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ERCOLE CHIAIA[1]
O Dr. Ercole Chiaia foi um
espiritualista italiano nascido por volta de 1850. Formado em medicina e com
uma trajetória variada (incluindo atividade militar e empresarial), acabou se
dedicando intensamente ao estudo e à divulgação do espiritismo na Itália do século
XIX[2].
·
Ele ficou especialmente conhecido por ser
empresário e promotor da médium Eusápia
Palladino, sendo decisivo para sua fama internacional2;
·
Organizar sessões mediúnicas e levá-las a
círculos intelectuais europeus e
·
Desafiar publicamente o criminologista Cesare
Lombroso a investigar fenômenos espíritas, por meio de uma carta publicada
em 1888.
Esse desafio teve grande
repercussão: Lombroso acabou participando de sessões e passou a considerar a
possibilidade de fenômenos espirituais, o que ajudou a dar notoriedade ao
movimento2
O Dr. Ercole Chiaia era também
um devotado trabalhador e propagandista, a quem muitos homens notáveis da
Europa devem seus primeiros conhecimentos sobre fenômenos psíquicos. Entre
outros citam-se Lombroso, o Professor Bianchi, da Universidade de Nápoles,
Schiaparelli, Fournoy, o Professor Porro, da Universidade de Gênova e o Coronel
de Rochas.
Dele escreveu Lombroso:
Tendes razão para venerar profundamente a memória de
Ercole Chiaia. Num país onde há tamanho horror ao que é novo, é necessária uma
grande coragem e uma nobre alma para se tornar apóstolo de uma teoria que
defronta o ridículo; e o fazer com aquela tenacidade, aquela energia que sempre
caracterizaram Chiaia. É a ele que muitos devem - inclusive eu - o privilégio
de ver um mundo novo, aberto à investigação psíquica - e isto pelo único meio
que existe para convencer homens de cultura, isto é, pela observação direta.
Sardou, Richet
e Morselli
renderam tributo ao trabalho de Chiaia[3].
Chiaia fez um importante
trabalho orientando Lombroso, o eminente alienista, na investigação do assunto.
Depois de suas primeiras experiências com Eusápia Palladino, em março de 1891,
escreveu Lombroso:
Sinto-me bastante envergonhado e pesaroso por me haver
oposto com tanta tenacidade à possibilidade dos chamados fatos espíritas.
Inicialmente apenas aceitava os
fatos e se opunha à teoria a eles associada. Mas já essa aceitação parcial
causou sensação na Itália em todo o mundo. Aksakof
escreveu ao Dr. Chiaia:
Glória a Lombroso por suas
nobres palavras! Glória a você, por sua dedicação!
O professor Chiaia, de Nápoles,
também obteve materializações de espíritos por meio da médium Eusápia Paladino.
Não satisfeito de fotografar Espíritos, quis conservar uma lembrança ainda mais
comprovativa: a própria forma da aparição. Para isso, imaginou a disposição
seguinte:
Tomando um prato cheio de
farinha, pediu que o Espírito aí imprimisse o seu rosto, a sua mão: o resultado
foi conseguido, mas um tanto confuso por causa da friabilidade da substância
empregada. Então, teve ele a ideia de utilizar-se da argila dos escultores, e
perguntou se o Espírito poderia ali moldar uma cabeça. A vista da resposta
afirmativa, a argila foi posta numa mesa coberta com um véu. A sala achava-se
em obscuridade quase completa, mas, as cinco pessoas que assistiam à
experiência seguraram às mãos umas às outras e, por acréscimo de prudência,
tocaram também mutuamente os pés. Assinalando o Espírito a sua presença,
pediu-se-lhe que produzisse o efeito desejado, no que ele consentiu, e, depois
de três minutos, declarou que estava terminado.
Abriram-se as janelas e
viu-se, então, a massa de argila cavada ou, melhor, comprimida e prestes a
receber gesso. A moldagem apresentou uma bela cabeça de homem sem barba, com
expressão de grande melancolia. Um escultor, a quem a mostraram, declarou que lhe
seria preciso um dia de trabalho para reproduzir em relevo tal obra. A figura
estava coberta por um véu, cujas malhas se viam distintamente no gesso e que
tinham grande analogia com um tecido de fio. Não correspondia a nenhum dos tecidos
que se achavam, então, na sala ou que algumas das pessoas presentes trouxessem
em seu vestuário.
Essas experiências
reproduziram-se muitas vezes e a modulagem deu sempre resultado análogo ao
pedido feito, com maior ou menor grau de exatidão e nitidez. Pedia-se ora a
frente ou o perfil de um rosto, ora a mão de um homem ou de uma criança, e, em
quase todas as vezes, isso foi satisfeito[4].
Sabe-se apenas que faleceu em
1905, já reconhecido como figura influente no espiritualismo europeu2.
[1] FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO PARANÁ - http://www.feparana.com.br/topico/?topico=508
[2]
Biografia com complementações obtidas junto ao Chat GPT
[3] "Annais of Psychical Science", Vol. II
(1905), págs.261-262.
[4] Ver "Revue Spirite", ano de 1887.

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