sexta-feira, 11 de março de 2022

MUNDOS HABITADOS[1]

 

Martins Peralva

 

LE 55: — São habitados todos os globos que se movem no Espaço?

R: — Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e perfeição. 

Temos, assim, no Espaço incomensurável, mundos-berços e mundos-experiências, mundos-universidades e mundos-templos, mundos-oficinas e mundos-reformatórios, mundos-hospitais e mundos-prisões[2]. - Emmanuel

O ensino dos Espíritos, ao ditarem a codificação do Espiritismo, confirma plenamente a referência de Nosso Senhor Jesus-Cristo, de que “na casa de meu Pai há muitas moradas”.

Podemos conceituar de três maneiras, para efeito de estudo, a palavra “moradas”, mencionada no Evangelho:

a)      Os mundos que formam o Universo, onde outras humanidades realizam a marcha evolutiva.

b)      As diversas zonas espirituais, superiores ou inferiores, além das fronteiras físicas, onde a vida palpita com a mesma intensidade das metrópoles humanas.

c)       Os vários departamentos da Mente, onde se demoram pensamentos e reações, dramas e tragédias, anseios e realidades do Espírito.

 

A ciência moderna, evoluindo e reformulando conceitos clássicos, admite já, além do nosso, a existência de outros mundos, nos quais há possibilidades de vida, confirmando, assim, assertiva das entidades superiores na obra que é a pedra angular da filosofia espírita: O Livro dos Espíritos.

Ninguém poderá imaginar quantos mundos realmente existem, habitados; mas, nenhum espírita põe dúvida em que inúmeras humanidades vivem nesses mundos, felizes, uns, infelizes, outros.

Para que os adeptos do Espiritismo creiam na existência de outros orbes, nos incontáveis departamentos da Vida Universal, há razões de :

a)      Ordem científica.

b)      Ordem filosófica.

c)       Ordem religiosa ou evangélica.

 

No que se refere aos argumentos científicos, perguntaríamos:

Por que haveria de ser a Terra o centro do Universo, quando nem o é do sistema planetário solar, pelo pouco ou quase nada que representa diante de milhões de fabulosos astros que navegam, equilibrados pela mecânica celeste, no Espaço Incomensurável?

Vejamos:

a)      O Sol — centro do nosso sistema — é 1.300.000 vezes maior do que a Terra, mas é alguns milhões de vezes menor do que Antares.

b)      O brilho de Canópus é 80.000 vezes superior ao brilho do Sol.

c)       Urano é 70 vezes maior do que a Terra, pequenina laranja dentro de nosso sistema.

d)     Capela é 5.800 vezes maior do que o Sol.

e)      Júpiter, que maravilha — 12 satélites conhecidos!...

f)       A Via-Láctea é um turbilhão fabuloso de sóis, de todas as dimensões e claridades, que a moderna astronomia não consegue contar, mas que avalia em mais de        200. 000. 000.

 

Assim, pelo exposto, os argumentos científicos sustentam-se nos seguintes fatores essenciais:

a)      Posição

b)      Volume

c)       e  Constituição, em relação a outros mundos.

 

Por que, com semelhante insignificância dimensional, seria o nosso pequenino e desajeitado orbe a razão de ser da própria vida da humanidade e o núcleo polarizador de milhões de galáxias?!

Sob o ponto de vista filosófico, transitam as almas por vários mundos, purificando-se, cada vez mais, e adquirindo a sabedoria que as tornará realmente perfeitas.

O espírito reencarnado, hoje, na Terra, poderá, amanhã, estar em Marte ou Vênus, em Saturno ou Júpiter, para citar, apenas, quatro dos nove componentes do nosso sistema planetário.

O aprendizado, a colheita de experiências, o acúmulo dos valores eternos não se verificam tão-somente na Terra, mas em diversas “moradas do Pai”, conforme o ensino de Jesus quanto à pluralidade dos mundos habitados, ao qual plenamente se ajustaria a codificação espírita, em 1857, com base nos seguintes argumentos, nada lisonjeiros para o globo terrestre:

a)      Atraso moral dos terrícolas.

b)      Atraso científico.

c)       Atraso cultural em relação aos mundos habitados, onde os grandes homens da Terra se apresentariam na condição de alunos incipientes.

 

“Enquanto o homem se encaminha para a Lua, estudando-a de perto, comove-nos pensar que a Doutrina Espírita se referia à pluralidade dos mundos habitados precisamente há um século”, observa Emmanuel.

O argumento religioso, ou evangélico, ninguém desconhece e dispensa maiores comentários, eis que se apoia na palavra do Cristo: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”.

E, ainda: “Tenho outras ovelhas que não são deste redil”.

Os departamentos da Mente são, a nosso ver, outras tantas “moradas individuais”, como repositório das reações mais ou menos felizes das inteligências encarnadas ou desencarnadas.

A “morada mental” do homem equilibrado apresenta aquela ordem, aquele asseio, aquela disciplina e aquele respeito encontrados nas residências bem cuidadas, no plano físico:

§  Serenidade interior.

§  Harmonia espiritual.

§  Consciência isenta de remorso.

§  Mente voltada para o Alto.

§  Trabalho incessante no Bem.

§  Ideações edificantes.

§  Resignação na dor.

§  Moderação na alegria.

§  Bom ânimo e submissão à Vontade Divina.

 

Tudo isso constitui a auspiciosa, a feliz arrumação da “morada mental” do homem espiritualizado.

Inquietude, desordem, íntima, consciência e coração culpados, pensamento centralizado na futilidade e na maledicência, excessos emocionais, inatividade psíquica e revolta no sofrimento, além de outras tantas infelicidades, representam a desarrumação dos departamentos mentais do homem espiritualmente adormecido.

No que toca às diversas regiões espirituais, sabemos que comunidades redimidas habitam zonas mais elevadas da Espiritualidade, às quais obreiros dedicados são periodicamente conduzidos em processo estimulante do esforço pessoal.

Em faixas vibratórias mais ligadas à Terra, estacionam, temporariamente, almas ainda vinculadas às sensações e problemas da vida física, uma vez que o peso específico de suas organizações perispirituais, apresentando certa densidade, lhes não permitem as grandes ascensões.

Emmanuel, no entanto, concitando-nos ao esforço renovador, em busca da felicidade que se não extingue, nem aqui, nem no mais Além, assegura-nos que, “trabalhando e servindo, aprendendo e amando, a nossa vida íntima se ilumina e se aperfeiçoa, entrando gradativamente em contato com os grandes gênios da imortalidade gloriosa”.



[2] Religião dos Espíritos – 78-Pluralidade dos Mundos Habitados – Francisco C. Xavier

quinta-feira, 10 de março de 2022

INGENTES ESFORÇOS[1]

 

Miramez

 

Há pessoas que fazem o bem por um impulso espontâneo, sem que tenham de lutar com nenhum sentimento contrário. Têm elas o mesmo mérito daquelas que têm de lutar contra a sua própria natureza e conseguem superá-la?

− Os que não têm de lutar é porque já realizaram o progresso: lutaram anteriormente e venceram; é por isso que os bons sentimentos não lhes custam nenhum esforço e suas ações lhes parecem tão fáceis: o bem tornou-se para eles um hábito. Deve-se honrá-los como a velhos guerreiros que conquistaram suas posições. Como estais ainda longe da perfeição, esses exemplos vos espantam pelo contraste e os admirais tanto mais porque são raros. Mas sabei que nos mundos mais avançados que o vosso, isso que entre vós é exceção se torna regra. O sentimento do bem se encontra por toda parte e de maneira espontânea, porque são mundos habitados somente por bons Espíritos e uma única intenção má seria neles uma exceção monstruosa. Eis porque os homens ali são felizes. E assim será também na Terra, quando a Humanidade se houver transformado e começar a praticar a caridade na sua verdadeira acepção.

Questão 894/O Livro dos Espíritos

 

As leis espirituais não violentam ninguém; elas, inspirando todos os seres, procuram despertar-lhes os conhecimentos adquiridos nas experiências de cada dia. O Espírito deve procurar esforçar-se todos os dias no aprendizado comum a todos os seres, que neste ingente trabalho de melhorar, o que lhe faltar será suprido pelas bênçãos do Criador.

Não há quem fique sem o amparo da Divindade. Onde quer que estejamos, aí Deus se encontra, e se abrirmos a porta do coração, Ele passará a ficar mais visível na nossa consciência. Quando começamos a entender essa ciência de vida, será mais fácil nos prepararmos para o banquete de luz na intimidade da vida.

Quanto à indagação sobre por que essa diferença de uns se esforçarem usando as últimas forças para melhorar, enquanto outros, com poucos esforços, vencem com facilidade muitos problemas, deixando em seguida muitos vícios e hábitos que incomodam a consciência, respondemos que, os que com facilidade estão no aprendizado assimilando e vivendo as lições do Evangelho, é por terem muita vivência neste campo de reformas, e a tiveram em vidas passadas, ao passo que os companheiros que encontram muitas dificuldades no aprendizado, podem estar começando agora as mudanças internas. Isso é comum nas escolas religiosas e filosofias diversas: quando encontramos certos irmãos envolvidos no fanatismo religioso, é sinal de que estão iniciando agora as primeiras experiências no certame da moral evangélica, e se deslumbram de tal modo que chegam ao fanatismo. Entretanto, o tempo cuidará deles e acertará seus passos nas sendas da luz.

São caminhos de todas as criaturas no alvorecer do entendimento, onde a luz é o ponto alto para as claridades da alma. Os irmãos que já têm progresso realizado, encontram facilidade nas lutas, por terem começado antes. O mérito é de conformidade com o avanço espiritual. O bem se lhes tornou condicionamento, exercitando a prática há muito tempo. A Doutrina dos Espíritos constitui essa misericórdia para a humanidade, ofertando meios e métodos de todas as ordens, no preparo dos Espíritos, libertando-os de todos os tipos de infortúnios e paixões inferiores. O que Jesus falou ao povo de sua época, a Doutrina dos Espíritos pode dizer agora:

Pois, eu vos afirmo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes, e não viram, e ouvir o que ouvis, e não ouviram. (Lucas, 10:24)

 

Muitos dos chamados profetas atuais vão se arrepender de não terem escutado a voz do Pastor pelos canais da Doutrina dos Espíritos, na revelação das leis espirituais que comandam a vida. Eles não quiseram ouvir nem ver, com desculpas de que era a voz de Satanás. Os religiosos criaram esse personagem, e ele passou a viver ligado às mentes invigilantes dos seus criadores.

Deus, sendo onisciente e todo amor, não iria criar Espíritos destinados eternamente ao mal e, ainda mais, perseguindo aos que desejam somente a luz. Os maiores demônios que conhecemos são as nossas fraquezas, que se chamam orgulho, ciúme, inveja, egoísmo, ingratidão e preguiça. Daí partimos para muitos outros que moram dentro de nós. Trabalhemos para transformá-los no amor o nosso trabalho individual, estabelecendo luz nos nossos corações e paz nas nossas consciências.



[1] Filosofia Espírita – Volume 18 – João Nunes Maia

quarta-feira, 9 de março de 2022

INFRASSOM[1]

 

Steven Parsons

 

O Infrassom (frequências de áudio abaixo da audição humana normal) tem sido investigado como uma possível causa de efeitos paranormais.

 

Introdução

O Infrassom é geralmente considerado como energia de frequência de áudio que está abaixo da faixa de audição humana normal, tipicamente 20 Hz[2], embora tenha sido demonstrado que estímulos acústicos com frequências tão baixas quanto 1Hz podem ser detectados por humanos[3]. Os mecanismos de detecção de Infrassom não são totalmente compreendidos, mas tem sido sugerido que, em frequências muito baixas, a detecção não ocorre através da audição no sentido normal[4]. Em vez disso, ondas de Infrassom podem ser detectadas através de ossos esqueléticos, ossos dentro do ouvido, ressonância dentro de órgãos e cavidades corporais e sentidos táteis[5]. A incapacidade da maioria das pessoas de ouvir Infrassom significa que seus efeitos sobre uma pessoa são em grande parte inesperados e, portanto, mais propensos a serem responsabilizados por outras causas. Nos casos em que o percipiente está em um local conhecido por ser assombrado, ou envolvido na busca da caça fantasma, tais efeitos podem ser responsabilizados por um agente paranormal ou causa.

 

Fontes

O Infrassom ambiente dentro do ambiente é produzido por fontes naturais e feitas pelo homem. Fontes naturais incluem efeitos relacionados ao clima: vento e tempestades, ação de ondas e ondas, erupções vulcânicas e fenômenos atmosféricos superiores (a corrente de jato e meteoros)[6]. O Infrassom feito pelo homem está associado a veículos e aeronaves, máquinas e interações meteorológicas em edifícios e outras estruturas[7].

 

História

Os primeiros investigadores paranormais reconheceram que as vibrações eram um componente em alguns casos relatados de assombração e poltergeist. Harry Price, por exemplo, incluiu uma tigela de mercúrio em seu kit de caça fantasma para a detecção de tremores em uma sala ou passagem[8]. Price também estava ciente da capacidade de certas notas e sons para causar uma vibração simpática em outros objetos. Ele observou que, em um caso, um pealing particular de sinos de igreja nas proximidades fez com que os fios de um piano em uma casa próxima vibrassem em simpatia, levando os moradores a relatar que a música fantasmagórica estava às vezes sendo tocada por mãos invisíveis[9]. Outros pesquisadores psíquicos também observaram que as vibrações sonoras desempenharam um papel na produção de fenômenos psíquicos[10].

O caso de uma potencial ligação causal entre exposição ao Infrassom e experiências anômalas relatadas foi feito em 1974 pelo professor Michael A Persinger. Ele afirmou que, apesar da falta de dados públicos para comparar relatórios paranormais, o Infrassom é

"um excelente candidato para pelo menos alguns tipos de experiências precognitivas. A energia fraca do Infrassom de fontes ambientais poderia evocar respostas vagas e levar a relatos de sentimentos de pressentimento, depressão da destruição iminente à frente de fenômenos naturais, como terremotos ou tempestades[11]".

Periodicamente, alegações dramáticas e até alarmistas têm sido feitas na mídia sobre Infrassom e seus efeitos:

§  The Silent Sound Menaces Drivers – Daily Mirror (1969)

§  Tumores cerebrais 'causados pelo barulho' – The Times (1973)

§  The Silent Killer All Around Us – London Evening News (1974)

Infrassom começou a desenvolver uma mitologia popular, culpada por doenças e infortúnios pelos quais nenhuma outra explicação foi encontrada, incluindo tumores cerebrais, morte de berço e acidentes de trânsito[12].

Em 1973, o autor Lyall Watson repetiu afirmações originalmente feitas pelo cientista francês de armas Vladimir Gavreau, incluindo uma que, em um experimento envolvendo geradores infrassônicos, todas as janelas dentro de meia milha foram quebradas, e outra no sentido de que "dois geradores infrassônicos focados em um ponto a cinco milhas de distância produzem uma ressonância que pode derrubar um edifício tão efetivamente quanto um grande terremoto[13]".12 Essas afirmações nunca foram comprovadas[14].

 

Interesse paranormal

O Infrassom tornou-se estabelecido dentro da pesquisa paranormal e da parapsicologia como fator na produção de experiências subjetivas que podem ser interpretadas pelo percipiente como tendo origem paranormal. Isso se seguiu à publicação de Tandy e Lawrence[15] de sua hipótese Infrassom, na qual o Infrassom é dito para desempenhar um papel causal em certos casos de fenômenos assombrados e aparições. Os autores observaram semelhanças entre, por um lado, os efeitos psicofisiológicos relatados por trabalhadores expostos ao ruído de baixa frequência do ventilador[16], e, por outro lado, relatos subjetivos de pessoas relatando experiências paranormais, ambas incluindo sentimentos de ansiedade ou pavor, náuseas, doenças e dores de cabeça repentinas. Com base em pesquisas da NASA[17], uma sugestão-chave foi que o Infrassom em uma faixa de frequência específica (cerca de 19Hz) poderia causar vibração do globo ocular, levando a efeitos visuais que poderiam ser interpretados como encontros de aparições.

A hipótese dos autores baseou-se em um incidente específico no qual o Infrassom causado por um ventilador extrator defeituoso parecia ser a fonte tanto de efeitos físicos quanto de relatos de experiências anômalas. Sua frequência e amplitude nunca foram diretamente medidas, mas poderiam ser estimadas pelo cálculo matemático e observação dos efeitos[18].

Tandy mais tarde conduziu medições de Infrassom em um porão supostamente assombrado em Coventry[19]. Neste experimento, foram feitas medições do Infrassom ambiente por meio de equipamentos de monitoramento ambiental. Ele observou um alto nível de Infrassom com uma frequência próxima de 19Hz dentro do porão. Os resultados confirmaram sua hipótese anterior de que o Infrassom próximo à frequência sugerida de 19Hz foi responsável pela produção de experiências anômalas relatadas por alguns visitantes ao local.

O Infrassom tem sido cada vez mais apresentado como fator contribuinte primário na produção de efeitos fisiológicos e psicológicos posteriormente interpretados como uma experiência paranormal[20]. Uma pesquisa no Google em 2014 por "Infrassom paranormal" devolveu quase 22.000 páginas fazendo afirmações sobre a relação do Infrassom com experiências paranormais, a maioria delas originárias do artigo de Tandy e Lawrence. A maioria dessas reivindicações também se concentra na importância da frequência do Infrassom.

As experiências paranormais relatadas que podem estar ligadas à exposição por Infrassom incluem:

§  Sensações psicológicas, como sensação de presença e apreensão[21].

§  Sensações psicofisiológicas, causadas pela vibração de órgãos e cavidades corporais, incluindo aumento da frequência cardíaca, vertigem e náuseas[22]. A sensação de ser tocado ou empurrado também pode estar associado à exposição por Infrassom.

§  Sensações físicas, causadas pelas vibrações infrassônicas que criam efeitos secundários observáveis sobre as estruturas dentro de um local, levando, por sua vez, ao movimento de objetos e sons anômalos.

Quando o Sunday Mirror[23] publicou uma série de artigos sobre os possíveis perigos do ruído de baixa frequência, o jornal recebeu mais de 700 cartas de leitores descrevendo uma ampla gama de efeitos adversos à saúde e psicológicos que culpavam em sons de baixa frequência, incluindo dores de cabeça severas, náuseas, palpitações, tonturas e fadiga extrema. Também foram relatadas alucinações visuais, sono perturbado, pesadelos e pensamentos suicidas. Tais alegações raramente são baseadas em observações empíricas de Infrassom, mas, em vez disso, baseiam-se em semelhanças entre os relatos de testemunhas de experiências paranormais e os efeitos relatados da exposição ao Infrassom.

 

O Hum

O Hum é caracterizado como um som de baixa frequência que causa angústia ou irritação, e que às vezes está associado com interesse paranormal, como OVNIs, também teorias conspiratórias militares ou governamentais. Os zumbidos são relatados em todo o mundo: exemplos incluem o Bristol Hum (Inglaterra), Taos Hum (Novo México), Pembrokeshire Hum (País de Gales) e o Zumbido de Copenhague (Dinamarca). As descrições do Hum variam, mas tendem a incluir referências a um som constante ou pulsante, latejante e estrondo. Pode ser constante ou aumentar de intensidade em momentos diferentes, e geralmente é descrito como sendo pior durante a noite. Seus efeitos incluem pressão ou dor nas orelhas e cabeça, vertigem, perda de concentração e perturbação do sono. O Hum não afeta todos dentro de uma área ou localização, e há numerosos casos em que um indivíduo dentro de uma casa é afetado, enquanto outros que vivem na mesma casa não percebem e relatam nenhum efeito adverso. Até o momento, nenhum Hum foi rastreado até uma fonte específica, mas as sugestões incluíram gasodutos, transmissores de rádio e turbinas eólicas.

 

Estudos de Infrassom

Vários estudos têm procurado testar melhor as ligações propostas entre experiências paranormais relatadas e Infrassom.

Em 2003, o Infrassom (17Hz) foi incluído em apresentações de concertos, que ocorreram no Purcell Room, em Londres. Os concertistas foram questionados posteriormente, e suas respostas emocionais foram avaliadas por psicólogos: as reações incluíam um extremo sentimento de tristeza, frieza e ansiedade. Os experimentadores concluíram: "Em média, o Infrassom aumentou o número de experiências estranhas em cerca de 22%. Também aumentou a intensidade de qualquer sentimento relatado[24].

Em 2007, grupos turísticos foram, sem saber, submetidos a Infrassom (18,9Hz) na atração Real Mary King's Close em Edimburgo. Eles foram então pesquisados ao sair. Os resultados indicaram fortemente que a exposição ao Infrassom desempenhou um papel significativo na produção de experiências paranormais subjetivas para cerca de um terço do total[25].

Em 2006, o Infrassom a 14Hz foi produzido por um período durante um concerto que ocorreu em Liverpool; um segundo experimento semelhante ocorreu em Middlesbrough em 2010 ao nível de 18,9Hz. Cada evento produziu muitos relatos anedóticos de efeitos psicofisiológicos tanto no público quanto nos artistas na época em que o Infrassom estava ativo, incluindo náusea, tontura, pressão nos ouvidos e sentimentos de pressentimento[26].

Um resultado negativo foi produzido em 2009, quando o Projeto 'Haunt' usou Infrassom (18,9Hz e 22,3Hz) como parte de um experimento para construir uma sala assombrada. Alguns participantes relataram sensações anômalas, como sensação de presença, vertigem e terror, no entanto, os experimentadores relataram que "não forneceram qualquer apoio para a ligação postulada entre a presença de Infrassom e a experiência de sensações anômalas[27]".

 

Problemas com estudos de Infrassom

Estudos que buscam ligações entre experiências paranormais relatadas e exposição Infrassom têm até agora focado principalmente em frequências de cerca de 19Hz, seguindo o trabalho de Tandy e Lawrence[28]  e Tandy[29]. No entanto, o estudo original de Tandy e Lawrence, e muitos estudos subsequentes, foram falhos por informações incompletas e/ou uma má compreensão da natureza do som de baixa frequência, deixando muitas de suas conclusões abertas à questão.

Tandy e Lawrence calcularam a frequência do Infrassom matematicamente, mas não realizaram medições para verificar isso. Também não fornecem informações sobre as dimensões físicas do local, o que é importante, pois isso afeta diretamente a produção de ondas paradas dentro do espaço. O Projeto Haunt não afirma qual equipamento ou método foi usado para obter os dados de nível de som ou qual (se houver) ponderação foi aplicada às medições. Além disso, o uso de duas ondas seno combinadas (18,9Hz e 22,3Hz) teria resultado na produção de frequências secundárias como resultado da intermodulação entre os dois sinais primários. Esses tons secundários (harmônicos) são iguais à soma e à diferença das duas frequências primárias: f1 ± f2 (3,4Hz e 41,2Hz). Outras frequências harmônicas que estão bem dentro da audição humana normal também podem estar presentes. O experimento também não considerou as interações do Infrassom dentro da própria sala, causadas por ondas sonoras refletidas e refratadas saltando das paredes, do chão e do teto, nem os possíveis efeitos sobre os participantes enquanto caminhavam pelo que poderia ter sido grandes variações em ambas as frequências sonoras apresentadas[30].

A suscetibilidade aos efeitos psicofisiológicos da exposição ao Infrassom parece estar ligada tanto à duração da exposição quanto ao nível geral de pressão sonora[31]. A exposição prolongada a baixos níveis de pressão de Infrassom tem sido sugerida como uma provável causa de efeitos psicofisiológicos adversos[32]. A partir dos estudos limitados realizados até o momento, também o conhecimento de que o Infrassom é produzido por muitas fontes naturais e artificiais, parece provável que o Infrassom seja apenas um dos muitos fatores que podem levar à notificação de experiências anômalas ou paranormais por alguns indivíduos. Uma série de outras conclusões também são fortemente sugeridas:

§  O Infrassom sozinho não produz experiências anômalas e paranormais.

§  A faixa de frequência em torno de 18Hz não produz as experiências de aparição (como sugerido por Tandy e Lawrence).

§  O Infrassom apresentado em uma gama de frequências é mais propenso a produzir relatos de experiências anômalas e paranormais do que o Infrassom de frequência única.

 

Literatura

·         Blazier, W.E. (1981). Revised noise criteria for application in the acoustical design and rating of HVAC systems. Journal of Noise Control Engineering 16, pp. 64-73.

·         Daily Mirror, 19th October 1969, p.18.

·         Fielding Y, and O’Keeffe C. (2006). Ghost Hunters: A guide to investigating the paranormal. London: Hodder and Stoughton, pp. 316-322.

·         Fodor, N. and Lodge O. (1933). Encyclopedia of Psychic Science. London: Arthurs Press Ltd.

·         French, Christopher C., Haque, Usman, Bunton-Stasyshyn, Rosie and Davis, Robert. (2009). The “Haunt” project: An attempt to build a “haunted” room by manipulating complex electromagnetic fields and infrasound. Cortex 45 (5), pp. 619-629.

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·         London Evening News, 25th May 1974. p.11.

·         Para.Science. (2008). Mary Kings Ghost Fest 2007 – Preliminary results.

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·         Parsons, Steven. (2012). Infrasound and the Paranormal. Journal of the Society for Psychical Research 76, pp 150-174.

·         Persinger, M. A. (1974). The Paranormal: Part II. Mechanisms and Models. New York: MSS Information Corporation.

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·         Silent Sound. (2006 and 2010). http://www.silentsound.info/sound_silentsound.html  (Accessed 1st November, 2014).

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·         The Times, 29th September 1973. p.7.

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·         von Gierke, H.E. and Parker D.E. (1976). Keidel W.D. & Neff,  W.D., eds. Infrasound. The Handbook of Sensory Physiology Vol. 3. Berlin: Springer-Verlag, pp. 585-624.

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[2] Leventhall, Pelmear e Benton, 2003.

[3] Yeowart et al, 1967.

[4] von Gierke e Nixon, 1976.

[5] Trabalho, 1993.

[6] por exemplo, von Gierke e Parker, 1976; Gossard e Hooke, 1975.

[7] Blazier, 1981; Stubbs, 2005.

[8] Preço, 1974 p. 31.

[9] Preço, 1974 p. 38.

[10] Fodor e Lodge, 1933.

[11] Persinger, 1974.

[12] Tempest, 1971.

[13] Watson, 1973.

[14] Gavreau, 1966.

[15] Tandy e Lawrence, 1998.

[16] Tempest, 1976.

[17] Relatório Técnico da NASA 19770013810.

[18] Tandy e Lawrence, 1998.

[19] Tandy, 2000.

[20] por exemplo, Fielding e O'Keeffe, 2006.

[21] Stephens, 1969.

[22] Hansen, 2007.

[23] The Sunday Mirror, 1977.

[24] Infrasonic, 2003.

[25] Para.Science, 2008.

[26] Silent Sound, 2006, 2010.

[27] French et al, 2009.

[28] Tandy e Lawrence, 1998.

[29] Tandy, 2000.

[30] Parsons, 2012.

[31] Kitamura e Yamada, 2002.

[32] Benton, 1997.