quarta-feira, 24 de julho de 2019

Ainda não é telepatia, mas estamos chegando lá[1]



Redação do Site Inovação Tecnológica - 19/03/2019

Hardware para telepatia
Interfaces neurais, ou interfaces cérebro-computador, permitem controlar dispositivos externos pelo "pensamento" - tipicamente são usadas intenções de movimento de um membro, e não exatamente uma ideia abstrata do tipo "Eu quero isto", ou "Eu quero aquilo".
Assim, é natural pensar que um próximo estágio no desenvolvimento dessas neurointerfaces possa permitir a transferência direta de informações entre pessoas, do cérebro de uma para o cérebro de outra.
Embora se imagine que isto possa estar muito distante no futuro, uma equipe internacional de pesquisadores acaba de publicar um artigo alegando terem dado um passo importante nesse rumo. Eles desenvolveram uma interface neural que permite distribuir uma tarefa cognitiva entre diversas pessoas.
Em seus testes, a equipe usou a interface cérebro-cérebro para estimar os estados cerebrais de cada participante e distribuir uma carga cognitiva entre os membros do grupo, que estavam realizando juntos uma tarefa comum.
A interface permitiu compartilhar a carga de trabalho entre todos os participantes, dependendo do desempenho cognitivo de cada pessoa estimado a partir de sua atividade cerebral elétrica.

Rede de cérebros
Vladimir Maksimenko e seus colegas da Alemanha, Espanha e Rússia colocaram dois voluntários para resolver juntos uma tarefa de classificação de imagens ambíguas apresentadas em uma tela. Cada um dos voluntários tinha sua atividade cerebral monitorada em tempo real por eletroencefalogramas.
A classificação de imagens altamente ambíguas exige um grande esforço cognitivo em comparação com a identificação de imagens mais claras. A equipe forçou uma sobrecarga cognitiva aumentando a duração do experimento (40 minutos) e fazendo pausas curtas entre a apresentação das imagens (5 a 7 segundos). Assim, os voluntários foram obrigados a manter um alto nível de concentração durante o experimento.
No primeiro estágio, cada voluntário fez a tarefa separadamente, o que permitiu detectar nos sinais cerebrais a carga cognitiva e os períodos de fadiga, mostrando momentos de perda de atenção e momentos de recuperação, durante os quais a concentração voltava a aumentar.
No segundo estágio, a interface neural avaliava continuamente a carga cognitiva no cérebro de cada um dos participantes e, de acordo com o resultado, distribuía a tarefa para cada um deles, mostrando imagens menos ambíguas ou aumentando o tempo entre as imagens para quem estivesse mais cansado, e aumentando a carga para quem se mostrava mais concentrado. Tudo foi feito de modo a manter o mesmo tempo total para a tarefa e mostrar o mesmo número de imagens.
"Nós demonstramos que a eficiência da equipe pode ser aumentada devido à redistribuição do trabalho entre os participantes, de modo que a carga de trabalho mais difícil recaia sobre o operador que apresenta desempenho máximo. Por fim, nós demonstramos que a interação humano-humano é mais eficiente na presença de um certo retardo determinado pelos ritmos cerebrais. Os resultados obtidos são promissores para o desenvolvimento de uma nova geração de sistemas de comunicação baseados na atividade cerebral neurofisiológica de pessoas interagentes", escreveu a equipe.
"Os resultados obtidos podem ser um ponto de partida para o desenvolvimento de sistemas de comunicação neural entre pessoas que permitam 'sentir' as condições do outro, resultando em uma interação mais eficiente", disse o professor Alexander Pisarchik, da Universidade Politécnica de Madri.

Bibliografia:
Artigo: Increasing Human Performance by Sharing Cognitive Load Using Brain-to-Brain Interface
Autores: Vladimir A. Maksimenko, Alexander E. Hramov, Nikita S. Frolov, Annika Lüttjohann, Vladimir O. Nedaivozov, Vadim V. Grubov, Anastasia E. Runnova, Vladimir V. Makarov, Jürgen Kurths, Alexander N. Pisarchik
Revista: Frontiers in Neuroscience
DOI: 10.3389/fnins.2018.00949

terça-feira, 23 de julho de 2019

O PERISPÍRITO DESCRITO EM 1805[1]




Extraído da obra alemã “Os fenômenos místicos da vida humana”, por Maximilien Perty, Professor da Universidade de Berna – Leipzig e Heidelberg, 1861.
Sob o título de “Aparição real de minha mulher após sua morte” – Chemnitiz, 1804 – o doutor Woetzel publicou um livro que causou grande sensação nos primeiros anos deste século. O autor foi atacado em vários escritos, principalmente por Wieland, que o leva ao ridículo na Euthanasia. Durante uma doença de sua mulher, Woetzel tinha pedido a esta última que lhe aparecesse após sua morte; ela lhe prometeu. Mais tarde, porém, a rogo do marido, ela se desligou da promessa. Todavia, algumas semanas depois de sua morte, um vento violento pareceu soprar no quarto, embora estivesse fechado; a luz quase se apagou; uma pequena janela na alcova abriu-se e, a despeito da fraca claridade que reinava, Woetzel viu a forma de sua mulher, a dizer-lhe em voz doce: “Charles, sou imortal; um dia nos reveremos.” A aparição e estas palavras consoladoras se repetiram mais tarde, uma segunda vez. A mulher mostrou-se de vestido branco, com o mesmo aspecto que tinha antes de morrer. Um cão que não se havia mexido quando da primeira aparição, agitou-se e descreveu um círculo, como se estivesse em redor de uma pessoa conhecida.
Numa segunda obra sobre o mesmo assunto (Leipzig, 1805), o autor fala de convites que lhe teriam sido dirigidos para desmentir todo o assunto, “pois, do contrário, muitos sábios seriam forçados a renunciar ao que, até então, tinham julgado como opiniões verdadeiras e justas, e porque a superstição aí encontraria um alimento.” Mas ele já havia pedido ao conselho da Universidade de Leipzig que lhe permitisse prestar juramento a respeito. O autor desenvolve sua teoria. Segundo ele, “a alma, depois da morte, seria envolvida por um corpo etéreo, luminoso, por meio do qual poderia tornar-se visível; que poderia usar outras vestimentas, por cima desse envoltório luminoso; que a aparição não tinha agido sobre o seu sentido interior, mas unicamente sobre os sentidos exteriores”.
Como se vê, só falta a esta explicação a palavra perispírito. Contudo, Woetzel se equivoca quando julga que a aparição só atua sobre os sentidos exteriores, e não sobre o sentido interior. Sabe-se hoje que é o contrário que ocorre. Mas talvez ele tivesse querido dizer que estava perfeitamente desperto, e não em estado de sonho, o que, provavelmente, lhe teria feito pensar que havia percebido a aparição apenas pela visão corporal, uma vez que não conhecia as propriedades do fluido perispiritual, nem o mecanismo da visão espiritual.
Aliás, lendo-se a erudita obra do Sr. Pezzani, sobre a Pluralidade das Existências, tem-se a prova de que o conhecimento do corpo espiritual remonta à mais alta antiguidade, e que só o nome de perispírito é moderno. São Paulo o descreveu em sua primeira epístola aos Coríntios, capítulo XV. Woetzel o reconheceu apenas pela força do raciocínio. Tendo-o estudado nos numerosos fatos que observou, o Espiritismo descreveu as suas propriedades e deduziu as leis de sua formação e de suas manifestações.
Quanto ao que se refere ao cão, nada há nisto de surpreendente. Diversos fatos parecem provar que certos animais sentem a presença dos Espíritos. Na Revista Espírita de junho de 1860 [vide “O Espírito e o Cãozinho”, publicado neste blog em 26/09/2017], citamos um exemplo que tem notável analogia com o de Woetzel. Não está mesmo provado positivamente que não os possam ver. Nada haveria de impossível que, em certas circunstâncias, por exemplo, os cavalos que se assustam e se recusam, obstinadamente, a avançar sem motivo conhecido, sofram o efeito de uma influência oculta.




[1] Revista Espírita – Janeiro/1865 – Allan Kardec

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Adélia Rueff[1]




Nascida em Pinhal, Estado de São Paulo, no dia 5 de Junho de 1868 e desencarnada na mesma cidade, no dia 2 de Fevereiro de 1953, com 84 anos de idade.
Desde o seu surgimento na Terra, no ano de 1857, o Espiritismo enfrentou tenaz resistência por parte da religião majoritária do Brasil. Entretanto, na década de 1930, essa pressão acentuou-se de maneira inusitada, fazendo-se sentir em toda a sua intensidade.
Na cidade de Pinhal, o clima não era diferente. Entretanto, como Deus situa em cada cidade um Espírito que desenvolve tarefas pioneiras e santificantes, aquele núcleo populacional do Estado de São Paulo, não poderia constituir exceção, por isso ali reencarnou o Espírito missionário de Adélia Rueff, mais conhecida por "tia Adélia", que teve a oportunidade ímpar de desenvolver santificante trabalho em favor do esclarecimento dos seus semelhantes, alicerçada na recomendação de Jesus do "Amai-vos uns aos outros".
A fim de propiciar aos nossos leitores uma apagada súmula biográfica dessa grande vida, passamos a transcrever um substancioso trabalho elaborado pelo confrade João Batista Laurito, atual presidente da Federação Espírita do Estado de São Paulo, que teve a oportunidade feliz de com ela conviver, locupletando-se com os frutos sazonados que ela tão bem sabia doar aos que usufruíram de sua benfazeja orientação espiritual.
Foi exatamente em 1936 que tive os meus olhos abertos para as claridades fulgurantes da Doutrina Consoladora. Embora nascido em berço espírita, foi somente nesse ano que, indo residir em Pinhal, a fim de estudar na "Escola Agrícola", conheci o "Centro Espírita Estrela da Caridade", brilhante fanel de luzes na Região Mojiana, centro de irradiação de caridade e amor a todos os que tinham a oportunidade de frequentá-lo.
Essa Casa foi fundada em 11 de janeiro de 1911 e, desde o dia de sua fundação até 1950, ininterruptamente, foi essa célula de fraternidade, sábia e amorosamente presidida por sua fundadora Adélia Rueff (Tia Adélia), assim chamada, porque solteira, abrigou em seu lar enorme contingente de sobrinhos de outras cidades, que na idade própria buscavam Pinhal, para aculturamento escolar, fato que durou muitos anos. E esses sobrinhos eram tantos, que generalizaram entre outras pessoas, a alcunha "Tia Adélia. (João Batista Laurito)
O Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão, por ocasião de sua colação de grau como médico, houvera feito uma promessa no final do século 19 que se tudo transcorresse bem por ocasião de sua formatura, abriria um Centro Espírita, pois já nessa época professava a crença reencarnacionista. Mas como as coisas na ocasião eram, além de difíceis, o espírito popular muito antagônico, foi postergando a ideia até desencarnar. No mundo espiritual, viu a necessidade do cumprimento da promessa, e surgindo a primeira oportunidade, comunicou-se com Tia Adélia, pedindo- lhe que cumprisse por ele a promessa. Assim nasceu o "Centro Espírita Estrela da Caridade".
Durante cinco anos, moramos com ela. E às terças e sábados, às 19:30 horas, lá estávamos no "Estrela da Caridade", e a sua voz, firme, inflexível, embora mansa e doce, ainda ecoa em nossos ouvidos, quando iniciava a sessão declamando: "Deus nosso Pai, que sois todo poder e bondade... e ao encerrar: Sublime estrela, farol das imortais falanges...
Nasceu no dia 5 de junho de 1868, ali mesmo em Pinhal, predestinada a somente servir, não casou. Durante toda a sua fértil existência, amou e deu tanto de si aos outros, que formou em seu derredor uma auréola de inenarrável admiração. Médium de exuberantes proporções bastava a imposição de suas compassivas mãos, para aliviar instantaneamente as pessoas, que a procuravam com tanta avidez, sem lhe permitir sossego ou descanso.
Certa feita ela viajou. E nós, que aos domingos aproveitávamos para dormir até bem mais tarde, sem nenhuma alegria ou boa vontade, atendemos 17 pessoas que a procuraram para tomar passes, das 8 às 12 horas. Uma ocasião, um confrade de Jacutinga ‒ Minas Gerais ‒, viajou, a pé, 26 quilômetros para presenteá-la com um saquinho de feijão verde, numa atitude de comovedora gratidão.
A mesa diretora dos trabalhos era formada. Na cabeceira principal sentava Tia Adélia, sob uma iluminada Estrela de lâmpadas coloridas, símbolo do Centro. Na outra cabeceira, o Vice-Presidente, Zé Café. As laterais para os médiuns, Dona Ordalha, Tereza, Idalina, Dona Eugênia, e a extraordinária Dona Adélia Neto, que quando recebia o Guia Espiritual do Centro "Irmão Silviano", se colocava de pé, abria os olhos, e de uma criatura tímida e simples, embora bela, se transformava num tribuno imponente e erudito. Pudera, médium inconsciente dando passividade ao Espírito Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão, médico, Presidente do Estado de Minas Gerais. Na porta de entrada, controlando com vigilância e severidade a admissão dos frequentadores, a Mariana e a Rosa Domiciano, zeladoras do grupo.
Viajando em charretes, excepcionalmente em automóveis e quase sempre a pé, lá ia Tia Adélia, à periferia Pinhalense e aos sítios vizinhos, cumprindo a predestinação de sua encarnação como lídima missionária do Cristo: atendendo aos aflitos, curando os obsediados, levantando os caídos, vestindo as viúvas, alimentando as crianças e amparando os velhos.
Que criatura extraordinária! Doce, mansa, boa. Jamais a vimos encolerizada, jamais a vimos levantar a voz. À medida que envelhecia, fruto de dois acidentes graves, se curvava, se encarquilhava, tornando-se menor. Fatos que nunca a fizeram perder a paciência. Olhos vivos, argutos, mente clara, pensamento limpo, conselheira oficial de quase toda a população pinhalense.
Fato que lhe proporcionou tributo de grande admiração, respeito e afeição por seus contemporâneos.
Descrever fatos do desenvolvimento espírita de "Tia Adélia" no campo da benemerência, seria tarefa que preencheria um enorme livro.
Médium de determinação na crença do trabalho doutrinário, deixava sempre para segundo plano a necessidade de repouso físico, aproveitando todo tempo disponível no atendimento dos mais necessitados do caminho.
Por ocasião das festividades comemorativas no "Estrela da Caridade", Tia Adélia, com muito carinho e inteligência, preparava seus discursos e em pé, inflamada, ereta, impressionava os presentes ao transmitir seus inequívocos conhecimentos a respeito da Doutrina. Empolgava tanto as suas palestras, que os menos avisados, desconhecedores das virtudes mediúnicas, não conseguiam reconhecê-la na oradora.
Os frequentadores do "Centro Espírita Estrela da Caridade", chegavam a venerar a tal ponto o Guia Espiritual do Grupo, Irmão Silviano, que narraremos um acontecimento inusitado para o conhecimento dos leitores:
Em determinada ocasião, brincávamos com um grupo de crianças, quando uma garota nos contou algo muito sério. Exigimos dela que jurasse se aquilo era verdade. E ela, jurou por Deus que tudo quanto dissera representava a expressão da verdade. Não aceitamos o juramento e retrucamos: jurar por Deus não interessa; você jura pelo "Irmão Silviano"? ‒ Era exigir demais dela, que não teve coragem de ratificar o juramento, pois para jurar em nome do "Irmão Silviano" só se fosse inabalável verdade.

A residência de Tia Adélia era mais frequentada que o Centro Espírita. Era gente que entrava, era gente que saía, uns tomando passes, outros recebendo conselhos e orientações. Aos domingos verdadeiras filas se formavam, alguém querendo ser grato empunhava uma cesta de laranjas, um feixe de verduras; outro, uma braçada de flores, pacotes de cereais, frangos, ovos, lenha rachada, frutas etc... Guardávamos tudo. Na segunda-feira, iniciávamos a caminhada inversa dos presentes. Eram necessitados de toda sorte que iam visitá-la, e após o passe reparador, a palavra conselheira e amiga, e um agradozinho representado por ovos, frutas, legumes, flores. Tudo que vinha no domingo saía na segunda-feira, numa vivência "Dai de graça o que de graça receberdes".




[1] Os Grandes Vultos do Espiritismo – Paulo Alves Godoy

sábado, 20 de julho de 2019

EM FACE DA MORTE [1]



Joanna de Ângelis - Médium: Divaldo Pereira Franco


A mais pungente dor moral, pertinaz e profunda, é a que decorre da separação imposta pela morte física.
Nada que se lhe equipare, considerando as injunções que impõe, de tal modo que dilacera os tecidos sutis da alma.
Mesmo quando aguardada ou almejada, constitui surpresa, graças ao convite vigoroso que faz em relação à única realidade de que ninguém se pode eximir: a imortalidade!
Sorrateira, arrebata os afetos e carrega os adversários, produzindo inusitada emoção que sempre aflige, particularmente quando se trata dos amores, aos quais se tem vinculado o coração.
Enigmática, transfere os seres de um para outro estágio de vida, mas não os aniquila.
Libertação para uns, ensejando felicidade e triunfo; após as caminhadas rudes faz-se grilheta e cárcere para a consciência que se intoxicou pelos vapores da insensatez, ou que cultivou os cardos da criminalidade a que se submeteu, em demorada constrição.
Concessão divina, é incompreendida por aqueles que amam a ilusão e se arrogam a fatuidade do poder terreno.
A ninguém poupa e a todos iguala, temporariamente, para selecioná-los logo depois, através dos títulos morais de que não te rebeles ante as conjunturas da morte, que te separou, momentaneamente, do ser a quem amas.
Não será definitiva tal circunstancia.
Tem paciência e espera, preparando-te para o reencontro que logo mais se dará.
Os teus afetos te aguardam, esperançosos. Não os decepciones com a revolta ou com o desespero injustificado.
Eles vivem como também viverás.
Anteciparam-te na viagem, mas não se apartaram, realmente, de ti.
Não os vês, mas estão ao teu lado...
Se os amas, estão contigo, se os detestas, vinculam-se a ti.
Não os fixes às memórias inditosas, aos impositivos da paixão, às condições da tua dor.
Luariza a saudade, mediante a certeza de reencontrá-los.
Assim, utiliza as tuas horas disponíveis para produzir no Bem, pensando neles, orando por eles, convertendo moedas em pães, flores transitórias em reconforto para outros seres que padecem privações.
Se desejares fazer mais, coloca alguém arrancado dos braços da orfandade ou da miséria, da velhice ou da viuvez, no lugar deles, no lar, e ajuda por amor a eles.
Bendirão teu gesto e acercar-se-ão mais de ti, ajudando-te também.
Essa dor angustiante e abatedora diminui quando o amor se desdobra em direção do sofrimento humano, por afeição e gratidão dos que morreram, e vivem.
No Calvário, rompendo o silêncio dominador, à hora extrema, Jesus, antes da libertação total, fez-nos o precioso legado de entregar Sua mãe a João e este àquela, como a legislar que a mais alta expressão do amor é a doação da vida a outras vidas, por tributo de carinho à Sua vida.
Medita e enxuga o pranto da saudade, transformando-o em esperanças de felicidade porvindoura.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

SINTONIA DA ATITUDE[1]



Richard Simonetti

Segundo os princípios da Mediunidade, vivemos todos em permanente regime de permuta psíquica, sintonizados com faixas vibratórias a que nos ajustamos.
O indivíduo perturbado é alguém que sintonizou com correntes de extremo negativismo, enquanto que estará a caminho da santidade aquele que, vencidas as limitações humanas, mantiver uma sintonia positiva, em comunhão com as esferas mais altas.
O Homem, regra geral, é um ser milenarmente viciado em atitudes negativas, assimilando, assim, com lamentável frequência, vibrações tóxicas que o desajustam espiritualmente, da mesma forma que sofre constantes distúrbios digestivos quem não faz uso de alimentação adequada.
Faz parte da higiene mental, na preservação da estabilidade íntima, o esforço por eliminar elementos de sintonia negativa. Para tanto, é necessário que saibamos distinguir o que são atitudes positivas e atitudes negativas.

Se dizemos: "Oh! Meu Deus, como sou infeliz! Ninguém me compreende!" — é uma atitude negativa.
Se dissermos: "Ajuda-me, Senhor, a compreender meu semelhante!" — será uma atitude positiva.
Se dizemos: "Não perdoo!" — é uma atitude negativa.
Se dissermos: "Não há o que perdoar!" — será uma atitude positiva.
Se dizemos: "Estou exausto! Não posso!" — é uma atitude negativa.
Se dissermos: "Hei de ter forças!" — será uma atitude positiva.
Se dizemos: "Não o tolero!" — é uma atitude negativa.
Se dissermos: "Provavelmente tivemos algum desentendimento no passado e Deus fez nossos caminhos cruzarem no presente para que nos reconciliemos!" — será uma atitude positiva.
Se dizemos: "Perdi o ente caro ao meu coração! Que desgraça! Tudo acabou para mim!" — é uma atitude negativa.
Se dissermos: "Deixou o exílio terrestre e tornou à pátria comum, onde, pela graça de Deus, nos reencontraremos um dia!" — será uma atitude positiva .
Se dizemos: "O Evangelho é a Luz do Mundo, mas sou muito imperfeito para viver seus ensinamentos!" — é uma atitude negativa.
Se dissermos: "Sou muito imperfeito, mas, com a proteção de Jesus, haverei de proceder como bom cristão!" — será uma atitude positiva.
Se dizemos: "O Espiritismo proclama que fora da caridade não há salvação, mas as lutas da existência absorvem todas as minhas atenções!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Minha luta é grande, mas não me faltarão meios de confortar os que sofrem e socorrer os necessitados, na conciliação dos interesses efêmeros do mundo com os interesses eternos do Espírito!" — será uma atitude positiva.

Se costumamos comentar nossas dificuldades e dores; se o nervosismo e a irritação nos visitam com assiduidade; se bradamos aos céus pelo peso de nossa cruz, isto significa que adotamos uma atitude negativa, insatisfeitos com a posição em que a Vida nos situou, a qual, deveríamos saber, é a que melhor nos convém, porque Deus conhece nossas reais necessidades.
A vitória sobre as limitações humanas e a plena valorização das oportunidades de edificação na jornada terrestre, são apanágios dos fortes, corajosos e otimistas, que silenciam em relação às suas atribulações e males; que buscam apenas o lado bom das pessoas; que se empolgam pela oportunidade de serem úteis e se esforçam em cumprir os ensinamentos cristãos.
Estes vivem positivamente e sintonizam com o Alto, no caminho de nobres realizações.
Raros, na Terra, desenvolvem esta capacidade em toda a sua plenitude, mas, quando tal acontece, surge um Francisco de Assis, a distribuir luzes e bênçãos, espírito de extraordinária positividade, que finalizava sua oração dizendo:
"Divino Mestre! Permiti que eu não procure tanto ser consolado quanto consolar; ser compreendido quanto compreender; ser amado quanto amar. Porque é dando que recebemos; perdoando é que somos perdoados, e é morrendo que nascemos para a Vida Eterna".

quinta-feira, 18 de julho de 2019

SIMPATIA[1]



Miramez

Dois seres que se conhecem e se amam, podem se encontrar em uma outra existência corporal e se reconhecerem?
‒ Reconhecer-se, não; mas, ser atraído um para o outro, sim. Frequentemente, essas ligações íntimas fundadas sobre uma afeição sincera, não têm outra causa. Dois seres se aproximam, um do outro, por circunstâncias aparentemente fortuitas, mas que são o fato da atração de dois Espíritos que se procuram na multidão.
Não seria mais agradável, para eles, se reconhecerem?
‒ Nem sempre; a lembrança de existências passadas teria inconvenientes maiores do que acreditais. Depois da morte, eles se reconhecerão e saberão o tempo que passaram juntos.
Questão 386/Livro dos Espíritos

A simpatia entre dois seres é força poderosa que se enraíza em vidas passadas. Certamente que nem todos reconhecem seus parceiros de outras existências, no entanto, há criaturas mais dotadas de sensibilidades que percebem amigos e inimigos de épocas recuadas. Se juntos foram felizes, dá-lhes um grande prazer esse reencontro; quando infelizes, gera-se logo antipatia entre os dois.
A perda de conhecimento às vezes é um aparo para os dois em processo de novas atividades, sem o qual não poderiam crescer, voltando ao ponto anterior, fomentando suas paixões descabidas e, às vezes, perturbando famílias já constituídas. O reconhecimento pleno dos seres que antes viveram juntos entravaria o progresso. Se fosse conveniente, eles voltariam juntos; no entanto, não poderemos generalizar. Quando Deus acha bom, coloca os dois em caminho para que se encontrem, desde quando os frutos desse encontro sejam bons, não como pensamos, mas como o Senhor acha melhor. A Doutrina dos Espíritos é fonte de amor.
Ela nos ensina a fazer simpatias enobrecidas no Evangelho de Jesus, e é capaz de nos mostrar o amor nas bases da fraternidade pura, de modo a libertar as criaturas das induções inferiores. A simpatia entre dois seres é tão agradável, e é um estimulo para o seu adiantamento, quando eles descobrem no reencontro a razão de viver para Cristo.
O ideal de Deus para os homens é melhorar e subir, conhecendo a verdade. Se fomos feitos simples e ignorantes, isso não quer dizer que não tenhamos a semente da perfeição na nossa intimidade; ela existe dormindo em nós, para ser despertada com o tempo e o nosso esforço, agindo sob as bênçãos de Deus, que usa o canal divino das mãos de Jesus Cristo.
Cultivemos a simpatia onde quer que formos; desfaçamos todas as inimizades, por onde passarmos. Nessa transformação de paixões para a vida de amor é que a felicidade aparece no fundo da consciência. Mais tarde, o ódio, a inveja, o ciúme e o egoísmo, como também o orgulho, deverão desaparecer das cogitações humanas. A geração do porvir chegará à Terra já predisposta a esse esquecimento do mal, para edificar o bem com Jesus.
Quando dois seres se sentirem atraídos um para o outro, devem meditar nessa atração, e cuidar para que esse encontro seja realmente para o bem dos seus destinos. Assim também, ao encontramos alguém que nos instile o ódio, não percamos a oportunidade de fazer-lhe o bem que pudermos, pois essa antipatia é sinal de inimizade no passado. Toda incompatibilidade deve aparecer dos caminhos dos Espíritos, encarnados ou fora da carne.
Depois desse trabalho de perdão, devemos abrir os corações para que sejam invadidos pela força da fraternidade, que nos fará irmãos ante a presença de Deus, na figura de Jesus.
O reconhecimento total das simpatias e das antipatias somente se dá quando se encontrarem novamente no mundo espiritual. Sentirão, ali, a felicidade, se souberam educar seus sentimentos e perdoar as ofensas. Qualquer esforço nesse sentido é louvável, porque mãos espirituais se encontram em torno de todas as criaturas, ajudando-as a melhorar.
Não devemos esquecer de amar a Deus sobre todas as coisas, mas também ao próximo como a nós mesmos. Diz Jesus que aí esta a lei os profetas.




[1] Filosofia Espírita – Volume 8 – João Nunes Maia

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Cientistas sonham com internet dos pensamentos[1]



Com informações da Frontiers in Neuroscience - 06/05/2019

Interface cérebro humano/nuvem
Imagine uma tecnologia que forneça acesso instantâneo ao conhecimento acumulado pela humanidade e à inteligência artificial para analisá-lo, simplesmente pensando em um tópico ou questão específica. Comunicações, educação, trabalho e o mundo como o conhecemos seriam transformados.
É nisto que está pensando uma colaboração internacional liderada por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley e do Instituto de Manufatura Molecular dos Estados Unidos.
Nuno Martins e seus colegas preveem que o progresso exponencial em nanotecnologia, nanomedicina, inteligência artificial e computação levará ao desenvolvimento, ainda neste século, de uma "interface cérebro humano/nuvem", ou IC/N, que irá conectar neurônios e sinapses no cérebro a vastas redes de computação em nuvem em tempo real.

Nanorrobôs
O conceito IC/N (interface cérebro/nuvem) foi inicialmente proposto pelo futurólogo-autor-inventor Ray Kurzweil, que sugeriu que nanorrobôs neurais ‒ ideia de Robert Freitas, coordenador deste novo estudo ‒ poderiam ser usados para conectar o neocórtex do cérebro humano a um "neocórtex sintético" na nuvem.
Os nanorrobôs neurais propostos por Freitas forneceriam monitoramento e controle direto e em tempo real dos sinais que chegam e saem das células cerebrais ‒ ele também propôs nanorrobôs para substituir o sangue humano.
"Esses dispositivos navegariam na vasculatura humana, atravessariam a barreira hematoencefálica e se autoposicionariam com precisão entre, ou mesmo dentro, das células cerebrais", detalha Freitas. "Eles então transmitiriam sem fios informações codificadas de e para uma rede de supercomputadores baseada em nuvem para monitoramento do estado cerebral e extração de dados em tempo real".
Ainda não é telepatia, mas estamos chegando lá.

A internet dos pensamentos
Um "córtex na nuvem" permitiria o download de informações ao estilo Matrix para o cérebro, afirma o grupo.
"Um sistema IC/N [interface cérebro/nuvem] mediado por nanorrobótica neural poderia capacitar os indivíduos com acesso instantâneo a todo o conhecimento humano cumulativo disponível na nuvem, ao mesmo tempo em que melhoraria significativamente as capacidades de aprendizagem e inteligência humanas", defende o Dr. Nuno Martins.
A tecnologia também poderia nos permitir criar um futuro "supercérebro global" para conectar redes de cérebros humanos individuais e inteligências artificiais para possibilitar o pensamento coletivo.
"Embora ainda não seja particularmente sofisticado, um sistema humano experimental 'BrainNet' já foi testado, permitindo a troca de informações orientada pelo pensamento através da nuvem entre cérebros individuais. Ele usava sinais elétricos registrados através do crânio de 'remetentes', e estimulação magnética através do crânio de 'receptores', permitindo a execução de tarefas cooperativas.
Com o avanço da neural-nanorrobótica, vislumbramos a futura criação de 'supercérebros' que possam usar os pensamentos e o poder de pensar de qualquer número de humanos e máquinas em tempo real. Essa cognição compartilhada poderia revolucionar a democracia, melhorar a empatia e, em última instância, unir grupos em uma sociedade verdadeiramente global", sonha Martins.

Quando poderemos nos conectar?
Um dos gargalos nesse exercício de futurologia parece ser a transferência de dados neurais de/e para supercomputadores na nuvem.
Uma solução proposta pelos autores é o uso de "nanopartículas magnetoelétricas" para efetivamente amplificar a comunicação entre os neurônios e a nuvem.
"Essas nanopartículas já foram usadas em camundongos vivos para acoplar campos magnéticos externos a campos elétricos neuronais ‒ isto é, para detectar e amplificar localmente esses sinais magnéticos e assim permitir alterar a atividade elétrica dos neurônios", explica Martins. "Isso também poderia funcionar ao contrário: sinais elétricos produzidos por neurônios e nanorrobôs poderiam ser amplificados, via nanopartículas magnetoelétricas, para permitir sua detecção fora do crânio".
Colocar essas nanopartículas ‒ e os nanorrobôs ‒ com segurança dentro do cérebro humano através da circulação, contudo, é talvez o maior desafio dentre todos para viabilizar a interface cérebro/nuvem.
"Uma análise detalhada da biodistribuição e da biocompatibilidade das nanopartículas é necessária antes que elas possam ser consideradas para o desenvolvimento humano. No entanto, com estas e outras tecnologias promissoras para a IC/N se desenvolvendo a taxas cada vez maiores, uma 'internet dos pensamentos' pode se tornar uma realidade antes da virada do século," antevê Martins.

Bibliografia:
Artigo: Human Brain/Cloud Interface
Autores: Nuno R. B. Martins, Amara Angelica, Krishnan Chakravarthy, Yuriy Svidinenko, Frank J. Boehm, Ioan Opris, Mikhail A. Lebedev, Melanie Swan, Steven A. Garan, Jeffrey V. Rosenfeld, Tad Hogg, Robert A. Freitas Jr.
Revista: Frontiers in Neuroscience
DOI: 10.3389/fnins.2019.00112