sexta-feira, 22 de agosto de 2025

“PUBERDADE DO DENTE MOLE”: como o cérebro das crianças muda aos seis anos[1]

 


David Robson[2] - Role, BBC Future - 13 julho 2025

 

Meu primeiro pequeno ato de rebeldia aconteceu quando eu tinha uns seis anos. Eu tinha acabado de ir a uma festa de aniversário com um bando de crianças que eu mal conhecia. Todas elas tinham chegado com amigos, e eu me senti com vergonha e excluído.

Quando voltei para casa, estava de péssimo humor. Não lembro o que minha mãe me pediu para fazer, mas me recordo claramente da minha resposta: "Para você, tudo bem ficar de bobeira", respondi rispidamente, "enquanto eu tive que ir àquela festa!"

Saí então furioso, deixando-a sem palavras.

O que tinha acontecido com o garotinho alegre dela?

Ela talvez tivesse ficado menos surpresa se vivêssemos em um país de língua alemã. A palavra Wackelzahnpubertät – literalmente "puberdade do dente mole" – é usada para descrever como crianças de seis anos começam a demonstrar um mau humor característico da adolescência.

"Comportamento agressivo, atos de rebeldia e tristeza profunda são típicos da puberdade do dente mole", descreve a revista alemã Wunderkind.

Ao contrário da puberdade de fato, a puberdade do dente mole não é causada por alterações hormonais.

Ela coincide com o início da "meia infância" – um período de profundas mudanças psicológicas em que o cérebro estabelece as bases para pensamentos e sentimentos mais maduros.

"É uma fase importante, na qual a criança está construindo sua identidade e tentando descobrir quem é em relação às outras pessoas", diz Evelyn Antony, doutoranda em psicologia na Universidade de Durham, no Reino Unido.

"E o universo emocional deles também está se expandindo."

Enquanto a infância e a adolescência são hoje bem compreendidas, a segunda infância – que abrange as idades de 6 a 12 anos – tem sido tradicionalmente negligenciada na pesquisa científica.

Alguns psicólogos chegam a descrevê-la como nossos "anos esquecidos".

"Muitas pesquisas se concentram nos primeiros anos, quando os bebês falam e andam, e depois na adolescência, quando você tem um pouco mais de rebeldia", diz Antony. "Mas se sabe menos sobre a segunda infância."

Isso vem mudando recentemente, com novas pesquisas identificando as principais características da transformação mental das crianças nessa fase da vida.

As mudanças incluem uma maior capacidade de refletir sobre seus sentimentos e modificá-los quando necessário, juntamente com uma "teoria avançada da mente" que lhes permite pensar de forma mais sofisticada sobre o comportamento dos outros e responder adequadamente.

Elas também começam a dominar os fundamentos da investigação racional e da dedução lógica, para que possam assumir mais responsabilidade por suas ações – razão pela qual, na França, também é conhecida como "l'âge de raison" (a idade da razão).

Como ilustra o conceito de puberdade do dente mole, o início da meia-infância pode ser acompanhado por algumas dores de crescimento, mas uma compreensão mais profunda das mudanças neurológicas e psicológicas envolvidas têm oferecido novos insights sobre as melhores maneiras de apoiar uma criança ao longo dessa jornada.

 

Puberdade do Dente Mole

Vamos começar com a regulação emocional. No início da segunda infância, a maioria das crianças geralmente já fez grandes avanços na capacidade de controlar seus sentimentos.

Quando recém-nascidos, eles são completamente dependentes dos adultos ao redor para aplacar a angústia, que geralmente é causada por estressores físicos como fome, fadiga ou cólicas.

Ao longo dos dois anos seguintes, eles desenvolvem um repertório emocional maior, que inclui alegria, raiva e medo, mas não sabem como regulá-los – levando a essas birras de explodir os tímpanos.

A linguagem em desenvolvimento de uma criança pode proporcionar algum alívio desses turbilhões.

Isso ocorre em parte porque permite que a criança expresse suas necessidades com mais precisão, para que os outros possam responder adequadamente antes que a frustração se acumule.

Não há necessidade de gritar quando se quer mais comida, já que é possível simplesmente dizer "estou com fome", e um adulto atencioso vai responder.

Palavras que expressam emoção podem trazer um benefício ainda mais imediato. Nomear uma emoção parece alterar sua resposta neural, envolvendo partes do córtex pré-frontal, uma área envolvida em pensamentos mais abstratos, enquanto acalma a amígdala, a região responsável pela sensação da emoção bruta.

Ao completar cinco ou seis anos, no entanto, a criança enfrenta novos desafios que colocam sua compreensão emocional à prova, afirmam Antony e outros pesquisadores.

Em vez de depender dos adultos para orientar todas as suas ações, espera-se que ela tenha maior independência – criando incerteza e ambiguidade que podem gerar frustração.

Elas precisam fazer amizades sozinhas, conviver com pessoas de quem não gostam e obedecer às ordens dos adultos.

Ao mesmo tempo, aponta Antony, também estão desenvolvendo um senso de identidade mais forte, com a necessidade de definir quem são em relação aos outros.

Essa transição pode levar a regulação emocional da criança ao limite, o que pode resultar nos estados de ânimo da puberdade do dente mole, durante os quais a criança pode ficar abatida e carente ou irromper em súbitas explosões de raiva.

Felizmente, o cérebro das crianças se adapta rapidamente às novas demandas.

Esse processo geralmente inclui o desenvolvimento de um vocabulário mais amplo para descrever e compreender o que estão sentindo, incluindo o conceito de emoções mistas. (Aos nove anos, a maioria das crianças consegue reconhecer que o final agridoce de A Pequena Sereia, da Disney, é ao mesmo tempo feliz e triste, por exemplo).

Elas também aprendem novas estratégias para modular seus sentimentos por conta própria, sem depender dos pais ou professores para acalmá-las.

Ao longo da segunda infância, as pessoas se tornam mais hábeis em usar a "reavaliação cognitiva", por exemplo – que envolve alterar a interpretação de um evento para mudar seu impacto emocional.

Se estiverem com dificuldades com uma tarefa na escola, por exemplo, a criança pode começar pensando "não consigo fazer isso" ou "sou burra" – ou pode reconhecer sua frustração como um estímulo para adotar uma nova estratégia, o que provavelmente acalmará sua raiva e aumentará sua perseverança.

Grande parte do caminho para a maturidade vem da observação dos adultos ao seu redor.

"As crianças aprenderão como seus pais lidam com conflitos e diferentes questões que surgem em suas vidas", diz Antony.

 

Buscando amizades

O universo social da criança também está mudando.

"A meia-infância é um período em que 'amizades recíprocas' começam a se desenvolver", explica Simone Dobbelaar, pesquisadora de pós-doutorado em psicologia do desenvolvimento e da educação na Universidade de Leiden, na Holanda.

Em outras palavras, elas começam a entender o dar e receber nos relacionamentos, que se tornam um foco maior em suas vidas. As crianças começam a passar mais tempo com seus colegas dentro e fora do contexto escolar.

Durante a meia-infância, as crianças desenvolvem essas habilidades sociais e percepções mentais para acompanhar os pensamentos e sentimentos de muitas pessoas.

Imagine, por exemplo, a história de uma criança, Nick, que quer entrar para um time de futebol americano, mas não acredita que vá conseguir a vaga. O treinador está ciente da incerteza de Nick, mas o quer no time. Depois de fazer sua seleção, o treinador sabe que Nick ainda não está ciente de sua decisão de incluí-lo no time? (A resposta correta é sim.)

Para responder a esse tipo de pergunta, a criança precisa considerar o que o treinador sabe sobre o que Nick sabe sobre a opinião do treinador. Em outras palavras, ela está considerando a teoria da mente de uma pessoa sobre a teoria da mente de outra, o que é conhecido como um processo "recursivo".

Esse raciocínio é importante para rastrear quem sabe de um segredo, espalhar fofocas no parquinho e reconhecer quando alguém pode estar "blefando duas vezes" para nos enganar em um jogo – mas, até recentemente, os psicólogos não tinham clareza sobre isso quando isso aparecia pela primeira vez na infância.

Para chegar à resposta, Christopher Osterhaus, da Universidade de Vechta, na Alemanha, e Susanne Koerber, da Universidade de Freiburg, recrutaram 161 crianças de cinco anos e mediram seu desempenho em diversas tarefas de teoria da mente ao longo dos cinco anos seguintes.

Analisando os dados, eles constataram um "aumento acentuado" em suas habilidades entre os cinco e os sete anos, antes do desempenho começar a estagnar.

Isso sugere que houve algum tipo de salto conceitual, diz Osterhaus: "Se fosse apenas [eles se tornando gradualmente melhores em lidar com] a complexidade da tarefa, seria de se esperar um aumento mais constante."

Esse salto mental tem consequências imediatas e positivas para a vida social e o bem-estar das crianças, aponta a pesquisa.

"Descobrimos que, quanto maior o raciocínio social, menores os sentimentos de solidão", pontua Osterhaus.

"Talvez elas estejam achando mais fácil fazer amizades ou se envolver em amizades mais profundas."

Nesse sentido, a pesquisa de Dobbelaar sugere que o aumento da sensibilidade está ligado a comportamentos mais pró-sociais, como agir de forma especialmente gentil com alguém que se sente excluído.

Para estudar isso, ela realizou um experimento que imitava o tipo de bullying mesquinho que, infelizmente, é comum em muitos playgrounds.

O experimento envolveu um videogame simples chamado Cyberball, no qual quatro jogadores passam uma bola entre si.

Sem o conhecimento dos participantes, os outros três jogadores eram controlados pelo computador, dois dos quais podiam ser programados para excluir o terceiro robô, não lhe dando a chance de pegar e lançar a bola.

Os participantes mais jovens pareciam ser menos sensíveis à injustiça. À medida que passavam da meia-infância para o início da adolescência, no entanto, muitos participantes começaram a compensar o comportamento cruel dos outros jogadores usando suas próprias vezes para passar a bola para o robô que estava sendo ignorado – demonstrando um pequeno sinal de solidariedade à vítima.

Usando exames de ressonância magnética funcional do cérebro das crianças, Dobbelaar e seus colegas descobriram que isso estava associado a algumas mudanças características na atividade neural, o que sugeria uma redução do foco em si mesmas – e, presumivelmente, um aumento do foco nos outros.

"Isso pode ser devido ao aumento da capacidade de assumir perspectivas", diz ela, já que os cérebros em desenvolvimento das crianças foram capazes de considerar os sentimentos do "robô intimidado".

 

O começo da insegurança

Apesar desses muitos benefícios, o raciocínio social sofisticado pode ter uma desvantagem: um maior julgamento sobre si mesmo e maior insegurança.

Considere um estudo sobre a "lacuna de afinidade", que descreve nossa tendência a subestimar o quanto outra pessoa gosta de nós em comparação com o quanto gostamos dela.

Um estudo recente de Wouter Wolf, que agora trabalha na Universidade de Utrecht, na Holanda, descobriu que a lacuna de afinidade surge pela primeira vez aos cinco anos de idade e aumenta de forma constante ao longo da segunda infância.

Quanto mais sintonizados nos tornamos com a vida mental dos outros, ao que parece, mais começamos a nos preocupar que a visão que eles têm de nós não seja tão amigável e positiva quanto gostaríamos.

Suspeito que isso possa explicar meu mau humor na festa; foi meu primeiro contato com a autojulgamento e a solidão – e eu ainda não tinha palavras para expressar por que me sentia triste e com raiva, ou as habilidades para superar a lacuna de afinidade e construir novas amizades com pessoas que eu não conhecia bem.

 

O poder de uma conversa

Os adultos na vida de uma criança podem facilitar o desenvolvimento dessas habilidades por meio de conversas frequentes.

Antony, por exemplo, aponta pesquisas que demonstram o poder do "coaching emocional". Isso envolve ouvir a criança sem julgamentos, validar o que ela está sentindo e, em seguida, sugerir maneiras de seguir em frente de forma mais positiva.

"Não se trata de o adulto tentar consertar tudo para ela, mas sim guiá-la nesse processo de gerenciamento de suas emoções", diz ela.

Um adulto pode incentivar a reavaliação cognitiva, por exemplo, mostrando à criança como um evento inicialmente perturbador pode ser interpretado de diferentes maneiras.

A criança pode então aplicar isso quando estiver novamente chateada, protegendo-a contra estresses futuros.

Um pai ou responsável também pode conversar sobre dilemas sociais – seja na vida real ou na ficção.

"Você pode perguntar a eles: por que essa pessoa reagiu daquela maneira? Por que ela disse isso?", exemplifica Osterhaus.

Isso os ajuda a pensar mais cuidadosamente sobre os estados mentais de outras pessoas, diz ele, o que deve incentivar uma teoria da mente mais avançada.

Às vezes, as duas abordagens convergem naturalmente. Se uma criança está abalada porque seu melhor amigo foi rude, você pode incentivá-la a questionar os possíveis motivos do comportamento desagradável.

Talvez ele estivesse cansado ou tendo um dia ruim; não foi nada pessoal, e o episódio pode, portanto, ser encarado com compaixão em vez de raiva.

Como qualquer habilidade que vale a pena aprender, essas precisam de prática constante.

Em muitos desses momentos, no entanto, a criança estará bem equipada para entender a sua própria mente e a dos outros, guiando-a muito além da "puberdade do dente mole" para as aventuras da adolescência e além.



[1] BBC Brasil - https://www.bbc.com/portuguese/articles/c939er0dz39o

[2] *David Robson é um premiado escritor e autor de ciência. Seu livro mais recente, "The Laws of Connection: 13 Social Strategies That Will Transform Your Life", foi publicado pela Canongate (Reino Unido) e Pegasus Books (EUA e Canadá) em junho de 2024.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

RECORDAÇÕES[1]

 


Miramez

 

Recordação da existência corpórea

Lembra-se o Espírito da sua existência corporal?

Lembra-se, isto é, tendo vivido muitas vezes na Terra, recorda-se do que foi como homem e eu te afirmo que frequentemente ri, penalizado de si mesmo.

Tal qual o homem, chegou à madureza e que ri das suas loucuras de moço, ou das suas puerilidades na meninice.(Allan Kardec)

Questão 304 / O Livro os Espíritos

 

O Espírito, depois que deixa o fardo físico e passa a viver no mundo espiritual, certamente que lembra de algumas de suas reencarnações, quando isso for motivo de ensinamentos para ele.

As recordações se processam por necessidade, nunca por brincadeira, nem por simples curiosidade. Tudo que acontece é por determinação de Deus. No entanto, há inúmeros Espíritos que desconhecem até a si mesmos; esses se encontram em plena ignorância.

A regressão de memória é um fato; são lições que ficam guardadas no fundo da consciência, de modo que não podemos negar o que fizemos. É, pois, o tribunal de justiça dentro de nós, a nos defender ou acusar. Se as recordações lhe dão estímulos para melhorar moralmente, elas são justas lições.

Isso pode igualmente se processar mesmo entre os encarnados, pelo poder do magnetismo, ou hipnotismo; é a regressão de memória, levando o paciente ao passado. Esta prática, entretanto, deve ser evitada, a não ser quando necessária com um objetivo nobre e executada por pessoa séria e devidamente preparada para tal, visto que o passado quase sempre é marcado por atos negativos, cuja lembrança extemporânea pode levar o paciente a um desequilíbrio ainda maior.

Regridamos a nossa memória à época de Jesus Cristo, pela leitura do Evangelho do Mestre ou obras que estendem Suas verdades porque, desta forma, estaremos seguros de que os preceitos de Nosso Senhor nos darão segurança para a nossa libertação espiritual.

Disse alguém que recordar é viver. Asseveramos que assim o é, mas, quando recordamos o bem, e que esse bem nos inspire para alcançarmos o amor, a simpatia dos benfeitores da eternidade. Devemos nos esforçar todos os dias para plantarmos o bom ânimo nos sentimentos dos nossos irmãos, de maneira que esse ânimo se transforme em caridade e essa em amor puro que alimenta as almas na marcha para Deus.

Sejamos cautelosos nas recordações, de modo que elas nos levem para a paz interna. A regressão de memória nos planos superiores é uma verdade, mas, ela é praticada gradativamente, porque o que tiver de ser mudado, vai sendo feito prudentemente pelos que acumularam carma nos seus próprios caminhos.

Não queira o homem procurar os guias espirituais nas sessões espíritas, nem instigar os médiuns para descobrirem suas vidas passadas. A Doutrina dos Espíritos dá informações sobre o que deve ser feito da sua vida presente, mostrando Jesus como único Caminho, Verdade e Vida, para todas as suas aspirações de crescer. Que não force para conhecer aquilo para o qual não se encontra preparado. Que se apegue à oração todos os dias, pedindo a Deus e a Jesus que lhe deem o que for melhor para a sua caminhada.

Não percamos tempo com futilidades, principalmente se já temos algumas semanas de Evangelho no coração. Lembremo-nos de que recordação é viver, mas, pode tornar também em cadeias de sofrimentos para o Espírito. É necessário que saibamos recordar o bem para vivermos melhor.



[1] FILOSOFIA ESPÍRITA – Volume 6 – João Nunes Maia

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

VERSALHES “TIME-SLIP"[1]

 


K.M. Wehrstein

 

O termo time-slip (deslizamento temporal) refere-se a um tipo raro de experiência aparicional em que o observador parece ter sido momentaneamente transportado de volta no tempo, observando seu ambiente como se fosse em um período anterior. Também é conhecido como "retrocognição". De longe, o incidente mais conhecido foi relatado por duas mulheres inglesas que disseram que, enquanto caminhavam pelos jardins do Palácio de Versalhes em uma tarde de 1901, encontraram pessoas vestidas com trajes do final do século XVIII e observaram marcos da época que não existiam mais. O relato publicado sobre a experiência gerou considerável controvérsia.

 

Moberly e Jourdain

Orelato do incidente, publicado pela primeira vez em 1911 como An Adventure, continha os nomes Elizabeth Morison e Frances Lamont[2]. Mais tarde, foi revelado que esses eram pseudônimos para, respectivamente, Charlotte Anne Elizabeth Moberly (1846–1937) e Eleanor Frances Jourdain (1863–1924). Ambas eram acadêmicas inglesas respeitadas e talentosas. O pai de Moberly havia sido diretor do Winchester College e bispo de Salisbury; em 1886, ela se tornou a primeira diretora do St. Hugh's College, em Oxford, cujos alunos eram jovens mulheres. O pai de Jourdain era vigário de Ashbourne, Derbyshire, na Inglaterra; contratada como vice-presidente de Moberly, ela eventualmente a sucedeu como diretora em 1915 e ocupou o cargo até sua morte em 1924.

Ambas as mulheres foram consideradas por seus associados como tendo poderes especiais de percepção[3]. Elas relataram outras experiências anômalas, alegando terem visto juntas um exército francês fantasmagórico após uma batalha perto do forte francês de Malmaison em 1912[4]; em 1913, Moberly alegou ter visto uma aparição do imperador romano Constantino no Louvre[5] .

 

As Experiências

Ambas visitaram Paris como turistas no verão de 1901, como forma de se conhecerem melhor e ajudar Moberly a decidir se contrataria Jourdain como sua representante. Segundo o relato delas, em 10 de agosto de 1901, visitaram o Palácio de Versalhes. Um tanto decepcionadas com o edifício, decidiram caminhar pelos jardins até o Petite Trianon, um castelo no estilo de uma pequena casa de campo construído por Luís XV para a Marquesa de Pompadour e ocupado pela Rainha Maria Antonieta após a ascensão de seu marido, Luís XVI.

Cerca de três meses após a experiência, as mulheres escreveram relatos independentes[6].  Ambas afirmaram ter passado pelo Grand Trianon, um castelo maior, e nesse ponto seus relatos divergem em alguns detalhes. Segundo Moberly, elas passaram à esquerda do Grand Trianon. Em vez de seguir uma ampla estrada verde que, mais tarde, ela soube que as levaria direto ao Petit Trianon, elas passaram por ele e subiram uma viela. Moberly então viu uma mulher sacudindo um pano branco da janela de um prédio e lembrou-se de ter ficado surpresa por sua companheira (cujo francês era melhor que o dela) não ter aproveitado a oportunidade para pedir informações.

No entanto, Jourdain supostamente não viu essa mulher. Ela, por sua vez, descreveu ter passado por algumas construções agrícolas onde havia implementos agrícolas espalhados, incluindo um arado antigo. Depois de passarem à direita de outras construções, a dupla se viu diante de três caminhos, e foi então que Jourdain sentiu pela primeira vez que elas haviam se perdido. Escolheram o caminho central, onde ambas as mulheres viram dois homens – que presumiram ser jardineiros, apesar de seus trajes dignos ('longos casacos verde-acinzentados com pequenos chapéus triangulares'), pois também viram um carrinho de mão e uma pá – e pediram informações sobre como chegar ao Petite Trianon. Os homens disseram-lhes que continuassem em frente. Jourdain sentiu o tom de voz deles estranhamente 'casual e mecânico'.

Jourdain então notou uma mulher e uma menina de treze ou quatorze anos paradas à porta de uma casa de madeira sólida. Estavam vestidas de maneira incomum, com lenços enfiados sob os corpetes. A mulher parecia prestes a passar uma jarra para a menina.

As visitantes então entraram em um bosque, onde ambas viram um quiosque circular de jardim com um homem sentado perto dele. Jourdain então falou de "uma sensação de depressão e solidão", como se estivesse dormindo. Moberly também disse ter sido atingida por uma "depressão extraordinária".

O lugar era tão fechado que não conseguíamos enxergar além. De repente, tudo parecia artificial, portanto desagradável; até as árvores atrás do prédio pareciam ter se tornado planas e sem vida, como madeira trabalhada em tapeçaria. Não havia efeitos de luz e sombra, e nenhum vento agitava as árvores. Tudo estava intensamente parado.

O homem encapuzado olhou para Moberly, que achou seu rosto escuro e de pele áspera "extremamente repulsivo — sua expressão odiosa". Jourdain descreveu sua pele como marcada pela varíola e sua expressão "muito maligna".

Um belo jovem apareceu de repente, correndo em direção às moças; ele usava uma capa, um chapéu de abas largas em estilo espanhol e sapatos de fivela. Mesdames, il ne faut pas passer par là! (ou par ici, como Jourdain se lembrava), disse ele animadamente, entre muitas outras palavras que elas não conseguiam entender devido ao seu sotaque desconhecido. Ambas ficaram impressionadas com a estranheza do seu sorriso, mas seguiram sua direção.

Caminhando mais pela floresta, chegaram ao Petit Trianon. Uma senhora estava sentada no terraço, segurando um papel com o braço estendido, como se estivesse desenhando, e então olhou para as visitantes. Moberly a descreveu como bonita, mas não jovem, loira, usando um chapéu branco, um vestido de verão com um arranjo em forma de lenço nos ombros por cima do corpete, um lenço verde-claro e uma saia curta e ampla, "antiquada e um tanto incomum".

Jourdain não viu essa senhora, embora tenha escrito:

Quando nos aproximamos do terraço, lembro-me de puxar minha saia com a sensação de que havia alguém por perto e eu precisava abrir espaço, e então me perguntei por que fiz isso.

Em direção à casa, foram abordadas por um jovem (segundo Moberly) ou um menino (segundo Jourdain) que saía do que parecia ser uma casa adjacente. Ele se ofereceu para mostrar-lhes o caminho para dentro da casa, e isso os trouxe de volta quase ao ponto de partida. No hall de entrada, as coisas voltaram ao normal, pois foram mantidas esperando para não interromper a chegada de uma comitiva de casamento, e entraram em uma carruagem para partir.

As duas mulheres não conversaram inicialmente sobre o ocorrido. Uma semana depois, Moberly perguntou a Jourdain se ela achava que o Petit Trianon era mal-assombrado, e recebeu um imediato "sim". Só voltaram a conversar três meses depois, quando Moberly mencionou a mulher que desenhava; ambas ficaram impressionadas com o fato de uma delas tê-la visto claramente e a outra, nem um pouco.

Jourdain percebeu que 10 de agosto era o aniversário do último dia de liberdade da família real[7].  Uma amiga francesa disse ter ouvido falar que, anualmente, em um certo dia de agosto, Maria Antonieta ainda era vista sentada do lado de fora do Petit Trianon, e as pessoas ao seu redor também eram vistas envolvidas em suas atividades habituais.

Moberly escreveu:

Perguntamo-nos se havíamos inadvertidamente participado de um ato da memória da Rainha em vida, e se isso explicava a nossa curiosa sensação de estarmos confinadas e oprimidas. O que seria mais provável, pensávamos, do que que, durante aquelas horas no Salão da Assembleia ou na Conciergerie, ela tivesse recorrido com uma memória tão vívida a outros agostos passados no Trianon que alguma impressão disso tivesse sido transmitida ao local?

 

Experiências Adicionais

Jourdain fez uma segunda visita ao Petit Trianon em 2 de janeiro de 1902. Tudo parecia normal até que ela cruzou uma ponte em direção a um edifício chamado Hameau de la Reine. "Foi como se eu tivesse cruzado uma linha e, de repente, estivesse em um círculo de influência", escreveu ela. Uma carroça estava sendo enchida com gravetos por dois trabalhadores em túnicas e capas com capuzes de um vermelho terracota brilhante e um azul profundo, respectivamente. Eles desapareceram quando ela desviou o olhar por um instante, e ela não conseguiu encontrar nenhum vestígio de seu trabalho. Ela viu um homem fantasmagórico e então sentiu – sem ver ninguém – como se estivesse em uma multidão de pessoas passando por ela, dizendo palavras que ela mal conseguia ouvir.

Ela então ouviu música como se viesse de uma banda distante. "Tanto a música quanto as vozes estavam diminuídas, como em um fonógrafo, anormalmente. O tom da banda estava mais baixo do que o normal", escreveu ela. Um jardineiro muito alto e musculoso atendeu ao seu pedido de orientação, alertando que era impossível encontrar o próprio caminho no parque de Versalhes, a menos que se estivesse tão acostumado a isso que personne ne pourrait vous tromper (ninguém pode enganar). Assim que retornou ao Palácio, verificou se havia alguma banda programada para tocar naquele dia e foi informada de que nenhuma. Jourdain posteriormente escreveu em notação musical cerca de doze compassos de melodia de que se lembrava.

Ambas as mulheres, ao retornarem para visitas subsequentes, encontraram os terrenos aparentemente tão mudados desde a primeira visita — áreas de floresta abertas, o "quiosque" e uma ponte desaparecidos, distâncias aparentemente mais curtas e mudanças na casa — que elas não conseguiam encontrar os caminhos que haviam tomado.

Em 1908, Jourdain fez mais uma de suas muitas visitas ao Petit Trianon, das quais todas, exceto as duas de 1901 e 1902, haviam transcorrido sem incidentes. Ao passar rapidamente pelos alojamentos dos guardas, ela notou duas mulheres sentadas, discutindo em voz alta. Suas vozes sumiram de repente e, ela escreveu:

De repente e de forma totalmente inesperada, percebi que alguma mudança indefinível havia ocorrido. Senti como se estivesse sendo transportado para outra condição... Virei-me imediatamente para olhar para trás e vi os portões perto dos quais eles estavam se dissipando, e o fundo de árvores novamente se tornando visível através deles, como em nossa visita original, mas notei que os pilares laterais estavam firmes (esses pilares eram antigos e provavelmente não haviam sido renovados desde sua construção original). Toda a cena – céu, árvores e prédios – estremeceu levemente, como o movimento de uma cortina ou do cenário de um teatro. Ao mesmo tempo, a antiga dificuldade de caminhar e de encontrar qualquer caminho se reproduziu, juntamente com a sensação de depressão descrita em 1901 e 1902.

Ela seguiu em frente com determinação e as coisas pareceram voltar ao normal.

 

Pesquisa de Percipientes

A partir de livros sobre a Revolução e Versalhes, Moberly e Jourdain identificaram o homem "de aparência maligna" que haviam encontrado como o Conde de Vaudriuel, um cortesão ambicioso que Maria Antonieta desprezava e que era um crioulo mestiço com pele marcada por varíola. Um certo retrato da rainha impressionou Moberly por ser exatamente igual à dama que o desenhava[8].

Ao assistir a uma peça da Comédie Française, que descendia do teatro privado real e preservava suas tradições de trajes, Jourdain notou que o traje de alguns figurantes era quase idêntico ao usado pelos funcionários do jardim que ela e Moberly conheceram na primeira visita.

Entre 1904 e 1910, Moberly e Jourdain reuniram evidências que interpretaram como significando que os seguintes itens adicionais, trajes e pessoas que eles viram datavam da época da Revolução:

§  o arado

§  o traje dos jardineiros

§  a casa onde uma mulher parecia estar entregando uma jarra a uma menina, e suas possíveis identidades

§  o quiosque

§  o traje masculino de capa e chapéu de aba larga

§  o homem correndo, seus sapatos com fivelas e uma possível identidade

§  uma ponte que os percipientes cruzaram e que não existia mais

§  o traje da mulher que desenhava, que eles achavam ser Maria Antonieta

§  um dispositivo antigo de rotatória chamado Jeu de Bague

§  o segundo jovem que os dirigiu, vindo por uma porta que atualmente nunca foi aberta, e uma possível identidade

§  os dois trabalhadores recolhendo gravetos usando uma carroça e seus trajes

§  a floresta densa onde Jourdain se sentia como se estivesse em uma multidão

§  o estilo da música que Jourdain ouviu

§  o traje do jardineiro alto e musculoso e uma possível identidade

§  vários outros itens

Para seu descrédito, Moberly e Jourdain escreveram uma proposta de sequência de meditação de Maria Antonieta, na qual a rainha imagina ver duas mulheres desconhecidas perto do Petit Trianon. Nas palavras de um cético, este capítulo leva o livro "do reino da reportagem para o da ficção fantástica[9]".

Moberly e Jourdain não chegaram a conclusões definitivas sobre a natureza ou a causa de suas experiências, mas deixaram claro que entraram em cenas de aparições que datam da Revolução, possivelmente devido às impressões deixadas no terreno.

 

Comentários e Críticas

Publicado pela primeira vez em 1911 como An Adventure, o relato causou sensação no público e passou por cinco edições, incluindo duas em francês, nas quatro décadas seguintes, seguidas por outras ainda mais recentes[10]. Provocou uma forte reação cética que continua até hoje.

 

Pesquisadores Psíquicos

Uma revisão nos Proceedings of the Society for Psychical Research (não assinada, mas que se sabe ter sido escrita por Eleanor Sidgwick )[11], atribuiu a experiência a um erro de memória e insistiu que "uma grande quantidade de evidências seria necessária antes que um fenômeno desse tipo pudesse ser aceito como um fato[12]". Quatro décadas depois, William Salter , um membro sênior da Sociedade de Pesquisa Psíquica (SPR), ficou preocupado porque a dupla não havia escrito nenhum relato imediato das experiências e seus dois relatos originais, escritos alguns meses após o primeiro evento, foram destruídos após terem sido copiados para publicação. Ele também observou que edições sucessivas pareciam ter sido embelezadas e suspeitou que pesquisas subsequentes tivessem informado algumas das supostas memórias. "Os autores registraram, investigaram e publicaram sua experiência de forma a deixar todo o caso em uma névoa impenetrável de incerteza", comentou[13].

Uma crítica semelhante foi feita após uma análise cuidadosa em 1988 por Michael Coleman, novamente para a SPR[14].

Comentaristas posteriores pensaram que algum evento sobrenatural poderia ter ocorrido, mas não necessariamente como interpretado por Moberly e Jourdain.

Em artigos publicados entre 1953 e 1962, o pesquisador psíquico G. W. Lambert argumentou que Moberly e Jourdain, ambas em transe, perceberam de forma paranormal cenas do passado – mas as deslocaram no tempo em sua interpretação. Ele apresentou um argumento detalhado para as cenas terem se originado por volta de 1774, em vez de 1789, e para o fato de alguns cenários terem existido apenas na imaginação de um jardineiro da época, Antoine Richard[15].

O pesquisador psíquico G.N.M. Tyrrell sugeriu que este poderia ter sido um caso de telepatia em vez de retrocognição, sendo o possível agente uma ou mais pessoas com conhecimento dos eventos de 1789[16].

 

Outras críticas

Moberly e Jourdain foram alvo de ataques pessoais, notadamente em um livro de 1957 de Lucille Iremonger, uma jamaicana que as conhecia de reputação, tendo frequentado a St. Hugh's (a faculdade feminina de Oxford da qual ambas eram diretoras) na graduação. Iremonger se concentrou em uma disputa surgida a partir da tentativa de Jourdain de demitir uma colega que ela considerava insubordinada, o que a teria levado à demissão forçada se ela não tivesse morrido primeiro de um ataque cardíaco. Iremonger também insinuou que ambas as mulheres haviam mantido relacionamentos lésbicos com suas alunas e, ainda, sugeriu que as duas haviam se envolvido romanticamente, o que, segundo ela, as teria tornado suscetíveis a uma ilusão compartilhada[17].

Em sua biografia do poeta francês Robert de Montesquiou, Philippe Jullian destacou que ele morava perto de Versalhes e gostava de dar festas no local, para as quais seus amigos se vestiam com trajes de época e criavam 'tableaux vivants', que poderiam ser confundidos com aparições[18].

Essas e outras críticas são rotineiramente referenciadas em críticas gerais por céticos de alegações paranormais[19].

Em 2021, Mark Lamont publicou uma investigação do caso, extensa, pesquisada e ilustrada, em um livro[20]. Nela, ele compara cuidadosamente a primeira e a segunda versões dos relatos escritos separadamente pelas duas percipientes. Em seguida, examina cada vista, objeto, edifício e pessoa aparente que eles perceberam, no contexto das experiências relatadas por outras pessoas em Versalhes (salientando que muitas pessoas relataram avistamentos semelhantes lá) e em outros lugares, invocando estudos parapsicológicos de aparições, assombrações, aportes, impressões de crise e retrocognição.

Lamont tem pouca confiança na teoria de Jullian sobre Montesquiou. Ele tende a concordar com Lambert que as evidências parecem apontar para um período anterior, coincidindo com o reinado do Rei Luís XV no Trianon, e que Antoine Richard desempenha um papel significativo em relação à origem, mas argumenta que evidências mais sólidas seriam necessárias para reforçar a confiabilidade de tal teoria. Contra Sidgwick, ele argumenta que quatro pontos nos primeiros relatos das mulheres podem apontar para algum tipo de intervenção paranormal e que, embora o caso permaneça um enigma, as alegações paranormais associadas ao incidente de 1901 não podem ser completamente desacreditadas[21].

 

Coleção de Arquivos

Os documentos relevantes de Moberly e Jourdain foram doados por Moberly à Universidade de Oxford em 1928 e estão guardados na Biblioteca Bodleiana. Eles incluem os relatos da dupla sobre suas visitas a Versalhes, seus mapas, gravuras e fotos coletados, a segunda e a terceira edições de An Adventure, a correspondência original com a SPR de 1911 a 1913, seus diários de cerca de 1901 e outros itens[22].

 

Vídeo

Um telefilme baseado nos eventos foi produzido em 1981 pela Anglia Television, estrelado por Dame Wendy Hiller e Hannah Gordon, escrito e produzido por Ian Curteis e dirigido por John Bruce. Pode ser visto no Vimeo aqui[23] .

 

Literatura

§  Archives Hub (n.d.). Papers of C. Anne E. Moberly and Eleanor F. Jourdain. [Web page.]

§  Coleman, M. (1988). The Ghosts of the Trianon: The Complete ‘An Adventure’. Wellingborough, UK: Aquarian Press.

§  Dunning, B. (2012, 7 Feb.). Skeptoid #296: The Versailles Time Slip. [Weblog.]

§  Goodman, D., & Kaiser, T.E. (2003). Marie Antoinette: Writings on the Body of a Queen. London: Routledge.

§  IMDb (n.d.). Miss Morison’s Ghosts. [Web page.]

§  Iremonger, L. (1975). The Ghosts of Versailles: Miss Moberly and Miss Jourdain and their Adventure. London: White Lion.

§  Jullian, P. (1967). Robert de Montesquiou, a Fin-de-Siecle Prince. London: Seker & Warburg.

§  Lambert, G.W. (1953). Antoine Richard’s garden: A postscript to An Adventure. Journal of the Society for Psychical Research 37, 117-54.

§  Lambert, G.W. (1955–1956). Antoine Richard’s garden: A postscript to An Adventure. Supplemental Note. Journal of the Society for Psychical Research 38, 12-18.

§  Lambert, G.W. (1962). Richard’s garden revisited. Journal of the Society for Psychical Research 41/712, 279-92.

§  Lamont, M. (2021). The Mysterious Paths of Versailles: An Investigation of a Psychical Journey Back in Time. Kindle Edition.

§  Moberly, C.A.E., & Jourdain, E. An Adventure. Kindle Edition. [First published under the names Elizabeth Morison & Frances Lamont in 1911, London: MacMillan. First Edition archived on Digital Repository of Hong Kong University. Second edition archived on the Internet Archive.]

§  Salter, W.H. (1949-1950). ‘An Adventure’: A note on the evidence. Journal of the Society for Psychical Research 35, 178-87.

§  Society for Psychical Research (1911). An Adventure (Macmillan & Co., St. Martin’s Street, London, 1911). [Review.] Proceedings of the Society for Psychical Research 25 Supplemental, 353-60.

§  Tyrrell, G.N.M. (1943). Apparitions. Myers Memorial Lecture, SPR Edition.

§  Zusne, L., & Warren, H. (2014). Anomalistic Psychology: A Study of Magical Thinking. Abingdon, UK: Psychology Press.

 

Traduzido com Google Tradutor



[2] Moberly & Jourdain, 10. Todas as informações nesta e nas quatro seções seguintes foram extraídas desta fonte, exceto quando indicado de outra forma.

[3] Lamont (2021), 8.

[4] Lamont (2021), 9.

[5] Lamont (2021), 5-6.

[6] Veja Lamont (2021), 23-28, para ambos.

[7] Isso não é totalmente exato: eles foram presos no Palácio das Tulherias a partir de 6 de outubro de 1789; em 10 de agosto de 1892, o palácio foi invadido, forçando a família a fugir para a Assembleia Nacional, onde foram presos. Veja Lamont (2021), 18.

[8] Isso não é totalmente exato: eles foram presos no Palácio das Tulherias a partir de 6 de outubro de 1789; em 10 de agosto de 1892, o palácio foi invadido, forçando a família a fugir para a Assembleia Nacional, onde foram presos. Veja Lamont (2021), 18.

[9] Dunning (2012).

[10] Lamont (2021), 1, 61. Veja 61-65 para descrições de revisões das edições sucessivas até o presente e reações dos revisores.

[11] Salter (1949–1950), 187.

[12] Society for Psychical Research - SPR (1911), 353. Para um resumo detalhado da análise de Sidgwick, veja Lamont (2021), 55-61.

[13] Salter (1949–50), 186. Veja Lamont (2021), 38-44 para detalhes da correspondência de Moberly e Jourdain com a pessoa de contato inicial da SPR, Alice Johnson .

[14] Coleman (1988).

[15] Lambert (1953-1954, 1955-1956, 1961-1962).

[16] Tyrrell (1943), 69.

[17] Iremonger (1957).

[18] Jullian (1967),  140-41.

[19] Por exemplo, Zusne e Warren (2014), 195 e Dunning (2012).

[20] Lamont (2021).

[21] Comunicação pessoal de Lamont (2022).

[22] Centro de Arquivos (nd).

[23] IMDb (sem data).