segunda-feira, 28 de março de 2022

IAN STEVENSON[1]

 


Ian Pretyman Stevenson nasceu em  31 de outubro de 1918, em Montreal, M.D.  Cresceu em Ottawa, onde seu pai era o correspondente canadense para o New York Times. Sua mãe, por sua vez, fez com que Stevenson se interessasse por Teosofia. Estudou na Universidade de St. Andrews, na Escócia, e na Universidade McGill, em Montreal, onde graduou-se em 1942 e especializou-se em 1943, sendo o primeiro de sua classe. Nos anos de 1950, inspirado por um encontro com Aldous Huxley, tornou-se um pioneiro no estudo médico sobre os efeitos do LSD.  Stevenson casou-se com Margaret Pertzoff em 1985. A sua ex-mulher, Octavia Reynolds, morreu em 1983.

Foi um cientista e professor de psiquiatra da Universidade da Virginia; um dos mais importantes pesquisadores na temática das experiências espirituais. A sua pesquisa incluía principalmente o tema da reencarnação, a problemática do relacionamento entre mente e cérebro e a continuidade da personalidade após a morte.

Em 1957 Stevenson foi nomeado chefe do Departamento de Psiquiatria e Ciências Neurocomportamentais da Universidade da Virgínia. A sua principal pesquisa incluía doenças psicossomáticas, compêndios sobre pacientes entrevistados e exames psiquiátricos.

Em 1958 e 1959, Stevenson escreveu ativamente na conceituada revista “Haper”, incluindo temas como doenças psicossomáticas e percepção extra-sensorial (PES), e em 1958, foi o vencedor em uma competição de ensaios sobre fenômenos paranormais e vida após a morte promovida pela organização parapsicológica American Society for Psychical Research, em homenagem a um dos pioneiros da área, William James. A partir daí Stevenson se aprofundou muito mais nos fenômenos paranormais, se tornando o fundador da moderna pesquisa científica a respeito da reencarnação e ficando famoso por recolher e analisar meticulosamente casos de crianças as quais pareciam lembrar de vidas passadas sem o auxílio da hipnose. Após a publicação de seu primeiro ensaio sobre reencarnação em 1966, o inventor da fotocopiadora, Chester Carlson, custeou as suas primeiras visitas de campo à Índia e ao Sri Lanka. Quando Carlson faleceu (1968), legou um milhão de dólares para manter uma cadeira na Universidade da Virgínia, e mais um milhão de dólares para o próprio Stevenson, com o intuito de que a pesquisa sobre a reencarnação não parasse. O trabalho de pesquisa sobre reencarnação realizado pelo psiquiatra também recebeu significativo apoio financeiro de Eileen J. Garrett , uma das fundadoras da Fundação de Parapsicologia.

Em 1967, Stevenson foi escolhido como Diretor do Setor de Estudos da Personalidade (posteriormente recebendo o nome de "Setor de Estudos da Percepção"), que funciona ainda hoje com objetivo de realizar investigação de fenômenos paranormais através de métodos científicos.

Stevenson continuou a administrar pesquisa de campo adicional sobre reencarnação na África, Alasca, Colúmbia Britânica, Birmânia, Índia, América do Sul, Líbano, Turquia e muitas outras localidades. As crianças estudadas normalmente se lembravam de suas experiências passadas entre os dois e os seus quatro anos de idade, mas pareciam esquecê-las por volta dos sete ou oito anos. Em seus relatos, mencionavam frequentemente terem morrido de forma violenta e, além disso, as lembranças de como haviam morrido eram aparentemente claras. Stevenson também reuniu testemunhos, assim como registros médicos contendo informação a respeito de sinais de nascença, defeitos de nascimento e outras evidências físicas de reencarnação.

Stevenson publicou apenas para as comunidades científica e acadêmica, e seus mais de 200 artigos e vários livros - trazendo ricos detalhes de pesquisa e argumentos acadêmicos - podem ser técnicos demais para um público leigo. Sua pesquisa, com mais de 3.000 estudos de casos, fornece evidências discutidas por Stevenson, apoiando a possibilidade de reencarnação, apesar de ele mesmo ter sido sempre muito cauteloso ao se referir a elas como "casos sugestivos de reencarnação" ou "casos do tipo de reencarnações".

Alguns de sua área questionaram a metodologia e a objetividade de Stevenson em tecer conclusões a partir de suas pesquisas. O próprio Stevenson reconheceu uma limitação em seu argumento sobre reencarnação, a qual Tom Shroder, editor do “Washington Post”, chamou de "erro fatal": a ausência de qualquer evidência de um processo físico, pelo qual uma personalidade poderia sobreviver à morte e se transferir para outro corpo.

Stevenson aposentou-se em 2002, deixando o seu trabalho para sucessores, dirigidos pelo Dr. Bruce Greyson. Dr. Jim Tucker, um psiquiatra infantil, continua com trabalho de Ian Stevenson com crianças, concentrando-se em casos norte-americanos.

Stevenson morreu em 8 de fevereiro de 2007, em uma comunidade de aposentados de Blue Ridge em Charlottesville, na Virginia,  de pneumonia.

sábado, 26 de março de 2022

NÃO HÁ CHARLATANISMO DESINTERESSADO[1]

 

Orson Peter Carrara

 

No magnífico texto Médiuns Curadores – constante da REVISTA ESPÍRITA, edição de janeiro de 1864, Allan Kardec faz essa afirmação, usando-a como argumento muito bem dirigido de que o desinteresse absoluto, material e moral, é a melhor garantia de sinceridade. Isso porque o charlatanismo não deixará de tentar explorar em próprio também a faculdade mediúnica de cura. Conforme suas considerações, ela, a mediunidade de cura “exige imperiosamente o concurso dos Espíritos superiores, e esse concurso não pode ser adquirido pelo charlatanismo”.

Resta-nos, como beneficiários ou estudiosos do assunto, analisar bem como se apresenta um desinteresse absoluto, material e moral, para não cairmos na exploração de médiuns inescrupulosos que visam antes o interesse pessoal. A própria significação da palavra charlatanismo já indica: exploração da credulidade pública, inculcando ou anunciando cura por meio secreto ou infalível.

Ressalte-se que referida exploração não é exclusiva ao aspecto dos lucros financeiros, mas pode estar também na ganância da autopromoção ou na vaidade da evidência ou projeção social para interesses que nem sempre suspeitamos.

O texto de Kardec, constante da fonte acima citada, é um primor, que indico ao leitor, onde está também uma carta endereçada a Kardec (que classifica com um dos numerosos exemplos de reformas morais que o Espiritismo pode operar), cuja leitura resultou em duas comunicações de muito proveito para o estudo do assunto. Não deixe de conhecer.

 

sexta-feira, 25 de março de 2022

DESENCARNE COLETIVO – UMA PEQUENA VISÃO DA MISERICÓRDIA DIVINA[1]

 

Adriana Machado

 

Peço licença para trazer-lhes uma mensagem psicografada por mim, de um irmão espiritual que, juntamente com outros tantos, trabalha diretamente com o socorro das almas que desencarnam em situações desalentadoras.

Suas palavras nos levam a meditar sobre a Misericórdia Divina e a entender o quanto somos amados e nunca desamparados pelo Pai que tudo sabe.

Espero que estas palavras tragam paz aos seus corações, como trouxe ao meu.

 

Amigos, Paz!

 

Estamos nos deparando com alguma frequência com aquilo que chamamos de desencarnes coletivos.

Tais fatos nos confrangem a alma porque os enxergamos como uma calamidade, uma catástrofe, uma dor incomensurável.

Sentimos na pele a dor dos familiares, porque nos é (im)possível pensar o que sentiríamos se fôssemos nós os parentes das vítimas deste holocausto. Mas, jamais poderemos esquecer que, mesmo diante de tal calamidade, existe a presença divina da Providência a nos conduzir pelos caminhos certos para a nossa redenção íntima.

Certo é que a nossa pequena evolução moral já nos dá a oportunidade de participarmos de nossa programação reencarnatória no que concerne ao resgate de nosso coração ante as mazelas produzidas por nossas ações equivocadas. No plano da real existência, a culpa nos acompanha e dilacera a nossa alma, sentindo-nos necessitados de resgatar os males provocados por nós em existências anteriores.

E, se assim é no campo individual, também se estende para o campo coletivo.

Quando na coletividade, criamos situações em que provocamos o mal alheio, quando em grupo provocamos a dor direta ou indireta de nossos irmãos em Cristo, criamos para cada um de nós a necessidade de resgatarmos coletivamente o que se tornou uma mazela em nosso ser e que nos parece irrecuperável.

Diante de nossa consciência mais sábia sobre o que é certo e errado, percebemos as mazelas que trazemos e, abarrotados de um sentimento de culpa que nos escraviza a alma, buscamos nos libertar através dos aprendizados futuros advindos de nossas próprias escolhas. 

Como agimos no pretérito pelo conjunto, será pelo conjunto que poderemos sucumbir na matéria perecível e, através dela, elevarmo-nos em nossas aspirações mais espiritualizadas.

Face a um evento catastrófico, provocando as desencarnações coletivas, a Providência Divina nos dá a chance de buscarmos no nosso tribunal interior o perdão dos pecados que ainda entendemos carregar. Por séculos, se algo dessa magnitude não acontecer, ficaríamos escravizados a culpas atrozes por acreditarmo-nos merecedores do inferno de Dante, sem remissão, sem perdão.

Por isso, voltemos os nossos corações aos que retornaram para o plano imaterial, levando-lhes, pelas orações, a compreensão de que mais uma etapa se findou e que tudo o que vivenciaram foi acrescentado em seu benefício.

Aprendamos a enxergar a misericórdia de Deus em todas as circunstâncias, porque o aprendizado se faz para os mais próximos, mas também para os que não vivenciaram diretamente os reflexos do evento devastador.

Voltemo-nos aos que ficaram, nos solidarizando pelas lágrimas vertidas e dores sentidas. Façamos o que está ao nosso alcance para que a paz reine em seus corações, porque a dor ensina, mas será pela caridade que se amenizará as chagas das suas feridas emocionais.

Acalmem os corações deles e os seus, pulsando as suas intenções pelo bem e sempre no bem para que as energias deletérias criadas com a dor e revolta possam se dissipar e a paz volte a reinar.

Fiquem bem!

 

Irmão Jacinto

Trabalhador socorrista na Seara do Mestre Jesus

quinta-feira, 24 de março de 2022

DESCOBERTAS[1]

 

Miramez

 

Qual a razão por que a ideia de uma descoberta, por exemplo, surge ao mesmo tempo em muitos pontos?

− Já dissemos que, durante o sono, os Espíritos se comunicam entre si. Pois bem, quando o corpo desperta, o Espírito se recorda do que aprendeu, e o homem julga ter inventado. Assim, muitos podem encontrar a mesma coisa ao mesmo tempo. Quando dizeis que uma ideia está no ar, fazeis uma figura mais exata do que pensais; cada um contribui, sem o suspeitar, para propagá-la.

Nosso Espírito revela assim, muitas vezes, a outros Espíritos, e à nossa revelia, aquilo que constitui o objeto das nossas preocupações de vigília. (Allan Kardec)

Questão 419/O Livro dos Espíritos

 

A filosofia espírita nos ensina que ninguém descobre nada; tudo já se encontra descoberto, tudo já está feito por Deus. Somos apenas instrumentos da Divindade, para que fique mais visível o Seu amor para com todos os Seus filhos.

Os chamados Espíritos sábios, ao se desprenderem pelas portas do sono, reúnem-se, por consenso, no ambiente que lhes é próprio, para conversações acerca daquilo que lhes interessa mais. Aí são expostas ideias que lhes parecem mais avantajadas, como as descobertas, e pode ser que nessas conversas surja o que falta para alguns deles, no sentido de descobrirem o que está feito pela eternidade. Ao acordarem, lembram-se da chave que lhes faltava para completar seu ideal, e como foram muitos os que ali estiveram em assembleia, vindos de vários países, as descobertas, se assim podemos chamá-las, surgem simultaneamente em vários lugares do globo, uns mais atrasados e outros com certa dianteira, tudo de acordo com a percepção de cada criatura e determinação do plano espiritual.

Tudo já se encontra feito, descoberto para todos os Espíritos. Apenas falta visão e maturidade espiritual, para que aquilo que se encontra ligado à determinação superior possa ser dado a todos no momento certo, e ser feito melhor uso dos valores nas mãos da humanidade.

Podemos notar que, quando se dá uma descoberta em determinado país, mesmo que esse queira esconder suas façanhas, mesmo que as tranque com mil chaves, esse segredo, essas ideias se propagam. Primeiro, porque, é a vontade de Deus e, segundo, porque podemos trancar tudo, menos os pensamentos, que são forças livres, e esses chegam às mentes dos outros cientistas pela sutilidade da natureza, que fará o mesmo que aqueles que os descobriram em primeira mão. Nada fica escondido no grande laboratório da vida, nem o mal, nem o bem. Podemos esconder certos segredos, quando no corpo, porém, em Espírito a atitude é diferente, por estar sob a ação de leis mais livres, que não são as dos homens. Há de chegar o tempo em que essas leis livres de Deus possam ter ação entre as criaturas, e não se precisar de esconder nada, pois todos agirão com a simplicidade da criança configurada no Evangelho.

Na pauta da vida imortal, tudo está criado. Podemos ser, quando já preparados, cocriadores em alguns casos, sujeitos, ainda às retificações quando necessário. O mais, é receita do Criador Divino, que tudo faz pela nossa felicidade. Se descobrimos uma coisa que já se encontra feita há bilhões de anos, o que fizemos, senão sermos instrumentos da Divindade para aquela descoberta?

A Doutrina Espírita com Jesus concita os humanos para se reunirem em assembleias, levando a elas conversações edificantes, para que dali surjam ideias enobrecidas, e que possamos, pelo esforço em conjunto, descobrir o que está encoberto, visando ao bem estar das criaturas.

Que o Senhor nos ajude na grande obra da educação dos nossos sentimentos e na paz das nossas consciências.



[1] Filosofia Espírita – Volume 9 – João Nunes Maia

quarta-feira, 23 de março de 2022

PERCEPÇÃO DERMO-ÓPTICA[1]

 

Aparelho experimental utilizado em alguns estudos de Duplessis (1975).


Harvey J Irwin

 

O fenômeno comumente conhecido como percepção dermo-óptica (DOP) refere-se à aparente capacidade de discernir a cor de um objeto de estímulo puramente com base no toque, ou seja, sem qualquer acesso visual ao objeto. Na medida em que não se pode literalmente "ver" com as pontas dos dedos, o termo talvez seja inadequado. Em parte por esta razão, o fenômeno também foi apelidado de detecção de cor digital afótica, percepção de cor não visual, visão paróptica, percepção cutânea de cor e visão sem olhos[2]; no entanto, por conveniência, o termo popular DOP será usado aqui.

Esta entrada é uma versão ligeiramente revisada de uma seção de um artigo de Irwin, o Australian Journal of Parapsychology e é reproduzida aqui com a permissão do editor[3].

 

História

Casos de DOP aparente têm sido relatados há muito tempo; por exemplo, um caso no século XVII foi descrito pelo cientista Robert Boyle e pelo romancista Jonathan Swift[4].  De fato, em meados da década de 1960, Liddle[5] observou que mais de cinquenta casos haviam sido registrados em cerca de 140 anos em oito países diferentes. Além do trabalho pioneiro de Jules Romains[6], o estudo experimental moderno do DOP parece datar do início da década de 1960[7]. Uma mulher russa, Rosa Kuleshova, foi relatada por um neuropatologista Dr. Goldberg ser capaz de discernir cores simplesmente por 'sentir' elas, e eventualmente ela foi testada formalmente por pesquisadores do Laboratório de Psicologia da Nizhny Tagil Pedagogical [treinamento de professores ] Instituto[8] e mais tarde no Instituto de Biofísica da Academia Soviética em Moscou[9].

Relatos dessas observações foram divulgados na imprensa popular no Ocidente, e logo muitas pessoas se apresentaram para afirmar que eles também tinham a capacidade de DOP. Alguns desses reclamantes provaram ser fraudes e alguns posteriormente confessaram a atividade fraudulenta[10].  Assim, havia alguns fundamentos para a afirmação do inveterado debunker Martin Gardner[11] de  que o desempenho 'bem-sucedido' do DOP poderia ser atribuído inteiramente ao uso de vendas mal ajustadas pelo experimentador e uma 'espreitadela no nariz' pelos participantes. A generalidade do relato de Gardner, no entanto, foi vigorosamente desafiada[12] embora comentaristas céticos ainda citem a explicação de Gardner como definitiva[13].

 

Teste

Desde meados da década de 1960, várias pessoas foram testadas para DOP sob condições experimentais cada vez mais rigorosas; por exemplo, os participantes foram protegidos dos objetos coloridos, autorizados a tocá-los apenas através de mangas elásticas e tiveram a cabeça fechada em uma caixa. Apesar de alguns achados nulos[14] alguns participantes demonstraram uma identificação tátil precisa das cores muito além do esperado ao acaso[15]. Com base nisso, as aplicações práticas do DOP para cegos foram até debatidas[16]  mas até o momento essas propostas não avançaram substancialmente.

 

Explicações

Embora um número crescente de psicólogos agora admita que há um fenômeno aqui a ser explicado[17], permanece uma falta de consenso sobre a real natureza do DOP. O desempenho bem-sucedido do DOP foi observado mesmo quando os participantes são mantidos em completa escuridão[18], então parece que o efeito não é mediado pela radiação dentro do espectro visível normal[19].  Alguns comentaristas[20] notaram, no entanto, que objetos coloridos podem variar em suas emissões infravermelhas e, portanto, é possível que as pessoas aprendam a usar sensores térmicos nos dedos para distinguir cores diferentes pelo toque; de fato, algumas evidências experimentais foram produzidas em apoio a esse ponto de vista[21].

Uma visão alternativa popular, segundo Berger e Berger[22], é que o fenômeno tem uma base extra-sensorial (PES). Os Bergers acrescentam, no entanto, que um experimento de Nash[23] parece descartar um relato extra-sensorial. No estudo de Nash, o desempenho do DOP foi significativo quando os participantes podiam tocar o cartão de estímulo colorido, mas não quando o cartão estava coberto com uma grossa folha de vidro. Nash sustentou que se o PES estivesse envolvido, o desempenho teria sido significativo também na condição de vidro laminado. Essa rejeição da explicação extra-sensorial, no entanto, depende de um resultado nulo para sua fundamentação. De fato, as descobertas de Nash podem ser acomodadas sob o apelo de alguma característica anômala da PES experimental, como o efeito do experimentador parapsicológico ou o efeito diferencial[24]. Assim, a evidência contra uma teoria extra-sensorial do fenômeno talvez seja equívoca. Além disso, o DOP também foi encontrado mesmo quando os objetos alvo estão dentro de um envelope de papelão ou folha de alumínio e os participantes só podem colocar a mão acima do envelope[25]; para todos os efeitos práticos, papelão e alumínio normalmente impediriam a passagem de radiação infravermelha[26].

Há alguns motivos, portanto, para propor que DOP é um fenômeno paranormal semelhante à percepção extra-sensorial (PES), e pode ser o caso de que o procedimento dos testes DOP seja essencialmente psi-condutor, embora em um grau excepcionalmente potente parecer.

 

 

Literatura

§  Abram S. Novomeysky. (n.d.). Retrieved 09:46, December 18, 2014 from

http://novomeysky.genealogia.ru/papa/papae.htm

§  Benski, C., Raphel, C., Stivalet, P., Cian, C., Esquivié, D.,

§  Buguet, A., Masson, P., & Viret, J. (1998). Testing new claims of dermo-optical perception. Skeptical Inquirer, 22, 21-26.

§  Berger, A. S., & Berger, J. (1991). The encyclopedia of parapsychology and psychical research. New York: Paragon House.

§  Brugger, P., & Weiss, P. H. (2008). Dermo-optical perception: The non-synesthetic ‘palpability of colors’. A comment on Larner (2006). Journal of the History of the Neurosciences: Basic and Clinical Perspectives, 17, 253-255.

§  Buckhout, R. (1965). The blind fingers. Perceptual and Motor Skills, 20, 191-194.

§  Dermo-optical perception. (2014, August 10). In Wikipedia: The Free Encyclopedia. Retrieved 00:26, November 30, 2014, from

http://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Dermo-optical_perception&oldid=620670886

§  Duplessis, Y. (1975). The Paranormal Perception of Color. New York: Parapsychology Foundation.

§  Duplessis, Y. (1985). Dermo-optical sensitivity and perception: Its influence on human behavior. Biosocial Research, 7, 76-93.

§  Duplessis, Y., & Novomeysky, A. S. (1981). The influence of invisible radiation of colored materials on human behavior and psychical activity. International Journal of Paraphysics, 15(Nos. 1 & 2), 3-19.

§  Engineering Rules [pseudonym]. (n.d.). Can infra-red light penetrate through aluminium foil?  Retrieved December 6, 2014 from https://answers.yahoo.com/question/index?qid=20060709035141AAvAefM

§  Gardner, M. (1966). Dermo-optical perception: A peek down the nose. Science, 151 (no. 3711), 654-657.

§  Gardner, M. (2003). Eyeless vision. In Are Universes Thicker than Blackberries? (pp. 225-243). New York: Norton. (Original work published 1996)

§  How can you block infrared waves? (2015). Retrieved June 20, 2015 from https://answers.yahoo.com/question/index?qid=20090120211824AAEMaDz

§  Irwin, H. J. (2015). Thinking style and the formation of paranormal belief and disbelief. Australian Journal of Parapsychology, 15, 121-139.

§  Irwin, H. J., & Watt, C. A. (2007).  An introduction to parapsychology (5th ed.).  Jefferson, N.C.:  McFarland.

§  Ivanov, A. (1964). Soviet experiments in ‘eye-less vision’. International Journal of Parapsychology, 6(1), 1-23.

§  Jacobson, J. Z., Frost, B. J., & King, W. L. (1966). A case of dermooptical perception. Perceptual and Motor Skills, 22, 515-520.

§  Kaiser, P. K. (1983). Nonvisual color perception: A critical review. Color Research and Application, 8, 137-144.

§  Keene, M. L. (1976). The psychic mafia. New York: Dell.

§  Larner, A. J. (2006). A possible account of synaesthesia dating from the seventeenth century. Journal of the History of the Neurosciences, 15, 245-249.

§  Liddle, D. (1964). Fingertip sight: Fact or fiction? Discovery: Journal of Science, 25(9), 22-26 & 49.

§  Makous, W. L. (1966). Cutaneous color sensitivity: Explanation and demonstration. Psychological Review, 73, 280-294.

§  Nash, C. B. (1971). Cutaneous perception of color with a head box. Journal of the American Society for Psychical Research, 65, 83-87.

§  Nickell, J. (2005). Second sight: The phenomenon of eyeless vision. Skeptical Inquirer, 29(3), 18-20.

§  Ostrander, L., & Schroeder, S. (1970). Psychic discoveries behind the Iron Curtain. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall.

§  Passini, R., & Rainville, C. (1992). The dermo-optical perception of color as an information source for blind travelers. Perceptual and Motor Skills, 75, 995-1010.

§  Razran, G. (1966). Dermo-optical perception of human extraocular color sensitivity: A clarification of current soviet research and an article in science. Soviet Psychology, 5(1), 4-13.

§  Romains, J. (1924).  Eyeless Sight: A Study of Extra-Retinal Vision and the ParopticSsense. London: Putnam’s. (Original work published in French 1920)

§  Shiah, Y. (2008). The finger-reading effect with children: Two unsuccessful replications. Journal of Parapsychology, 72(1), 109-132.

§  What common materials can effectively block infrared radiation? (2012, November 4). Retrieved December 18, 2014 from http://physics.stackexchange.com/questions/43389/what-common-materials-can-effectively-block-infrared-radiation

§  Youtz, R. P. (1964). Aphotic digital color sensing. American Psychologist, 19, 734.

§  Youtz, R. P. (1966, May 20). Dermo-optical perception: Letter. Science, 153(3725), 1108.

§  Zavala, A., van Cott, H. P., Orr, D. B., & Small, V. H. (1967). Human dermo-optical perception: Colors of objects and of projected light differentiated with fingers. Perceptual and Motor Skills, 25, 525-542.



[2] 'Percepção dermo-óptica', 2014.

[3] Irwin, 2015.

[4] Brugger & Weiss, 2008; Larner, 2006.

[5] Liddle, 1964, p. 24.

[6] 1920/1924, pseudônimo do poeta e escritor francês Louis Farigoule.

[7] para revisões, ver Berger & Berger, 1991; Duplessis, 1975; Gardner, 1996/2003; Liddle, 1964.

[8] 'Abram S. Novomeysky', sd

[9] Ostrander & Schroeder, 1970.

[10] Ostrander & Schroeder, 1970.

[11] Gardner, 1966.

[12] Razran, 1966; Youtz, 1966.

[13] ex., Nickell, 2005.

[14] por exemplo, Benski et ai., 1998; Buckhout, 1965; Shih, 2008.

[15] por exemplo, Duplessis, 1985; Duplessis & Novomeysky, 1981; Jacobson, Frost, & King, 1966; Makous, 1966; Nash, 1971; Zavala, van Cott, Orr & Small, 1967.

[16] por exemplo, Brugger & Weiss, 2008; Duplessis, 1975; Passini & Rainville, 1992; Romains, 1920/1924.

[17] Brugger & Weiss, 2008.

[18] por exemplo, Duplessis & Novomeysky, 1981; Youtz, 1964.

[19] mas veja Ivanov, 1964.

[20] por exemplo, Kaiser, 1983.

[21] Makous, 1966.

[22] 1991, pág. 103.

[23] Nash 1971.

[24] para descrições gerais desses efeitos, veja Irwin & Watt, 2007.

[25] por exemplo, Duplessis & Novomeysky, 1981. Apesar dessas descobertas, a própria Duplessis preferiu a explicação infravermelha do DOP.

[26] Regras de Engenharia, sd; 'Como você pode bloquear ondas infravermelhas?', 2015; 'Que materiais comuns podem efetivamente bloquear a radiação infravermelha?', 2012.

terça-feira, 22 de março de 2022

O Homem Frente à História[1] - ANCIANIDADE DA RAÇA HUMANA[2]

 


Na história da Terra, a Humanidade talvez não passe de um sonho; e quando o nosso velho mundo adormecer nos gelos de seu inverno, a passagem de nossas sombras sobre sua face talvez nele não tenha deixado qualquer lembrança. A Terra possui uma história própria, incomparavelmente mais rica e mais complexa que a do homem. Muito tempo antes do aparecimento de nossa raça, durante séculos e séculos, ela foi seguidamente ocupada por habitantes diversos, por seres primordiais, que estenderam sua dominação sucessiva à sua superfície, e desapareceram com as modificações elementares da física do globo.

Num destes últimos períodos, na época terciária, à qual podemos fixar sem medo uma data de várias centenas de milhares  de anos, antes de nós, o sítio onde hoje Paris ostenta os seus esplendores era um Mediterrâneo, um golfo do oceano universal, acima do qual apenas se elevaram na França o terreno cretáceo de Troie, Rouen, Tours; o terreno jurássico de Chaumont, Bourges, Niort; o terreno triássico dos Vosges, e o terreno primitivo dos Alpes, do Auvergne e das costas da Bretanha. Mais tarde a configuração mudou. Na época em que ainda viviam o mamute, o urso das cavernas e o rinoceronte de narinas separadas, podia-se ir por terra de Paris a Londres; e talvez esse trajeto fosse efetuado por nossos antepassados daquele tempo, porque havia homens aqui, antes da formação da França geográfica.

Sua vida diferia tanto da nossa quanto a dos selvagens de que nos ocupávamos recentemente. Uns tinham construído suas aldeias sobre palafitas, no meio dos grandes lagos; essas cidades lacustres, comparáveis às dos castores, foram descobertas em 1853, quando, em consequência de uma longa estiagem, os lagos da Suíça baixaram, pondo a descoberto palafitas, utensílios de pedra, de chifre, de ouro e de argila, vestígios inequívocos da antiga habitação do homem; e essas cidades aquáticas não eram uma exceção: só na Suíça foram encontradas mais de duzentas. Conta Heródoto que os Paeonianos habitavam cidades semelhantes sobre o lago Prasias. Cada cidadão que tomava mulher era obrigado a mandar três pedras da floresta vizinha e as fixar no lago. Como o número das mulheres não era limitado, o piso da cidade cresceu depressa. As cabanas estavam em comunicação com a água por um alçapão, e as crianças eram amarradas pelo pé a uma corda, por medo de acidente. Homens, cavalo, gado, viviam juntos, alimentando-se de peixe. Hipócrates relata os mesmos costumes dos habitantes de Phase. Em 1826, Dumont d’Urville descobriu cidades lacustres análogas nas costas da Nova-Guiné.

Outros habitavam as cavernas, as grutas naturais ou construíam um refúgio grosseiro contra os animais ferozes. Hoje se encontram seus ossos misturados aos da hiena, do urso das cavernas, do rinoceronte ticorino. Um cavouqueiro, em 1852, querendo saber a profundidade de um buraco pelo qual os coelhos se esquivavam dos caçadores, em Aurignac (Haute-Garonne), retirou dessa abertura ossos de grande dimensão. Atacando então o flanco do montículo, na esperança de ali encontrar um tesouro, logo se achou em frente de um verdadeiro ossuário. O rumor público, apoderando-se do fato, pôs em circulação relatos de moedeiros falsos, de assassinatos etc. O prefeito julgou por bem mandar reunir todas as ossadas para as levar ao cemitério; e quando, em 1860, o Sr. Lartet quis examinar esses velhos restos, o coveiro nem mais se lembrava do lugar da sepultura. Não obstante, com o auxílio de raros vestígios que cercavam a caverna, traços de um foco, ossos quebrados para extrair a medula, pode-se assegurar que as três espécies acima referidas viveram nesse ponto da França ao mesmo tempo que o homem. O cão já era companheiro do homem, e sem dúvida foi a sua primeira conquista.

O alimento desses homens primitivos já era muito variado. Pretende um professor que a proporção entre carnívoros e frugívoros era de doze para vinte. Acha o Sr. Florens que eles se nutriam exclusivamente de frutos. Mas a verdade é que, desde o começo, o homem foi onívoro. Os kjokkenmoddings da Dinamarca nos conservam restos de cozinha antediluviana, provando este fato até a evidência. Já almoçavam ostras e peixes, conheciam o ganso, o cisne, o pato; apreciavam o galo silvestre, o cervo, o cabrito-montês, a rena, que caçavam, dos quais foram encontrados restos trespassados por flechas de pedra. O bisão ou boi primitivo já lhe dava leite; o lobo, a raposa, o cão e o gato lhes serviam de prato principal. As landes, a cevada, a aveia, as ervilhas, as lentilhas lhes davam o pão e os legumes; o trigo só veio mais tarde. As avelãs, as bolotas, as maçãs, as peras, os morangos e as framboesas rematavam essas iguarias dos antigos dinamarqueses. Os suíços da idade da pedra se apoderaram da carne do bisão, do alce e do touro selvagem, tinham domesticado a cabra e a ovelha. A lebre e o coelho eram desdenhados por alguma razão supersticiosa; mas, em compensação, o cavalo já havia tomado lugar em suas refeições. Todas essas carnes eram comidas cruas e fumegantes na origem e, observação curiosa, os antigos dinamarqueses não se serviam, como nós, dos dentes incisivos para cortar, mas segurar, reter e mastigar o alimento, de sorte que esses dentes não eram cortantes, como os nossos, mas achatados, como nossos molares e as duas arcadas dentárias pousavam uma sobre a outra, em vez de se encaixarem.

Nem todos os selvagens primitivos eram nus. Os primeiros habitantes das latitudes boreais, da Dinamarca, da Gália e da Helvécia, tiveram que se garantir contra o frio com agasalhos de peles. Mais tarde pensaram nos ornamentos. O coquetismo, o amor aos enfeites não datam de hoje, senhoras: testemunham esses colares formados com dentes de cão, de raposa e de lobo, atravessados por um furo de suspensão. Mais tarde os grampos para cabelo, os braceletes, os pegadores de bronze se multiplicaram ao infinito, e é surpreendente a variedade e até o bom-gosto dos objetos que serviam à toalete das senhorinhas e dos homens elegantes daquele tempo.

Naquelas idades recuadas, enterravam os mortos sob abóbadas sepulcrais. Os cadáveres eram colocados em posição agachada, os joelhos quase tocando o queixo, os braços cruzados sobre o peito e aproximados da cabeça. Como se observou, é esta a posição da criança no seio materno. Esses homens primordiais certamente o ignoravam, e é por uma espécie de intuição que equiparavam o túmulo a um berço.

Vestígios de idades que se foram, esses grandes túmulos, esses montículos, essas colinas que nos séculos passados eram chamados “túmulos de gigantes” e que serviam de limites invioláveis, são câmaras mortuárias, sob as quais nossos antepassados escondiam seus mortos. Quais eram esses primeiros homens? “Não é apenas por curiosidade, diz Virchow, que perguntamos quem eram esses mortos, se em vida pertenciam a uma raça de gigantes. Essas questões nos interessam. Esses mortos são nossos antepassados, e as perguntas que dirigimos a esses túmulos se ligam igualmente à nossa própria origem. De que raça saímos? De que fonte saiu nossa cultura atual e para onde ela nos conduz?”

Não é preciso remontar à criação para receber algum clarão sobre as nossas origens; do contrário ver-nos-íamos condenados a permanecer sempre numa noite completa a esse respeito. Apenas sobre a data da criação contaram-se mais de 140 opiniões, e da primeira à última não há menos de 3.194 anos de diferença! Acrescentar uma 141ª hipótese não esclareceria o problema. Assim, limitar-nos-emos a esclarecer que, do ponto de vista geológico, o último período da história da Terra, o período quaternário, o que dura ainda hoje, foi dividido em três fases: a fase diluviana, durante a qual houve imensas inundações parciais, e vastos depósitos e acumulações de areia; a fase glaciária, caracterizada pela formação de geleiras e por um maior resfriamento do globo; enfim a fase moderna. Em suma, a importante questão, hoje mais ou menos resolvida, era saber se o homem não data senão desta última época, ou das precedentes.

Ora, agora está comprovado que data no mínimo da primeira, e que os nossos primeiros ancestrais têm direito ao título de fósseis, considerando-se que suas ossadas (o pouco que resta) jazem com as do ursus spelaeus, da hiena e dos felis spelaea, do elephas primigenius, do megacero etc., numa camada pertencente a uma ordem de vida diferente da ordem atual.

Nessas épocas longínquas reinava uma Natureza muito diferente da que hoje desdobra os seus esplendores em volta de nós; outros tipos de plantas decoravam as florestas e os campos; outras espécies de animais viviam na superfície do solo e nos mares. Quais foram os primeiros homens que despertaram nesse mundo primordial? Que cidades foram edificadas? Que língua foi falada? Que costumes estiveram em uso? Estas questões ainda estão cercadas para nós de profundo mistério. Mas o de que temos certeza é que ali onde fundamos dinastias e monumentos, várias raças de homens habitaram sucessivamente, durante períodos seculares.

Sir John Lubbock, na obra assinalada no começo deste estudo, demonstrou a ancianidade da raça humana pelas descobertas relativas aos usos e costumes de nossos ancestrais, como Sir Charles Lyell o tinha demonstrado do ponto de vista geológico. Seja qual for o mistério que ainda envolve as nossas origens, preferimos esse resultado ainda incompleto da ciência positiva, às fábulas e aos romances da antiga mitologia.

Camille Flammarion



[1] Revista Espírita – Dezembro/1867 – Allan Kardec.

[2] Este artigo é tirado dos artigos científicos que o Sr. Flammarion publicou no Siècle. Julgamos por bem reproduzi-lo, primeiro porque sabemos do interesse dos nossos leitores pelos escritos desse jovem sábio, e, além disso, porque, do ponto de vista da Ciência, ele toca em alguns pontos fundamentais da doutrina exposta em nossa obra sobre a Gênese.