Carlos Baca-Flor – “The natural vocation”
Miramez
Felicidade e infelicidade relativas
Evidentemente, por meio da especialidade das aptidões
naturais, Deus indica a nossa vocação neste mundo. Muitos dos nossos males não
advirão de não seguirmos essa vocação?
Assim é, de fato, e muitas vezes são os pais que, por
orgulho ou avareza, desviam seus filhos da senda que a Natureza lhes traçou,
comprometendo-lhes a felicidade, por efeito desse desvio. Responderão por ele.
Acharíeis então justo que o filho de um homem altamente
colocado na sociedade fabricasse tamancos, por exemplo, desde que para isso
tivesse aptidão?
Cumpre não cair no absurdo, nem exagerar coisa alguma:
a civilização tem suas exigências. Por que haveria de fabricar tamancos o filho
de um homem altamente colocado, como dizes, se pode fazer outra coisa? Poderá
sempre tornar-se útil na medida de suas faculdades, desde que não as aplique às
avessas. Assim, por exemplo, em vez de mau advogado, talvez desse bom mecânico
etc.
No afastarem-se os homens
da sua esfera intelectual reside indubitavelmente uma das mais frequentes
causas de decepção. A inaptidão para a carreira abraçada constitui fonte
inesgotável de reveses. Depois, o amor-próprio, sobrevindo a tudo isso, impede
que o que fracassou recorra a uma profissão mais humilde e lhe mostra o
suicídio como remédio para escapar ao que se lhe afigura humilhação. Se uma
educação moral o houvesse colocado acima dos tolos preconceitos do orgulho,
jamais se teria deixado apanhar desprevenido. (Allan Kardec)
Questão 928 / O Livro dos Espíritos
Há grande necessidade de o
Espírito seguir a sua vocação natural, aquela que ele traz na sua consciência,
determinada pelas suas necessidades espirituais. Compete aos pais reforçarem
essa vocação quando descoberta, no sentido de que o filho caminhe com os seus
próprios pés.
Quando certas circunstâncias
torcem os sentimentos, tudo dá errado na vida da alma. Se um Espírito tomou um
corpo para seguir a carreira da medicina, e por tais ou quais meios humanos vai
para o campo, certamente que sofrerá intimamente a falta do ambiente da
medicina. Quando se dá o contrário, ele fica deslocado no meio dos seus
colegas. Cada qual deve, por lei maior, situar-se em seu lugar, no sentido de
que a própria consciência lhe dê o amparo.
Cumpre salientar que Deus não
deixa de ajudar jamais, mesmo aos que trocam de posição no mundo. Tudo se
confunde no amor, onde nascem lições imortais para o celeiro da vida. O melhor
é fazer qual os antigos: primeiramente, ensinavam ao filho uma profissão, fosse
esse filho da mais baixa escala da sociedade, ou da mais alta posição social,
para depois seguir o que a ele mais interessasse na vida. Ficava, assim, a
profissão simultânea à condição de doutor para o caso de precisar colocá-la em
uso, como no caso de Saulo de Tarso, que era tecelão e doutor da lei.
A sociedade humana já descobriu
que deve colocar o homem no lugar da sua vocação natural, tanto que criou os
testes vocacionais, que favorecem uma orientação mais acertada ao jovem. A
vocação, muitas vezes, se mostra estuante interiormente, evidenciando-se
exteriormente, por isso é que uns não precisam de testes, enquanto outros
buscam nele sua conscientização para serem mais bem entendidos e sentirem mais
segurança nos seus caminhos.
O Espírito evoluído é qual o
diamante jogado na lama, que nunca deixa de ser uma pedra preciosa. Geralmente
o Espírito de alta hierarquia reencarna em meios difíceis de vida, no entanto,
ele supera todas as dificuldades e passa a atender sua vocação de estadista, de
cientista, de escritor etc., sempre em liderança, dando aos outros o que ele
veio para distribuir por amor.
Quando a alma
não tem certos recursos para estimular a si mesma na sua vocação, a ideia dos
pais tem grande influência no seu destino, e seus genitores, se desviarem o
filho da sua vocação natural, não vão desfrutar da alegria de ver e sentir a
sua felicidade, por estar ele colocado em lugar em que não deveria. Eles
sofrerão as consequências, no entanto, em todos os caminhos as lições são
visíveis, porque vai se cumprir a lei que assim se expressa:
Nada se perde na
escola divina.
Se um filho de um homem douto
ou, mais acertadamente, de um industrial que tem grandes possibilidades
financeiras passar a fabricar tamancos por prazer à profissão, isso não tem
nada a ver com a sua posição. É uma profissão honesta, no entanto, ele rompe os
limites dessa profissão e busca, e deve buscar, uma compatível com a sua
posição social, para completar seu avanço moral e espiritual, sentindo-se útil
a si mesmo e à sociedade. A alma elevada não se sente inferiorizada com
trabalho algum, fazendo tudo que queira, com perfeição e amor. O sol, como olho
divino, não se sente diminuído por clarear o charco, os canais de esgotos, e
mesmo as inferioridades humanas. Ele é um grande transformador cósmico, em que
tudo por ele se transforma em belezas imortais.
Quando os pais compreendem bem a
missão dos filhos, é porque esses filhos merecem essa compreensão; quando os
filhos assimilam bem as orientações certas dos pais, é porque esses pais
merecem essa compreensão. Assim, reportemo-nos mais uma vez, a Paulo:
Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em
Cristo Jesus para convosco.
l Tessal., 5:18
Estuda as grandes vidas, que
verificarás que o Espírito iluminado que vem com uma missão à Terra, nada faz
com que ele perca sua direção em todas as suas aptidões, que devem se expressar
junto aos homens.
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