sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A MELHORA DA MORTE[1]

 


Rogério Miguez

 

A expressão-título deste texto já se encontra incorporada na chamada sabedoria popular, se assim podemos nos expressar, usada corriqueiramente quando a situação se apresenta.

Não é um fenômeno comuníssimo, mas acomete vários pacientes gravemente enfermos, alguns em estado terminal, quando, subitamente, apresentam uma melhora temporária e surpreendente em seu estado de saúde antes de falecerem em seguida.

Tecnicamente conhecida por “Lucidez terminal” ou “Lucidez paradoxal”, chamou a atenção da área médica no século XIX. Observou-se, à época, a ocorrência em pacientes dementes, com doenças neurológicas ou psiquiátricas, esquizofrênicos, em casos neurológicos como tumor cerebral, abscesso etc. Há diversas hipóteses buscando explicar o fenômeno, mas nenhuma delas foi comprovada até agora, ou seja, não há consenso sobre a causa deste inusitado acontecimento[2],[3].

Como se conclui, os cientistas ainda não conseguiram equacionar esta questão, mesmo lançando mão de todos os avançados recursos tecnológicos disponíveis, para o setor médico, neste século XXI. Apesar de usar toda a experiência acumulada durante bem mais de um século, por incontáveis profissionais de diversas especialidades, o fato ainda se traduz por um mistério a despeito das várias possibilidades consideradas para explicá-lo.

Cremos que o elo faltante nestas tentativas, seja a desconsideração da alma como fundamental elemento presente no homem, na sua imortalidade e no poder dos fluidos magnéticos que todos nós podemos emitir e receber, conscientemente ou não.

O Espiritismo já informou sobre esta realidade, conforme segue, resumidamente, em caso muito interessante.

Em uma das obras da coleção “A Vida” no plano espiritual, relata o autor – André Luiz - que o paciente Dimas havido atingido o tempo final para a sua existência, contudo, sua esposa, ao seu lado, emitia forças pelo seu pensamento em desalinho que dificultavam o desenlace, pois tentava retê-lo por mais algum tempo. Diante da situação, Jerônimo e mais dois auxiliares acompanhantes de André Luiz neste aprendizado, por meio de passes longitudinais forneceram ao doente melhoras fictícias tranquilizando, assim, os parentes aflitos. Dimas abriu os olhos, trocou algumas palavras com a parentela, todos se tranquilizaram e interromperam, inconscientemente, a emissão de fluidos que o estavam mantenho ligado ao corpo físico. O médico foi chamado e solicitou a todos que deixassem o paciente em repouso absoluto. Tranquilizada pela melhora repentina do esposo, sua esposa se recolhe ao quarto abrindo as portas para que se fizesse o trabalho final encaminhando a desencarnação do doente. Finalmente, o moribundo pode desencarnar[4].

Há também mais um exemplo desta providencial medida descrita em outra obra de André Luiz.

Agora, trata-se de Fernando que havia atingido os momentos finais da existência, contudo, a aflição dos familiares encarnados presentes, emitindo, pelos pensamentos, recursos magnéticos em benefício do moribundo, tinham o poder de dificultar a ajuda do plano espiritual visando finalizar o desencarne do paciente. Chegado àquele estágio de desagregação corporal, as providências mentais dos afeiçoados eram, agora, inúteis. Sendo assim, Aniceto, o orientador de André Luiz neste outro relato delibera pela modificação do quadro de coma. Operando com sabedoria e eficácia os fluidos imateriais, em breve, o médico encarnado informou que os prognósticos haviam melhorado, inexplicavelmente. A pulsação e a respiração estavam voltando ao normal. Alguns familiares se retiraram do aposento e os fluidos prejudiciais de aflição e desequilibrados que eram emitidos ao enfermo desapareceram sem deixar qualquer vestígio. Aniceto aproveitou a serenidade do ambiente e iniciou o processo de retirada de Fernando do corpo biológico. Após longos minutos Fernando estava livre dos implementos carnais, retornando à vida verdadeira[5].

É oportuno lembrar que nem toda melhora no quadro clínico de um doente em estado terminal, implica, necessariamente, na iminência da morte. São muitas as situações possíveis e, em outros casos, a evolução positiva no estado de saúde do paciente se mantém e o doente se recupera, continuando, normalmente, a sua existência.

Importante também destacar a força do pensamento, seja para o bem, seja para o mal. E não se pretende aqui sugerir que não se deva pensar no doente, apenas lembrar que as forças mentais geradas por familiares e amigos devem ser construídas sem inquietação, ansiedade, aflição, medo; ao contrário, precisam ser elaboradas no sentido de dar ao moribundo paz e tranquilidade diante da hora final que chegou para ele e, chegará para todos.

Não sejamos egoístas ao ponto de desejar que o ser querido, em sofrimento, permaneça conosco pelos tempos afora, pois ele, antes de ser nosso prezado parente, é filho de Deus e se o Criador determinou que a hora fatal chegou para ele, digamos apenas: que se faça a vontade do Pai.


[1] O CONSOLADOR - Ano 19 - N° 952 - 7 de Dezembro de 2025 -   https://www.oconsolador.com.br/ano19/952/ca5.html

[4] XAVIER, Francisco Cândido. Obreiros da vida eterna. Pelo Espírito André Luiz. ed. 9. Rio de Janeiro/RJ: FEB, 1975 -  Companheiro libertado. cap. XIII.

[5] XAVIER, Francisco Cândido. Os Mensageiros. Pelo Espírito André Luiz. ed. 16. Rio de Janeiro/RJ: FEB, 1988. A desencarnação de Fernando. cap. 50.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

PROGRESSO NA ERRATICIDADE[1]


Miramez

 

 Espíritos errantes

Na erraticidade, o Espírito progride?

Pode melhorar-se muito, tais sejam a vontade e o desejo que tenha de consegui-lo. Todavia, na existência corporal é que põe em prática as ideias que adquiriu.

Questão 230 /  O Livro dos Espíritos

 

Na erraticidade, o Espírito estuda as leis gradativamente, de acordo com o seu interesse por elas. A consciência profunda é um livro sagrado em cujas linhas Deus escreve o estatuto que devemos respeitar, procurando vivê-lo.

O Espírito em que falta maturidade não consegue colocar em prática no mundo espiritual o que aprendeu por teoria, mas, aquele já consciente das verdades, se apura cada vez mais em qualquer lugar em que se encontra, porque, em todas as dimensões, Deus lhe dá oportunidades de melhorar, de construir o seu céu no ambiente da intimidade.

A carne é uma escola grandiosa, onde aprendemos com os recursos dos problemas, da dor, dos infortúnios, enfim, do calvário, a despertar os nossos valores, que nos ajudam a nos libertarmos das paixões perniciosas. Vejamos os grandes santos que, sofrendo todos os tipos de dor, empregam variados sacrifícios para ajudar aos outros, e nada os impede de dar exemplos de serenidade e de amor ao próximo. São luzes que Deus acende na Terra, pelas quais os sofredores de todos os tipos encontram alívio e se empenham nas mudanças íntimas, pela força dos exemplos desses missionários do Bem.

De fato, ao Espírito envolvido em fortes paixões, torna-se difícil livrar-se delas no mundo espiritual, bem como encontra mais facilidade para progredir como encarnado, pelo ambiente agressivo na Terra e pela dor que nela impera.

As religiões são meios que o Senhor usa para ajudar as almas em caminho, e com a maturidade de muitas, as bênçãos maiores chegaram com o nome de Espiritismo, a princípio muito combatido, porém, os homens pouco evoluídos não conseguem apagar o sol com um simples não. A vontade de Deus é sempre confirmada pela presença da caridade e do amor.

Os encarnados já despertos pela luz da verdade devem procurar admoestar aos que têm ouvidos para ouvir e olhos para ver acerca do Evangelho de Nosso Senhor, em Espírito e Verdade, para que essas almas comecem, ainda na matéria, a se melhorarem, e possam continuar suas reformas morais na erraticidade, pois, a luz desconhece barreiras, e não há escuridão que ela não ilumine.

Devemos enaltecer o bem dando mãos na sua vivência, pelo menos nos esforçando para tal. Quando nos modificamos por dentro, o exterior aceita o comando interno, passando a mostrar o que somos, irradiando os valores conquistados. O mundo espiritual se apresenta como escola de primeira grandeza, preparando a alma para as lutas no corpo físico, a guerra na intimidade, de modo a conhecer a si mesma e adquirir, na conquista do dia a dia, os valores que já existiam na sua intimidade, adormecidos.

O Espírito progride na erraticidade, todavia, se não tem um certo preparo, encontrará grandes dificuldades, mas, se já tem o princípio do amor aflorado no coração, esse cresce em todos os seus caminhos.

O encarnado deve aproveitar a oportunidade, pois está ficando cada vez mais difícil de se alcançar esse prêmio. O Evangelho de Jesus, bem entendido, é o Caminho, a Verdade e a Vida, como ele o fez, para que, ao chegar na erraticidade, o Espírito tenha na fronte o selo do começo da reforma dos costumes, e a luz como garantia de discípulo honesto.

O despertamento está em nossas mãos. Jesus nos espera, estendendo a destra para nos guiar em direção a Deus.



[1] FILOSOFIA ESPÍRITA – Volume 5 – João Nunes Maia


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

WAEL KIWAN (Caso de Reencarnação)[1]

 

Wael Kiwan



Erlendur Haraldsson

 

Este é um dos vários casos documentados de memórias de vidas passadas ocorridos na comunidade drusa do Líbano. Wael Kiwan fez declarações específicas sobre uma vida anterior em Beirute, a setenta quilômetros de sua aldeia nas montanhas. Uma pessoa falecida que correspondia às memórias de Wael foi identificada. Uma característica significativa deste caso é que essa pessoa cometeu suicídio nos EUA, e não no Líbano, o que torna este um caso internacional comprovado incomum.

 

Comunidades religiosas no Líbano

O Líbano é habitado por cristãos maronitas, sunitas, xiitas e drusos. Os drusos são a menor comunidade, com cerca de trezentos mil membros, incluindo os poucos drusos na Síria e em Israel. No Líbano, os casos de renascimento ocorrem quase exclusivamente entre os drusos, embora alguns poucos tenham sido registrados entre cristãos e muçulmanos.

 

Investigações no Líbano

Erlendur Haraldsson investigou 32 casos de drusos no Líbano durante seis viagens de campo entre 1998 e 2001 e publicou relatórios sobre quatro deles. Ele relatou sua investigação do caso de Wael Kiwan em um artigo científico e em um livro[2]. Em 27 (84%) dos 32 casos de Haraldsson, crianças relataram ter morrido vítimas de violência. Wael Kiwan foi uma delas.

Quando publicou o Volume III da sua série Cases of the Reincarnation Type (com casos do Líbano e da Turquia), Ian Stevenson já havia investigado 77 casos drusos e apresenta relatos detalhados de seis deles. Em cerca de dois terços dos casos libaneses de Stevenson, há relatos de mortes violentas[3].

 

Declarações de Wael Kiwan

A família Kiwan morava na vila de Batir, a setenta quilômetros a leste de Beirute. Wael nasceu em 1988. Aos quatro anos, começou a dizer que seu nome era Rabih; que ele tinha sido grande, não pequeno como agora; e que tinha outros pais em Beirute e queria saber onde eles estavam. Muitas das afirmações eram bastante específicas, como: "Eu tinha duas casas, e para uma delas eu precisava ir de avião".

O pai de Wael costumava ir a Beirute a negócios. Quando voltava, Wael perguntava se ele havia encontrado sua casa e ficava chateado quando o pai dizia que não. Wael também lhe dizia: "Se você a encontrar, não diga a eles que Rabih morreu, porque eles vão chorar".

Wael disse que eles tinham uma varanda, de onde ele costumava pular para a rua. Ele disse para sua mãe (como muitas crianças nesses casos fazem): 'Minha [anterior] mãe é mais bonita que você'.

Wael deu versões contraditórias sobre como havia morrido. Disse que "eles" atiraram nele na cabeça e também que um grupo de pessoas o chutou e espancou até que ele não sentisse mais nada (do que seus pais deduziram que ele havia sido assassinado).

As dezesseis declarações de Wael são as seguintes (Onze foram verificadas como correspondentes à vida da personalidade anterior. Uma que não correspondeu – causa da morte – está marcada com um (*); as quatro declarações restantes, marcadas com (?), não puderam ser verificadas e podem ou não ser verdadeiras):

§  Meu nome era Rabih. Eu era grande (não pequeno).

§  Eu tenho pais. Eles não estão aqui, estão em Beirute.

§  Minha casa fica em Beirute, perto do mar.

§  Minha casa fica perto da mesquita de Allah Wa Akbar.

§  Existe uma casa com telhado de tijolos vermelhos.

§  Era pôr do sol e eu vi pessoas vindo e elas atiraram em mim. (*)

§  Um grupo de pessoas me bateu e me chutou até eu não sentir mais nada (?)

§  Eu costumava estar em um barco em alto mar.

§  Eu costumava ficar de pé e pilotar o barco com um volante. (?)

§  Eu costumava ir a pé de casa até o mar.

§  Minha casa fica em Jal al Bahr.

§  Eu tinha duas casas, uma em Beirute e outra para a qual viajei de avião.

§  Tínhamos uma varanda.

§  Eu costumava pular da varanda para a rua.

§  Eu costumava jogar um 'ferro de passar' para parar o barco. (Relatado apenas por sua tia). (?)

§  Minha mãe [anterior] é mais bonita que você. (?)

 

Investigação e Verificação

Os pais e a tia de Wael disseram que ele fez todas essas declarações antes de começarem a procurar por uma pessoa falecida que correspondesse às suas características. Antes de fazerem buscas em Beirute, eles e seus irmãos sentaram-se com ele e mencionaram vários sobrenomes na esperança de que ele reconhecesse algum. Ele rejeitou todos até que mencionaram o nome Assaf, que ele disse ser seu sobrenome anterior. (Assaf é um sobrenome bastante comum no Líbano e é usado por drusos, cristãos e muçulmanos.)

O pai de Wael contou então a um amigo druso em Beirute, Sami Zhairi, o que Wael dizia sobre uma vida passada. Sami prometeu investigar. Ele acabou identificando um menino falecido chamado Rabih Assaf, cuja vida parecia coincidir com as declarações de Wael.

Cerca de um ano depois de Wael ter prestado seus primeiros depoimentos, seu pai o levou a Beirute. Acompanhados por Sami, eles foram até uma casa no bairro de Jal al Bahr, à beira-mar, onde Rabih Assaf havia morado. Wael entrou correndo na casa antes do grupo e foi direto para o apartamento no térreo. Ao ver uma foto na parede, disse: "Esta é a minha foto". Era uma foto de Rabih Assaf.

A mãe de Rabih, Munira, não estava em casa. No entanto, eles encontraram Raja Assaf, irmão de Rabih. Raja trouxe um álbum de fotos e pediu a Wael que identificasse as pessoas nas fotos. Segundo o pai de Wael, ele reconheceu o pai, a irmã e uma tia paterna de Rabih.

A mãe de Wael também reconheceu a foto de Rabih como sendo de um jovem com quem sonhara uma semana antes de dar à luz Wael; assim como Rabih, o jovem do sonho tinha bigode e cabelo preto e vestia uma camisa aberta; ele estava suando e respirando com dificuldade.

Na viagem de regresso, Wael disse ao pai que se sentia aliviado por ter encontrado a sua antiga casa e, a partir daí, falou pouco sobre a sua vida anterior. Agora, já não fala espontaneamente sobre o assunto. Houve outras visitas entre as famílias. Quando Haraldsson conheceu Wael, este tinha onze anos e ainda falava ocasionalmente com a família anterior por telefone.

Haraldsson e seu assistente, Majd Abu-Izzedin, encontraram-se com Wael pela primeira vez em sua casa. Ele havia retornado da escola enquanto eles entrevistavam seus pais. Nessa altura, ele já estava esquecendo suas memórias e não conseguia descrever nada. (Aos onze anos, as memórias da vida anterior geralmente já se dissiparam, embora em alguns casos algumas lembranças permaneçam). No entanto, em um segundo encontro, em janeiro de 2001, Wael disse a Haraldsson que ainda se lembrava de como foi baleado. É comum que a imagem da cena da morte persista por mais tempo do que outras memórias, embora, neste caso, pareça não corresponder aos fatos (veja abaixo).

Sami Zhairi havia falecido três anos antes da investigação de Haraldsson, portanto não pôde ser entrevistado.

 

Correspondências sobre a vida de Rabih Assaf

Haraldsson e Abu-Izzeddin visitaram a mãe de Rabih, Munira, em sua casa em Jal al Bahr, um apartamento térreo em um prédio de quatro andares perto do mar. Ela relatou que Rabih morreu em South Pasadena, Califórnia, em janeiro de 1988. Ele havia se mudado para os Estados Unidos aos 21 anos e estudado engenharia elétrica por dois anos. Durante o terceiro ano, ele queria voltar para Beirute, mas não conseguiu devido à guerra civil no Líbano. Ele não tinha dinheiro suficiente nem para ficar na Califórnia nem para voltar ao Líbano. Em estado de depressão, tentou suicídio ingerindo comprimidos, mas foi levado ao hospital e sobreviveu.

Munira só soube disso quando Rabih morreu em sua segunda tentativa de suicídio, em 9 de janeiro de 1988, enforcando-se na garagem. Abboud Assaf, o parente com quem ele estava hospedado, havia escondido dela a notícia da primeira tentativa e tentado em vão impedir que Rabih tentasse uma segunda. Isso foi confirmado em uma entrevista telefônica que Haraldsson fez com Abboud Assaf.

Wael nunca disse que havia se suicidado. Ele disse que "eles" atiraram nele ou, alternativamente, que um grupo de pessoas o chutou e bateu nele até que ele não sentisse mais nada. Nem Munira nem Abboud Assaf, na Califórnia, tinham conhecimento de tal incidente.

Quando Wael visitou a casa de Munira pela primeira vez, perguntou sobre a casa de telhado vermelho. Uma casa com telhado vermelho ficava atrás do prédio deles, mas já havia sido demolida quando Wael a visitou pela primeira vez. Rabih crescera vendo-a da janela do apartamento. Isso, mais do que qualquer outra coisa, fez com que ela acreditasse que Wael era a reencarnação de Rabih.

O apartamento de Munira fica no térreo e tem uma varanda. É fácil pular da varanda para a rua, como Rabih costumava fazer, segundo sua mãe. Wael já havia mencionado a possibilidade de pular de uma varanda para a rua antes de conhecer a família Assaf ou de ver a casa.

Wael mencionou repetidamente um barco. Alguns parentes e vizinhos mantinham barcos em um pequeno porto no final da rua. A maioria eram barcos a remo, mas Rabih talvez às vezes desse uma volta em um barco com leme, do qual ele poderia lançar uma âncora, mas essas conjecturas poderiam ser confirmadas.

Wael havia dito que morava perto de uma mesquita. Uma mesquita antiga está situada a aproximadamente cem metros da casa de Rabih, na mesma rua do porto. É a única mesquita na área de Jal al Bahr.

A afirmação de que Rabih tinha duas casas, sendo que uma delas era acessível apenas de avião, condiz com o fato de Rabih também ter vivido nos Estados Unidos.

Rabih morreu nos EUA e renasceu no Líbano. Os drusos acreditam que sempre renascem como drusos, e a reencarnação de Rabih como Wael se encaixa nessa expectativa. No entanto, na maioria dos casos, a morte e o renascimento ocorrem no mesmo país. O caso de Wael é uma exceção, um dos apenas quatorze casos de reencarnação internacional resolvidos[4] (verificados) .

 

Literatura

§  Haraldsson, E., & Abu-Izzeddin, M. (2004). Three randomly selected Lebanese cases of children who claim memories of a previous life. Journal of the Society for Psychical Research 86, 65-85.

§  Haraldsson, E., & Matlock, J.G. (2016). I Saw a Light and Came Here: Children´s Experiences of Reincarnation. Hove, UK: White Crow Books.

§  Stevenson, I. (1980). Cases of the Reincarnation type. Vol. III: Twelve Cases in Lebanon and Turkey. Charlottesville, Virginia, USA: University Press of Virginia.

 

Traduzido com Google Tradutor

 



[2] Haralddson e Abu-Izzedin (2004); Haraldsson e Matlock (2016).

[3] Stevenson (1980).

[4] Haraldsson e Matlock (2016), cap. 27.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

A PRINCESA DE RÉBININE[1]

 


Allan Kardec

 

Extraído do Courrier de Paris, de ... de maio de 1859

 

Sabeis que todos os sonâmbulos, todas as mesas girantes, todas as aves magnetizadas, todos os lápis simpáticos e todas as cartomantes predizem a guerra há muito tempo?...

Profecias nesse sentido têm sido feitas a uma multidão de personagens importantes que, afetando pouco importar-se com essas pretensas revelações do mundo sobrenatural, não deixaram de ficar vivamente preocupadas. De nossa parte, sem resolver de pronto a questão num ou noutro sentido, e achando, aliás, que naquilo que o próprio François Arago duvidava, pelo menos é permitido não nos pronunciarmos, limitando-nos a relatar, sem os comentar, alguns fatos de que fomos testemunhas.

Há oito dias tínhamos sido convidados para uma reunião espírita na casa do Barão de G... À hora indicada todos os convidados, em número de apenas doze, achavam-se em volta da mesa... miraculosa, aliás uma simples mesa de acaju, sobre a qual, para começar, foi servido chá com os sanduíches de costume. Dos doze convivas, apressamo-nos em dizer, nenhum poderia razoavelmente incorrer na pecha de charlatanismo. O dono da casa, que conta com ministros entre seus parentes próximos, pertence a uma grande família estrangeira.

Quanto aos fiéis, compunham-se de dois oficiais ingleses muito distintos, um oficial de marinha francês, um príncipe russo bastante conhecido, um médico muito habilidoso, um milionário, um secretário de embaixada e duas ou três pessoas importantes do bairro de Saint-Germain. Éramos o único profano entre esses maiorais do Espiritismo, embora a nossa qualidade de cronista parisiense e de céptico por dever não permitisse fôssemos acusados de uma credulidade... excessiva. A reunião, pois, não podia ser suspeita de representar uma comédia. E que comédia!

Uma comédia inútil e ridícula, em que cada um teria voluntariamente aceitado o duplo papel de mistificador e de mistificado? Isso não é admissível. E, afinal de contas, com que propósito? Com que interesse? Não seria o caso de perguntar: A quem se engana aqui?

Não, ali não havia má-fé nem loucura... Se quiserem, digamos que houve acaso... É tudo quanto nossa consciência permite conceder. Ora, eis o que se passou:

Depois de haverem interrogado o Espírito sobre mil coisas, perguntaram-lhe se as esperanças de paz, que então pareciam muito grandes, tinham fundamento.

Não, respondeu ele com muita clareza em duas ocasiões diferentes.

– Teremos, pois, a guerra?

Certamente.

– Quando?

Em oito dias.

 − Entretanto, o Congresso não se reúne senão no próximo mês... Isto afasta bastante a eventualidade de um começo de hostilidades.

Não haverá Congresso.

– Por quê?

A Áustria se recusará.

– E qual a causa que triunfará?

A da justiça e do direito... a da França.

– E a guerra, como será?

Curta e gloriosa.

Isto nos traz à memória um outro fato do mesmo gênero que se passou igualmente sob nossos olhos alguns anos atrás.

Quando da guerra da Criméia, todos se recordam que o Imperador Nicolau chamou à Rússia os súditos que residiam na França, sob pena de confiscar-lhes os bens, caso recusassem a obedecer a essa ordem.

Então nos encontrávamos em Leipzig, na Saxônia, onde, assim como em toda parte, havia um vivo interesse pela campanha que acabara de começar. Um dia recebemos o seguinte bilhete:

Estou aqui por algumas horas apenas. Vinde ver-me no Hotel da Polônia, no 13! Princesa de Rébinine.

Já conhecíamos bastante a princesa Sofia de Rébinine, uma mulher distinta e encantadora, cuja história era todo um romance, que escreveremos alguma dia, e que nos dispensava consideração chamando-nos seu amigo. Apressamo-nos em atender ao amável convite, tão agradavelmente surpreendido e encantado ficamos, quando da sua passagem por Leipzig.

Era domingo, 13 e o tempo estava naturalmente cinzento e triste, como sempre ocorre nesta parte da Saxônia.

Encontramos a princesa em sua casa, mais graciosa e espirituosa que nunca, apenas um pouco pálida e algo melancólica. Fizemos-lhe mesmo esta observação. Para começar, respondeu ela:

− Parti como uma bomba. Tinha de ser assim, pois estamos em guerra e sinto-me um pouco fatigada da viagem. Depois, embora atualmente sejamos inimigos, não vos ocultarei que deixo Paris com muito pesar. Já me considerava quase francesa há muito tempo e a ordem do Imperador fez-me romper com um velho e doce hábito.

– Por que não ficastes tranquilamente no vosso bonito apartamento da rua Rumfort?

Porque me teriam cortado os subsídios.

– Mas como! Não contais entre nós com tão numerosos e bons amigos?

Sim... pelo menos o creio. Mas na minha idade uma mulher não gosta de se dar em hipoteca... os juros a pagar por vezes ultrapassam o capital! Ah! Se eu fosse velha seria outra coisa... Mas então não me emprestariam.

Nesse momento a princesa mudou de assunto.

– Ah! Sabeis que tenho uma natureza muito absorvente. Aqui não conheço ninguém... Posso contar convosco durante o dia todo?

É fácil de adivinhar a nossa resposta.

A uma hora ouvimos o sino no pátio e descemos para o almoço no salão do hotel. Naquele momento todo mundo falava da guerra... e das mesas girantes.

No que concerne à guerra, a princesa estava certa de que a frota inglesa seria destruída no mar Negro e ela mesma se teria encarregado bravamente de incendiá-la, se o Imperador lhe houvesse confiado essa perigosa e delicada missão. Quanto às mesas girantes, sua fé era menos sólida, mas, mesmo assim, propôs que fizéssemos algumas experiências, com outro de nossos amigos, que lhe havíamos apresentado à sobremesa. Subimos então para os seus aposentos. Foi-nos servido café e, como chovesse, passamos a tarde inteira a interrogar uma mesinha redonda de apenas um pé, dessas que ainda se vê por aqui.

E a mim – perguntou de repente a princesa – nada tens a dizer?

– Não.

Por quê?

A mesinha bateu treze pancadas. Ora, deve-se lembrar que era um dia 13 e que o apartamento da Sra. Rébinine tinha o número 13.

– Isso quer dizer que o número 13 me é fatal? Perguntou a princesa, um pouco supersticiosa com esse número.

– Sim, bateu a mesa.

– Não importa!... Sou um Bayard do sexo masculino e podes falar sem medo, seja o que for que tenhas  me anunciar.

Interrogamos a pequena mesa, que de início persistiu na sua prudente reserva, conseguindo, por fim, arrancar-lhe as seguintes palavras:

– Doente... oito dias... Paris... morte violenta!

A princesa achava-se muito bem; acabara de deixar Paris e não esperava rever a França tão cedo... A profecia da mesa era, pois, no mínimo absurda quanto aos três primeiros pontos...

Quanto ao último, é inútil acrescentar que nele nem quisemos nos deter.

A princesa devia partir às oito horas da noite, pelo trem de Dresden, a fim de chegar a Varsóvia dois dias depois, pela manhã; mas perdeu o trem.

O que posso fazer? – disse ela. Vou deixar aqui minha bagagem e tomarei o trem das quatro horas da manhã.

– Então retornareis ao hotel para dormir?

– Voltarei para lá, mas não me deitarei... Assistirei, do alto do camarote dos estrangeiros, ao baile desta noite... Quereis servir-me de cavalheiro?

O Hotel da Polônia, cujos imensos e magníficos salões não comportavam menos de duas mil pessoas, quase que diariamente dava um grande baile, tanto no verão como no inverno, organizado por alguma sociedade do lugar, reservando para a assistência, no alto, uma galeria particular destinada aos viajantes que desejassem desfrutar do animado espetáculo e da excelente música.

Na Alemanha, aliás, os estrangeiros jamais são esquecidos e em toda parte têm seus camarotes reservados, o que explica por que os alemães que vêm a Paris pela primeira vez solicitam sempre, nos teatros e concertos, o camarote dos estrangeiros.

O baile daquele dia era muito brilhante e, embora fosse a princesa mera espectadora, tomava-se de verdadeiro prazer.

Assim havia esquecido completamente a mesinha e sua sinistra predição, quando um dos garçons do hotel lhe trouxe um telegrama que acabava de chegar, concebido nos seguintes termos:

Senhora Rébinine, Hotel da Polônia, Leipzig; presença indispensável Paris; graves interesses!, seguindo-se a assinatura do procurador da princesa.

Algumas horas mais tarde ela retomava a rota de Colônia, em vez de tomar o trem para Dresden. Oito dias depois soubemos que havia morrido!

Paulin Niboyet

 

Encontramos o relato seguinte numa notável coleção de autênticas histórias de aparições e de outros fenômenos espíritas, publicado em Londres no ano de 1682, pelo Reverendo J. Granville e pelo Dr. H. More. Intitula-se: Aparição do Espírito Major Sydenham ao Capitão V. Dick, extraída de uma carta do Sr. Jacques Douche, de Mongton, ao Sr. J. Granville.

...Pouco tempo após a morte do Major Georges, o Dr. Th. Dyke, parente próximo do Capitão, foi chamado para tratar de uma criança doente. O médico e o capitão deitaram-se no mesmo leito. Após dormirem um pouco, o capitão chamou o criado e ordenou-lhe que trouxesse duas velas acesas, as maiores e mais grossas que encontrasse. O doutor perguntou-lhe o que isso significava.

 – “Conheceis”, disse o capitão,” minhas discussões com o major, relativamente à existência de Deus e à imortalidade da alma: não nos foi possível esclarecer esses dois pontos, muito embora sempre o tivéssemos desejado”.

Ficou combinado entre nós dois que aquele que morresse primeiro viria na terceira noite após os funerais, entre meia-noite e uma hora, ao jardim desta pequena casa e ali esclarecer o sobrevivente sobre o assunto. “É hoje mesmo”, disse o capitão, “que o major deve cumprir a promessa”. Em consequência, pôs o relógio perto dele e, às onze horas e meia levantou-se, tomou uma vela em cada mão, saiu pela porta dos fundos e passeou no jardim durante duas horas e meia. Ao retornar, declarou ao médico nada ter visto, nem nada ouvido que não fosse muito natural; mas, acrescentou, “sei que meu major teria vindo, caso pudesse”.

Seis semanas depois, acompanhado pelo doutor, o capitão foi a Eaton, a fim de colocar o filho no colégio. Hospedaram-se num albergue chamado Saint-Christophe, ali permanecendo dois ou três dias; mas não dormiram juntos, como em Dalverson: ocuparam quartos separados.

Certa manhã o capitão permaneceu no quarto mais tempo que de costume, antes de chamar o doutor. Por fim entrou no quarto deste último, a fisionomia completamente alterada, os cabelos eriçados, os olhos desvairados e o corpo todo a tremer.

– “Que aconteceu, primo capitão?” – disse o major. O capitão respondeu: – “Vi meu major”. O doutor parecia sorrir. – “Eu vos afirmo que jamais o vi em minha vida, ou o vi hoje”. Então fez-me o seguinte relato:

“Esta manhã, ao romper do dia, alguém se postou à beira do meu leito, arrancou as cobertas e gritou: Cap, cap [Era a maneira familiar que o major empregava para chamar o capitão]. Respondi: Ora! Meu major? – Ele continuou: Não pude vir no dia aprazado; mas, agora, eis-me aqui a dizer-vos: “Há um Deus, muito justo e terrível; se não mudardes de pele, vereis quando aqui chegardes”.

Sobre a mesa havia uma espada que o major me tinha dado. Depois de ter dado duas ou três voltas no quarto, tomou da espada, desembainhou-a e, não a encontrando tão polida como deveria estar, disse: Cap, cap, esta espada era melhor cuidada quanto estava comigo. A estas palavras desapareceu subitamente.

Não somente o capitão ficou perfeitamente persuadido da realidade do que tinha visto e ouvido, como desde então se tornou muito mais sério. Seu caráter, outrora jovial e leviano, modificou-se notavelmente. Quando convidava os amigos tratava-os com generosidade, mas se mostrava muito sóbrio consigo mesmo. As pessoas que o conheciam asseguravam que muitas vezes ele pensava ouvir, repetindo-se em seus ouvidos, as palavras do major, e isso durante os dois anos em que viveu após essa aventura.

Allan Kardec



[1] REVISTA ESPÍRITA – junho/1859 – Allan Kardec

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

WESLEY SOARES CALDEIRA[1], [2]

 


 

Natural de Montes Claros, Minas Gerais.

Wesley Soares Caldeira é um autor brasileiro nascido em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, em 1967. Iniciou seus estudos doutrinários em 1988, aos 21 anos, na Juventude Espírita da Sociedade Espírita Allan Kardec, em sua cidade natal. Foi presidente da instituição, na qual permanece atuando, juntamente com a esposa e filhos.

Desde os anos 90, participa de diretorias da Aliança Municipal Espírita de Montes Claros e do 14º Conselho Regional Espírita de Minas Gerais.

Ao longo dos anos, tem participado de palestras, autógrafos e programas de estudo espírita, inclusive em eventos da Federação Espírita Brasileira (FEB).

Expositor espírita, realiza palestras em várias cidades do Brasil.

Graduado em Direito, tem especialização em Ciências Penais.

Defensor Público do Estado de Minas Gerais, foi professor universitário, lecionando Direito penal, Direito processual penal e Criminologia.

Ocupa a cadeira 91 do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.

Obras publicadas (exemplos):

§  O Espiritismo em Montes Claros  publicado em 2001, apresentando 116 anos da história espírita local.

§  Da Manjedoura a Emaús — publicado pela FEB Editora, aborda aspectos da vida e missão de Jesus à luz da doutrina espírita.

§  Deus: antes e depois de Jesus — uma investigação sobre a compreensão de Deus antes e após a vinda de Jesus, também dentro da perspectiva espírita.

 

Essas obras refletem seu interesse por temas religiosos, espirituais e filosóficos, especialmente relacionados ao Espiritismo e ao estudo da figura de Jesus.



[1] FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO PARANÁ - https://www.feparana.com.br/topico/?topico=3416

[2] Chat GPT

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

ESMOLA ESPIRITUAL - um dom de solidariedade em Prece de Cáritas[1]

 

Madame Krell

 

Quando pensamos em dar uma esmola ou fazer uma caridade, é natural que imaginemos dar bens materiais: comida, dinheiro, roupas, remédios. Mas muitas vezes, o que as pessoas mais precisam não é desses bens, mas sim da espiritualidade. A esmola espiritual é doar um pouco da espiritualidade que você tem em si para quem mais precisa. Algumas pessoas são pobres porque não têm Jesus no coração, e cabe a nós doar um pouco de conhecimento de luz à essas pessoas, é isso que essa oração prega. Veja abaixo:

v  Deem, deem sua esmola de compaixão, a compaixão conduz à ternura, da ternura à caridade o passo é curto.

v  Deem, deem o sentimento tão doce que se chama misericórdia, a misericórdia conduz ao amor, e o amor é o mais rico diamante do escrínio do Criador.

v  Deem, hoje como sempre e sempre como hoje, pois as lágrimas correm todos os dias, os corações sangram, as almas sofrem e, frequentemente, se desesperam!

v  Deem, deem sem pesar e bebam com as mãos cheias no tesouro espiritual, nesse tesouro inesgotável que aumenta quando dele se toma.

v  Deem, ó meus irmãos, deem com as duas mãos e de todas as maneiras; deem o bom conselho, deem a proteção, quando puderem, deem o apoio, deem a instrução espiritual, deem essa esmola moral que vale mais do que todas as outras, a do coração, a do pensamento!

v  Deem, sem muito se perguntarem, se aquele que recebe é digno da sua caridade; lembrem-se de que os frutos da caridade são algumas vezes tardios, que o verdadeiro devotamento não conta sobre o fruto, quando ele planta o caroço ou quando se tira mudas do arvoredo.

v  Deem e amem verdadeiramente, quer dizer, com a alma! Elevem seu pensamento acima do nível comum da vida, quer dizer, amem em Deus, como ele e com ele!

v  Santifiquem sua esmola, unindo-a ao amor que os transporta ao Criador! Toda criação é sua pátria, toda a humanidade terrestre é sua família, generalizem e aumentem, pois, o sentimento do qual eu lhes falo, espalhando-o sobre todos!

v  Deem, deem muito, e muito lhes será devolvido em luz, em inteligência, em felicidade!



[1] Psicografado por Madame Krell a 2 de Novembro de 1874. Do livro “Reflexos da Vida Espiritual”, M. Krell,1a. Edição, Ed. CELD (2002).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

NA ORDEM DAS COISAS[1]

 

Miramez

 

Bênçãos e maldições

São permanentes para cada um e estão nas atribuições exclusivas de certas classes as funções que os Espíritos desempenham na ordem das coisas?

Todos têm que percorrer os diferentes graus da escala, para se aperfeiçoarem. Deus, que é justo, não poderia ter dado a uns a ciência sem trabalho, destinando outros a só a adquirirem com esforço.

É o que sucede entre os homens, onde ninguém chega ao supremo grau de perfeição numa arte qualquer, sem que tenha adquirido os conhecimentos necessários, praticando os rudimentos dessa arte. (Allan Kardec)

Questão 561 / O Livro dos Espíritos

 

O Espírito superior, respondendo à pergunta aqui focalizada, assim discorre com muita propriedade:

Todos têm que percorrer os diferentes graus da escala, para se aperfeiçoarem. Deus, que é justo, não poderia ter dado a uns a ciência sem trabalho, destinando outros a só a adquirirem com esforço.

Na ordem das coisas, existem leis que são justas e amorosas, cheias de misericórdia, mas esplendentes de energia. A educação não é sinônimo de violência, mas deve estabelecer o equilíbrio nas criaturas, para a paz de todas elas. Todas as coisas foram estabelecidas por variados Espíritos superiores, mas, todos os Espíritos, em todas as escalas a que pertencem, foram dirigidos pela Força Soberana. Se queres, vamos buscar afirmação valiosa na carta do Convertido de Damasco aos Hebreus:

Pois toda casa é estabelecida por alguém, mas aquele que estabeleceu todas as coisas é Deus.

Hebreus, 3:4

Se é Deus que estabelece a ordem de todas as coisas, elas vibram na justiça, e sendo justiça, é amor. Como podem uns Espíritos passarem por determinadas dificuldades para evoluir e outros não? Pela resposta dos Espíritos a Kardec, notamos que não há privilegiado na criação de Deus. Todos passam por caminhos iguais, e se alguns se mostram felizes naquilo que para outros é sofrimento, a diferença está no tamanho da evolução, na quantidade maior de despertamento espiritual. Isso deve ficar bem claro, para que não interpretemos que Deus ama mais a uns do que a outros, fato que não existe no coração d'Aquele que é a Luz da vida.

Se queres um aprendizado em uma ciência, a lei nos fala que deves passar primeiro pelos rudimentos desta ciência, aprendendo sucessivamente. O aprendizado é gradativo, o tempo e o espaço nos marcam as atividades, e enquanto não nos tornarmos Espíritos puros ainda precisamos dessa relação tempo-espaço, na marcação dos nossos próprios passos. Na ordem das coisas, vamos em primeiro lugar colocar ordem em nós mesmos, que é o mesmo amor que se disfarça para nos ensinar os segredos da harmonia.

Se todos temos de percorrer os diferentes graus da escala, sejam eles quais forem, temos de passar pelos mesmos sacrifícios, pelos mesmos esforços, pelas mesmas dores e agressões do ambiente, mesmo que sejam diversificados na estrutura, mas, com o mesmo peso de qualidades. Temos liberdade, de certa maneira, de escolha conforme o nosso despertamento espiritual, porém, diante de Deus, não temos liberdade; somos Seus servos, e devemos dar graças a Ele pela nossa marcha. Somente o Criador possui a liberdade total. Nós outros, sem escolha, agimos na relatividade que nos propõe a condição de sermos filhos.

No término deste volume, que sentimos muita alegria em trazer, pedimos ao Senhor Supremo do Universo que nos inspire nos trabalhos que devemos prosseguir, que nos inspire a darmos mais amor às criaturas nossas irmãs, e que nos dê mais tolerância para com aqueles que nos ouvem por caridade. Pedimos a Jesus que nos abençoe, pelos Seus discípulos mais chegados ao Seu magnânimo coração, de forma a nos dar mais vida, trabalhando na Sua seara. Que possamos continuar nos servindo das letras para ajudar o sol a nascer nos corações, de maneira a despertar as consciências para o tesouro que existe oculto no centro d'alma. Paz e amor para todos.



[1] FILOSOFIA ESPÍRITA – Volume 11 – João Nunes Maia