Nasceu em Ribeiro Bonito,
interior de São Paulo, Brasil, em 17 de fevereiro de 1938. Filho do casal
Giorgio Lorenzetti e Paulina Serafini Lorenzetti, imigrantes italianos chegados
ao Brasil em 1926, que tiveram outros três filhos: Mário, Hugo e Ângelo.
Nasceu e viveu, até concluir o primeiro grau, em Ribeirão Bonito. Foi para
Araraquara a fim de concluir seus estudos e cursar o segundo grau.
Aos 18 anos veio para São Paulo
em busca de um sonho: estudar Medicina. E, para isso, era preciso ter recursos,
pois se tratava de um curso caro. Como sempre se destacou no estudo da língua
portuguesa, assim que chegou em São Paulo, em 1957, conseguiu o emprego como
revisor no jornal Folha de S. Paulo.
Logo nesta época, percebeu que
sua real vocação era o Jornalismo. Só saiu da Folha de S. Paulo em 1968 quando
respondia, há praticamente dois anos, pela Chefia de Reportagem.
Era apaixonado pelo Jornalismo e
muito crítico com relação à postura - muitas vezes fria - da maior parte dos
colegas. Tinha um carinho especial pelas histórias humanas. Adorava os
personagens que entravam na redação durante os plantões de finais de semana
para contar histórias, chorar ou, simplesmente, compartilhar alegrias.
Abrir mão do Jornalismo, só
mesmo por um novo desafio. E foi assim que Valentim saiu da Folha de São Paulo
e foi conhecer uma nova profissão. Em 1968, aceitou o convite para fazer parte
do departamento de Relações Públicas da J. Walter Thompson, com o cargo de
assistente de redação. Da JWT desligou-se em 1976, quando então respondia pela
direção do departamento de Relações Públicas, para fundar sua própria empresa -
a LVBA Comunicação e Propaganda Ltda.
O Jornalismo ele nunca abandonou
e, contrário à maioria de seus amigos, sua aposentadoria seria na máquina de
escrever. Para que isso fosse possível ele sabia era necessário
profissionalizar a gestão da LVBA.
Contrariando o que o mercado
praticava naquele momento, em 1986, durante as comemorações dos dez anos da
LVBA, Valentim anunciou a criação do cargo de Diretor Executivo e nomeou Flavio
Valsani, profissional que estava na LVBA já há nove anos. Desta forma, Valentim
delegou a Flavio a função de principal executivo para que ele, com o tempo,
pudesse se dedicar mais à consultoria e à redação.
Mais tarde, em 1990, satisfeito
com o rumo da profissionalização que conduziu, novamente inovou. Em
reconhecimento à dedicação e ao empenho de Flavio Valsani e de João Aliotti,
Diretor Administrativo-Financeiro desde o nascimento da LVBA, transformou-os em
seus sócios.
Os laços de Valentim com o
Jornalismo sempre foram muito fortes. Manteve, de 1970 a 1984, uma coluna sobre
Espiritismo no jornal Folha da Tarde.
Ser espírita, naquela época, era
muito diferente do que é hoje. Havia muita confusão sobre o que é espiritismo e
o que são as outras religiões, muitas vezes fruto do sincretismo religioso.
Além disso havia um certo preconceito em se assumir publicamente como
praticante dessa religião.
Valentim nunca se preocupou com
isso. Muito pelo contrário. Além de pregar a liberdade de credo e de expressão,
acreditava que tinha a obrigação de usar seu talento na difusão dos verdadeiros
conceitos sobre o espiritismo. Em 1982, fez uma coletânea das crônicas
publicadas até aquele ano e editou o livro “Caminhos de Libertação”.
Ainda no campo pessoal, foi um
iniciadores do CVV - Centro de Valorização da Vida, entidade que trabalha na
prevenção do suicídio e foi, durante muitos anos, responsável pela difusão e
comunicação desta entidade.
Além da LVBA, da religião, do
CVV, da Clínica Psiquiátrica mantida pelo CVV em São José dos Campos, ele
sempre trabalhou ativamente em entidades da área de Comunicação. Foi da
diretoria do CONRERP (Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas)
e da APP (na época, Associação Paulista de Propaganda). Seu último cargo foi
como presidente do CONFERP - Conselho Federal de Profissionais de Relações
Públicas.
Na área de Relações Públicas,
certamente uma das mais importantes ações do Valentim foi a criação e fundação
da ABERP - Associação Brasileiras das Empresas de Relações Públicas, em 1983.
Trata-se do maior avanço pelo qual passou o mercado de empresarial de Relações
Públicas no país, já que a entidade foi responsável pela definição de
parâmetros que permitiram que a boa conduta profissional deixasse de ser um
atributo subjetivo.
Esta iniciativa foi reconhecida
pelo mercado e, em dezembro de 1983, ele recebeu, do Conselho Regional de
Profissionais de Relações Públicas de São Paulo, o Prêmio Opinião Pública, na
categoria Prêmio Especial - categoria especialmente instituída para homenageá-lo
pela criação da ABERP.
Em 1990, vítima de câncer,
Valentim Lorenzetti morreu. Não sem antes registrar a sua visão, inovadora e
ousada. Em 1989 , enviou a toda a equipe da LVBA um memorando que se tornou uma
das principais marcas da empresa:
Se todos os sonhos se transformarem em realidade é
sinal que você parou de crescer. Que haja sempre lugar para um sonho a mais em
seu coração. Obrigado pelos sonhos que movem a LVBA.
Valentim Lorenzetti.

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