Cirso Santiago
Esse Espírito de elevada
hierarquia reencarnou numa localidade denominada Rio Dades, em Portugal, no dia
14 de dezembro de 1884. Seus pais, Aurélio Augusto Mesquita de Azevedo e
Ismênia de Jesus deram-lhe o nome de Maria da Piedade. Sua infância e juventude
certamente ocorreram em Rio Dades. Mas dessas duas fases importantes de sua
vida não há testemunhos. O que se sabe mesmo é que ela consorciou-se com o
jovem Miguel Máximo e daí para frente adotou o sobrenome do esposo. Maria
Máximo e Miguel Máximo eram artistas de teatro e viviam das glórias da ribalta,
colhendo em Portugal e, depois, em vários outros países europeus os merecidos
aplausos de plateias seletas e amantes da bela Arte Cênica.
Tornaram-se conhecidos
artisticamente como o "Duo Max", cuja fama atravessou o Oceano
Atlântico e chegou ao Brasil, onde empresários desse meio artístico esperavam
ansiosos por novidades.
Não passara muito tempo e o
"Duo Máx" desembarcara no porto de Santos. Viera contratado, a fim de
se apresentar em palcos brasileiros. Tanto quanto na Europa, o casal Maria e
Miguel Máximo alcançou grande sucesso aqui também. A cada uma de suas
apresentações em palcos diferentes as plateias delirantes aplaudi-os de pé,
demonstrando superlativo agrado.
Depois de anos de trabalho em
palcos brasileiros um novo acontecimento mudou o rumo da vida do casal. O Alto
convocou-os a ingressarem num outro palco da vida, em que os cenários e as
plateias eram outros bem diferentes.
Por força de compromissos
espirituais Maria Máximo viu-se portadora de mediunidade aflorada e percebeu
logo que essa ferramenta de trabalho não lhe viera de graça. Era preciso fazer
jus para mantê-la ativa e em progresso. Confabulou com o esposo sobre sua nova
responsabilidade e ele, sempre dócil, aceitou também a nova tarefa como
auxiliar de sua amada.
As tradicionais e amplas
cortinas de veludo vermelho se fecharam. As luzes da ribalta foram apagadas e o
"Duo Max" se desfaz artisticamente, mas o casamento se mostra firme
como rocha de granito e eles continuam operando com a mesma alegria de sempre
num outro palco: o palco da caridade. O cenário aqui representa sempre a
pobreza e por vezes a miséria material e também a espiritual. As novas plateias
em vez de serem compostas de criaturas abastadas que riem por qualquer
bagatela, eram de criaturas sofredoras, angustiadas, embora algumas até não
tivessem necessidade de ajuda material, mas eram carentes de bens espirituais,
a desafiarem suas capacidades de amor, de fraternidade e paciência.
Não tiveram grandes dificuldades
para se adaptarem à Arte da Caridade, mormente Maria Máximo que era mais
preparada para essa tarefa. O que é justificável porque sabemos que os artistas
são criaturas mais ou menos sensíveis às inspirações que lhe chegam do Alto.
Corroborando com essa assertiva,
Sylvio Brito Soares diz em sua extraordinária obra: "Grandes Vultos da
Humanidade e o Espiritismo", o seguinte:
O Espiritismo, e quando assim nos expressamos
referimo-nos à ação dos Espíritos desencarnados, o Espiritismo, repetimos, tal
como o sopro divino, se espalha por toda a parte, penetra em todas as camadas
sociais, tem luz apropriada a todos os graus da inteligência humana. Ele tem
sido tão necessário, como o será, por todo o sempre, à evolução dos homens, da
mesma forma que o oxigênio o é para a manutenção da vida orgânica!
Não nos receamos de afirmar que os Espíritos
desencarnados têm influído, continuam e continuarão influenciando os homens de
ciência e os cultivadores das artes, (grifamos) muito embora grande parte
desses favorecidos os desconheçam completamente, e, quando se admiram de
haverem tomado esta ou aquela atitude decisiva em suas pesquisas, ou de terem
ideias magníficas, atribuem, simploriamente, à sorte, à casualidade, à sua boa
estrela, ou à inspiração feliz!
Sabemos, porém, que essa inspiração, boa estrela,
casualidade, sorte, tudo enfim, nada mais é do que a inspiração amiga, oculta e
desinteressada de nossos irmãos da Espiritualidade!
E os Espíritos que se comprazem em auxiliar seus irmãos
encarnados, para que eles consigam avançar na senda do progresso e possam
melhor sentir a grandeza divina, não se agastam quando os homens não reconhecem
neles os seus mentores nas várias atividades a que se entregam aqui na Terra.
Como veremos na sequência desse
nosso trabalho jornalístico, Maria Máximo conhecia décor e salteado essa
Cartilha da mediunidade. Tanto que convenceu o esposo e largaram a Arte Cênica,
embora estivessem no auge do sucesso artístico, e passaram de mala e cuia para
o Proscênio da Arte Mediúnica caritativa.
Tinham consciência, entretanto,
de que para exercerem bem essa nova função precisavam de um novo palco. Eis que
Maria Máximo, com o apoio irrestrito do esposo, funda em janeiro de 1937, o
Centro Espírita "Ismênia de Jesus", à Rua Pereira Barreto, 34, no
bairro Gonzaga, na cidade de Santos, prestando, assim, justa homenagem àquela
que lhe trouxe à luz deste mundo. Aproximadamente um ano após, muda a
instituição para a Av. Conselheiro Nébias, n° 490.
Logo ampliam-se as condições
para se ter uma sede própria ampla e confortável. Maria Máximo não vacila e vai
à uma nova luta. Se envolve com uma nova construção, a fim de materializar o
seu ideal de sede própria. E em dezembro de 1939 inaugura, com seus companheiros
da época, a sede própria na Rua Campos Melo, n° 312, com um salão para 600
pessoas e um berçário, em que ela acolheu de imediato mais de vinte crianças
abandonadas.
O Centro Espírita "Ismênia
de Jesus" , a partir dessa época recebe um cognome muito especial e
adequado à sua característica social: " Casa dos Pobres", até hoje
mantido gravado no cimento em sua fachada.
Tudo isso para muitos já era o
suficiente para trabalhar muitos anos e certamente bastava. Mas, para Maria
Máximo era os primeiros passos da caminhada contratada no mundo espiritual. Por
isso mesmo seu espírito empreendedor e sua vontade de solidarizar-se com o
sofrimento alheio queria mais, muito mais...
Eis que em 1941 vamos vê-la
inaugurando no mesmo terreno ampla cozinha e um refeitório com 225 metros
quadrados, onde passa a distribuir alimentos preparados a mais de 150 pessoas,
diariamente. Essa iniciativa venceu o tempo e continua até hoje, sem interrupção
de um só dia, desde 24 de agosto de 1941.
Maria Máximo, como vemos, não se
limitou tão somente à parte doutrinária e nem tampouco estacionou na tarefa
mediúnica. Sua força empreendedora inesgotável estava sempre sondando novas
formas de servir. Sentiu o drama da infância abandonada e dos famintos
desesperançados e olhando mais longe percebeu que não bastava dar-lhes o peixe.
Era necessário e mais produtivo ensinar-lhes o manejo da pesca, mormente à
juventude que vinha florescendo... E a Educação saltou de imediato sob seus
olhos atentos. Estava definida sua nova vereda de ação comunitária. No dia 7 de
setembro de 1944, um novo prédio de três andares, com 1.200 metros quadrados
era inaugurado no terreno da Av. Conselheiro Nébias, 425, onde passou a atender
mães solteiras carentes. Três anos depois seria instalada nesse mesmo prédio a
Escola Espiritualista "Ordem e Progresso", que mantém os cursos
Pré-Primário, Primário e o Segundo Grau.
Em fevereiro de 1947 a
Prefeitura Municipal de Santos expediu o alvará de habitabilidade de n° 45. Em
março do mesmo ano, o Prof. Alcides Hipólito Luiz Alves, como Diretor do
Colégio "Ordem e Progresso" recebeu a Professora Maria José Gomes, a qual
foi contratada para ser regente do Colégio. Ainda no mesmo mês de março chegou
a Autorização n° 358 de funcionamento da Escola. A mesma foi entregue pelo
então Delegado Regional do Ensino, o Sr. Luiz Damasco Pena e expedida pela
então Secretaria dos Negócios da Educação e Saúde Pública. A autorização
manteve os Cursos Pré-Primário, Primário fundamental. A liberação do Curso
Colegial veio tempos depois. E no dia 10 de abril de 1947, acontecia
festivamente a Aula Inaugural da Escola.
Nos últimos 56 anos, a Escola
"Ordem e Progresso" participou de Campanhas, Cursos e atividades
municipais, estaduais, e internacionais, sempre com destaque, enfim,
integrou-se completamente à comunidade santista. Recebeu diplomas de Mérito,
como aconteceu na Campanha de Defesa das Utilidades públicas e Privadas,
ocorrida em dezembro de 1967. Bem como na Comemoração da Semana do Exército
também efetivada em 1967. E na exposição de Desenhos da Enciclopédia Britânica
do Brasil, em 1994 e na Segunda Micro Bienal Santista do livro acontecida em
1995 entre outras.
Na atualidade, essa Escola
possui mais de quinhentos alunos, distribuídos da 1ª a 8ª séries. Possui
laboratório e sala de vídeo, destinada às aulas de Audiovisual. Tem uma boa
estrutura técnico-pedagógica. Suas vagas são muito disputadas, pois, além de
tudo, tem o privilégio de ser uma das melhores escolas da cidade de Santos. E
já formou mais de 12 turmas da oitava série.
Histórico da Instituição "Ismênia de Jesus"
Localizada na Rua Campos Melo,
312, em Santos, SP- Telefone: (13) 3233- 3095 ocupa uma área de 6.000 metros
quadrados, com os seguintes Departamentos: Centro Espírita Ismênia de Jesus,
que divulga a Doutrina Espírita através de várias atividades doutrinárias e
sociais, todos os dias. A "Casa dos Pobres, que serve sopa diariamente,
sem interrupção. A Creche que assiste e educa cerca de 300 crianças
diariamente. O Colégio, que atende mais de 500 alunos do Pré-primário, do 1º e
do 2º Graus, entre outros departamentos coadjuvantes. Há ainda a Subsede em
Ribeirão Pires, construída numa área de 287.800 m2 à Rua Cap. José
Galo, 1074 e 1514 -Telefone: (11) 4828-3103 , onde funciona um centro espírita,
denominado também "Ismênia de Jesus", que mantém semanalmente
reuniões doutrinárias, assistência espiritual, cursos e palestras, e o Lar
Escola "Ismênia" de Jesus, onde cerca de 50 crianças socialmente
carentes recebem, diariamente, refeições e orientações educacionais. Uma
administração inteligente e enxuta consegue acionar e manter todo esse trabalho
com um custo entre 130 a 140 mil reais/mês. A Subsede, com 1.800 metros
quadrados de construção tem um Diretor autônomo, o Sr. Wilson Gonçalves Couto,
56 anos, espírita de berço, que é apoiado por sua esposa, a Sra. Vera Lúcia
Couto que ocupa o cargo de Secretária. Ali, também, funciona uma Granja, em que
são produzidos ovos, e hortaliças para uso da instituição em geral.
Maria Máximo administrou sua
obra enquanto teve forças para tal empreitada. Realizou muito numa época de
crise nacional e internacional, 1939 a 1945, período em que se desenvolveu na
Europa a Segunda Grande Guerra. Além de tudo não podemos esquecer que naqueles
tempos a mulher era muito discriminada não só pelo sexo masculino, mas também
pela Sociedade como um todo. A mulher era educada para o casamento, cuidar do
lar, dos filhos e do esposo. Qualquer voo mais alto que quisesse alçar já lhe
cortavam as asas. Maria Máximo rompeu tudo isso e nos legou uma belíssima Obra,
onde o trabalho doutrinário e social de qualidade vem se desenvolvendo há
tantos anos consecutivos.
A preocupação com os sofrimentos
alheios empurrava-a sempre para novas iniciativas. Um trabalho dessa
envergadura certamente fora programado em paragens espirituais e obedecia
vontades superiores e a nossa biografada recebia o apoio e orientações de seu guia
espiritual, do Espírito "Pai Aurélio", que fora seu genitor, o Dr.
Aurélio Augusto de Azevedo. Esse ex-médico português, segundo palavras de sua
filha, incentivava-a constantemente, dizendo-lhe que o "Banco da
Misericórdia Divina não a deixaria sem recursos para a Obra e que os mesmos
apareceriam de forma inesperada", instando-a sempre a construir e
prosseguir confiante e segura.
Maria Máximo, mulher bondosa,
inteligente, médium clarividente, audiente, psicógrafa, de desdobramento, de
transfiguração, de psicofonia e de excepcional capacidade curadora, atendia
diuturnamente as pessoas que a procuravam, vindas de toda parte, algumas de
muito longe. Oradora inspirada, era ouvida por grande assistência em absoluto
silêncio. Pessoas das camadas sociais mais simples até as de grande cultura e
elevada posição social e financeira, buscavam-na sequiosos de esclarecimentos e
consolo.
A assistência material e a
assistência espiritual multiplicaram-se em número e grau e ocupavam o tempo de
Maria Máximo integralmente. Ela dispensava qualquer sugestão de descanso e se
dedicava a esses trabalhos de corpo e alma, como se diz entre nós, os brasileiros.
Essa benfeitora era uma rocha granítica e não se deixava abater
espiritualmente, reciclando suas forças nas necessidades alheias, esquecida de
si mesma. Mas, como sabemos, o tempo não perdoa ninguém. Maria Máximo, como
qualquer mortal, também foi envelhecendo e apesar do seu espírito lutador, o
seu corpo físico foi sentindo a luta exacerba e continua, a ponto de trazer
preocupações a muitos de seus companheiros de trabalho que começaram a
pressioná-la para que repousasse, a fim de recuperar as energias orgânicas.
Ela, no entanto, ainda que polidamente, rechaçava toda e qualquer sugestão que
lhe fizessem nesse sentido. O mais aconselhável, então, era apelar para alguém
de respeitabilidade que pudesse persuadi-la de que o trabalho é importante, mas
o descanso em qualquer área de atividade não é indispensável.
Maurício de Jesus Mariano, então
Primeiro Secretário da Diretoria Executiva enviou uma carta ao médium Francisco Cândido Xavier
(Chico Xavier), em que noticiava, entre outras coisas: "Nossa irmã Maria
Máximo está muito enfraquecida em sua matéria, rogai a Jesus para que a
fortifique e muito particularmente vos peço, lhe aconselheis bastante repouso,
que é o que ela mais necessita e à única coisa que se torna rebelde, apesar das
muitas recomendações de Pai Aurélio (seu guia espiritual)”. A carta de Mariano
foi escrita no dia 19 de janeiro de 1946. Eis que no dia 26 do mesmo mês ela
mesma em carta que enviou ao Chico Xavier, com quem mantinha correspondência e
visitas pessoais, diz: "Quero pedir-te um grande favor que, por certo não
me negarás. Pai Aurélio pede-me repouso, Dr. Carneiro, pede-me repouso, mas as
mensagens que recebo são sempre estímulo ao trabalho e, como sabes, sou filha
carnal de Pai Aurélio, pedia-te orientação dada por Emmanuel, para sossego de
meu espírito, pois não sei se estou obedecendo ou desobedecendo."
Há de se compreender que ela
estava consciente do seu desgaste físico e também sofria preocupações, mas
acima de tudo para ela estava o seu dever cristão. Assim, tornava-se-lhe
irrelevante o sofrimento imposto pela enfermidade. Lutava pelo seu idealismo:
servir sempre, impugnando o descanso, que se aceitasse seria muito merecido.
Como se fizesse uma viagem em águas rebuliças, remava o quanto podia para
vencê-las até mesmo além de suas forças, a fim de não deixar de atender a tudo
e a todos.
Esta é Maria Máximo! A grande
Obreira da Caridade, que atuou, por tantos anos a fio na cidade de Santos, com
denodo incomensurável, como excelente médium consoladora e de cura. Trabalho
este, que apesar de ser gratificante, espiritualmente considerando, é muito
árduo e desgastante, pois as necessidades vinham de todas as partes, em
avalanches bater à sua porta.
O agravamento progressivo e
acentuado de seu estado físico levou seus parceiros de luta e de ideal
espírita/cristão a transferi-la para a Granja "Fé, Esperança e
Caridade", propriedade deveras agradável do "Ismênia de Jesus",
localizada na hoje Estância de Ribeirão Pires, onde as crianças assistidas por
ela no Internato de Santos, passavam suas férias.
Afastando-a do palco das lutas
mais acerbas, obrigaram-na a aceitar o repouso por ela tão adiado e tão
necessário. Conseguiram, em parte, o intento, pois mesmo distante 60
quilômetros de Santos, Maria Máximo arrumou um jeito de dar continuidade ao seu
trabalho em benefício dos desvalidos. Ela passou a frequentar a reunião de
desobsessão no centro espírita local, em que atendia os espíritos sofredores,
que compareciam espontaneamente em busca de consolação, ou eram trazidos por
bons samaritanos espirituais, a fim de que ouvissem a tertúlia evangélica e
fossem esclarecidos quanto à sua situação de desencarnados e convencidos a
tomarem outros rumos em suas caminhadas. Aí também seu canal mediúnico era
usado pelos mentores espirituais que eram pródigos em incentivar o grupo a se
manter unido e dar continuidade à tarefa normal, houvesse o que houvesse. Nesse
"exílio" a nossa expoente permaneceu dois anos, sem jamais deixar de
cumprir seu missionato um dia sequer.
Intimorata, cheia de fé ela foi
em frente até que seu corpo físico depauperado entregou os pontos. Aos 10 de
agosto de 1949 o seu coração, que tanto amor dispensou por onde passara, parou.
A luta, a perda do esposo, que desencarnou em 24 de agosto de 1940, separação
forçada, que muito a abateu, pois entre eles havia um companheirismo
verdadeiro, que os uniu como artistas e também no palco denominado, por ela com
muito carinho de Casa Espírita "Ismênia de Jesus. Outras razões houveram
para o seu enfraquecimento: o excesso de trabalho e as incompreensões que
sempre impõem barreiras ao trânsito dos verdadeiros missionários, que agem em
nome de Deus e de Jesus. Na chácara "Esperança e Caridade", em
Ribeirão Pires, onde cumpria repouso forçado, ninguém poderia imaginar que
dentro em pouco ela retornaria para despedir-se dos fiéis companheiros.
Enquanto alguns irmãos presentes
na hora de sua passagem para o "outro mundo", tudo faziam para
reanimá-la, os amigos espirituais preparavam-na para dar sua primeira
comunicação após o desencarne.
Não fazia ainda duas horas que
seu coração havia parado e eis que ela se serve de um companheiro médium que
estava no local e foi logo dizendo: "Minha carta de alforria chegou".
E despediu-se confortando e encorajando os companheiros a continuarem a zelar
pela sua plantação.
Pela força de seu Espírito, pelo
vigor do seu ideal, pelo seu desprendimento e trabalho, sua Obra continua e
continuará a produzir frutos sazonados e em quantidade admirável!
A título de ilustração, narremos
aqui um caso insólito, mas muito positivo proporcionado pelos recursos
mediúnicos de Maria Máximo, quando ela ainda estava na cidade de Santos à
frente do Centro Espírita "Ismênia de Jesus". Ela teve necessidade de
ausentar-se da instituição por algum tempo e deixou a Casa por conta de alguns
dos seus colaboradores. No retorno, ela encontrou na Secretaria um cheque de
alto valor, que um senhor deixara lá como doação. Maria Máximo, acostumada a
lidar com doações que chegavam à instituição, encabulou-se diante do referido
cheque e se pôs a matutar... Após raciocinar e investigar sobre o doador,
concluiu que ele, talvez, tivesse se enganado na hora de preencher o cheque e
resolveu procurá-lo, a fim de esclarecer aquela doação altíssima.
No dia seguinte, bem cedo, ela
seguiu, com alguns auxiliares, para a Capital à procura do misterioso doador de
tão significativo valor.
Em bela mansão, localizada num
dos bairros mais importantes da cidade de São Paulo, Maria Máximo e seus
acompanhantes foram recebidos cortesmente por um cidadão bem posto, barba bem
feita, cabelos alinhados, apresentando na altura das têmporas respeitáveis cãs.
Era o mesmo que esteve no Centro Espírita "Ismênia de Jesus",
conforme atestou um dos seus acompanhantes. A visitante se apresentou e
explicou a razão de sua visita ao dono da mansão.
O Cel. Adindo Ribeiro
solicitou-lhe que entrasse em sua casa e lá dentro manifestou sua alegria por
ver tanta honestidade numa pessoa que tinha tanto o que fazer com os recursos
monetários que chegavam à sua instituição. Depois de dizer isto, pediu-lhe o
cheque e olhando-o disse com tranquilidade: "Não houve engano nenhum. Eu
quis doar realmente este valor à sua instituição. Leve-o de volta e aplique-o
como quiser!"
Maria Máximo agradeceu a
generosidade do Cel. e já se preparava para despedir-se dele, quando o Pai
Aurélio lhe surpreendeu com o seguinte recado:
- "O cheque foi só uma
desculpa que encontramos para que você pudesse adentrar nesta mansão, onde há
um jovem manietado em camisa-de-força, esperando o socorro da sua faculdade
mediúnica..."
Maria Máximo incontinente
revelou ao Coronel o que acabara de ouvir de seu guia espiritual. Ele, como era
de se esperar, espantou-se e pensou: "Como ela soube desse meu
segredo?" Pois, ele, realmente tinha um filho completamente louco
confinado num dos cômodos da mansão, sob os cuidados ininterruptos de dois
enfermeiros. Mas isso não era do conhecimento público, pois sendo ele um homem
rico e político influente não podia expor essa chaga familiar ao conhecimento
alheio. Hoje pode parecer estranho a alguns dos nossos leitores que um pai
mantivesse sob seu teto um filho nessas condições. De fato é estranho e até
mesmo pouco cristão. Ocorre que naquela época e até bem mais tarde no Brasil os
hospitais para tratamento de doentes mentais, os chamados manicômios eram
raros. Nós mesmos, na infância testemunhamos um caso semelhante. Um filho, o
Sr. Pedro Rocha, que mantinha sua própria mãe reclusa num quarto, onde ela era
assistida inclusive por um médico.
Diante daquele homem agitado,
Maria Máximo não perdeu tempo e acionada por Pai Aurélio, pediu permissão para
visitar tal criatura. O Cel. se mostrou reticente e logo esclareceu que isto
era arriscado, porque o rapaz era muito agressivo. Em franca obediência ao seu
Guia, ela continua insistindo até ser liberada pelo receoso pai.
Chegando ao quarto em que o moço
está confinado, o Coronel chama os enfermeiros e lhes recomenda atenção porque
àquela mulher quer ver o enfermo, embora ele já tenha prevenindo-a dos riscos
que estaria sujeita. A porta é aberta e ela vê-o, manietado pela
camisa-de-força encolhido num canto do cômodo, olhos arregalados, cabelos
ouriçados, semelhante à uma fera. Maria Máximo solicita que os enfermeiros o
libertem da camisa-de-força. Eles obedecem e ela destemida vai se aproximando
do rapaz... Era como a força dos seus olhos o mantivesse imóvel. A cena, apesar
de dramática, era comovente para quem não duvidava da misericórdia do Pai.
Maria Máximo estende as mãos sobre a cabeça do jovem e esse se estrebucha e diz
algumas coisas desconexas. Ela continua dispensando-lhe os recursos
terapêuticos do Passe e dentro de alguns instantes o rapaz levantou-se,
demonstrando estar consciente e senhor do seu corpo físico. Maria Máximo
conversou com ele por alguns minutos e despediu-se, desejando-lhe toda a
felicidade do mundo. Bastou-lhe aquele abençoado passe para que sua obsessão
virasse apenas uma boa história para ser contada às novas gerações...
O Coronel Arlindo Ribeiro do
Amaral, vendo seu filho completamente curado, tornou-se grande amigo da médium
Maria Máximo e de sua instituição. Amplamente agradecido aproxima-se ainda mais
da Obra de Maria Máximo, em Santos, e passa a injetar ali mais dinheiro. Agora
mais integrado à instituição, verificou o quanto se lutava lá dentro para
desenvolver as atividades beneméritas. Preocupado com a perenidade dessas
atividades, vendeu uma de suas fazendas e depositou o dinheiro dessa venda no
Banco do Brasil, que aplicava todo o capital e repassava, mensalmente, os juros
à Entidade "Ismênia de Jesus".
Em Ribeirão Pires, o Cel.
Arlindo Ribeiro do Amaral adquiriu uma gleba e doou à Instituição "Ismênia
de Jesus". Mais tarde ele comprou de sua própria filha a propriedade
vizinha e presenteou, mais uma vez, a essa instituição. Na Escritura definitiva
foram juntadas as duas propriedade que somam alguns alqueires, onde depois foi
erigido o Centro Espírita "Ismênia de Jesus", nº 2. Diversas vezes o
Cel. Arlindo Ribeiro do Amaral deu dinheiro sonante à Maria Máximo,
recomendando-lhe que comprasse propriedades em Santos.
O amigo leitor, deve estar
questionando: "Por que esse Coronel abrira sua "burra" tantas
vezes, à Maria Máximo. Seria somente pela cura filho?"
Bem, essa é uma razão fortíssima
para justificar a bondade desse político/militar. Contudo, sua atitude em
relação ao "Ismênia de Jesus" não deixa de ser intrigante. Mais à
frente, veremos que sua vocação benemérita tinha muito a ver com o seu passado
arbitrário e delituoso.
Revelações póstumas
Conforme preceitos da Doutrina
Espírita, tudo no universo se encadeia. Nada há independente. Do mais ínfimo
ser até o mais amplo corpo celeste são partes de uma mesma esteira evolutiva
que avança em direção ao infinito, regida por leis divinas. Olhando por esse
prisma doutrinário, nós, espíritas, admitimos a evolução do Espírito através
das existências múltiplas neste mundo material e em muitos outros, sempre
formando e reformando grupos afins.
Embasado nesses conceitos, o Sr.
Camilo Lourenço, presidente da Instituição Espírita "Ismênia de
Jesus" diz que na Instituição há arquivadas informações mediúnicas seguras
de grande importância para o movimento espírita, a saber:
§ Primeira
informação: Maria Máximo era a Dona Domitila de Castro Canto e Melo reencarnada
- a Marquesa de Santos (1797 -1867).
§ Segunda
informação: O médico Aurélio Augusto Mesquita de Azevedo, genitor de Maria
Máximo (Pai Aurélio) fora a reencarnação de Dom Pedro I - o Infante.
§ Terceira
informação: Ismênia de Jesus, genitora de Maria Máximo fora a reencarnação da
Imperatriz Leopoldina.
§ Quarta
informação: O coronel Arlindo Ribeiro do Amaral, no tempo do Império no Brasil
fora um político influente e desonesto, que aproveitando-se de sua posição
política confiscou muitas propriedades de Dona Domitila de Castro Canto Melo -
a Marquesa de Santos, que mais tarde se apresentou na Terra como Maria Máximo.
É o mesmo Espírito em duas roupagens carnais diferentes, em épocas distintas.
De modo que o Cel. Arlindo
Ribeiro do Amaral, reencarnando-se na mesma época que Domitila reencarnou como
Maria Máximo, reviu o seu passado delituoso e se justificou perante a Lei de
Deus, devolvendo à Maria Máximo tudo que havia roubado da Marquesa de Santos,
ou seja ela mesma.
Como disse Jesus, nada sobre a
Terra fica encoberto e nem impune perante as leis divinas. O que por direito
for de um homem, por justiça retornará a esse mesmo homem, ainda que por vezes
demore séculos...
Não foi sem razão que os
espíritas franceses mandaram gravar no frontispício do túmulo do mestre Allan Kardec,
localizado no Cemitério Pere Lachaise, em Paris, a seguinte frase:
"Nascer,
morrer, renascer e progredir sempre. Essa é a lei".
A imperatriz Leopoldina -
Arquiduquesa da Áustria, Leopoldina casou-se por procuração com o príncipe D.
Pedro I e, a caminho do Brasil, ficou retida na Itália por causa do movimento
revolucionário em Pernambuco. Recusou-se a voltar para Viena e insistiu em
juntar-se ao marido para a seu lado correr os riscos do momento revolucionário.
Carolina Josefa Leopoldina, que
no Brasil passou a usar os nomes de Leopoldina e Maria Leopoldina, imperatriz
do Brasil, nasceu em Viena. Áustria, em 22 de janeiro de 1797. Era filha do
imperador Francisco I da Áustria e II da Alemanha, da casa real dos Habsburgos,
e de D. Maria Isabel de Bourbon Nápoles. Sua união com o príncipe português
resultou de conversações diplomáticas no Congresso de Viena.
Muito culta, D. Leopoldina
interessava-se especialmente por botânica e promoveu a vinda ao Brasil de
naturalistas europeus como Von Martius e Von Spix. Em agosto de 1822 exerceu a
regência do Brasil quando o marido, por razões políticas, seguiu para São Paulo,
onde proclamou a Independência. Teve seis filhos, entre eles, D. Pedro de
Alcântara, que subiu ao trono como D. Pedro II. D. Leopoldina morreu no Rio de
Janeiro em 11 de dezembro de 1826, em consequência de parto prematuro. Seus
restos mortais repousam no monumento do Ipiranga em São Paulo.
Domitila de Castro Canto e Melo
- a Marquesa de Santos - Nasceu em 27 de dezembro de 1797. Seu pai era João de
Castro Canto e Melo, coronel reformado e primeiro visconde de Castro. Ela
casou-se em 1813, aos 16 anos com o alferes Felício Coelho Pinto de Mendonça,
com quem teve três filhos. Entretanto, teve o seu casamento anulado em 1849 por
interferência real. Motivo: durante dois anos houveram muitas brigas violentas,
todas motivadas pelo ciúme, ela recebeu duas facadas na perna e ele sumiu.
Em agosto de 1822, pouco antes
da proclamação da Independência, o então regente do reino do Brasil, D. Pedro I
realizou uma viagem à cidade de São Paulo, tendo conhecido Domitila, que quando
sorria enlouquecia os jovens do seu tempo. Ela era uma morena perturbante! Bem
formada de corpo e de rosto, tinha olhos profundamente negros e o olhar esperto
e malicioso. Os cabelos também negros, com as pontas encaracoladas. O rosto
brejeiro e róseo, a boca carnuda e vermelha, muito úmida, possuía uma covinha
em cada lado. Segundo os cronistas da época, os jovens se esmurravam por ela em
público, era um verdadeiro escândalo, brigavam até na missa.
Logo depois da proclamação da
Independência, D. Pedro I a levou para a corte, onde viveu durante sete anos. A
favorita de D. Pedro I residiu até 1829 junto ao paço de São Cristóvão, num
palacete que foi adaptado e decorado pelo artista Francisco Pedro do Amaral e
doado pelo imperador à Domitila.
Introduzida na corte como
primeira dama da imperatriz Leopoldina, Domitila recebeu o título de
viscondessa de Santos em 1825. No ano seguinte foi elevada a marquesa.
Da ligação amorosa com D. Pedro
I, Domitila teve quatro filhos: Isabel Maria Alcântara, nascida no Rio de
Janeiro em 23 de maio de 1824, a qual foi dado o título de duquesa de Goiás;
Pedro, que morreu na infância; Maria Isabel, que também desencarnou prematuramente
e uma outra Maria Isabel, que nasceu em São Paulo, em fevereiro de 1830, após o
rompimento dos pais. Esta última Maria Isabel tornou-se, depois do casamento,
condensa de Iguaçu. De todos seus filhos legítimos, D. Pedro I preferia a
Duquesa de Goiás. Tanto é que no seu testamento recomendou-a aos cuidados da
imperatriz Maria Amélia, que a enviou para estudar em colégios de Paris e
Munique. Maria Isabel casou-se em 1843 com Ernesto Ficher, conde de Treuberg e
deixou numerosa descendência.
A presença de Domitila na corte
após a morte da imperatriz Leopoldina criava dificuldades para o casamento de
D. Pedro com dona Maria Amélia. Em 1829, Domitila e o imperador romperam o
romance e ela voltou para São Paulo. Possuindo considerável fortuna, Domitila
passou a viver maritalmente com Rafael Tobias de Aguiar, um dos homens mais
ricos da região e destacado político liberal, com quem teve seis filhos, mas
eles só casaram de fato em 1842.
Domitila, pelo que consta era
uma mulher que despertava grandes paixões e sua fortuna crescia na medida em
que se unia a outro homem. Gerou treze filhos e enviuvou-se em 1857, ainda mais
rica. A História lhe faz justiça registrando que ela foi uma grande benemérita,
virtude esta que se exacerbou quando ela viveu novamente na Terra como Maria
Máximo. Domitila morreu em São Paulo, no dia 3 de novembro de 1867.
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