Miramez
Escolha das provas
Havendo Espíritos que, por provação, escolhem o contato do
vício, outros não haverá que o busquem por simpatia e pelo desejo de viverem
num meio conforme aos seus gostos, ou para poderem entregar-se materialmente a
seus pendores materiais?
Há, sem dúvida, mas tão-somente entre aqueles cujo
senso moral ainda está pouco desenvolvido. A prova vem por si mesma e eles a
sofrem mais demoradamente. Cedo ou tarde, compreendem que a satisfação de suas
paixões brutais lhes acarretou deploráveis consequências, que eles sofrerão
durante um tempo que lhes parecerá eterno. E Deus os deixará nessa persuasão,
até que se tornem conscientes da falta em que incorreram e peçam, por impulso
próprio, lhes seja concedido resgatá-la, mediante úteis provações.
Questão 265 / O Livro dos Espíritos
Há também Espíritos que escolhem
nascer em um reduto viciado por gostarem do vício e sentirem necessidade de
estar envolvidos nele. Nesses, o senso moral ainda não tem desenvolvimento
bastante para lhes mostrar que eles devem se esforçar, no sentido de adquirir a
decência nos caminhos que percorrem.
Não há uma regra geral nas
escolhas das provações, mas, todas elas nos trazem lições, mais ou menos
demoradas, que o tempo fica encarregado de nos transmitir pelos processos da
dor. As deduções que a razão nos oferece, para escolher essa ou aquela provação,
vêm impulsionadas pelos nossos sentimentos, pelo tipo de escolha.
Os benfeitores espirituais nos
conhecem, entretanto, na hora de conceder o escolhido, o automatismo do sim ou
do não é mais profundo do que se pensa. Primeiramente, ele vem de Deus, porque
todas as decisões partem d'Ele, o Supremo Mandatário do Universo, e, por vezes,
nasce no candidato, por inspiração de alguém que o ajuda nas lutas de cada dia,
como avalista da riqueza da vida na carne que vai receber.
Os que escolhem tipos de provas
para satisfazer suas paixões brutais, mais cedo ou mais tarde, arrepender-se-ão
das suas escolhas. Embora conhecendo a inconveniência do caminho, Deus lhes
concedeu como aprendizado, pois ao descobri-los é que o Espírito permanecerá
nos roteiros de luz.
Se já temos alguma luz de
entendimento acerca das leis de Deus, que regulam todas as coisas, não percamos
tempo com o chamado mal; as ilusões nos fazem sofrer, até que conheçamos a
verdade. Ela é Deus de braços abertos, pelos braços do Cristo, a nos convidar
para a felicidade.
Devemos aprender com mais
brevidade a ciência do bem viver, que ela é porta de luz que nos mostra a paz
de consciência. Se já sabemos escolher melhores caminhos para o nosso
bem-estar, trabalhemos na inspiração dos outros. Que seja no silêncio, de modo
que eles, pela sugestão dos nossos exemplos e das nossas orações, possam
encontrar mais depressa o Cristo no próprio coração.
A criatura inteligente percebe,
pelos seus próprios pensamentos, a que classe de Espíritos pertence, na escala
do progresso; basta analisar o que só as ideias lhes mostram, o prazer que têm
com tais ou quais atitudes. Todos conhecemos o bem e o mal, por hereditariedade
das leis que vibram dentro de cada um. Se o homem tem prazer em viver no meio
de desequilibrados, é um deles. Por aí, analisemos as nossas atitudes,
certificando-nos do que somos, diante dos que nos buscam por sintonia.
Esforcemo-nos todos os dias no
combate às más inclinações, e não esmoreçamos nessa luta porque, se procurarmos
Jesus para nos ajudar nas lutas, venceremos a nós mesmos, ganhando a paz e
aprendendo a amar em todos os rumos da vida. Deus concede o que Lhe pedimos,
quando acha conveniente para o nosso despertamento espiritual. Às vezes, o
atendimento é demorado; isso não importa; importa é que abramos os olhos para a
luz do entendimento.
Não amaldiçoemos os que estão imersos no
vício, nas paixões inferiores, porque é no meio deles que o sofrimento os
desperta para a reta moralidade. Depois, eles passarão a buscar uma norma de
proceder mais eficiente, que o tempo lhes mostrará. Se queremos ajudar com mais
proveito, ajudemo-los com pouca teoria, mas, com muita vivência.
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