muito forte ou é excessivamente fraca? Isto não nos diz respeito; a justiça se pronunciou e nós respeitamos a sua decisão. Entretanto, não deixaremos de examinar as consequências do julgamento, que tem um alcance capital. Houve condenação, portanto, houve um delito. Como foi este cometido? A sentença diz: por toques e gestos qualificados como passes magnéticos; portanto, os toques e passes magnéticos têm uma ação e não resultam de mera simulação. Esses toques e esses passes diferem, de algum modo, dos toques e gestos ordinários; como os distinguir? Eis aí uma coisa importante, porque, se não houvesse diferença, não poderíamos tocar a primeira pessoa que encontrássemos, nem lhe fazer sinais, sem nos expormos a fazê-la cair em crise e sem incorrermos numa multa. Não compete ao Tribunal nos ensinar, nem, muito menos, dizer como os passes e toques, quando têm o caráter magnético, podem produzir um efeito qualquer. Ele constata o fato de um acidente e a causa do acidente; sua missão é apreciar o dano e a reparação que é devida. Mas os peritos chamados a esclarecer o Tribunal por certo nos vão ensinar a respeito; mesmo sem terem feito um curso sobre a matéria, devem fundamentar sua opinião, como se faz em todos os casos de medicina legal, e provar que falam com conhecimento de causa, considerando ser essa a primeira condição a ser preenchida por um perito. Ora! Ficamos decepcionados com a lógica desses senhores; seu depoimento revela completa ignorância sobre aquilo que devem opinar; não apenas desconhecem o magnetismo, como não lhes são familiares os fatos do sonambulismo natural, pois imaginam, um deles pelo menos, que tais fatos só se produzem à noite e durante o sono natural, o que é contrariado pela experiência.

Não é aí, porém, que se acha a parte mais notável do depoimento, especialmente da primeira testemunha: “Pelo fato de negarmos, e com razão, o magnetismo, não poderíamos admitir a magnetização?” Na verdade, não sei se há uma lógica muito difícil de ser entendida, mas confesso com toda humildade que isso ultrapassa a minha inteligência e que muitas pessoas estão comigo, porque seria o mesmo que afirmar ser possível magnetizar sem magnetismo, absolutamente como se disséssemos que um homem houvera recebido bordoadas na ausência do bordão responsável.

Ora, acreditamos firmemente, de acordo com um velho ditado, e até prova em contrário, que para dar bordoadas faz-se necessário o bordão e, por analogia, para magnetizar é preciso magnetismo, do mesmo modo que, para purgar, é preciso o purgante. Nossa inteligência não vai até a ponto de compreender os efeitos sem as causas.

Direis que não nego o efeito; pelo contrário, eu o constato. O que nego é a causa que atribuís a esse efeito. Dizeis que entre os vossos dedos e o paciente existe algo invisível, a que chamais de fluido magnético. Quanto a mim, assevero não haver coisa alguma; que esse fluido não existe. Ora, o que existe é o magnetismo; vossos gestos são a magnetização. De acordo.

Admitis, assim, que simples gestos sem intermediário podem produzir crises nervosas e efeitos sonambúlicos, catalépticos e outros, unicamente porque a imaginação foi ferida. Admitamos que sim. Gostaria de ver uma pessoa ser impressionada por meio desses gestos e essa impressão chegar a ponto de fazê-la dormir em pleno dia, e contra a sua vontade, o que, haveis de convir, já seria um fato admirável. Mas será esse um sono natural, causado, como dizem alguns, pela monotonia dos movimentos? Neste caso, como explicaríeis a instantaneidade do sono produzido em alguns segundos? Por que não despertais facilmente esse dorminhoco, sacudindo-lhe tão-somente os braços? Deixemos de lado, por razões óbvias, muitos outros fenômenos igualmente pouco explicáveis pelo vosso sistema; não obstante, existe um cuja solução sem dúvida podereis dar, porquanto não creio que tenhais elaborado uma teoria sobre um assunto de tamanha gravidade sem vos terdes assegurado de que ele resolve todos os casos, teoria que deve ser pouco arriscada, permitindo que a enuncieis em pleno tribunal. Deveis, pois, estar bem seguros. Pois bem! Eu vos peço, para a instrução do público e de todas as pessoas bastante simples para acreditarem na existência de um fluido magnético, que resolvais pelo vosso sistema as duas questões seguintes:

1º Se os efeitos atribuídos ao fluido magnético resultam apenas de uma imaginação excitada e fortemente impressionável, como se produzem à revelia da pessoa, quando é magnetizada durante o sono natural, ou quando se encontra num aposento vizinho, sem ver o magnetizador e sem saber que é magnetizada?

2º Se os toques ou passes magnéticos podem produzir crises nervosas e estados sonambúlicos, como podem esses mesmos toques e passes produzir o efeito contrário, destruir o que fizeram, acalmar as crises nervosas mais violentas que ocasionaram e fazer cessar o estado sonambúlico subitamente, como se fora um golpe de mágica? É por efeito da imaginação que a pessoa não vê, nem ouve o que se passa à sua volta? Ou é preciso admitir que se pode agir sobre a imaginação sem o concurso da imaginação, o que seria muito possível, já que se pode magnetizar sem magnetismo?

Isto me lembra uma pequena anedota. Um imprudente manejava um fuzil; o tiro disparado matou outro indivíduo. O perito foi chamado para examinar a arma, declarando que o indivíduo havia sido morto por um tiro de fuzil, embora este não se encontrasse carregado. Não é exatamente esse o caso do nosso magnetizador, que fere ao magnetizar, mas sem magnetismo?

Seguramente o Tribunal de Douai, na sua alta sabedoria, não meditou nestas contradições, sobre as quais não devia pronunciar-se.

Como dissemos, ele não considerou senão o efeito produzido, declarando-o produzido por toques e passes magnéticos; não havia por que decidir se em nós existe, ou não existe, um fluido magnético.

Mas o julgamento não constata de maneira menos autêntica que o magnetismo é uma realidade; de outro modo não teria condenado alguém por ter feito gestos insignificantes. Que isto sirva de lição aos imprudentes, que brincam com o que não conhecem.

Na opinião que emitiram, esses senhores não perceberam que chegavam a um resultado diametralmente oposto ao seu objetivo, o de atribuir aos magnetizadores um poder que estes estão longe de reivindicar. Com efeito, os magnetizadores sustentam que não agem senão com o auxílio de um intermediário; que, quando esse intermediário lhes falta, sua ação é nula; não se reconhecem com o poder de dar bordoadas sem bordões, nem de matar a tiros com um fuzil descarregado. Muito bem! Com a sua teoria esses senhores ainda operam outro prodígio, porque agem sem ter nada nas mãos e nos bolsos. Realmente, há coisas que não podem ser levadas a sério; nós lhes pedimos muitas desculpas, mas isso não diminui em nada o seu mérito. Eles podem ser muito hábeis e médicos assaz competentes; sem dúvida foi por isso que o Tribunal os consultou. Permitimo-nos apenas criticar a sua opinião sobre o magnetismo.

Finalizamos com uma observação importante. Se o magnetismo é uma realidade, por que não é reconhecido oficialmente pela Faculdade? A tal respeito há muitas coisas a dizer.

Limitar-nos-emos a uma única consideração, perguntando por que as descobertas hoje mais aceitas não o foram de imediato pelas corporações científicas? Deixo a outros o cuidado de responder. A classe médica está dividida sobre a questão do magnetismo, assim como em relação à homeopatia, à alopatia, à frenologia, ao tratamento da cólera, aos purgantes, às sangrias e sobre tantas outras coisas, de tal sorte que uma opinião a favor ou contra não passa de uma opinião individual, sem força de lei. O que faz a lei é a opinião geral, que se forma pelos fatos, a despeito de toda oposição, e que sobre os mais recalcitrantes exerce uma pressão irresistível. É o que acontece com o magnetismo, bem assim com o Espiritismo, e não será avançar muito dizer que metade dos médicos hoje reconhece e admite o magnetismo, e que três quartos dos magnetizadores são médicos. Dá-se o mesmo com o Espiritismo, que conta em suas fileiras uma infinidade de médicos e homens de ciência. Que importa, pois, a oposição sistemática ou mais ou menos interessada de alguns? Deixemos passar o tempo, que varre o amor-próprio ferido e as mesquinhas preocupações! A verdade pode ser abalada, mas não destruída, e a posteridade registra o nome dos que a combateram ou sustentaram. Se o magnetismo fosse uma utopia, há muito tempo dele não se cuidaria, ao passo que, como seu irmão, o Espiritismo, finca raízes por todos os lados. Lutai, pois, contra as ideias que invadem o mundo inteiro, de alto a baixo da escala social!



[1] REVISTA ESPÍRITA – outubro/1859 – Allan Kardec

[2] N. do T.: Grifo nosso: Espasmos em que se alternam, em rápida sucessão, rigidez e relaxamento. No original está grafada a palavra chroniques, sem correlação com o quadro clínico descrito acima.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

MERHY SEBA[1]

 


 

Se a divulgação espírita desperta o interesse, o acolhimento fraterno faz a diferença

 

Merhy Seba, nasceu em 27 de abril de 1937, na cidade de Pirangi, no estado de São Paulo. Casado com Maria Clélia Mendonça Seba, com que tem quatro filhos e cinco netos.

Merhy Seba, pós-graduado em Comunicação, em Marketing e com Mestrado em Educação, e residente atualmente em Ribeirão Preto, ambos municípios paulistas. Professor universitário e publicitário, é espírita desde 1966 e vincula-se à Casa Assistencial Meimei,  da   cidade  onde  mora,  na qual atua no setor de orientação doutrinária.

Diretor de Relações Públicas da USE-União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e Coordenador Nacional da Área de Comunicação Social do CFN-Conselho Federativo Nacional da FEB, nosso entrevistado acumula vasta experiência com a temática de sua formação acadêmica, em favor da causa espírita. Autor de quatro livros e de campanhas muito conhecidas para expansão do pensamento espírita[2], ele nos concedeu a entrevista a seguir.

 

Quando e como foi seu primeiro contato com o Espiritismo?

Tudo começou em 1966, após o meu casamento com Maria Clélia, espírita de berço e de minha forte inclinação para o espiritualismo. Conheci, no mesmo ano, o prof. José Herculano Pires, que me indicou o caminho e, na esteira dos acontecimentos, ingressei no Conselho Metropolitano Espírita, órgão da USE na Capital (1967), depois na USE Estadual (1970) e, finalmente, no Conselho Federativo Nacional da FEB (1992), no qual respondo pela coordenação nacional da Área de Comunicação Social Espírita.

 

Dessas passagens em várias posições no Movimento Espírita, quais os fatos mais marcantes?

São vários, mas o mais significativo relaciona-se à campanha “Comece pelo Começo” que acompanhei, desde a sua criação e lançamento em 1972, na Capital paulista, tendo, após quatro décadas, participado de sua recente aprovação, em novembro de 2013, pelo Conselho Federativo Nacional. Foi uma emoção muito grande saber que, a partir de agora, tornou-se uma campanha nacional, graças aos mecanismos proporcionados pela organização do movimento espírita. 

 

Quais os progressos mais marcantes alcançados nos últimos anos, considerando o avanço da tecnologia virtual e a importância de tornar o conhecimento espírita disponível para o grande público?

Inúmeros avanços foram registrados nas federativas estaduais: a comunicação off-line (mídia tradicional) foi aprimorada e a comunicação on-line (mídia digital) foi assimilada pelos comunicadores, de tal forma que lidar, hoje, com a internet e seus produtos é algo familiar e gratificante, em termos de retorno. 

 

Como o Conselho Federativo Nacional tem-se postado diante dos progressos da comunicação humana, especialmente com o avanço da tecnologia virtual?

Toda novidade encontra certa resistência para ser aceita, até mesmo por questão de prudência; porém, a partir do momento da instalação do Portal da FEB e da TV CEI (a primeira no mundo via Rede de Computadores), o caminho ficou aberto à multiplicação de Sites, rádios Web, lojas virtuais e a outras modalidades, como ferramentas de divulgação e relacionamento com os diversos públicos. 

 

Podemos afirmar que a tecnologia virtual alavancou a Comunicação social espírita?

Reconhecemos que a tecnologia virtual provocou forte impacto social e mudou os modelos de comunicação da sociedade moderna e, obviamente, repercutiu na seara espírita; a área de Comunicação social espírita assimilou essa nova cultura de modo natural e se implantou gradativamente. Atualmente, todas as federações estaduais estão aparelhadas e, diga-se de passagem, a presença e a colaboração de jovens em muito têm contribuído para a dinamização do setor.

 

Como os conceitos de Marketing podem ser aplicados mais eficientemente a favor da divulgação pelo movimento espírita?

O Marketing aplicado a organizações não lucrativas merece ser considerado, na medida em que ilumina o raciocínio do administrador/comunicador espírita, independente do porte e/ou da natureza da instituição. Definir objetivos, analisar a realidade, planejar e estabelecer estratégias ou caminhos, dimensionar recursos e/ou meios, implementar e, finalmente, controlar ações e avaliar resultados – são atitudes de Marketing indispensáveis no mundo moderno.

 

O que vem a ser o Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro?

Desde 2007 o Conselho Federativo Nacional instituiu o Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro, em torno do qual as federativas estaduais desenvolvem planejamentos e ações, com total flexibilidade de adaptar e/ou ampliar, de acordo com as peculiaridades de cada região. Sob o ponto de vista de Marketing, isto representa um grande avanço em termos estratégicos, uma vez que assegura a unidade de vistas, estimula a troca de ideias e, sobretudo, facilita a discussão e a avaliação de experiências – fatores imprescindíveis à expansão das atividades doutrinárias. 

 

Algo marcante que gostaria de relatar de sua experiência junto aos esforços do CFN na área de sua atuação?

O que é admirável e, ao mesmo tempo, um desafio no Movimento Espírita Brasileiro é a diversidade de olhares; cada região é como se fosse um país, daí as abordagens serem diferentes e peculiares a cada uma; mas, diante dessa diversidade, encontramos a unidade em torno de Allan Kardec e seus continuadores. E a Área de Comunicação Social Espírita tem como objetivo intensificar as ações em todo o território nacional, com a adoção do Plano Nacional de Comunicação Social Espírita, um trabalho compartilhado com as 27 representações estaduais. 

 

Qual é o investimento prioritário para tornar o Espiritismo ainda mais conhecido do grande público?

Entendemos que é necessário investir, basicamente, em dois campos: na divulgação permanente e na recepção do centro espírita; enquanto o primeiro mostra a “carinha” da Doutrina ao público e desperta o seu desejo de saber mais, o segundo permite o contato “tête-à-tête”, favorecendo o diálogo, seguido do esclarecimento, do consolo e da orientação. Se a divulgação espírita desperta o interesse, o acolhimento fraterno faz a diferença, pois certamente conduz à convicção.  

 

Suas palavras finais.

Agradeço a oportunidade de participar desse espaço e desejo que esse canal continue em seus propósitos de comunicar a Boa Nova.

 

Livros de autoria do entrevistado

§  Orientação à Comunicação Social Espírita (FEB Editora, 2013)

§  Construção de Relacionamento das Instituições espíritas com a Mídia (Turby On Editora, 2010)

§  Dinâmica da Publicidade Espírita (Turby On Editora, 2005)

§  Comunicação e Vida (Turby On Editora, 2013).

 

Campanhas doutrinárias espíritas elaboradas:

§  Comece pelo Começo

§  Viver em Família

§  “O Evangelho no Lar e no Coração”

 

Depois de enfrentar corajosamente grave problema de saúde que o foi consumindo a pouco e pouco, desencarnou no dia 14 de dezembro de 2023. Despedimo-nos dele, em prece, agradecidos por sua amizade, guardando a certeza de que os Bons Espíritos bem o recepcionaram, conferindo-lhe, sob as bênçãos do Mestre Jesus um merecido repouso, antes do retorno ao prosseguimento do bom trabalho[3].



[2] Notas do entrevistador

[3] FEP – Federação Espírita do Paraná