“Oração” - José Ferraz de Almeida
Miramez
A Prece
Será útil que oremos pelos mortos e pelos Espíritos
sofredores? E, neste caso, como lhes podem as nossas preces proporcionar alívio
e abreviar os sofrimentos? Têm elas o poder de abrandar a justiça de Deus?
A prece não pode ter por efeito mudar os desígnios de
Deus, mas a alma por quem se ora experimenta alívio, porque recebe assim um
testemunho do interesse que inspira àquele que por ela pede e também porque o
desgraçado sente sempre um refrigério, quando encontra almas caridosas que se
compadecem de suas dores. Por outro lado, mediante a prece, aquele que ora
concita o desgraçado ao arrependimento e ao desejo de fazer o que é necessário
para ser feliz. Neste sentido é que se lhe pode abreviar a pena, se, por sua
parte, ele secunda a prece com a boa-vontade. O desejo de melhorar-se,
despertado pela prece, atrai para junto do Espírito sofredor Espíritos
melhores, que o vão esclarecer, consolar e dar-lhe esperanças. Jesus orava
pelas ovelhas desgarradas, mostrando-vos, desse modo, que culpados vos
tornaríeis, se não fizésseis o mesmo pelos que mais necessitam das vossas
preces.
Questão 664 / O Livro dos Espíritos
Devemos sempre orar pelos
Espíritos desencarnados, principalmente pelos sofredores que ignoram a bondade
de Deus. Mesmo que seja uma alma devedora em todas as circunstâncias, violenta
em todas as suas atividades, devemos a ela um gesto cristão, oferecendo as
nossas orações, o nosso carinho, para que possa modificar suas intenções e
despertar em seu coração o interesse de ser útil aos que sofrem igualmente. Não
é perda de tempo, como alguns pensam, e certas filosofias ensinam; é dever do
homem de bem orar pelos que sofrem ou causam sofrimento aos outros. São os
doentes que precisam ser tratados.
A prece não vai mudar os
desígnios de Deus, nem diminuir as provas dos que incorreram em faltas, porém é
força poderosa que parte do coração misericordioso que se instrui com Jesus. O
Mestre é a misericórdia viva que veio de Deus para a humanidade.
A oração tem o poder de levar ao
desesperado a paciência; ao violento, a calma, ao odiento, o amor, ao sofredor,
o alívio. É nesse processo de socorro que se vê o tesouro da prece, quando
feita por amor às criaturas. E, ainda mais, a súplica direcionada a outrem tem
a propriedade de condicionar no Espírito visado os sentimentos que a
acompanham, de modo que o aliviado medite sobre essas bênçãos e tenha o ensejo
de modificar seu modo de vida, passando a trabalhar dentro de si e aprimorando
seus pensamentos, palavras e obras, pelo simples toque de uma oração a serviço
da caridade.
Oremos sempre, entretanto,
esquecendo o fanatismo que sempre carrega consigo o apego às coisas materiais,
acreditando mais nas formas do que na energia que circula em nome d'Aquele que
é tudo para nós outros.
Se devemos orar pelos mortos?
Claro que devemos; eles são os mesmos que antes carregavam um fardo físico, e a
energia circulante e divina da oração, quando é doada por amor, tem o poder de
buscar a criatura visada em qualquer lugar do universo em frações que segundo,
envolvendo o Espírito doente e abatido no carinho e no amor que se desprendeu
dos sentimentos de quem ofertou a oração nas linhas da caridade.
Para saber orar do modo que
Jesus ensinou, necessário se faz que amemos a Deus sobre todas as coisas, e em
todas as coisas. Nesse ritmo de súplica, o que ora já está vislumbrando o reino
da felicidade e gozando do reino de Deus, como Espírito livre de todos os
agravos com que a humanidade possa tentar atingir seu coração.
Para buscar no Evangelho mais
segurança quanto à conduta da alma iluminada, verifiquemos o que o Mestre
disse, anotado por Marcos, no capítulo doze, versículo trinta e quatro:
Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente,
declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém mais ousava
interrogá-lo.
O primeiro passo para o caminho
da serenidade é não responder à ofensa, porque o agravo vem com o magnetismo
inferior do ofensor e cria ambiente para discussões estéreis, de modo que pode
surgir a discórdia e mesmo inimizade, a durarem por tempo indeterminado. A
violência é fonte de sofrimento e de mal-estar, e em seu lugar deve nascer o
perdão, porque ele asserena todas as fúrias. Se o ofensor continuar, os
Espíritos superiores isolarão suas investidas no homem de bem, e ele ficará a
sós com as suas maldades e suas paixões inferiores.

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