segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Johann Karl Friedrich Zöllner [1]

O Grande Pesquisador da Imortalidade

 

Friedrich Zöllner, como era mais conhecido, foi um astrofísico famoso e professor da Universidade de Leipzig, Alemanha. Nasceu em Berlim, a 08 de novembro de 1834 e faleceu precocemente em Leipzig, Alemanha, a 25 de abril de 1882, aos 48 anos de idade.
Deixou inúmeros trabalhos na área da astronomia e da física ótica, onde ficou bastante conhecido por suas pesquisas na área da ilusão de ótica. Seu trabalho em ótica, desenvolvido em 1860, foi denominado “Ilusão de Zöllner”, em que linhas paralelas se mostravam como diagonais.
Na área da astronomia ele se destacou provando a teoria de Christian Doppler sobre o efeito do movimento na cor das irradiações eletromagnéticas das estrelas em consequência do desvio das linhas do espectro da luz emitida por estes corpos celestes.
Ele inventou um aparelho muito sensível chamado Astrophotometer, capaz de medir essas variações. Em sua homenagem, uma das crateras da lua foi denominada Cratera de Zöllner. Em 1872, foi convidado a ocupar a cadeira de Astrofísica na Universidade de Leipzig.
Foi membro da Royal Society da Inglaterra, da Real Sociedade Astronômica de Londres, da Academia Imperial de Ciências Físicas e Naturais de Moscou e da Sociedade Científica de Estudos Psíquicos de Paris.
 
Fenômenos mediúnicos
Desde muito cedo Zöllner se interessou pelos fenômenos mediúnicos. Quando surgiu a oportunidade, em 1875, foi à Inglaterra visitar um dos maiores cientistas da época, William Crookes, que era a maior referência nas pesquisas dos chamados “efeitos mediúnicos”, tais como o movimento de objetos sem interferência de uma fonte de energia e da materialização de espíritos. Zöllner buscava uma explicação científica para tais fenômenos.
Após sua visita, desenvolveu uma teoria sobre a ocorrência de tais fenômenos. De acordo com sua teoria, o universo teria, além das três dimensões espaciais euclidianas, uma quarta dimensão pela qual se explicam alguns fenômenos de ordem espírita. De acordo com essa teoria, o fenômeno mediúnico poderia perder sua característica mística e passaria ao domínio da Física e da Filosofia ordinárias.
 
A 4ª dimensão
Para melhor entendimento do que seja a 4ª dimensão na concepção física atual, admitamos que o espaço possa encurvar-se nas proximidades das grandes massas gravitacionais, o que só poderá fazê-lo no sentido da 4ª dimensão e todos os fenômenos mediúnicos, bem como o deslocamento das entidades espirituais seria efetuado por essa 4ª dimensão. A respeito da teoria da 4ª dimensão, Schiaparelli, famoso astrônomo italiano, escreveu em carta dirigida a Camille Flammarion: É a mais engenhosa e provável que pode ser imaginada.
 
Pesquisas realizadas
Para melhor confirmação de sua teoria, Zöllner realizou inúmeras reuniões com médiuns e pesquisadores em sua própria residência.
Em 1877, recepcionou pela primeira vez em Leipzig, o médium inglês Henry Slade. Este era protagonista de inúmeras manifestações de efeitos físicos. Para analisar a mediunidade de Slade, contou ocasionalmente com a participação de vários outros professores universitários, o que imprimiu maior entusiasmo em suas pesquisas.
Com o trabalho levado a efeito com esse médium, Zöllner fez várias publicações em forma de artigos, em revistas científicas e, posteriormente, em livros versando sobre a “física transcendental”. Além de Slade, Zöllner estudou os fenômenos produzidos por Madame D'Esperance, protagonista de fenômenos de aparição e de transporte de objetos (também destacou-se em materialização).
Em março de 1880, o Barão Von Hoffmann convidou o médium inglês William Eglinton para participar de reuniões com Zöllner. Foram ao todo 25 reuniões. Eglinton era médium de efeitos físicos, principalmente materialização e escrita direta. Zöllner mostrou-se muito satisfeito com os resultados das pesquisas e pretendia até publicar outro livro sobre suas experiências, porém faleceu antes disto.
Zöllner foi um grande batalhador da causa espírita notabilizando-se por suas experiências físicas onde a atuação dos espíritos não deixou dúvidas nem incertezas. Sendo físico, utilizou esta ciência para demonstrar a imortalidade e divulgar a interferência dos desencarnados no cotidiano dos encarnados.
Ao propor a teoria da 4ª dimensão para explicar os fenômenos observados, antecipou-se aos físicos atuais e demonstrou como a ciência pode auxiliar a religião e quanto a religião pode ser científica.
 
Principais obras publicadas
Seu livro mais famoso é: “Provas Científicas da Sobrevivência ou Física Transcendental”.
Outros livros publicados por Zöllner que chamaram a atenção do mundo científico foram: “A Natureza dos Cometas”; “Esboços de Fotometria Universal dos Céus Estrelados”; “Natureza dos Corpos Celestes”.
Ao oferecer seu livro Provas Científicas da Sobrevivência ou Física Transcendental a William Crookes, Zöllner escreveu uma dedicatória muito expressiva da qual extraímos o seguinte trecho:
Com o mais elevado sentimento de gratidão e reconhecimento pelos serviços prestados por vós a uma nova ciência, eu vos ofereço, respeitabilíssimo colega, o terceiro volume dos meus Tratados Científicos.
Por uma coincidência notável, as nossas investigações científicas se encontraram no mesmo terreno, fornecendo à humanidade admirada uma nova classe de fenômenos físicos que proclamam bem alto e de um modo não mais duvidoso a existência de um outro mundo material de seres inteligentes.
Aceitai, pois, a presente obra como sinal de agradecimento e simpatia, vertidos do coração honesto de um alemão.
Friedrich Zöllner: astrônomo, físico, professor, cientista, pesquisador, pioneiro da teoria da 4ª dimensão no Universo. É mais um exemplo de que Ciência e Espiritualidade podem caminhar juntas.
Foi um cientista que ultrapassou os limites acanhados dos laboratórios terrenos para alçar-se aos altiplanos filosóficos da própria Ciência, tornando-se assim um caçador de verdades, verdades que alimentam os sonhos imortais dos homens.
  
Fontes: Portal Correio Espírita e Vita Oltre la Morte (Documentario sulla vita di Johan Carl Friedrich Zollner)


sábado, 18 de novembro de 2017

INTERSEXUALDADE, O SER HUMANO NÃO SE REDUZ À MORFOLOGIA DE "MACHO" OU "FÊMEA” [1]


 

Jorge Hessen - jorgehessen@gmail.com
 

Em 2012, Zainab, uma parteira queniana, fez o parto de uma criança intersexual (que possui órgãos genitais masculinos e femininos). Quando a mãe viu que o sexo do bebê não estava definido, ficou surpresa. O marido pediu para que Zanaide matasse o bebê, mas Zanaide pegou a criança para si e cuidou dela, embora sob riscos, pois na comunidade em que reside, assim como em outras no Quênia, um bebê intersexual é visto como mau presságio, que traz maldição para a família e até para os vizinhos[2].
A Intersexualidade em seres humanos é alguma alteração de caracteres sexuais, incluindo cromossomos, gônadas e/ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como inteiramente feminino ou masculino. Essa variação pode envolver ambiguidade genital, combinações de fatores genéticos e aparência e variações cromossômicas sexuais diferentes de XX para mulher e XY para homem. Pode incluir outras características de dimorfismo sexual, como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo[3].
Georgina Adhiambo, diretora-executiva da ONG Voices of Women, que trabalha para reduzir o estigma contra pessoas intersexuais no Quênia, disse que o assunto ainda é um tabu.
 Atualmente as opções de tratamento dos intersexuais variam muito. Alguns pacientes não precisam de cuidados, enquanto outros podem precisar de remédios ou terapia hormonal. Há ainda aqueles que precisam de cirurgia – opção que costuma ser protelada até a puberdade, para que a própria criança possa escolher seu sexo.
A palavra intersexual é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente porque hermafrodita se referia apenas à questão dos genitais visíveis. Alguns intersexuais podem ser considerados como transgêneros. Porém, tanto a intersexualidade quanto a transexualidade são temas polêmicos, e menos discutidos do que deveriam. Talvez por isso não se compreenda exatamente do que se trata, e essa condição seja motivo de tantos casos de preconceito.
Ademais, sobre o tema, uma pessoa pode ser cisgênero ou transgênero. O cisgênero se identifica com o gênero correspondente ao sexo biológico, ou seja, se possui órgão sexual feminino é uma menina, se possui órgão sexual masculino é um menino. É o que todo mundo considera regra. Já o transgênero é a pessoa que contesta essa regra, que não tem seu gênero definido pelo sexo biológico. Muitas vezes o transexual se identifica com o gênero oposto ao sexo com que nasceu. Podemos dizer que o transexual é transgênero, mas nem todo transgênero é transexual.
Um estudo realizado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, publicado pela revista Psychological Science, concluiu que as crianças transgênero começam a reivindicar um gênero diferente, ao mesmo tempo que as crianças cisgênero se identificam com o gênero correspondente ao sexo biológico, por volta dos 2 anos. É como se a criança olhasse no espelho e não se reconhecesse. É uma expectativa constante de que ela vá acordar no corpo certo.
Independentemente das demarcações e definições controversas, a sociedade dará sinais de avanço quando compreender a neutralidade de gênero, e que o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea”.
Ainda sobre a “transexualidade”, por exemplo, Emmanuel adverte que “encontramo-nos diante de um fenômeno perfeitamente compreensível à luz da reencarnação. Inobstante as características morfológicas, o Espírito reencarnado, em trânsito no corpo físico, é essencialmente superior ao simples gênero masculino ou feminino[4]”.
O mentor de Chico Xavier ainda acrescenta que “aprenderemos, gradualmente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade em si exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência[5]”.
Além disso, aprendemos com o autor de Há dois mil anos, “que é urgente amparo educativo adequado [aos sexuais e morfologicamente diferentes], tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual[6]”. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna “os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um[7]”.




[2] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39852313 , acessado em 14/07/2017
[3] Money, John; Ehrhardt, Anke A. (1972). Man & Woman Boy & Girl. Differentiation and dimorphism of gender identity from conception to maturity. USA: The Johns Hopkins University Press. ISBN 0-8018-1405-7.
[4] XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo, RJ: Ed. FEB, 1977
[5] Idem.
[6] Idem.
[7] Idem.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Razão e Sentimento[1]



Cairbar Schutel
 

Tomemos razão como sinônimo de raciocínio, discernimento; e sentimento como sinônimo de sensibilidade. Todos os seres humanos sentem e raciocinam. Assim fazendo, percebem o mundo ao seu redor e pautam suas condutas, fixam objetivos, perseguem ideais, tomam decisões, caminham para onde querem, seguindo o seu livre-arbítrio.
Alguns dizem, com equívoco tanto natural quanto aparente, que o sentimento afeta a razão: quem sente em demasia qualquer coisa, não mais consegue discernir entre o bom e o mau, entre o certo e o errado.
Outros, no mesmo prisma, atestam que vivem da sua razão, inferiorizando o seu sentimento; alegam prescindir da sensibilidade em homenagem ao raciocínio.
Como se fosse possível, de fato, separá-los de tão singela forma... Erro estrutural profundo.
É da constituição do ser fazê-los ambos: sentir e raciocinar.
Estabelecidas as verdadeiras premissas de que razão e sentimento são igualmente importantes ao espírito, não há por que não garantir o equilíbrio entre ambos.
A sensibilidade não deve ultrapassar determinados limites que possam causar interferência nociva na capacidade de discernimento do indivíduo. Nem a sua razão deve extrair do íntimo a condição de sensível ao mundo exterior.
Ambos merecem conviver harmoniosamente. A razão controla os abusos emocionais. O sentimento amansa o rigorismo do racional.
Interagindo e não se excluindo, tais dons do espírito aumentam as chances de elevação da força de vontade do homem no campo da reforma íntima.
Ter capacidade de sentir e raciocinar não significa automaticamente deter as melhores e mais positivas experimentações, nem tampouco a garantia de tomar as mais acertadas decisões sempre. Visto estar em constante evolução, peregrina o ser humano pelo certo e pelo errado, muda do bom para o mau num ligeiro átimo, aprende a viver e como viver melhor enquanto vai se desenvolvendo, amadurecendo.
Equilibrar razão e sentimento não quer dizer torná-los infalíveis diante do que é genuinamente cristão. Significa, tão somente, garantir um melhor ambiente para a pessoa progredir. Quando ambos respeitam-se reciprocamente, os sentimentos do âmago e as deliberações da razão, têm os encarnados maiores possibilidades de se conduzirem para o caminho correto.
Concluindo: a força de vontade de cada um decorre da sua razão e do seu sentimento. Quanto mais harmônicos e equilibrados estes últimos, maior possibilidade de consolidar aquela.




[1] Fundamentos da Reforma Íntima - Abel Glaser/ Cairbar Schutel (Espírito)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

PUREZA EM BRANCO[1]



Irmão X


Quando Anésio Fraga deixou o corpo físico, ele, que fora sempre considerado puro entre os homens, atingiu a Fronteira do Mundo Espiritual à semelhança de um lírio, tal a brancura de sua bela vestimenta.
Pretendia viver nas Esferas Superiores, respirar o clima dos anjos, alçar-se às estrelas e comungar a presença do Cristo – explicou ao agente espiritual que atendia ao policiamento da passagem para os excelsos Planos da Espiritualidade.
O zeloso funcionário, contudo, embora demonstrasse profundo respeito para com a sua apresentação, submeteu-o a longo teste, findo o qual, não obstante desapontado, explicou que lhe não seria possível avançar.
Faltavam-lhe requisitos para maior ascensão.
– Eu? Eu? – gaguejou Anésio, aflito. – Como pode ser isso? Fui na Terra um homem que observou todas as regras do Santo Caminho.
– Apesar de tudo... – falou o fiscal, reticencioso.
– Não me conformo, não me conformo! – reclamou o candidato à glória divina.
E sacando do bolso uma lista, exclamou agastado:
– Pensando na hipótese de alguma desconsideração, resumi em dez itens o meu procedimento irrepreensível no mundo.
E leu para o benfeitor calmo e atento:
– Respeitei todas as religiões.
– Cultivei o dom da prece.
– Acreditei no poder da caridade.
– Nunca aborreci os meus semelhantes.
– Confiei sempre no melhor.
– Calei toda palavra ofensiva ou desrespeitosa.
– Calculei todos os meus passos.
– Jamais procurei os defeitos do próximo.
– Evitei o contato com todas as pessoas viciadas.
– Vivi em minha casa preocupado em não ser percalço na estrada alheia.
O mordomo da Grande Porta, no entanto, sorriu e comentou :
– Fraga, você leu as afirmações, esquecendo as demonstrações.
– Como assim ?
O amigo paciente apanhou uma ficha e esclareceu que o Plano Espiritual possuía também apontamentos para confronto e solicitou-lhe a releitura da lista.
Principiou Anésio :
– Respeitei todas as religiões...
E o examinador acentuou, conferindo as anotações :
– Mas não serviu a nenhuma.
– Cultivei o dom da prece...
– Somente em seu próprio favor.
– Acreditei no poder da caridade...
– Todavia, não a praticou.
– Nunca aborreci os meus semelhantes...
– Entretanto, não auxiliou a quem quer que fosse.
– Confiei sempre no melhor...
– Mas apenas em seu benefício.
– Calei toda palavra ofensiva ou desrespeitosa...
– Não se lembrou, porém, de falar aquelas que pudessem amparar os necessitados de consolo e esperança.
– Calculei todos os meus passos...
– Para não ser molestado.
– Jamais procurei os defeitos do próximo...
– Contudo, não lhe aproveitou os bons exemplos.
– Evitei o contato com todas as pessoas viciadas...
– Atendendo ao comodismo.
– Vivi em minha casa preocupado em não ser percalço na estrada alheia...
– Simplesmente para não ser chamado a tarefas de auxílio...
Anésio, desencantado, silenciou, mas o benfeitor esclareceu, sem afetação :
– Meu amigo, meu amigo! Não basta fugir ao mal. É preciso fazer o bem. Você movimenta-se em branco, veste-se em branco, calça em branco e brilha em branco, mas a sua existência na Terra passou igualmente em branco... Volte e viva!
Angustiado, Anésio perdeu o próprio equilíbrio e rolou da Altura na direção da Terra...




[1] Contos Desta e Doutra Vida – Irmão X / Francisco C. Xavier

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

ENXAQUECA - Aspectos energéticos e espirituais[1]

Pode ser causada por influência obsessiva ou ter origem em vidas passadas, mas não é possível generalizar.



Ricardo Di Bernardi[2] - rhdb11@gmail.com - 01/11/2017

Antes de comentarmos os aspectos energéticos e espirituais, cumpre-nos dar uma rápida repassada no conceito e na sintomatologia da enxaqueca.
A enxaqueca é também denominada de hemicrânia ou migrânea, além de ser, impropriamente, denominada de hemialgia, cefalalgia ou até cefaleia. No vernáculo popular recebe denominações regionais como mururu ou macacoa.
Trata-se de uma dor de cabeça neurovascular, recidivante, em geral intensa e pulsátil, devido à constrição seguida de dilatação das artérias da cabeça. Sua causa não está totalmente esclarecida.
Costuma vir em associação com diversos sintomas, que são variáveis, mas, em resumo, os mais comuns são: dor de cabeça, latejante ou não, dor no pescoço, nos olhos, no rosto, na testa e nos dentes, náuseas ou vômitos, sensibilidade à luz, sensibilidade ao barulho ou ao cheiro. Em geral há visualização de flashes luminosos, visão embaraçada, tonturas, vertigem, ansiedade e fadiga.
Aura da enxaqueca: Denomina-se de aura da enxaqueca os sintomas que precedem a crise de dor. São percepções visuais estranhas ou sensoriais que podem levar minutos ou horas antes da dor.
Causas: A enxaqueca pode ter causas orgânicas da vida atual, causas oriundas de vidas passadas e causas com forte participação de influências espirituais desequilibradas, ou seja, obsessões.
Causas da vida atual: Tanto a aura da enxaqueca bem como toda a enxaqueca podem ter causas totalmente orgânicas e aparentemente oriundas de fatos da vida atual, por exemplo: parto traumático por fórceps. No entanto, as condições fisiológicas do feto e da parturiente foram exteriorizadas ou construídas pelos modelos perispirituais da mãe e do filho, isto é, as tendências que ambos traziam arquivadas nos campos energéticos do corpo espiritual – construídas em vidas passadas – ocasionaram essa tendência para a lesão pelo trauma de parto.
Causas em vidas passadas: Em mais de um caso, constatamos em terapia regressiva às vivências passadas que pacientes atualmente com enxaqueca foram vítimas de violentos traumas cranianos em reencarnações anteriores, às vezes em mais de uma vida. Alguns até com ferimento de morte na cabeça. Tal constatação permite concluir que, nem sempre, a enxaqueca está relacionada a uma falta grave cometida em vida anterior, mas, a um trauma grave que sofreu, persistindo as “feridas da alma” não cicatrizadas.
Outra situação ocorre quando houve, realmente, uma falta grave em vida anterior e a recordação inconsciente dessa falta, recalcada no inconsciente (espírito), cria um “nódulo de forças mentais desequilibradas” (ou a denominada “zona de remorso”[3]). Este nódulo de forças desequilibradas produz ondas contínuas em circuito fechado, atingindo o perispírito e lesando o corpo físico, ocasionando a patologia, no caso, enxaqueca. O distúrbio orgânico ou patologia está sendo uma drenagem das energias, visando a eliminar o problema que tende a se curar, caso haja uma mudança do padrão mental.
Causas decorrentes de influências espirituais desequilibradas: Em geral, as influências espirituais não são o único fator ou a causa primária, mas são fatores complementares. A origem de toda influência espiritual desequilibrada é, via de regra, uma consequência de problemas do próprio indivíduo que atraiu o espírito perturbador, ora designado obsessor. Temos observado na vida profissional e nas lides mediúnicas espíritas a presença constante, junto ao paciente de enxaqueca, de um espírito obsessor que faleceu com ferimento na cabeça e, ainda, está psicologicamente preso ao fato. Esse espírito acha-se imantado à psicosfera da “vítima” com quem teve vínculos em vidas passadas e comprometida com aquele espírito.
Ainda relativo à influência de espíritos perturbados, pode-se constatar a perversa manipulação de ectoplasma por essas entidades obsessoras que inserem artefatos fluídicos, também denominados aparelhos parasitas, no cérebro astral da vítima. A aura da enxaqueca ou todo o quadro clínico da enxaqueca pode ter forte participação de influências espirituais.
Os fatores desencadeantes são muito pessoais e, sobretudo, não são a verdadeira causa das crises da enxaqueca. Assim, salsicha e embutidos, sorvete, feijão, queijo, café, refrigerantes, hormônios, nitratos, stress, alterações climáticas e outros são apenas gatilhos que acionam a explosão da crise. Embora não seja a proposta deste trabalho, convém informar não existirem, até o momento, exames específicos que diagnostiquem a enxaqueca, porém são úteis para excluir outras causas, como tumores etc.. O diagnóstico é clínico.
Por que tenho enxaqueca? É uma indagação comum. A resposta é: devido a uma sensibilidade individual, anatômica e fisiológica. Trata-se de um locus minoris resistentiae, ou seja, um local de menor resistência. Mas por que eu tenho essa sensibilidade? Como espíritas, estudamos que a anatomia e a fisiologia atuais refletem as fragilidades ou desarmonias do corpo astral.
Como eu adquiri essa fragilidade no corpo astral, para atualmente ter enxaqueca? Assim como a anatomia e fisiologia atuais refletem fragilidades e desarmonias do corpo astral, por sua vez, estas refletem as desarmonias do corpo mental ou do inconsciente (espírito). Da mesma forma, a razão dos diferentes níveis de gravidade dos sintomas da enxaqueca, de uma pessoa para outra, decorre da individualidade anatômica e fisiológica que reflete a individualidade energética e o histórico de cada espírito encarnado.
Há informações da existência de genes relacionados à enxaqueca. Como adequar esta informação científica aos conhecimentos espirituais? De fato, há cinco estruturas de DNA (genéticas) que predispõem à enxaqueca. Cogita-se em mais de 100 subtipos. Os conhecimentos espirituais explicam que, no caso da enxaqueca, o perispírito foi quem sintonizou e atraiu os genes. O magnetismo do corpo espiritual, isto é, as matrizes energéticas do perispírito estimularam a liberação de um óvulo (oócito[4] de segunda ordem) com a predisposição para este tipo de problema. Em seguida, a célula feminina envolvida e magnetizada pelas vibrações do reencarnante com essa tendência, carregando as energias (fluidos) do histórico espiritual, atrairá o espermatozoide cujos genes vibram na mesma frequência de energia, isto porque portam os genes correspondentes à enxaqueca, neste caso específico em estudo.
Indagam-nos: por que eu tenho enxaqueca, e não o meu irmão gêmeo? Além da epigenética (fator mesológico ou ambiental) ser muito importante, o que significa dizer a vida presente, lembramos que gêmeos podem ter corpos com genes idênticos, mas seus genes tem uma expressividade maior ou menor conforme o diferente magnetismo das matrizes perispirituais que registraram o modus vivendi do passado. Portanto, os genes do seu irmão têm expressividade menor, bloqueados pelo merecimento (neste aspecto), decorrente dos registros energéticos das estruturas astrais.
É correto se considerar que sempre estamos “pagando” erros da vida anterior? Não, não é correto radicalizar. São inúmeros os casos observados de pessoas com enxaqueca que efetuaram terapia regressiva às vidas passadas, por exemplo o Dr. Harrison, oftalmologista, em caso citado pelo Dr. Netherton, que teve grave trauma com seu crânio esfacelado em vida passada. Casos similares, nós também constatamos.
Como tratar a enxaqueca? Acompanhamento médico clássico, terapias energéticas, terapias de regressão às vidas passadas, medicação homeopática que mobiliza energias vitais (fluido vital), tratamento espiritual de eventual obsessão. Todos são válidos, porém, a mudança de atitude é fundamental. Alimentação correta e vida mais organizada, educação, trabalho, pensamentos e sentimentos em equilíbrio. Os pensamentos e sentimentos suaves, de um espírito nobre, emitem ondas de alta frequência, luminosas, brilhantes e perfumadas. Partem do corpo mental, criando no corpo astral campos magnéticos organizados refletindo no corpo físico e modelando um corpo biológico saudável e harmonizado. São os caminhos da cura, nesta vida ou na próxima.




[2] Dr. Ricardo Gandra Di Bernardi é médico homeopata geral e pediatra. Natural de Florianópolis, SC. Ingressou jovem no movimento espírita tendo sido presidente da Juventude espírita de Florianópolis, e também do MEUC (Movimento Espírita Universitário). Exerceu posteriormente diversas funções em âmbito federativo estadual, fundou o ICEF (Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis) e a AME SC (associação Médico-Espírita de Santa Catarina).
[3] Nódulos de forças mentais desequilibradas ou zonas de remorso constituem as dívidas cármicas. Fonte: XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos. Pelo espírito André Luiz. Cap. 19 – Predisposições mórbidas. FEB.
[4] Célula do filo germinal feminino dos animais, sem terem sofrido ainda as duas fases da miose. = OVÓCITO

terça-feira, 14 de novembro de 2017

SOBRE A INVEJA NOS MÉDIUNS[1]

(Enviado pelo Sr. Ky..., correspondente da Sociedade em Carlsruhe)

 
“Por si mesmo e por sua própria inteligência, o homem vão é tão desprezível quanto digno de comiseração. Afasta a verdade de sua frente, para substituí-la por argumentos e convicções pessoais, que julga infalíveis e irrevogáveis, porque lhe pertencem. O homem vão é sempre egoísta, e o egoísmo é o flagelo da Humanidade. Entretanto, ao desprezar o resto do mundo, mostra bem a sua pequenez; repelindo verdades, que para ele são novidades, também mostra a limitação da própria inteligência, pervertida por sua obstinação, que mais aumenta sua vaidade e seu egoísmo.
Infeliz do homem que se deixa dominar por esses dois inimigos de si mesmo! Quando despertar nesse estado em que a verdade e a luz fundir-se-ão de todos os lados sobre ele, só verá em si um ser miserável, que se exaltou loucamente acima da Humanidade, durante a sua vida terrena, e que estará muito abaixo de certos seres mais modestos e mais simples, aos quais pensava impor-se aqui na Terra.
Sede humildes de coração, vós a quem Deus permitiu participásseis de seus dons espirituais. Não atribuais nenhum mérito a vós mesmos, assim como não se o atribui à obra e aos utensílios, mas ao operário. Lembrai-vos bem de que não passais de instrumentos de que Deus se serve para manifestar ao mundo o seu Espírito onipotente, e que não tendes nenhum motivo para vos glorificardes de vós mesmos. Há tantos médiuns, ah! Que se tornam vãos, em vez de humildes, à medida que seus dons se desenvolvem!
Isto é um atraso no progresso, pois no lugar de ser humilde e passivo, muitas vezes o médium repele, por vaidade e orgulho, comunicações importantes dadas a lume por outros mais merecedores. Deus não considera a posição material de uma pessoa para lhe conferir o espírito de santidade; bem longe disso, já que muitas vezes exalta os humildes entre os humildes, para dotá-los com as maiores faculdades, a fim de que o mundo veja bem que não é o homem, mas o Espírito de Deus pelo homem que faz milagres. Como disse, o médium é simples instrumento do grande Criador de todas as coisas, e a este último é que deve render glória, é a Ele que deve agradecer por sua inesgotável bondade.
Gostaria, também, de dizer uma palavra sobre a inveja e o ciúme que muitas vezes reinam entre os médiuns e que, como erva daninha, é preciso extirpar, desde que começa a aparecer, temendo que abafe os bons germes da vizinhança.
No médium a inveja é tão temível quanto o orgulho; prova a mesma necessidade de humildade. Direi mesmo que denota falta de senso comum. Não é mostrando inveja dos dons do vosso vizinho que recebereis dons semelhantes, porquanto, se Deus dá muito a uns e pouco a outros, ficai certos de que, assim agindo, tem um motivo bem fundado. A inveja exaspera o coração; abafa mesmo os melhores sentimentos. É, pois, um inimigo que só se poderia evitar com muito cuidado, pois não dá nenhuma trégua, uma vez que se apoderou de nós. Isto se aplica a todos os casos da vida terrena. Mas eu queria falar principalmente da inveja entre os médiuns, tão ridícula quanto desprezível e infundada, e que prova quão fraco é o homem quando se deixa escravizar pelas paixões”.
                                                                                                                       Luos
 
Observação – Quando da leitura desta última comunicação perante a Sociedade, estabeleceu-se uma discussão sobre a inveja dos médiuns, comparada com a dos sonâmbulos. Um dos membros, o Sr. D..., disse que a inveja, em sua opinião, é a mesma em ambos os casos e, se aparece com mais frequência entre os sonâmbulos é porque, nesse estado, eles não a sabem dissimular.
 
O Sr. Allan Kardec refuta essa opinião:
“A inveja – diz ele – parece inerente ao estado sonambúlico, por uma causa difícil de ser compreendida e que os próprios sonâmbulos não podem explicar. Tal sentimento existe entre os sonâmbulos que, em vigília, só agem entre si com benevolência. Nos médiuns está longe de ser habitual, prendendo-se, evidentemente, à natureza moral do indivíduo.
Um médium tem inveja de outro médium porque está em sua natureza ser invejoso. Esta falha, consequência do orgulho e do egoísmo, é essencialmente prejudicial à boa qualidade das comunicações, ao passo que o sonâmbulo mais invejoso pode ser muito lúcido, o que se concebe facilmente. O sonâmbulo vê por si mesmo; é o seu próprio Espírito que se desprende e age: não necessita de ninguém. O médium, ao contrário, não passa de intermediário: recebe tudo de Espíritos estranhos e sua personalidade está muito menos em jogo que a do sonâmbulo.
Os Espíritos simpatizam com ele em razão de suas qualidades ou de seus defeitos. Ora, os defeitos mais antipáticos aos Espíritos bons são o orgulho, o egoísmo e a inveja. A experiência nos ensina que a faculdade mediúnica, enquanto faculdade, é independente das qualidades morais; pode, assim como a faculdade sonambúlica, existir no mais alto grau no homem mais perverso. O mesmo não se dá absolutamente em relação às simpatias dos Espíritos bons, que naturalmente se comunicam tanto mais à vontade, quanto mais puro e sincero for o intermediário encarregado de transmitir o seu pensamento, e quanto mais se afaste o médium da natureza dos Espíritos maus. A este respeito fazem o que nós mesmos fazemos quando tomamos alguém para confidente. Especialmente no que concerne à inveja, como esta imperfeição existe em quase todos os sonâmbulos, sendo muito mais rara nos médiuns, parece que nos primeiros é uma regra e nos últimos a exceção, donde se segue que a causa não deveria ser a mesma nos dois casos”.
Allan Kardec




[1] Revista Espírita – Abril/1861 – Allan Kardec

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

WILLIAM CROOKES[1]

 

Nascido em Londres, Inglaterra, no dia 17 de junho de 1832, e desencarnado na mesma cidade, no dia 4 de abril de 1919.
Afirmou "Sir" Arthur Conan Doyle que William Crookes foi o maior químico da Inglaterra, o que ficou constatado pela trajetória gloriosa que esse ilustre homem de ciência desenvolveu no campo científico. No entanto, ele teve tarefa não menos importante desenvolvida no terreno da fenomenologia espírita, ao ponto de ser muito frequentemente mencionado como um dos mais persistentes e corajosos pesquisadores dos fenômenos supranormais.
William Crookes estudou no "Colégio de Química", tendo posteriormente sido professor substituto no "Colégio Real" e inspetor da Secção de Meteorologia do Observatório de Redcliffe.
No ano de 1855 assumiu a cadeira de química na Universidade de Chester. Como consequência de prolongados estudos, no ano de 1861 descobriu os raios catódicos e isolou o Tálio, determinando rigorosamente suas propriedades físicas. Em 1872, em seguida a persistentes estudos em torno do espectro solar, descobriu a aparente ação repulsiva dos raios luminosos, o que o levou à construção do Radiômetro, consumada no ano de 1874. Em 1885 descobriu um novo tratamento para o ouro.
A existência do quarto estado da matéria foi por ele determinado no ano de 1879 e denominado "estado radiante", sendo por isso recompensado pela Academia de Ciências da França.
Como retribuição aos seus trabalhos no campo científico, foram-lhe outorgadas a medalha de ouro da Sociedade Real, no ano de 1875; a medalha Davy, em 1888; e a medalha de "Sir" J. Coprey, em 1904. Esta última como merecido prêmio pelas suas relevantes descobertas no campo da física e da química.
A rainha Vitória, da Inglaterra, nomeou-o Cavalheiro, no ano de 1897. Em 1910 ele recebeu a condecoração da Ordem do Mérito. A par de todas as suas atividades ocupou, por reiteradas vezes, a presidência da Sociedade Real de Química, do Instituto de Engenheiros Eletricistas, da Sociedade Britânica e da Sociedade de Investigações Psíquicas. Foi fundador dos órgãos "Chemical News" e "Quarterly Journal of Science".
Após enumerar as atividades desempenhadas por esse notável cientista no campo de sua especialidade, registremos agora o que ele fez no campo do Espiritismo, onde desenvolveu tarefa não menos relevante. Cumpre mencionar, de passagem, que determinados homens de ciência, que não eram dotados do verdadeiro "espírito científico", também encetaram numerosas pesquisas no terreno da fenomenologia espírita e chegaram a resultados positivos, entretanto, não tiveram o desassombro de Crookes, pois ele sempre teve atitudes corajosas e definidas, jamais tergiversando diante do embuste e da mentira, nunca empregando subterfúgios em seus trabalhos.
O seu livro "Fatos Espíritas" jamais encontrou qualquer oposição, porque era um repositório de verdades, por ele comprovadas.
Essa obra contém uma súmula dos trabalhos realizados e publicados no ano de 1874, nas páginas do "Quarterly Journal of Science".
Dotado de invejável fibra de investigador, teve a oportunidade de realizar experiências inexcedíveis, dando sempre o seu irrespondível testemunho sobre as verdades por ele comprovadas.
Não hesitou mesmo em expor toda glória do seu nome quando levou a cabo as famosas materializações do Espírito Katie King.
Os médiuns J. J. Morse e Sra. Marshall serviram de instrumento, no ano de 1869, para que Crookes realizasse as suas primeiras investigações. Em julho desse mesmo ano, o famoso médium Daniel Dunglas Home visitou-o, quando de seu regresso a Londres, procedente de S. Petersburgo (atual Leningrado), portando uma carta do Professor Butlerof.
As mais notáveis experiências mediúnicas, levadas a efeito por esse ilustre cientista, foram realizadas através da médium Florence Cook, jovem inglesa nascida em 1856. As materializações do Espírito Katie King, através dessa médium tornaram-se notáveis e abalaram o mundo científico da época.
A jovem Florence Cook tinha apenas 15 anos de idade quando se apresentou a William Crookes, a fim de servir de medianeira para as pesquisas científicas que ele vinha realizando.
São suas as seguintes palavras: Fui à casa do senhor Crookes sem prevenir a meus pais e nem a meus amigos. Ofereci-me como em sacrifício voluntário sobre o altar de sua incredulidade. Ela pediu a proteção da esposa de Crookes e submeteu-se a toda sorte de experimentações, objetivando comprovar a sua mediunidade, pois um cavalheiro de nome Volckmann havia-lhe imputado suspeitas de fraude.
No dia 22 de abril de 1872, aconteceu, pela primeira vez, a materialização parcial do Espírito Katie King, estando presente na sessão a genitora, alguns irmãos da médium e a criada. Após várias sessões, nas quais esse mesmo Espírito se manifestava com incrível regularidade, a senhorita Cook afirmou a Crookes que estava decidida a submeter-se a todo gênero de investigações com o objetivo de destruir alguns resquícios de descrença que o sábio ainda alimentava.
Quando adentrou o terreno das investigações, a preocupação primária de William Crookes era de demonstrar o erro em que incidiam a médium e aqueles que acreditavam piamente em sua mediunidade. Todos aqueles que apoiavam "Sir" William Crookes também esperavam dele a demonstração de fraudes e a proclamação de que tudo aquilo não passava de uma farsa.
Alguns órgãos da imprensa estampavam a notícia de que o grande cientista iria finalmente desmascarar as afirmações dos espíritas sobre a veracidade dos fenômenos, por isso proclamavam: Se homens como Crookes se ocupam do assunto, prontamente saberemos a que nos apegar em tudo aquilo a que essa farsa se refere.
Numerosos cientistas de renome, mesmo diante dos fatos mais convincentes, hesitaram em proclamar a verdade, com receio das consequências que isso poderia acarretar aos olhos do povo. Crookes não agiu assim. Ele penetrou o campo das investigações com o intuito de desmascarar, de encontrar fraudes, entretanto, quando constatou que os casos eram verídicos, insofismáveis, ele rendeu-se à evidência, curvou-se diante da verdade, tornou-se espírita convicto.




[1] Personagens do Espiritismo - Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy