segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

ZILDA GAMA[1]

 


Zilda Gama foi uma das mais celebradas médiuns do Brasil.
Nasceu em 11 de março de 1878, em Três Ilhas, em Juiz de Fora (MG), e desencarnou em 10 de janeiro de 1969, no Rio de Janeiro. Era a segunda filha dos 11 filhos de Augusto Cristina da Gama, escrivão de paz, e Elisa Emílio Klörs da Gama, professora estadual.
Fez seus estudos com a própria mãe. Posteriormente, matriculou-se na Escola Normal de São João Del Rei, onde recebeu o diploma de professora primária. Ainda jovem, com apenas 24 anos, ficou órfã dos pais, tendo que assumir a direção da casa, cuidando de cinco irmãos menores e, posteriormente, de outros cinco sobrinhos órfãos.
Foi professora e diretora de escola, sendo agraciada em concursos promovidos pela Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ainda jovem, Zilda Gama começou a perceber a presença dos Espíritos. Recebeu mediunicamente mensagens de seu pai e de sua irmã, já desencarnados, que a aconselhavam e a consolavam nos momentos de provações difíceis pelos quais estava passando. Em 1912, recebeu interessante mensagem assinada por Allan Kardec. Após essa manifestação, o Codificador propiciou-lhe outros ensinamentos, os quais foram impressos no livro “Diário dos Invisíveis”, publicado em 1929.
Em 1916, os Benfeitores informaram-lhe que passaria a psicografar uma novela, fato que a deixou bastante perplexa. O Espírito de Victor Hugo passou então a escrever por seu intermédio. Dentro de pouco tempo, a primeira obra, “Na Sombra e na Luz”, estava completa. Posteriormente, sob a tutela do mesmo Espírito, vieram os livros “Do Calvário ao Infinito”, “Redenção”, “Dor Suprema” e “Almas Crucificadas”, todas publicadas pela FEB.
Incontestavelmente, os grandes medianeiros que têm servido de ponte entre os mundos material e espiritual, no trabalho meritório de descortinar novos horizontes para a conturbada humanidade terrena, foram missionários, podendo-se mesmo afiançar que na constelação dos médiuns que brilharam na Terra, prodigalizando aos homens novos conhecimentos e preparando o terreno para a implantação da verdade, Zilda Gama brilhou de modo fulgurante, cabendo-lhe uma posição das mais proeminentes.
O trabalho de Zilda Gama na imprensa leiga − Em 1927, participou do Congresso de Instrução, em Belo Horizonte. Em 1929, obteve o primeiro lugar em concurso promovido pela Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais, com um trabalho sobre Aulas - Modelo, quando foi inscrita na Escola de Aperfeiçoamento de Belo Horizonte, concluindo o curso em 1931, no mesmo ano em que no Brasil houve intenso movimento em prol dos direitos femininos. Zilda Gama foi autora da tese sobre o voto feminino, no Congresso, a qual foi aprovada oficialmente.
Escreveu contos e poesias para vários jornais, destacando-se o Jornal do Brasil, a Gazeta de Notícias e a Revista da Semana, todos da antiga capital federal.
Exerceu o jornalismo profissional em jornais de Juiz de Fora e Ouro Preto, São Paulo e Rio de Janeiro.
Os livros mediúnicos psicografados por Zilda Gama fizeram época na literatura espírita, além de terem o mérito de suavizar muitas dores e estancar muitas lágrimas. Foi a primeira, no Brasil, a receber tão vasta literatura do mundo espiritual.
Outras publicações produzidas pela sua mediunidade: “Solar de Apoleo”, “Na Seara Bendita”, “Na Cruzada do Mestre” e “Elegias Douradas”.
Didata por excelência, organizou os seguintes livros: “O Livro das Crianças”, “Os Garrotilhos”, “O Manual das Professoras” e “O Pensamento”.
A mensagem que Kardec lhe ditou em 1912 − Não obstante as grandes lutas morais que teve que sustentar, Zilda Gama se constituiu na orientadora de muitas criaturas.
Em 1959, após sofrer derrame cerebral, viveu numa cadeira de rodas, assistida pelo sobrinho Mário Ângelo de Pinho, que lhe fazia companhia. Zilda Gama, alma de escol, dedicou toda a sua longa existência ao propósito de difundir no Brasil a consoladora Doutrina dos Espíritos e, tendo vivido até quase os 91 anos, tornou-se paradigma para todos os que encaram a mediunidade como sacerdócio lídimo e autêntico.
Algo que nos chama a atenção na obra de Zilda Gama é o fato de haver psicografado mensagem de Kardec em 1912, quando Chico contava 2 anos de idade.
No livro “Pioneiros de uma Nova Era”, de Antônio de Souza Lucena, o fato é mencionado pelo autor, que diz que em 1912, na cidade de Além Paraíba (MG), Zilda Gama, que na época não tinha qualquer conhecimento da Doutrina Espírita, recebeu mensagem assinada por Allan Kardec, com o seguinte teor:
“Sobre a tua fronte está suspenso um raio luminoso que te guiará através de todas as dificuldades, de todos os obstáculos, e será a tua glória ou tua condenação, conforme o desempenho que deres aos teus encargos psíquicos. Cinge-te de coragem, sem desfalecimento e sem deslizes, em todos os teus deveres sociais e divinos e conseguirás ser triunfante”.
Como se sabe, em 1912, o médium Francisco Cândido Xavier estava encarnado e vivia em Pedro Leopoldo (MG), onde nasceu em 2 de abril de 1910. O episódio é ilustrativo e deveria ser meditado por todos os que vêm propalando a tese de que Chico seria a reencarnação do Codificador do Espiritismo.




Nenhum comentário:

Postar um comentário