terça-feira, 24 de maio de 2022

MANIFESTAÇÃO ANTES DA MORTE[1]

 

Allan Kardec

 

A carta seguinte nos foi dirigida de Marennes, em janeiro último:

 

Senhor Allan Kardec,

Creio que teria faltado ao meu dever se, no começo deste ano, não tivesse vindo agradecer-vos a boa lembrança que houvestes por bem conservar de mim, dirigindo a Deus novas preces pelo meu restabelecimento. Sim, senhor, elas me foram salutares e nelas bem reconheço a vossa boa influência, bem como a dos Espíritos bons que vos cercam; porque, desde 14 de maio, eu era obrigada a guardar o leito de vez em quando, em consequência de febres malignas que me tinham posto num estado muito triste.

Há um mês estou melhor; agradeço-vos mil vezes, rogando-vos agradecer, em meu nome, a todos os nossos irmãos da Sociedade de Paris, que quiseram unir as suas preces às vossas.

Como sabeis, muitas vezes tive manifestações. Mas uma das mais extraordinárias é a do fato que vou relatar.

No mês de maio último, meu pai veio a Marennes passar alguns dias conosco. Mal chegou, caiu doente e morreu ao cabo de oito dias. Sua morte me causou uma dor tanto mais viva, quanto dela eu tinha sido avisada seis meses antes, mas não havia dado crédito. Eis o fato:

No mês de dezembro precedente, sabendo que ele devia vir, tinha mobiliado um quartinho para ele, e meu desejo era que ninguém ali dormisse antes dele. Desde que manifestei tal pensamento, tive a intuição de que quem se deitasse naquela cama lá morreria, e esta ideia, que me perseguia incessantemente, apertava-me o coração a ponto de não ousar mais ir àquele quarto.

Contudo, na esperança de me desembaraçar dela, fui orar junto ao leito. Julguei ali ver um corpo amortalhado; para me assegurar, levantei o cobertor e nada vi. Então me disse que esses pressentimentos não passavam de ilusões ou de resultados de obsessões. No mesmo instante ouvi suspiros como de uma pessoa que acaba, depois senti minha mão direita apertada fortemente por uma mão quente e úmida. Saí do quarto e ali não mais ousei entrar só. Durante seis meses fui atormentada por esse triste aviso e ninguém lá dormiu antes da chegada de meu pai. Foi lá que ele morreu. Seus últimos suspiros foram os mesmos que eu tinha ouvido e, antes de morrer, sem que lhe pedisse, ele me tomou a mão direita e a apertou da mesma maneira que eu tinha sentido seis meses antes; a sua tinha o suor tépido que eu havia igualmente notado. Não posso, pois, duvidar que tenha sido um aviso que foi dado.

Tive muitas outras provas da intervenção dos Espíritos, mas que seria demasiado longo vos detalhar numa carta. Não lembrarei senão o fato de uma discussão de quatro horas que tive no mês de agosto último com dois sacerdotes, e durante a qual me senti verdadeiramente inspirada e forçada a falar com uma facilidade de que eu própria fiquei surpresa. Lamento não poder relatar-vos esta conversa. Isto não vos surpreenderia, mas vos divertiria.

Recebei etc.

Angelina de Ogé

 

Há todo um estudo a fazer sobre esta carta. De início, aí vemos um estímulo a orar pelos doentes, depois, uma nova prova da assistência dos Espíritos pela inspiração das palavras que se devem pronunciar em circunstâncias em que se estaria muito embaraçado para falar se se estivesse entregue às próprias forças. É, talvez, um dos gêneros mais comuns de mediunidade, e que vem confirmar o princípio de que todo mundo é mais ou menos médium sem o suspeitar. Seguramente, se cada um se reportasse às diversas circunstâncias de sua vida e observasse com cuidado os efeitos que ressente ou de que foi testemunha, não haveria ninguém que não reconhecesse ter alguns efeitos de mediunidade inconsciente.

Mas o fato mais saliente é o do aviso da morte do pai da senhora de Ogé, e o pressentimento com que foi perseguida durante seis meses. Sem dúvida, quando ela foi orar naquele quarto, e creu ver um corpo no leito, que constatou estar vazio, poder-se-ia, com alguma verossimilhança, admitir o efeito de uma imaginação ferida. O mesmo poderia dar-se com os suspiros que ela ouviu. A pressão da mão também poderia ser atribuída a um efeito nervoso, provocado pela superexcitação de seu espírito. Mas como explicar a coincidência de todos esses fatos com o que se passou quando da morte de seu pai? A incredulidade dirá: puro efeito do acaso; diz o Espiritismo: fenômeno natural devido à ação de fluidos cujas propriedades até hoje foram desconhecidas, submetidas à lei que rege as relações do mundo espiritual com o mundo corporal.

O Espiritismo, ligando às leis da Natureza a maior parte dos fenômenos reputados sobrenaturais, vem precisamente combater o fanatismo e o maravilhoso, que o acusam de querer fazer reviver; ele dá dos que são possíveis uma explicação racional, e demonstra a impossibilidade dos que seriam uma derrogação das leis da Natureza. A causa de uma imensidão de fenômenos está no princípio espiritual, cuja existência vêm provar. Mas como os que negam esse princípio podem admitir as suas consequências? Aquele que nega a alma e a vida extracorporal não pode reconhecer os seus efeitos.

Para os espíritas, o fato de que se trata nada tem de surpreendente e se explica, por analogia, com uma multidão de fatos do mesmo gênero, cuja autenticidade não pode ser contestada. Entretanto, as circunstâncias em que se produziu apresentam uma dificuldade; mas o Espiritismo jamais disse que não tinha mais nada a aprender. Ele possui uma chave, cujas aplicações ainda está longe de compreender na sua inteireza; aplica-se a estudá-las, a fim de chegar a um conhecimento tão completo quanto possível das forças naturais e do mundo invisível, no meio do qual vivemos, mundo que nos interessa a todos, porque todos, sem exceção, devemos nele entrar mais cedo ou mais tarde, e vemos todos os dias, pelo exemplo dos que partem, a vantagem de o conhecer antecipadamente.

Nunca repetiríamos em demasia: O Espiritismo não faz nenhuma teoria preconcebida; vê, observa, estuda os efeitos e dos efeitos procura remontar às causas, de tal sorte que, quando formula um princípio ou uma teoria, sempre se apoia na experiência. É, pois, rigorosamente certo dizer que é uma ciência de observação. Os que fingem nele não ver senão uma obra de imaginação, provam que lhe ignoram as primeiras palavras.

Se o pai da senhora de Ogé tivesse morrido, sem que ela o soubesse, na época em que sentiu os efeitos de que falamos, esses efeitos se explicariam da maneira mais simples. Desprendido do corpo, o Espírito teria vindo a ela avisá-la de sua partida deste mundo, e atestar sua presença por uma manifestação sensível, com o auxílio de seu fluido perispiritual; isto é muito frequente.

Compreendemos perfeitamente que aqui o efeito é devido ao mesmo princípio fluídico, isto é, à ação do perispírito; mas, como a ação material do corpo, que ocorreu no momento da morte, pôde produzir-se identicamente seis meses antes dessa morte, quando nada de ostensivo, doença ou outra causa, podia fazê-la pressentir?

Eis a explicação a respeito, dada na Sociedade de Paris:

“O Espírito do pai dessa senhora, em estado de desprendimento, tinha um conhecimento antecipado de sua morte e da maneira por que ela se daria. Sua vista espiritual abarcando um certo espaço de tempo, para ele é como se a coisa estivesse presente, embora no estado de vigília não lhe conservasse qualquer lembrança. Foi ele próprio que se manifestou à sua filha, seis meses antes, nas condições que deviam se produzir, a fim de que, mais tarde, ela soubesse que era ele e que, estando preparada para uma separação próxima, não ficasse surpreendida com a sua partida. Ela mesma, como Espírito, tinha conhecimento disto, porque os dois Espíritos se comunicavam em seus momentos de liberdade. É o que lhe dava a intuição de que alguém devia morrer naquele quarto.

Essa manifestação ocorreu igualmente com o objetivo de fornecer um assunto de instrução a respeito do conhecimento do mundo invisível”.



[1] Revista Espírita – Janeiro/1868 - Allan Kardec

segunda-feira, 23 de maio de 2022

FRANCISCO RAIMUNDO EWERTON QUADROS[1]

 


Francisco Raimundo Ewerton Quadros nasceu na capital do Maranhão, em 17 de outubro de 1841. Filho do capitão honorário Francisco Raimundo Quadros órfão de mãe em tenra idade, Ewerton Quadros foi criado por sua tia e madrinha, que viria a falecer em 1868. Seu pai, por sua vez, veio a falecer em 1874, tendo criado outros filhos, entre eles um futuro oficial da Armada, falecido em Montevidéu coincidentemente no mesmo ano.

Ainda na então Província do Maranhão cursou com brilhantismo Humanidades e, em princípios de 1860, veio para o Rio de Janeiro, então Capital do Império. Aqui concluiu os seus estudos na Escola Militar em 1864, de onde saiu como Alferes-aluno adido ao 1º Batalhão de Artilharia a Pé, indo reunir-se às tropas do Exército Brasileiro em combate contra Aguirre, no Uruguai, o que lhe valeu medalha na ocasião.

Terminada essa campanha, combateu na Guerra da Tríplice Aliança, de 1864 a 1870, de onde retornou com a patente de Capitão e com as condecorações de cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa, da Imperial Ordem de Cristo e da Ordem de São Bento de Avis, fazendo jus à Medalha Geral da Campanha do Paraguai com o passador de prata e o número 5 (P-5), bem como à Medalha Argentina, concedida pelo governo daquela República, e à Medalha de Paiçandu (oval).

Desempenhou até 1872 e após, várias funções nos Comandos Militares do Pará e do Amazonas, sempre louvado em ordens regimentais "pelas nobres qualidades que o distinguem como militar disciplinado e severo cumpridor de seus deveres, pelos bons serviços que prestou com dedicação, zelo, inteligência e sisudez que o caracterizavam".

Formou-se em Engenharia pela Escola Central da Corte (depois Escola Politécnica), obtendo o grau de Bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas em 3 de julho de 1874, indo trabalhar por cinco anos como Ajudante da Comissão de Engenharia Militar na então Província do Rio Grande do Sul.

De 1880 a 1887 participou de diversas missões para o Exército brasileiro, inclusive o projeto de uma estrada que ligasse a Corte às então Províncias do Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, assim como a confecção de plantas de dezenas de cidades do Rio Grande do Sul, com planos defensivos e memórias descritivas.

Em 1884 era Major do Estado-Maior de Artilharia do Exército Brasileiro.

Em 1889 foi comissionado pelo governo central nos sertões de Goiás, razão pela qual não pode ser reeleito para a presidência da FEB. Depois disso, percorreu várias regiões brasileiras, em comissões científicas e militares, tendo servido, por exemplo, junto à comissão militar (que também chefiou) encarregada da linha telegráfica entre Uberaba (Minas Gerais) e Cuiabá (Mato Grosso), cujos trabalhos de observação e exploração veio a publicar sob a firma de uma Memória, que encerrava com um vocabulário comparado, da língua portuguesa com as línguas indígenas: guarani, caiuá, coroado e xavante.

Foi agraciado por serviços prestados pelo governo do Marechal Deodoro da Fonseca com a Ordem de Avis, no grau de Oficial.

Constituiu-se num dos mais esforçados auxiliares do Marechal Floriano Peixoto durante a Segunda Revolta da Armada (1893-1894), tendo sido Comandante do 5º Distrito Militar, Comandante-em-Chefe das forças em operações no Estado do Paraná, e Comandante das Fortalezas de São João e da Laje, que lhe era subordinada.

Ewerton Quadros foi, ainda, diretor do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, Comandante da Escola Militar do Rio de Janeiro (1894-1895), então localizada na Praia Vermelha, e lente da Escola Politécnica. Tomou parte nas conferências escolares que, em fins do século XIX, se realizavam anualmente no Liceu de São Cristóvão. Discorria, então, para os alunos daquela conceituada instituição, sobre assuntos ligados à Astronomia.

Sucedeu ao General Franklin do Rego Cavalcanti de Albuquerque Barros na presidência do Clube Militar, durante o governo de Prudente de Morais[2].

Foi reformado no posto de Marechal, por Decreto de 4 de julho de 1895.

 

A Militância Espírita

Ewerton Quadros foi atraído pela Doutrina Espírita desde 1872, tornando-se um dos seus mais insignes divulgadores em sua época, para o que concorriam os diversos tipos de mediunidade que possuía, entre as quais a vidência. Ele próprio deixou registradas, nas páginas do “Reformador”, a descrição de diversos fenômenos que se manifestavam por seu intermédio desde os oito anos de idade. A partir de março de 1873, desenvolveu a psicografia.

Foi um dos fundadores, em 7 de junho de 1881, do Grupo Espírita Humildade e Fraternidade, na cidade do Rio de Janeiro. Este Grupo, desdobramento do Grupo Espírita Fraternidade, que se instalara a 21 de março de 1880, compunha-se de "algumas pessoas ilustradas que se consagravam ao estudo sério da doutrina espírita".

Os seus primeiros escritos espíritas foram publicados na revista da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade, periódico fundado em janeiro de 1881, segundo órgão da imprensa espírita surgido no Rio de Janeiro:

§  nos meses de agosto e setembro de 1881, um estudo erudito com o título "O Magnetismo na Criação";

§  em fevereiro de 1882, uma bela poesia, em dezesseis estrofes de quatro versos, intitulada "O Redivivo";

§  em julho do mesmo ano, primorosa e edificante página poética, recebida através da sua mediunidade a 18 de junho de 1880, com o título "Morrer é deixar a ilusão pela verdade", assinada com as iniciais A.A..

Ao ser fundada, no início de 1884, a Federação Espírita Brasileira, foi eleito seu primeiro presidente, cargo que ocupou até 1888, quando foi substituído pelo Dr. Bezerra de Menezes. Ao término de sua gestão, em 1888, deu à FEB sede independente, no sobrado à Rua Clube Ginástico Português nº 17 (depois Rua Silva Jardim), pois que até então funcionara na residência de Augusto Elias da Silva.

Realizou, além de outras, duas eruditas conferências em 1886, no salão da Guarda Velha, na Rua Guarda Velha (atual Av. 13 de Maio), enfileirando-se entre os que abrilhantaram aquele memorável ciclo de conferências públicas, de larga repercussão, patrocinadas pela FEB.

Colaborou no “Reformador” e em outros órgãos da imprensa espírita até os derradeiros meses de sua vida terrena. Alguns meses antes de falecer, doou à FEB, da qual era presidente honorário desde 1891, muitos exemplares do seu livro "Os Astros", para com o produto de sua venda socorrer os pobres do Departamento de Assistência aos Necessitados.

Possuía Ewerton Quadros incontestável cultura e vasta erudição, sendo amplos os seus conhecimentos de Astronomia, História Natural e História Universal. Seus artigos em prosa eram às vezes assinados com o pseudônimo "Freq". Revelou-se igualmente como poeta, publicando de vez em quando suas produções nos periódicos espíritas. Deixou ainda diversos trabalhos de cunho filosófico. Entre a sua produção destacam-se:

§  História dos Povos da Antiguidade, redigida sob o ponto de vista espírita, até a vinda do Messias;

§  Os Astros, estudos sobre a Criação;

§  Conferência sobre O Espiritismo, seu lugar na classificação das ciências, e outras;

§  As manifestações do sentimento religioso através dos tempos;

§  Catecismo Espírita, dedicado às meninas.

Assim que veio à luz a sua História dos Povos da Antiguidade, a Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade, de fevereiro de 1882, informou:

O Sr. Dr. Quadros é mais um trabalhador incansável e corajoso que se apresenta na arena da propaganda, como demonstra o importante volume que acaba de publicar, cujo assunto só por si é recomendação para os estudiosos, abona o autor, e dá testemunho da perseverança com que se dedica aos trabalhos espiríticos.

Traduziu muitos artigos, assim como obras, do francês e do inglês, sobressaindo-se, entre estas últimas:

§  O Fenômeno Espírita, de Gabriel Delanne;

§  Bases Científicas do Espiritismo, de Epes Sargent;

§  Região em Litígio entre este mundo e o outro, de Robert Dale Owen.

Compreendendo a necessidade de vulgarizar a obra mediúnica coordenada e publicada na França por Jean-Baptiste Roustaing − Os Quatro Evangelhos − em 1883 terminava a sua tradução, a primeira em língua portuguesa. O “Reformador” iniciou a sua publicação em 15 de janeiro de 1898, embora não tenha vindo a concluí-la.

Em 1900 veio a público, editada pela FEB, a 1ª edição da referida obra, em três volumes[3]. Posteriormente, em fins de 1918, a FEB cogitou em reeditar a referida obra, agora na tradução do Dr. Guillon Ribeiro, para isso tendo encetado uma campanha da qual Ewerton Quadros foi um dos primeiros subscritores. Essa edição, saiu em 1920, após a sua morte.

Por volta de 1908, dirigiu, com outros diretores, a Liga de Propaganda das Ciências Psico-Físicas, que se ocupava dos fenômenos regidos por forças supranormais.

Ewerton Quadros faleceu no Rio de Janeiro aos 20 de novembro de 1919.



[2] Embora a Revista do Clube Militar o compute como o sétimo presidente (abr. 1940. p. 22), na realidade foi o sexto, na gestão de 1895 a 1896. conforme o períódico “O Paiz”, de 30 de abril de 1895, onde se relacionam os membros da nova diretoria do Clube Militar, eleitos no dia anterior.

[3] Em tradução de Henrique Vieira de Castro, cf. “Reformador”, 1921, p. 443.

sábado, 21 de maio de 2022

ENCONTROS NOS SONHOS[1]

 

Jane Martins Vilela

 

“Minha alma vai encontrar-se por um instante com os outros Espíritos. Que venham os bons ajudar-me com os seus conselhos. Meu anjo guardião, fazei que ao acordar eu possa conservar uma impressão durável e benéfica desse encontro”!

O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 39

 

Não são poucas as vezes que os trabalhadores espíritas, em reuniões mediúnicas, ouvem os mentores avisarem que, ao irem dormir, se preparem para continuar os trabalhos da noite. Quantas vezes ouvimos Espíritos esbravejando que estamos, nós, das fileiras espíritas, durante o sono, invadindo seus domínios e libertando seus escravos!

Chegam enraivecidos pela intromissão e desejando falar com o líder, que nesse caso é Jesus!

Isso acontece frequentemente em reuniões mediúnicas. A maioria dos trabalhadores não se lembra do ocorrido, embora alguns dos grupos tenham lembranças precisas e trocam ideias com outros que também se lembram. Um completa a informação do outro, no grupo, de modo que se tenha uma pálida ideia das atividades que se realizam durante o sono do corpo.

Trabalhos continuados acontecem.

Nesse mesmo item de O Evangelho segundo o Espiritismo, acima citado, Kardec comenta que o sono é o repouso do corpo, mas que o Espírito não necessita desse repouso. Enquanto os sentidos se entorpecem, a alma se liberta parcialmente da matéria, gozando de suas faculdades espirituais. O sono foi dado ao homem para reparação de suas forças orgânicas e morais. Enquanto o corpo recupera as energias gastas no estado de vigília, o Espírito vai se retemperar entre os outros Espíritos. É então que ele retira de tudo o que viu, dos conselhos que lhe foram dados, ideias que lhe ocorrem depois, em forma de intuições.

É o retorno do exilado à sua verdadeira pátria, à liberdade momentaneamente concedida ao prisioneiro. Pena que nem sempre esse Espírito aproveita essa liberdade para o seu aprimoramento!

Os semelhantes se atraem e, se conservam maus instintos, são seus semelhantes que buscam durante o sono. Aquele que sabe disso, que eleve seu pensamento antes de dormir, solicitando o amparo dos bons e dos que o amam ainda, no mundo espiritual.

A maioria dos relatos que temos ouvido são bons. Retratam que as pessoas, afinal, estão melhorando!

A maioria nos fala do reencontro com irmãos queridos, que se aproximam em sonhos, dizendo que estão bem, que não precisam preocupar-se com eles. Ou são pais, mães, avós, tias, tios, amigos, enfim, aqueles que foram motivo de amor e amizade durante a estadia terrena.

Na questão 402, de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta como podemos apreciar a liberdade do Espírito durante o sono e os Espíritos respondem que é pelos sonhos. Dizem eles que durante o sono o Espírito goza de mais faculdades do que na vigília. Tem o conhecimento do passado e algumas vezes a previsão do futuro.

Há pessoas que se afligem e nos contam que tudo o que sonham acontece. Não sabem o porquê. Se estudarem o capítulo VIII, Emancipação da Alma, em O Livro dos Espíritos, compreenderão. O Espírito, durante o sono, dizem eles, ainda na questão 402 de O Livro dos Espíritos, adquire maior energia e pode entrar em comunicação com os outros Espíritos, seja neste mundo, seja em outro.

Há pessoas lúcidas que se lembram com detalhes de seus sonhos e outras que não lembram.

Quanto mais longe da matéria estiver o Espírito, quanto mais elevado o plano para onde se dirigir no sonho, menor será a lembrança, pois estará em um campo de energias sutis, aceleradas, em relação com a densidade da matéria, então, mais imprecisa a lembrança, embora retorne leve e se sentindo bem.

Outra situação também relatada pelos mentores é que as lembranças são minimizadas pelos benfeitores, para que aquele que rumou para mais alto e pôde ver a beleza e o amor maior, não fique entristecido e desanimado por estar ainda neste planeta de provações, perdendo a vontade de viver.

Há os que se dirigem para planos inferiores, em verdadeiros pesadelos. Em trabalho no bem ou simplesmente atraídos pelas semelhanças, pelas afinidades.

Há muito o que aprender. Nosso saber é muito pouco ainda. Conhecemos uma criança que em tenra idade se via perseguida pelos seus inimigos do passado. Sua mãe o orientava muito. Certo dia, quando a criança de 5 anos se viu aflita pelas perseguições durante os sonhos e lhe pediu socorro, ela lhe disse: Meu filho, lembre-se de Jesus! Derrame a luz de seu amor sobre eles e não tenha medo! A criança lhe respondeu: Eu tento, mamãe, mas minha luz é muito fraquinha, não é igual à de Jesus!

Sábias palavras! Nossa luz ainda é muito fraca, mas o amor pode tornar-se cada vez mais intenso.

Preparemo-nos para dormir melhor. Cuidado com nossos encontros espirituais, durante o sono.

Vigiemos constantemente. Vigilância e oração, para cuidarmos melhor de nós mesmos. Grandes trabalhadores espíritas já nos confidenciaram que foram atacados durante o sono, em espírito, e tiveram que pedir socorro para alguém amado e elevado no mundo espiritual.

Momentos difíceis vivemos. Que nos coloquemos no trabalho, mas com Jesus e Kardec e com vigilância e oração, para que venhamos a ter boas lembranças dos sonhos, pedindo amparo aos nossos mentores para que estejamos bem.

Que o amor nos ampare também nas horas do repouso do corpo!



[1] O CONSOLADOR - Ano 16 - N° 772 - 15 de Maio de 2022 -    http://www.oconsolador.com.br/ano16/772/ca3.html

sexta-feira, 20 de maio de 2022

SE VOCÊ TEM FÉ, POR QUE DUVIDA?[1]

 


Vania Mugnato de Vasconcelos – maio/2022

 

Há uma aura, uma espécie de vibração no ar envolvendo toda a Terra e provocando aumento do medo, da ansiedade, tristeza, agressividade e outras emoções contraproducentes que adoecem o corpo e a alma. Embora os problemas mundiais e locais não sejam nenhuma novidade, vemos um acirramento desses sentimentos negativos que atordoam a todos.

Poucos passam ilesos por esse turbilhão de ações e emoções que mais parecem mil formas de uma guerra invisível de caráter emocional, material, e espiritual, esta, aliás, a luta que a humanidade vem travando mais intensamente neste século, provocada pela celeridade da transformação planetária terrena, que passa de mundo de expiações para de regeneração.

Há em curso um processo seletivo que define em que tipo de mundo merecemos viver. O que deveria acontecer de modo natural e simples, pois o progresso acontece pela força das leis naturais, tornou-se complexo, especialmente pelo distanciamento da humanidade da fé em valores superiores que motivam para o trabalho, a vigilância, a oração e a confiança, uma vez que quando fizermos a nossa parte, a de Deus será feita também.

Se tornou intrincado até mesmo manifestar pensamentos, opiniões. Uma vez que todos se mostram exatamente como são, sem as máscaras da discrição e até da civilidade, há quem se veja no direito de falar e fazer o que entende melhor, mesmo que isso signifique tripudiar sobre os que estão a sua volta.

Direitos óbvios como ter um ponto de vista e expô-lo, discutir civilizadamente, estão sendo deteriorados rapidamente pela cultura do cancelamento, aquela que destrói através da humilhação, perseguição, ironia ou agressões diversas. Com o cancelamento nas relações humanas, a alma do fraco também é corroída e muitos se abalam de forma irremediável.

Onde isso vai parar? E como superar? Não há uma resposta no campo estritamente material. É preciso agir, mas a fé na justiça e no futuro deve acompanhar as ações. Para lidar com pessoas que pretendem ser possuidoras da verdade e ditadoras da consciência alheia, é necessário equilíbrio espiritual, além do moral que leva ao autorrespeito e amor.

Há dois mil anos Jesus deixou conteúdos importantes para a humanidade, e suas parábolas alertaram para momentos e situações que poderíamos vencer com prudência, responsabilidade, coragem, oração e vigilância. Dentre tais alertas um chama especial atenção, contido na parábola do joio e do trigo (Mateus 13:24-30).

Nela o Cristo conta que numa terra fértil foi semeada boa semente, o trigo, que é alimento. Num momento de distração o inimigo veio e jogou a má semente, o joio, planta venenosa parecida com a primeira enquanto ainda tenra. Descoberto o problema, os empregados perguntaram se deveriam arrancar o joio, ao que o dono das terras diz “não”. A orientação foi que deixassem as plantas crescerem juntas até que frutificassem, só então o joio seria separado e jogado fora. Esse cuidado protegeria o trigo, para que não se corresse o risco de ser desprezado indevidamente.

Nossa nave mãe, a Terra, é um astro que se despede do status de mundo de expiações e adentra ao processo de implantação do planeta de regeneração, pois não poderia estagnar eternamente quando é regido, como tudo, pela lei imutável do progresso, criada por Deus. Paralelamente ao progresso material, a humanidade terrena precisa se adequar ao novo status evolutivo do seu lar, mas isso não ocorre de um dia para outro, nem com todos de uma vez só, necessitando do tempo e das experiências para que todos frutifiquem assinalando aquilo que são.

O alerta do Cristo aponta que as sementes são as almas ligadas à Terra, as quais estão amadurecendo sob os estímulos das experiências encarnatórias e, com cada vez mais liberdade de mostrar seus frutos – suas palavras, condutas –, apresentando-se como seres que produzem o bem ou o mal, portanto, que despontam como trigo ou joio.

Muitos dizem ter fé e se a tem não deveriam duvidar. A complexidade do mundo atual e das relações humanas mostra que a Terra está em amplo processo de reforma, onde o que não presta precisa ser separado do que é útil, o que é compatível deve se manter neste lar planetário enquanto o que não é será classificado e transferido para futura residência em mundos mais arcaicos, onde o progresso seguirá no ponto da maturidade de sua humanidade, dentro das leis divinas.

Isso está acontecendo independente de nossa crença nessa verdade. O que importa é que temos nas mãos a oportunidade de decidir nosso futuro por muito e muito tempo. E perante esse ensejo, feliz daquele que tem fé na justiça e no amor do Criador, e que aceita o desafio de superação pessoal e contribuição para renovar o mundo que o acolhe.

 

Tenha fé.

 

Não duvide.

 

E se quiser saber um pouquinho mais sobre mundos de expiações e provas, e mundos de regeneração, leia o Capítulo III da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

A ESCALA EVOLUTIVA[1]

 

Miramez

 

Há um número determinado de ordens ou de graus de perfeição entre os Espíritos?

− É ilimitado o número dessas ordens, pois não há entre elas uma linha de demarcação, traçada como barreira, de maneira que se podem multiplicar ou restringir as divisões, à vontade. Não obstante, se considerarmos os caracteres gerais, poderemos reduzi-las a três ordens principais.

Na primeira ordem, podemos colocar os que já chegaram a perfeição os Espíritos puros. Na segunda, estão os que chegaram ao meio da escala, o desejo do bem é a sua preocupação. Na terceira, os que estão ainda na base da escala, os Espíritos imperfeitos, que se caracterizam pela ignorância, o desejo do mal e todas as más paixões que lhes retardam o desenvolvimento. (Allan Kardec)

Questão 97/O Livro dos Espíritos

 

Dificilmente podemos traçar uma escala evolutiva para os Espíritos, encarnados e desencarnados. As linhas divisórias escapam à nossa análise; entretanto, podemos fazer, como fazem na Terra sobre as classes, dividindo-as entre alta, média e baixa, sendo, para todas elas, a escala infinita. Assim como o Espiritismo preocupou-se em se lembrar das escalas dos espíritos, outras escolas espiritualistas também fizeram as suas divisões, da maneira que acharam mais conveniente. No fundo, nada muda sobre as leis naturais da vida.

Para melhor compreendermos o que é um espírito, ou o que somos, é bom que nos conscientizemos disso: cada alma se encontra em uma escala diferente.

Nunca dois Espíritos são totalmente iguais, no que concerne à evolução: sempre existe algum traço de diferença, mesmo entre os que têm perfeita sintonia espiritual.

Os que consideramos espíritos perfeitos, o são em relação aos homens e não diante de Deus.

A perfeição universal, a pureza total, somente o Senhor a possui, em todas as suas atribuições, portanto, não temos meios para elaborar uma escala perfeita dos espíritos, o que, nos parece, nem Deus a fez. Ele criou as leis e desde quando passamos a conhecê-las, vamos entendendo o porquê de todas as coisas do universo.

O que Jesus fala no Evangelho, que mesmo os escolhidos serão enganados, dá para percebermos o quanto ainda somos inferiores. Somos escolhidos, por vezes, para determinada tarefa, porém, temos muita ligação nas trevas, pelo passado ainda próximo ao nosso presente, e é nessa influência que poderemos ser enganados: não pelos espíritos inferiores, mas, por nossas inferioridades, que vibram em nossos caminhos.

A superioridade é demorada e constitui a nossa conquista espiritual. É, pois, o resultado do esforço individual, de passo a passo, e foi Nosso Senhor Jesus Cristo quem nos ofertou todos os caminhos, nos mostrando a verdade e a vida, facilitando as nossas escolhas; mas, o trabalho é nosso. Enquanto necessitarmos de vestir o burel de carne, ainda estaremos longe da perfeição espiritual. Devemos nos preocupar pouco com a escala a que pertencemos como espíritos, mas, dar uma demão à nossa autoeducação em todos os sentidos, no que tange à moral; todavia, necessário se faz que entendamos o que seja moral em primeiro lugar, para não cairmos em piores condições. Se não tivermos estrutura para viver os altos preceitos do Evangelho, será bem difícil apresentarmo-nos como mestres dos que procuram aprender.

No mundo físico as divisões das classes são determinadas pelo poder aquisitivo, e, mesmo assim, dificilmente podes determinar a qual classe pertencem certas pessoas. No mundo moral, as dificuldades são maiores, porque sempre escondemos o que de mal fazemos aos nossos irmãos, e anunciamos com todo vigor algum dever, que não passa mesmo de dever de cada alma. Deixemos quem quiser julgar a qual classe pertencemos, o que não nos interessa muito. O que o Cristo nos ensina é escolher a melhor parte, é trabalhar dentro do nosso mundo íntimo, por saber que o céu está em nós, bastando encontrá-lo, e se o encontrarmos, certamente vamos encontrar Deus e Cristo. Cada criatura, se desejar, pode analisar a si mesma, observando a que faixa pertence na escala espiritual.



[1] Filosofia Espírita – Volume 2 – João Nunes Maia

quarta-feira, 18 de maio de 2022

A MEMBRANA MENTE-CÉREBRO: UM FILTRO ENTRE A MENTE E O CÉREBRO?[1]

 

Bernard Beitman MD[2]

 

Resolvendo o difícil problema da relação entre mente e cérebro

Nosso contato sensorial com a realidade externa é limitado pelas faixas estreitas que nossos órgãos dos sentidos podem registrar. Podemos ver apenas uma pequena parte do espectro eletromagnético principalmente porque a atmosfera da Terra oculta muito dele. Não podemos ver a maior parte do infravermelho , enquanto alguns animais podem ver mais. Podemos ouvir apenas uma estreita faixa de sons potenciais. As baleias podem ouvir frequências muito baixas que nós não podemos. O paladar, o olfato e o tato são igualmente limitados. Nossos órgãos dos sentidos moldam nosso conhecimento do nosso entorno. Eles agem como “filtros” para as entradas em nossos cérebros.

Esses limites limitados de capacidades sensoriais parecem ter sido desenvolvidos para promover a adaptação à vida na Terra.

Muito mais está acontecendo ao nosso redor que não podemos sentir. Existem invenções ou dispositivos que ampliam os sentidos físicos humanos de visão, audição, paladar, olfato, pressão, temperatura e gravidade.

No entanto, há mais a ser descoberto do que expandir nossas atuais capacidades sensoriais. Os astrofísicos podem observar diretamente apenas 5% do universo. O resto do universo parece ser feito de uma substância misteriosa e invisível chamada matéria escura (25%) e uma força que repele a gravidade conhecida como energia escura (70%). Eles são chamados de "escuros" porque os astrofísicos não sabem do que são feitos. Esses elementos escuros compreendem 95% do que o universo é feito. Isso significa que a energia escura e a matéria escura estão aqui conosco agora. E não podemos senti-los com nossos sentidos comuns ou com extensores mecânicos.

O que mais existe lá fora que não podemos detectar com nossos instrumentos de extensão sensorial?

Algumas coincidências são pistas para novas realidades que não podemos ver. Exemplos incluem simulpatia, sentir a dor de um ente querido à distância e GPS humano, chegar onde precisamos estar sem saber como.

Sob as condições certas, nossos cérebros deixam passar experiências que nos dizem que algo além de nossos sentidos habituais está acontecendo.

 

Planície

O livro “Flatland” fornece uma imagem útil para a intrusão de algo de uma dimensão diferente em nossa consciência. Foi escrito em 1884 pelo mestre/teólogo da escola britânica Edwin Abbott. O personagem principal é um quadrado em uma população masculina que varia de círculos (realeza) a triângulos (trabalhadores humildes). As mulheres são segmentos de linha. Ele observa um ponto no plano que é Flatland. O ponto se expande em um círculo e depois se retrai em um ponto que depois desaparece. A Praça tenta convencer a realeza da existência de outra dimensão. Eles o colocaram na prisão.

Em nosso mundo 3D, algumas coincidências podem ser como esferas de 4ª dimensão passando por nossa grade espaço-tempo.

 

Árvores como metáforas

A Linguagem Secreta das Árvores está vindo à tona.

Elas se comunicam através de suas raízes usando os quilômetros de fungos que as cercam. Assim como acontece com os humanos, quanto mais conectados eles estiverem, maior será sua expectativa de vida. Pode haver uma “árvore mãe” que está conectada em toda parte através de suas raízes. Quando ela começa a morrer, ela distribui o carbono e os nutrientes de seu corpo para aqueles jovens geneticamente mais parecidos com ela.

Nós olhamos uns para os outros e para nós mesmos como se fôssemos indivíduos solitários, mas somos mais como árvores do que sabemos. Nós também podemos e nos comunicamos uns com os outros através de meios fora de vista, através de gavinhas em uma escuridão invisível.

Esta escuridão invisível tem muitos nomes: Grande Mente, Consciência, Mar Mãe da Consciência, Mistério e Deus. Eu chamo o aspecto da consciência maior ligada à Terra, a Psicosfera, nossa atmosfera mental. Esta descrição se assemelha à ideia de Noosfera de Chardin .

 

A Mente-Cérebro Membrana

A Psicosfera está cheia de informações de energia que estão ativas, agitadas, borbulhantes e em camadas.( Myers p. 121 ) Nossas mentes individuais estão imersas nele, mas separadas dele.

O que impede a informação energética da Psicosfera de sobrecarregar nossas próprias mentes individuais? Deve ser nosso cérebro. Nossos cérebros agem como filtros. Nietzsche afirmou que a verdade é um exército móvel de metáforas. Para algo tão complexo quanto esse limiar entre nossas mentes e a psicosfera, são necessárias múltiplas metáforas. Como os cegos inspecionando o elefante, cada metáfora fornece uma parte diferente da verdade. Aqui estão alguns deles:

§  Coisas : Válvula redutora, limiar, janela com cortina, o cérebro como antena, TV, rádio, smartphone ou laptop.

§  Processos : transmissão, permissão, ressonância, sintonia, tensão, peneiração, canalização, repressão, limitação e talvez individualização da informação da Psicosfera.

§  Variabilidade Limiar : afinamento ou espessamento, mais ou menos permeável.

§  A membrana mente-cérebro.

A membrana celular controla o movimento de substâncias dentro e fora das células. As membranas variam em sua espessura. Podem ter estrutura homogênea ou heterogênea. As membranas podem ser neutras ou carregadas, e o transporte de partículas pode ser ativo ou passivo. Este último pode ser facilitado por pressão, concentração, gradientes químicos ou elétricos do processo de membrana. Esses padrões de atividade da membrana podem ter análogos na membrana mente-cérebro.

Qualquer que seja a metáfora que se torne a realidade futura, nossa capacidade de experimentar a simulpatia e o GPS humano estão de alguma forma ligados aos estados funcionais do cérebro. Os pesquisadores estão atualmente investigando essas relações. Uma peça convincente do quebra-cabeça envolve a rede de modo padrão do cérebro (DMN)[3] e psicodélicos. Alterações na conectividade do DMN estão associadas a mudanças de consciência associadas a experiências místicas.

O DMN poderia estar funcionalmente relacionado à membrana mente-cérebro?

 

 

 

Traduzido pelo Google Tradutor



[2] É professor visitante da Universidade da Virgínia. Ele é o ex-presidente do departamento de psiquiatria da Universidade de Missouri-Columbia. 

[3] Na neurociência, a rede de modo padrão ( DMN), também conhecida como rede padrão, rede estatal padrão, ou anatomicamente a rede frontoparietal medial (M-FPN), é uma rede cerebral de grande escala composta principalmente pelo córtex pré-frontal medial, cingulado posterior / precuneus e giro angular.

terça-feira, 17 de maio de 2022

O ABADE DE SAINT-PIERRE[1]

 


Allan Kardec

 

As Efemérides do Siècle de 29 de abril último traziam a seguinte notícia:

1743 – Morte do abade de Saint-Pierre (Charles-Irénée Castel de Saint-Pierre), escritor e filantropo, em nome de quem ficará eternamente ligada a lembrança do projeto de paz perpétua, cuja concepção parece tornar-se cada dia mais impraticável. A vida inteira desse digno abade se consumou em trabalhos e ações que tinham por objetivo a felicidade dos homens. Dar e perdoar devia ser, em sua opinião, a base de toda a moral, e ele a punha em prática constantemente. Também foi ele que criou, ou pelo menos ressuscitou, a palavra beneficência, exprimindo uma virtude que exercia diariamente. O abade de Saint-Pierre nasceu em 18 de fevereiro de 1658, e a Academia Francesa lhe havia aberto suas portas em 1695; mas um dia, na sua Polysynodie, o abade exprimiu-se severamente sobre o reinado de Luís XIV. O cardeal de Polignac denunciou o livro à Academia, que condenou o autor sem se dignar ouvi-lo, e o excluiu de seu seio em 1718. J.J. Rousseau, que compartilhou e desenvolveu algumas das ideias do abade de Saint- Pierre, disse dele: “Era um homem raro, a honra de seu século e de sua espécie”.

O abade de Saint-Pierre era um homem de bem e de talento, justamente estimado. Nas circunstâncias presentes, as ideias que ele tinha perseguido em vida davam à sua evocação uma espécie de atualidade.

 

Evocação – A nota que acabamos de ler nas Efemérides do Siècle nos recordou vossa memória, e lemos com interesse o justo tributo de elogios prestados às qualidades que vos mereceram a estima de vossos contemporâneos e vos asseguram a da posteridade. Um homem que teve ideias tão elevadas só pode ser um Espírito adiantado. Eis por que teremos muito prazer em aproveitar as vossas instruções, se houverdes por bem comparecer ao nosso meio. Ficaremos particularmente agradecidos em conhecer a vossa opinião atual sobre a paz perpétua, que constituiu o objeto de vossas preocupações.

 

(Sociedade de Paris, 17 de maio de 1867 – Médium: Sr. Rul.)

 

Resposta – Venho com prazer responder ao apelo do presidente. Sabeis que em todas as épocas Espíritos vêm encarnar-se na Terra, para ajudar o avanço de seus irmãos menos adiantados.

Fui um desses Espíritos. Tinha o dever de procurar persuadir os homens que têm o hábito das lutas fratricidas, de que viria uma época em que as paixões que engendram a guerra dariam lugar ao apaziguamento e à concórdia. Queria fazer-lhes pressentir que um dia os irmãos inimigos se reconciliariam, se dariam o beijo da paz, que em seus corações não haveria lugar senão para o amor e a benevolência, e que não mais pensariam em forjar armas que semeiam a morte, a devastação e as ruínas! Se fui benevolente, era o efeito de minha natureza mais adiantada que a dos meus contemporâneos. Hoje, um grande número entre vós pratica esta virtude evangélica e, se ela é menos notada, é que se espalhou mais e os costumes se abrandaram.

Mas volto à questão que é objeto desta comunicação, à paz perpétua. Não há um só espírita que duvide que aquilo que se chama uma utopia, um sonho do abade de Saint-Pierre, mais tarde não se torne realidade.

Em meio a todos esses clamores que anunciam a aproximação de graves acontecimentos, não há como se falar de paz perpétua; mas ficai bem persuadidos de que esta paz descerá sobre a vossa Terra. Assistis a um grande espetáculo, ao da renovação do vosso globo. Mas, quantas guerras antes! Quanto sangue derramado! Quantos desastres! Infeliz daquele que, por seu orgulho e ambição, tiverem desencadeado a tempestade! Terão de prestar contas de seus atos àquele que julga os grandes e os poderosos, como os menores de seus filhos!

Perseverai todos, irmãos; sois também os apóstolos da paz perpétua, porque ser discípulos do Cristo é pregar a paz, a concórdia. Entretanto, digo-vos ainda, antes que possais testemunhar esse grande acontecimento, vereis novos engenhos de destruição, e quanto mais se multiplicarem os meios, mais depressa os homens prepararão o advento da paz perpétua.

Deixo-vos repetindo as palavras do Cristo: “Paz na Terra aos homens de boa vontade”.

Aquele que foi,

Abade de Saint-Pierre



[1] Revista Espírita – Dezembro/1867 – Allan Kardec