sexta-feira, 9 de agosto de 2019

É SEMPRE TEMPO DE RECEBER VISITAS[1]



Jane Maiolo

“Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?”
Lucas - 12:26

O evangelista Lucas descreve a presença de Jesus na casa de Marta e Maria. Narra que na ocasião o Mestre é recepcionado pelas irmãs de Lázaro, o “ressuscitado”, iniciando um momento prazeroso de conversação, seguido de grandes e preciosos ensinamentos[2].
É oportuna a narrativa para reflexão sobre a ansiedade e as escolhas que fazemos diariamente. É imperioso, pois, analisar alguns dados sobre o comportamento do homem contemporâneo e os reflexos do tênue e arriscado mundo virtual em nossa saúde sócio psicossomática.
A temática, descrita por Lucas: “Jesus na casa de Marta e Maria”, traz do mesmo modo, uma indicação sutil de como desenvolvermos hábitos saudáveis nos círculos de convivência e como o Evangelho meditado, sentido e vivenciado pode lançar luz sobre nossas escolhas.
A personagem “Marta” simboliza a ação, agitação e o fazer, enquanto que “Maria” representa a serenidade, contemplação e a emoção. Portanto, “Marta” e “Maria” sintetizam as variantes dos estados psicológicos do ser humano.
Nesse sentido, podemos rematar que todos temos uma parcela psíquica de “Marta” e um fragmento de “Maria”, no entanto é urgente o incremento do equilíbrio íntimo a fim de provar nossas escolhas com o foco na serenidade e na paz diante dos desafios dos atuais dias conturbados que vivemos.
O apontamento de Lucas demonstra que Jesus destacou a opção de “Maria” como a melhor parte, que não lhe será tirada. Ao ensejo da lição é importante ajuizarmos nossas eleições entre “Marta” e “Maria” sabendo que “Marta” continua sendo a representação de tudo o que devemos realizar sem com isso nos aprisionar.
O apego aos bens materiais, o corre-corre tresloucado, as doenças psicossomáticas indicam-nos sobre o imperativo de organizarmos redes de proteção e nos percebamos acudidos nos círculos de afetos, apaziguando, por efeito, as rotineiras agitações e distonias que desavisadamente elegemos.
A inquietação mental e a agitação emocional impactam a saúde de tal modo que resultam nas inevitáveis incapacitações de atos proativos, promovem distúrbios e ou transtornos que obrigam a um longo período de terapias psicológicas.
Segundo dados disponíveis no portal da OMS, os transtornos de ansiedade atingem um total de 264 milhões de indivíduos, 18 milhões são brasileiros.
Para apaziguar os colapsos psicológicos generalizados será imprescindível o atendimento médico especializado, as psicoterapias, e outros processos terapêuticos além das propostas socorristas das casas espíritas, através de palestras, cursos doutrinários, acolhimento fraternal, atividades assistenciais, passe magnético e a água fluidificada.
Porém, para bancar tais procedimentos socorristas e atendimentos apropriados o trabalhador do centro espírita não pode constar no rol dos neurotizados, padecendo as mesmas alterações cognitivas e comportamentais dos desajustados do mundo.
Paira certo transtorno de ansiedade nalguns trabalhadores espíritas, mormente quando tais “obreiros” aceleram as imaginações futuristas em processos de antecipação de eventuais ocorrências futuras. Aliás, paranoia contida nas evidentes correrias para promoções de eventos, obstando plenificação consciencial nas lides espíritas através das experiências simples do cotidiana.
A desordem ansiosa começa quando tal subversão fica descomedida. O nervosismo narcotiza o indivíduo, impedindo que realize as tarefas, atrapalhando os compromissos, emperrando a vida social e espiritual.
Logicamente os tempos apresentados na referência de Lucas eram diferentes e não decretavam das pessoas tantas atividades sociais, culturais e econômicas, entretanto a lição contida na citação do evangelista é lecionar aos homens, de todas as épocas, a discernir entre o que é circunstancial e o que é essencial na vida.
Personificar “Maria” é oferecer as melhores escolhas, assumir “Marta” pode equilibrar circunstancialmente as ações mirando o bom, o belo e o bem sem desânimo e sem inquietação.
Em síntese: “É importante mover as mãos de “Marta”, contudo, primordialmente vale auscultar o coração de “Maria”.


 Fonte: Rede Amigo Espírita

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

PRESSENTIMENTOS[1]



Miramez

O pressentimento é sempre uma advertência do Espírito protetor?
‒ O pressentimento é o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos quer bem. O Espírito, antes de encarnar, tem conhecimento das principais fases de sua existência, quer dizer, do gênero de provas nas quais se obriga. Quando estas têm um caráter marcante, ele conserva, no seu foro íntimo, uma espécie de impressão, que é a voz do instinto, despertando quando o momento se aproxima, como pressentimento.
Questão 522/Livro dos Espíritos

Quem não tem pressentimentos? Todos os temos, encarnados e desencarnados. Qual a diferença entre nós e os Espíritos que estão integrados no mundo da carne? Somente que uns estão presos segundo a carne, e os outros, livres, ainda que não totalmente. Os chamados livres têm que respeitar leis que nos dirigem e sustentam.
Mas, os pressentimentos estão fora de determinadas leis e se manifestam onde quer que seja.
Existe uma câmera sensível no inundo consciencial, que registra as emissões mentais dos guias espirituais, que conversam com os encarnados pelos canais do coração. É o que se chama de telepatia; são vozes por vezes mais audíveis do que os sons emitidos pelas cordas vocais.
Existem muitos meios de transmissão telepática, de acordo com a elevação de quem transmite e de quem recebe. Nós mesmos do mundo dos Espíritos, admiramos o corpo físico, e depois de conhecê-lo profundamente, passamos a admirá-lo mais. Ele é, verdadeiramente, a maior maravilha das formas na Terra, e é por esta forma que nós, os Espíritos, atingimos certa capacidade de entendimento. A reencarnação é uma bênção de Deus para a humanidade, e quem se encontra movendo em um corpo, que cuide bem dele. Ele é um instrumento divino, entregue ao Espírito para que possa despertar para a luz com mais felicidade.
Tens sempre pressentimentos, basta que os observes. Entregue à meditação, podes observá-los chegando à tua consciência, trazendo-te muitas mensagens que poderão enriquecer tuas qualidades morais e espirituais. O campo de evolução, do despertamento no interior das criaturas, é enorme. As qualidades espirituais vão se transmutando com maior beleza; é o progresso se fazendo. Antes, o homem era dotado de instintos, depois, ele os transformou em razão, que por ora domina, depois virá a intuição, o sentido do futuro. Essa caminhada é infinita, ganhando nomes de acordo com o seu surgimento.
Dá mais atenção aos teus pressentimentos, extraindo desses avisos a luz de que são portadores. A Doutrina dos Espíritos é um conjunto de conceitos, que além de repetir Jesus, amplia Seus conceitos, dando segurança a todas as criaturas, de vida, de paz, de trabalho e de amor.
Os pressentimentos são conselhos dos Espíritos que te amam. Eles sabem introduzir no livro da consciência a escrita de Deus para te ajudar nos caminhos da vida, despertando em teu coração os sentimentos mais nobres, carregados de amor e caridade. Isso é uma ciência alcançando o progresso. Os benfeitores espirituais aproveitam as oportunidades, intuindo nos encarnados os meios de melhor aprenderem o bem-viver. Não vês que em todas as provações, ainda que sejam as mais duras, tens sempre um amparo, recebendo conselhos e consolo, que brotam do teu íntimo como se fosse a leitura de um livro, cujo autor desconhece? Nesses momentos, procura orar, que a prece ajudar-te-á a melhor entender as verdades estabelecidas na consciência.




[1] Filosofia Espírita – Capítulo 11 – João Nunes Maia

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

PROGRAMA TRADUZ SINAIS CEREBRAIS DIRETAMENTE EM VOZ[1]



Redação do Site Inovação Tecnológica - 30/01/2019

Tradução de pensamento em voz
Neuroengenheiros criaram um programa de computador que traduz o "pensamento" em fala inteligível.
O "pensamento" na verdade são sinais neurais lidos por uma interface implantada no cérebro de pacientes que estão sendo tratados de epilepsia.
Monitorando a atividade cerebral desses pacientes, o programa conseguiu reconstruir algumas palavras ‒ os nomes dos números ‒ que uma pessoa ouve com uma clareza notável.
Esse avanço, que aproveita o poder dos sintetizadores de voz e da inteligência artificial, promete novas formas de interface com a tecnologia, permitindo que, no futuro, os computadores se comuniquem diretamente com o cérebro dos usuários, por exemplo.
Há grande esperança também de ajudar as pessoas que não podem falar ‒ como as que vivem com esclerose lateral amiotrófica (ELA) ou se recuperando de um derrame ‒ a recuperar sua capacidade de se comunicar com o mundo exterior.

Vocoder
Várias pesquisas mostram que, quando falamos ‒ ou mesmo imaginamos falar ‒, emergem em nossos cérebros padrões de atividade muito característicos. Padrões de sinais diferentes, mas reconhecíveis, emergem também quando ouvimos alguém falar ‒ ou imaginamos ouvir.
Mas gravar e decodificar esses padrões, para efetivamente "ler os pensamentos", tem-se mostrado uma tarefa mais difícil do que parecia à primeira vista.
Os primeiros esforços para decodificar os sinais neurais se concentraram em modelos computacionais simples que analisavam espectrogramas, que são representações visuais de frequências sonoras. Mas essa abordagem não conseguiu produzir nada que se assemelhe à fala inteligível.
Hassan Akbari e seus colegas da Universidade de Colúmbia, nos EUA, voltaram-se então para outra técnica, conhecida como vocoder, um codificador de voz, na verdade um algoritmo de computador que pode sintetizar a fala depois de ser treinado com gravações de pessoas falando ‒ aparelhos como Amazon Echo e Apple Siri usam vocoders para responder perguntas.
"Nós pedimos a pacientes com epilepsia, que já estão passando por uma cirurgia no cérebro [para receber um implante neural] para ouvir sentenças [e números] ditas por pessoas diferentes, enquanto medíamos os padrões de atividade cerebral. Esses padrões neurais treinaram o vocoder," explicou o professor Nima Mesgarani, coordenador da equipe.

Bons resultados com números
O resultado final foi uma "voz robótica" recitando palavras e uma sequência de números.
Os pesquisadores decidiram usar apenas os números para testar a precisão da gravação, devido aos melhores resultados. As pessoas deviam ouvir a gravação e relatar o que ouviram. Elas entenderam a tradução dos seus próprios sinais cerebrais em 75% das vezes.
A equipe planeja a seguir começar a trabalhar com palavras e tentar voltar às sentenças, além de realizar os mesmos testes em sinais cerebrais emitidos quando uma pessoa fala ou imagina a fala.

Bibliografia:
Artigo: Towards reconstructing intelligible speech from the human auditory cortex
Autores: Hassan Akbari, Bahar Khalighinejad, Jose L. Herrero, Ashesh D. Mehta, Nima Mesgarani
Revista: Nature Scientific Reports
Vol.: 9, Article number: 874
DOI: 10.1038/s41598-018-37359-z

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Perpetuidade do Espiritismo[1]




Num artigo precedente, falamos dos incessantes progressos do Espiritismo. Tais progressos serão duráveis ou efêmeros? É um meteoro que reluz com brilho passageiro, como tantas outras coisas? É o que vamos examinar em poucas palavras.
Se o Espiritismo fosse uma simples teoria, uma escola filosófica baseada numa opinião pessoal, nada lhe garantiria a estabilidade, porque poderia agradar hoje e não agradar amanhã; num dado tempo poderia não estar mais em harmonia com os costumes e o desenvolvimento intelectual, caindo, então, como todas as coisas fora de moda, que ficam a reboque do movimento; enfim, poderia ser substituído por algo melhor. Dá-se o mesmo com todas as concepções humanas, todas as legislações, todas as doutrinas puramente especulativas.
O Espiritismo apresenta-se em condições inteiramente diversas, como tantas vezes temos feito observar. Repousa sobre um fato, o da comunicação entre o mundo visível e o invisível. Ora, um fato não pode ser anulado pelo tempo, como uma opinião. Sem dúvida ainda não é admitido por todos; mas, que importam as negações de alguns, quando ele é constatado todos os dias por milhões de indivíduos, cujo número cresce incessantemente, e que não são nem mais tolos nem mais cegos do que os outros?
Chegará, pois, o momento em que não encontrará mais negadores do que os agora existentes para o movimento da Terra.
Quantas oposições não levantaram este último fato!
Por muito tempo não faltaram aos incrédulos aparentes boas razões para o contestar. Diziam eles:
Como crer na existência dos antípodas, caminhando de cabeça para baixo? E se a Terra gira, como pretendem, como acreditar que nós mesmos estejamos, de vinte e quatro em vinte e quatro horas, nessa posição incômoda, sem nos apercebermos? Nesse estado, não mais poderíamos ficar ligados à Terra, a não ser que quiséssemos marchar contra um teto, com os pés no ar, à guisa de moscas. E, depois, em que se tornariam os mares? A água não derrama quando se inclina o vaso?
A coisa é simplesmente impossível, portanto é absurda, e Galileu é um louco.

Sendo, porém, um fato essa coisa absurda triunfou de todas as razões contrárias e de todos os anátemas. Que faltava para admitir a sua possibilidade? O conhecimento da lei natural sobre a qual repousa. Se Galileu se tivesse contentado em dizer que a Terra gira, até agora ainda não acreditariam nele. Mas as negações caíram ante o conhecimento do princípio.
Dar-se-á o mesmo com o Espiritismo. Já que repousa sobre um fato material, existente em virtude de uma lei explicada e demonstrada, que lhe tira todo caráter sobrenatural e maravilhoso, é imperecível. Os que negam a possibilidade das manifestações estão no mesmo caso dos que negavam o movimento da Terra. A maioria nega a causa primeira, isto é, a alma, sua sobrevivência ou sua individualidade, não sendo, pois, surpreendente que neguem o efeito. Julgam pelo simples enunciado do fato e o declaram absurdo, como outrora declaravam absurda a crença nos antípodas.
Mas, que pode sua opinião contra um fenômeno constatado pela observação e demonstrado por uma lei da Natureza? Sendo o movimento da Terra um fato puramente científico, sua constatação não estava ao alcance do vulgo; foi preciso aceitá-lo sobre a fé nos cientistas. Mas o Espiritismo tem, além disso, o poder de ser constatado por todo o mundo, o que explica a sua tão rápida propagação.
Toda descoberta nova de alguma importância tem consequências mais ou menos graves; a do movimento da Terra e da lei de gravitação que rege esse movimento teve resultados incalculáveis. A Ciência viu abrir-se à sua frente um novo campo de exploração e não se poderiam enumerar todas as descobertas, invenções e aplicações que lhes foram a consequência. O progresso da Ciência ensejou o da indústria, e o progresso da indústria mudou a maneira de viver, os hábitos, numa palavra todas as condições de ser da Humanidade. O conhecimento das relações do mundo visível e do mundo invisível tem consequências ainda mais diretas e mais imediatamente práticas, porque está ao alcance de todas as individualidades e a todos interessa. Devendo cada homem necessariamente morrer, ninguém pode ficar indiferente àquilo que acontecerá depois de sua morte. Pela certeza que o Espiritismo dá do futuro, muda a maneira de ver e influi sobre a moralidade.
Sufocando o egoísmo, modificará profundamente as relações sociais de indivíduo a indivíduo e de povo a povo.
Muitos reformadores de pensamentos generosos formularam doutrinas mais ou menos sedutoras; mas, em sua maioria, elas só triunfaram como seitas, temporárias e circunscritas.
Foi assim e sempre será assim com as teorias puramente sistemáticas, porque, na Terra, não é dado ao homem conceber alguma coisa completa e perfeita. O Espiritismo, ao contrário, apoiando-se não numa ideia preconcebida, mas sobre fatos patentes, está protegido contra essas flutuações e não poderá senão crescer, à medida que esses fatos forem vulgarizados, mais bem conhecidos e melhor compreendidos. Ora, nenhuma potência humana poderia impedir a vulgarização de fatos que cada um pode constatar; constatados os fatos, ninguém poderá impedir as consequências deles resultantes. Estas consequências são aqui uma revolução completa nas ideias e na maneira de ver as coisas deste mundo e do outro. Antes que o século tenha passado ela será realizada.
Mas, dirão, ao lado dos fatos tendes uma teoria, uma doutrina; quem vos diz que essa teoria não sofrerá variações? Que em alguns anos a de hoje será a mesma?
Sem dúvida ela pode sofrer modificações em seus detalhes, em consequência de novas observações; mas, uma vez adquirido, o princípio não pode variar e, menos ainda, ser anulado; eis o essencial. Desde Copérnico e Galileu tem-se calculado melhor o movimento da Terra e dos astros, mas o fato do movimento ficou com o princípio.
Dissemos que o Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência de observação; é o que faz sua força contra os ataques de que é objeto e dá aos seus adeptos uma fé inquebrantável. Todos os raciocínios que lhe opõem caem diante dos fatos, e esses raciocínios têm tanto menos valor aos seus olhos quanto mais os sabem interessados. Em vão lhe dizem que isto não é, ou é outra coisa. Respondem: Não podemos negar a evidência. Se apenas existisse uma, poder-se-ia pensar numa ilusão; mas quando milhões de indivíduos veem a mesma coisa, em todos os países, conclui-se logicamente que são os negadores que se iludem.
Se os fatos espíritas não tivessem como resultado senão satisfazer à curiosidade, por certo só causariam uma preocupação momentânea, como tudo o que é inútil; mas as consequências que deles decorrem tocam o coração, tornam felizes, satisfazem as aspirações, preenchem o vazio minado pela dúvida, projetam luz sobre a temível questão do futuro; ainda mais, neles se vê uma causa poderosa de moralização para a sociedade; elas têm, pois, um grande interesse. Ora, não se renuncia facilmente ao que é uma fonte de felicidade. Certamente não é com a perspectiva do nada, nem com a das chamas eternas que afastarão os espíritas de suas crenças.
O Espiritismo não se apartará da verdade e nada terá a temer das opiniões contraditórias, enquanto sua teoria científica e sua doutrina moral forem uma dedução dos fatos escrupulosa e conscienciosamente observados, sem preconceitos nem sistemas preconcebidos. É diante de uma observação mais completa, que todas as teorias prematuras e arriscadas, surgidas na origem dos fenômenos espíritas modernos, caíram e vieram fundir-se na imponente unidade que hoje existe, e contra a qual não se obstinam senão raras individualidades, que diminuem dia a dia. As lacunas que a teoria atual pode ainda conter encher-se-ão da mesma maneira. O Espiritismo está longe de haver dito a última palavra, quanto às suas consequências, mas é inquebrantável em sua base, porque esta base está assentada nos fatos.
Que os espíritas, pois, nada receiem: o futuro lhes pertence; que deixem os adversários se debaterem sob a opressão da verdade, que os ofusca, porque toda denegação é impotente contra a evidência que, inegavelmente, triunfa pela própria força das coisas. É uma questão de tempo, e neste século o tempo marcha a passos de gigante, sob o impulso do progresso.




[1] Revista Espírita – Fevereiro/1865 – Allan Kardec

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

CULPA E DIREITO DE ERRAR[1]



Jorge Hessen

Moisés nos aconselhou O QUE NÃO DEVEMOS FAZER em nossa trajetória evolutiva, posteriormente, Jesus ensinou O QUE DEVEMOS FAZER e o Espiritismo sugere COMO FAZER. Essas reflexões nos remeteram ao “Projeto Espiritizar”, volumoso estudo da coletânea psicológica de Joana de Angelis organizado pela Federação espírita do estado de Mato Grosso, do qual nos situamos como humílimo educando.
Dentre múltiplos temas propostos pelo projeto, nomeamos o subtema “Culpa e direito de errar”, do módulo “Diretrizes seguras para libertar-se da culpa”, que abreviaremos nas reflexões a seguir.
O movimento da culpa é resultante do culto ao perfeccionismo, eis aí um capcioso quisto psicológico. Quando erramos, ao invés de assumirmos atitudes reparadoras, cultuamos uma perfeição impraticável e nos acusamos peremptoriamente, por conseguinte não nos consentimos o direito de errar com a correspondente obrigação de reparar.
É importante aprendermos e refletirmos com os erros, assumindo corajosamente a cogente reparação dos mesmos. Porém, se mergulharmos na síndrome da inútil culpa, minamos a autoestima e nos punimos, produzindo, assim, todo um estado psíquico de angústia. Deste modo, nos magoamos com a gente mesmo e conservamos uma espécie de ferida aberta na consciência, apunhalando-a sem tréguas. À vista disso, não vivemos equilibradamente e transformamos nossos anseios em azedumes, mágoas, mau humor acoplados ao cortejo de antipatias, projetando nos outros os detritos psíquicos que empilhamos.
Urge nos permitirmos o direito de errar. Até porque fomos criados simples e ignorantes. Ademais, como é possível, em nosso atual estágio evolutivo, acertar sempre? Isso é impossível! Assim raciocinando, é fácil perceber que a culpa é intensamente injusta conosco, porque ela não nos permite o direito de errar, aliás, direito que Deus nos proporcionou. Até porque, fomos criados simples e ignorantes a fim de que evoluíssemos gradualmente, errando e acertando até chegarmos à perfeição relativa, quando atingiremos o nível do “Guia e Modelo” da humanidade a partir de então não erraremos mais.
É crença vulgar e equivocada admitir a Justiça Divina como condenatória e punitiva. As Leis de Deus, incrustradas na consciência humana, não são punitivas, porém são educativas (provação) e reeducativas (expiação). Ora, se não nos permitimos o direito de errar e o dever de acertar, permaneceremos numa atitude preguiçosa passiva e acomodada. Para evitar que isso ocorra, é urgente movimentarmo-nos ativamente para a forçosa reparação ante os equívocos deliberados.
Para tal, urge reflexão consciencial, esforço para nos harmonizarmos com as Leis divinas, coragem para pacificarmos nosso eu e desenvolvermos virtudes, evidentemente tudo isso é muito custoso. Mas não podemos permitir os extremos, ou seja, nem exigirmos de nós perfeição e nem ingressarmos na negligência de aperfeiçoamento, senão nos enleamos nas tormentas ao invés de harmonizarmos com nós mesmos (em essência).
As quedas morais das experiências transatas não hão como alterá-las, porque a compulsão da culpa que trazemos de ontem somente será decomposta gradativamente, entretanto tudo que diz respeito aos erros do presente podemos mudar. Como? Já não nutrindo o mecanismo da inutilidade da culpa quando erramos hoje. Sim, podemos alterar-lhe, tendo consciência de que podemos errar, todavia temos a obrigação de reparar o erro de forma amorosa, bancando o bem na fronteira das nossas energias.
A culpa é um anseio de prepotência e onipotência porque cobiçamos assumir os atributos de Deus ao divergirmos da Lei de misericórdia e da Lei de amor, justiça e caridade. Ora, se Deus não nos pune, então instituímos uma lei particular e através de um auto decreto infligimos a lei de autopunição.
Naturalmente na condição de seres humanos acertamos e erramos consecutivamente. Ou seja, temos sucessos ou desacertos nos empreendimentos da vida. Um aprendiz consciente aprende mediante a experiência que nem sempre é laureada de sucesso. Em verdade, o aprendiz consciente objetiva o acerto, mas não na exigência de acertar, porém se esforça em dar o melhor sem paranoides e sem desleixos desculpistas, porque é consciente e como tal, se vê como aprendiz responsável.
Com efeito, se errar o foco dele será no aprendizado em relação ao erro porque a exclusiva atitude positiva e proativa frente ao erro é aprender com ele. Então o aprendiz se esforçará para dar o melhor, admitindo que nesse movimento pode equivocar e ao errar aprenderá e reparará o engano quantas vezes forem necessárias.
Por outro lado, o perfeccionista não quer errar, porque crê que o erro traz punição e como já está cansado de ser penitenciado escolhe desenvolver a agreste culpa. Naturalmente sob o véu do perfeccionismo está embutida a soberba egóica. Por causa disso, quando acerta blasona, mas quando erra se percebe como um asno e se arremessa no despenhadeiro da culpa. É essa dualidade que sobrevém ao perfeccionista.
A pessoa que acredita que a perfeição é o limite entra no processo de autoflagelação, porque percebe como difícil e ilusória qualquer aspiração libertadora. Na verdade, não é difícil, é fadigoso, porque precisa larguear o amor para governar todas as demais virtudes que transmutarão o processo de culpa. Porque a imprestável culpa é um movimento de auto desamor profundo, uma cruel repressão do amor. O culpado quer sofrer as consequências martirizantes dos erros porque acha que esse mecanismo é libertador. Mas só e unicamente o amor liberta a consciência.
O nosso compromisso consciencial é realizar o bem no limite das nossas forças. Porém, nosso movimento psíquico de cansaço angustiante e inquietante decorrente da culpa só será superado com o descanso para a alma conquistado pelo jugo do amor, da mansidão e da humildade conforme nos convidou Jesus. Isso será determinante para nosso desenvolvimento consciencial como aprendizes da vida que somos.



Fonte:  A Luz na Mente

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

GLÓRIA DA IMORTALLIDADE[1]



Nilson de Souza Pereira

Queridas irmãs, amigos queridos,
Seja a harmonia íntima o estado de consciência entre nós.
Estes, como outros, são dias de imortalidade.
O Espírito, peregrino das sucessivas reencarnações, avança na direção do Sol de Primeira Grandeza, que é Jesus, a fim de superar toda a sombra que ainda permanece na sua estrutura evolutiva.
Cada dia constitui um prêmio na conquista da autorrealização.
Oportunidade perdida, ocasião que ressurge com o campo experimental.
Lutar significa desenvolver valores adormecidos que estão preparados para a ampliação das forças iluminativas.
Ninguém que logre transitar pelo mundo sem exibir as condecorações do sofrimento em diferentes matizes.
Constituiu um impulso para o avanço através da solução dos hábitos perniciosos que se hão de transformar em emoções libertadoras.
Evidentemente, todos descobrimos o alto significado desses dias na face da mãe Terra, que passa de um nível evolutivo para outro, qual anjo generoso que arrasta no seu seio a família querida, parte destroçada, parte em levantamento...
Somos agraciados com o conhecimento da imortalidade e de que tudo quanto acontece na Terra tem a transitoriedade natural dos processos químicos e biológicos que constituem as formas aparentes.
O Salmo de Davi assevera que é transitória a glória no mundo, porque feita de ilusão, embora constitua um prêmio momentâneo ao bem proceder e ao melhor realizar.
A grande glória no mundo é aquela que faz o indivíduo vencer-se, trocando as disposições imediatistas pelos valores transcendentes do próprio ser.
Todas as filosofias do passado trabalhavam pelo bem-estar corporal, social, econômico e algumas vezes espiritual do homem no sentido da psique.
Jesus sintetizou a filosofia do amor como sendo a conquista da plenitude de todos os valores.
Estamos no grande momento decisório da nossa realização espiritual positiva ou perturbadora.
Felizes somos aqueles que escolhemos a melhor parte da lição do Senhor na casa de Lázaro em referência a Maria, que O contemplava enquanto Marta se agitava nas questões culinárias.
Não titubear entre as decisões do benfazer e do somente desfrutar.
O sacrifício de hoje é o alicerce da paz do amanhã.
O edifício luxuoso tem seus alicerces no pântano e sobre a pedra de sustentação, enquanto as nossas conquistas de natureza elevada estão ainda na terra movediça, faltando a rocha viva da fé para sustentar as colunas da nossa decisão.
Venho na condição de velho amigo exortar a solidariedade, a compreensão fraternal, o trabalho edificante na grande noite moral que se estende no planeta.
A dor do nosso próximo é a o caminho da nossa evolução.
A nossa dor é o remédio da libertação.
Conscientes de que somente na vida saudável no bem e na abnegação que a caridade nos proporciona reencontraremos a meta, aquilo que todos almejamos: a plenitude.
Rogo escusas por tomar-lhes o precioso tempo, mas a saudade e o envolvimento emocional fazem-me abraçá-los e agradecer-lhes o esforço desenvolvido pela conquista pessoal.
Com muito carinho, o velho amigo




[1] Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, em 8 de abril de 2019, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

O PENSAMENTO DA CRIANÇA[1]



Miramez

Em uma criança de tenra idade, o Espírito, pondo-se de lado o obstáculo que a imperfeição dos órgãos opõe à sua livre manifestação, pensa como uma criança ou um adulto?
‒ Quando ele é criança, é natural que os órgãos da inteligência, não estando desenvolvidos, não podem lhe dar a intuição de um adulto. Ele tem, com efeito, a inteligência muito limitada enquanto a idade faz amadurecer a sua razão. A perturbação que acompanha a reencarnação não cessa subitamente no momento de nascer; ela não se dissipa senão gradualmente com o desenvolvimento dos órgãos.

Uma observação vem em apoio desta resposta: é que os sonhos, em uma criança, não têm o caráter dos de um adulto; seu objeto é quase sempre pueril, o que e indício da natureza das preocupações do Espírito. (Allan Kardec)
Questão 380/Livro dos Espíritos

O raciocínio nos diz que o Espírito envolvido em um corpo de criança não pode pensar qual o adulto. Os órgãos não oferecem campo de ação para sua manifestação mais livre. As suas faculdades são tolhidas pelos órgãos em desenvolvimento e somente com o tempo eles vão se afirmando, de modo que os canais de comunicações estejam sem impedimentos para as mensagens que o Espírito veio trazer ao mundo. É qual a massa em fermentação.
O cérebro da criança não oferece mais do que as próprias criancinhas, no entanto, como em todos os casos, existe exceção, e de vez em quando aparecem crianças-prodígios que, com pouca idade, já operam como adultos e até como sábios. Existem crianças médiuns, que transmitem para os homens as ideias dos benfeitores que controlam suas faculdades em serviço do fenômeno, de modo que a ciência possa estudar os fatos.
É a mesma coisa que perguntar por que uma árvore, antes do seu crescimento adequado à profusão de frutos, não dá antes esses frutos, ou porque um animal de poucos meses não faz o trabalho de um animal adulto. Tudo há de se esperar certo tempo para que surja a maturidade. Antes que asse o pão, é preciso que fermente a massa, descansando os ingredientes. A lei é a mesma em toda a criação. A criança, enquanto na formação do seu corpo, descansa por um grande período, para depois manifestar seus pendores, cumprindo a sua missão na Terra.
Como já foi dito, essa criança pode, em muitos casos, ser muito mais elevada de que muitos adultos, porém, o seu instrumento de manifestação da inteligência ainda se encontra em preparo pelas mãos do tempo e com as bênçãos de Deus. A responsabilidade dos pais, dos professores e governo é muita, porque os canais de comunicação que levam a criança à verdade, como estímulos, pode gravar nas telas da sua consciência o que se fala, o que se escreve e o que se vive, com responsabilidade do que fala, escreve e vive. O Espírito no estado infantil não pensa qual adulto, mas tem o poder de registrar tal qual esse, ou, ainda melhor, de acordo com as suas sensibilidades espirituais.
Nossa responsabilidade diante das crianças que cruzam os nossos caminhos é imensa e não podemos desdenhar os compromissos mediante as necessidades dos pequeninos em corpos, que, às vezes, são grandes em Espírito.
Quando o tempo está nublado, isso impede que a luz do sol chegue à Terra na sua pureza; entretanto, tão logo desaparecem as brumas, o sol volta a brilhar.
A criança pode não raciocinar igual aos adultos, não falar quais esses, porem ela tem poderes, de forma a plasmar tudo com mais nitidez que os próprios homens amadurecidos. A criança não é libertada da confusão de uma vez; isso acontece gradativamente, pois a lei nos ensina que a natureza não é violenta. A sua marcha se move na ponderação, para dar mais segurança aos dons espirituais.
A criança, certamente, é o homem de amanhã, se esperarmos com paciência o seu crescimento. Eis porque devemos investir com os nossos recursos na infância, se queremos um mundo melhor.
Vejamos o que disse o Senhor: “Vinde a mim as criancinhas”. Se trabalhamos com amor para as crianças de hoje, receberemos o mesmo, porque no amanhã seremos certamente crianças outra vez. Tudo que semeamos, colhemos.




[1] Filosofia Espírita – Volume 8 – João Nunes Maia