quarta-feira, 1 de setembro de 2021

ESPÍRITOS E MÉDIUNS[1]

 

Espírito William Thomas Stead

 

É tão difícil para os espíritos voltarem para a Terra como é para vocês penetrarem nos reinos dos espíritos. Não temos mais a faculdade dos viventes na substância física. Isso nos foge, assim como as substâncias dos planos superiores fogem de vocês.

Temos impressões e sensações análogas as de vocês, mas tão diferentes. Temos luzes, cores e sons, mas eles apenas distantemente se assemelham àqueles que conhecem como tais. Temos necessidades que nos lembram de sede, fome e sono, mas que são mais necessidades da inteligência do que do corpo.

A despeito de todos nossos desejos de responder aos seus apelos, somos muitas vezes impedidos de fazer como esperamos, pelas diferenças dos planos.

Sempre direi que é mais fácil para você ir aos EUA do que nós irmos até você. O sono permite-lhe a entrar em contato conosco mil vezes melhor do que pode todos os médiuns no mundo, e a ajuda que somos capazes de dar-lhe deste modo é de longe mais preciso e eficaz.

 

Faculdades espirituais do homem

Médiuns são realmente apenas intérpretes medíocres dos espíritos, um meio casual pelo qual são obrigados a ajudar a si mesmos enquanto esperam por algo melhor ‒ quero dizer, até os sentidos espirituais que devam completar os sentidos físicos terem se desenvolvido nos seres humanos. É anormal que os mortos tenham de voltar ao físico, como são obrigados quando se manifestam. As almas dos mortos, excetuando o primeiro período após a morte, nada têm a fazer com a Terra diretamente, pois sua evolução espiritual os leva para bem longe daquela baixa esfera onde a humanidade luta.

É o homem quem deve ir aos espíritos ao desenvolver em si mesmo suas faculdades espirituais. E tal capacidade a todos é dada. Possuem os embriões das faculdades espirituais cujas ações resultam em intuição, inspiração e impulsos, as origens dos quais não sabem como traçar, pois estão emersos no próprio corpo físico, vivendo apenas para ele e não tomando conhecimento de sua alma.

Agem e pensam como se fossem homens físicos para sempre e, muito raramente, como se fossem e continuassem a ser espíritos, contudo, são sempre espíritos, mesmo quando estão em corpos físicos. A alma seria mais sensível se se ocupassem mais com isso e os mortos manifestar-se-iam melhor.

 

Como as mensagens são afetadas

Voltando aos médiuns. Eles são, no máximo, um meio medíocre de correspondência. Os pensamentos transmitidos por eles são embaralhadas pelo peso de seus corpos físicos e deformados pela resistência de seus cérebros. Estão em perigo de espíritos maliciosos e quanto mais inteligente e malévolo o espírito é, maior é o perigo.

Tirando inteiramente os perigos e considerando apenas as mensagens, descobrirá que são muitas vezes distorcidas quando são dadas pelo intermédio de um médium.

Se o espírito manifestante quer ele mesmo explicar certos fatos de uma natureza complicada ‒ como, por exemplo, a constituição espiritual do homem ‒ e se ele quer desenvolver noções que não são ainda genericamente aceitas pelas pessoas, ele encontrará intransponíveis obstáculos, e a mensagem sairá insuficiente e mutilada. Como estilo da relação, o maior escritor apenas obterá escritos banais de um médium sem cultura.

Há terríveis obstáculos para transpor quando devemos usar um corpo estranho como intermediário (como quando um médium está em transe).

Muitas vezes acontece de parcialmente perdermos algumas de nossas faculdades e estarmos em tortura quando expressamos uma ideia que, sob a forma que é dada mais tarde pelo médium, falhamos em nos fazer reconhecer ou o reconhecimento é apenas sutil.

Não é nossa falta, ou do médium, se as personalidades terrícolas sufocam e constrangem-nos.

 

Auras dos Médiuns

Vou tentar dizer algo sobre as auras dos médiuns. Sabem que é a radiação de seus fluidos que se dá o nome de "aura” [2]. A qualidade da aura difere grandemente em diferentes pessoas. Algumas têm uma irradiação que é muito poderosa, elevam-se bastante e protegem o médium, como se ele estivesse dentro de uma concha. Em tais casos, é difícil para os espíritos o alcançarem. Quando se aproximam, são repelidos como se por uma corrente elétrica. Não podem tomar posse do médium e são forçados a trabalhar de outra maneira.

É sabido que se há dois pianos na mesma sala afinados iguais e se tocar uma tecla em um, a mesma tecla no segundo vibra em harmonia com a primeira. Então, no caso de uma aura de longo alcance, os fluidos espirituais devem se postos de acordo com os do médium, a fim de fazer com que os fluidos do médium vibrem em concordância com o do espírito.

Se o médium é muito sensível e o espírito é capaz, resultados bons e, às vezes, excelentes serão obtidos. Este é o caso com a mediunidade indireta ou "intuitiva". Chamo de "indireta" por que o espírito não pode tomar posse do médium, pois só pode trabalhar de certa distância dele. Devido a isso que as comunicações recebidas "intuitivamente", embora maiores, mais desenvolvidas e muitas vezes mais elevadas comunicações são menos precisas do que aquelas através de um médium "direto".

Poucos fatos, distintos das noções, são enviados através de médiuns deste tipo. Vibrações de fatos, tais como nomes e datas, não são da mesma natureza das vibrações que transmitem pensamentos morais ou metafísicos. Elas são de um plano mais material e são de uma onda muito curta para alcançar o centro sensível de um médium que tem uma aura poderosa. Em comunicações "intuitivas", o espírito permanece longe do médium, no outro fim de sua irradiação, de onde apenas as vibrações que são suficientemente longas podem alcançar a mente do médium.

Médiuns "intuitivos" não estão em contato com espíritos inferiores. Eles podem apenas se comunicar com espíritos suficientemente avançados.

Suas auras, ou conchas protetoras, não são facilmente penetradas.

 

Penetrando a concha

Médiuns cujas auras são facilmente penetráveis atraem mais espíritos, e quanto mais permeável é a aura, mais precisas serão as manifestações. Se um espírito é capaz de entrar inteiramente dentro da aura de um médium, ele pode lembrar aos seus ouvintes os mais exatos fatos sobre sua existência terrícola, pois ele é o mestre incontestável dos órgãos do médium. Ele pode tomar controle total do corpo durante um transe completo e parcial em um semi-transe, quando o médium permanece consciente.

Geralmente, a aura pode apenas ser penetrada em um ponto. Por exemplo, o psicógrafo que pode ser feito a dar mensagens em uma língua ignorada por ele, não pode ver as visões dadas ao clarividente ou escutar as palavras ditas ao clariaudiente.

Uma certa quantidade de fluido etérico [3] é tomado do corpo físico para movimentar objetos, para girar as mesas etc. Se a aura do médium é facilmente penetrável, o fenômeno será de um tipo inteligente; se a aura for difícil de influenciar, os movimentos efetuados serão de pouca inteligência.

No momento, o médium cuja aura pode ser penetrada por espíritos está exposto a muitos perigos, pois a porta está aberta a todos os tipos de influência, e se sua vontade for débil ou sua moralidade dúbia, ele se tornará vítima de espíritos errantes maliciosos. Para isso, pode ser vítima sem ir a sessões. Muitas pessoas possuem auras facilmente penetráveis e são influenciadas por entidades que são atraídas a elas por suas vontades instáveis e seus maus pensamentos.

 

Padrão moral elevado é a melhor proteção

As duas grandes classes de médiuns ‒ a indireta ("intuitiva") e a direta (aqueles através dos quais efeitos físicos são produzidos) ‒ são divididas e subdivididas, de acordo com a natureza de seus fluidos e da qualidade de suas mentes.

Sra. Piper[4], por exemplo, uma médium cuja aura era admiravelmente permeável, tinha ao mesmo tempo um padrão moral elevado e uma inteligência bem desenvolvida; ela era praticamente inalcançável aos espíritos malévolos. Outros, cujas auras são menos permeáveis que a dela, são vítimas para as terríveis influências devido suas débeis vontades e más morais.

Quando um médium tem uma aura que pode ser penetrada, espíritos são capazes de entrar em seu ser psíquico com grau de facilidade de acordo com a afinidade entre o espírito e o médium.

Um espírito de elevado caráter não pode se aproximar de um médium muito material sem sofrer como se asfixiado, por vezes perto de se tornar inconsciente; mas, com o mesmo médium, um espírito grosseiro poderia se sentir bem à vontade. Por outro lado, com um médium de um tipo mais refinado, o espírito grosseiro se sentiria como um camponês em uma sala de desenho, ele não saberia como agir.

Alguns médiuns têm fluidos que estão em harmonia com apenas uma categoria de espíritos e só podem produzir fenômenos quando trabalham com tal categoria. Outros possuem fluidos adaptáveis e podem entrar em comunhão com muitos tipos de entidades espirituais.



[1] COMUNICAÇÕES COM O OUTRO MUNDO – Os métodos certos e errados – WILLIAM T. STEAD - Psicografado por MADAME HYVER - Editado por ESTELLE W. STEAD – Londres 1921 - www.autoresespiritasclassicos.com - Tradução Wellington Alves – Novembro/2011

[2] Precisamente o que é a aura ainda está além do poder da ciência dizer, embora investigações agora em progresso prometam consideravelmente estender o conhecimento. Na pesquisa psíquica, a aura é dita como uma influência ou irradiação da alma, ou corpo psíquico. O Century Dictionary assim a define: "uma substância imponderável supostamente emanada por todos os seres vivos, constituída de uma essência sutil do indivíduo, como meio de manifestação do que é chamado magnetismo animal, e também um meio da operação do hipnotismo, clarividência e poderes sonambúlicos".

[3] Fluido etérico significa o "plasma", ou forma psíquica da matéria, descrita pelo Dr. Crawford, de Belfast, em seu livro “The Psychic Structures at the Goligher Circle” (As Estruturas Psíquicas na Corrente Goligher, sem tradução em português), e por Dr. Gustave Geley, cientista francês, em From the Unconscious to the Conscious (Do Inconsciente ao Consciente, igualmente sem tradução em português). Esta substância, afirmam, enquanto permanecendo invisível à vista normal, pode, às vezes, ser tocada e já foi fotografada (há reproduções no livro do Dr. Crawford) e também pesada. É com ela que, de acordo com Dr. Crawford, sob certas condições, objetos podem ser movidos sem a causa ser visível pelos observadores.

[4] A Sra. Piper era a médium em um grande número de sessões realizadas entre 1887 e 1911 por membros das Sociedades Britânicas e Americanas de Pesquisas Psíquicas, estando entre os investigadores Sir Oliver Lodge, Professor William James e Professor Romaine Newbold. Registros dessas sessões ocupam todo o volume 28 e parte dos volumes 6, 7, 13, 14, 15, 16, 22, 23 e 24 dos Anais da Sociedade Britânica de Pesquisas Psíquicas. Foi acordado, depois de exaustivos testes feitos, que a perda de sua consciência em transe era completa, e que quando acordava ela de nada se lembrava do que havia ocorrido no estado de transe. Ela ainda está viva, (faleceu em 1950) mas sua mediunidade de transe chegou ao fim em 1911.

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