terça-feira, 27 de setembro de 2022

OBSEDIADOS E SUBJUGADOS[1]

 

Allan Kardec

 

Muito se tem falado dos perigos do Espiritismo. Entretanto, é de notar-se que aqueles que mais gritaram são precisamente os que só o conhecem de nome. Já refutamos os principais argumentos que lhe opuseram, de tal forma que a eles não mais retornaremos; acrescentaremos somente que, se quiséssemos proscrever da sociedade tudo quanto possa oferecer perigo e dar margem a abuso, não saberíamos ao certo o que haveria de restar, mesmo em relação às coisas de primeira necessidade, a começar pelo fogo, causa de tantas desgraças; as estradas de ferro, em seguida etc. Se admitirmos que as vantagens compensam os inconvenientes, o mesmo raciocínio se aplica a tudo o mais: assim o indica a experiência, à medida que tomamos certas precauções para nos subtrairmos aos perigos que não podemos evitar.

Realmente, o Espiritismo representa um perigo real; de modo algum, porém, aquele que se supõe: é preciso que se seja iniciado nos princípios da ciência para bem compreendê-lo. Não nos dirigimos absolutamente àqueles que lhe são estranhos, mas aos próprios adeptos, aos que o praticam, visto ser para eles que o perigo existe. Importa que o conheçam, a fim de se porem em guarda: perigo previsto, já se sabe, é perigo pela metade. Diremos mais: para quem quer que esteja instruído na ciência, não há perigo; só existe para os que julgam saber e nada sabem, isto é, para os que não possuem a necessária experiência, como só acontece em todas as coisas.

Um desejo muito natural em todos aqueles que começam a se ocupar do Espiritismo é ser médium, principalmente médium de psicografia. Sem dúvida é o gênero que oferece mais atração, em virtude da facilidade das comunicações, e por ser o que melhor se desenvolve pelo exercício. Compreende-se a satisfação que deve experimentar aquele que, pela primeira vez, vê a própria mão formar letras, depois palavras, depois frases que respondem aos seus pensamentos. Essas respostas, que traça maquinalmente, sem saber o que faz e que, no mais das vezes, estão fora de toda ideia pessoal, não lhe podem deixar nenhuma dúvida quanto à intervenção de uma inteligência oculta. Assim, grande é a sua alegria de poder se entreter com os seres de além túmulo, com esses seres misteriosos e invisíveis que povoam os espaços; seus parentes e amigos já não se acham ausentes; se não os vê com os olhos, nem por isso deixam de ali estar; conversam com ele, e ele os vê pelo pensamento; pode saber se são felizes, o que fazem, o que desejam e com eles trocar boas palavras; compreende que entre eles a separação não é eterna e acelera, com seus votos, o instante em que poderão reunir-se num mundo melhor. Isso não é tudo: quanto não vai saber por meio dos Espíritos que se comunicam com ele! Não irão levantar o véu de todas as coisas? Desde então, nada mais de mistérios; não tem senão que interrogar, para tudo ficar sabendo. À sua frente, já vê a Antiguidade sacudir a poeira dos tempos, revolver as ruínas, interpretar as escrituras simbólicas e fazer reviver aos seus olhos os séculos que se foram. Outro, mais prosaico, e menos preocupado em sondar o infinito onde seu pensamento se perde, simplesmente sonha em explorar os Espíritos para fazer fortuna. Os Espíritos, que devem ver tudo e tudo saber, não podem recusar fazer-lhe descobrir algum tesouro oculto ou algo secreto e maravilhoso. Quem quer que se dê ao trabalho de estudar a ciência espírita não se deixará jamais seduzir por esses belos sonhos; sabe a que se ater sobre o poder dos Espíritos, sua natureza e o objetivo das relações que com eles pode o homem estabelecer. Recordemos, primeiro, em poucas palavras, os pontos principais, que jamais devem ser perdidos de vista, porque são como que a pedra angular do edifício.

1º Os Espíritos não são iguais nem em poder, nem em conhecimento, nem em sabedoria. Nada mais sendo que as almas dos homens, desembaraçadas de seu invólucro corporal, apresentam variedade ainda maior do que as encontradas entre os homens na Terra, visto procederem de todos os mundos e porque entre os mundos o nosso planeta não é o mais atrasado, nem o mais avançado. Há, pois, Espíritos muito superiores, e outros bastante inferiores; muito bons e muito maus, muito sábios e muito ignorantes; há os levianos, malévolos, mentirosos, astuciosos, hipócritas, engraçados, espirituosos, zombeteiros etc.

2º Estamos incessantemente cercados por uma multidão de Espíritos que, por serem invisíveis aos nossos olhos materiais, nem por isso deixam de estar no espaço, ao redor de nós, ao nosso lado, espiando nossas ações, lendo os nossos pensamentos, uns para nos fazerem o bem, outros para nos induzirem ao mal, conforme sejam bons ou maus.

3º Pela inferioridade física e moral de nosso globo na hierarquia dos mundos, os Espíritos inferiores são aqui mais numerosos que os superiores.

4º Entre os Espíritos que nos rodeiam, há os que se vinculam a nós, que agem mais particularmente sobre o nosso pensamento, aconselham-nos, e cujo impulso seguimos sem o saber. Felizes se escutarmos somente a voz dos bons.

5º Os Espíritos inferiores não se ligam senão aos que os ouvem, junto aos quais têm acesso e aos quais se prendem. Caso consigam estabelecer domínio sobre alguém, identificam-se com o seu próprio Espírito, fascinam-no, obsediam-no, subjugam-no e o conduzem como se fosse uma verdadeira criança.

6º A obsessão jamais se dá senão pelos Espíritos inferiores. Os Espíritos bons não causam nenhum constrangimento; aconselham, combatem a influência dos maus e, se não são ouvidos, afastam-se.

7º O grau de constrangimento e a natureza dos efeitos que produz marcam a diferença entre a obsessão, a subjugação e a fascinação.

A obsessão é a ação quase permanente de um Espírito estranho, que faz com que a vítima seja induzida, por uma necessidade incessante, a agir nesse ou naquele sentido, a fazer tal ou qual coisa.

A subjugação é uma opressão moral que paralisa a vontade daquele que a sofre, impelindo-o às mais despropositadas ações e, frequentemente, àquelas que mais contrariam os seus interesses.

A fascinação é uma espécie de ilusão, ora produzida pela ação direta de um Espírito estranho, ora por seus raciocínios capciosos, ilusão que altera o senso moral, falseia o julgamento e faz tomar o mal pelo bem.

8º Por sua vontade, pode o homem livrar-se sempre do jugo dos Espíritos imperfeitos, porque, em virtude de seu livre-arbítrio, tem a escolha entre o bem e o mal. Se o constrangimento chegou a ponto de paralisar a vontade, e se a fascinação é bastante grande para obliterar a razão, a vontade de uma outra pessoa pode substituí-la.

Outrora se dava o nome de possessão ao império exercido pelos Espíritos maus, quando sua influência ia até à aberração das faculdades. Mas a ignorância e os preconceitos muitas vezes fizeram tomar por possessão o que não resultava senão de um estado patológico. Para nós, a possessão seria um sinônimo de subjugação. Se não adotamos esse termo, foi por dois motivos: primeiro, porque implica a crença em seres criados e votados perpetuamente ao mal, enquanto apenas existem seres mais ou menos imperfeitos e todos podem melhorar; segundo, porque pressupõe igualmente a ideia de tomada de posse do corpo por um Espírito estranho, uma espécie de coabitação, quando só há constrangimento. A palavra subjugação traduz perfeitamente esse pensamento. Dessa forma, para nós, não existem possessos no sentido vulgar do termo, mas tão-somente obsediados, subjugados e fascinados[2].

Foi por motivo semelhante que não adotamos a palavra demônio para designar os Espíritos imperfeitos, embora muitas vezes esses Espíritos não valham mais que aqueles que chamamos demônios; foi unicamente por causa da ideia de especialidade e de perpetuidade que se liga a esse vocábulo. Assim, quando dizemos que não há demônios, não pretendemos afirmar que só haja Espíritos bons; longe disso; sabemos perfeitamente que os há maus e muito maus, que nos impelem para o mal, que nos estendem armadilhas, nada havendo nisso de espantoso, visto que foram homens. Queremos dizer que eles não formam uma classe à parte na ordem da Criação, e que Deus deixa a todas as criaturas o poder de se melhorarem.

Bem entendido isto, voltemos aos médiuns. Em alguns o progresso é lento, bastante lento mesmo, muitas vezes submetendo a paciência a uma rude prova. Noutros esse progresso é rápido e, em pouco tempo, chega o médium a escrever com tanta facilidade e, algumas vezes, com mais presteza do que o faria em seu estado habitual. É então que pode tomar-se de entusiasmo e é exatamente nisso que está o perigo, porquanto o entusiasmo enfraquece e com os Espíritos é preciso ser forte. Parece um paradoxo dizer que o entusiasmo enfraquece, nada havendo, porém, de mais verdadeiro. Dir-se-á que o entusiasta marcha com uma convicção e uma confiança que lhe permitem superar todos os obstáculos; portanto, tem mais força. Sem dúvida; contudo, tanto nos entusiasmamos pelo falso quanto pelo verdadeiro; apegai-vos às mais absurdas ideias do entusiasta e delas fareis tudo o que quiserdes; o objeto de seu entusiasmo é, pois, seu lado fraco e por aí poderão sempre dominá-lo. O homem frio e impassível, ao contrário, vê as coisas sem se deixar enganar: combina, pesa, amadurece e não é seduzido por nenhum subterfúgio; é isso que lhe dá força. Os Espíritos malévolos, que sabem disso tão bem ou mais do que nós, também sabem empregá-lo em seu proveito para subjugar aqueles que desejam manter sob sua dependência; e a faculdade de escrever como médium lhes serve maravilhosamente, visto ser um meio poderoso de captar a confiança, da qual se aproveitam se não mantemos a necessária vigilância. Felizmente, como veremos mais tarde, o próprio mal traz em si o remédio.

Seja por entusiasmo, por fascinação dos Espíritos, ou por amor-próprio, em geral o médium psicógrafo é levado a crer que são superiores aos Espíritos que com ele se comunicam, sobretudo quando tais Espíritos, aproveitando-se dessa presunção, adornam-se de títulos pomposos, tomando nomes de santos, de sábios, de anjos e da própria Virgem Maria, conforme a necessidade e segundo as circunstâncias. E, para desempenhar seu papel de comediantes, chegam até mesmo a portar a indumentária extravagante das personagens que representam. Tirai suas máscaras e vereis que se transformam no que sempre foram: ilustres desconhecidos; é o que necessariamente devemos fazer, tanto com os Espíritos, quanto com os homens.

Da crença cega e irrefletida na superioridade dos Espíritos que se comunicam, à confiança em suas palavras não há senão um passo; é o que também acontece entre os homens. Se conseguirem inspirar essa confiança, haverão de sustentá-la por meio de sofismas e dos mais capciosos raciocínios, perante os quais frequentemente inclinamos a cabeça. Os Espíritos grosseiros são menos perigosos: reconhecemo-los imediatamente e só inspiram repugnância. Os mais temíveis, em seu mundo, como no nosso, são os Espíritos hipócritas: falam sempre com doçura, lisonjeando as mentes predispostas; são meigos, aduladores, pródigos em expressões de ternura e em protestos de devotamento. É preciso ser realmente forte para resistir a semelhantes seduções. Mas, direis, onde estaria o perigo, desde que os Espíritos são impalpáveis? O perigo está nos conselhos perniciosos que dão, aparentemente benévolos, e nos passos ridículos, intempestivos ou funestos a que somos induzidos. Já vimos alguns Espíritos fazerem com que certas pessoas corressem de país em país, à procura das coisas mais fantásticas, sob o risco de comprometerem a saúde, a fortuna e a própria vida. Vimo-los ditar, com toda aparência de gravidade, as coisas mais burlescas, as máximas mais estranhas. Como convém dar o exemplo ao lado da teoria vamos relatar a história de uma pessoa do nosso conhecimento que se encontrou sob o império de uma fascinação semelhante.

O Sr. F..., rapaz instruído, de esmerada educação, de caráter suave e benevolente, mas um pouco fraco e indeciso, tornou-se hábil médium psicógrafo com bastante rapidez. Obsidiado pelo Espírito que dele se apoderou e não lhe dava sossego, escrevia sem parar. Desde que uma pena, ou um lápis, lhe caíam à mão, ele os tomava num movimento convulsivo e se punha a preencher páginas inteiras em poucos minutos. Na falta de instrumento, simulava escrever com o dedo, onde quer que se encontrasse: na rua, nas paredes, nas portas etc. Entre outras coisas que lhe ditaram havia estas:

O homem é composto de três coisas: o homem, o Espírito bom e o Espírito mau. Todos vós tendes vosso Espírito mau, que está ligado ao corpo por laços materiais. Para expulsar o Espírito mau é necessário romper esses laços e, para isso, é preciso enfraquecer o corpo. Quando este se encontra suficientemente enfraquecido, o laço se parte e o Espírito mau o abandona, permanecendo apenas o bom.

Em consequência dessa bela teoria, fizeram-no jejuar durante cinco dias consecutivos e velar à noite. Quando ficou extenuado, disseram-lhe:

Agora a coisa está feita e o laço rompido; teu Espírito mau partiu e ficamos apenas nós, em quem deves crer sem reserva.

E ele, persuadido de que seu Espírito mal havia fugido, acreditava cegamente em todas as suas palavras. A subjugação havia chegado a tal ponto que, se lhe tivessem dito para lançar-se na água ou para dar cambalhotas, ele o teria feito. Quando queriam levá-lo a fazer qualquer coisa que lhe repugnava, sentia-se arrastado por uma força invisível. Damos uma amostra de sua moral; por ela se julgará o resto.

Para obter melhores comunicações, é necessário orar e jejuar durante vários dias, uns mais, outros menos; o jejum enfraquece os laços que existem entre o eu e um demônio particular ligado a cada ser humano. Esse demônio está ligado a cada pessoa pelo envoltório que une o corpo e a alma. Enfraquecido pela ausência de nutrição, o envoltório permite que os Espíritos arranquem aquele demônio. Então Jesus desce ao coração da pessoa possessa, em lugar do Espírito mau. Esse estado de possuir Jesus em si é o único meio de alcançar toda a verdade e muitas outras coisas.

Quando a pessoa conseguiu substituir o demônio por Jesus, ainda não possui a verdade. Para tê-la, é preciso crer; Deus jamais dá a verdade aos que duvidam: seria fazer algo inútil e Deus nada faz em vão. Como a maior parte dos médiuns novatos duvida do que diz ou escreve, os Espíritos bons são forçados, lamentavelmente e por ordem formal de Deus, a mentir, e não podem senão mentir enquanto o médium não esteja convencido; mas, vindo a crer firmemente numa dessas mentiras, os Espíritos elevados se apressam em desvelar-lhe os segredos do céu: a verdade completa dissipa num instante essa nuvem de erros com que tinham sido forçados a envolver seu protegido.

Chegado a esse ponto, nada mais tem o médium a temer; os Espíritos bons jamais o deixarão. Todavia, que não creia ter sempre a verdade, e nada mais que a verdade. Seja para o experimentar, seja para o punir de suas faltas passadas, seja ainda para o castigar por perguntas egoístas ou curiosas, infligindo-lhe correções físicas e morais, os Espíritos bons vêm atormentá-lo por ordem de Deus. Muitas vezes esses Espíritos elevados se queixam da triste missão que desempenham: um pai persegue o filho durante semanas inteiras, um amigo ao seu amigo, tudo para maior felicidade do médium. Então os nobres Espíritos dizem loucuras, blasfêmias e até torpezas. É necessário que o médium se obstine e diga: Vós me tentais; sei que me encontro entre mãos caridosas de Espíritos ternos e afetuosos; que os maus já não podem aproximar-se de mim. Boas almas, que me atormentais, não me impedireis de crer no que me dissestes e no que ainda havereis de dizer-me.

Os católicos expulsam mais facilmente o demônio [esse jovem médium era protestante] porque por um instante ele se afastou no dia do batismo. Os católicos são julgados pelo Cristo e os outros por Deus; é preferível ser julgado pelo Cristo. Erram os protestantes em não admitir isso: assim, é necessário que te tornes católico o mais cedo possível; enquanto esperas, vai tomar água benta: será o teu batismo.

O jovem em questão, tendo sido curado mais tarde da obsessão de que era vítima, por meios que relataremos, havíamos pedido a ele que nos escrevesse essa história e nos fornecesse o próprio texto dos preceitos que lhe haviam sido ditados. Transcrevendo-os, acrescentou na cópia que nos remeteu:

Questiono-me se não ofendo a Deus e aos Espíritos bons, transcrevendo semelhantes tolices.

A isto lhe respondemos:

Não; não ofendeis a Deus; longe disso, porque agora reconheceis a armadilha na qual havíeis tombado. Se vos pedi a cópia dessas máximas perversas, foi para difamá-las como bem o merecem, desmascarar os Espíritos hipócritas e alertar quem quer que receba coisa semelhante.

Um dia farão com que escreva: Morrerás esta noite, ao que ele responderá:

– Sinto-me bastante aborrecido neste mundo; morramos, se preciso for, não peço nada melhor; que eu não sofra mais: é tudo quanto desejo.

À noite adormece, acreditando piamente não mais despertar na Terra. No dia seguinte ficará muito surpreendido e até mesmo desapontado de se achar em seu leito habitual. Durante o dia escreve:

– Agora que passaste pela prova da morte, que acreditaste firmemente que ias morrer, estás como morto para nós; poderemos dizer-te toda a verdade; saberás tudo; nada haverá de oculto para nós; nada haverá de oculto para ti. És Shakespeare reencarnado. Shakespeare não é tua Bíblia? [O Sr. F... conhece perfeitamente o inglês e se compraz na leitura das obras-primas dessa língua].

No dia seguinte escreve:

– Tu és Satã.

– Isso começa a ficar muito forte, responde o Sr. F...

– Não fizeste... não devoraste o paraíso perdido? Aprendeste a Fille du diable, de Béranger; sabias que Satã se converteria: não o acreditaste sempre, não afirmavas sempre, não escrevias sempre? Para converter-se ele se reencarna.

– Bem que eu gostaria de ter sido um anjo rebelde qualquer; mas o rei dos anjos...!

– Sim, eras o anjo da altivez; não és mau, tens um coração orgulhoso e é esse orgulho que é preciso abater; és o anjo do orgulho, que os homens chamam Satã, não importa o nome! Foste o gênio mau da Terra. Eis-te humilhado... Os homens progredirão... Verás maravilhas. Enganaste os homens; enganaste a mulher na personificação de Eva, a mulher pecadora. Está dito que Maria, a personificação da mulher sem mácula, esmagar-te-á a cabeça. Maria vai chegar.

Um instante depois ele escreveu lentamente e com doçura:

– Maria vem ver-te; Maria, que foi buscar-te no fundo de teu reino de trevas, não te abandonará. Levanta-te, Satã; Deus está pronto para te estender os braços. Lê O Filho Pródigo. Adeus.

Em outra ocasião ele escreveu:

– Disse a serpente a Eva: Vossos olhos abrir-se-ão e sereis como os deuses. O demônio disse a Jesus: Dar-te-ei todo o poder. A ti eu digo, pois acreditas em nossas palavras: nós te amamos; tu serás tudo... Serás o rei da Polônia.

– Persevera nas boas disposições em que te colocamos. Esta lição fará a ciência espírita dar um grande passo. Ver-se-á que os Espíritos bons podem dizer futilidades e mentiras para se divertirem com os sábios. Disse Allan Kardec que um meio inadequado de reconhecer os Espíritos era fazê-los confessar Jesus em carne. Eu digo que somente os Espíritos bons confessam Jesus em carne e eu o confesso. Dize isso a Kardec.

Entretanto, o Espírito teve o pudor de não aconselhar o Sr. F... a imprimir essas belas máximas. Se o tivesse feito, por certo ele obedeceria, o que teria sido uma péssima ação, porquanto o Sr. F... as teria considerado como coisa séria.

Encheríamos um volume com todas as tolices que lhe foram ditadas e com todas as circunstâncias que se seguiram. Entre outras coisas, fizeram-no desenhar um edifício, cujas dimensões eram de tal monta que as folhas de papel, coladas umas às outras, ocupariam a altura de dois pavimentos.

Notar-se-á que em tudo isso nada há de grosseiro, nem de trivial; é uma série de raciocínios sofísticos que se encadeiam com uma aparência de lógica. Nos meios empregados para o seduzir há uma arte verdadeiramente infernal e, se nos tivesse sido possível relatar todas essas comunicações, ver-se-ia até que ponto era levada a astúcia, e com que habilidade para isso eram empregadas palavras melífluas.

O Espírito que representava o principal papel nesse caso dava o nome de François Dillois, quando não se cobria com a máscara de um nome respeitável. Mais tarde soubemos o que em vida houvera sido esse tal Dillois e, desde então, nada mais nos surpreendeu em sua linguagem. Todavia, no meio de todas essas extravagâncias, era fácil reconhecer um Espírito bom que lutava, fazendo de quando em quando ouvir algumas palavras boas para desmentir os absurdos do outro; havia, evidentemente, um combate, mas a luta era desigual; o moço estava de tal forma subjugado, que sobre ele era impotente a voz da razão. O Espírito de seu pai fez-lhe escrever especialmente isso:

Sim, meu filho, coragem! Sofres uma rude prova que será para o teu bem, no futuro; infelizmente, neste momento, nada posso fazer para te libertar e isto me custa bastante. Vai ver Allan Kardec; escuta-o; ele te salvará.

Realmente, o Sr. F... veio procurar-me e contou-me sua história. Fiz com que escrevesse diante de mim e, desde logo reconheci a influência perniciosa sob a qual se achava submetido, seja pelas palavras, seja por certos sinais materiais que a experiência dá a conhecer e que não nos podem enganar.

Voltou diversas vezes; empreguei toda a minha força de vontade para chamar os Espíritos bons por seu intermédio, toda a minha retórica para provar-lhe que era vítima de Espíritos detestáveis; que aquilo que escrevia não tinha o menor sentido e, além disso, era profundamente imoral. Para essa obra de caridade associei-me a um de meus companheiros mais devotados, o Sr. T..., e aos poucos conseguimos fazer com que escrevesse coisas sensatas. Tomou seu mau gênio em aversão, repelindo-o voluntariamente toda vez que tentava manifestar-se e, pouco a pouco, apenas os Espíritos bons prevaleceram. Para renunciar às suas ideias, e seguindo conselhos dos Espíritos, entregou-se completamente a um rude trabalho, que não lhe deixava tempo para ouvir as sugestões más.

O próprio Dillois acabou por confessar-se vencido, exprimindo o desejo de melhorar-se numa nova existência; confessou o mal que tinha tentado fazer e deu demonstrações de arrependimento. A luta foi longa, penosa, e ofereceu particularidades realmente curiosas para o observador. Hoje, o Sr. F... sente-se libertado e é feliz; parece que se livrou de um fardo. Recuperou a alegria e nos agradece pelo serviço que lhe prestamos.

Algumas pessoas deploram que haja Espíritos maus. De fato, não é sem um certo desencanto que encontramos a perversidade neste mundo, onde só gostaríamos de encontrar seres perfeitos. Desde que as coisas são assim, nada podemos fazer: é preciso aceita-las como são. É a nossa própria inferioridade que faz com que os Espíritos imperfeitos pululem à nossa volta; as coisas mudarão quando nos tornarmos melhores, como já ocorreu nos mundos mais adiantados. Enquanto esperamos, e considerando que nos achamos ainda nas regiões mais inferiores do universo moral, somos advertidos: cabe-nos, então, pôr-nos em guarda e não aceitar, sem controle, tudo quanto nos dizem os Espíritos. Ao esclarecer-nos, a experiência nos torna circunspectos. Ver e compreender o mal é uma maneira de nos preservarmos contra ele. Não haveria perigo muito maior em nos deixarmos iludir quanto à natureza dos Espíritos que nos rodeiam? O mesmo acontece aqui, onde estamos expostos diariamente à malevolência e às sugestões pérfidas; são outras tantas provas, às quais a nossa razão, a nossa consciência e o nosso julgamento nos fornecerão os meios de resistir. Quanto mais difícil for a luta, maior será o mérito do sucesso: Quem vence sem perigo triunfa sem glória.

Essa história, que infelizmente não é a única do nosso conhecimento, levanta uma questão muito grave. Não terá sido, para esse rapaz, um aborrecimento muito grande o haver sido médium? Não foi essa faculdade a causa da obsessão de que foi vítima? Numa palavra, não será uma prova do perigo das comunicações espíritas? Nossa resposta é fácil, e pedimos que nela meditem cuidadosamente.

Não foram os médiuns que criaram os Espíritos, já que estes sempre existiram e em todas as épocas têm exercido sua influência, salutar ou perniciosa, sobre os homens. Para isso, pois, não é necessário ser médium. Para eles a faculdade mediúnica nada mais é do que um meio de se manifestarem; na ausência de tal faculdade, eles o fazem de mil outras maneiras. Se esse moço não fosse médium, nem por isso deixaria de sofrer a influência desse Espírito mau que, sem dúvida, fá-lo-ia cometer extravagâncias que teriam atribuído a outras causas. Felizmente, para ele, a sua faculdade de médium permitiu ao Espírito que se comunicasse por palavras, e foi por estas que o Espírito se traiu; elas permitiram conhecer as raízes de um mal que poderia ter tido consequências funestas e que, como se viu, nós a destruímos por meios bem simples, bem racionais e sem exorcismos. A faculdade mediúnica permitiu ver o inimigo face a face, se assim nos podemos exprimir, e de o combater com suas próprias armas. Pode-se, pois, dizer com inteira certeza que foi ela que o salvou; quanto a nós, fomos apenas o médico que, tendo julgado a causa do mal, aplicamos o remédio. Seria grave erro acreditar que os Espíritos somente exercem sua influência através de comunicações escritas ou verbais; essa influência se dá em todos os momentos e a ela, tanto quanto os outros, estão expostos aqueles que não creem nos Espíritos: estes, talvez, mais expostos ainda, pelo próprio fato de a ignorarem. A quantos atos, infelizmente, não somos impelidos, e que teriam sido evitados se tivéssemos tido um meio de nos esclarecermos! Os mais incrédulos não se dão conta de que dizem uma verdade quando afirmam, a propósito de um homem que se desencaminha com obstinação: É o seu mau gênio que o empurra para a perdição.

Regra geral – Quem quer que obtenha más comunicações espíritas, escritas ou verbais, está submetido a uma má influência; tal influência se exerce sobre aquele que escreve, ou não, isto é, seja ou não médium. A escrita proporciona um meio de nos assegurarmos da natureza dos Espíritos que agem sobre ele e de os combater, o que se faz ainda com maior sucesso quando conseguimos saber o motivo que os levam a agir. Se for bastante cego para não o compreender, outros poderão abrir-lhe os olhos. Aliás, precisa-se ser médium para escrever coisas absurdas? E quem garante que entre todas essas elucubrações ridículas ou perigosas não haverá algumas cujos autores são impelidos por Espíritos malévolos? Três quartas partes de nossas ações más e de nossos maus pensamentos representam o fruto dessa sugestão oculta.

Perguntarão se teríamos feito cessar a obsessão, caso o Sr. F... não fosse médium! Certamente; apenas os meios teriam diferido, conforme as circunstâncias; mas, então, os Espíritos não o teriam enviado a nós, como o fizeram, e é provável que a causa tivesse sido levada em consideração, desde que não havia manifestação espírita ostensiva. Todo homem de boa vontade, e que é simpático aos Espíritos bons, com o auxílio destes poderá sempre neutralizar a influência dos maus. Dizemos que deve ser simpático aos Espíritos bons, porque se ele próprio atrai os inferiores, é evidente que não se caça lobo com lobo.

Em resumo, o perigo não está propriamente no Espiritismo, visto que ele pode, ao contrário, servir de controle, preservando-nos daquilo a que somos arrastados, mau grado nosso; o perigo está na propensão de certos médiuns que, muito levianamente, se julgam instrumentos exclusivos dos Espíritos superiores, e na espécie de fascinação que não os deixa compreender as tolices de que são intérpretes. Mesmo aqueles que não são médiuns podem ser levados a isso. Encerraremos este capítulo com as seguintes considerações:

1º Todo médium deve desconfiar da compulsão irresistível que o leva a escrever sem cessar e nos momentos mais inoportunos; deve ser senhor de si mesmo e escrever somente quando o desejar;

2º Não dominamos os Espíritos superiores, nem mesmo os que, sem ser superiores, são bons e benévolos, mas podemos dominar e domar os Espíritos inferiores. Todo aquele que não é mestre de si não o poderá ser dos Espíritos;

3º O único critério para discernirmos o valor dos Espíritos é o bom-senso. Qualquer fórmula, dada a esse fim pelos próprios Espíritos, é absurda e não pode emanar de Espíritos superiores;

4º Como os homens, os Espíritos são julgados pela sua linguagem. Toda expressão, todo pensamento, toda máxima, toda teoria moral ou científica que choque o bom-senso ou não corresponda à ideia que fazemos de um Espírito puro e elevado, procede de um Espírito mais ou menos inferior;

5º Os Espíritos superiores têm sempre a mesma linguagem com a mesma pessoa e jamais se contradizem;

6º Os Espíritos superiores são sempre bons e benevolentes; em seu palavreado jamais encontramos acrimônia, arrogância, aspereza, orgulho, fanfarronice ou a estólida presunção. Falam com simplicidade, aconselham e se retiram quando não são ouvidos.

7º Não devemos julgar os Espíritos pela forma material, nem pela correção da linguagem, mas sondar-lhes o íntimo, perscrutar suas palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Qualquer distanciamento do bom-senso, da razão e da sabedoria não pode deixar dúvidas sobre sua origem, seja qual for o nome sob o qual se disfarce o Espírito;

8º Os Espíritos inferiores temem os que lhes analisam as palavras, os que lhes desmascaram as torpezas e não se deixam envolver em seus sofismas; às vezes ensaiam levantar a cabeça, mas terminam sempre abandonando a presa quando se sentem mais fracos;

9º Todo aquele que em tudo age visando ao bem, eleva-se acima das vaidades humanas, expulsa do coração o egoísmo, o orgulho, a inveja, o ciúme e o ódio, perdoa os inimigos e põe em prática esta máxima do Cristo: “Fazei aos outros o que gostaríeis que fizessem a vós mesmos”; simpatiza com os Espíritos bons, ao passo que os maus o temem e dele se afastam.

Seguindo esses preceitos, estaremos garantidos contra as más comunicações, o domínio dos Espíritos impuros e, aproveitando tudo quanto nos ensinam os Espíritos verdadeiramente superiores, contribuiremos, cada um por sua parte, para o progresso moral da Humanidade.



[1] Revista Espírita – Outubro/1858 – Allan Kardec

[2] N. do T.: Em A Gênese (1868) Kardec admite a possessão. Vide capítulo XIV, itens 47-48.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

HEINRICH SCHLIEMANN[1] - Luz da Reencarnação sobre a Arqueologia

 

 

Heinrich Schliemann, nasceu em 6 de janeiro de 1822, em Neubukow, Alemanha,  reencarnando em um lar muito pobre e humilde. Casado com Ekaterina Lyschin (de 1852 a 1869) e com Sophia Schliemann (de 1869 a 1890). Seu filho Agamemnon Schliemanne. Seus irmãos  Ludwig Schliemann, Elise Schliemann, Wilhelmine Schliemann, Doris Schliemann, Louise Schliemann.

Aos sete anos de idade, vendo uma gravura, representando o ataque grego aos muros fortificados de Tróia, Schliemann ouviu de seu pai que ninguém sabia da veracidade do fato. Circunspecto, afirmou que, quando crescesse, descobriria Tróia. O pai sorria.

Muito do conhecimento que se tem sobre a Grécia Antiga vem do historiador Homero. Seis poemas épicos, a Ilíada e a Odisséia, escritos entre os séculos X e VIII A.C., estão ligados à história de Tróia, de Micenas e de Tirinto.

Desde o século II A.C., os historiadores avaliavam a possibilidade de ficção nessas obras de Homero. Poucos acreditavam na realidade dos acontecimentos descritos pelo antigo historiador grego.

Muitos tinham dúvida até sobre a existência de Homero, acreditando que o seu relato era equiparado ao das antigas canções épicas, até mesmo relegado à condição de conto mitológico ou lendário.

Havia sido a guerra de Tróia um acontecimento real? Teriam mesmo existido os heróis Aquiles, Heitor e Enéias?

Todo esse mistério em torno de Homero teria de ser esclarecido, os enigmas dos textos deveriam ser conhecidos.

A Espiritualidade Maior permitiu que a civilização antiga e misteriosa, cantada por Homero, pudesse reviver, através da reencarnação de alguém profundamente ligado à Grécia Antiga, trazendo novamente ao plano terrestre uma individualidade que deu vida a algum personagem homérico.

Heinrich Schliemann, aos 10 anos de idade, ofereceu ao seu genitor uma redação sobre os principais fatos relacionados à guerra de Tróia, descrevendo as aventuras de Ulisses e Agamenon.

Aos 14 anos de idade, foi trabalhar no comércio, em uma loja de secos e molhados. Lá, certo dia, deparou-se com um homem embriagado que, muito entusiasmado, recitava versos, deixando Schliemann extasiado, embora nada compreendesse então. Quando foi informado de que se tratava de versos da Ilíada, de Homero, pagou ao ébrio para que os repetisse.

Por que tanta atração em relação a Homero e seus poemas? Por que Schliemann dispensava tamanho interesse a tudo que se relacionava com os tempos homéricos? Por que tanta determinação em conhecer tudo que se relacionava com A Grécia Antiga?

Somente a doutrina da reencarnação poderia iluminar todos os caminhos sombrios da dúvida e da incerteza, trazendo o esclarecimento necessário de que Schliemann veio ao mundo com a sublime e importante missão de comprovar que as cidades homéricas não eram criações da fantasia e fazer de Homero um personagem verdadeiramente histórico.

Aos 22 anos, sendo guarda-livros de uma firma que tinha relações comerciais com a Rússia, iniciou o estudo do idioma russo. Uma estranha “coincidência” aconteceu; veio para em suas mãos uma tradução em russo de “Telêmaco”. Emocionado, lia em voz alta, em russo, a história do filho de Ulisses e Penélope, que partiu à procura do pai, desaparecido desde o cerco de Tróia, encontrando-o em Ítaca.

De início nada entendia do que estava declamando, porém, o fato de ser possuidor de uma obra tão importante, ao ponto de poder fazer ressurgir Homero em sua própria boca, lhe deixava tão extasiado que contratou um ouvinte para ouvi-lo em sua lata e ruidosa declamação dos poemas homéricos.

Teria sido mesmo coincidência, fruto do acaso, chegar-lhe às mãos uma obra de Homero, traduzida para o russo?

Sabemos que o plano espiritual atua sobre nós em grande intensidade e, certamente, sob a influência de amigos extrafísicos, Schliemann passou por momentos importantes quando sua individualidade rememorava os fatos acontecidos na Grécia Antiga.

Devido ao sucesso dos empreendimentos comerciais, Schliemann era portador de grande fortuna e, para seguir o sonho de toda a sua vida, abandonou seus negócios e partiu, em 1868, com 46 anos de idade, para Ítaca.

Seu primeiro contato com um ferrador de cavalos de Ítaca foi entusiasmador. Este lhe apresentou sua mulher, como o nome de Penélope, e seus filhos como Odisseu e Telêmaco.

Mais tarde, Schliemann, emocionado, declama para os descendentes daquele povo de antanho, na própria língua grega, o Canto XXIII da Odisséia. Aquele estrangeiro lia com lágrimas nos olhos os poemas de Homero e com ele todos choravam!

Naquele momento, nas profundezas de seu espírito imortal, algo de espetacular acontecia. Schliemann, certamente, relembrava que, o que ali se passava, já tinha sido vivenciado por ele em vida pretérita.

Seria a individualidade que deu vida ao personagem Homero que retornava à vida física? Teria Homero nascido de novo com o compromisso de atestar a veracidade de sua existência e impor, ao que era imaginativo, a realidade?

Baseado na hipótese de Tróia ter realmente existido, alguns estudiosos relatavam ser a aldeia de Bunarbashi o local provável onde a cidade homérica estaria situada. Schliemann, com a Ilíada nas mãos, contestou, logo no primeiro olhar, que aquele lugar não poderia albergar, em suas entranhas, a cidade de Tróia. Não estava de acordo com os acontecimentos relatados por Homero.

Ao vislumbrar a bela colina de Hissarlik, localizada ao norte de Bunarbashi, Schliemann não tinha dúvidas. Lá estaria a tão procurada e sonhada cidade.

Em 1870 iniciou a escavação nesse monte e descobriu nove cidades subterrâneas, estando Tróia situada na sexta camada a contar de baixo. O que se pensava ser ficção era realidade. Naquele momento, Homero se consagrava como um verdadeiro historiador. A descoberta de Tróia provava ao mundo que os acontecimentos relatados por Homero não eram especulações imaginativas do autor.

Schliemann, com seu idealismo, arrancava das profundezas do solo a verdade à respeito do poeta grego.

Em Hissarlik desenterra um tesouro valiosíssimo, pertencente a um rei mil anos mais antigo do que Príamo, constituído de joias, objetos de ouro, prata e pedras preciosas.

Schliemann vive um momento de grande emoção, quando coloca em sua jovem esposa grega, Sofia, um par de brincos e um colar, joias de três mil anos, exclamando: “Helena!”.

No ardor de ressuscitar Homero, Schliemann dá o segundo passo à procura do mundo homérico. Volta a sua atenção para Micenas, cidade natal do rei Agamenon, onde descobre, em 1876, nove túmulos, contendo ossos ornados de braceletes e joias de ouro. Enterrado com eles um tesouro de grande valor. Eram sepulturas de nobres que viveram quatrocentos anos antes de Agamenon.

Em Tirinto, em 1884, Schliemann cavou e trouxe novamente à luz, um palácio, onde os heróis de Homero certamente viveram momentos emocionantes.

Com sua pá, impulsionada pela vontade férrea de provar algo que trazia nos refolhos mais íntimos do seu espírito, Schliemann permite legitimar muitas das descrições de locais, casas e palácios, citadas nos poemas homéricos.

Em 26 de dezembro de 1890, com 68 anos de idade, em Nápoles, Itália, o afamado arqueólogo volta à Pátria Espiritual, tendo cumprido tudo que propusera realizar antes de reencarnar. Foi enterrado no Primeiro Cemitério de Atenas, Atenas, Grécia.

Através de Schliemann, Homero voltou a viver.

sábado, 24 de setembro de 2022

A RAINHA DESENCARNOU[1]

 

Anselmo Ferreira Vasconcelos

 

A história faz ricos e detalhados registros dos poderosos do mundo. Reis e rainhas têm sido retratados pelos seus erros e acertos ao longo de suas vidas. Muitos obviamente se excederam e, assim, foram corretamente tachados de tiranos, autocratas e sanguinários. No extraordinário livro “50 Anos Depois”, ditado pelo Espírito Emmanuel (psicografia de Francisco Cândido Xavier), é abordada a trajetória do imperador romano Élio Adriano (76-138), famoso sobretudo pelo seu admirável apreço às obras arquitetônicas e refinado senso de estética.

A elevada entidade espiritual lembra, com acerto, que o reinado de Adriano, não obstante considerado liberal e justo em seu início, infelizmente passou a incentivar em dado momento perseguições e atos de crueldade após os trágicos episódios que marcaram a guerra civil da Judeia. Mais ainda, em 131 d.C. os cristãos foram forçados à prática de se reunir no refúgio das catacumbas para orar. Conforme relato de Emmanuel, Adriano nunca agiu exatamente como o sanguinário Nero, mas também não perdoou, jamais, aos adeptos do Cristo que tivessem a coragem moral de não trair a sua fé, perante a sua autoridade, ou de seus prepostos. Todavia, em obediência aos ditames da lei de causa e efeito nasce, segundo se lê na referida obra, posteriormente “no corpo miserável do filhinho de uma escrava”, de modo a iniciar o seu longo processo de expiação em virtude dos males por ele gerados. Assim, portanto, funcionam os mecanismos de justiça divinos: sem privilégios ou favores especiais a quem quer que seja.

Posto isto, grande parte da população mundial recebeu com enorme comoção a notícia da morte da rainha Elizabeth II (1926-2022). Tamanha emoção não deixa der ser compreensível, já que a sua figura tem permeado as vidas de todos nós. De fato, muitos cresceram vendo e acompanhando aquela senhora simpática, geralmente sorridente, quase sempre trajando conjuntinhos e chapéus de cores bem destacadas. De certa maneira, ela fez parte também de nossas vidas devido ao seu carisma e elegância. Passamos a admirá-la mesmo vivendo num país de modos, língua e cultura bem diferentes. Indubitavelmente, ela foi testemunha e protagonista de grandes momentos históricos. Passará a ser lembrada pela isenção adotada ao lidar com as alas políticas do seu reino, assim como pelas expressões de comedimento, sem falar do seu recato.

Há também registros de suas iniciativas em atividades pouco comuns a um membro da realeza, mas que reforçaram a sua grandeza e imagem perante os súditos. Elizabeth certamente viu muita coisa, a começar pela transformação do mundo pós-guerra. Não há dúvidas que ela soube se adaptar às mudanças e, ao mesmo tempo, resguardar um lugar generoso no coração do seu povo. Apesar de alguns escândalos produzidos pelos seus familiares, ela soube se manter serena e aparentemente equidistante, inclusive no falecimento da sua outrora nora Princesa Diana (1961-1997). Embora o seu silêncio tenha sido notado e criticado, mas, quando ela se manifestou, o fez de forma elogiável ao declarar: Eu a respeitava e a admirava por sua energia e comprometimento com os outros, especialmente por sua devoção aos filhos. Ninguém que conhecia Diana a esquecerá jamais. Parece implícito que a rainha enfrentou consideráveis dificuldades para lidar com uma outsider em seu ninho familiar. No entanto, cabe reconhecer que de sua parte não se viu nenhuma atitude pública mais intempestiva.

Por outro lado, há outros aspectos que merecem ser destacados. Como observou um respeitável jornalista brasileiro, Elizabeth foi uma mulher do seu tempo. Ou seja, ela usufruiu muito bem da sua posição, inclusive amealhando um patrimônio financeiro expressivo (alguns veículos de imprensa estimaram em 2 bilhões de dólares). São, aliás, bem conhecidos os seus palácios, residências oficiais e joias, claramente sugestivo de que vossa alteza não era uma monarca dada a privações. Nesse sentido, vale também lembrar aqui as divergências entre ela e a ex-premiê Margareth Thatcher (1925-2013), que considerava a realeza dispendiosa ao país. Outros personagens, aliás, compartilham da mesma opinião. Por conseguinte, não chega a ser surpreendente que a rainha apreciasse um estilo de vida requintado como cavalgar. Numa outra reportagem afirmava-se que ela gostava de caçar, hábito igualmente revelador de particularidades da sua personalidade.

No terreno religioso e dada a sua posição real, a rainha Elizabeth tinha entre suas atribuições a chefia da Igreja Anglicana. A propósito, uma declaração sua indica de que ela era uma pessoa possuidora de uma fé genuinamente religiosa: Para mim, os ensinamentos de Cristo e minha responsabilidade pessoal diante de Deus criam um quadro no qual eu tento guiar a minha vida. Mais ainda, artigos jornalísticos reforçam a ideia de que a sua crença a levava a se ver como “um vaso de Deus”. Posto isto, ela orava ao Criador para que lhe mostrasse a sua vontade, a fim de que ela pudesse concretizá-la.

Evidentemente, do lado de lá, um novo capítulo na trajetória desse Espírito se inicia. Muito provavelmente não mais será abrigada em palácios reais com um amplo séquito de servidores a atendê-la em seus mínimos caprichos e vontades. Fico a imaginar, por exemplo, um colóquio entre ela e a Rainha Isabel de Aragão (1271-1336), a rainha médium, que demonstrou extremo despojamento e sacrifício em vida... Se tal acontecesse, Isabel lhe recordaria Jesus e o seu amor incondicional pela humanidade, o significado da sua rápida, embora inesquecível passagem pelo mundo, a sua simplicidade e o seu legado de luz e bem-aventuranças. O que é certo, porém, é que Elizabeth continuará sua trajetória ascensional rumo à perfeição.



[1] O CONSOLADOR - Ano 16 - N° 790 - 18 de Setembro de 2022 - http://www.oconsolador.com.br/ano16/790/principal.html

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

OBSESSÃO: A EXPERIÊNCIA DE EDITH FIORE[1]

 

Ricardo Baesso de Oliveira

 

Edith Fiore é uma psicóloga norte-americana que admitiu os conceitos da sobrevivência da alma e da reencarnação, e aplicou-os em sua prática psicoterapêutica. Publicou, em 1987, uma obra − Possessão espiritual −, relatando grande parte de sua experiência, conquistada durante vários anos, tendo atendido mais de quinhentos pacientes.

Edith se valeu do termo possessão para referir-se às influências perniciosas de seres desencarnados sobre os indivíduos. Os espíritas preferem a expressão obsessão, pois possessão dá a ideia equivocada de que o Espírito toma posse do corpo de sua vítima. O que ocorre, na verdade, é uma influência no campo mental. A personalidade envolvida passa a assimilar os pensamentos e sentimentos do desencarnado, decorrendo desse fato, uma sintomatologia variada.

Fiore se graduou em psicologia pela Universidade de Miami, em 1969, e iniciou sua atividade psicoterapêutica pela técnica da hipnose. Através da hipnose, ela conseguia um maior relaxamento do paciente, auxiliando-o a compreender a dinâmica de seus transtornos mentais. Ela considerava a hipnose como um dos meios mais rápidos de atingir a mente subconsciente, repositório de todas as lembranças.

Algo estranho, eventualmente, ocorria com alguns de seus pacientes.  Induzidos ao relaxamento, comportavam-se de uma forma estranha, como se estive manifestando-se, através deles, uma outra personalidade. Dialogando com essa suposta personalidade, verificou que eram seres desencarnados que vinha acompanhando seu paciente, às vezes, por muitos anos, e que os sintomas perturbadores estavam relacionados àquela influência. E o mais importante. Ao dialogar com a suposta “alma do outro mundo” e esclarecê-la de sua condição, convencendo-a a acompanhar os “seres de luz”, os pacientes melhoravam acentuadamente. Muitos pacientes se queixavam de ter alguém dentro deles. Edith supôs que fossem médiuns relutantes. Quando os Espíritos se mostravam dispostos a rever o próprio comportamento, ela invocava amigos espirituais próximos da vítima ou parentes desencarnados para ajudá-los.

Segundo ela as entidades que não tinham feito transições bem-sucedidas para a vida futura causavam problemas, afetando as pessoas de maneiras danosas e destrutivas por meio da possessão. Do auxílio dado aos espíritos obsessores para saírem resultava a eliminação dos seus efeitos devastadores, não raro modificando dramaticamente vidas inteiras.

Surpreendeu-a profundamente o fato de que desde que me dei conta desse fenômeno descobri que pelo menos setenta por cento dos meus pacientes eram possessos e que essa situação lhes causava a moléstia. Mostrou que a maioria dos casos teve soluções diretas e descomplicadas – alguns pacientes melhoravam com apenas uma sessão - mas alguns casos demandaram uma série longa de intervenções psicoterapêuticas. Uns poucos não conseguiram livrar-se da influência espiritual. A psicóloga percebeu que os casos mais difíceis eram aqueles em que se notava uma conexão entre o Espírito e o encarnado que se reportava a uma existência passada. Essa conexão se dava pelo ódio ou por fixações afetivas passionais. Em alguns casos, o paciente sentia-se tão ligado à entidade desencarnada, que o atraía, não permitindo que ele fosse encaminhado pelos Espíritos amigos para condições apropriadas a sua situação espiritual.

Fiore acreditava que a maioria dos pacientes internados em instituições mentais apresenta os seus sintomas em decorrência de influência obsessiva. Diz ela:

As vozes que ouvem são reais; algumas das suas alucinações visuais são vislumbres do plano astral inferior.

Sobre a esquizofrenia ela afirmou:

Não me parece que todos os esquizofrênicos sejam psicóticos por causa da possessão. Tenho a impressão de que eles – em adição à sua doença mental – são indubitavelmente possessos. A possessão é um fardo adicional que lhes incumbe carregar.

Edith encarava as entidades possessoras como os verdadeiros pacientes. Afirmou que eles sofrem intensamente, talvez até sem o compreender. Prisioneiras virtuais, estão presas ao plano da terra e sentem-se exatamente como se haviam sentido momentos antes de sua morte, que pode ter ocorrido decênios atrás. Em decorrência disso, procurava tratá-los com muito carinho. Dizia que:

Minha meta terapêutica é ajudar os espíritos possessores, que se acham às voltas com o maior dos sofrimentos, ainda que isso signifique para os pacientes necessidade de continuarem sobrecarregados por mais algum tempo, enquanto se cultivasse a disposição dos possessores para partir. Se eu fosse capaz de “enxotá-los”, estaria criando um problema monstruoso, porque eles voltariam a ser pessoas deslocadas e talvez se aferrassem a outras pessoas insuspeitas.

A autora de Possessão espiritual, relacionou vários motivos que, na sua experiência, faziam certas entidades permanecerem atadas ao plano material, em vez de completar a transição para o mundo espiritual. As mais comuns são, segundo ela, a ignorância, a confusão e o medo, apegos excessivos a pessoas ou lugares, ou às inclinações pelas drogas, pelo álcool, pelo fumo, pela comida ou pelo sexo.

Um sentido despropositado de negócios não concluídos também compele amiúde os Espíritos a ficarem no mundo físico. Curiosamente, isso pode fazer com que a vítima sinta uma compulsão inexplicável para fazer coisas pelas quais, até, então não manifestara interesse algum.

Alguns se quedam determinados a vingar-se e ligam-se, odiosamente, àqueles que os prejudicaram.

Comunicando-se com os Espíritos, através de seus pacientes, ficou sabendo que algumas pessoas estavam tão convencidas, durante a própria existência, de que não havia nada depois da morte, que simplesmente se recusavam a ver os membros da família ou os guias espirituais que vinham buscá-las. Ao invés disso, perambulavam sem rumo num estado de confusão e ignorância, que, não raro, durava anos. Algumas pessoas se achavam num estado tão profundo de confusão ao morrer que simplesmente não perceberam que estavam mortos. Isso era particularmente verdadeiro em se tratando de suicidas.

Sobre o suicídio comentou:

Independentemente de qualquer outra coisa, parece que ao se suicidarem, estão apenas postergando o aproveitamento das suas lições e retardando seu progresso espiritual, pois terão de encontrar-se ainda em outra situação de prova, em que o suicídio será uma séria opção em alguma existência futura.

O apego excessivo aos vivos era uma forte razão coagente de algumas entidades permanecerem presas à Terra. Pais ficavam para “ajudar” os filhos, enquanto estes cresciam; parceiros matrimoniais permaneciam, mercê de um interesse afetuoso por seus respectivos cônjuges, ou por ciúme. Mas por mais bem intencionados que fossem os motivos, o apego dos Espíritos sempre ocasionava problemas graves: os pais superprotetores retardavam o desenvolvimento dos filhos, porque lhes infundiam seus temores; os esposos amantes ficavam muito perturbados, quando os cônjuges tornavam a casar, e muitas vezes, procediam à destruição deliberada dos novos casamentos.

Em um caso, o Espírito de um moço ficou perto do irmão mais jovem que o idolatrava, a fim de “ajudá-lo”. Porque a entidade havia sido viciada em maconha, o irmão vivo acabou usando a droga – e, logo depois, passou a usar outras também.

De acordo com Edith Fiore um dos laços mais robustos que prendem os Espíritos ao mundo físico é a propensão para o álcool, para as drogas, para o sexo e para a comida. Se uma pessoa morresse enquanto se achasse sob o domínio de um pendor dessa natureza, a necessidade mais irresistível sentida imediatamente após a morte era pela substância ou sensação objeto da inclinação. O Espírito, cego à própria partida, buscava apenas satisfazer sua compulsão. Os viciados espirituais, segundo ela, costumavam aglomerar-se em torno dos viciados vivos e dos lugares por eles frequentados, tentando experimentar de novo o que fora outrora o tema dominante de sua vida.

Edith examinou, em detalhes, as diversas manifestações clínicas das influências obsessivas. Acreditava que a influência dependia de alguns fatores como a força intrínseca do indivíduo comparada com a do Espírito obsessor e as condições que enfraquecem o obsidiado, como o estresse, o uso de drogas ou álcool e doenças físicas.

Muito importante, também, segundo ela, a atitude mental e o controle das emoções, que quando desequilibradas geram a vulnerabilidade que prepara a cena para a possessão. Ela acreditava que a maioria dos seus pacientes era constituída de médiuns não controlados, e que seu papel terapêutico em relação a tais pessoas levava a uma interrupção da mediunidade e uma ajuda à pessoa para tornar-se mais firme, centrada e equilibrada.

A autora relacionou, em sua obra, vários sinais que podem estar relacionados a influenciação obsessiva, tais como:

1.       Voz (es) que falam com o indivíduo;

2.       Nível baixo de energia, com a sensação permanente de cansaço físico ou mental;

3.       Abuso de drogas, incluindo o álcool;

4.       Comportamento impulsivo, levando o indivíduo a fazer coisas sem pensar, e, muitas vezes, se arrependendo do que fez;

5.       Problemas de memória;

6.       Concentração fraca;

7.       Início repentino de ansiedade e depressão;

8.       Início repentino de problemas físicos sem causa manifesta, tais como, dores de cabeça, dores pelo corpo, sensação de inchaço, insônia, ganho de peso, alergias, ondas intensas de calor;

9.       Reações emocionais e/ou físicas às leituras edificantes;

10.   Redução do impulso sexual;

11.   Tensão e distanciamento entre parceiros matrimoniais ou parentes;

12.   Visão embaçada, dores de toda espécie e cansaço generalizado (especialmente quando o Espírito influenciador havia morrido em idade provecta);

13.   Fobias diversas, algumas vezes, relacionadas com as circunstâncias da experiência de morte do obsessor;

14.   Mudanças de personalidade, levando os pacientes a pensar: Este não sou eu!

 

No processo de libertação espiritual dos envolvidos, Edith se valia do diálogo fraterno e afetuoso com os desencarnados, e orientava seus pacientes quanto à necessidade de se cuidarem física e emocionalmente. Recomendava a eles que gravassem mensagens edificantes e esclarecedores e ouvissem essas mensagens uma ou mais vezes ao dia. Isso auxiliava os pacientes em manter uma atitude mental elevada e também às suas companhias espirituais. Os pacientes deveriam dialogar com os Espíritos de forma amorosa, motivando-os a assumirem sua condição de Espíritos, confiando nos benfeitores espirituais, que deveriam orientá-los. Os pacientes deveriam orar e aplicar uma espécie de visualização mental, que ela denominava de técnica da luz branca:

Utilizando sua imaginação criativa, imagine que você tem um sol em miniatura, exatamente igual ao sol do nosso sistema solar, enterrado profundamente no plexo solar. Esse sol irradia através de cada átomo e de cada célula do seu ser. Enche-o de luz desde as pontas dos dedos até o coruto da cabeça e as plantas dos pés. Resplandece através e além de você a uma distância de um braço de comprimento em todas as direções – acima da cabeça, abaixo dos pés, para fora das ilhargas, criando uma aura – um Luz Branca brilhante, ofuscando, radiante, que o cerca e protege completamente contra qualquer negatividade ou dano.

Finalmente, pedia aos pacientes que arranjassem um grupo de pessoas amigas e que se reunisse com esse grupo. Eles deveriam orar, visualizar a luz branca e impor suas mãos sobre o paciente, mas sem tocá-lo.



[1] O CONSOLADOR - Ano 16 - N° 790 - 18 de Setembro de 2022 - http://www.oconsolador.com.br/ano16/790/principal.html

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

EMBRIAGUEZ[1]

 

Fernando Botero - TRÊS MULHERES BEBENDO (2006)


Miramez

A alteração das faculdades intelectuais pela embriaguez desculpa os atos repreensíveis?

− Não, pois o ébrio voluntariamente se priva da razão para satisfazer paixões brutais: em lugar de uma falta, comete duas.

Questão 848/O Livro dos Espíritos

 

Usando da embriaguez para cometer atos reprováveis, o ser humano, ao invés de cometer uma falta, verdadeiramente comete duas, por usar conscientemente de um estado provocado pela bebida e incorrendo em outra falta. É a escola do desculpismo, tão velha quanto o mundo, e existente entre todos os povos.

Até as leis dos homens acoberta um pouco a pessoa que se entregou ao vício, atenuando as suas faltas, com a justificativa do estado inconsciente em que se encontra. No entanto, as leis espirituais os corrige como culpados por dupla falta, porque os viciados têm plena consciência, quando põem o primeiro pé na estrada das aberrações.

Estamos falando às almas que já conhecem um pouco da verdade, que estão sendo chamadas todos os dias para o trabalho que devem fazer consigo mesmas. O mundo espiritual nunca exige a iluminação por passe de mágica, mas que as pessoas conhecedoras de algumas verdades espirituais passem a se esforçar todos os dias para melhorar. Neste esforço, estaremos juntos como companheiros para animá-los na subida de todos os "calvários". Não escrevemos para os ignorantes de certas verdades, mas sim para os que já a conhecem e se encontram cansados de ficarem só em teorias.

Observemos o que fala o apóstolo João, no capítulo nove, versículo quarenta e um:

 

Respondeu-lhes Jesus:

− Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: nós vemos, subsiste o vosso pecado.

 

Observa na fala do Mestre que o que desconhece a lei não tem pecado, entretanto, o pregador da lei que comete a falta, embora ensine aos outros a não cometê-la, é punido duplamente nas suas excentricidades. Não se deve usar das desculpas para servir de instrumento para as trevas, pois o preço destas desculpas será muito grande e ter-se-á de pagar ceitil por ceitil, por vezes até em corpos incapacitados e com a mente conturbada, para exercitar o bem e entendê-lo. Eis a maior das provações e expiações, nos caminhos que percorrem no mundo os faltosos diante da lei de amor!

Ainda existe embriaguez pior que a da bebida forte: é a do ódio, da inveja, do ciúme, do orgulho, da vaidade e do egoísmo, por deixar a pessoa em perfeita lucidez para escolher, e a escolha é quase sempre a pior. Aos espíritas, nossos companheiros de tarefas com Jesus, lembramos que estamos sendo chamados e escolhidos para entender a verdade e passarmos à sua vivência. Mesmo que as lutas conosco mesmos sejam duras, não devemos deixar de lutar todos os dias, horas e minutos. Estamos vivendo em um fechamento de século em que podem acontecer grandes coisas, onde estará envolvida a humanidade inteira.

Meditemos nesta verdade, que ela pode e tem a força de nos inspirar para a nossa transformação interior, onde a luz de Deus começa a nascer para a glória da vida.



[1] Filosofia Espírita – Volume 17 – João Nunes Maia      

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

O ABSURDO DE UMA CIÊNCIA SEM ESPIRITUALIDADE[1]

 


publicado em 9 de setembro de 2020

 

Se a pesquisa científica é necessariamente útil é extremamente discutível, e deve ser seriamente reconsiderada […]. Muitas vezes serviu para rebaixar o homem, desde o início da revolução industrial até hoje, quando corre o risco de se tornar a ferramenta para sua destruição final.

Alexandre Grothendieck

 

O autor desta citação não é ignorante ou inconsciente ou louco, ele é o maior matemático contemporâneo. Este gênio que morreu em 2014 recebeu a Medalha Fields (Prêmio Nobel de Matemática) e todos os prêmios possíveis por seu trabalho em geometria algébrica. Ele adiciona :

O novo Cientista da Igreja está mil vezes mais cego por sua doutrina sacrossanta, irremediavelmente fixada, do que todas as Igrejas tradicionais que ele suplantou tão radicalmente.

Como dizem seus fundadores sumérios, egípcios, chineses, maias, indianos, gregos e islâmicos, a matemática é apenas uma ferramenta simples a serviço das palavras, do Conhecimento e da Sabedoria. A verdadeira ciência, fundamento do conhecimento, razão de ser da Humanidade, reside no significado primordial, mas esquecido das letras que compõem as palavras, cujos números são um aspecto útil, mas secundário e acessório. A ciência de hoje perdeu seu rigor e sua precisão em um uso abusivo e equivocado da matemática, por meio de suas armas probabilísticas, estatísticas, algorítmicas, digitais, computacionais e tecnológicas, que matam o som e o pensamento profundo.

As chamadas aplicações matemáticas "modernas" baseiam-se no raciocínio binário, na dualidade, na demonstração do chamado verdadeiro contra o falso. Constitui uma incrível regressão da inteligência, que reside, ao contrário, no indispensável estabelecimento da síntese, do equilíbrio, da harmonia, entre objetos, coisas, seres, fenômenos ou verdades aparentemente incompatíveis, contraditórias, opostas ou antinômicas. Em todos os momentos, o verdadeiro cientista sabe que a observação exclusivamente física ou material através dos sentidos, que a escrita e o raciocínio matemáticos puramente lógicos, não levam a lugar algum senão à regressão do pensamento, da Humanidade, da Vida e do Universo.

Homenagem a Georges Bringuier que pôde falar sobre o segredo de Alexandre Grothendieck e seu trabalho sobre padrões matemáticos, que são sobretudo uma exploração do meio-termo essencial entre espiritualidade e materialidade, yin e yang, sensibilidade e razão, reflexão e instinto, intuição e lógica, inspiração e método, visão e coerência, abstrato e concreto, simples e complexo, vago e preciso, sonho e realidade, indefinido e finito, não expresso e expresso, todo e parte, global e local.

Os verdadeiros matemáticos científicos sabem que a primeira ferramenta do conhecimento é a meditação, o autoconhecimento interior, a intuição de uma força primordial puramente espiritual, porque qualquer fenômeno físico ou material é antes de tudo um fenômeno mental. Ciência sem espiritualidade é, por definição, absurda.

As leis cegas do acaso e da necessidade, que a ciência moderna gosta de apresentar, não existem. Há uma inteligência e uma vontade. Uma intenção, um projeto, está surgindo. O Universo é espírito, o Universo tem um sentido, a nossa existência tem um sentido que a liga ao Todo.

Alexandre Grothendieck

No dia em que a ciência começar a estudar fenômenos não físicos, ela fará mais progresso em uma década do que em todos os séculos anteriores de sua existência.

Nikola Tesla

O que une esses gênios como os poucos sábios, seres despertos ou iluminados da história, é a meditação, o devaneio, a capacidade de ligar o racional ao irracional, o consciente ao inconsciente, o concreto ao abstrato, que é de fato o motor do Conhecimento. Qualquer coisa física, qualquer realidade, qualquer matéria, é a inversão da mente, do pensamento, do espírito. O Cosmos é a inversão, conversão ou materialização de um pensamento integral anterior, puro e perfeito. Esta inversão corresponde à Força Primordial do Universo unificando as 4 forças fundamentais da física de partículas.

A ciência, como a religião, a filosofia ou a iniciação, carrega basicamente a missão comum de abordar esse ponto fundamental de inversão que é tudo, entre o imaginário e o real. O Universo nasce da inversão de um ponto puramente mental e atemporal, concentrando todo o Conhecimento, num ponto de partida físico e matemático de evolução. Este ponto mental consiste em pura inteligência com a vontade de se materializar através de ondas sonoras. Essas ondas geram linhas geométricas de força estruturando o espaço, a matéria, as formas, os ritmos, a Vida e depois a Humanidade, cujas qualidades mentais a levam a experimentar e redescobrir esse conhecimento integral ao absoluto, por uma busca incansável e exaltação do belo, do justo e do o bem até a perfeita harmonia.

Existe apenas uma geometria, mas muitas facetas. Alexandre Grothendieck abraçou todos eles misturando álgebra, análise, aritmética e lógica para descrever com precisão os espaços, formas, estruturas e ritmos que compõem o Universo. A matemática é aparentemente a arte de descrever o ponto fundamental da geometria de inversão entre espírito e matéria. Esta arte está necessariamente ligada à meditação, única ferramenta capaz de acessar o puro espírito teórico gerando a materialização prática, que por natureza é uma perda temporária de pureza ou quintessência original. É então necessário esforçar-se por ligar o material à ideia paradoxalmente imaterial que lhe dá origem. A onda puramente mental se transforma em uma onda sonora primordial gerando forma física e espaço, por definição nascente, em processo de estruturação ou reestruturação. O ponto físico em um nível topológico, visível, descritível, localizável, destinado a construir ou criar o Universo, corresponde de antemão a um ponto mental em um nível puramente abstrato e teórico, onde tudo é imaginado, pensado, planejado nos mínimos detalhes.

Este ponto físico é o ponto de partida da linha sonora que forma tudo e o Todo, desde o ponto zero até hoje. A matemática aliada à meditação permite descrever esse ponto de transformação da ideia em realidade, que necessariamente gera desvios, variações, diferenças, perigos, imprevistos, dúvidas, incógnitas, incidentes e acidentes. Essa é a diferença entre a planta e o canteiro de obras, o pensamento do arquiteto e a construção. Há sempre uma parte inacabada, incompleta e imperfeita que obriga incansavelmente a recolocar o ofício na obra. A matemática teria então a tarefa de medir esses desvios e propor uma solução para reparar, retificar, encontrar o plano inicial perfeito. Todas as dimensões, medidas, equações, visões, necessariamente conduzem à elevação, àquele ponto inicial superior, composto de inteligência e vontade integrais, cuja finalidade é experimentar na prática a beleza, a correção e a verdade absolutas, puramente teóricas no início. Tudo sai e retorna a este ponto puramente mental, o Cosmos como a Humanidade. Conseguir, participando dela, na materialização, através da onda sonora e depois da luz física, conduzindo de volta à luz mental, pura e perfeita, que a gerou, tal seria a razão de ser da matemática combinada com todas as outras ferramentas de conhecimento. Tudo sai e retorna a este ponto puramente mental, o Cosmos como a Humanidade.. Tudo sai e retorna a este ponto puramente mental, o Cosmos como a Humanidade.

É difícil explicar, mas é nesse trabalho incansável e coletivo de perfeição ao lado de Alexandre Grothendieck, mas também de Albert Einstein ou Max Planck, entre milhares de outras mentes um tanto esclarecidas, que registro minha modesta pesquisa, que permanece muito imperfeita, inacabada e em busca do aperfeiçoamento constante.

A linguagem aparece ao mesmo tempo que o Universo e o explica perfeitamente através das palavras e letras do Alfabeto Básico que os compõem. Os números são um aspecto útil, mas secundário, de palavras e letras. Assim, a escrita matemática descreve o que as palavras designam, explicam ou significam. A palavra MATH, traduzida como a partícula física (MA) é a ciência (T) do homem (H), é a inversão da palavra HTAM, ou “o homem (H) da ciência (T) é uma partícula mental (SOU). Em outras palavras, não há ciência física sem conhecimento da mente, não há raciocínio matemático sem experiência espiritual, não há observação sem meditação! Nenhuma partícula física sem sua partícula mental preexistente que a gera e domina! Nenhum neutrino sem seu antineutrino!

A ciência moderna, cega pela observação física, pelo dogma do fato ou da experiência repetível, axiomas puramente formais, hipóteses precárias inverificáveis, demonstrações matemáticas arbitrárias, desconecta-se da espiritualidade, da intuição, do profundo mental e, portanto, da Verdade. A ciência matemática contemporânea encerra-se numa busca absurda e exclusiva da chamada verdade, ao passo que a verdade tem por fundamento único o bem, o justo ou o belo, que caracterizam o que é o valor ou a verdade em todas as coisas. Nossos matemáticos atuais estão presos à matéria, enquanto o Cosmos, Vida e Humanidade significam acima de tudo abertura de espírito, atenção, contemplação, compaixão, equilíbrio, harmonia, justiça, equanimidade, benevolência, fraternidade, amor.

Vamos ouvir e reler esses mentores, muito pouco compreendidos pelos nossos cientistas atuais, que retêm apenas os aspectos essencialmente materiais que são totalmente ilusórios, ou seja, quase nada.

O conhecimento íntimo das coisas matemáticas não me ensinou nada sobre mim…

Alexandre Grothendieck

A mente intuitiva é um dom sagrado e a mente racional é uma serva fiel. Criamos uma sociedade que honra o servo e esqueceu o dom.

Albert Einstein

Hoje os cientistas substituíram a matemática por experimentos. Então eles vagam de equação em equação, eventualmente criando uma estrutura que não tem conexão com a realidade.

Nikola Tesla

Alexandre Grothendieck, depois de ter iluminado incrivelmente a matemática oficial em sua juventude, percebe a inanidade do que a pesquisa científica faz com ela, a serviço das armas, do egoísmo, da destruição da vida e do planeta. Ninguém aprendeu verdadeiramente com seu profundo pensamento matemático. Além dessas publicações, ele deixa 20.000 páginas de notas inéditas adormecidas nos armários da universidade. Ao contrário de seus pares, ele entendeu que a matemática tem o único propósito de descrever e alcançar a beleza, a justiça e a bondade absolutas, que definem o sentido da Vida, do Homem e do Universo. Trabalhou em uma teoria global, em uma teoria de tudo, buscando constantemente vincular o pensamento integral, puro e perfeito, à realidade evolutiva, para dominá-la e aperfeiçoá-la.

Muito poucos o seguiram em sua ação cívica ecológica, antimilitarista, antinuclear, anticientífica, pacifista, incrivelmente profética e visionária. Denunciou com rara clarividência a "desespiritualização" geral da matemática, a perda do senso de beleza, a sedução do ganho, a sociedade técnica, o orgulho, a vaidade e o cinismo dos matemáticos, levando à decomposição da civilização.

Os estudiosos muitas vezes prosseguem seu trabalho sem se preocupar com as aplicações que podem ser feitas, sejam úteis ou prejudiciais, e a influência que podem ter na vida cotidiana e no futuro dos homens.

Alexandre Grothendieck

Vendo que a sociedade e seus colegas não entendiam, em sua opinião, a essência ou o significado da matemática, ele fez a escolha honrosa nos últimos trinta anos de sua vida de se retirar do sistema, de não mais participar de pesquisas científicas que tornar-se absurdo e amoral, recusar doravante qualquer distinção ou recompensa financeira, viver como um eremita da maneira mais simples e sóbria possível. Preferiu trabalhar para o progresso real do mundo através da meditação profunda e solitária, acreditando na força superior e todo-poderosa do espírito, através das palavras e dos números, através do raciocínio filosófico combinado com o raciocínio matemático.

Ele afirma, dirigindo-se a todos os matemáticos do planeta, que o escutam com meia orelha, que a atividade intelectual é estéril se for cortada da vida espiritual. Outros gênios matemáticos o disseram antes dele, como Tales, Isócrates, Poincaré, Einstein ou Ramanujan, mas estranhamente os cientistas do nosso tempo não o colocam em prática, gerando aplicações e produções cada vez mais técnicas, materialistas, inúteis, degradantes ou mortais. O progresso espiritual está agora ausente da pesquisa científica e matemática, nossos pesquisadores desonrando por sua inconsistência esses grandes mestres, que, no entanto, lhes ensinaram tudo.

A criação distingue-se da simples produção pelo fato de, para além da obra exterior, ser acompanhada por uma obra interior que constitui a sua essência.

Alexandre Grothendieck

Os matemáticos precisam ser filósofos tanto quanto os filósofos precisam de matemáticos.

Gottfried Wilhelm Leibniz

Uma equação para mim não tem significado, a menos que represente um pensamento de Deus.

Srinivasa Ramanujan

Uma equação é uma igualdade em que há uma incógnita, que quando se torna conhecida cria uma desigualdade. O que a matemática revela é que nenhuma partícula é igual a outra, qualquer equação é pura ilusão, somente o espírito integral, puro e perfeito gera a inevitável igualdade entre as coisas e entre os seres.

O cientista matemático trabalha sobre equações e, portanto, sobre o princípio da igualdade ou igualdade, sem ver em geral que há uma igualdade de princípio, que seu papel é contribuir para ela concretamente, materializá-la pela ação política ao longo de sua vida. A igualdade matemática abstrata só faz sentido se contribuir para gerar ou restabelecer a igualdade concreta entre os homens, entre poderosos e miseráveis, ricos e pobres, instruídos e ignorantes, felizes e infelizes, dominantes e dominados, fortes e fracos, saudáveis ​​e sofredores, sorte e azar, e ainda mais entre a Humanidade e a Natureza. A igualdade matemática imaginária só é útil se contribuir na vida para a igualdade real de oportunidades, direitos, deveres e obrigações. A matemática, modelando a imaginação, servem para revelar uma parte oculta da realidade; as palavras servem para designar o real; o matemático serve para desvendar para melhor nomear e aperfeiçoar o real, ou para realizar perfeitamente o pensamento puro que lhe dá origem.

A igualdade, portanto, não precisa ser conquistada, existe entre todos os homens, mas em estado oculto. Essa filosofia consoladora sugere que todos devem aproveitar ao máximo esse destino secretamente igual para todos. Trata-se de transformar possibilidades em realidades, através do trabalho duro, inteligência, virtude ou sabedoria.

Sylvain Menant

Hoje, colocando-se a serviço dos países ricos e poderosos, da sedução do lucro, do egoísmo, da ciência materialista e produtivista, o matemático científico engendra desigualdades cada vez maiores e perde de vista o próprio princípio de sua disciplina. Este pode ser o significado ou a estranha mas admirável equação da vida de Alexandre Grothendieck, possivelmente o último matemático filosófico e, portanto, realmente útil.

Qualquer coisa que tenha um nome é algo conhecido através das letras que a compõem. Existe um Alfabeto Básico que surgiu com o Universo, composto por 22 letras e 32 dígrafos, cada um com um significado preciso. Ao substituir cada letra ou dígrafo de uma palavra pelo seu significado, encontramos o significado primário da palavra e, portanto, da coisa que ela designa.

Aqui está minha tradução das principais palavras do universo matemático de Alexandre Grothendieck que nos esclarece sobre sua teoria global explicando o mundo. Suas obras referem-se à geometria do Universo, às noções de espaço e forma em evolução, às ondas primordiais que criam, estruturam, animam e determinam o Cosmos.

TOPOLOGIA (estudo das propriedades de certos objetos geométricos) = T-OP-OL-LO-GIE = ​​a ciência (T) da mente universal (OP) é ​​a inversão da luz mental do Universo (OL) em luz física do Universo (LO), ou a energia (G) da Vida (IE).

COHOMOLOGIA (ferramenta de topologia) = KO-OM-MO-LO-GIE = ​​o corpo ou a estrutura do Universo (KO) é a onda mental (OM) se materializando (MO) na luz física do Universo (LO) , ou a energia (G) da Vida (IE).

Cohomologia de RHAM (matemático) = RH-AM = criação(R) humano(H) da partícula mental(AM).

BEAM (ferramenta de topologia) = F-AI-SO = a forma (F) da luz viva (AI) dá origem (S) ao Universo (O).

DIAGRAMA (conceito de espaço na geometria) = SE-MA ou AM-ES = o nascimento (S) do som (E) gera a partícula física (MA) ou a partícula mental (AM) é o som (E) dando à luz a todos (S).

MOTIF (desenho, objeto básico, estudado e usado em geometria) = MO-TI-F = a materialização do Universo (MO) é a ciência da luz (TI) formando tudo (F).

MONODROMIA (estudo do comportamento de certos objetos matemáticos) = MON-NO-DR-OM-IE = o princípio da materialização (MON) gera matéria no Universo (NO), que é um produto (D) criado (R ) por a onda mental (OM) através da Vida (IE).

Lei de GALOIS (autor das equações algébricas) = ​​G-AL-O-IS = a energia (G) da luz viva (AL) no Universo (O) é o fóton (IS).

GROTHENDIECK = GROT-EN-DIEK = o espírito(G) criando(R) o Universo(O) é a ciência(T) do espírito humano(EN), ou seja, um produto(D) da luz(I) revertendo em som (E) no corpo (K).

O que deve ser apreendido em minha opinião é que a geometria não é um simples estudo do espaço, de sua estruturação, mas sobretudo uma energia natural composta de ondas sonoras que materializam a inteligência e a vontade do espírito integral, puro e perfeito, na origem do Cosmos. É a conversão de um plano puramente mental e abstrato em um plano ativo totalmente físico e concreto, através do primeiro meio a serviço do pensamento que é o som, a Palavra, a linguagem. O mental, por definição imaterial, atemporal e incorpóreo é necessariamente transformado em energia física, espaço e matéria em constante evolução, através da onda sonora, que é apenas a onda mental materializada. Essa energia agora é a do homem vivo, que pode a qualquer momento influenciar o mundo por sua inteligência e sua vontade. O pensamento é ativo e criativo somente através da Vida. Os pensamentos de nossos ancestrais mortos criaram o mundo que encontramos quando nascemos, mas aquele que deixaremos quando morrermos depende apenas de nossa existência hoje.

O processo de criação física do Universo, a partir de sua criação puramente mental, é perfeitamente análogo ao que preside o pensamento humano, convertendo-se em palavras, depois em escritos, comportamentos físicos, ações ou criações. A forma mais evoluída da onda sonora primordial corresponde aos sons humanos articulados, simbolizados pelas letras e dígrafos universais que concentram todo o pensamento humano através de palavras e, aliás, números. A matemática, e sobretudo a obra de Alexandre Grothendieck, através das letras que constituem o essencial de toda a escrita matemática, é uma magnífica aproximação a este ponto de inversão entre o mental e o físico que é tudo, mas cujo significado exato não nos pode ser dado apenas por palavras.

Há uma coisa que me fascina na matemática desde a minha infância, é precisamente esse poder de definir por palavras e de expressar de maneira perfeita a essência de tais coisas matemáticas que à primeira vista parecem uma forma tão elusiva, ou tão misteriosos que parecem além das palavras.

Alexandre Grothendieck

A matemática é antes de tudo uma atividade espiritual, filosófica, transcendental, que dá sentido ao Universo, que os matemáticos modernos raramente percebem, perdendo-se em aplicações puramente técnicas e tecnológicas, destrutivas e recessivas, absurdas e inúteis, levando a humanidade à sua morte. Essas aplicações insanas corromperam a filosofia, a religião, a iniciação e a ciência real. O progresso científico está agora desconectado do progresso humano, que vem matando lentamente há 5 séculos. Vamos lamentar, implorar, rezar, mas apesar de tudo ter esperança, porque enquanto houver um Einstein, um Grothendieck, um simples homem acordado, nada está perdido! Um único pensamento, o mais justo e perfeito possível, de um único ser humano, suficiente para influenciar a Humanidade e todo o Cosmos na direção certa. Como disse Pitágoras em essência, o que deve guiar a ciência do homem e o homem da ciência é a virtude e somente a virtude!

VIRTUDE = V-ER-TU = a vontade ou força (V) do espírito humano (ER) é a ciência (T) do Universo (U).

Virtude é compreender os valores, qualidades e propósitos do espírito, que gera, comanda e domina a matéria, numa busca incessante pela beleza, bondade, justiça, equilíbrio e harmonia. Um cientista é útil se e somente se ele busca, incorpora e concretiza a virtude. Se seu trabalho tem chance de gerar um resultado, comportamento ou efeito negativo, ele deve se abster e recomeçar, tendo como único motor ou objetivo o belo, o bom e o justo que fazem a Verdade, na matemática como em qualquer atividade.

Grothendieck como Einstein e alguns outros entenderam isso, mas não tanto seus colegas e alunos que vagam por técnicas e produções indefinidas. Grothendieck criou o jornal e o movimento "Sobreviver", para tentar combater a mediocridade e elevar a Humanidade, pois um matemático como qualquer homem de ciência tem o dever imperativo de agir, de gerar boas palavras, boas ações e bons comportamentos. Só pode ser libertário, revolucionário e militante, ou seja, reviver a virtude esquecida e sacrificada. Seus sucessores o traem até os dias atuais, ainda sem entender o assunto da matemática.

Querer compreender a estruturação da energia, do espaço e das formas só faz sentido se for então participar concretamente na criação positiva e construtiva do mundo, no seu aperfeiçoamento, no seu progresso espiritual, na sua realização. Os especialistas do IPCC usam certas ferramentas matemáticas com sabedoria, mas não se dirigem aos interlocutores certos. Não é para os políticos que eles devem falar, mas para seus colegas matemáticos e cientistas, que estão perdendo a virtude da ciência como ciência da virtude. A política é baseada na ciência, e se esta é absurda como é hoje, suas palavras e ações só podem sê-lo.

É urgente que todos redescubramos juntos o sentido da virtude que é o do Universo e da Vida. Vamos nos envolver agora, pois esses raros seres de luz estão se esgotando muito rapidamente à medida que cresce o fogo da inconsciência globalizada. Não sou um deles, embora tenham me esclarecido um pouco, e não vejo outros no horizonte. Contemos agora conosco, queridos amigos leitores, para tentar pegar a tocha e mantê-la acesa!

 

Traduzido com Google Tradutor

 

Fonte: TEORIA DA FORÇA PRIMORDIAL - Blog de Pierre de Buch