Chely Sanchez Meza
Às vezes, quanto mais adornada a
mente está com diplomas, mais difícil é aceitar que foi programada.
Quanto mais títulos ele carrega,
mais dói soltar a identidade que construiu ao redor deles.
Doutorados.
Mestres.
Especialidades.
Cursos.
Certificados.
Universidades prestigiosas.
Anos inteiros acumulando
informações.
No entanto, muitas vezes, a
única coisa que se fortaleceu foi a jaula. Porque o mundo ao contrário
convenceu a humanidade de que memorizar era saber. De que repetir era compreender.
Que obedecer era inteligência. Que acumular títulos era aproximar-se da
verdade.
Mas a Consciência não acorda por
currículo. Consciência desperta pela lucidez. E a lucidez nem sempre vive nas
salas mais caras. Às vezes vive em quem anda descalço na terra. Em quem ouve o
rio. Em quem observa o céu. Em quem não sabe ler livros, mas ainda sabe ler a
si mesmo.
É por isso que um ser simples,
conectado com a natureza pode despertar mais rápido do que alguém que há
décadas defende um sistema que o ensinou a desconfiar da sua própria essência.
Não porque estudar é ruim. Mas
porque quando o estudo substitui o espírito, a mente fica soberba. E a soberba
mental é uma das prisões mais difíceis de quebrar. O engano foi profundo.
Eles fizeram os pais sonharem
com as melhores escolas para os seus filhos, sem perceber que muitas vezes lá
não se expande a origem: domestica-se. A obediência é recompensada. A
imaginação é punida. A intuição é ridicularizada. A memória é treinada. Faz uma
identidade aceitável para o sistema.
E então chamam de
"sucesso" a estar perfeitamente adaptado a uma realidade doente. Como
é doloroso olhar para isso.
Como é forte ver tantas
essências originais, criadoras e infinitas, correndo atrás de miragens
acreditando que perseguem sabedoria.
Como é difícil compreender que
muitas almas foram encapsuladas, drenadas lentamente, vida após vida, programa
após programa, memória após memória, para que eles esquecessem o seu poder
criador.
Mas a verdade não precisa de
permissão de nenhuma universidade. Consciência não pede diploma para acordar. Não
precisa de doutoramento para se lembrar. Não precisa de aprovação acadêmica
para saber quem é. O verdadeiro saber não enche a mente. O verdadeiro saber
liberta a essência.
E se seus títulos te aproximaram
da humildade, compaixão, lucidez e verdade interior, honre-os.
Mas se os seus títulos te
tornaram arrogante, frio, repetidor, domesticado e cego para o essencial... então
não eram asas. Eram correntes com moldura dourada. Porque o conhecimento que
não desperta, enfeita a prisão. E a Consciência não veio decorar sua jaula. Veio
para sair dela.
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