sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

VIDA APÓS A MORTE É CRENÇA EM TODO O MUNDO[1]

 



Ana Elizabeth Diniz - 25 de novembro de 2025

 

Crença é maior na Indonésia, Nigéria e Quênia e menor no Japão, Suécia e Alemanha

 

A revista “Scientific Reports” acaba de publicar um dos resultados do Estudo Global sobre Florescimento Humano (Global Flourishing Study) que pesquisou, entre 2022 e 2023, a crença na vida após a morte. Foram ouvidas 202.898 pessoas de 22 países de todos os continentes, sendo 13 mil no Brasil. Há ainda o estudo do Pew Research Center, centro de pesquisa localizado em Washington, que ouviu mais de 50 mil adultos em 36 países sobre o mesmo tema.

O resultado do maior estudo já feito sobre florescimento e bem-estar humano revela que a maior parte da população mundial está pelo menos aberta à possibilidade de existência de uma vida após a morte, ao responder “sim” ou “não tenho certeza” a essa pergunta. Essa abertura foi maior na Indonésia (98%), nas Filipinas (92%), no Quênia (87%) e no México (85%) e menor na Alemanha (65%), na Suécia (63%) e na Índia (57%).

“Essas tendências podem ser influenciadas por fatores como secularização, industrialização e mudanças demográficas (envelhecimento versus população jovem)”, analisa Alexander Moreira-Almeida, professor titular de psiquiatria, fundador e diretor do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora e um dos autores do estudo.

Moreira-Almeida destaca que “a frequência a serviços religiosos pelo menos uma vez por semana foi um fator-chave para a crença maior na vida após a morte observada (entre 73% e 78%) e a menor entre aqueles que nunca frequentam (38%)”.

Em muitos países, jovens adultos expressaram crença mais elevada do que adultos de meia-idade e idosos (por exemplo, no Japão e na Alemanha). “Mulheres demonstraram crença muito mais elevada na Austrália, na Polônia e na Suécia, enquanto os homens apresentaram crença significativamente mais elevada no Egito e na Tanzânia”, diz o pesquisador.

E emenda: “Mais anos de educação foram associados a uma crença mais elevada em alguns países, como Brasil, Egito, Indonésia, Quênia, México, Filipinas, Tanzânia e Reino Unido. Em contraste, uma correlação inversa foi observada na Austrália, na Índia, em Israel, na África do Sul, na Espanha, na Suécia, na Turquia e nos Estados Unidos”.

Um dado que chama atenção é que, “em um país altamente religioso como a África do Sul (predominantemente cristã), a proporção de indivíduos que endossam a crença na vida após a morte entre aqueles sem religião foi semelhante à de cristãos e outros grupos religiosos”, observa Moreira-Almeida.

Ele aponta um contraste. “Na Suécia, país mais secular, a adesão à crença entre os não religiosos foi significativamente menor do que entre os religiosos. Isso pode sugerir que uma cultura predominantemente religiosa cria um ambiente de aceitação da crença na vida após a morte que é mantido até mesmo por pessoas não religiosas”.

O especialista cita uma semelhança entre os dois estudos: “A demonstração da alta prevalência de crenças numa visão transcendente do ser humano, ou seja, na dimensão espiritual. A maioria das pessoas acredita na vida após a morte e dá importância à espiritualidade. O principal fato preditor de florescimento de bem-estar, integração social, felicidade e saúde foi justamente a frequência religiosa e espiritual”.

Ele ressalta outro dado muito interessante: “Maior escolaridade não prediz menos crenças em uma dimensão espiritual ou na vida após a morte. No Brasil, no Reino Unido e no México, quanto maior o nível de escolaridade, maior a crença em vida após a morte, assim como também na pesquisa do Pew Research Center”.

https://doi.org/10.1038/s41598-024-83541-x

https://www.pewresearch.org/religion/2025/05/06/believing-in-spirits-and-life-after-death-is-common-around-the-world/

 

Embora não exista uma linha divisória clara e amplamente aceita entre religião e espiritualidade, essas questões mostram que, mesmo em países onde relativamente poucas pessoas consideram a religião muito importante, muitos mantêm crenças em espíritos e/ou na vida após a morte.

É o que revela o estudo realizado pela Pew Research Center. Segundo se reportou, adultos na América Latina e na África Subsaariana estão entre os mais propensos a dizer que há vida após a morte, ao passado que os europeus estão entre os menos propensos a manter essas crenças. A maioria dos cristãos acredita que há vida após a morte, e budistas e hindus são consistentemente mais propensos do que outros grupos religiosos em seus países a acreditar na reencarnação.

Na maior parte dos países pesquisados, a maioria dos adultos afirma que há, definitivamente ou provavelmente, vida após a morte. Exemplificativamente, 85% dos adultos na Indonésia de maioria muçulmana dizem isso, assim como 80% dos adultos no Quênia de maioria cristã. E, nos seis países da América Latina pesquisados, cerca de dois terços dos adultos acreditam que existe vida após a morte. (AED)

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