Execução
de Giordano Bruno - Samir Rakhmanov
Eder Andrade
Todos nós somos portadores de
limitações que nos acompanham há várias encarnações como sombras que seguem
nossa jornada evolutiva.
Elas refletem nosso atraso
espiritual assim como nossa dificuldade em superar questões pessoais. Em alguns
casos são problemas tão antigos quanto nossa existência, pois fazem parte até
mesmo das nossas crenças e tradições transgeracionais.
Essas limitações se confundem
com nossa história de vida, pois não conseguimos superar nossos bloqueios e
atribuímos à nossa maneira de ser. Na verdade podem estar atreladas a questões
de escolhas equivocadas da nossa parte, feitas em algum momento de uma
existência passada.
Somos portadores de estruturas
de pensamento muito empedernidas, cristalizadas por preconceitos e que para
serem modificadas envolvem um forte desejo de transformação e mudança.
Segundo Emmanuel, muitos dos
nossos erros estão relacionados ao nosso atraso moral e não propriamente a um
sentimento de perversidade da nossa parte, segundo ele, somos reféns das nossas
limitações e ignorância:
Recorda que há mais
ignorância que maldade, em torno de teu destino[2].
Se o ser humano tivesse uma
maior compreensão da sua realidade espiritual, cometeria menos erros, pois
faria escolhas menos equivocadas. Dessa forma cometeria menos imprudências, uma
vez que seria capaz de antever as consequências das suas escolhas.
É muito difícil admitir que
deveríamos rever nossa história e nossas verdades, principalmente quando elas
já se tornaram paradigmas da nossa existência, ou seja, uma crença quase
inquestionável.
No crepúsculo da civilização em que rumamos para a
alvorada de novos milênios, o homem que amadureceu o raciocínio supera as
fronteiras da inteligência comum e acorda, dentro de si mesmo, com
interrogativas que lhe incendeiam o coração.
À margem da senda em que jornadeia, surgem os escuros
estilhaços dos ídolos mentirosos que adorou e, enquanto sensações de cansaço
lhe assomam à alma enfermiça, o anseio da vida superior lhe agita os recessos
do seu, qual braseiro vivo do ideal, sob a espessa camada de cinzas do
desencanto[3].
A grande jornada entre a
antiguidade e a sociedade moderna exigiu profundas mudanças e transformações,
exigindo a destruição de antigos modelos e renovação de velhas crenças.
Tradições que mantém a cultura ancorada em um passado obsoleto e ultrapassado, impedindo
que novas ideias e concepções possam ser aceitas. O Velho Mundo deveria dar
espaço para uma nova realidade cultural e científica, era o advento da Idade
Moderna.
Essa visão épica dos grandes
descobrimentos reflete o nosso atraso enquanto pensadores, pois ainda estamos
com um pé na Idade Média e esse fato dificulta nossa aceitação de novas ideias
e conceitos. Vivemos no presente, mas nossa estrutura de pensamento, em alguns
aspectos ainda é ultrapassada.
Sem o paralelo da visão
espiritual oferecida por Emmanuel, às vezes fica difícil compreender na íntegra
a nossa dificuldade íntima evolutiva:
De portas abertas à glória do ensino, a Terra, nas
linhas da atividade carnal, é, realmente, uma universidade sublime,
funcionando, em vários cursos e disciplinas, com dois bilhões de alunos,
aproximadamente, matriculados nas várias raças e nações.
Para a maioria dessas criaturas, necessitadas de
experiência nova e mais ampla, a reencarnação não é somente um impositivo
natural, mas também um prêmio pelo ensejo de aprendizagem3.
O homem se assusta com o novo,
as mudanças geram desconfianças, pois nossas crenças nos prendem a valores
atávicos tanto familiares como sociais, principalmente devido ao medo de nos
tornarmos excluídos do grupo social em que vivemos.
O conhecimento da história,
associada a visão espiritual de Emmanuel, é reforçado pela psicografia de Chico
Xavier, onde interessantes passagens nos ajudam a compreender o processo de
renovação e transformação da Idade Moderna:
O comércio se desloca das águas estreitas do
Mediterrâneo para as grandes correntes do Atlântico, procurando as estradas
esquecidas para o Oriente. Para facilitar a obra extraordinária dessa imensa
tarefa de renovação, os auxiliares do Divino Mestre conseguem ambientar na
Europa antigas invenções e utilidades do Oriente, como a bússola para as
experiências marítimas e o papel para a divulgação do pensamento[4].
A evolução intelectual e moral
dos espíritos vem passando por grandes ciclos evolutivos ao longo da História
da Humanidade terrestre. Desde a Idade da Pedra Lascada mais remota da
Antiguidade Oriental, até o atual século XXI.
Encontramos indivíduos
visionários capazes de perceber as tênues diferenças entre a sombra e a luz,
enquanto outras pessoas permanecem endurecidas em seus pontos de vista. Uma
forte cultura atávica tradicional familiar ou até mesmo social, que estabelece
um conjunto de crenças e ideias que formam a base da nossa visão de mundo,
influenciando como interpretamos a realidade e tomamos decisões.
O rompimento com esse modelo não
é uma questão de lógica, às vezes reflete nossa dificuldade de perceber uma
realidade que está além do conhecimento convencional.
Um bom exemplo foi no dia 17 de
fevereiro de 1600, uma quinta-feira ensolarada, Roma presenciou um espetáculo
dantesco. Centenas de pessoas lotaram o Campo dei Fiori, uma praça no centro da
cidade, para assistir à morte na fogueira de Giordano Bruno, por ordem da Santa
Inquisição, quando disse em suas últimas palavras:
...que haja nesse espaço inúmeros corpos como nossa
Terra e outras terras, nosso Sol e outros sóis, todos os quais executam
revoluções nesse espaço infinito[5].
[1] O CONSOLADOR - Ano 19 - N° 951 - 30 de Novembro
de 2025 - https://www.oconsolador.com.br/ano19/951/ca4.html
[2] Xavier, Francisco Cândido; Vida e Caminho (1994)
Espíritos Diversos; Carta ao Ano Novo (Emmanuel); Ed. GEEM.
[3] Xavier, Francisco Cândido; Roteiro (1952); Cap. 1 - O
Homem ante a vida; Cap. 9 - O grande Educandário (Emmanuel); Ed. FEB.
[4] Xavier, Francisco Cândido; A Caminho da Luz (1938);
Cap XX – Renascença do Mundo – it.: Movimentos Regeneradores; Ed. FEB.
[5] Wikipédia (Enciclopédia Livre) - “Condenação à morte
de Giordano Bruno, em Roma”.

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