sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

TOLERÂNCIA E PACIÊNCIA[1]

 


Eder Andrade

 

É muito fácil falar de tolerância quando estamos em paz com a nossa consciência nas relações com o nosso semelhante. Delicado se torna exercitar a tolerância e a paciência quando as questões que nos cercam desafiam a nossa boa vontade e principalmente quando não estamos em harmonia com nós mesmos.

Neste mundo tão cheio de desigualdades sociais, às vezes, é difícil ser altruísta e conseguir realizar a caridade para com pessoas que esperam a solução de um problema, sem terem um movimento sequer de se auto ajudarem.

Muitos estão mais interessados em um assistencialismo disfarçado de caridade e não na verdadeira ajuda moral e material que tantos precisam. Principalmente nas vésperas de grandes acontecimentos, onde prometem soluções rápidas para antigos problemas estruturais da nossa sociedade. Questões que não serão resolvidas de uma hora para outra!

Falar de certos problemas é como voltar no tempo, pois existem situações que desafiam a nossa História. Independente de existir uma questão espiritual que venha a explicar a permanência ou arrastamento de um problema. Difícil é existir perseverança para dar soluções para certas questões.

Segundo Emmanuel o caminho de se conquistar valores da alma é um processo longo e lento. Principalmente quando nos diz:

Vive a tolerância na base de todo o progresso efetivo.

As peças de qualquer máquina se suportam umas às outras para que surja essa ou aquela produção de benefícios determinados.

Todas as bênçãos da Natureza constituem larga sequência de manifestações da abençoada virtude que inspira a verdadeira fraternidade.

Tolerância, porém, não é conceito de Superfície.

É reflexo vivo da que nasce, límpida, na fonte da alma, plasmando a esperança, a paciência e o perdão com esquecimento de todo o mal[2].

 A construção do conhecimento, assim como nosso processo de Reforma Íntima é um movimento lento e progressivo do espírito. Cada indivíduo evoluiu em um ritmo diferente, já que a mudança vai implicar em reeducação nossa enquanto espíritos imortais.

Sabendo da diversidade humana e suas questões de superação, Emmanuel por intermédio da mediunidade de Chico Xavier em diferentes obras, nos ofertou reflexões para favorecerem nossa capacitação individual, como na obra “O Consolador”, quando escreveu:

Que é paciência e como adquiri-la?

− É com a iluminação espiritual do nosso íntimo que adquirimos esses valores sagrados da tolerância esclarecida. E, para que nos edifiquemos nessa claridade divina, faz-se mister educar a vontade, curando enfermidades psíquicas seculares que nos acompanham através das vidas sucessivas...[3]

Para ajudarmos o semelhante, é necessário antes nos ajudarmos, conquistando valores espirituais que nos auxiliem a superarmos nossas questões pessoais. Isso é um processo que pode ocorrer antecipadamente ou paralelo ao nosso movimento de ajuda ao semelhante.

A verdadeira paciência é sempre uma exteriorização da alma que realizou muito amor em si mesma, para dá-lo a outrem, na exemplificação3.

O processo de burilamento e autoconhecimento é imprescindível para nossa educação enquanto espíritos imortais. Não basta saber a verdade, se faz necessário colocá-la em prática no nosso dia a dia.

A parceria entre o exercício da tolerância e a prática da paciência é fundamental para conseguirmos ajudar pessoas necessitadas que cruzam nosso caminho. Emmanuel sempre procurou enfatizar isso em suas reflexões, até quando utilizou exemplos figurados para nos ajudar a compreender nossa realidade.

O trânsito é uma escola em que sobram aulas de vigilância e compreensão, justiça e disciplina. Anotemos as lições da estrada e procuremos transferi-las ao trânsito da vida em que todos somos chamados, nas trilhas do tempo, ao relacionamento comum[4].

A construção do conhecimento para um movimento de libertação é um processo que vai implicar renúncia e renovação de sentimentos. Para alguns talvez seja mais rápido do que para outros, porém esse processo é fundamental para nossa evolução. Sem sombra de dúvida vai implicar em novas reencarnações, onde o espírito em questão terá de dar um testemunho do seu desejo sincero de transformação.

Esse processo nos permitirá entender na essência o verdadeiro sentido de caridade, apresentada por Allan Kardec, quando conseguimos realizar nossa Reforma Íntima ao mesmo tempo que uma renovação de atitudes e emoções:

Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como entendia Jesus?

− Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas. A caridade, segundo Jesus, não está restrita à esmola. Ela abrange todas as relações que temos com os nossos semelhantes, quer sejam nossos inferiores, nossos iguais ou superiores. Ela nos ordena a indulgência porque nós mesmos temos necessidade dela[5].



[1] O CONSOLADOR - Ano 18 - N° 900 - 1º de Dezembro de 2024 - https://www.oconsolador.com.br/ano18/900/ca1.html

[2] Xavier, Francisco Cândido; Pensamento e Vida (1958); Cap. 25 – Tolerância; FEB.

[3] Xavier, Francisco Cândido; O Consolador (1940); 2a Parte: It. V - Evolução: Virtude - p. 254; FEB.

[4] Xavier, Francisco Cândido; Amanhece (1976): Segurança e Paz - Paciência a Caminho; GEEM.

[5] Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos; Cap. XI - Da lei de justiça, de amor e de caridade; Caridade e amor do próximo – p. 886; FEB.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

ESPÍRITOS INFERIORES[1]

 


Miramez

 

 Os da terceira categoria são todos essencialmente maus?

Não; uns há que não fazem nem o mal nem o bem; outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando se lhes depara ocasião de praticá-lo. Há também os levianos ou estouvados, mais perturbadores do que malignos, que se comprazem antes na malícia do que na malvadez e cujo prazer consiste em mistificar e causar pequenas contrariedades, de que se riem.

Questão 99 / O Livro dos Espíritos

 

Essa é uma categoria de Espíritos que nunca podemos determinar dentro de uma só espécie. Existe nela variedade de sentimentos, como de posição na escala de elevação espiritual, contudo, são almas ainda inferiores que desconhecem o valor do bem, e não sentem tendência alguma para a caridade, antes, procuram menosprezar o bem e mesmo atrapalhar quem começa a melhorar as suas condições de benevolência. São Espíritos zombeteiros, brincalhões e muitas vezes, maus, mentirosos, egoístas e orgulhosos. Adoram discussões, por saberem que as irritações que fervem nas ideias incompatíveis desarmonizam o ambiente. Por esses sentimentos inferiores, os sensitivos passam a conhecer quem está se aproximando das suas faculdades e devem corrigir e desconfiar dos seus próprios procedimentos.

Os Espíritos inferiores dominam grande parte dos homens na Terra, em todas as suas atividades; na política, na ciência e na religião são onde eles mais atuam, encontrando médiuns que com eles se afinam completamente, sem desconfiarem da existência dessas companhias indesejadas. São falanges espraiadas em todo o globo, e infelizmente encontramos muitos deles nos lares onde se vê muita discórdia e mesmo separações. É nesse sentido, de desativar essas falanges de Espíritos inferiores e educá-los, que aconselhamos o Culto do Evangelho no Lar, força poderosa, capaz de devolver a paz entre os irmãos, que aceitaram viver juntos. As organizações de caridade são também muito atuadas por eles, que não têm outro serviço, a não ser perturbar os ambientes que desejam e trabalham para a paz. O melhor remédio para a defesa dessas entidades é a educação individual. Cada Espírito, encarnado e desencarnado, deve praticar a autoeducação, não entrando em sintonia com essas entidades malfeitoras; é o Evangelho vivido, e não somente pregado, como se vê em todo o mundo.

Os nossos pensamentos podem ser um ninho de Espíritos inferiores, como a boca depende do uso que fazemos das nossas faculdades. Os que querem ser enganados estão alimentando sentimentos inferiores, e os poucos que gostam da verdade, da honestidade, do perdão, da caridade e do amor na verdadeira acepção da palavra, trabalham para a sua própria paz íntima.

O quadro da Terra é algo triste, no que tange ao ambiente inferior, não obstante, os recursos estão e vão ser usados para o devido saneamento espiritual. Cabe a nós outros, já despertados para o bem comum, fazer parte daqueles que saíram a semear com Jesus, sem reclamar, sem exigir e sem blasfemar, para que não percam as sementes de luz deitadas nas leiras dos corações. A última categoria dos Espíritos não se compõe de almas totalmente más, no sentido da palavra expressa, mas que carregam consigo toda espécie de deturpação da verdade. O seu ambiente constitui um ninho de serpentes, de todas as más qualidades que se possa imaginar... Entretanto, são irmãos que precisam da nossa assistência, mas, ao dá-la, é sempre bom nos lembrar da advertência de nosso Jesus Cristo, quando nos fala: Vigiai e Orai, muitos deles confundem-se com os encarnados, pelas aparências de sentimentos, mas a Doutrina Espírita, na feição do Evangelho Redivivo, está no mundo para limpar a eira das nações e colocá-las à frente de todas as decisões que possam tomar a palavra e a vivência daquilo que conheces pelo nome de Amor.



[1] FILOSOFIA ESPÍRITA – Volume 2 – João Nunes Maia

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

LEVITAÇÃO RELIGIOSA[1]

 

D.D.Home


Michael Potts

 

Ao longo da história, em diversas tradições religiosas, houve relatos de indivíduos sendo vistos levitando espontaneamente, seus corpos subindo no ar e permanecendo suspensos. O fenômeno é especialmente associado a santos católicos, notavelmente Santa Teresa de Ávila e São José de Cupertino.

 

Nas Tradições Religiosas

Xamanismo

Na cultura xamânica, acredita-se que a levitação esteja envolvida na "jornada ao mundo espiritual[2]". Dizia-se que o "primeiro xamã" era o mais próximo dos deuses e, portanto, compartilhava muito de seu poder, incluindo o poder de levitar[3]. As tradições xamânicas concordam que a levitação e outros poderes "paranormais", como são rotulados hoje, são causados ​​por espíritos[4]. Entre o povo Tungus, um xamã é acorrentado ao solo para evitar que a levitação ocorra[5]. O padre Paul Lejune se referiu à levitação ocorrendo entre os nativos americanos no Canadá na década de 1630, e os aborígenes australianos foram relatados praticando a levitação, assim como algumas tribos africanas[6], em outras pessoas, bem como neles mesmos: um feiticeiro zulu foi testemunhado levitando um homem "a três pés do chão[7]".

 

Vodu

Em seus estudos sobre o Haiti, Douchan Gersi descreve ter testemunhado casos de levitação que ele não conseguia explicar. Assim como em outros casos de levitação religiosa, esses eventos ocorreram durante um período de meditação e/ou transe. Gersi viu uma mulher pulando no ar e "flutuando doze pés na frente dele". No entanto, quando ele tentou fotografar levitações, as baterias de sua câmera constantemente acabavam. Mesmo que ele conseguisse tirar uma foto com filme de alta velocidade, ela saía "totalmente preta, ou borrada e fora de foco[8]".

 

Hinduísmo

A levitação é notada há muito tempo entre os brâmanes na Índia. Na primeira obra canônica do hinduísmo, o Rig Veda , há uma referência aos sábios que "cavalgam com a força do vento" e "navegam pelo ar, vendo as aparências se espalhando abaixo[9]". Flavius ​​Philostratus, em sua vida de Apolônio de Tiana, afirma que Apolônio visitou a Índia, onde visitou os brâmanes em um templo: eles primeiro "se banharam e se ungiram com uma certa droga" e "com suas varas erguidas atingiram a terra, que se elevando como o mar os elevou no ar a dois côvados de altura[10]". Ele também menciona que os brâmanes não se gabavam de seus poderes, um fato confirmado por visitantes posteriores. Na tradição iogue do hinduísmo[11], habilidades incomuns são ditas se manifestarem. Embora os praticantes sejam desencorajados a ver essas habilidades como uma fonte de orgulho, elas podem servir para indicar progresso em direção à iluminação. Esses poderes incluem levitação, bem como habilidades psíquicas, como telepatia e precognição. Como é o caso em outras religiões, a levitação geralmente ocorre após um período de meditação profunda.

 

Budismo e Taoísmo

Houve relatos de testemunhas de alguns budistas levitando[12]. No entanto, como no hinduísmo, os levitadores budistas são desencorajados de fazê-lo em público e são instruídos a permanecerem humildes sobre sua habilidade. A levitação é tradicionalmente considerada um poder dos lamas do budismo tibetano, embora não haja exemplos contemporâneos documentados[13]. Histórias sobre o iogue tibetano Milarepa (1052-1135) incluem referências à sua habilidade de "voar por grandes distâncias[14]".

Levitação é encontrada entre as práticas paranormais de escolas filosóficas taoístas como Huang-Lao[15],[16]. Foi relatado entre mestres da arte marcial de Qigong, o produto de influência budista e taoísta. Habilidades paranormais surgem do qi (também conhecido como ki ou chi ), uma força energética que permeia a natureza. Tais habilidades surgem espontaneamente através da prática da meditação, embora o objetivo principal de tal não seja habilidades paranormais ou mesmo maior eficácia em combate, mas união com toda a natureza. A prática de artes marciais no Oriente equivale a uma religião, e a meditação em artes marciais é considerada por alguns como 'misticismo'.

 

Cristandade

Casos documentados de levitação no cristianismo são encontrados principalmente na tradição católica romana. Um comentarista, o padre Herbert Thurston, achou as evidências nos casos de São Francisco de Assis, São Domingos e Santo Inácio de Loyola fracas[17]. Thurston foi mais persuadida pelo caso de Santa Teresa de Ávila, que se refere frequentemente em sua autobiografia ao seu corpo levitando espontaneamente, embora ela não gostasse disso, considerando tais manifestações físicas uma fonte de orgulho. Várias testemunhas também alegaram ter visto Teresa levitando. Outras figuras religiosas que foram ditas frequentemente levitando incluem a freira do século XVII Suor Maria Villani e São Filipe Neri.

O caso mais bem documentado de levitações múltiplas por um santo católico romano é o de São José de Cupertino. Quando jovem, ele decidiu praticar ascetismo extremo, desenvolvendo hábitos como despejar um pó de gosto ruim em sua comida, usar uma camisa de crina e permitir que pedaços de metal cravassem em sua pele, junto com flagelação constante[18]. Ele foi visto por inúmeras testemunhas voando no ar enquanto meditava: alguns voos foram ditos a seis ou sete pés acima do solo. Em uma ocasião, o Alto Almirante de Castela e sua esposa disseram que viram José voar trinta ou quarenta pés acima de suas cabeças[19]; em outra, ele teria voado alto acima de um altar de igreja[20].

Essa atividade levou a acusações contra ele, seus acusadores na hierarquia da igreja acreditando que era demoníaca. No entanto, o Papa Bento XI, um pensador crítico experiente em desmascarar falsificadores, ficou impressionado com o número e a qualidade das testemunhas e concluiu que José havia de fato levitado em várias ocasiões. O patrono de Leibniz, o Duque de Brunswick, disse que viu José levitar duas vezes e ficou tão impressionado com a visão que se converteu do luteranismo ao catolicismo romano[21]. Várias levitações foram testemunhadas durante os últimos anos de José, notavelmente uma durante a última missa que ele celebrou antes de sua morte, um evento observado por várias pessoas. José também foi visto levitando objetos, incluindo uma grande cruz[22].

Outros casos aparentemente bem comprovados de levitação na tradição católica são os de São Bernardino Realino (1515-1616) e da freira síria Mariam Baouard, do século XIX.

O caso protestante mais conhecido de levitação é o de Margaret Rule em 1693 em Boston[23]. Rule alegou estar buscando salvação após viver uma vida pecaminosa. Ela sofreu convulsões e também pareceu ser vítima de atividade semelhante a poltergeist, recebendo hematomas aparentemente feitos por mãos invisíveis que a beliscaram. Em uma ocasião, cinco testemunhas alegaram ter visto Rule "erguida de sua cama, totalmente por uma força invisível, um grande caminho em direção ao topo do quarto onde ela estava deitada[24]".

 

Islamismo

A levitação é amplamente mencionada na literatura islâmica, onde é chamada de "voo". Entre aqueles que dizem ter voado estão o profeta Maomé; o dervixe persa do século XII, Haydar; seguidores do sufi 'Ahmade-e-Khazruya; e o santo muçulmano do século IX, Abu Yazid al-Bestami.

 

Espiritualismo

O Espiritualismo Moderno, ele próprio parte da tradição cristã, oferece o caso do médium D.D. Home (1833-1886), que atribuiu seus poderes psicocinéticos a Deus[25]. Home foi visto levitar objetos − incluindo pianos e mesas com pessoas sentadas neles[26] − em boa luz, e frequentemente por múltiplas testemunhas em ambientes com os quais ele não estava familiarizado. Também foi dito que ele uma vez flutuou para fora de uma janela do andar superior à noite e voltou para dentro em outra[27], testemunho dramático que, no entanto, era vulnerável a críticas e fracamente apoiado. 

 

Possessão demoníaca

A levitação é frequentemente associada à possessão demoníaca, como o estudo de caso de 'Paul' descrito por Malachi Martin[28]. Em um caso bem conhecido de 2012, Latoya Ammons de Gary, Indiana, alegou que seus filhos eram possuídos por demônios e que levitavam[29]. Stafford Betty observa a ampla aceitação cultural de uma associação entre levitação e possessão demoníaca[30]. Os defensores de uma correlação não necessariamente afirmam que a levitação implica possessão demoníaca em todos os casos. Em vez disso, a possessão demoníaca é evidenciada por uma combinação de fatores que não podem ser explicados por fenômenos poltergeist[31].

 

Explicações não paranormais

Os céticos acreditam que mesmo os melhores casos de levitação são vulneráveis ​​a uma ou mais das seguintes críticas:

 

A crítica humeana - Isso se baseia no argumento de David Hume contra milagres em seus Diálogos sobre a religião natural . Hume argumenta que um milagre é uma violação de uma lei da natureza e, portanto, menos provável do que fraude ou alguma outra explicação não paranormal. Uma resposta pode ser que Hume define o padrão epistemológico muito alto: se as evidências fossem suficientemente fortes, alguém poderia ter que admitir uma exceção à lei da gravidade. Uma alternativa sugerida por Pamela Heath é que a levitação pode ser devido a alternâncias no tempo, um fenômeno conhecido por afetar a atração gravitacional[32].

Poucas testemunhas - Este argumento sustenta que as alegações de levitação não podem ser aceitas porque elas são apenas testemunhadas por indivíduos isolados. (Isso era frequentemente falso no caso de São José de Cupertino, no entanto)[33].

Testemunhas tendenciosas - Acreditando em milagres, os católicos romanos acreditavam na possibilidade de levitação e podem ter se convencido de que São José de Cupertino e outros santos levitavam quando, na verdade, isso não ocorreu. Os críticos dessa abordagem podem argumentar que todos têm suposições anteriores sobre a realidade, e que isso causa preconceito em algum grau. Também é apontado que o Papa Bento XIV, um cético bem conhecido da maioria dos fenômenos "milagrosos", foi convencido por alegações sobre São José de Cupertino[34].

Documentos de lapso de tempo - Escritos muito depois da suposta levitação ter ocorrido podem ser considerados não confiáveis. Os críticos argumentam que, em casos bem atestados, tais documentos foram escritos dentro de dois ou três anos da morte do levitador, enquanto as declarações de testemunhas eram frequentemente assinadas logo após o evento[35].

Evidência Inacessível -  Um impedimento à verificação é a inacessibilidade de documentos do Vaticano que foram usados ​​para avaliar a candidatura de um indivíduo à santidade. Os críticos argumentam que não é razoável duvidar da honestidade do clero que fez esses julgamentos: alguns deles eram céticos de tais alegações milagrosas, e o caso da santidade é frequentemente contestado por um "advogado do diabo".

Diferentes relatos de testemunhas - Inconsistências em depoimentos de testemunhas significam que relatos de levitação não são confiáveis. Críticos argumentam que a adesão estrita a esse princípio anularia a validade de todo testemunho humano.

Hipnose em massa - Isso sugere que as multidões de testemunhas em casos como o de São José de Cupertino estavam em transe hipnótico. Os críticos rejeitam isso como um argumento ad hoc, também lançando dúvidas sobre a evidência para hipnose em massa.

Replicável por truque - Se um mágico pode falsificar levitação, outros também podem - tornando relatos de levitação paranormal não confiáveis[36]. Os críticos apontam que os dois não são mutuamente exclusivos: o fato de que a levitação pode ser realizada como um truque não significa que a levitação paranormal não possa ocorrer. Além disso, algumas alegações anteriores de levitação teriam ido muito além do que era possível alcançar com a tecnologia então disponível[37].

 

Intervenção sobrenatural vs. psicocinese (humana)

Aqueles que aceitam a existência de Deus e um reino angélico (incluindo um reino demoníaco) podem naturalmente considerar explicações sobrenaturais favoravelmente. Um parapsicólogo, por outro lado, provavelmente verá a levitação como um tipo de psicocinese, uma habilidade humana natural (por mais inexplicável em termos do conhecimento científico atual) que não requer necessidade de explicações em termos de entidades sobrenaturais. Os defensores da última visão podem apelar para a Navalha de Occam, de modo geral, que a explicação mais econômica deve ser preferida. Eles também argumentariam que a ciência deve ser metodologicamente neutra em relação a visões de mundo concorrentes, lidando com os dados conforme eles surgem.

Alguns escritores cristãos concordam com os parapsicólogos ao considerar a psicocinese, incluindo a levitação, como uma habilidade humana natural[38],[39]. Outros, como Richard Ravelli, argumentam que a preferência por parte dos parapsicólogos por explicações naturalistas é mais um efeito de preconceito do que uma consideração cuidadosa das evidências e que a alegada "neutralidade" nunca é verdadeiramente neutra, mas sim tendenciosa em direção ao naturalismo filosófico[40].

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] George, L. (1995). ‘Levitation.’ In: Alternative Realities: The Paranormal, the Mystic, and the Transcendent in Human Experience. New York: Facts on File, 151.

[3] Eliade, M. (1964). Shamanism: Archaic Techniques of Ecstasy. Translated by W. R. Trask. Princeton: Princeton University Press.

[4] Harvey-Wilson, S. B. (2005). Human Levitation. Ph.D. Thesis, Edith Cowan University Perth, Australia.

[5] George, L. ‘Levitation.’

[6] Inglis, B. (1977). Natural and Supernatural: A History of the Paranormal from Earliest Times to 1914. London: Hodder and Stoughton.

[7] Heath, P. R. (2011). Mind-Matter Interaction: A Review of Historical Reports, Theory, and Research. Jefferson, NC and London: McFarland and Company, 10.

[8] Inglis, B. Natural and Supernatural.

[9] George, L. ‘Levitation.’

[10] Philostratus, F. Life of Apollonius, as quoted by Thorndike, L. (1923), A History of Magic and Experimental Science, volume 1. New York: Columbia University Press, 252.

[11] Flood, G. (1996). An Introduction to Hinduism. Cambridge: Cambridge University Press.

[12] Harvey-Wilson, S. B.  Human Levitation.

[13] George, L. ‘Levitation.’

[14] Inglis, B. Natural and Supernatural.

[15] Conway, T. (2006). ‘Notes on Taoism.’ Retrieved from: http://www.enlightened-spirituality.org/Taoism.html. Date retrieved: February 8, 2015.

[16] .‘Religious Taoism’ (n.d.). Retrieved from: http://www.chebucto.ns.ca/Philosophy/Taichi/religious-tao.html. Date retrieved: February 8, 2015.

[17] Thurston, H. (1952). The Physical Phenomena of Mysticism. Edited by J. H. Crehan. London: Burns and Oates.

[18] Braude, S. E. (1997). The Limits of Influence: Psychokinesis and the Philosophy of Science. Second edition. Lanham, MD: University Press of America, 152.

[19] Harvey-Wilson, S. B.  Human Levitation.

[20] Inglis, B. Natural and Supernatural.

[21] George, L. ‘Levitation.’

[22] Inglis, B. Natural and Supernatural.

[23] Ravalli, R. (2006). Cotton Mather, levitation, and a case for wonders in history. Christian Scholar’s Review 35 (Winter):193-204.

[24] Letter of Thomas Thorton, 1693, in Ravelli, ‘Cotton Mather,’ 198.

[25] George, L. ‘Levitation.’

[26] Braude, The Limits of Influence, 65.

[27] Ingles, Natural and Supernatural, 244.

[28] Martin, M. (1996/1976). Hostage to the Devil: The Possession and Exorcism of Five Contemporary Americans. New York: HarperCollins, 363.

[29] Warren, L. (2014).

[30] Betty, S. (2005). The growing evidence for ‘demonic possession’: what should psychiatry’s response be? Journal of Religion and Health 44 (Spring):13-30.

[31] Rogo, D. S. (1974). Demon possession and parapsychology. Parapsychology Review (November-December):18-24.

[32] Inglis, B. (1977). Natural and Supernatural.

[33] Inglis, B. (1977). Natural and Supernatural.

[34] Inglis, B. (1977). Natural and Supernatural.

[35] Harvey-Wilson, S. B.  Human Levitation.

[36] Edward, M. (2009). Levitation. Skepticblog (January 24). Retrieved from: http://www.skepticblog.org/2009/01/24/levitation/. Date retrieved: February 9, 2015.

[37] George, L. ‘Levitation.’

[38] Heaney, J. J. (1984). The Sacred and the Psychic. New York: Paulist Press.

[39] Schwebel, L. J. (2004). Apparitions, Healings, and Weeping Madonnas: Christianity and the Paranormal. New York: Paulist Press.

[40] Inglis, B. Natural and Supernatural.

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

OS GRITOS NA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU[1]

 

François Dubois - Massacre do Dia de São Bartolomeu


Allan Kardec

 

De Saint-Foy, em sua Histoire de l’ordre du Saint-Esprit, edição de 1778, cita a seguinte passagem, retirada de uma coletânea escrita pelo marquês Christophe Juvénal des Ursins, tenente-general do governo de Paris, lá pelos fins do ano de 1572, e imprimida em 1601.

“No dia 31 de agosto de 1572, oito dias após o massacre de São Bartolomeu, eu havia ceado no Louvre, nas dependências da senhora Fiesque. O calor tinha sido grande durante todo o dia.

Assentamo-nos sob uma pequena latada, às margens do rio Sena, para aspirar o ar fresco; de repente, ouvimos no ar um barulho horrível, de vozes tumultuosas e de gemidos misturados a gritos de raiva e de furor; ficamos imóveis, tomados de pavor, olhando-nos de instante em instante, mas sem coragem de falar. Creio que esse barulho tenha durado cerca de meia hora. Por certo o rei Carlos IX também o ouviu, ficou apavorado, não dormiu mais durante o resto da noite e, embora não comentasse o fato no dia seguinte, perceberam-lhe o ar sombrio, pensativo, alucinado.

Se algum prodígio não deve encontrar incrédulos, seguramente este é um deles, atestado por Henrique IV. Conforme d’Aubigné, no livro I, capítulo 6, página 561, esse príncipe várias vezes nos contou, entre seus familiares e cortesãos mais chegados – e tenho várias testemunhas vivas que jamais relataram o fato, sem se sentirem ainda tomadas de pavor – que oito dias após o massacre de São Bartolomeu viu uma grande quantidade de corvos empoleirar-se e crocitar sobre o pavilhão do Louvre; que nessa mesma noite, duas horas após haver deitado, Carlos IX saltou de sua cama, fez se levantarem os que estavam em seu quarto e ordenou verificassem o que por ali se passava, pois ouvia no ar um grande barulho de vozes a gemer, em tudo semelhante ao que percebera na noite do massacre; que todos esses gritos eram tão impressionantes, tão marcantes e de tal forma articulados que Carlos IX, julgando que os inimigos dos Montmorency e de seus partidários os haviam surpreendido e os atacavam, enviou um destacamento de seus guardas para impedir esse novo massacre; que os guardas informaram que Paris estava tranquila e que o barulho que se ouvia permanecia no ar.

 

Observação – O fato narrado por Saint-Foy e Juvénal des Ursins tem muita analogia com a história do fantasma da senhorita Clairon, relatado em nosso número do mês de fevereiro, com a diferença de que, nessa ocasião, um único Espírito se manifestou durante dois anos e meio, ao passo que, depois da noite de São Bartolomeu, uma quantidade inumerável de Espíritos teria feito o ar retinir apenas por alguns instantes. Aliás, esses dois fenômenos têm, evidentemente, o mesmo princípio que o dos demais fatos contemporâneos e da mesma natureza que já relatamos, deles não diferindo senão pelo detalhe da forma. Interrogados sobre a causa dessa manifestação, vários Espíritos responderam que era uma punição de Deus, o que é fácil de compreender.



[1] REVISTA ESPÍRITA – setembro/1858 – Allan Kardec

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

JORGE GODINHO BARRETO NERY[1]

 


 

            Nascido em Alagoinhas (Bahia), possui larga experiência administrativa no Brasil e Exterior, com 48 anos de serviços na Força Aérea Brasileira, tendo sido conselheiro militar da representação do Brasil junto à Conferência do Desarmamento Mundial da ONU.

Ao longo da carreira, ocupou cargos como a chefia da Secretaria de Conselho e Comissões do Gabinete do Ministro; foi delegado do Brasil na Junta Interamericana de Defesa; chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica e do Estado-Maior da Aeronáutica; presidente do Conselho de Administração da INFRAERO; secretário-Executivo do Conselho de Aviação Civil (CONAC) e assessor Especial Militar do Ministro de Estado da Defesa.

Tenente Brigadeiro do Ar, é praça desde 1º de março de 1966. Pós-Graduado em Análise Organizacional pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), possui quatro mil horas de voo e os cursos operacionais de Piloto de Caça, Líder de Esquadrilha, Líder de Grupo e Piloto de Transporte.

De família espírita, sempre teve em mente o objetivo da caminhada tendo o Evangelho como roteiro. Na década de 1970, foi presidente do Centro Espírita Discípulos de Léon Denis, no Rio de Janeiro. É expositor e monitor espírita desde 1983, divulgando o Espiritismo em diversos países.

Contribui, há mais de três décadas, com a Federação Espírita Brasileira – FEB. Membro do Conselho Superior da Instituição e Presidente eleito em 21 de março de 2015.

Participou do Movimento Espírita nos Estados Unidos, nos anos de 1998 a 2000, em Washington e Baltimore. Colaborou com a União dos Centros de Estudos Espíritas da Suíça, no processo de Unificação do Movimento Espírita daquele país, que culminou com a assinatura do Pacto de Unificação pelas Instituições Espíritas da Suíça, em 2012.

 Veio ao Paraná ofertar a sua palavra, por primeira vez, em 14 de março de 2017, participando, em Cornélio Procópio, como conferencista da 19ª Conferência Estadual Espírita do Interior, retornando, desde então, anualmente, para abrilhantar a Conferência Estadual Espírita.



[1] FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO PARANÁ - https://www.feparana.com.br/topico/?topico=2502