sexta-feira, 21 de julho de 2017

CAMINHANDO PARA O SUICÍDIO INCONSCIENTE[1]



Adésio Alves Machado
 
A invigilância moral que nasce e se estrutura na ignorância humana com relação ao conhecimento da vida espiritual tem dizimado milhões de criaturas através dos tempos, e o pior é que continuará sua marcha lúgubre.
O Espiritismo vem tirar da pasmaceira moral os espíritos aqui reencarnados a fim de que melhorem, um pouco que seja, a qualidade de suas vidas, fazendo-os ver e sentir as consequências de seus vícios, paixões e desatinos cultivados através do corpo carnal.
Nessas horas de devaneio a criatura se deixa envolver por espíritos de baixo astral, ou de baixo padrão vibratório, quando o ser perde o domínio integral de si mesmo. Criam-se algemas cruéis, difíceis de serem abertas. É a malha do vício que aprisiona, cerceia a liberdade, impõe condições, passa a dominar.
Queremos nos referir ao tabagismo, esquecendo por enquanto os demais, como por exemplo o alcoolismo, o uso de drogas, a maledicência, o hábito de caluniar, a glutonaria, o sexo em desregramento, a violência etc. etc., tudo isso causando sérios curtos-circuitos no perispírito do viciado, energeticamente desestruturando-o, lamentavelmente, tendo em vista que ele será o molde do novo corpo físico da próxima reencarnação do viciado.
Segundo dados colhidos num trabalho sobre saúde, da jornalista Magaly Sonia Gonzales, publicado na revista “Isto É”, de julho de 2000, “o vício do fumo foi adquirido pelos espanhóis, junto aos índios da América Central, que o encontraram nas adjacências de Tobaco, província de Yucatán. Um dos primeiros a cultivar o tabaco na Europa foi o Monsenhor Nicot, embaixador da França, em Portugal, de onde se derivou o nome nicotina, dado à principal toxina nele contida”.
Através das constatações médicas científicas, verifica-se que o fumo é um veneno para o corpo. Como aliado deste princípio, encontramos os preceitos médicos/morais do Espiritismo, que mostra o fumo como um destruidor da mente, que provoca tonteiras, que enseja vômitos no estômago, dispara perturbações brônquicas nos pulmões e no sangue; é um agente envenenador, com ameaças de leucemia.
O tabagismo se apodera do viciado em processo lento mas contínuo, fazendo-o mais uma “vítima”, inicialmente de si mesmo, depois dele, fumo. Em verdade, o viciado se torna escravo de sua vontade pusilânime. O tabagismo é uma doença que, tratada a tempo, tem cura, requerendo do viciado, no entanto, muita obstinação para dele se desvencilhar, determinação esta que ainda não é apanágio dos espíritos aqui residentes.
Para deixar o cigarro é preciso readquirir o poder da vontade que se estiolou diante da prepotência, do autoritarismo da nicotina e seus sequazes.
O viciado é aquele que perde o comando da mente.
A luta do viciado pela recuperação do controle da vontade torna-se mais acerba pelo fato do vício haver encontrado quem lhe insufla maior potência: os espíritos desencarnados tabagistas. As mentes de além-túmulo não se desvinculam com facilidade, sem mais nem menos, deste foco que alimenta seus desregramentos: o fumante terreno.
Os efeitos do tabagismo são devastadores, a saber: afeta o sistema respiratório, provocando bronquite, enfisema, câncer pulmonar, angina do peito, laringite, tuberculose, tosse e rouquidão; ataca o sistema digestivo, dificultando o apetite e a digestão, além de provocar úlcera gastroduodenal, hepatite; aumenta a concentração do ácido úrico, instalando a chamada gota; o sistema circulatório sofre com o aparecimento de varizes, flebite, isquemia, úlceras varicosas, palpitação, trombose, aceleração de doenças coronarianas e cardiovasculares; o sistema nervoso, sempre muito sensível, leva à uremia, mal de Parkinson, vertigem, náuseas, dores de cabeça, nervosismo e opressão. A falta do fumo no organismo do viciado gera ansiedade, angústia, desencadeando crises, convulsões e espasmos. Instala-se, como se depreende, toda uma dependência mental, psíquica e física.
Para os indígenas, a fumaça afastava os “maus espíritos”, daí o surgimento dos defumadores. Os pajés jogavam folhas secas no braseiro, ao mesmo tempo em que invocavam os seus deuses. Com o passar do tempo, habituaram-se a fazer um rolo de folhas secas de tabaco, fumegantes, aspirando e tragando a fumaça, o que neles provocava sensações de prazer. Nascia aí, para desgraça de tantas pessoas e o enriquecimento despudorado de muitas outras, o vício de fumar.
Rogamos a Deus que surjam, cada vez mais, medidas restritivas aos fumantes e aos que propagam o cigarro, como também exemplos de abominação ao tabagismo nas famílias, nas escolas e na sociedade em geral. Com tal procedimento se dará uma demonstração de que o tabagismo é um suicídio em processo inconsciente lento, porém pertinaz.
A tendência do tabagismo é desaparecer antes do alcoolismo. Os dois têm seus dias contados na face da Terra.
Os males de um vício altamente destruidor da vida física, como o tabagismo, destroem também a vida espiritual pelo fato de lesar o perispírito. Acompanhando o espírito na erraticidade, não só de imediato aparecem as sequelas, mas também no seu retorno à vida carnal, num novo corpo altamente comprometido, estruturado que se acha em matriz defeituosa – o perispírito.
Largar o tabagismo, dizem os entendidos, tem de ser feito de uma só vez. Não concordamos tacitamente com isso, tendo em vista que cada criatura tem suas próprias reações orgânicas. O resultado que se obtém em relação a um caso pode ser diverso daquele que se constata em um outro. Deve-se, entendemos, colocar em ação todos os recursos existentes e, estando a pessoa determinada a parar com o uso do cigarro, surgirá o meio mais eficaz, o que seja mais aconselhável para o seu organismo reagir ao assédio do vício. Referimo-nos ao fato de que, na hora em que o viciado se predispõe a deixar o vício, logo a Espiritualidade Superior passa a cuidar do caso, a ele se dedicando com determinação e amor. Os resultados só poderão ser o melhor – libertação do vício.
O Espiritismo analisa o tabagismo como um “inimigo” do ser humano que precisa ser “eliminado”. Sendo um gerador de doenças e de dependências, merece do Espiritismo uma batalha sem trégua. Contudo, ele atuará sem violentação de consciências, somente ajudando, com a sua terapia, a quem quer ser ajudado.
O viciado recebe do Espiritismo, além de informações fornecidas pela medicina tradicional quanto aos males provocados pelo fumo, o alerta contra as obsessões e as desastrosas consequências no campo energético do espírito, fator este a exigir atenções especiais e procedimentos profundos na mentalização do fumante.
Mostra a Doutrina Espírita a necessidade não só de se cuidar do corpo, mas, sobretudo, do espírito e de seu campo vibratorial, o perispírito.
A visão reencarnatória é o principal fator que induz reformulação dos valores éticos/morais de quem se aproxima do Espiritismo, pois ela representa, acima de tudo, o uso da lógica e da razão na busca de uma melhor compreensão da vida, abrangendo o aspecto dual da existência: o material e o espiritual.
Compete-nos, portanto, ajudar os nossos irmãos e irmãs que se encontram sob o jugo do vício a fugirem desta forma sub-reptícia de mergulhar num suicídio inconsciente.

 
(Artigo publicado originalmente em Reformador / FEB - abril de 2002)

quinta-feira, 20 de julho de 2017

PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO[1]

 
Levantando-se um doutor da Lei experimentou-o, dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Que é o que está escrito na Lei? Como lês tu? Respondeu ele: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua força e de todo o teu entendimento e ao próximo como a ti mesmo. Replicou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isso e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? Prosseguindo, Jesus disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó; e caiu nas mãos de salteadores que, depois de o despirem e espancarem, se retiraram, deixando-o meio morto. Por uma coincidência descia por aquele caminho um sacerdote; e quando o viu, passou de largo. Do mesmo modo também um levita, chegando ao lugar e vendo-o, passou de largo. Um samaritano, porém, que ia de viagem, aproximou-se do homem, e, vendo-o, teve compaixão dele; e chegando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre seu animal, levou-o para uma hospedaria e tratou-o. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: Trata-o, e quanto gastares de mais, na volta te pagarei. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu o doutor da Lei: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe Jesus: Vai e faze tu o mesmo.

(Lucas, X : 25-37)

 
Se examinarmos atentamente a Doutrina de Jesus, veremos em todos os seus princípios a exaltação da humildade e a humilhação do orgulho.
As personalidades mais impressionantes e significativas de suas parábolas são sempre os pequenos, os humildes, os repudiados pelas seitas dominantes, os excomungados pela fúria e ódio sacerdotal, os acusados pelos doutores da Lei, pelos rabinos, pelos fariseus e escribas do povo, em suma, os chamados heréticos e descrentes! Todos estes são os preferidos de Jesus, e julgados mais dignos do Reino dos Céus que os potentados da sua época, que os sacerdotes ministradores da lei, que os grandes, os orgulhosos, os representantes da alta sociedade!
Leiam a passagem da “mulher adúltera”, a Parábola do Publicano e do Fariseu, a do Filho Pródigo, a da Ovelha Perdida, a do Administrador Infiel, a do Rico e o lázaro; vejam o encontro de Jesus com Zaqueu, ou com Maria de Betânia, que lhe ungiu os pés; as Parábolas do Grão de Mostarda em contraposição à da frondosa Figueira Sem Frutos, e a do Tesouro Escondido em contraposição à dos tesouros terrenos e das ricas pedrarias que adornavam os sacerdotes!
Esta afirmação se confirma com esta sentença do Mestre aos fariseus e doutores da lei: “Em verdade vos afirmo que as meretrizes e os pecadores vos precederão no Reino dos Céus”.
E para que melhor testemunho desta verdade, que aparece aos olhos de todos os que penetram o Evangelho em espíritos, do que esta Parábola do Bom Samaritano?
Os samaritanos eram considerados heréticos aos olhos dos judeus ortodoxos; por isso mesmo eram desprezados, anatematizados e perseguidos.
Pois bem, esse que, segundo a afirmação dos sacerdotes, era um descrente, um condenado, foi justamente o que Jesus escolheu como figura preeminente de sua Parábola. O interessante, ainda, é que a referida parábola foi proposta a um Doutor da lei, a um judeu da alta sociedade que, para tentar o Mestre, foi inquiri-lo a respeito da vida eterna.
O judeu doutor não ignorava os mandamentos, e como os podia ignorar se era doutor! Mas, com certeza, não os praticava! Conhecia a teoria, mas desconhecia a prática. O amor de toda a alma, de todo o coração, de todo o entendimento e de toda a força que o doutor Judeu conhecia, não era ainda bastante para fazê-lo cumprir seus deveres para com Deus e o próximo.
Amava, como amavam os fariseus, como os escribas amavam e como amam os sacerdotes atuais, os padres contemporâneos e os doutores da lei de nossos dias. Era um amor muito diferente e quiçá oposto ao que preconizou o Filho de Deus.
É o amor do sacerdote, que, vendo o pobre ferido, despido e espancado, quase morto, passou de largo; é o amor do levita (padre também da Tribo de Levi), que, vendo caído, ensanguentado, nu e arquejante à beira do caminho, por onde passava, um pobre homem, também se fez ao largo; é o amor dos egoístas, o amor dos que não compreenderam ainda o que é o amor; é o amor do sectário fanático que ama a abstração mas desama a realidade!
Salientando na sua Parábola essas personalidades poderosas da sua época, e cujo exemplo é fielmente imitado pelo sacerdócio atual, quis Jesus fazer ver aos que lessem o seu Evangelho que a santidade dessa gente não chega ao mínimo do Reino dos Céus, ao passo que os excomungados pelas Igrejas, que praticam o bem, se acham no caminho da vida eterna.
De fato, quem é o meu próximo, se não o que necessita de meus serviços, de minha palavra, de meus cuidados, de minha proteção?
Não é preciso ser cristão para se saber isto que o próprio Doutor da Lei afirmou em resposta à interpelação de Jesus: “O próximo do ferido foi aquele que usou de misericórdia para com ele”. Ao que Jesus disse, para lhe ensinar o que precisava fazer a fim de herdar a vida eterna: “Vai, e faze tu a mesma coisa”.
O que equivale a dizer: Não basta, nem é preciso ser Doutor da Lei, nem sacerdote, nem fariseu, nem católico, nem protestante, nem assistir a cultos ou cumprir mandamentos desta ou daquela Igreja, para ter a vida eterna; basta ter coração, alma e cérebro, isto é, ter amor, porque o que verdadeiramente tem amor, há de auxiliar o seu próximo com tudo o que lhe for possível auxiliar: seja com dinheiro, seja moralmente ensinando os que não sabem, espiritualmente prodigalizando afetos e descerrando aos olhos do próximo as cortinas da vida eterna, onde o espírito sobrevive ao corpo, onde a vida sucede à morte, onde a Palavra de Jesus triunfa dos preceitos e preconceitos sacerdotais!

***

Finalmente, a Parábola do Bom Samaritano refere-se verdadeiramente a Jesus; o viajante ferido é a Humanidade saqueada de seus bens espirituais e de sua liberdade, pelos poderosos do mundo; o sacerdote e o levita significam os padres das religiões que, em vez de tratarem dos interesses da coletividade, tratam dos interesses dogmáticos e do culto de suas Igrejas; o samaritano que se aproximou e atou as feridas, deitando nelas azeite e vinho, é Jesus Cristo. O azeite é o símbolo da fé, o combustível que deve arder nessa lâmpada que dá claridade para a Vida Eterna — a sua Doutrina; o vinho é o suco da vida, é o espírito da sua Palavra; os dois denários dados ao hospedeiro para tratar do doente, são: a caridade e a sabedoria; o mais, que o “enfermeiro” gastar, resume-se na abnegação, nas vigílias, na paciência, na dedicação, cujos feitos serão todos recompensados. Enfim, o hospedeiro representa os que receberam os seus ensinos e os “denários” para cuidarem do “viajante ferido e saqueado”.




[1] Parábolas e Ensinos de Jesus – Cairbar Schutel

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A explosão de cores nas imagens mais detalhadas do cérebro até hoje[1]



6 julho 2017
 

O nível de detalhes é sem precedentes.
Uma nova tecnologia de geração de imagens do cérebro foi desenvolvida por cientistas da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, e engenheiros da Siemens nos Estados Unidos e na Alemanha.
A técnica permite observar as conexões neurais formadas pela trama de fibras de diferentes densidades que compõe a massa branca no interior do órgão e compreender melhor como viaja a informação e como funcionam os pensamentos.
Fergus Walsh, especialista em saúde, teve seu cérebro escaneado. São dele as imagens neste vídeo.
O aparelho de ressonância magnética usado é capaz de variar seu campo magnético rapidamente e mapear com maior precisão as fibras.
O método é usado para estudar diversos males neurológicos, como esclerose múltipla, esquizofrenia, demência e epilepsia.
Os médicos esperam que seja usado para entender essas doenças sem que seja necessário recorrer a biópsias invasivas.




terça-feira, 18 de julho de 2017

Ensaio teórico sobre a composição do perispírito[1]



Maria Ribeiro - 24/03/2015


Este estudo tem o objetivo de reunir algumas informações dispersas ao longo da codificação sobre o que se designa por períspirito a fim de conceber-se ideia mais exata sobre ele [*].
Apesar do máximo esforço de Kardec e dos Espíritos na explicação acerca dos diversos conceitos e fenômenos espíritas, muitas vezes recorrendo a comparações por demais materiais para que se pudesse apreendê-los, não é raro que se depare com dúvidas ou falsos entendimentos acerca de pontos capitais. Um deles diz respeito aos fluidos mais próximos da materialidade, ou seja, da categoria dos ponderáveis, o perispírito e, consequentemente, o fluido vital.
Em seu conceito vulgarizado, perispírito é o elo que une o Espírito à matéria [1]. Trata-se do envoltório pelo qual o Espírito propriamente dito se reveste e pode ser reconhecido e identificado numa aparição [2], [3], [4]. O perispírito envolve o Espírito em qualquer grau que esteja, antes, durante e após a morte. E, durante a vida material, penetra o corpo físico [5]. É por seu intermédio que o Espírito realiza todas as ações da inteligência, seja no mundo físico ou moral. No mundo físico, entretanto, sua ação é percebida através das manifestações com o concurso dos médiuns.
Ao perispírito designam-se concepções como revestimento de uma substância vaporosa [6] e invólucro semi-material. [¹,7] Sendo que na Introdução de O Livro dos Espíritos, Kardec se refere a ele como uma espécie de envoltório (d’envelope) semi-material.
O períspirito não pode ser entendido como corpo, que seja fluídico, (fluídico, etéreo, sem dúvida, mas não corpo) astral ou designação similar, conforme abordado por alguns escritos de nomes ilustres que adotaram as crenças esotéricas, pela razão que a partir de agora vamos abordar.
Na questão 257 de O Livro dos Espíritos, encontra-se esta definição para o perispírito:
O perispírito é o laço que une o Espírito à matéria do corpo, sendo tirado do meio ambiente, do fluido universal; contém ao mesmo tempo, eletricidade, fluido magnético e, até certo ponto, a matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria, o princípio da vida orgânica, mas não da vida intelectual, por que esta está no Espírito. É, além disso, o agente das sensações externas. No corpo, essas sensações estão localizadas pelos órgãos que lhes servem de canais. Destruído o corpo, as sensações ficam generalizadas. (Negrito meu)
Quando se diz que o perispírito “contém ao mesmo tempo, eletricidade, fluido magnético e, até certo ponto, a matéria inerte”, diz-se que o perispírito é o resultado de variados estados de fluidos que se aglomeram, embora sem se confundirem, e, de certa forma, conservarem sua independência. A ideia de fluido perispirítico como sendo uma aglomeração molecular de fluidos iguais, semelhantes é abandonada para dar lugar a um composto de fluidos distintos: fluido magnético e fluido elétrico, que por conceito são o fluido vital [8], e ainda o fluido mais materializado – o que se chama matéria inerte, talvez um estado o mais próximo da ponderabilidade. Além destes fluidos conhecidos, provavelmente há os totalmente desconhecidos que ainda entram na composição perispiritual que estão mais em contato com o Ser inteligente. Mas é imprescindível lembrar que os fluidos não permanecem os mesmos, pois, de acordo com a evolução do Espírito, eles se purificam.
O fluido vital, por sua vez, em seu estado mais simples, quer dizer, sem combinação, está na forma de fluido magnético animalizado [9], ou seja, o estado em que é absorvido e assimilado pela matéria quando lhe fornece a vida orgânica. Isto faz inferir que seja o mesmo estado no qual é absorvido pelas plantas e animais, incluindo o homem, variando sua composição de acordo com as exigências de cada reino. No caso dos reinos superiores, ele, ainda sem perder sua independência, obtém ou agrega novas formas moleculares, ou novas misturas fluídicas, em sua composição, dando origem ao envoltório, e, no homem, o envoltório se torna mais bem elaborado, o perispírito.
Poder-se-ia inferir que o perispírito coadune os fluidos vitais mais materializados da sua composição no momento da encarnação, daí o dizer dos Espíritos que “se desenvolve com o corpo. Não dissemos que esse agente sem a matéria não é a vida? É necessária a união dessas duas coisas para produzir a vida” [10]. Assim, faz sentido que ao desencarnar estes fluidos retornem à massa [11].
As questões 27 e 64 de O Livro dos Espíritos dão a conhecer que a matéria, o Espírito e o fluido cósmico universal são os elementos gerais do universo. Do fluido cósmico se origina tudo o que existe, e se distingue do elemento material, pois, possui propriedades especiais, embora guardem relativa afinidade entre si. Devido às suas infinitas modificações, se liga à matéria, conforme ver-se-á, e entre outras coisas, imprime-lhe forma.
A questão 427 de O Livro dos Espíritos ainda traz a definição de eletricidade animalizada, électricité animalisée, como sendo uma das modificações do fluido cósmico. Pode-se inferir que há nuances muito sutis nestes estados fluídicos, do contrário usaria-se o termo no singular, e não no plural: modifications du fluide universel, conforme se pode verificar.
Ao discorrer sobre a emancipação da alma no Resumo teórico do sonambulismo, do êxtase e da dupla vista [12], entretanto, Kardec deixa mais clara a ideia da formação perispirítica por meio de uma combinação fluídica, argumento que corrobora a favor deste presente trabalho:
“No estado de desprendimento em que se encontra o Espírito do sonâmbulo, entra ele em comunicação mais fácil com os outros Espíritos encarnados ou não. Essa comunicação se estabelece pelo contato dos fluidos que compõem os perispíritos e servem de transmissão de pensamento, como fio à eletricidade”.
Em resumo: a formação do perispírito não pode ser uma única substância fluídica. Em outras palavras, chama-se perispírito ao conjunto de componentes fluídicos que formam o envoltório com o qual o Espírito se reveste. Quando se diz fluido perispirítico deve-se entender exatamente a combinação de mais de uma modificação do fluido universal, entre eles, aquele que dá a vida orgânica. Por isso que, em dadas vezes, o perispírito é designado como sendo este agente [13], enquanto o fluido vital é designado por elo entre matéria e Espírito [14]. É como se o uso de um ou de outro se fizesse por extensão, já que o segundo está contido no primeiro. O outro fluido componente seria o fluido elétrico, cuja função seria a do condutor, ou seja, através dele que o Espírito recebe as sensações exteriores. Isto lhe confere todas as propriedades necessárias à vida física, bem como ao desenvolvimento dos mecanismos da mediunidade e também à vida espírita, além de todos os processos anímicos, como o do poder magnético.
Seria conveniente questionar se o próprio fluido vital seja o fruto de uma combinação fluídica, onde seu estado simples seria o fluido magnético animal, e, a partir de associações com outros fluidos, como o elétrico, o torne absorvível pelos seres mais bem elaborados da natureza. Na verdade, a designação do fluido magnético animal sugere que o termo animal seja para lhe imprimir a função que tem o fluido magnético: animar, dar vida.
Os Espíritos se reportam ao fluido cósmico universal como sendo a matéria primitiva, a substância através da qual tudo teve e tem origem e na qual tudo está mergulhado [15]. O conhecimento empírico desta verdade, ou seja, dos diversos estados fluídicos, pode ser a razão para a crença nos diversos corpos do Espírito. Razão que sucumbe diante a revelação espírita. A questão 94 de O Livro dos Espíritos, entretanto, afirma que o mencionado fluido universal está particularizado segundo a natureza de cada mundo, ou seja, seria impróprio dizer fluido universal quando ele se particulariza em cada mundo. Eis a questão:
De onde o Espírito toma o seu invólucro semi-material?
– Do fluido universal de cada globo. Por isso ele não é o mesmo em todos os mundos. Passando de um mundo para outro o Espírito troca se envoltório como mudais de roupa. (Itálico meu)
O que haveria de comum entre os mundos? Ou melhor, o que seria realmente universal? Esta é a pergunta. E com esta pergunta é preciso admitir que, se cada globo tem seu próprio fluido ‘universal’, tudo o que é criado num pode não encontrar correspondência noutro, e, para que haja solidariedade entre eles tem que haver elos que façam com que tenham continuidade. É por isso que os Espíritos afirmam que seria impossível classificá-los em categorias [16], mesmo se referindo aos fluidos terrestres, pois que são infinitos.
Também afirmam as Letras Espíritas que os fluidos não têm qualidades originais, mas as que lhe dão os pensamentos. Sendo estes bons ou maus, os fluidos serão salutares ou maléficos [17], ou seja, nada há no homem de imutável.
Nas manifestações mediúnicas, o perispírito do médium se expande, formando em torno como que um campo magnético, razão pela qual os Espíritos se sentirão, de certa forma, atraídos. Mas, quais seriam os componentes do perispírito que exercem este papel mais abundantemente? O fluido vital estaria presente em todos os seus estados? E isto seria o sinal determinante do grau e potência mediúnicos? De acordo com a pergunta 19 do capítulo IV da segunda parte de O Livro dos Médiuns:
Por que todo mundo não pode produzir o mesmo efeito, e por que os médiuns não têm a mesma força?
– Isso depende do organismo e da maior ou menos facilidade com a qual a combinação dos fluidos pode se operar; depois o Espírito do médium simpatiza mais ou menos com os Espíritos estranhos que nele encontram a força fluídica necessária. Ocorre com esta força como com a dos magnetizadores, ser maior ou menor…
O fluido vital em seu estado mais material (matéria inerte que se reportam os Espíritos como um componente do perispírito), ou seja, mais próximo da matéria, fluido que guarda mais íntima afinidade com o corpo físico, deixa de fazer parte da composição perispirítica na ocasião do desencarne.  Não possuindo mais este estado fluídico, os Espíritos recorrem aos médiuns, que são encarnados com uma aptidão especial, da qual, com ou sem o seu conhecimento, agem de forma a não deixar dúvidas de que se trata de uma inteligência oculta.
Há médiuns cuja constituição permite uma grande emanação deste fluido, de tal forma generosa, o que torna o trabalho dos Espíritos mais fácil no que tange à possibilidade para realizarem manifestações físicas, como movimentação e formação de objetos, as aparições, até mesmo tangíveis; e inteligentes, como a psicografia. Muito embora, toda ação espírita que manifeste independência, é por isto mesmo, inteligente [18].
Esta emanação fluídica varia de indivíduo para indivíduo [19], e, com certeza, há variações em suas composições, ou seja, enquanto um médium possui mais fluido animalizado em seu perispírito, outro o possui em menor quantidade, tendo outro em maior volume, e assim por diante [20]. Por isso a grande variedade de faculdades mediúnicas e em diversos graus, pois, ao que parece, cada fluido proporciona uma dada intensidade para a faculdade. Esta teoria explicaria como dois médiuns veem o mesmo Espírito de maneiras diferentes.
Outro ponto digno de nota é a respeito do destino destes fluidos após o desencarne. Na questão 70 de O Livro dos Espíritos a informação é que “a matéria inerte se decompõe e toma nova forma; o princípio vital retorna à massa”, ou seja, o Ser permanece o mesmo, outros componentes do seu perispírito lhe resguardam a identidade, mais que isto, a individualidade.
Além disso, há de se questionar se não há os Espíritos que, a despeito do desencarne, carreguem consigo algo deste fluido animalizado, mais precisamente da matéria inerte, pois, conforme em O Livro dos Médiuns:
Foi dito que a densidade do perispírito, se se pode exprimir assim, varia segundo o estado dos mundos; parece que varia também no mesmo mundo segundo os indivíduos. Nos Espíritos avançados moralmente, é mais sutil e se aproxima da dos Espíritos elevados; nos Espíritos inferiores, ao contrário, se aproxima da matéria, e é o que faz que esses Espíritos de baixo estágio conservem por tempo tão longo as ilusões da vida terrestre; eles pensam e agem como se estivessem ainda vivos; têm os mesmos desejos e, se poderá dizer, a mesma sensualidade. Essa grosseria do perispírito dando-lhe mais afinidade com a matéria, torna os Espíritos inferiores mais próprios para as manifestações físicas [21].
Ora, se neste estágio de inferioridade o Espírito tem afinidade com a matéria mais grosseira e por isso está mais apto às manifestações físicas, deve guardar em sua composição perispirítica algo verdadeiro de matéria, uma vez que, se dependessem apenas da vontade, os Espíritos mais elevados também seriam igualmente capazes, ou seja, a força moral apenas não basta para estes efeitos.
Além disso, mesmo estando no mundo espírita, encontra em sua própria condição fluídica, meios de “pensar e agir como se ainda vivessem no mundo físico, conservando ilusões da vida terrestre”. Sendo assim, podem forjar determinadas situações e efeitos que não justificam sua atual situação. Em outras palavras, manterão seu estado fluídico “denso” enquanto suas mentes estiverem voltadas para as ocupações e interesses materiais.
A questão 186 de O Livro dos Espíritos esclarece prontamente este ponto, afirmando que, ao atingir o estado de pureza, os Espíritos passam a revestir um perispírito tão etéreo que parecerá não existir para os que ainda permanecem em baixa elevação. Isto explica porque os Espíritos imperfeitos não veem sempre os mais evoluídos. Quando estes querem se fazer ver, ou quando isto for útil, absorvem fluidos mais grosseiros para adensar os seus próprios e assim se fazerem visíveis. Parece o que comumente se chama de “baixar a vibração”.
Esta ideia se ampara pelas questões 87 e 1011 e a própria supra citada 186 de O Livro dos Espíritos onde as informações se cruzam e dão conta de que os Espíritos não estão separados por locais, lugares, ambientes espirituais senão no sentido metafísico. Os Espíritos falam de estados e não de mundos espirituais circunscritos propriamente ditos. Alguns se valem dos mundos transitórios citados nas questões 234 a 236 da mesma obra magna para amparar a ideia de uma morada dos Espíritos, mas se esquecem de que os mundos transitórios são mundos físicos em formação.
Portanto, a ideia de organização do perispírito, tornando-o corpo perde totalmente o sentido quando refletidas e devidamente analisadas as ilações apontadas. Um exemplo que poderá ilustrar o que se quis dizer é a manga comprida de uma camisa, por exemplo: ela recobre o braço, toma inclusive a sua forma, mas ela não é o braço mesmo, é o seu revestimento.
Isto significa que o fluido perispirítico não forma um corpo, mas um revestimento, um envoltório adimensional, enquanto o entendimento de corpo requer uma visão tridimensional. Por mais materializados que sejam alguns dos fluidos que o compõem, sua natureza espiritual, ou seja, aqueles fluidos ainda em estados desconhecidos, se sobrepõe à concepção da matéria propriamente dita, ou melhor, a matéria que ainda carregam, de forma alguma tem as mesmas propriedades e exigências da matéria mais grosseira da vida terrestre.
 
[*] Trata-se, no entanto, de reflexões especulativas, segundo nossa compreensão atual.
NOTAS
[1] KARDEC, Introdução de O Livro dos Espíritos.
[2] KARDEC, O Livro dos Espíritos, 93.
[3] KARDEC, cap. I, item 55 de O Livro dos Médiuns.
[4] KARDEC, cap. XI, item 17 de A Gênese.
[5] KARDEC, cap. I, seg. parte, item 4 de O Céu e o Inferno.
[6] KARDEC, O Livro dos Espíritos, 93.
[7] KARDEC, O Livro dos Espíritos, 94.
[8] KARDEC, Introdução item II de O Livro dos Espíritos.
[9] KARDEC, cap. IV, item 74 de O Livro dos Médiuns.
[10] KARDEC, O Livro dos Espíritos, 67.
[11] KARDEC, O Livro dos Espíritos, 70.
[12] KARDEC, O Livro dos Espíritos, 455.
[13] KARDEC, O Livro dos Espíritos, 257.
[14] KARDEC, O Livro dos Espíritos, 65.
[15] KARDEC, cap. XIV, item 2, A Gênese.
[16] KARDEC, cap. XIV, item 17, A Gênese.
[17] KARDEC, cap. XIV, item 7, A Gênese.
[18] KARDEC, cap. III, item 65-8, O Livro dos Médiuns.
[19] KARDEC, O Livro dos Espíritos, 66.
[20] KARDEC, comentário q. 70.
[21] KARDEC, cap. IV, 74/12 (nota), O Livro dos Médiuns.
 
Artigo original: Blog CRITICA ESPIRITA




segunda-feira, 17 de julho de 2017

DR. JOAQUIM DE SOUZA RIBEIRO[1]


 

Nascido em Caiteté, Estado da Bahia, no dia 9 de janeiro de 1884, e desencarnado em Campinas, Estado de São Paulo, no dia 18 de janeiro de 1956.
Transferindo sua residência para Campinas, no Estado de S. Paulo, ainda bastante jovem, fez ali os seus estudos de curso superior. No ano de 1907 formou-se pela Faculdade de Odontologia de S. Paulo, e bem mais tarde cursou a Faculdade de Medicina Hahnemaniana, do Rio de Janeiro, colando grau na turma de 1920.
Foi diretor-tesoureiro do prestigioso jornal campineiro "Correio Popular" e pertencia à diretoria do Sanatório S. Isabel, onde desempenhou o cargo de vice-presidente e fazia parte do seu corpo clínico.
Espírita de convicções profundas, o Dr. Souza Ribeiro tornou-se um dos grandes propagandistas da Doutrina dos Espíritos, nos países de fala portuguesa. Desde a mocidade empolgou-se com os ensinamentos contidos nas obras de Allan Kardec e jamais esmoreceu no campo da divulgação, dedicando apreciável parcela de sua vida à difusão e vivência da Terceira Revelação.
Tornou-se abalizado conferencista e percorreu elevado número de cidades do Estado de S. Paulo, onde fez vasta sementeira dos ensinamentos doutrinários. Na propaganda do Espiritismo através da imprensa, tornou-se também um paladino.
Manteve acerbas polêmicas doutrinárias através de jornais do interior paulista e de outros Estados.  "Revista Internacional de Espiritismo", "O Clarim", "Reformador" e outros órgãos da imprensa espírita, acolheram, durante cerca de meio século, a colaboração ininterrupta do Dr. Souza Ribeiro, pois na realidade ele havia se tornado um dos mais animosos pregadores das verdades imorredouras da Doutrina dos Espíritos. Profundo conhecedor de toda a literatura espírita, ele sabia argumentar com clareza e elegância, demonstrando uma erudição inigualável.
Numerosos artigos de sua autoria, de índole filosófica, foram divulgados pelo "Correio Popular", onde também fez publicar grande número de poesias, o mesmo aconteceu com a "Folha da Manhã", de S. Paulo.
O seu nome tornou-se assaz conhecido em todos os quadrantes de Campinas. É que, dentista e médico, jamais encarou essas profissões apenas como fonte de renda. Ele sabia praticar o bem, enquadrando-se dentro da orientação evangélica que prescreve a necessidade de a "mão esquerda não ver o que a direita faz".
Souza Ribeiro foi um homem de caráter incorruptível. A sua formação moral era das mais rígidas, fazendo da franqueza e da coragem de atitudes os fundamentos de sua personalidade inconfundível. Jamais se amoldava a conveniências e preconceitos.
Temperamento de luta, o seu pensamento era reproduzido sem reticências. Não tergiversava com a verdade e não aplicava eufemismos nas palavras que proferia ou que escrevia.
Embora eloquente na defesa de suas ideias e pontos de vista, sabia, no entanto, respeitar sempre o adversário, nunca guardando ódio ou ressentimentos. A sua linha de conduta era inquebrantável, a sua palavra era sempre respeitada, fazendo com que ele se tornasse, de direito e de fato, um homem de índole efetiva, de caráter sem interstícios e, acima de tudo, de objetivos certos e determinados.
Quando do sepultamento do corpo de Cairbar Schutel, o apóstolo de Matão, no dia 31 de janeiro de 1938, o Dr. Souza Ribeiro foi um dos que proferiram discursos à beira do túmulo, enaltecendo a personalidade marcante daquele grande pioneiro espírita.
João Simples, conhecido jornalista campineiro, quando da desencarnação do Dr. Souza Ribeiro, publicou através do "Correio Popular" uma crônica, da qual extraímos os seguintes tópicos:
"Mas quem foi, no final das contas, Souza Ribeiro?
Uma potência do comércio, um magnata da indústria, um político de evidência e prestígio, para que o seu passamento fosse assim tão intensamente sentido em todos os cantos onde pulse um coração humano? Nada disso, Souza foi, simplesmente, um Apóstolo do Bem. E, como Apóstolo do Bem, um lutador incansável pela implantação, nas almas entorpecidas por preconceitos errôneos e rançosos, dos verdadeiros ensinamentos do Divino Mestre, tão claramente expostos nos Evangelhos e tão nefastamente deturpados pelos cegos que não querem ver, pelos surdos que não querem ouvir. Sua única arma, nas pelejas memoráveis que travou com adversários poderosos, não foi o punhal da mistificação e da insídia: foi o escudo inquebrantável da Verdade do Cristo, assimiladas das páginas sagradas do Novo Testamento!
Por isso venceu! Por isso nunca foi vencido. Ele foi realmente um predestinado".
Souza Ribeiro escreveu: "A Estigmatizada de Campinas" e "A Questão Religiosa na Rússia". Nos derradeiros anos de sua fértil existência terrena, escreveu numerosas poesias, a última delas no dia mesmo de sua desencarnação, a qual ele já havia antecipado e da qual tinha plena consciência.




[1] Personagens do Espiritismo - Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy

sábado, 15 de julho de 2017

10 GRAVES SINTOMAS DA OBSESSÃO ESPIRITUAL[1]


 
Mensagem Espírita
 

Esse é um assunto delicado que requer atenção e quebra de preconceitos.

Ninguém está livre de ataques energéticos, todos nós, vez ou outra, nos deparamos com situações em nossas vidas que realmente não conseguimos entender e muito menos resolver.

Às vezes parece que quanto mais lutamos contra uma situação ruim, pior ela fica. Entramos em conflitos internos e externos e muitas vezes nos damos por vencidos em certas áreas de nossas vidas.

A obsessão espiritual é algo que realmente existe, pode ocorrer por meio de espíritos desencarnados, mas também com desafetos dessa vida, pessoas encarnadas do seu passado que insistem em manter um vínculo energético negativo, de mágoa, rancor, inveja e ressentimento.

Alguns sintomas são bem típicos de obsessões e ninguém passa por essa vida sem ter tido ao menos uns dois sintomas desses, porém o que determina a permanência ou não de obsessores é o comportamento e entendimento de cada um. Uma pessoa amorosa, que sente compaixão pelo próximo e não tem problemas em perdoar, consegue se livrar mais facilmente de ataques de obsessores.

Já uma pessoa agressiva e magoada tende a alimentar obsessões por longos períodos na vida.

Seguem alguns sintomas de obsessão quando já instalada. Fique atento, mas também entenda que existe solução, existe alívio e cura. O bem e a positividade sempre serão mais fortes!

1 – Sensibilidade aumentada e choro compulsivo

Parece que as pessoas estão mais agressivas ou com mais atenção aos seus erros. Antes se alguém te desse uma patada, você revidava ou simplesmente não dava importância. Agora você se sente perseguido e maltratado. Chora, na maioria das vezes à noite e quando tenta desabafar com alguém, muitas vezes acham que é frescura sua e você não deve se importar. Isso te deixa mais triste ainda e com a sensação que ninguém se importa com você e seus sentimentos. Sempre vem na cabeça a ideia de que ninguém se importa com você, que se você morresse ou sumisse ninguém se importaria. Fique atento, essa ideia de que você não tem valor não é sua!

2 - Vida financeira destruída

Desemprego, ou emprego com um salário que não dá para quase nada e te deixa frustrado. Dívidas que aparecem do nada, quando entra um pouco de dinheiro, logo aparecem gastos inesperados e a esperança de uma vida melhor vai indo embora aos poucos.

Obsessores atacam muito a vida financeira, pois sabem que as preocupações com dívidas, moradia e sobrevivência são extremamente dolorosas e desgastantes.

3 – Relacionamentos Conturbados

Ciúmes, brigas, desconfianças, traições, mágoas e em casos mais graves até agressões. Após crises explosivas parece que a pessoa que agrediu estava fora do corpo sendo comandada por alguém. Períodos de paz se instalam, mas as brigas e desentendimentos nunca deixam de aparecer.

4 - Agressividade

Ausência total de paciência com as pessoas próximas. Vontade de mudar a forma de ser de algumas pessoas, de falar verdades na cara sem ter medo de magoar ou ferir. Ausência de compaixão pelo próximo e o sentimento crescente de que ninguém merece confiança, pois todos são falsos e hipócritas. Gostam de dizer sempre a frase, sou sincero e falo na cara, quando na realidade são totalmente cruéis e sem nenhuma educação. Ao magoar o outro, por mais fraco que o outro pareça, o agressor cria um vínculo negativo, atrai para si somente a negatividade.

Pense muito antes de jogar verdades na cara de alguém ou postar ofensas e indiretas, o mesmo constrangimento que você vai causar no outro, retornará para você amanhã. Os juros cobrados pela lei do retorno são muito altos, não vale a pena pagar.

5 – Julgar os outros e se sentir vítima

Obsessores atuam colocando as manias, desconfianças e compulsões exageradas em suas mentes. O obsessor coloca a ideia na sua vítima de que ela carrega o mundo nas costas e que se ela não interferir em tudo, nada dará certo. Existe muita dificuldade em confiar em todos, e a vitima observa apenas os defeitos e falhas nas pessoas e não consegue achar nada positivo em ninguém. Nesse ponto o obsessor coloca a ideia de que sua vítima deve interferir na vida dos outros, criticar, excluir quem não se encaixa em seu meio, religião, trabalho e sua família.

6 - Se envolver em fofocas

As fofocas sempre começam de forma inocente e são justificadas e defendidas pelos fofoqueiros. Muitas vezes começam com frases do tipo: – Vou te dar um “toque a respeito do fulano” ou “fica esperto com o fulano”….

O ambiente de trabalho é o lugar onde mais podemos observar esse tipo de comportamento. Muitas teorias totalmente enganosas e mentirosas que causam verdadeiro mal estar são disseminadas diariamente por fofoqueiros nas empresas.

Quem de nós nunca trabalhou em um ambiente tóxico onde o fofoqueiro mantinha muitos reféns sob seu comando maléfico, pois obsessores sabem o quanto somos sugestionáveis, no ambiente de trabalho.

Presenciei um caso onde uma gerente chegou certa manhã de cara fechada no trabalho, pois estava com dor de dente e dor de cabeça, mas como tinha uma reunião importante, foi trabalhar mesmo passando mal, pois tinha tarefas que não podiam esperar. Ao passar pelos funcionários de cabeça baixa e sem cumprimentar ninguém, causou uma grande impressão errada e diversas teorias absurdas se formaram durante o dia, até uma funcionária muito sugestionável a maldade se convencer loucamente que a chefe estava com raiva dela e a demitiria naquele dia.

A gerente passou o dia na sala dela em conferências e não falou com ninguém. Isso foi suficiente para uma série de confusões e fofocas maldosas se instalarem.

Apenas um funcionário desequilibrado e medroso, abriu o ambiente para obsessores que já encontraram outros com vibrações baixas e instalaram um clima de terror na empresa.

Observei que as teorias descabidas corriam solto a respeito da cara fechada da gerente, mas em nenhum momento ninguém pensou que ela poderia estar com um problema só dela e que não queria compartilhar com ninguém naquele momento.

A funcionária sugestionável acabou passando mal o dia todo achando que ia ser demitida, pois o fofoqueiro não gostava dela e se aproveitou para torturá-la e criar um clima desfavorável. Outros acabaram achando que haveria uma grande corte de despesas e mais funcionários seriam demitidos.

A gerente acabou saindo mais cedo para ir ao dentista, estava realmente passando mal e percebi que o rosto até estava um pouco inchado. Os funcionários não perceberam esse detalhe, pois estavam ocupados de mais com a teoria de demissões.

Fiquei alguns dias nessa empresa, pois eu iria ministrar um treinamento. Tive a oportunidade de observar que no dia seguinte a gerente chegou e já estava bem, havia sido medicada e chegou cumprimentando a todos normalmente.

Observei que o fofoqueiro mestre foi ao encontro dela ansioso para saber o que havia acontecido no dia anterior. Fiquei impressionada ao observar a decepção no rosto dele ao saber que ninguém seria demitido, nada de ruim iria acontecer, a chefe apenas tinha tido uma forte dor de dente.

A funcionária sugestionável acabou faltando naquele dia, havia passado mal de tanto medo e nervoso por causa das fofocas. Fique atento, muitas vezes sentimos medos sem fundamentos, odiamos pessoas por ouvirmos falar coisas a respeito delas e não paramos para ver os fatos como eles realmente são. Passar a fofoca adiante, ficar na plateia assistindo os outros se prejudicarem e sentir prazer ao ver a loucura alheia também é um comportamento tóxico. Se você simplesmente não quer se meter, afaste-se, não seja lenha da fogueira de ninguém!

7 – Ver vultos, ouvir barulhos estranhos em casa, sentir angústias e pensamentos negativos que vem de repente.

Nem todos os alertas que recebemos são nossa intuição. Nossa intuição nos defende de situações de perigo ou nos levam a situações positivas. Se você está com uma série de problemas na sua vida, sem dinheiro para nada, lar conturbado, problemas de saúde, sua intuição provavelmente nem está funcionando. Ver vultos, ouvir vozes que ninguém mais ouve e receber alertas exagerados de mágoa e raiva sobre determinadas pessoas é sinal de obsessão.

Sua intuição não vai te dizer pra ir saber se a pessoa que te magoou está falando mal de você para alguém. Fique atento, faça orações e tratamento para desobsessão.

8 – Vício

Você nem quer comer mais um pedaço de pizza, mas está tão bom… Passou um dia horrível no trabalho e sabe que sua cabeça não vai te deixar em paz se não tomar uma dose de Whisky para relaxar (e isso acontece no mínimo 4x por semana). Aquelas lembranças são dolorosas demais para aguentar de cara limpa, ou o prazer só vem com o uso de algumas substancias… entre outros pensamentos esses são alguns colocados por obsessores para manter suas vítimas no vício.

Mas como o vício gera dependência e afeta o metabolismo do corpo, além de um trabalho de desobsessão é necessário um acompanhamento de especialistas para ajudar na cura.

9 – Sua vida mudou de forma inexplicável após a morte de alguém

Uma determinada pessoa da sua família ou próxima faleceu e sua vida logo depois começou a dar errado.

Uma série de pequenos azares e infortúnios começaram a aparecer de forma inexplicável. Fique atento, orações para a alma do falecido são bem vindas nesse caso, entre outros procedimentos de desobsessão.

10 – Doenças recorrentes

Infecções, pequenos procedimentos cirúrgicos, remédios que não fazem efeito, alergias, problemas respiratórios. Enfim, hospitais e laboratórios são sua rotina.

Sentimentos de vitimismo e exigir que os outros compreendam e te ajudem também estão presentes nesses casos.

Alguns idosos costumam usar doenças para aprisionar a família toda em sua carência. Fique atento.


Como enxergar melhor os sintomas?

Fique atento a ideias torturantes a se fixar:

‒ Quando sentimos forças interferindo no processo mental.

‒ Quando se verifica a vontade sendo dominada.

‒ Quando se experimenta inquietação constante.

‒ Quando se sente desequilíbrio espiritual.

‒ Quais são as consequências a longo prazo?

‒ Desordens patológicas (doenças)

‒ Loucura

‒ Morte Física

 O que você deve entender sobre obsessão? É um mal que existe, mas também tem solução. Sim existe cura, sim existe saída, sim existe saúde, prosperidade, relacionamentos saudáveis.

Você não deve ter medo, culpa ou qualquer tipo de desespero. A saída é um pouco trabalhosa, mas pense que você merece ser feliz e viver bem.

A positividade é infinitamente maior e mais forte do que a negatividade, uma vez que você aprende a se proteger, nada te impedirá de ter uma vida saudável e feliz.

Não participe de fofocas, perdoe sempre que possível, não julgue e não maltrate ninguém, pois essas atitudes abrem portas para energias tóxicas.

Que Deus te abençoe sempre!