VOCAÇÃO[1]
Miramez
Escolha das provas
A que se devem
atribuir as vocações de certas pessoas e a vontade que sentem de seguir uma
carreira de preferência a outra?
Parece-me que vós mesmos podeis responder a esta
pergunta. Pois não é isso a consequência de tudo o que acabamos de dizer sobre
a escolha das provas e sobre o progresso efetuado em existência anterior?
Questão 270 / O Livro dos Espíritos
Parece-nos simples essa
pergunta, no entanto, ela foi feita para enriquecer mais os conhecimentos
espirituais das criaturas. O Codificador era inspirado pelos benfeitores
espirituais na formulação das perguntas, de maneira a mostrar a verdade aos que
desejarem despertar seus dons que se encontram em estado latente.
A vocação de certas pessoas para
tal ou qual profissão está ligada à escolha que fez quando Espírito livre da
matéria. Parece, para os ignorantes, que a criatura escolheu, naquele momento,
o que deveria seguir, mas a escolha já se encontrava feita nos guardados da
consciência.
A vida é organizada porque Deus
é harmonia, e harmonia na sua profundidade é Amor. O passado reflete no
presente, assim como esse nos fala do futuro. Se desejamos um futuro de paz e
de luz, não escondamos as mãos; acionemo-las, no trabalho honesto e na dignidade
cristã, lembrando-nos sempre de dar com uma mão sem que a outra veja.
Cada criatura de Deus é um mundo
com extensões imensuráveis. Existem campos e mais campos de trabalho, e a
lavoura é fértil em todos os seus aspectos. Estamos com o celeiro cheio de
sementes depositadas pelos nossos atos. Examinemos que tipo delas guardamos no
coração, se as devemos lançar ao solo, pois sabemos que colhemos o que
semeamos.
Se deve o encarnado fazer
algumas reformas morais, que as faça logo, enquanto se encontra nas lides do
mundo, aproveitando a oportunidade de se render à evidência. Se escolheu com
alegria por que deve optar como profissão, não deve se esquecer que a vida é um
solo santo que recebe o que nele se deposita, devolvendo mais tarde os frutos
correspondentes para o seu caminho.
Não devemos chorar de revolta
pelas dificuldades que atravessamos na carne ou em Espírito. Elas são as
consequências do que fizemos das oportunidades. Se escolhemos a medicina na
linha de reajustes no mundo, vejamos o que dela fazemos. Lembremo-nos primeiro
da honestidade na profissão. O ouro empana a visão daqueles em que a usura é
filha da sua ganância. Se seguimos o caminho do Direito, observemos a conduta
ante o desespero alheio. Se fecharmos os olhos ao nosso mandato, podemos
complicar a nossa vida quando voltarmos para a pátria verdadeira.
A vocação é um ministério, e
cada profissão deve ser um sacerdócio em Cristo, ajudando a despertar os
valores morais em cada coração. Devemos ganhar para viver, e não vivermos para
ajuntar o ouro, sem que esse ouro circule em favor do próximo. A profissão
tanto pode elevar como destruir as nossas possibilidades.
Se já somos conscientes da
verdade, podemos ajudar aos que nos cercam, mostrando a cada um, pela palavra e
pelo exemplo, o que devemos fazer das profissões, para que o mundo de amanhã se
torne um paraíso de Deus, e benefício dos homens, mas, para tanto, a conquista
é o molde de luz para a paz de consciência. Não joguemos fora o que Deus
depositou em nosso caminho, como trabalho. Aprimoremos cada vez mais tudo que
fazemos, sem nos esquecermos de convidar Jesus para nos inspirar no que fazer
das oportunidades que nos foram entregues por misericórdia.

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