quinta-feira, 17 de outubro de 2019

NÚMERO DE REENCARNAÇÕES[1]



Miramez

O número de existências corporais é limitado, ou o Espírito se reencarna perpetuamente?
- A cada nova existência o Espírito dá um passo no caminho do progresso; quando se despojou de todas as suas impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal.
Questão 168/Livro dos Espíritos

Colocar um ponto final nas reencarnações é ignorar as distâncias imensuráveis que o Espírito deve percorrer nas linhas da evolução, à qual chamamos de despertamento. As vidas sucessivas mais grosseiras têm duração breve; à medida que o Espírito vai se depurando, ele, automaticamente, vai saindo de uma faixa reencarnatória para entrar em outra de maior pureza. O crescimento da alma requer corpos mais sutis e com maiores possibilidades espirituais, de modo a permitir a ela dominá-los em todos os sentidos.
A reencarnação na terra é necessária até a depuração da alma tendo, portanto, certo limite, se assim podemos dizer; mas a depuração necessária ao Espírito que transita neste planeta pode não ter a mesma correspondência em outros mundos por onde o Espírito vai passar. E o Espírito, bem o sabemos, deve passar por muitos mundos para granjear experiências, cultivar valores e se integrar no amor, aquele ainda desconhecido.
Quando se fala em depuração da alma, não se quer dizer que ela se encontra suja, nem foi feita inferior, cheia de defeitos. O próprio livro básico da doutrina nos fala que o Espírito foi feito simples e ignorante, carregando no seu mundo interno todos os valores a serem despertados pelo tempo e pelas bênçãos do Criador, porque, se Deus é a perfeição, não poderia criar nada imperfeito. A reencarnação é uma lei universal para todos os Espíritos e para todas as coisas. As vidas múltiplas estão ligadas ao progresso, que é força natural de Deus dentro da Sua casa universal.
A cada passo que o Espírito dá, pelos processos da reencarnação, desabrocham dons no seu mundo interno, conferindo-lhe cada vez mais vida. A consciência é um mundo e cada qual tem suas necessidades, carregando sua cruz e buscando despertar seus valores espirituais na construção da sua própria felicidade espiritual. Convém que todos os Espíritos, mesmo os desencarnados, procurem escolas, de variado esclarecimento, porque o aprendizado é grande e a carência de luz no coração, muito maior.
De certa forma, não podemos delimitar as reencarnações; elas se processam em todas as dimensões, de conformidade com a elevação dos Espíritos, atendendo a todos em suas necessidades espirituais. Compete a nós outros compreendermos as suas funções, nas atividades e nos poderes que têm de despertar em cada Espírito os dons correspondentes aos seus anseios pela verdade.
Os homens têm as necessidades semelhantes às dos animais irracionais, só que elas estão aprimoradas, em outra dimensão de vida, pelo valor da evolução. O mesmo acontece ao Espírito: depois do túmulo, continua tendo as mesmas necessidades de quando na carne; simplesmente elas vão mudando de faixa, de acordo com o crescimento da alma, no saber e na moral. É, pois, o prêmio que o tempo confere, juntamente com a conquista, pela misericórdia de Deus. Esforcemo-nos, pois, para diminuir nossas reencarnações inferiores, alcançando, cada vez mais, corpos mais sutis, com ideias mais puras e vidas mais elevadas.




[1] Filosofia Espírita – Volume 4 – João Nunes Maia

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Cura de brasileiro cria nova esperança contra o câncer terminal[1]



Paloma Oliveto - postado em 12/10/2019 07:00 / atualizado em 12/10/2019 16:57

Brasileiro de 63 anos tem remissão de linfoma não Hodkings avançado após ser submetido a terapia inédita na América Latina. Responsáveis pelo teste, cientistas da USP desenvolvem uma metodologia nacional da técnica há quatro anos.

Considerada uma das mais promissoras terapias de combate aos tumores hematológicos dos últimos tempos, as células CAR T foram usadas, pela primeira vez, na América Latina para tratar um paciente terminal de linfoma não Hodkings avançado, com prognóstico de menos de um ano de vida. O procedimento experimental foi realizado por médicos e pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP/USP) em setembro e resultou na remissão da doença.
Embora não necessariamente signifique a cura — entre 20% e 30% das pessoas com linfomas e leucemias tratadas com esse tipo de célula, do próprio paciente, têm recidiva em alguns anos —, o homem de 63 anos não apresenta mais os sintomas que tinha ao dar entrada no Hospital das Clínicas da FMRP. Antes de se submeter ao procedimento, ele sofria de perda acentuada de peso, suores noturnos e muitas dores, o que obrigava os médicos a tratá-lo com dose máxima de morfina. Agora, voltou a engordar, não tem mais sudorese nem precisa do forte opioide. Os médicos responsáveis ressaltam que, apenas daqui a três meses, será possível avaliar se a remissão foi completa ou parcial, mas estão otimistas com o tratamento. Hoje, o paciente terá alta.
Células CAR T são retiradas do paciente e modificadas geneticamente para que, quando reintroduzidas no organismo, formem um exército robusto de soldados que mirem um alvo específico do tumor, o destruam e mantenham intactas as estruturas saudáveis do organismo. Mesmo depois de matar as células doentes, elas ficam em alerta na corrente sanguínea para que, ao identificarem uma tentativa do câncer de reaparecer, o ataquem novamente. No Brasil, esse tratamento não está disponível. Nos Estados Unidos e em países que exportaram a tecnologia, o preço pode ultrapassar US$ 1 milhão.
O tratamento bem-sucedido foi realizado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a partir de uma pesquisa que está sendo realizada na universidade, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). De acordo com os médicos que desenvolveram a metodologia nacional, o custo foi de apenas R$ 150 mil. Essa terapia, porém, ainda é experimental e não está disponível.
O paciente, diagnosticado em 2017 e sem sucesso nas diversas quimioterapias desde então, foi beneficiado pelo chamado uso compassivo, quando já não há nenhuma opção e, portanto, é possível tratá-lo com métodos experimentais. A equipe da USP, composta por 20 pesquisadores, desenvolve o método nacional de células CAR T há quatro anos.
“Trata-se de uma tecnologia muito recente e de uma conquista que coloca o Brasil em igualdade com países desenvolvidos. É um trabalho de grande importância social e econômica para o país”, afirmou à Agência Fapesp Dimas Tadeu Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC) da USP. De acordo com Renato Cunha, médico e pesquisador do CTC, a intenção, agora, é ampliar o protocolo do estudo e atender mais voluntários. Ele contou ao Jornal da USP que outros dois pacientes com linfomas graves estão perto de receber a infusão das células reprogramadas.

Entusiasmo
O hematologista Alexandre Caio, do Instituto OncoVida/Oncoclínicas, está entusiasmado com o anúncio do tratamento feito pelos colegas de São Paulo. Ele conta que um de seus pacientes participou de uma pesquisa em Israel com células CAR T, e apenas a infusão saiu por US$ 70 mil, mesmo sendo experimental. “É um procedimento inviável no cenário brasileiro. Quando você tem um tratamento exitoso e célere como o da USP no cenário do Sistema Único de Saúde, isso é fantástico. Dá ao paciente do SUS a esperança de ter essa possibilidade de tratamento. É algo que poderá beneficiar todos os brasileiros. Esse tipo de pesquisa nos dá orgulho do SUS, orgulho da medicina pública e mostra que é preciso investimento nas universidades, nos hospitais universitários”, defende.
Caio ressalta que, mesmo nos Estados Unidos, onde está aprovado desde 2018, o tratamento com células CAR T para linfomas e leucemias não é indicado como primeira linha, ou seja, a primeira opção. Para chegar a ele, a resposta do paciente às linhas à base de quimioterapia têm de ter falhado. O hematologista lembra que, com os quimioterápicos, as chances de cura de tumores hematológicos chegam a 90%, dependendo do estágio da doença. Outra possibilidade das células CAR T, diz Alexandre Caio, é fazer a ponte entre o tratamento padrão e o transplante de medula óssea.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

IDEIAS PRECONCEBIDAS[1]



(Lyon, novembro de 1863 – Médium: Sr. X...)

Temos-vos dito muitas vezes que investiguem as comunicações que vos são dadas, submetendo-as à análise da razão, e que não tomeis sem exame as inspirações que vêm agitar o vosso Espírito, sob a influência de causas por vezes muito difíceis de constatar pelos encarnados, entregues a distrações sem-número.
As ideias puras que, por assim dizer, flutuam no espaço (segundo a ideia platônica), levadas pelos Espíritos, nem sempre podem alojar-se sozinhas e isoladas no cérebro dos vossos médiuns. Muitas vezes encontram o lugar ocupado por ideias preconcebidas, que se espalham com o jacto da inspiração, perturbando-o e transformando-o de maneira inconsciente, é verdade, mas algumas vezes de maneira bastante profunda para que a ideia espiritual se ache, assim, inteiramente desnaturada.
A inspiração encerra dois elementos: o pensamento e o calor fluídico destinado a excitar o Espírito do médium, dando-lhe o que chamais a verve[2] da composição. Se a inspiração encontrar o lugar ocupado por uma ideia preconcebida, da qual o médium não pode ou não quer desligar-se, nosso pensamento fica sem intérprete e o calor fluídico se gasta em estimular uma ideia que não é nossa. Quantas vezes em vosso mundo egoísta e apaixonado temos trazido o calor e a ideia! Desdenhais a ideia, que vossa consciência deveria fazer-vos reconhecer e vos apoderais do calor, em benefício de vossas paixões terrenas, por vezes dilapidando o bem de Deus em proveito do mal. Assim, quantas contas terão de prestar um dia todos os advogados das causas equivocadas!
Sem dúvida seria desejável que as boas inspirações pudessem sempre dominar as ideias preconcebidas. Mas, então, entravaríamos o livre-arbítrio da vontade do homem e, assim, este último escaparia à responsabilidade que lhe pertence. Mas se somos apenas os conselheiros auxiliares da Humanidade, quantas vezes nos devemos felicitar, quando nossa ideia, batendo à porta de uma consciência estreita, triunfa da ideia preconcebida e modifica a convicção do inspirado! Entretanto, não se deveria crer que nosso auxílio mal-empregado não traísse um pouco o mau uso que dele podem fazer. A convicção sincera encontra acentos que, partidos do coração, chegam ao coração; a convicção simulada pode satisfazer as convicções apaixonadas, vibrando em uníssono com a primeira, mas traz um frio particular que deixa a consciência malsatisfeita e revela uma origem duvidosa.
Quereis saber de onde vêm os dois elementos da inspiração mediúnica? A resposta é fácil: a ideia vem do mundo extraterrestre – é a inspiração própria do Espírito. Quanto ao calor fluídico da inspiração, nós o encontramos e o tomamos em vós mesmos; é a parte quintessenciada do fluido vital em emanação; algumas vezes nós a tomamos do próprio inspirado, quando este é dotado de certo poder fluídico, ou mediúnico, como dizeis; na maioria das vezes nós o tomamos em seu ambiente, na emanação de benevolência, de que está mais ou menos cercado. É por isto que se pode dizer com razão que a simpatia torna eloquente.
Se refletirdes atentamente nestas causas, encontrareis a explicação de muitos fatos que a princípio causam admiração, mas dos quais cada qual possui uma certa intuição. Só a ideia não bastaria ao homem, se não se lhe desse o poder de exprimi-la. O calor é para a ideia o que o perispírito é para o Espírito, o que o vosso corpo é para a alma. Sem o corpo a alma seria impotente para agitar a matéria; sem o calor, a ideia seria impotente para comover os corações.
A conclusão desta comunicação é que jamais deveis abdicar de vossa razão, ao examinardes as inspirações que vos são submetidas. Quanto mais o médium tem ideias adquiridas, mas é ele susceptível de ideias preconcebidas, mais deve fazer tábula rasa de seus próprios pensamentos, abandonar as influências que o agitam e dar à sua consciência a abnegação necessária a uma boa comunicação.




[1] Revista Espírita – Maio/1865 – Dissertações Espíritas – Allan Kardec
[2] Verve – 1. Imaginação viva. 2. Vivacidade ao escrever, falar ou conversar.


segunda-feira, 14 de outubro de 2019

COMO A DESONESTIDADE DRENA VOCÊ[1]



Julia Lee, Ashley Hardin, Bidhan Parmar e Francesca Gino – 02/10/2019[2]

O comportamento fraudulento diminui nossa capacidade de ler emoções, com muitas consequências.

Você já contou a um amigo uma história inventada para entreter essa pessoa ou poupar seus sentimentos? Você conhece alguém que confessou a você que relatou demais o número de horas trabalhadas para pagar um salário? Alguns podem pensar nessas “mentiras brancas” ou em pequenos casos de comportamento desonesto, como relativamente inofensivos, um leve lapso ético, quando comparados com fraudes corporativas em grande escala. Podemos considerar que uma mentira branca é especialmente inofensiva se estiver a serviço de proteger um relacionamento importante. Os pesquisadores estudaram as possíveis consequências financeiras e legais de casos tão pequenos de desonestidade, como preenchimento de relatórios de despesas e canetas de furto. Mas são todas essas consequências que devemos nos preocupar? Examinamos a possibilidade de que pequenos casos de comportamento desonesto tenham consequências não intencionais para nossa inteligência emocional ‒ ela se infiltra em nossa capacidade de ler as emoções dos outros. Nossa pesquisa indica que o dano é real ‒ e duradouro.
Em uma série de estudos, concluímos que um ato de engano pode minar a capacidade de uma pessoa interagir com seus pares, mesmo aqueles removidos da mentira original. Especificamente, descobrimos que quando as pessoas se envolvem em comportamentos desonestos, elas são menos propensas a se ver como relacionais (por exemplo, como irmã, amiga, colega ou pai) e, posteriormente, são menos precisas ao julgar as emoções dos outros. Essa investigação é uma etapa crítica para entender a dinâmica interpessoal subjacente nas organizações, especificamente, porque as relações de trabalho podem ser generativas ‒ uma fonte de enriquecimento e vitalidade ‒ ou corrosivas ‒ uma fonte de dor e disfunção. A capacidade de ler e responder com precisão aos estados emocionais de outras pessoas permite comportamentos de apoio, pró-sociais e compassivos, por isso é particularmente importante para a construção de redes fortes em contextos profissionais. Devido ao aumento da distância relacional e à diminuição da precisão empática, aqueles que são desonestos no trabalho podem experimentar um ciclo vicioso de mal-entendidos mútuos e oportunidades perdidas para a construção de relacionamentos de apoio, o que pode ser prejudicial para os indivíduos e para as organizações em questão, nas quais eles trabalham.
Começamos a explorar essa dinâmica em um estudo de 250 pares de indivíduos, composto por um participante em uma condição experimental ‒ convidado a mentir ou dizer a verdade ‒ e um parceiro, com cada encarregado de avaliar as emoções do outro. Descobrimos que os indivíduos que mentiram, em comparação com os reveladores da verdade, foram menos precisos ao julgar as emoções de seu parceiro. Os do grupo desonesto não foram instruídos a contar grandes mentiras; em vez disso, deveriam inventar uma história sobre procurar emprego ‒ algo que divertisse os outros ou os fizesse sentir-se melhor sobre suas próprias experiências com o recrutamento. A outra metade dos participantes experimentais foi solicitada a contar uma história com base em suas reais experiências como candidatos a emprego.
Depois de compartilhar essas histórias, todas as pessoas ouviram o parceiro contar uma história real e depois classificaram as emoções que sentiram. Depois de compartilhar histórias entre si, os participantes e parceiros relataram suas próprias emoções, bem como as emoções que eles sentiram que seus colegas estavam sentindo. Usamos as emoções relatadas para calcular uma pontuação de precisão para a visão de um participante das emoções de seu parceiro (a diferença entre as emoções relatadas do parceiro e o relatório do participante sobre as emoções desse parceiro). Descobrimos que os indivíduos que foram desonestos eram significativamente piores em detectar com precisão o estado emocional de seus parceiros do que aqueles que contavam uma história verdadeira. Surpreendentemente, esses pequenos momentos de desonestidade, livres de malícia, obscureceram significativamente a capacidade de um indivíduo de ler emoções em interações subsequentes.
Em conjunto com esta investigação, realizamos quatro estudos experimentais adicionais com duas condições: Em um, criamos circunstâncias específicas em que os participantes seriam tentados a trapacear. E no outro, removemos qualquer possibilidade de trapaça. Todos os participantes participaram de um jogo de arremesso de dados que lhes permitiu ganhar um bônus, com base no número rolado: quanto maior o número, mais dinheiro ganho. Embora todos os participantes tenham sido solicitados a escolher se seu bônus seria baseado no lado superior ou inferior de cada dado antes de lançá-lo, apenas aqueles do grupo honesto o fizeram naquele momento. Os do grupo desonesto registraram sua seleção após o teste, o que lhes permitiu mudar para o lado correspondente à quantia máxima de dinheiro que podiam ganhar. Eles relataram ganhar significativamente mais ao longo do jogo, sugerindo que de fato aumentaram seus pagamentos de bônus de forma desonesta. Após a atividade de morrer, os participantes assistiram a 42 clipes de vídeo curtos para avaliar sua capacidade de ler as emoções dos outros. Nesses clipes, os atores expressaram uma ampla gama de emoções em seu rosto, voz e linguagem corporal, e os participantes foram solicitados a identificar o estado afetivo dos atores.
Nesses quatro estudos experimentais, com 1.879 participantes, constatamos consistentemente que aqueles que foram tentados e provavelmente mentiram acabaram tendo um desempenho pior no teste de precisão empático do que aqueles que não tiveram a oportunidade de ser desonestos. Também descobrimos que o efeito foi causado por uma redução na forma como os participantes desonestos relacionais se consideravam. As pessoas que se envolveram em desonestidade eram menos propensas a se descrever em termos de relacionamentos do que as do grupo honesto. Por serem desonestos, os sujeitos se distanciaram dos outros, o que levou a uma capacidade reduzida de ler as emoções dos outros.
Realizamos um estudo adicional para examinar se a relação entre desonestidade e precisão empática prejudicada pode ser vista fora do laboratório. Nele, 250 funcionários em período integral informavam com que frequência eles se envolviam em comportamentos desonestos (por exemplo, "Às vezes eu violo os termos do contrato com os clientes"). Esses participantes então se envolveram em um teste comum de precisão empática, o “Teste da Leitura da Mente nos Olhos” , desenvolvido por Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge e seus colegas. Nesse experimento, em 36 tentativas, os participantes viram os olhos de um ator e perguntaram qual emoção melhor descreveu seu estado mental. Constatamos que, quanto mais os funcionários cometem comportamentos desonestos no trabalho, menores são os resultados com precisão empática, sugerindo que os dois estão relacionados de maneira negativa.
Havia uma característica que inoculava indivíduos desse efeito negativo da desonestidade: em um estudo de laboratório com 100 adultos, descobrimos que aqueles que tinham um nível naturalmente alto de sensibilidade social ‒ sintonização com sinais socioemocionais sutis no ambiente ‒ não mostravam reduções significativas em suas habilidades empáticas após momentos de desonestidade. Mas para o participante médio em nossos estudos, o efeito negativo foi detectado.
Importante, descobrimos que uma redução na precisão empática como resultado da desonestidade pode ter consequências posteriores: especificamente, os participantes que trapacearam por um ganho financeiro eram mais propensos a desumanizar descaradamente os atores que apareceram nesses vídeos (ou seja, eles classificaram os atores menos humano) do que aqueles que não tiveram a oportunidade de trapacear. Além disso, os trapaceiros também eram mais propensos a se envolver em comportamentos antiéticos repetidos. Esse resultado sugere que, quando nos envolvemos em comportamento desonesto, também podemos nos distanciar das outras pessoas ao considerá-las menos humanas, o que nos permite continuar no caminho de um comportamento antiético repetido. Nossa pesquisa implica que mesmo pequenos atos de desonestidade podem percorrer um longo caminho, deixando efeitos ondulantes que podem minar um elemento fundamental da nossa humanidade: a conexão social.




[2] Julia Lee is an NBD Bancorp Assistant Professor of Business Administration at the Stephen M. Ross School of Business at the University of Michigan and a National Geographic Explorer and Fellow. Recent Articles
Darker Skies, Darker Behaviors.
Ashley Hardin is an assistant professor of organizational behavior at Washington University in St. Louis’s Olin Business School, where she investigates interpersonal processes in organizations and how they are influenced by aspects of people’s nonwork lives spilling into the workplace.
Bidhan (“Bobby”) Parmar is Shannon Smith Emerging Scholar and an associate professor at the Darden School of Business at the University of Virginia. His research interests lie at the intersection of moral psychology and decision-making.
Francesca Gino is an award-winning behavioral scientist and Tandon Family Professor of Business Administration at Harvard Business School. She is the author of Rebel Talent: Why It Pays to Break the Rules at Work and in Life, as well as Sidetracked: Why Our Decisions Get Derailed, and How We Can Stick to the Plan. Recent Articles: How to Give Better Advice, How to Capitalize on Your Team's Diversity, Need More Self-Control? Try a Simple Ritual

GUILHERME TAYLOR MARCH[1]




Nascido no planalto da Serra dos Órgãos, atualmente cidade de Teresópolis, no Estado do Rio de Janeiro, no dia 21 de agosto de 1838, e desencarnado na cidade de Niterói no mesmo Estado, no dia 21 de junho de 1922.
Era filho de George March, cidadão nascido e criado em Portugal, mas inglês por direito diplomático, e de D. Ignácia March, de nacionalidade brasileira.
George March havia adquirido, antes de 1821, uma gleba de mais de 170 milhões de metros quadrados de terra, que destinou à agricultura e à criação de cavalos de raça. Essa enorme Fazenda que primitivamente se chamava Fazenda dos Órgãos, passou a ser denominada Fazenda do March. A atual cidade de Teresópolis, no Estado do Rio de Janeiro, foi construída dentro de seus limites.
Com a desencarnação de seu pai, Guilherme Taylor March, que nessa época tinha apenas 12 anos de idade, foi confiado a um tutor nomeado pela Justiça, o qual despendeu enormes quantias para que o jovem alcançasse aprimorada cultura, matriculando-o em vários colégios e posteriormente na Faculdade de Medicina da Corte, onde recebeu seu diploma de médico no dia 30 de novembro de 1859.
O seu tutor foi demasiadamente pródigo no trato de seus bens, não administrou suas propriedades e depósitos bancários com a devida precaução, fazendo com que Guilherme March ficasse arruinado de bens materiais.
Tendo sido acometido de varíola e, vivendo numa habitação coletiva, teria que ser removido para um hospital, entretanto, uma senhora espírita tratou-o com remédios homeopáticos, fazendo com que ele se restabelecesse, sem sequer ficar marcado pelas cicatrizes deformantes que as pústulas produzem.
Esse fato fez com que Guilherme March se tornasse apologista da ciência de Hahnemann, passando a praticar essa terapêutica até a data da sua desencarnação.
Observando os exemplos vivos propiciados pela sua hospedeira e por um velho espírita chamado Nascimento, que curava muita gente através da homeopatia e da sua mediunidade, mudou do modo de pensar. Viu que o verdadeiro Deus era diferente daquele que lhe mostraram no Colégio. Os exemplos vividos por ambos fizeram com que se interessasse pelo estudo das obras básicas de Allan Kardec, pois era muito culto, estudioso e poliglota.
Sua conversão foi comprovada pelo seu filho Edmundo March, em carta datada de 22 de setembro de 1940, onde dizia: "Não fazendo alarde de sua crença, não a negava em absoluto. Educado como geralmente todos os do seu tempo, na religião católica, procurou, depois de emancipado, conhecer a Doutrina de Kardec e, tendo encontrado nela a melhor forma de Cristianismo, adotou-a".
O Dr. March manteve relações cordiais com muitos vultos conhecidos do Espiritismo daquela época, dentre eles os Drs. Faria Júnior, Figueiras Lima, o médium Nascimento e muitos outros.
Desprendendo-se de todo interesse material, passou a integrar-se inteiramente, de dia e de noite, sem fadigas nem revoltas, à tarefa sublime de suavizar os sofrimentos do próximo, tendo por isso merecido o cognome de "Pai dos Pobres". Fez isso por mais de cinquenta anos, descuidando-se de si e da própria saúde, numa afirmação patente de renúncia e de dedicação, tornando-se, por isso mesmo, um homem que realmente viveu os ensinamentos evangélicos, levando a paz e a saúde a milhares e milhares de sofredores de todos os matizes. Chegava mesmo a rasgar as próprias vestes a fim de enxugar lágrimas alheias.
Alcançando grande projeção na cidade, muitos sacerdotes católicos tentaram atraí-lo, mesmo nos últimos momentos de sua vida, procurando fazê-lo em confissão, sendo preciso que seu filho lhes dissesse, sem rebuços, que não mais permitiria aquele assédio impertinente, porque seu pai desde muito adotara o Espiritismo e não aceitava dogmas e sacramentos religiosos.
O Dr. March casou-se no Rio de Janeiro, em 1860, com D. Francisca de Paula Correia March. Pouco depois transferiu sua residência para Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, onde começou a clinicar intensamente. Possuía enorme clientela. A todos os pacientes que o procuravam ele passava a considerar um membro da sua família e, portanto, com direito à sua assistência material. Os pobres da cidade faziam verdadeiras romarias à sua casa, modesta residência onde morava e onde vivia do modo mais humilde possível.
O nosso biografado ocupou um único emprego, o de clínico do consultório homeopático criado na Santa Casa de Misericórdia de Niterói, inicialmente sem remuneração e posteriormente recebendo o salário de cinquenta mil-réis mensais.
Dada a sua dedicação extrema à pobreza, apesar de possuir uma das clínicas mais vastas da capital fluminense a sua renda era por demais reduzida. Sua situação econômica tornou-se muito crítica devido à enfermidade que o atacara na mocidade e que começava a tolher-lhe os movimentos locomotores.
Nessa altura dos acontecimentos, a massa anônima, percebendo a situação precária em que vivia o grande missionário do bem, adquiriu e lhe fez doação de uma casa para que ele pudesse nela residir. Uma comissão de senhoras da melhor sociedade fluminense fez nova subscrição para adquirir os móveis.
Tomando posse daquele imóvel, o Dr. March abriu-lhe as portas de par em par, e nunca mais as fechou, para que por ela entrassem livremente todos os infortunados e por isso exclamava: "Esta casa não é minha, mas de todos os que não têm teto".
Durante cerca de 33 anos residiu o Dr. March na casa que lhe havia sido doada pelo povo e para onde entrou já enfermo. Posteriormente esse imóvel foi reformado a expensas do governo municipal.
No dia 21 de junho de 1922, com a avançada idade de 84 anos, dos quais 63 dedicados ao exercício de atividades profissionais, desencarnou o velho apóstolo do bem. O sepultamento dos seus restos mortais foi uma apoteose.
O povo em massa acorreu e carregou-lhe o féretro nos braços, até o cemitério, onde foi sepultado com flores e lágrimas. A Prefeitura Municipal de Niterói custeou-lhe os funerais e mandou que fosse hasteado, por 48 horas, o pavilhão municipal.
O seu nome foi dado a um logradouro público da cidade. A Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro, denominou "Instituto Dr. March" a um grande e modelar educandário por ela fundado, onde estão abrigadas mais de 100 meninas.
Esta é, portanto, a súmula muito apagada de sua grande vida. De um homem que, imobilizado em seu leito de dor durante 20 anos, mesmo assim socorria a todos aqueles que o procuravam. Trabalhou para minorar os sofrimentos alheios, sem encontrar quem pudesse suavizar os seus próprios sofrimentos.
Na sua vida profissional havia assumido consigo mesmo o compromisso solene de cuidar dos aflitos e dos doentes, e assim a todos atendeu, não apenas receitando, mas doando os próprios medicamentos, no que era ajudado pela sua própria família que chegava muitas vezes a se privar de muitas coisas.
Imobilizado sobre o leito, este virtuoso homem, cuja bondade o santificou em vida, nunca esboçou um murmúrio contra a justiça do Criador, jamais teve uma imprecação contra as provações que o acometiam.

(Subsídios fornecidos por Alfredo D'Alcântara)




[1] Os Grandes Vultos do Espiritismo – Paulo Alves Godoy

sábado, 12 de outubro de 2019

MORTE DE ENTE QUERIDO: A DOR DE AMBOS



Carlos Murion

"Não, o coração que amou de fato jamais esquece. Mas, continua amando até o fim. Como o girassol volta para o seu Deus, quando ele se põe, o mesmo olhar que lhe dirigiu quando ele nasceu”. (Thomas Moore)


Uma das maiores dores que podem atingir a um coração na Terra é a separação de pessoas que se amam. É humano sofrer com a morte física de alguém. É necessário, no entanto, que não se faça do fim natural a que chega a vida física, um palco de revolta contra Deus. A vida física tem seu início, meio e fim. Término esse que todos sabem que um dia chegará. Por que não se preparar? Não a esperando para qualquer momento, mas se conscientizando de que nada na vida lhes pertence, posto que "são depositários e não proprietários".
Apegam-se às pessoas, tornando-se delas donas, razão pela qual chega a revolta da separação. Como alguém que é meu me pode ser tirado, sem o meu consentimento?
A saudade fará com que suas lágrimas caiam para sempre, diminuindo com o tempo, mas estarão sempre em sua face. Mas, creia, o dia do reencontro chegará. Aguarde com confiança e sem qualquer precipitação. Não chantageie a vida se entregando à autodestruição, isto só o levará a se afastar mais e mais das vibrações de refazimento e reequilíbrio.
Não retenha quem se foi além do necessário para que tenha boas recordações. Desfaça-se dos excessos de correntes que podem aprisionar o seu amor ao seu lado. A vida dele prosseguirá em outras paragens, não mais na que você se encontra. Não o chame para ajudá-lo diante das suas dificuldades de vida. Elas são suas.
Deus não é cruel. Jamais o faria reencontrar ou encontrar um amor para depois o lançar fora de sua vida, eternamente. Seu sofrimento não é o maior do mundo, portanto não agrida a quem quer que seja com a justificativa de que o seu coração está de luto.
Alguém partiu, não faça com que os outros partam também, afastando-se de sua companhia. Ore, pedindo pela paz do que se foi, lembrando-se que ele também sofre a saudade da separação. Mas em suas preces nunca se esqueça de dizer: "Vá adiante amor, aqui ficaremos bem e, quando Deus assim quiser, nós nos veremos...".


Local: "Centro Espírita Cavaleiros da Luz" - Salvador (BA)
Médium : José Medrado (do livro “Construção Interior”, Ed. Mundo Maior)

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

UM ESPÍRITO PODE NOS EMPURRAR OU ATÉ NOS BATER?[1]



Márcio Martins da Silva Costa

Era noite de Réveillon e toda a família havia se reunido no quintal da casa para ver os fogos de artifício. Entre comes e muitos bebes alguns já tinham ultrapassado o limite da razão, mostrando-se mais alegres e tontos em relação a outros.
Naquela época, Pedrinho nem contava oito anos de vida. De pé, à porta da casa que dava acesso ao quintal, contemplava a alegria dos tios e primos com medo dos fogos barulhentos que começavam a tomar o céu. Bem atrás de onde estava, havia um pequeno banheiro e um corredor de acesso à cozinha, onde sua mãe lavava algumas louças acumuladas do jantar. Naquele pequeno espaço sentia-se seguro.
O pai de Pedrinho era um dos que tinham bebido além da conta. Nunca tinha soltado um foguete, mas resolveu insistir com o cunhado que lhe cedesse um dos fogos que ele estava soltando. Lúcio hesitou, porém não teve jeito. Trocando as pernas, Reinaldo pegou o rojão, acendeu o pavio, estendeu a mão para cima e fechou os olhos.
O facho de fogo explodiu, ascendeu um dois metros e, ao invés de subir, desceu em linha reta em direção à porta da cozinha onde estava Pedrinho. O menino congelou de pavor vendo uma bola de fogo vindo direto ao encontro de sua barriga.
Foram segundos de desespero de todos.
Prestes a ocorrer o trágico impacto, Pedrinho sentiu duas mãos a lhe empurrarem de súbito para o lado. A chama explodiu dentro do banheiro com tamanha violência que tudo dentro dele foi queimado. Equilibrando-se do empurrão, o garoto parou em frente à mãe gélido, suando frio e ofegante.
Ninguém mais quis ver fogos de artifício naquela noite.

* * *

Sim, um espírito pode nos empurrar e até mesmo nos bater. Na Revista Espírita de janeiro de 1860, Kardec publica a evocação de um espírito na qual lhe é perguntado se é possível que o mesmo desfira um soco sensível ao encarnado e o mesmo responde de forma afirmativa. Na Revista Espírita do mês seguinte, descreve-se um ocorrido no qual um proprietário de uma casa considerada como assombrada à época recebe uma forte bofetada de uma mão invisível ao adentrar em um dos seus aposentos, mesmo sozinho no local. Além destes, diversos outros relatos publicados em outras edições da Revista Espírita descrevem interações físicas sensíveis aos encarnados causadas por espíritos interessados e capazes de realizá-las[2].
No capítulo “Da teoria das manifestações físicas”, em O Livro dos Médiuns, Kardec nos esclarece que a interação entre o espírito e a matéria ocorre por meio de forças fluídicas de natureza desconhecida ainda por nós. Quando o espírito está encarnado, a sua vontade de atuar sobre o meio físico é transmitida do espírito ao corpo por meio do períspirito. Quando desencarnado, a atuação sobre a matéria ocorre por meio da vontade do espírito que leva a uma interação fluídica com o objeto a ser manipulado[3].
Destaca-se, contudo, que quaisquer interações somente acontecem se houver a intenção do espirito e ainda que lhe seja permitido fazê-lo. Do contrário, tais ações não ocorrem1, 2.
Na história de Pedrinho fica clara a presença de espíritos protetores atuando em benefício de sua integridade física. Sejam eles nossos anjos da guarda ou espíritos com os quais nos afinamos pela sintonia de nossas atitudes, sua ação só ocorre com a permissão da Divina Providência.
Que busquemos sempre trabalhar no amor e na caridade para que sejamos dignos de ter à nossa volta espíritos sublimes que sintonizem com as nossas ações. Nossas próprias emanações mentais e estas presenças de luz manterão distantes espíritos levianos que desejem nos impressionar fisicamente de maneira afrontosa.



Fonte: Agenda Espírita Brasil




[2] KARDEC, A. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos, 1860.
[3] KARDEC, A. O Livro dos Médiuns. Cap. IV. 81a ed. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2013.