Terezinha Oliveira de Souza
nasceu em 27 de fevereiro de 1932, em Maceió, Alagoas. Filha de Pedro Oliveira
e Energina Oliveira. Posteriormente foi morar em São Miguel dos Campos, uma
cidade localizada a aproximadamente 60 km de Maceió.
As famílias, naquela época, eram
grandes, e assim teve vinte irmãos. Com isso, sua vida - da infância à
juventude - não foi nada fácil. Católica, ensinava o catecismo na igreja local.
Impetuosa, aos 19 anos, em 1951, veio para o Rio de Janeiro com dois irmãos
para a casa de um tio. Assim, começava a projeção de uma nova trajetória de
vida.
Coincidentemente, no Rio
conheceu o alagoano Luiz Barbosa, com quem se casou algum tempo depois.
Entretanto, dando continuidade a seus estudos, conseguiu entrar para a
Faculdade de Humanidades D. Pedro II, em São Cristóvão, Rio de Janeiro. Ali, a
desbravadora do conhecimento, se diplomou em Física e Matemática. Dando
continuidade à sua formação profissional, formou-se em Pedagogia pela
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ).
Seu marido Luiz, ela o chamava
de Lula, mais velho do que Terezinha dez anos. Ele trabalhava na antiga
Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro, extinta em 1997. Ela, depois de
formada, conseguiu entrar para o serviço público como professora. A essa altura
já se encaminhava comunitariamente para dar aula a crianças, em casas de
assistência e presidiários, na Penitenciária Frei Caneca, extinta em 2006.
Em 1953, nascia o filho do
casal, Roberto Carlos Oliveira de Souza, o Beto. Cresceu e formou-se em
Engenharia Civil pela Faculdade da UERJ. Pessoa talentosa para a arte da
música, sempre florindo musicalmente os eventos na qual era convidado.
Bem, Terezinha, que antes era
católica, em 1962, começava a ter um despertamento para o Espiritismo. Morava
em Quintino Bocaiúva, em uma casa de vila. Neste mesmo ano, ao entrar em um
prédio, no Rio Comprido, deparou-se com uma senhora toda corcunda que não podia
nem se levantar. Depois de conversar com ela, Terezinha desceu no elevador e,
ao sair, sentiu os mesmos sintomas da senhora. Chegando em casa, relatou o caso
a uma vizinha, que prontamente se ofereceu a levá-la a uma Casa Espírita. Com
isso, Terezinha conheceu a Congregação Espírita Francisco de Paula, localizada
na Tijuca, à rua Conselheiro Zenha. Segundo Ela, foi pelas portas da
mediunidade e a vontade de trabalhar pelo bem, que se tornou espírita.
Nesse contexto, começou um
congraçamento com vários confrades e confreiras da doutrina, e isso foi lhe
incentivando a fazer algo pelas pessoas, em especial pelas crianças.
Com o passar do tempo, no
sentido de comprar um imóvel, Terezinha e seu marido Luiz Barbosa adquiriram
dois terrenos em uma Vila chamada Santa Amélia, um bairro periférico de
Queimados na época.
Alguns anos depois da sua
compra, Terezinha e Luiz Barbosa visitaram o local no sentido de se desfazer
dos terrenos. Caminhando pelo bairro de Santa Amélia, perceberam três garotos,
de sete e oito anos que vinham em sentido contrário conversando em voz alta,
planejando praticar roubos. Isso causou um grande impacto no casal. Ela
pensativa falou ao marido – ‘Acho que é melhor não vendermos os terrenos. Vamos
utilizá-los para fazer uma instituição assistencial. A obra principal será uma
escola. Sinto que este local precisa dessa assistência’. Possivelmente,
Terezinha neste momento já estaria sendo intuída pelo espírito de Joanna de
Ângelis.
Possuidora das melhores
intenções para desenvolver um trabalho humanitário no local, ela e o marido
começaram a andar mais por ali para ver as necessidades das pessoas com relação
à família, e foram percebendo que o local era de grande necessidade de educação
das crianças que ali residiam. Indubitavelmente, a escola evitaria que se
tornassem adultos marginalizados. Ali, então, encontrava-se uma área de
relevante carência educacional.
As obras começaram. Terezinha e
Lula empenharam os seus recursos financeiros para o investimento. Ali, então,
estava sendo dada a partida para a construção da escola, que iria ajudar a
educar as crianças daquele local.
Na verdade, somente os recursos
do casal não eram suficientes para o tamanho do empreendimento. Assim,
Terezinha começou a contatar pessoas de boa vontade que pudessem ajudar no seu
projeto da edificação da escola. Por essa época morava no Flamengo.
Dessa forma, com a ajuda
recebida e os seus próprios recursos, ela e seu marido Luiz conseguiram comprar
mais dois terrenos em frente à escola, começando também a construir o prédio
onde seria instalado o Centro Espírita Joanna de Ângelis, para dar apoio
espiritual à comunidade.
Assim, em 11 de dezembro de 1975
foi fundada a Instituição Espírita Joanna de Ângelis na rua dona Aisa, lotes
232 a 235, bairro de Santa Amélia, na época Distrito de Queimados, com o prédio
em construção.
Muitas pessoas começaram a
ajudar financeiramente o empreendimento. Assim, o trabalho de construção do
prédio da escola continuou ficando pronto, quatro anos depois. A sua
inauguração ocorreu no dia 6 de fevereiro de 1980, com a presença de Divaldo
Franco e Deolindo
Amorim.
A escola começou a funcionar,
mas era preciso mantê-la. Nesse contexto, Terezinha conseguiu formar um grupo
de pessoas, dando início a várias atividades, como bazares e almoços fraternos,
angariando fundos para o seu empreendimento.
Pedia ajuda a pessoas amigas e
conhecidas, e com muita dificuldade continuava as suas atividades para
conseguir verba para a escola. A partir de então, começou a receber doações
para o almoço e os lanches dos alunos, que tinham, assim, alimentação e estudo,
sem pagar nada por isso. O mais difícil era o pagamento dos professores. E lá
ia ela, incansável, à procura de recursos para saldar os salários dos
funcionários não voluntários.
Apesar da dificuldade
enfrentada, no dia certo conseguia arrecadar o dinheiro, dando conta de seus
compromissos, cumprindo o seu objetivo, que era o de tirar das ruas as crianças
que não tinham como estudar naquela comunidade.
Aos poucos, foi conseguindo
levar a educação e a moral para aquelas crianças que, com o passar do tempo, se
tornaram adolescentes trabalhando como voluntários na escola. E lá ia a
inesgotável missionária atrás de recursos, onde pessoas e empresas conhecedoras
do seu trabalho passaram a ajudar na manutenção da escola.
Alguns anos depois, com as
doações que foi recebendo e recursos próprios, ampliou a escola construindo o
segundo andar, uma quadra de futebol e vôlei e um auditório.
Foram passando-se os anos, e a
eminente escola, localizada em Japeri, reluzia pela sua grande luz, dando
mostras de um ambiente de paz.
Indubitavelmente, o projeto
iniciado e continuado por Terezinha Oliveira tem o objetivo de que as crianças
que ali residem possam ter auxílio educacional e humanitário. Atualmente,
estudam na Escola Espírita Joanna de Ângelis, aproximadamente, 120 alunos em
regime de horário integral, promovendo educação formal e complementar, do
maternal ao 5° ano para as crianças e adolescentes que vivem no local.
Desencarnou no dia 17 de junho de
2021. Seu sepultamento ocorreu no dia seguinte, no Cemitério Vale da Saudade,
em Queimados, distante quatro km da Escola Espírita Joana de Ângelis. Uma
multidão de pessoas foi até ao local homenageá-la. Muitas mães, alunos da
escola e pessoas amigas que a admiram.
Esta, portanto, é a vida e obra
de Terezinha Oliveira de Souza, uma alagoana de fibra. A ação de eficiente
educação para aquela comunidade revelou um grandioso trabalho de dedicação,
abnegação e desprendimento da diretora da escola e da instituição, Terezinha
Oliveira. Isso porque, por meio do seu comportamento altruísta, conduziu uma
relevante quantidade de crianças, que se tornaram pessoas de bem, sendo
educadas por meio de ensinamentos que as conduziram a profissões dignas, que
lhes trouxeram respeito com relação à comunidade, pelas diretrizes morais que
aprenderam.

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