sábado, 8 de julho de 2023

EXPERIÊNCIA CONVINCENTE[1]

 


Vianna de Carvalho - julho/2023

 

A existência do Espírito, entre outras verificações, também possui a diretamente fornecida pelo magnetismo. Adormeça-se, a poder de prolongados passes, a uma pessoa que se preste sem relutância à prova clássica de sonambulização artificial.

Conseguida a hipnose, até o ponto necessário a sugestões de certa natureza, ordene-se ao magnetizado que se transporte a sítio distante e descreva objetos, cenas e sucessos passados na ocasião. Salvo pequenas falhas que desaparecem com o adestramento regular, as descrições verbais correspondem perfeitamente à realidade.

Encarado o fenômeno pelo aspecto da escola materialista, permanece sem chave que satisfatoriamente logre resolvê-lo. A exaltação dos sentidos, os estados intensivos do sistema nervoso e outras formas análogas de explicações, só exprimem as frustradas tentativas com que a ciência disfarça a sua lamentável precariedade no assunto.

Quem descortina acontecimentos a muitas léguas de afastamento, não pode evidentemente servir-se de órgãos tão restritos como são os corpóreos. É preciso, sem dúvida alguma, procurar causa diversa para aclarar os prodígios efetuados no desdobramento pelo sonambulismo.

A sensibilidade comum não basta como fator de apreensão de imagens, odores, sons… localizados, às vezes, em regiões inacessíveis aos processos conhecidos de locomoção.

Qual é a força que se transporta sob o influxo do comando emanado do magnetizador? Antes de tudo, as observações demonstram tratar-se de alguma coisa inteligente, capaz de raciocinar, dotada de percepção que, não raro, oferece acuidade muito acima da craveira comum. A essa entidade projetada fora da cadeia orgânica foi prescrita, em nossa língua, a denominação de Espírito. É a mesma essência da individualidade consciente entrevista por todas as religiões, sondada em seus mistérios pelo olhar da filosofia e apreciada agora através de métodos tão firmes que não temem confronto com os empregados nos demais ramos dos conhecimentos positivos.

Desligada acidentalmente do veículo de manifestação ordinária, transpõe longitudes, galga precipícios, zomba dos mares, vence desertos nus, entra pelas cidades populosas e de lá transmite, pelo éter, as vibrações do pensamento. A diretriz dessas ondas mentais é determinada por um fio de fluido, mais ou menos radiante, unindo o corpo que dorme a seu dono, longe mantido, em plena atividade, Não há, pois, nenhum sobrenaturalismo a ser invocado nos casos de visão supranormal. Todos eles entram no quadro da especulação baseada em leis perenes, apropriadas ao plano que transcende o terra a terra de nossas mesquinhas preocupações.

Todavia, para atingir a grande claridade, de onde promanam as decifrações de vários enigmas renitentes, sobre a nossa constituição, torna-se indispensável abandonar a funestíssima ideia de que o homem representa apenas uma arquitetura molecular destinada a definitivamente esvair-se no suposto insondável pélago da morte…

 

Revista de Espiritualismo, ano VII, nº 6, junho de 1922.



[1] MUNDO ESPÍRITA - Julho de 2023 Número 1668 Ano 90 - http://www.mundoespirita.com.br/?materia=experiencia-convincente

sexta-feira, 7 de julho de 2023

ALUNO, DISCÍPULO, APÓSTOLO[1]

 


Orson Peter Carrara

 

Motivado pela fala inspirada do amigo Marcelo Orsini, de Belo Horizonte (MG), em seu episódio 1 (com menos de 30 minutos) da Série Recomendações de Jesus aos Apóstolos, em playlist com apenas 3 episódios (os 3 com média de 30 minutos) integrantes da playlist com o mesmo título da série no canal Marcelo Orsini Espiritismo BH, extraímos as claras definições abaixo citadas, visando trazer tais conteúdos e igualmente motivar o leitor a ouvir os 3 episódios com aquele significativo título.

Em objetiva introdução, referindo-se às orientações, avisos, advertências e conselhos da sabedoria de Jesus aos seus seguidores mais diretos, Marcelo traz interessante classificação que merece nossa atenção para mais ampla reflexão. Está na definição das 3 palavras que intitulam a presente abordagem. Resume o autor:

1.       Aluno – É aquele que lê, estuda, observa, aprende, diante do contato que tem com os ensinos.

2.       Discípulo – É quem segue as ideias já assimiladas, procurando imitar os exemplos de outros mais amadurecidos, seguindo seu Mestre.

3.       Apóstolo – Esse é o enviado, emissário, missionário, pregador, consciente de sua tarefa e a ela se dedicando com renúncia e mesmo sacrifício.

 

É interessante observar que o aluno passa para a condição de discípulo quando se interessa pelo assunto e passa a seguir seu Mestre. O assunto é bem amplo e muito conectado com nosso tempo, nossas lutas, conquistas e desafios e mesmo historicamente repleto de exemplos dessas personagens que permearam a história, deixando legado de exemplos. Vemos muitos casos de alunos, discípulo e apóstolos ao longo da história. E nós, os personagens comuns, situamo-nos como simples alunos ainda, ou já conseguimos estar na condição de discípulo?

Note-se ainda que a condição de aluno é igualmente importante porque já existe a iniciativa, a atenção, e já não mais indiferença. Já é um progresso.

Mas o objetivo maior dessas informações foi mesmo convidar o leitor a convidar o canal e especialmente beneficiar-se com os 3 lúcidos vídeos do amigo Marcelo. Busque o canal Marcelo Orsini Espiritismo BH e lá no canal busque a playlist Série Recomendações de Jesus aos Apóstolos. E tenha magnífico material em mãos. Para já estarmos na condição de alunos que buscam aprender. Afinal, o título da série é muito oportuno e atual.

 

Para acessar:

 

§  Ver Shorts: clique em Link-1

§  Da playlist: clique em Link-2

§  Do canal: clique em Link-3



[1] O CONSOLADOR - Ano 17 - N° 830 - 2 de Julho de 2023  - http://www.oconsolador.com.br/ano17/830/ca7.html

quinta-feira, 6 de julho de 2023

PARA RESPEITAR[1]

 

"Freedom Of Worship" -  Danny Galieote


Miramez

 

Devemos, por respeito à liberdade de consciência, deixar que se propaguem as doutrinas perniciosas, ou podemos, sem atentar contra essa liberdade, procurar conduzir para o caminho da verdade os que se desviaram para falsos princípios?

− Certamente se pode e mesmo se deve; mas ensinai, a exemplo de Jesus, pela doçura e a persuasão, e não pela força, o que seria pior que a crença daquele a quem desejásseis convencer. Se há alguma coisa que possa ser imposta é o bem e a fraternidade; mas não acreditamos que o meio de fazê-lo seja a violência: a convicção não se impõe.

Questão 841/O Livro dos Espíritos

 

Nunca aconselhamos a violência, para impedir que se propaguem certas ideias. A brandura é sempre o melhor caminho. Quando falamos em energia, não queremos dizer que se deve oprimir pela força, os pensamentos e mesmo fatos que possam contaminar a massa humana.

O homem que ama, a pessoa branda na sua vida, a alma honesta no seu viver com seriedade, o ser humano que procura sempre a verdade, nunca encontram dificuldades para ensinar, e quem os ouve acata seus pensamentos educativos.

Podemos respeitar as criaturas e, no entanto, divergir delas no modo pelo qual pensam e fazem, sem que a prepotência e o orgulho possam nos afetar. Ninguém é senhor de toda a verdade. A vida, com todos os ensinamentos de Deus, se divide ao infinito, para instruir as criaturas. Não fiquemos pensando que somente nós possuímos os direitos e a verdade do Senhor, por pertencermos a uma religião. Todas as religiões se modificam com o tempo e a força do progresso, bem assim os livros em que elas alicerçam seus conceitos. Tudo muda com a força do tempo; somente Deus e Suas leis são soberanamente eternos e perfeitos. Tudo o mais obedece à transitoriedade, como se vê em todos os ângulos da criação.

Quando se trata de liberdade, é certo que não devemos tolher os outros ao propagarem suas crenças, desde que elas não firam a moral da sociedade. Quando isso acontecer, essa mesma sociedade tem seus meios de defesa. Uma religião combater a outra é, pois mostra de que já se encontra fraca e tem medo de desaparecer. Se ela teme, não está com a verdade, porque a verdade não precisa de defesa dos homens.

Se se trata das coisas espirituais, como combater com a força, violentando o modo pelo qual os outros passaram a viver? Se tememos, não confiamos naquele cuja doutrina propagamos.

Se todas as religiões afirmam que Deus é o Supremo Senhor de toda a vida, de toda a criação, Ele se encontra à frente de todos os acontecimentos. Quando Ele deixa algo acontecer, por que vamos querer impedir que aconteça? Andemos nas linhas do amor, que esse amor nos defenderá e fortalecerá no bem onde quer que seja.

Vejamos o que Paulo escreveu aos Romanos, no capítulo onze, versículo trinta e seis, de sua carta:

Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente.

Por que nós, minúsculos seres, queremos ou vamos querer impedir os pensamentos alheios aos nossos? Interferir nos sentimentos do próximo é área em que não nos é permitido penetrar.

Gostaríamos que outros intervissem nas nossas ideias? Então, não façamos aos outros o que não desejamos que eles nos façam.

Se somos todos iguais, a justiça nos policia todos os segundos e registra o que fazemos, para depois recebermos o mesmo em troca. Nem mesmo o bem e a caridade que o amor puro impulsiona, devem ser impostos; estas virtudes, por si mesmas crescem, por serem abençoadas por Deus, quando criou o amor e achou bom que se irradiasse em toda a Sua criação, dividindo-se em variadas leis que sustentam e garantem a vida.



[1] Filosofia Espírita – Volume 17- João Nunes Maia

quarta-feira, 5 de julho de 2023

O MENINO QUE VOLTOU DO CÉU (EQM retratada)[1]

 


K.M. Wehrstein

 

“O menino que voltou do céu” é um livro americano best-seller que pretende descrever a experiência de quase morte de Alex Malarkey, então com seis anos de idade, após um acidente de carro. O conto, que apresenta Jesus, anjos, céu, o diabo e outros motivos cristãos, foi coautoria de Alex e seu pai. Aos dezesseis anos, Alex Malarkey retratou a história, obrigando a editora a suspender as vendas e as livrarias para retirá-la das prateleiras. O caso não foi investigado de forma independente: este resumo é baseado em reivindicações da mídia por familiares e críticos.

 

Acidente e consequências

William Alexander Malarkey, conhecido como Alex, é o mais velho dos quatro filhos de Kevin e Beth Malarkey de Huntsville, Ohio, EUA. Em 14 de novembro de 2004, Kevin estava levando Alex para casa quando o carro, fazendo uma curva à esquerda, foi atingido na lateral por outro veículo. O pai sofreu apenas ferimentos leves; o filho foi quase decapitado e sua espinha cortada. Ele ficou em coma por dois meses e está permanentemente tetraplégico.

De acordo com o relato de Kevin, o carro que se aproximava foi escondido por uma depressão na estrada e ele, falando ao celular, foi distraído pelo filho dizendo que estava com fome no banco de trás[2]. De acordo com Beth Malarkey, Alex estava realmente tentando avisar seu pai sobre o veículo que se aproximava[3].

Ambos os pais afirmaram que Alex começou a descrever os anjos e o céu depois que ele acordou do coma. Em uma passagem atribuída a ele diz:

Cinco anjos estavam carregando papai para fora do carro. Quatro carregavam seu corpo e um sustentava seu pescoço e cabeça. Os anjos eram grandes e musculosos, como lutadores, e tinham asas nas costas da cintura até os ombros… Então olhei para o banco do passageiro da frente e o diabo estava olhando nos meus olhos. Ele disse: “Sim, isso mesmo, seu pai está morto e a culpa é sua”... Eu passei por um longo túnel branco que era muito claro... Papai também estava no céu. Os anjos ficaram comigo para que papai pudesse ficar a sós com Deus. Papai teve ferimentos graves como o meu, mas Deus o estava curando no céu para trazer glória a si mesmo - foi o que Deus me disse mais tarde[4].

Alex também descreveu o Inferno como sendo acessível através de um buraco do Céu, anjos frequentemente adorando Deus em Seu trono, o Céu tendo cidades que faziam Nova York parecer pequena com um horizonte que era 'impressionante'[5], e Satanás era assim:

A boca do diabo é engraçada olhando, com apenas alguns dentes mofados. E eu nunca notei nenhuma orelha. Seu corpo tem forma humana, com dois braços ossudos e duas pernas ossudas. Ele não tem carne em seu corpo, apenas algumas coisas mofadas[6].

 

Livro

Por cinco anos, os Malarkeys não pensaram em descrever isso para ninguém fora de sua comunidade. Isso mudou em 2009, quando Alex, agora com onze anos, ganhou a atenção da mídia como a pessoa mais jovem a se submeter à 'operação de Christopher Reeves' – realizada pelo mesmo cirurgião que operou o ator – para permitir que ele respirasse sem um ventilador. Um repórter sugeriu a Kevin que escrevesse sobre a EQM de Alex, e Kevin encontrou um agente literário, Matt Jacobson. Beth, que havia se tornado a cuidadora de Alex 24 horas por dia, sentiu que a conversa com o agente estava muito focada em dinheiro e que ela não foi devidamente incluída nas consultas. Kevin Malarkey contratou a Tyndale House, uma editora cristã conservadora com sede em Illinois. Funcionários da Tyndale entrevistaram Alex na casa dos Malarkey, perguntando repetidamente sobre o céu e os anjos, sobre o que ele tornou-se cada vez mais desconfortável. Contra sua vontade[7] eles também o entrevistaram para vídeos promocionais[8].

Os Malarkeys não pagaram a hipoteca e o contrato os salvou da execução hipotecária[9]. O menino que voltou do céu foi publicado em 2010 e se tornou um best-seller do New York Times , vendendo mais de um milhão de cópias em vários idiomas (inclusive no Brasil). No mesmo ano, foi transformado em documentário de TV, produzido por Tyndale e estrelado por membros da família Malarkey interpretando a si mesmos[10].

 

Retratação

Beth Malarkey relatou a primeira tentativa pública de Alex de denunciar o livro em seu blog, dizendo que ele havia postado a mensagem 'dos livros mais enganosos de todos os tempos' em uma página do Facebook para seus fãs em 6 de agosto de 2011. O comentário foi excluído e ele foi bloqueado[11].

A essa altura, Beth e os quatro filhos haviam se separado de Kevin Malarkey. Ela continuou a reclamar – em seções de comentários em blogs evangélicos e em e-mails privados para o editor – que Alex estava sendo explorado. Alex é apontado como coautor de Kevin, e grande parte do livro é composta de relatos supostamente escritos por ele; no entanto, o contrato de publicação era apenas com Kevin, e Tyndale insistiu que ele se envolvesse em qualquer alteração. A editora também disse a Beth que, se o contrato fosse anulado, "o livro poderia (e provavelmente seria) voltar a ser impresso por outra editora dentro de algumas semanas". Tyndale tentou repetidamente marcar um encontro entre Kevin, Beth, Alex e seu agente literário. Beth recusou, alegando preocupação com o filho[12].

Escritores cristãos criticaram o livro – e outros que descrevem EQMs – com base na Bíblia, dizendo que o gênero do chamado 'Turismo Celestial' não poderia apresentar relatos genuínos, pois contradiziam as escrituras. Essa crítica é exemplificada por uma postagem de blog de 2012 do escritor cristão Phil Johnson, a quem Beth contatou para confirmar sua opinião[13].

Em abril de 2014, Beth escreveu em seu blog que Alex 'não recebeu dinheiro do livro nem a maioria de suas necessidades foram financiadas por ele ... O nome e a identidade de Alex estão sendo usados ​​contra sua vontade ... Alex tentou falar publicamente contra o livro'[14].

Em janeiro de 2015, Alex, agora com dezesseis anos, escreveu uma carta ao site cristão Pulpit and Pen , na qual ele se retratava inteiramente:

eu não morri. Eu não fui para o Céu. Eu disse que fui para o céu porque pensei que isso me chamaria atenção. Quando fiz as afirmações que fiz, nunca havia lido a Bíblia. As pessoas lucram com mentiras e continuam a lucrar. Eles devem ler a Bíblia, o que é suficiente. A Bíblia é a única fonte da verdade. Qualquer coisa escrita pelo homem não pode ser infalível[15].

A Tyndale House anunciou que deixaria de vender o livro em 16 de janeiro de 2015[16]. A cadeia de livrarias cristãs LifeWay anunciou mais ou menos na mesma época que o retiraria das prateleiras[17].  A retratação foi amplamente divulgada tanto na mídia cristã internacional quanto na grande mídia.

Kevin Malarkey, um terapeuta cristão, foi muito procurado como palestrante depois que o livro foi publicado e antes de ser recolhido.

Johnson foi citado como tendo dito que o livro era uma farsa e:

minha avaliação seria que Kevin é um narcisista patológico e que ele viu isso como uma oportunidade de fazer carreira como uma espécie de palestrante e autor. Essa seria sua carreira e ele ganhou muito dinheiro com isso[18].

 

Literatura

§  Amazônia (2010). O menino que voltou do céu: um relato notável de milagres, anjos e vida além deste mundo. [Página de vendas de livros, 30 de junho, acessada em 13 de abril de 2021.]

§  Carlos, R. (2015). 'Boy Who Came Back From Heaven' na verdade não; livros lembrados . Washington Post , 17 de janeiro.

§  Collins, L. (2015). EXCLUSIVO: Pai de menino que diz ter inventado memórias do tempo no céu agora é acusado de lucrar com 'golpe' - enquanto mãe lutou por anos para provar que livro sobre o paraíso era uma mentira .  Daily Mail , 23 de janeiro.

§  Dean, M. (2015). O menino que não voltou do céu: por dentro do 'engano' de um best-seller. The Guardian International Edition, 21 de janeiro.

§  Gerencser, B. (2015). Resenha do livro: O menino que voltou do céu . The Life and Times of Bruce Gerencser , 17 de janeiro. [Weblog.]

§  Internet Movie Database (nd) O menino que voltou do céu (filme de TV de 2010): Elenco e equipe completos.

§  Johnson, P. (2012). A Doutrina Burpo-Malarkey. [ Grace To You, weblog, 18 de outubro.]

§  Malarkey, B. (2007-presente). A vida é uma viagem. [Weblog, preservado no Internet Archive.].

§  Malarkey, K. e Malarkey, A. (2010). O menino que voltou do céu: um relato notável de milagres, anjos e vida além deste mundo. Carol Stream, Illinois, EUA: Tyndale House Publishers.

§  Púlpito e Pena (2015). 'O menino que voltou do céu' retrata história, repreende varejistas cristãos . [Weblog, 13 de janeiro.]

§  Editora Tyndale House (2015). A declaração de Tyndale sobre o menino que voltou do céu . [Página da Web, 21 de janeiro.]

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Malarkey & Malarkey (2010), 7.

[3] Collins (2015).

[4] Malarkey & Malarkey (2010), 14.

[5] Malarkey & Malarkey (2010), 212-13.

[6] Malarkey & Malarkey (2010), 171. Para mais resumos de Malarkey & Malarkey (2010), ver Gerencser (2015).

[7] Dean (2015).

[8] Uma delas pode ser vista em Collins (2015).

[9] Collins (2015).

[10] Banco de dados de filmes da Internet (2010).

[11] Malarkey (2012).

[12] Dean (2015).

[13] Johnson (2012).

[14] Malarkey (2014).

[15] Púlpito e Pena (2015).

[16] Editora Tyndale House (2015).

[17] Carlos (2015).

[18] Collins (2015).

terça-feira, 4 de julho de 2023

VISÃO DE PERGOLESI[1]

 


Allan Kardec

 

Contaram muitas vezes, e todos conhecem o estranho relato da morte de Mozart, cujo Réquiem tão célebre foi a última e incontestável obra-prima. A dar crédito a uma tradição napolitana antiga e respeitável, muito tempo antes de Mozart, fatos não menos misteriosos e não menos interessantes teriam precedido, se não levado à morte prematura de um grande mestre: Pergolesi.

Ouvi essa tradição da própria boca de um velho camponês de Nápoles, essa terra das artes e das recordações; ele a recebera de seus avós, e em seu culto ao ilustre mestre, do qual falava, tinha o cuidado de nada alterar em seu relato.

Eu o imitarei e vos direi fielmente o que ele me contou.

Disse-me ele:

Conheceis a cidadezinha de Casoria, a poucos quilômetros de Nápoles? Foi lá que em 1704 Pergolesi veio à luz.

Desde a mais tenra idade revelou-se o artista do futuro. Como sua mãe, como fazem todas as nossas, cantarolava junto dele as lendas rimadas de nossa terra, para adormecer il bambino, ou, segundo a ingênua expressão de nossas amas-de-leite napolitanas, a fim de chamar para junto do berço os anjinhos do sono (angelini del sonno), diz-se que o menino, ao invés de fechar os olhos, os arregalava, fixos e brilhantes; suas mãozinhas se agitavam e pareciam aplaudir; aos gritos alegres que escapavam de seu peito ofegante, dir-se-ia que essa alma, apenas desabrochada, já estremecia aos primeiros ecos de uma arte que um dia deveria cativá-la por inteiro.

Aos oito anos, Nápoles o admirava como um prodígio, e durante mais de vinte anos a Europa inteira aplaudiu o seu talento e suas obras. Ele fez a arte musical dar um passo imenso; lançou, por assim dizer, o gérmen de uma era nova, que logo deveria produzir os mestres que se chamam Mozart, Méhul, Beethoven, Haydn e outros; numa palavra, a glória cobria a sua fronte com a mais brilhante auréola.

E, contudo, dir-se-ia que sobre essa fronte errava uma nuvem de melancolia, fazendo-a curvar-se para a terra. De vez em quando o olhar profundo do artista se elevava para o céu, como se aí buscasse alguma coisa, um pensamento, uma inspiração.

Quando o interrogavam, respondia que uma vaga aspiração enchia sua alma, que no fundo de si mesmo ouvia como que os ecos incertos de um canto do céu, que o arrebatava e o elevava, mas não podia captá-lo e que, semelhante a um pássaro cujas asas, por demais fracas, não podem, à sua vontade, elevá-lo no espaço, caía na terra, sem ter podido seguir essa suave inspiração.

Nesse combate, pouco a pouco a alma se esgotava; na mais bela idade da vida, pois então tinha apenas trinta e dois anos, Pergolesi parecia já ter sido tocado pelo dedo da morte. Seu gênio fecundo parecia ter-se tornado estéril, sua saúde definhava dia a dia; em vão seus amigos lhe procuravam a causa e ele próprio era incapaz de a descobrir.

Foi nesse estado penoso e estranho que ele passou o inverno de 1735 a 1736.

Sabeis com que piedade aqui celebramos, ainda em nossos dias, a despeito da debilidade da fé, o tocante aniversário da morte do Cristo; a semana em que a Igreja o relembra a seus filhos é bem realmente, para nós, uma semana santa. Assim, reportando-vos à época de fé em que vivia Pergolesi, podeis pensar com que fervor o povo acorria em massa às igrejas, para meditar as cenas enternecedoras do drama sangrento do Calvário.

Na sexta-feira santa Pergolesi acompanhou a multidão. Aproximando-se do templo, parecia-lhe que uma calma, há muito desconhecida para ele, se fazia em sua alma e, quando transpôs o portal, sentiu-se como que envolto por uma nuvem ao mesmo tempo espessa e luminosa. Logo nada mais viu; profundo silêncio se fez em seu redor; depois, ante os seus olhos admirados, e em meio à nuvem, na qual até então lhe parecia ter sido levado, viu desenharem-se os traços puros e divinos de uma virgem, inteiramente vestida de branco; ele a viu pousar seus dedos etéreos nas teclas de um órgão, e ouviu como um concerto longínquo de vozes melodiosas, que insensivelmente dele se aproximava. O canto que essas vozes repetiam o enchia de encantamento, mas não lhe era desconhecida; parecia-lhe que esse canto era aquele do qual não tinha podido perceber senão vagos ecos; essas vozes eram bem aquelas que, desde longos meses, lançavam perturbação em sua alma e agora lhe traziam uma felicidade sem limite. Sim, esse canto, essas vozes eram bem o sonho que ele tinha perseguido, o pensamento, a inspiração que inutilmente havia procurado por tanto tempo.

Mas, enquanto sua alma, arrebatada no êxtase, bebia a longos sorvos as harmonias simples e celestes desse concerto angélico, sua mão, como que movida por força misteriosa, agitava-se no espaço e parecia traçar, mau grado seu, notas que traduziam os sons que o ouvido escutava.

Pouco a pouco as vozes se afastaram, a visão desapareceu, a nuvem se desvaneceu e Pergolesi viu, ao abrir os olhos, escrito por sua mão, no mármore do templo, esse canto de sublime simplicidade, que o devia imortalizar, o Stabat Mater, que desde esse dia todo o mundo cristão repete e admira.

O artista ergueu-se, saiu do templo, calmo, feliz e não mais inquieto e agitado. Mas nesse dia uma nova aspiração se apoderou dessa alma de artista; ela ouvira o canto dos anjos, o concerto dos céus. As vozes humanas e os concertos terrestres já não lhe podiam bastar. Essa sede ardente, impulso de um grande gênio, acabou por esgotar o sopro de vida que lhe restava, e foi assim que aos trinta e três anos, na exaltação, na febre, ou melhor, no amor sobrenatural de sua arte, Pergolesi encontrou a morte.

 

Tal é a narração de meu napolitano. Como eu disse, não passa de uma tradição. Não defendo a sua autenticidade e a História talvez não a confirme em todos os pontos, mas é muito tocante para que não nos deleitemos com o seu relato.

Ernest Le Nordez

Petit Moniteur de 12 de dezembro de 1868



[1] Revista Espírita – fevereiro/1869 – Allan Kardec

segunda-feira, 3 de julho de 2023

JOHN WILMOT ROCHESTER[1]

 


John Wilmot Rochester, nasceu em 1º de abril de 1647, em Oxfordshire, Reino Unido. Filho de Henry Wilmot, 1st Earl of Rochester e Anne St. John, Countess of Rochester. Casado com Elizabeth Wilmot (desde 1667). Seus filhos Charles Wilmot, 3rd Earl of Rochester, Lady Malet Wilmot, Anne Wilmot of Rochester e Lady Elizabeth Wilmot.

O Espírito que conhecemos sob o nome de conde de Rochester, está intimamente ligado − no que se refere à produção de suas obras − ao da médium Wera Krijanowskaia.

Almirante célebre no reinado de Carlos II, da Inglaterra, foi autor de poesias satíricas, bastante apreciadas em sua época, e possuía vasta cultura.

Faleceu em 26 de julho de 1680, aos 33 anos, em Woodstock, Reino Unido.

No estado de Espírito, Rochester recebeu a missão de trabalhar pela propagação do Espiritismo. Para poder cumprir a tarefa, escolheu e preparou desde a infância a médium Wera Ivanova Krijanowskaia, jovem filha de distinta família russa.

Não obstante haver recebido sólida instrução no Instituto Imperial de S. Petersburgo, Wera não se aprofundou em nenhum ramo de conhecimento. Sua mediunidade consistia, principalmente, na escrita mecânica. O automatismo que a caracterizava fazia sua mão traçar as palavras com rapidez vertiginosa e completa inconsciência de ideias.

As narrações que lhe eram ditadas denotam amplo conhecimento da vida e dos costumes antigos e trazem em suas minúcias tal cunho de feição local e de verdade histórica, que é difícil ao leitor não lhes reconhecer a autenticidade. Afigurasse-nos impossível que um historiador, por mais erudito que seja, possa estudar, simultaneamente e a fundo, épocas e meios tão diferentes como as civilizações assíria, egípcia, grega e romana; bem como costumes tão dessemelhantes quanto os da França de Luís XI e os da Renascença.

No período compreendido entre 1882 e 1920, foram escritos 51 romances, quinze dos quais têm tradução para o português: “O Chanceler de Ferro”, “O faraó Mernephtah”, “Romance de uma Rainha” (2 volumes), “Episódio da Vida de Tibério”, “Herculanum”, “O Sinal da Vitória”, “A Abadia dos Beneditinos”, “Naema, a Bruxa”, “A Lenda do Castelo de Montinhoso”, “A Vingança do Judeu”, “A Feira dos Casamentos”, “Na Fronteira”, “O Elixir da Longa Vida”, “A Noite de São Bartolomeu” e “Narrativas Ocultas”.

A temática da obra de Rochester começa no Egito faraônico, passa pela antiguidade greco-romana e pela Idade Média e chega até o século XIX. Nos seus romances, a realidade navega num caudal fantástico, em que o imaginário ultrapassa os limites da verossimilhança, tornando naturais fenômenos que a tradição oral cuidou de perpetuar como sobrenaturais. O referencial de Rochester é pleno de conteúdo sobre costumes, leis, antigos mistérios e fatos insondáveis da História, sob um revestimento romanesco, onde os aspectos sociais e psicológicos passam pelo filtro sensível de sua grande imaginação.

A classificação do gênero, em Rochester, é dificultada por sua expansão em várias categorias: terror gótico com romance, sagas de família, aventuras e incursões pelo fantástico.

É tão grande o número de edições das obras de Rochester, espalhadas por inúmeros países, que não é possível fazer ideia de sua magnitude, principalmente ao se considerar que, segundo os pesquisadores, muitas dessas obras são desconhecidas do grande público.

Diversos cultores dos romances de Rochester efetuaram (e, quiçá, efetuam) pesquisas em bibliotecas de vários países, notadamente na Rússia, para localizar obras ainda desconhecidas. É o que se depreende dos prefácios transcritos em diversas obras.

Nesta sucinta descrição da vida e obra de Rochester, tendo em vista o grande número de obras publicadas, abstivemo-nos de relacionar todas elas. O leitor interessado, todavia, encontrará a relação completa no livro “Narrativas Ocultas”.

A Sociedade Científica de Espiritismo de Paris publicou uma mensagem mediúnica de Rochester, que figura no prefácio da obra “Episódio da Vida de Tibério”, em francês, na qual ele afirma que muitas narrativas completariam sua obra mediúnica, e que a última a aparecer seria “Memória de um Espírito ‘Errante”, com a descrição da última encarnação dos autores do drama secular de suas obras, e que estariam encarnados na Terra neste período.

Segundo afirmativa dos membros do grupo espírita no qual Rochester se manifestava, a obra referida seria seu trabalho capital e uma espécie de enciclopédia do Espiritismo.

Narrando as existências de diversos Espíritos, que a cada vez voltam a sofrer uma nova prova terrestre, essas obras estabelecem o princípio da reencarnação progressiva, tal como foi ensinado por Allan Kardec, em contraste com o dogma do inferno eterno, desmentido formal às desesperadas palavras de Dante: Lasciate ogni speranza voi ch'entrate! (Percai as esperanças, vós que aqui entrais).

sábado, 1 de julho de 2023

QUEM TEM O CONTROLE DE TUDO?[1]

 


Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo[2]

 

Não te faças portador das mensagens de pessimismo. A Terra já possui legiões enormes para a força do mal. Sê a palavra que reconforte e auxilie.

Emmanuel (Chico Xavier) – Seara dos médiuns – FEB

 

Muitos irmãos nos envolvem em pensamentos de depressão e revolta, angústia e ansiedade, citando as maldades que ocorrem no mundo e demonstrando um profundo temor do que supostamente pode ocorrer em nossa vida, em função de nossos administradores – todos aqueles que se candidataram com a plataforma de fazer o bem para nossa cidade, estado e país.

Eu procuro sempre pensar que tudo passa e que somos governados pelas leis e poder de Deus, que tem o controle de tudo, do átomo ao arcanjo, dos vírus ao universo. E aprendo a cada dia que o bem é a única luz que nunca se apaga, e o mal nos acompanha vida afora, e mais nos afetam enquanto não reparamos nossas falhas íntimas e nos resignamos a passar por prova semelhante. Carregamos as trevas do equívoco conosco. Somente o amor pode apagar os enganos que cometemos.

Segundo o site TodaMatéria, o Universo “corresponde ao conjunto de toda a matéria, energia, espaço e tempo existente. Ele reúne os astros: planetas, cometas, estrelas, galáxias, nebulosas, satélites, dentre outros. O universo é, portanto, mais que um local imenso, ele é tudo, e engloba tudo o que existe. Para muitos, infinito”.

E o que recebemos de bênção, prova ou expiação não é sorte, azar ou destino (como se o Criador fizesse diferença entre suas criaturas), apenas retorno daquilo que semeamos em nossas existências como seres divinos, filhos do Nosso Pai. Uma dessas bênçãos foi receber neste minúsculo planeta, que como pedra redonda gira solta, sem nada a apoiá-la ou sustentá-la no espaço do pequeno sistema solar, Jesus, o Cristo. Tenhamos a humildade do espírito da poetisa Carmen Cinira (através de Chico Xavier) – “Vozes do Grande Além”, FEB –, quando diz, antes de renascer numa nova experiência, buscando mais sabedoria:

Senhor, tu que deixaste a rutilante esfera

Em que reina a beleza e em que fulgura a glória,

Acolhendo-te, humilde, à palha merencória

Do mundo estranho e hostil em que a sombra ainda impera;

Tu que por santo Amor deixaste a primavera

Da luz que te consagra o poder e a vitória,

Enlaçando na Terra o inverno, a lama e a escória

Dos que gemem na dor implacável e austera...

Sustenta-me na volta à escura estrebaria

Da carne que me espera em noite rude e fria,

Para ensinar-me agora a senda do amor puro!...

E que eu possa em teu nome abraçar, renovada,

A redentora cruz de minha nova estrada,

Alcançando contigo a ascensão do futuro.



[1] O CONSOLADOR - Ano 17 - N° 829 - 25 de Junho de 2023 - http://www.oconsolador.com.br/ano17/829/ca3.html

[2] Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é diretor da Gráfica e Editora EME.