sábado, 8 de dezembro de 2018

VENCENDO O PASSADO[1]



Adriana Machado

Vocês têm a sensação de que estão enfrentando uma batalha diariamente? Por vezes, é assim que me sinto!
Todos os dias, acordamos com a sensação de que não podemos esmorecer, que não podemos nos deixar abater diante das experiências que já estamos vivendo ou das que iremos enfrentar. Todos os dias, já acordamos armados, buscando fôlego para não desanimarmos ante a falta de uma visão mais esperançosa, seja na nossa vida, seja na vida de outras pessoas que, indiretamente, tomamos conhecimento e nos influenciamos.
Comecei a sentir isso e percebi que a cada dia estava mais e mais cansada. A cada dia parecia que as minhas forças estavam se esvaindo... e eu não sabia para onde estavam indo!
Comecei a me entregar a uma sensação de abandono e impotência... e tenho de dizer que é horrível viver assim! Mas, não pensem que estava depressiva. Não! Eu estava bem... bem para conseguir flagrar esse processo em mim e me policiar para não descer mais fundo. E por esta razão, imagino o quão é arrebatador estarmos portadores da depressão. Não a desejo para ninguém e não critico quem está com dificuldade para superá-la.
De qualquer forma, como eu dizia, vendo-me entrar neste processo, precisei parar e ter coragem para descobrir o que estava “errado” em mim. Graças a Deus, achei e continuo achando algumas respostas e elas serviram e servirão como ferramentas imprescindíveis para a superação desta fase na minha vida. Afirmo que, tomando coragem e fazendo essa análise, cada um poderá achar as suas próprias respostas[2].
Mas, o que seria esse momento, afinal de contas? Dentre tantas outras respostas, posso afirmar que é um período em que estamos vivendo o nosso presente tendo o nosso passado incompreendido como base.
Pode parecer óbvio e infalível o que acabei de dizer, afinal, o presente sempre terá o passado como base, mas precisamos fazer algumas ressalvas. Passado é passado e quando não o deixamos lá, principalmente nas experiências que não superamos, estaremos vivenciando no hoje:
·         todos os traumas nele (passado) criados,
·     todas as nossas crenças limitantes que construímos com os traumas, usando-as como se fossem as ferramentas certas, mas, na essência, sendo equivocadas para o nosso caminhar.
Diante dessa nossa ação, estaremos literalmente construindo uma vida sobre um terreno bem instável de areia fofa. A qualquer momento, sob qualquer tempestade, ela (construção) sucumbirá por falta de segurança ou fortaleza de nossa base.
Para não haver dúvidas sobre o que estou falando, quando afirmamos que o presente tem o passado como alicerce, não é o passado em si, mas todo entendimento que extraímos das experiências que já vivenciamos.
A base de nosso presente deve ser o aprendizado e não o resultado que extraímos das nossas vivências no ontem.
Dentre outras explicações, a sensação de fragilidade, de desgosto com a vida, são o resultado de nos perdermos em nossos medos e angústias que têm o seu foco nas experiências que vivenciamos, mas que com elas ainda não aprendemos toda a essência do que é necessário para o nosso caminhar seguro.
Assim, ouvimos muito sobre as posturas otimistas e espiritualizadas que devemos tomar para não sucumbirmos diante das dificuldades diárias que enfrentamos, mas, se não compreendermos que a nossa base está instável, continuaremos acrescentando mais peso sobre paredes que não aguentarão todo o peso nelas depositado.
Friso aqui que não estou dizendo que precisamos saber a origem de todo e qualquer trauma, mas sim que precisamos tornar segura a base, iniciando: por um processo de alimentar em nós a certeza de:
·         que cada experiência vivida é uma benção para o nosso crescer,
·    que apesar das dificuldades, tudo passa e, com certeza, estaremos melhores amanhã,
·   que nossas crenças deixarão de ser limitantes, ficando o passado no passado naquilo que ainda não temos condição de compreender,
·     que não sabemos o que fazer faz parte de nossa elevação e não precisamos nos punir por isso,
·      e, tentando colocar em prática todos os itens anteriores, nossos dias estarão mais sadios e leves porque essa será a nossa verdade.

Estaremos vencendo o passado quando, deixando-o nos influenciar no momento certo de cada vivência, ele depositará aos nossos pés os instrumentos com os quais antes já nos deparamos, mas, pela nossa falta de compreensão não os tínhamos entendido. Agora, no entanto, com o pouco do que já vivenciamos, poderemos melhor usá-los para a depuração de nosso ser.
Assim, o passado estará por nós e não contra nós.
Um viva para a nossa vitória!




[2] Não estou falando de casos em que a depressão já seja uma realidade. Para esse quadro, somente através de um acompanhamento profissional, associado ao enriquecimento espiritual, poderá auxiliar efetivamente na sua superação.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

ELES ESTÃO AO NOSSO REDOR[1]




Maurício de Castro

Você está bem, mas de repente e sem explicação começa a ficar irritada, ter pensamentos estranhos, sintomas de doenças, vontade de brigar com as pessoas, sente tristeza, angústia, inquietação ou também pode sentir, igualmente sem explicação, uma grande alegria, sensação de bem estar, de paz, ou sentir cheiros de flores, perfumes ou simplesmente sentir uma brisa circulando seu rosto.
Esses fenômenos, aparentemente sem explicação, têm sua origem na interferência dos espíritos desencarnados que circulam à nossa volta.
Vivemos rodeados por uma população imensa de espíritos que, após a morte, se recusaram a voltar para seus locais de origem e vivem perambulando pela crosta terrestre, tentando resolver problemas que ficaram pendentes ou querendo ajudar aqueles que amam.
Esses espíritos estão perturbados e, quando se aproximam de nós, acabamos por sentir o que eles sentem.
Se você fosse um bom médium vidente, ficaria surpreso ao constatar a presença dos seres que vivem ao nosso lado sem que possamos suspeitar. Além dos espíritos desencarnados, existem as formas pensamentos criadas pelas pessoas, os seres elementais, dentre outras formas de vida que não estão ao alcance dos olhos humanos, mas que existem e interferem constantemente em nossas vidas.
Na rua, no nosso local de trabalho, no comércio, no trânsito e principalmente em nossas casas há espíritos de todos os níveis convivendo conosco, nos observando, sabendo o que fazemos e se aproveitando dos nossos pontos fracos.
Em cada ambiente há espíritos que têm afinidades. Se você fosse vidente e entrasse num bar, por exemplo, veria uma quantidade enorme de espíritos que foram alcoólatras quando vivos e que, depois de mortos, não conseguindo beber no astral, voltam para a Terra e se aproximam de quem bebe sugando as energias da bebida e sentindo o mesmo prazer de antes. Assim ocorre nos hospitais, nas igrejas, nos centros espíritas. Todos esses ambientes têm espíritos com algum interesse.
Você pode estar fazendo algo muito errado e pensa que ninguém está vendo, mas os espíritos sabem e podem nos usar a partir daí.
No sexo também ocorre grande influência. Nos motéis e hotéis que têm esse fim, nas relações sexuais desenfreadas, há espíritos que se colam às pessoas para sentir o prazer sexual como sentiam quando eram vivos.
Mas também há a parte positiva. Quando você pensa e faz coisas positivas, os espíritos de luz também que a acompanham e protegem.
Nas nossas decisões quase sempre há uma influência espiritual que pode ser boa ou ruim a depender das nossas intenções.
Pense nisso e se você costuma ter hábitos que não são bons mude-os. Essa é a melhor maneira de se defender dos espíritos negativos.

Fonte: Intelitera

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

SUCUMBIR NA PROVA[1]


Miramez


Visto que Deus sabe tudo, sabe, igualmente, se um homem deve, ou não, sucumbir em uma prova; por conseguinte, qual a necessidade dessa prova, visto que ela não pode ensinar nada a Deus, que já não saiba, sobre a vida desse homem?
‒ Com isso queres perguntar por que Deus não criou o homem perfeito e realizado[2]; por que o homem deve passar pela infância antes de atingir a idade adulta[3]. A prova não tem o objetivo de esclarecer a Deus sobre o mérito desse homem, porque Deus sabe perfeitamente o que ele quer, mas de deixar a esse homem toda a responsabilidade de sua ação, visto que tem a liberdade de fazer ou não fazer. Tendo o homem a escolha entre o bem e o mal, a prova tem por efeito coloca-lo em luta com a tentação do mal e deixar-lhe todo o mérito da resistência. Ora, visto que Deus sabe muito bem, e antecipadamente, se ele triunfará ou não, não pode, em sua justiça, nem puni-lo nem recompensá-lo por um ato que ainda não tenha praticado[4].
Questão 871 – Livro dos Espíritos
Abrimos esta página com a anotação de João, no capítulo três, versículo trinta e cinco, que diz: “O Pai ama ao filho, e todas as cousas tem confiado às suas mãos”.
Deus confia sempre em Seus filhos, porque a todos os conhece; necessário se faz que correspondamos a essa confiança de Paternidade Divina. Muitos questionam que, se Deus é onisciente, por que deixa que os Espíritos sucumbam nas provas? Busquemos a resposta com nosso raciocínio, que a razão nos responderá, principalmente quando conhecemos a Doutrina Espírita.
É bastante claro para os estudiosos que, em se sucumbindo no caminho não se perde tudo; as experiências ficam, e muito aprende o Espírito na própria queda. Os grandes Espíritos que hoje se apresentam envoltos em luz, já sucumbiram no passado, recolhendo experiências nessas lutas. Então não vale a pena lutar? É de luta em luta que chegamos ao objetivo, na condição de alunos, ou mesmo professores para os que vêm em nossa retaguarda.
A impressão que dá a palavra sucumbir é de fracasso, entretanto, devemos entendê-la como lição. O aprendizado é contínuo e naquele que erra se gravam mais as lições e o conhecimento das leis de Deus, porque é reparando o erro que o Espírito adquire experiência.
Deus não criou o homem perfeito porque, a ser assim, não precisaria criar; ele ficaria no Seu seio divino, para a divina ventura espiritual. Quis o Senhor que tivéssemos personalidade, mostrando o seu trabalho perfeito, mas, na sequência de despertamento dos valores eternos.
Devemos estudar o Espírito, e isso fazemos constantemente, mas, conhecer totalmente a nós mesmos, depende de muito tempo e até mesmo de vivermos fora do tempo e do próprio espaço. Se nos confundimos com pouca coisa, em se referindo a nós, quanto mais em conhecer a vida e seus pormenores! Quando estivermos confundidos em assuntos relevantes como Deus, Cristo e nós mesmos, busquemos a oração, que ela alivia e nos ensina até onde devemos ir, no nosso crescimento espiritual.
Verdadeiramente somos crianças ante Jesus, e é justo que tomemos alimento de criança para não nos desequilibrarmos nas nossas fraquezas. O Pai nos deu liberdade de escolha, por saber que primeiramente iríamos escolher o mal, para que esse mal nos mostrasse o bem com maior firmeza de vida. Se assim não fora, não o permitiria. Já falamos muitas vezes que o mal não existe; ele é a estrada para chegarmos ao bem com mais certeza no amor e na verdade.
Deus certamente não irá punir um filho antes que esse filho experimente caminhos divergentes do amor, mas que, ao fim, levem a esse. O próprio juiz da Terra somente condena depois do erro. Essa é a dignidade da sua posição.
Se queres saber o que a alma primitiva vai fazer em seu caminho de despertamento espiritual, observa tuas próprias crianças; somente o tempo tem o poder de modificação das criaturas. A luz não pode se fazer em uma residência sem primeiro o projeto da sua fonte, a feitura da mesma, os fios, as lâmpadas. Assim as criaturas de Deus existem e têm uma sequência de vida, de trabalhos e de desvios, se podemos chamá-los por esse nome. Depois, vêm a bonança, a harmonia mental e a tranquilidade de consciência que não se perturba.
Para o espírita estudioso não é preciso conhecimento do futuro, pois o seu presente está de certa forma ligado ao futuro. Colhemos somente o que plantamos e ele sabe que está colhendo o que plantou no passado. Entretanto, a fé, as mudanças internas em seu favor têm o poder de limpar com mais urgência o magnetismo inferior que a invigilância criou.
Confiemos em Deus e em Jesus, que tudo mais nos virá por misericórdia. Essa é a nossa grande alegria de viver, trabalhando e ajudando, pois sabemos que nunca nos faltará a Luz de Deus em nossos caminhos, e ela fica cada vez mais visível para os companheiros que estão despertando para a vida maior.




[1] Filosofia Espírita – Volume 18 – João Nunes Maia
[2] KARDEC, Allan – Livro dos Espíritos – Questão 119.
[3] Idem, Questão 379.
[4] Idem, Questão 258.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

PERANTE OS FILHINHOS QUE RETORNAM PARA O ALÉM[1]


(Charles Proctor com sua mãe Amber Schofield - Credit: PA Real Life)


Jorge Hessen - jorgehessen@gmail.com

Efetivamente, ninguém está preparado para receber a notícia de que o filho tem câncer, ainda mais quando se trata de uma criança. E nada é capaz de preparar um pai e uma mãe para ver essa criança perder a batalha.
Em Lancashire, na Inglaterra, o menino Charles Proctor, de 5 anos, pediu “desculpas” à mãe antes de falecer em seus braços. Ele tinha um tipo raro de câncer e desencarnou no colo de sua mãe, Amber Schofield.
No mês de novembro de 2018, Schofield, 24 anos, segurava o pequeno Charles no colo, quando ele deu seu último suspiro. Em um post emocionado na página que criou no Facebook para contar a história do garoto e pedir ajuda financeira para que ele pudesse realizar um transplante nos Estados Unidos, ela relatou que, algumas horas antes de desencarnar, o menino disse a ela: “Mamãe, me desculpe por isso[2]”.
É dificílimo imaginar o tamanho da angústia pela qual passou Amber Schofield. Só quem viveu situações semelhantes pode descrever. Imaginemos a aflição da mãe ao ouvir o pedido de “desculpas” do filho, por uma situação da qual ele não tinha controle algum, apenas por vê-la sofrer. Todavia, a dignidade que Schofield experimentou, sem revolta e com humildade, demonstrou o quanto ela estava preparada para a situação.
Foi-se o corpo de Charles, não sua essência, o espírito imortal, que o corpo habitava. Há muitas pessoas que passam por experiência análoga, porém revoltam-se e blasfemam.
No século XIX, Allan Kardec inquiriu aos espíritos: “qual a utilidade das mortes prematuras”? E os Benfeitores responderam: que “a maioria das vezes servem como provação para os pais[3]”. Todavia, alguns insistem em dizer que é uma terrível tragédia ver uma vida, tão cheia de esperanças, ser ceifada prematuramente.
Pacifiquemos a consciência em vez de nos infelicitarmos quando for dos desígnios de Deus retirar um de nossos filhos deste planeta de provas e expiações. Concebemos que muitas situações chamadas de infelicidade, segundo apressadas interpretações, cessam com a vida física e encontram a sua compensação na vida além-túmulo.
Há casos de desencarnações precoces que não estão inseridos no processo de consequências naturais das escolhas do passado delinquente e configuram sim, ações meritórias de Espíritos missionários que renascem para viverem poucos anos em contato com a carne em função de tarefas espirituais relevantes. Sobre isso, o Espirito André Luiz escreveu o seguinte:
Conhecemos grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo, simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais, recobrando, logo após o serviço levado a efeito, a respectiva apresentação que lhes era costumeira[4]. [3]
Emmanuel, com a nobre sensibilidade que lhe assinala o modo de ser, considera que “nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio”. E acentua, convincente: “Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia[5]”.
Porém, ante aqueles que demandam a Vida na Espiritualidade, o comportamento do espírita é algo diferente, ou pelo menos deve ser diferente, variando contudo de pessoa a pessoa, com prevalência, evidentemente, de fatores ligados à fé e à emotividade. Chora, discreto, mas se fortalece na oração. Na certeza da Imortalidade Gloriosa, reprime o pranto que desliza na fisionomia sofrida, porém busca na Esperança uma das virtudes evangélicas, o bálsamo para a saudade justa.
O Espírita sincero jamais se confia ao desespero. “Não cede aos apelos da revolta, porque revolta é insubordinação ante a Vontade do Pai, que o espírita aprende a aceitar, paradoxal e estranhamente jubiloso, por dentro, vergado embora ao peso das mais agudas aflições[6]”.

Fonte: A Luz na Mente




[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001 questão n° 346 a 347.
[4] XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB 1988 Xavier.
[5] PARALVA, J. Martins. O PENSAMENTO DE EMMANUEL, RJ: Ed FEB, 1990.
[6] Idem.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Médiuns Curadores[1]




Um oficial de caçadores, espírita de longa data, e um dos numerosos exemplos de reformas morais que o Espiritismo pode operar, transmitiu-nos os seguintes detalhes:
Caro mestre, aproveitamos as longas horas de inverno para nos entregarmos com ardor ao desenvolvimento de nossas faculdades mediúnicas. A tríade do 4º caçador, sempre unido, sempre vivo, inspira-se em seus deveres e ensaia novos esforços.
Sem dúvida desejais conhecer o objeto de nossos trabalhos, a fim de saber se o campo que cultivamos não é estéril. Podereis julgá-lo pelos detalhes seguintes. Desde alguns meses nossos trabalhos têm como meta o estudo dos fluidos. Esse estudo desenvolveu em nós a mediunidade curadora; assim, agora a aplicamos com sucesso. Há alguns dias, uma simples emissão fluídica de cinco minutos com minha mão foi suficiente para tirar uma nevralgia violenta.
Há vinte anos a Sra. P... estava afetada por uma hiperestesia aguda ou exagerada sensibilidade da pele, moléstia que a retinha no quarto há quinze anos. Mora numa pequena cidade vizinha e, tendo ouvido falar de nosso grupo espírita, veio buscar alívio junto de nós. Partiu ao cabo de trinta e cinco dias, completamente curada. Durante esse tempo recebeu diariamente um quarto de hora de emissão fluídica, com o concurso de nossos guias espirituais.
Ao mesmo tempo cuidávamos de um epiléptico, acometido por essa terrível enfermidade há vinte e sete anos. As crises se repetiam quase todas as noites, durante as quais sua mãe passava longas horas à sua cabeceira. Trinta e cinco dias bastaram para esta cura importante; e como aquela mãe estava feliz, levando o filho radicalmente curado! Nós nos revezávamos os três de oito em oito dias. Para a emissão fluídica, ora colocávamos a mão sobre a boca do estômago do doente, ora sobre a nuca, na raiz do pescoço. Cada dia o doente podia constatar uma melhora; nós mesmos, após a evocação e durante o recolhimento, sentíamos o fluido exterior nos invadir, passar em nós e se nos escapar dos dedos esticados e dos braços estendidos para o corpo do paciente que tratávamos.
Neste momento oferecemos os nossos cuidados a um segundo epiléptico; desta vez a moléstia talvez seja mais rebelde, porque é hereditária. O pai deixou nos quatro filhos o germe desta afecção; enfim, com a ajuda de Deus e dos Espíritos bons, esperamos reduzi-la em todos eles.
Caro mestre, reclamamos o socorro de vossas preces e das dos nossos irmãos de Paris. Para nós, esse concurso será um encorajamento e um estímulo aos nossos esforços. Depois, vossos Espíritos bons podem vir em nosso auxílio, tornar o tratamento mais salutar e abreviar a sua duração.
Como bem podeis imaginar, só aceitamos como recompensa – e já deve ser bastante – a satisfação de ter feito o nosso dever e obedecido ao impulso dos Espíritos bons. O verdadeiro amor do próximo traz consigo uma alegria sem mescla e deixa em nós algo de luminoso, que encanta e eleva a alma.
Assim, procuramos, tanto quanto nos permitem nossas imperfeições, compenetrarmo-nos dos deveres do verdadeiro espírita, que mais não são que a aplicação dos preceitos evangélicos.
O Sr. G... de L... deve trazer-nos o seu cunhado, que um Espírito malfazejo subjuga há dois anos. Lamennais, nosso guia espiritual, encarrega-nos do tratamento dessa rebelde obsessão.
Deus nos daria também o poder de expulsar os demônios? Se assim fosse, só teríamos de nos humilhar ante tão grande favor, em vez de nos orgulharmos. Quão maior ainda não seria para nós a obrigação de nos melhorarmos, para testemunhar o nosso reconhecimento e para não perdermos dons tão preciosos!”

Tendo sido lida esta interessante carta na Sociedade Espírita de Paris, na sessão de 18 de dezembro de 1863, um de nossos bons médiuns obteve a respeito, espontaneamente, as duas comunicações seguintes:
Existindo no homem em diferentes graus de desenvolvimento, em todas as épocas a vontade tem servido tanto para curar quanto para aliviar. É lamentável sermos obrigados a constatar que, também, foi a fonte de muitos males, mas é uma das consequências do abuso que, muitas vezes, o ser faz do livre-arbítrio.
A vontade desenvolve o fluido, seja animal, seja espiritual, porque, como sabeis agora, há vários gêneros de magnetismo, em cujo número estão o magnetismo animal e o magnetismo espiritual que, conforme a ocorrência pode pedir apoio ao primeiro. Um outro gênero de magnetismo, muito mais poderoso ainda, é a prece que uma alma pura e desinteressada dirige a Deus.
A vontade muitas vezes foi mal compreendida. Em geral aquele que magnetiza não pensa senão em manifestar sua força fluídica, derramar o seu próprio fluido sobre o paciente submetido aos seus cuidados, sem se preocupar se há ou não uma Providência que se interesse pelo caso tanto ou mais que ele.
Agindo só não pode obter senão o que a sua força, sozinha, pode produzir, ao passo que os médiuns curadores começam por elevar sua alma a Deus e a reconhecer que, por si mesmos, nada podem.
Fazem, por isto mesmo, um ato de humildade, de abnegação; então, confessando-se demasiado fracos, Deus, em sua solicitude, lhes envia poderosos socorros, que o primeiro não pode obter, já que se julga suficiente para a obra empreendida. Deus sempre recompensa a humildade sincera, elevando-a, ao passo que rebaixa o orgulho.
Esse socorro que envia são os Espíritos bons, que vêm penetrar o médium de seu fluido benfazejo, o qual é transmitido ao doente.
Também é por isto que o magnetismo empregado pelos médiuns curadores é tão potente e produz essas curas classificadas de miraculosas, e que são devidas simplesmente à natureza do fluido derramado sobre o médium; enquanto o magnetizador ordinário se esgota, muitas vezes inutilmente, em dar passes, o médium curador infiltra um fluido regenerador pela simples imposição das mãos, graças ao concurso dos Espíritos bons. Mas esse concurso só é concedido à fé sincera e à pureza de intenção.
Mesmer (Médium: Sr. Albert)

Uma palavra sobre os médiuns curadores de que acabais de falar. Estão todos nas mais louváveis disposições; têm a fé que transporta montanhas, o desinteresse que purifica os atos da vida e a humildade que os santifica. Que perseverem na obra de beneficência que empreenderam; que bem se lembrem de que aquele que pratica as leis sagradas ensinadas pelo Espiritismo, aproxima-se constantemente do Criador. Que, ao empregarem sua faculdade, a prece, que é a vontade mais forte, seja sempre o seu guia, o seu ponto de apoio. Em toda a sua existência, o Cristo vos deu a mais irrecusável prova da vontade mais firme; mas era a vontade do bem e não a do orgulho. Quando por vezes dizia: eu quero, a palavra estava cheia de unção; seus apóstolos, que o cercavam, sentiam abrir-se o coração a esta santa palavra. A doçura constante do Cristo, sua submissão à vontade do Pai, sua perfeita abnegação, são os mais belos modelos da vontade que se possa propor para exemplo.
Paulo, apóstolo – Médium: Sr. Albert

Algumas explicações farão compreender facilmente o que se passa nesta circunstância. Sabe-se que o fluido magnético ordinário pode dar a certas substâncias propriedades particulares ativas. Neste caso, age de certo modo como agente químico, modificando o estado molecular dos corpos; nada há, pois, de admirável que possa modificar o estado de certos órgãos; mas igualmente se compreende que sua ação, mais ou menos salutar, deve depender de sua qualidade; daí as expressões “bom ou mau fluido; fluido agradável ou penoso”. Na ação magnética propriamente dita, é o fluido pessoal do magnetizador que é transmitido, e esse fluido, que não é senão o perispírito, sabe-se que participa sempre, mais ou menos, das qualidades materiais do corpo, ao mesmo tempo em que sofre a influência moral do Espírito.
É, pois, impossível que o fluido próprio de um encarnado seja de pureza absoluta, razão por que sua ação curativa é lenta, por vezes nula, por vezes até nociva, porque pode transmitir ao doente princípios mórbidos. Pelo fato de um fluido ser bastante abundante e enérgico para produzir efeitos instantâneos de sono, de catalepsia, de atração ou de repulsão, não se segue absolutamente que tenha as necessárias qualidades para curar; é a força que derruba, e não o bálsamo, que suaviza e restaura; assim, há Espíritos desencarnados de ordem inferior, cujo fluido pode mesmo ser muito maléfico, o que os espíritas a todo instante têm ocasião de constatar. Só nos Espíritos superiores o fluido perispiritual está despojado de todas as impurezas da matéria; está, de certo modo, quintessenciado; por conseguinte, sua ação deve ser mais salutar e mais imediata; é o fluido benfazejo por excelência. Visto que não pode ser encontrado entre os encarnados, nem entre os desencarnados vulgares, faz-se mister pedi-lo aos Espíritos elevados, como se vai procurar em regiões distantes os remédios que não encontramos em nossa terra.
O médium curador pouco emite de seu próprio fluido; sente a corrente do fluido estranho que o penetra e ao qual serve de conduto; é com esse fluido que magnetiza, e aí está o que caracteriza o magnetismo espiritual e o distingue do magnetismo animal: um vem do homem; o outro, dos Espíritos. Como se vê, nada há nisso de maravilhoso, mas um fenômeno resultante de uma lei da Natureza, que não se conhecia.
Para curar pela terapêutica ordinária, não bastam os primeiros medicamentos que surgem; são precisos puros, não avariados ou adulterados, e convenientemente preparados. Pela mesma razão, para curar pela ação fluídica, os fluidos mais depurados são os mais salutares; já que esses fluidos benfazejos são os próprios fluidos dos Espíritos superiores, é o concurso destes últimos que se deve obter. Por isto a prece e a invocação são necessárias. Mas para orar e, sobretudo, orar com fervor, é preciso fé. Para que a prece seja ouvida, é preciso que seja feita com humildade e ditada por um real sentimento de benevolência e de caridade. Ora, não há verdadeira caridade sem devotamento, nem devotamento sem interesse. Sem estas condições o magnetizador, privado da assistência dos Espíritos bons, fica reduzido às suas próprias forças, muitas vezes insuficientes, ao passo que com o concurso deles, elas podem ser centuplicadas em poder e em eficácia. Mas não há licor, por mais puro que seja, que não se altere ao passar por um vaso impuro; dá-se o mesmo com o fluido dos Espíritos superiores, ao passar pelos encarnados. Daí, para os médiuns nos quais se revela essa preciosa faculdade, e que querem vê-la crescer e não se perder, a necessidade de trabalharem o seu melhoramento moral.
Entre o magnetizador e o médium curador há, pois, esta diferença capital: o primeiro magnetiza com o seu próprio fluido, e o segundo com o fluido depurado dos Espíritos; donde se segue que estes últimos dão o seu concurso a quem querem e quando querem; que podem recusá-lo e, por conseguinte, tirar a faculdade daquele que dela abusasse ou a desviasse de seu fim humanitário e caritativo, para dela fazer comércio. Quando Jesus disse aos apóstolos: “Ide! expulsai os demônios, curai os enfermos”, acrescentou: “Dai de graça o que de graça recebestes”.
Os médiuns curadores tendem a multiplicar-se, como anunciaram os Espíritos, e isto em vista de propagar o Espiritismo, pela impressão que esta nova ordem de fenômenos não deixará de produzir nas massas, porquanto não há quem não ligue para a sua saúde, mesmo os maiores incrédulos. Desse modo, quando virem obter com o concurso dos Espíritos o que a Ciência não pode dar, forçoso será convir que há uma força fora do nosso mundo. Assim a Ciência será levada a sair da via exclusivamente material em que ficou até hoje. Quando os magnetizadores antiespiritualistas ou antiespíritas virem que existe um magnetismo mais poderoso que o seu, serão forçados a remontar à verdadeira causa.
Importa, todavia, precaver-se contra o charlatanismo, que não deixará de tentar explorar em proveito próprio esta nova faculdade. Para isto, há um meio muito simples: lembrar-se de que não há charlatanismo desinteressado, e que o desinteresse absoluto, material e moral, é a melhor garantia de sinceridade. Se há uma faculdade dada por Deus com um objetivo santo, sem sombra de dúvida é esta, pois que exige imperiosamente o concurso dos Espíritos superiores, e este não pode ser adquirido pelo charlatanismo. É para que se fique bem edificado quanto à natureza toda especial desta faculdade que nós o descrevemos com alguns detalhes. Embora tenhamos podido constatar-lhe a existência por fatos autênticos, muitos dos quais passados sob os nossos olhos, pode dizer-se que ainda é rara, e só existe parcialmente nos médiuns que a possuem, seja por não terem todas as qualidades requeridas para possui-la em sua plenitude, seja por estar ainda em começo. Eis por que, até hoje, os fatos não tiveram muita repercussão; mas não tardarão a tomar desenvolvimentos capazes de chamar a atenção geral. Dentro de poucos anos ela se revelará nalgumas pessoas predestinadas para isto, com uma força que triunfará de muitas obstinações. Mas não são os únicos fatos que o futuro nos reserva, e pelos quais Deus confundirá os orgulhosos e os convencerá de sua impotência. Os médiuns curadores são um dos mil meios providenciais para atingir este objetivo e acelerar o triunfo do Espiritismo. Compreende-se facilmente que esta qualificação não pode ser conferida aos médiuns escreventes, que obtêm receitas médicas de certos Espíritos.
Não encaramos a mediunidade curadora senão do ponto de vista fenomênico e como meio de propagação, e não como recurso habitual. Em próximo artigo trataremos de sua possível aliança com a Medicina e o magnetismo ordinários.




[1] Revista Espírita – Janeiro/1864 – Allan Kardec

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

IRMÃ SCHEILLA[1]


1915(?) - 1943


Peixotinho, em Macaé-RJ, iniciou um trabalho de orações para as vítimas da Segunda Grande Guerra. Foi então que, de repente, chegou lá e se materializou um espírito chamado Rodolfo (nas primeiras vezes em que psicografou mensagens, assinava "O Fuzilado"), que contou que era de uma família legitimamente espírita, morando na Alemanha. Ele teve que servir na guerra como oficial-médico e o pai dele, Dr. Fritz, muito reservado, educado, severo, muito autêntico, que passou muitas ideias humanitárias aos filhos, havia lhe dito:
‒ Matar nunca.
Ao que Rodolfo respondeu:
‒ Pai, não é isso, vou servir como médico.
Pois bem, em certa ocasião, o Dr. Rodolfo foi chamado como oficial para integrar um pelotão de fuzilamento. Ele, então, disse:
‒ A minha missão é salvar, não matar.
E, de acordo com o regulamento militar, ele passou a ser considerado criminoso, porque deixou de servir à pátria, pois a pátria pedia a ele que matasse alguém e ele se negou. Então, disseram-lhe:
‒ Já que você não vai executar esse homem, você vai ficar junto dele para morrer como um traidor.
E ele foi fuzilado na mesma hora. A essa altura, manifestou-se (espiritualmente) ao pai e disse:
‒ Pai, já estou na outra dimensão da vida. Cumpri a palavra empenhada: não matei, preferi morrer.
Para que não continuasse no ambiente de guerra, foi amparado espiritualmente aqui, no Grupo Espírita Pedro (Macaé-RJ). Peixotinho, por ter sido militar, em razão justa, como espírita, tinha esse trabalho de preces em benefício das vítimas de guerra e pela paz. E esses fatos se deram no auge da Segunda Guerra Mundial, quase no final.
Certo dia, Rodolfo (espírito) disse, assim, no Grupo de Oração do Peixotinho:
‒ Orem por minha irmã, ela está correndo perigo.
E como a voz do alemão, através da voz direta por ectoplasmia, não era bem nítida, um sotaque carregado, a pronúncia do nome da sua irmã não saía boa, ao invés de Scheilla, saía Ceila. Passado alguns dias ele disse:
‒ Minha irmã acabou de desencarnar. Foi vítima de bombardeio da aviação. Ela e meu pai desencarnaram.
Dias depois, para agradável surpresa da equipe, materializou-se uma jovem loura e disse:
‒ Eu sou Scheilla.
Foi muita alegria! Os irmãos ficaram cheios de júbilos espirituais.
Tem-se notícias apenas de duas encarnações de Scheilla: uma na França, no século XVI, e a outra na Alemanha, onde desencarnou em 1943 (como Scheilla). Na existência francesa, chamou-se Joana Francisca Frémiot, nascida em Dijon, a 28/01/1572 e desencarnada em Moulins, a 13/12/1641. Ao entrar na história, ficou mais conhecida como Santa Joana de Chantal (canonizada em 1767) ou Baronesa de Chantal. Casou-se aos 20 anos com o barão de Chantal. Tendo muito cedo perdido seu marido, abandonou o mundo com seus 4 filhos, partilhando o seu tempo entre as orações, as obras piedosas e os seus deveres de mãe. Em 1604, tendo vindo pregar em Dijon, o bispo de Genebra, S. Francisco de Salles, submeteu-se à sua direção espiritual. Fundaram em Annecy a congregação da Visitação de Maria (1610), que contava, à data de sua morte, com 87 conventos e, no primeiro século, com 6.500 religiosos. A baronesa de Chantal dirigiu, como superiora, de 1612 a 1619 a casa que havia fundado em Paris, no bairro de Santo Antônio. Em Paris, instalaram-se em pequena casa alugada em bairro pobre. Passaram por grandes necessidades, mas a Ordem da Visitação (de Paris) foi aumentando e superou as dificuldades. Em 1619, São Vicente de Paulo ficou como superior do Convento da Ordem da Visitação. Santa Joana de Chantal deixou o cargo de superiora da Ordem da Visitação e voltou a Annecy, onde ficava a casa-mãe da ordem. A Santa várias vezes tornou a ver São Vicente de Paulo, seu confessor e diretor espiritual.
É um espírito esplendoroso pela luz que esparge, e sua presença é notada por ondas perfumadas que imprime ao local.
Ela era enfermeira e trabalhava no socorro às vítimas da Segunda Guerra Mundial.
Sua morte aconteceu aos 28 anos em decorrência do mais violento ataque aéreo em julho ou agosto de 1943, na cidade de Hamburgo, no campo de batalha, enquanto socorria os feridos.
Depois disso, o espírito de Scheilla vinculou-se a grupos espirituais que atuam em nome de Jesus.
A característica do seu trabalho é na área humana, assistindo aos doentes.
Livros de Irmã Scheilla: "A mensagem do dia" - de Scheilla para você, autor: Clayton B. Levy; "Novas mensagens" - de Scheilla para você, Autor: Clayton B. Levy; "Materializações Luminosas", Autor: R. A. Ranieri.




sábado, 1 de dezembro de 2018

PEREGRINA LUZ ANUNCIA O AMANHECER DE UMA NOVA ERA[1]




Bezerra de Menezes


Filhas e filhos do coração,

Na densa noite que aturde a criatura humana, rica de tecnologia de ponta e pobre de sentimentos morais, surge peregrina luz, anunciando o amanhecer. A Nova Era, programada pelos guias da Humanidade, está colocando os seus alicerces no coração das criaturas humanas, preparando o período de plenitude que nos está prometido pelo Senhor desde os dias do Sermão Profético anotado por Marcos no capítulo 13 do seu Evangelho, que as expectativas humanas demoram-se aguardando as dores que deveriam chegar, produzindo a seleção dos trabalhadores do bem na edificação do mundo melhor.
As entidades venerandas que se comunicaram nos dias que precederem a Codificação do Espiritismo, revigoram a promessa de Jesus de que, se não fosse a abnegação de muitos, a destruição seria terrível e por isso o Pai Misericordioso procurou diminuir as dores que pesariam sobre a Humanidade, insatisfeita e invigilante. Anunciaram o momento da grande mudança para Mundo de Regeneração. Essa operação fantástica que vem ocorrendo desde os longínquos dias do surgimento da Doutrina Espírita, codificada na Terra, alcança o seu clímax nestes gloriosos e atormentados dias.
O ser humano, que parece haver perdido o endereço de Deus, atropela, deixando-se arrastar pelo sentimento confuso que lhe domina a mente e atormenta as emoções, sem saber o rumo a seguir. Felizmente, a Doutrina que restaura a palavra do Senhor, volve à praça pública, permanece no ar, é percebida hoje graças aos veículos de comunicação em massa, especialmente pelo método virtual, a todos ensejando informar-se dos acontecimentos transcendentes que estão sucedendo em prol da criatura renovada.
Nestes dias, em que aqui estivemos debatendo questões fundamentais do nosso Movimento, em alto clima de respeito e de paz, os dois mundos intercambiaram, através da mediunidade dilatada pela inspiração, buscando as melhores diretrizes para servirem de alicerce à realização que já se encontra em início.
O Brasil, a pátria do Evangelho, parece despertar do letargo a que vem sofrendo inevitavelmente, em consequência da mudança que se opera no planeta, também desperta para a realidade nova do ser em relação a si mesmo, à sociedade, à vida. E o Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, desperto para as realidades novas, compreende que a única diretriz de segurança para o êxito é a vivência do amor, a unificação das entidades em decorrência da união das criaturas humanas.
Conseguistes abordar temas delicados em clima de alta fraternidade, à semelhança do primeiro Concílio, em Jerusalém, em que Pedro e Paulo se encontravam no momento grave da união ou da separação. A humildade de Pedro, ajoelhando-se aos pés do pregador das gentes, reverteu os planos maléficos da divisão, mantendo o Cristianismo na linha direta do amor com Jesus. Assim também, vindes conseguindo essa identificação, colocando ao lado pequenas divergências que, de maneira alguma, podem influenciar o conjunto harmônico que tem por meta a fraternidade universal.
Mas, ainda estamos no período de lutas, como asseverou o insigne Codificador. Dificuldades apresentam-se em toda parte. Perturbações sutis umas, graves outras, eclodem em nossas Casas convidando as pessoas generosas, mas incautas, a divergirem e a dissentirem em lamentáveis processos de obsessões sutis umas, mais graves outras.
Somente o amor pode trabalhar essas anfractuosidades que surgem em nosso Movimento nestes dias de preparação do grande período de libertação da alma humana dos grilhões do passado, das cadeias do ontem que ainda são muito fortes no ego de quase todos nós.
Mantende o coração liberado de preconceitos de qualquer natureza. Abri os braços ao recolhimento das criaturas humanas, porém mantende os postulados da Doutrina invioláveis, sem enxertos de qualquer natureza, porque se é verdade que o pensamento da Codificação evolve cada vez mais, não menos verdade é que o faz dentro das raízes fixadas, pelo Mundo Espiritual, nas obras fundamentais.
O que parece novo é nada mais do que melhor interpretação dos conteúdos básicos do pensamento kardequiano. Mantende a fidelidade ao trabalho do Venerando apóstolo de Lyon, sob os auspícios do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de que nessa unidade trabalhemos o coração da Terra para os dias melhores do porvir.
Não temais permanecer fiéis aos deveres abraçados. Os aplausos não significam atitudes de coerência, porque muitas vezes o mal é aplaudido pelos seus aficionados, o erro é divulgado pelos seus apaixonados e o crime, não poucas vezes, goza de cidadania, em razão da intimidade daqueles que ainda se encontram no equívoco e habilmente entretecem as redes fascinantes da degradação e do desequilíbrio.
Jesus, filhas e filhos queridos, é o nosso alvo, é o nosso modelo, é o guia que nos serve de parâmetro para todas e quaisquer realizações. Diante de incógnitas ou de perguntas sem resposta, reflexionai: que faria o Mestre neste momento? E, intentando encontrar a solução que Ele daria, segui a inspiração que vos chegue sempre em tom de fraternidade e de misericórdia e a caridade estará guiando-vos na direção deste alvo, que é o momento final do nosso encontro com o Rabi Galileu.
Nós, os Espíritos-espíritas que estamos convosco, não descansaremos enquanto não se estabeleça na Terra o primado do Espírito imortal. E o materialismo, a crueldade, a dissensão e as extravagantes propostas da indignidade humana, cederão lugar à paz, à beleza, à busca da perfeição, ensejando-nos a perfeita comunhão com o mundo transcendental.
Espíritas, a vós vos cabe hoje a tarefa da recristianização da Humanidade. É verdade que ainda não se logrou a cristianização conforme o Evangelho. A Doutrina, nas páginas escriturísticas da Boa-Nova, ensejou a criação de doutrinas respeitáveis e religiosas, mas não aquela que foi vivida pelo Santo de Assis através da abnegação total e da total entrega ao amor. Renasce agora, desde os dias em que as vozes dos céus desceram à Terra, qual um exército, sob o comando do general da paz, para remover os grandes obstáculos que foram levantados pela incúria e aplainar o grande terreno da solidariedade humana.
A dor ainda é a bênção que Deus oferece aos seus eleitos. Através dela podereis ostentar as condecorações cristãs colocadas em vossas almas, as cicatrizes das feridas derivadas das lutas, do sacrifício e da abnegação. Mas, crede, em momento algum estareis a sós. Mantende-vos alertas para que nunca vos afasteis das diretrizes do sacrifício e da abnegação para os comportamentos louváveis, sem dúvida, mas das glórias ilusórias e dos prazeres e extravagâncias do agrado da maioria.
Cristo ainda é símbolo de luta e, enquanto houver lágrimas nos olhos e no coração das criaturas humanas, ei-lO entre nós, na multidão, enxugando essas lágrimas e esses suores para libertar a criatura de si mesma e cantar o Glória a Deus nas alturas. Adiante, servidores do bem e da verdade! Que o vosso sinal de identificação seja o amor. Que os vossos atos sejam lavrados da claridade no dia da verdade, sem sombra e sem qualquer manifestação de engodo ou de engano.
Abençoe-nos, filhas e filhos queridos, o Senhor de todos nós! São os votos que fazemos os Espíritos-espíritas aqui convosco hoje, amanhã e sempre.
Muita paz! Um abraço carinhoso do servidor humílimo e paternal de sempre.




[1] Psicofonia do médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional, em Brasília, em 11 de novembro de 2018.