Thereza Poletti de Brito nasceu na cidade de
Pirassununga, no Estado de São Paulo, no dia 7 de junho de 1900. Sendo Thereza
Poletti católica fervorosa, veio a consorciar-se, em abril de 1919, com o Sr.
Antônio de Souza Brito, militante espírita que frequentava o Centro Espírita
João Batista, na cidade de Araras, dirigido à época pelo Dr. Roberto
Mercatelli. Foi mãe de 11 filhos. Aos 39 anos ficou viúva, iniciando-se um
período de ingentes sacrifícios para criar os filhos e bem conduzir a grande
família, agora formada por oito filhos, pois três deles já haviam desencarnado,
um vitimado pela sífilis e dois, que eram gêmeos, pelo pênfigo foliáceo, também
conhecido como fogo selvagem.
O sofrimento teve o poder de
burilar sempre mais essa valorosa mulher, fadada aos grandes testemunhos, pois,
mais tarde, sofreria novamente com a desencarnação de outros três filhos:
Ofélia, Jesuíno e Alcides.
Nos momentos de grandes dores,
Thereza costumava bendizer o nome de Jesus, com venerável respeito, crendo-se
favorecida pela Misericórdia Divina, que lhe concedia as oportunidades dos
testemunhos como provações necessárias para o resgate de suas faltas pretéritas.
A sua conduta foi sempre um
exemplo de vida cristã junto à família, perante os amigos e até mesmo diante de
desconhecidos que batiam à sua porta em busca de socorro, sendo muitos deles
recolhidos ao aconchego do seu próprio lar, onde eram repartidas as migalhas
para o sustento diário.
O Espiritismo alcançara a sua
vida e aceito com carinho e atilamento, iluminava mais e mais a via de lutas de
Thereza. Aos poucos ia-se aclimando aos seus conteúdos, verificando o quanto de
verdades e de consolação sobejam nos seus ensinamentos.
No começo da sua vida espírita,
um episódio muito bonito e importante marcou fortemente a sua crença.
Desde os seus tempos de
católica, ouvia o esposo comentar, com entusiasmo e reverência, a respeito da
equipe espiritual do Dr. Bezerra
de Menezes e do seu atendimento aos doentes necessitados de ajuda. Sendo
ela portadora de um tumor na coxa, do tamanho aproximado de um ovo de galinha,
ocorreu-lhe a ideia de apelar para o doce Médico dos Pobres, já que
dificuldades financeiras e os recursos limitados da medicina local não lhe
permitiam maiores esperanças.
O tempo seguiu seu curso...
Durante o período de resguardo,
em virtude do nascimento de um de seus filhos, numa noite de sono mais
profundo, a cirurgia foi realizada, de fato, sendo extraído o tumor e ficando à
mostra a concavidade de onde ele saíra. A rogativa dirigida ao Dr. Bezerra de
Menezes e o seu atendimento reforçariam, definitivamente, a sua fé e o seu
engajamento no trabalho espírita que nunca mais cessou em toda sua existência.
Não obstante a vida de Thereza
de Brito estivesse marcada sempre pela dor, proveniente de imperiosas
provações, ela ainda encontrava tempo e disposição para outras realizações
nobres fora do lar.
Juntamente com um grupo de
espíritas pioneiros, tendo à frente o Dr. Roberto Mercatelli e sua esposa, D.
Geni Villas Boas Mercatelli, Dr. Lauro Michielin, Sr. Sebastião Krepischi e
outros, Thereza de Brito colaborou na criação do Sanatório Espírita Antonio
Luiz Sayão, de Araras, que lançou sua pedra fundamental em 31 de outubro de
1950 e recebeu o seu primeiro paciente em 21 de setembro de 1956 e que até hoje
funciona, ampliado e dotado das mais avançadas técnicas para o tratamento
psiquiátrico à luz da Doutrina Espírita.
Como reconhecimento ao trabalho
das primeiras horas de Thereza, a atual Diretoria do Sanatório, tendo à frente
o confrade Arceu Scanavini, inaugurou uma ala feminina com o seu nome, numa
justa e fraterna homenagem ao esforço e à atuação de alguém que soube superar
as próprias lutas na pregação do amor através de uma vida inteira de dedicação
e de fidelidade a Jesus.
Após 76 anos de uma frutuosa
existência, desencarna Thereza de Brito, em Araras, no dia 2 de julho de 1976,
levando consigo a palma de toda uma vida modesta e dignificada pelos exemplos
superiores oferecidos nas ações de cada dia.
Ismael Biaggio -
Araras/SP, março de 1991
(Vereda Familiar,
J. Raul Teixeira, ed. Fráter)

Nenhum comentário:
Postar um comentário