Ana Elizabeth Diniz - 25 de novembro de 2025
Crença é maior na Indonésia, Nigéria e Quênia e menor
no Japão, Suécia e Alemanha
A revista “Scientific Reports”
acaba de publicar um dos resultados do Estudo Global sobre Florescimento Humano
(Global Flourishing Study) que pesquisou, entre 2022 e 2023, a crença na vida
após a morte. Foram ouvidas 202.898 pessoas de 22 países de todos os
continentes, sendo 13 mil no Brasil. Há ainda o estudo do Pew Research Center,
centro de pesquisa localizado em Washington, que ouviu mais de 50 mil adultos
em 36 países sobre o mesmo tema.
O resultado do maior estudo já
feito sobre florescimento e bem-estar humano revela que a maior parte da
população mundial está pelo menos aberta à possibilidade de existência de uma
vida após a morte, ao responder “sim” ou “não tenho certeza” a essa pergunta.
Essa abertura foi maior na Indonésia (98%), nas Filipinas (92%), no Quênia
(87%) e no México (85%) e menor na Alemanha (65%), na Suécia (63%) e na Índia
(57%).
“Essas tendências podem ser
influenciadas por fatores como secularização, industrialização e mudanças
demográficas (envelhecimento versus população jovem)”, analisa Alexander
Moreira-Almeida, professor titular de psiquiatria, fundador e diretor do Núcleo
de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Juiz de Fora e um dos autores do estudo.
Moreira-Almeida destaca que “a
frequência a serviços religiosos pelo menos uma vez por semana foi um
fator-chave para a crença maior na vida após a morte observada (entre 73% e
78%) e a menor entre aqueles que nunca frequentam (38%)”.
Em muitos países, jovens adultos
expressaram crença mais elevada do que adultos de meia-idade e idosos (por
exemplo, no Japão e na Alemanha). “Mulheres demonstraram crença muito mais
elevada na Austrália, na Polônia e na Suécia, enquanto os homens apresentaram
crença significativamente mais elevada no Egito e na Tanzânia”, diz o
pesquisador.
E emenda: “Mais anos de educação
foram associados a uma crença mais elevada em alguns países, como Brasil,
Egito, Indonésia, Quênia, México, Filipinas, Tanzânia e Reino Unido. Em
contraste, uma correlação inversa foi observada na Austrália, na Índia, em Israel,
na África do Sul, na Espanha, na Suécia, na Turquia e nos Estados Unidos”.
Um dado que chama atenção é que,
“em um país altamente religioso como a África do Sul (predominantemente
cristã), a proporção de indivíduos que endossam a crença na vida após a morte
entre aqueles sem religião foi semelhante à de cristãos e outros grupos
religiosos”, observa Moreira-Almeida.
Ele aponta um contraste. “Na
Suécia, país mais secular, a adesão à crença entre os não religiosos foi
significativamente menor do que entre os religiosos. Isso pode sugerir que uma
cultura predominantemente religiosa cria um ambiente de aceitação da crença na
vida após a morte que é mantido até mesmo por pessoas não religiosas”.
O especialista cita uma
semelhança entre os dois estudos: “A demonstração da alta prevalência de
crenças numa visão transcendente do ser humano, ou seja, na dimensão
espiritual. A maioria das pessoas acredita na vida após a morte e dá
importância à espiritualidade. O principal fato preditor de florescimento de
bem-estar, integração social, felicidade e saúde foi justamente a frequência
religiosa e espiritual”.
Ele ressalta outro dado muito
interessante: “Maior escolaridade não prediz menos crenças em uma dimensão
espiritual ou na vida após a morte. No Brasil, no Reino Unido e no México,
quanto maior o nível de escolaridade, maior a crença em vida após a morte,
assim como também na pesquisa do Pew Research Center”.
https://doi.org/10.1038/s41598-024-83541-x
Embora não exista uma linha
divisória clara e amplamente aceita entre religião e espiritualidade, essas
questões mostram que, mesmo em países onde relativamente poucas pessoas
consideram a religião muito importante, muitos mantêm crenças em espíritos e/ou
na vida após a morte.
É o que revela o estudo
realizado pela Pew Research Center. Segundo se reportou, adultos na América
Latina e na África Subsaariana estão entre os mais propensos a dizer que há
vida após a morte, ao passado que os europeus estão entre os menos propensos a
manter essas crenças. A maioria dos cristãos acredita que há vida após a morte,
e budistas e hindus são consistentemente mais propensos do que outros grupos
religiosos em seus países a acreditar na reencarnação.
Na maior parte dos países
pesquisados, a maioria dos adultos afirma que há, definitivamente ou
provavelmente, vida após a morte. Exemplificativamente, 85% dos adultos na
Indonésia de maioria muçulmana dizem isso, assim como 80% dos adultos no Quênia
de maioria cristã. E, nos seis países da América Latina pesquisados, cerca de
dois terços dos adultos acreditam que existe vida após a morte. (AED)

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