quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

DESTRUIÇÃO SEM UTILIDADE[1]

 


Miramez

 

Destruição necessária e destruição abusiva

Que se deve pensar da destruição, quando ultrapassa os limites que as necessidades e a segurança traçam? Da caça, por exemplo, quando não objetiva senão o prazer de destruir sem utilidade?

Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades; enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Terá que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa que cede aos maus instintos.

Questão 735 / O Livro dos Espíritos

 

Aquele que destrói sem utilidade está assumindo compromissos, de maneira a comprometer seu próprio futuro. A reencarnação ser-lhe-á instrumento que o fará sofrer as consequências do que fez de mal. Não obstante, a bondade de Deus é tão grande, que ainda assim provê suas necessidades nos caminhos que trilharam, dando-lhes forças para o resgate dos seus deslizes.

Todas as destruições que ultrapassam os limites da lei são violação da natureza. Tudo foi posto no mundo de modo ao homem obedecer às regras, respeitando a harmonia. Os animais têm um objetivo em suas vidas, que não é somente alimentar os homens. Há outras funções que escapam aos sentidos humanos, e para que compreendamos melhor as leis de Deus, apeguemo-nos ao amor, o amor que podemos atingir de acordo com a nossa evolução, de maneira que a intuição nos ofereça o que deve ser feito, ajudando-nos a disciplinar os nossos impulsos inferiores.

O homem moderno já saiu um pouco da animalidade e deve conhecer, pelo que já se tem falado e escrito dos ensinamentos de Jesus, muitos conceitos salvadores. O que está precisando é de mais boa vontade no clima da moral, e honestidade no modo de viver.

Os animais somente destroem de acordo com as suas necessidades, no entanto, os homens destroem por prazer. Assim, estão destruindo seus próprios interesses e dificultando a sua ascensão espiritual. O que se passa no mundo, de pestes, guerras e fome em todas as direções do planeta, são provenientes da desarmonia interna das criaturas. Enquanto prevalecer o ódio, o orgulho, o egoísmo, a prepotência, enfim, todo o tipo de violência, as guerras, pestes e fome não desaparecerão, mesmo que a ciência venha em socorro dos países que se encontram transbordantes de ouro.

Os sofrimentos se avolumam, pedindo ao Espírito aquela ciência divina que se chama amor, aquele amor que o Cristo viveu para ensinar na Terra. O que se vê no mundo atual, são países fabricantes de guerras, a fim de se apossarem das fracas possibilidades dos países subdesenvolvidos. Eles não ajudam sem interesse, esse é o maior mal. Eles devem saber que tudo vem de Deus, que lhes deu e pode tirar-lhes a qualquer hora, como já tem feito com muitos outros que abusaram da Sua bondade.

E serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.

Lucas, 14:14

Se somos todos filhos de Deus, com os mesmos direitos e deveres, qual a nossa posição de Espírito e nação? Ajudar naquilo que estamos preparados e não utilizar o que temos para explorar, para massacrar as almas indefesas. Tudo o que fazemos de negativo, é incentivo à destruição: se alguém tem pensamentos de vingança, esses pensamentos se unem às ideias idênticas onde quer que seja, e avolumam o interesse de destruir nos violentos. Quem pensou no mal, tem culpa nos acontecimentos de destruição. Se não queremos contribuir para o mal, esqueçamo-lo e façamos o bem, que somente o bem com Jesus Cristo salva e educa.

Se abusamos das coisas que nos foram entregues pelo amor de Deus, teremos de prestar contas, porque existem dois tribunais sempre presentes em nossas vidas: o primeiro é o mais rigoroso que se chama consciência, e o segundo são os feitos que nos acompanham onde estivermos, esperando para serem desfeitos pelas mudanças que devem ser operadas nas nossas vidas.

A Doutrina dos Espíritos significa uma bênção de Deus para todos nós, dos dois planos da vida. Ela nos capacita para evitarmos muitos dissabores e nos ajuda a nos livrarmos de muitos males.

Abracemo-la com carinho e gratidão, fazendo chegar a outros corações essa mensagem de Jesus, pelos canais do exemplo. Esse é o nosso dever.



[1] FILOSOFIA ESPÍRITA – Volume 15 – João Nunes Maia

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